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  • Zarc: novos zoneamentos climáticos ampliam produção de batata no Brasil

    Zarc: novos zoneamentos climáticos ampliam produção de batata no Brasil

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou novas portarias que atualizam o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a batata. Desenvolvido pela Embrapa, o novo zoneamento cobre todo o território nacional. E detalha, por município, as áreas e períodos com menor risco climático para o cultivo, beneficiando tanto o mercado de consumo in natura quanto a indústria de processamento agroindustrial.

    O Zarc orienta produtores sobre as regiões e janelas de plantio mais seguras, considerando as especificidades do cultivo para batata de mesa e batata destinada à indústria. Para o mercado fresco, o ciclo da cultura dura cerca de 90 dias, priorizando aparência e qualidade visual dos tubérculos. Já para a indústria, o ciclo se estende de 120 a 130 dias, permitindo maior acúmulo de matéria seca e menor teor de açúcar, características que garantem crocância e cor clara ao produto processado.

    Segundo Arione Pereira, pesquisador da Embrapa, a batata para o mercado fresco precisa de pele lisa e boa aparência, enquanto a batata industrial deve completar o ciclo de maturidade para atingir os padrões exigidos pela indústria alimentícia. O zoneamento não diferencia cultivares específicas, pois o manejo define o ciclo da cultura em todas as regiões produtoras.

    Principais riscos e critérios do zoneamento

    O novo Zarc considera riscos climáticos como temperaturas extremas, variações de precipitação, incidência de granizo e geada. Além de fatores como qualidade do solo e altitude. Seca pode ser contornada com irrigação, mas o excesso de chuvas favorece doenças e reduz a produtividade. O sistema permite que produtores consultem, por município, as datas ideais de plantio e as variações de risco de perda de 20%, 30% e 40%, levando em conta a finalidade do plantio e as condições locais.

    A metodologia unificada substitui os antigos zoneamentos estaduais, ampliando a análise para todo o Brasil. O Painel de Indicação de Riscos do Mapa e o aplicativo Zarc Plantio Certo, da Embrapa Agricultura Digital, facilitam o acesso às informações. O novo zoneamento já identificou áreas de altitude elevada na Bahia com potencial produtivo, dentro dos parâmetros aceitos por programas de seguro rural. Mesmo em regiões que tradicionalmente não cultivavam batata.

    Antes de expandir para novas áreas, especialistas recomendam avaliar a disponibilidade de água, mão de obra, mercado e logística. O zoneamento serve como referência para o setor produtivo, para programas de seguro rural e para o Proagro. Assim, fortalecendo a tomada de decisão e a segurança do produtor.

    A elaboração do Zarc contou com a participação da Embrapa Clima Temperado, Embrapa Hortaliças, Embrapa Agricultura Digital e da Associação Brasileira da Batata (ABBA). O Brasil, quinto maior produtor mundial de batata, pode ampliar a produção e a eficiência do setor ao adotar as recomendações do novo zoneamento, reduzindo perdas e aumentando a competitividade no mercado interno e na indústria.

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  • Batata sobe e some do prato

    Batata sobe e some do prato

    Os preços da batata no Brasil têm mostrado uma tendência de alta recentemente, conforme indicado pelo último Boletim Prohort da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), afetando a produção. Em janeiro de 2024, a batata apresentou uma elevação de preços pelo terceiro mês consecutivo, com a média ponderada registrando um aumento de 20,37% em relação ao mês anterior. Essa tendência foi observada na maioria das Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país, com aumentos significativos em mercados como Vitória (28,19%), Belo Horizonte (26,10%), Rio de Janeiro (25,02%) e São Paulo (23,68%)​ (CONAB)​.

    A elevação dos preços pode ser atribuída ao início do período de entressafra do tubérculo. O pico da safra das águas já passou, enquanto a safra da seca/inverno ainda não apresentou força suficiente para pressionar as cotações para baixo​ (Conab)​. A Conab também observa que, apesar da queda nas cotações de algumas outras hortaliças, como a alface e a cenoura, os preços da batata se mantêm elevados devido à oferta restrita e à alta demanda​ (CONAB)​​ (Conab)​.

    Esses movimentos de preços refletem as dinâmicas de oferta e demanda, bem como as condições climáticas que impactam diretamente a produção agrícola. A entressafra da batata, combinada com uma menor oferta e uma demanda constante, tende a manter os preços elevados no curto prazo.

    Cenário para o produtor

    A produção de batata no Brasil tem apresentado um cenário misto nos últimos anos. Embora o país seja um dos maiores produtores mundiais, com uma produção anual em torno de 3,5 milhões de toneladas, os produtores têm enfrentado desafios que impactam diretamente em seu faturamento.

    A produção de batata no Brasil está concentrada principalmente nos estados de Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Juntos eles respondem por cerca de 70% da produção nacional. O rendimento médio da cultura é de aproximadamente 30 toneladas por hectare, um valor considerado baixo quando comparado a outros países produtores.

    Diversos fatores contribuem para esse baixo rendimento, como a utilização de tecnologias ultrapassadas, a falta de acesso a sementes de qualidade e a ocorrência de pragas e doenças. Além disso, as condições climáticas adversas, como estiagens prolongadas e geadas, também têm afetado a produtividade da cultura.

    Custos de Produção

    Os custos de produção da batata têm aumentado significativamente nos últimos anos, principalmente devido à elevação dos preços dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos. Estima-se que os custos de produção da cultura tenham subido cerca de 30% nos últimos dois anos.

    Esse aumento nos custos de produção tem pressionado as margens de lucro dos produtores, reduzindo sua rentabilidade. Muitos produtores têm optado por reduzir a área plantada. Ou até mesmo abandonar a atividade, o que pode levar a uma queda na oferta de batata no mercado.

    Perspectivas para o Produtor

    Apesar dos desafios enfrentados, a perspectiva para o produtor de batata é de melhora nos próximos anos. Com a adoção de novas tecnologias e a melhoria na gestão da propriedade, é possível aumentar a produtividade e reduzir os custos de produção.

    Além disso, a demanda por batata no mercado interno e externo tem se mantido estável, o que pode garantir melhores preços aos produtores. Estima-se que o preço médio recebido pelo produtor de batata em 2023 tenha sido de R$ 60,00 por saca de 50 quilos.

    No entanto, para que os produtores possam aproveitar essa oportunidade, é necessário que haja investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Assim como políticas públicas que incentivem a adoção de tecnologias e a melhoria da infraestrutura rural.

    Em resumo, a produção de batata no Brasil enfrenta desafios, mas também apresenta oportunidades para os produtores que investirem em tecnologia e gestão. Com a adoção de práticas mais eficientes e a melhoria das condições de mercado, é possível aumentar a rentabilidade da cultura e garantir a sustentabilidade da atividade no longo prazo.