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  • Rio de Janeiro é o segundo maior produtor de abacaxi do Brasil; interior do estado lidera a colheita

    Rio de Janeiro é o segundo maior produtor de abacaxi do Brasil; interior do estado lidera a colheita

    O Rio de Janeiro consolidou sua posição como um dos principais estados produtores de abacaxi do Brasil. Em 2024, o estado colheu cerca de 165 mil toneladas da fruta, com produção concentrada no Norte Fluminense. A região abriga três dos maiores municípios produtores do país.

    São Francisco de Itabapoana lidera o ranking estadual e ocupa o segundo lugar no cenário nacional, com 107,2 mil toneladas produzidas no último ano. São João da Barra e Campos dos Goytacazes completam o pódio fluminense, segundo dados da Emater-Rio.

    No total, o estado conta com aproximadamente 6 mil hectares cultivados e reúne cerca de 1.170 agricultores dedicados à cultura do abacaxi. A produtividade média chega a 35 mil frutos por hectare. Resultado que reflete tanto avanços tecnológicos no manejo quanto o acesso dos produtores a linhas de financiamento específicas para o setor.

    Variedade Pérola domina o mercado

    A variedade Pérola responde por cerca de 95% de toda a produção fluminense, sendo reconhecida pela doçura, suculência e boa aceitação no mercado consumidor. Os outros 5% ficam com a Smooth Cayenne. O ciclo produtivo escalonado da cultura permite colheitas ao longo de todo o ano, o que garante maior estabilidade de renda aos agricultores.

    Foto: Secom RJ

    Além do consumo in natura, o abacaxi produzido no Rio tem potencial crescente para industrialização. Sucos, polpas, doces e outros derivados ampliam as possibilidades de comercialização. A proximidade com grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo representa uma vantagem competitiva relevante para os produtores da região.

    Crédito a 2% de juros financia melhorias nas lavouras

    Parte significativa desse crescimento está associada ao acesso a financiamento rural com condições diferenciadas. Desde 2020, foram firmados 82 contratos de crédito voltados à fruticultura no estado, totalizando mais de R$ 4,5 milhões em recursos. Cada produtor pode acessar até R$ 100 mil com taxa de juros de 2% ao ano, para investir em insumos, irrigação e modernização das lavouras.

    Estevo Silva da Penha, agricultor de São Francisco de Itabapoana com mais de quatro décadas de experiência na cultura do abacaxi, é um dos beneficiários da linha de crédito há mais de dez anos. Na sua propriedade, as variedades Pérola e Perolera colombiana rendem entre 500 e 600 toneladas por ano.

    “O crédito me permite ter tudo o que é necessário para a produção no momento certo. Isso faz toda a diferença no campo e se reflete diretamente no aumento da produtividade”, afirma o agricultor, cuja tradição na atividade foi herdada do pai.

    Produtores rurais interessados em acessar a linha de crédito para fruticultura podem solicitar informações pelo e-mail [email protected].

  • Microrganismos podem revolucionar produção de abacaxi

    Microrganismos podem revolucionar produção de abacaxi

    Um avanço significativo na produção de mudas de abacaxi foi apresentado por pesquisadores da Embrapa em colaboração com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O processo de microbiolização, que utiliza microrganismos benéficos extraídos do próprio microbioma do solo do abacaxi, demonstrou a capacidade de reduzir em até 34% o tempo de aclimatização das mudas micropropagadas. Este resultado pode viabilizar três ciclos produtivos em um período no qual anteriormente se realizavam apenas dois, trazendo maior eficiência para viveiristas e produtores.

    O estudo, publicado na revista científica Scientia Horticulturae, destaca a variedade BRS Imperial como objeto central da pesquisa. Além disso, essa variedade é amplamente reconhecida por sua resistência à fusariose. E também pela preferência dos consumidores devido ao seu sabor doce e à ausência de espinhos na coroa e na casca. No entanto, a produção de mudas sadias em larga escala sempre foi um desafio. O novo processo de microbiolização oferece uma solução ao promover mudas mais vigorosas e resistentes. Também conta com uma aclimatização mais rápida em casa de vegetação, o que reduz o tempo de 180 para cerca de 120 a 135 dias.

    Inovações e benefícios para o produtor

    A técnica de microbiolização inova ao empregar bactérias associadas ao abacaxi que já coevoluíram com a planta, resultando em uma adaptação natural e um crescimento mais eficiente. “Esses microrganismos estão adaptados ao microbioma do abacaxi, o que elimina preocupações com possíveis incompatibilidades ou antagonismos. Isso facilita a promoção de crescimento e a melhoria da sanidade das mudas”, explica Polyana Santos da Silva, uma das pesquisadoras do estudo.

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    Os impactos econômicos e de produtividade dessa técnica são consideráveis. Saulo Oliveira, fitopatologista e coautor do estudo, afirma que a redução no tempo de aclimatização pode representar um aumento significativo no número de ciclos de produção anuais. Com a nova abordagem, em 360 dias, seria possível alcançar três ciclos de produção. Aumentando, desta forma, a oferta de mudas e potencializando os resultados financeiros para biofábricas e produtores.

    Os testes com microrganismos continuam em condições de campo, focando não apenas no crescimento, mas também na resistência a doenças como a fusariose e a murcha do abacaxizeiro. Fernanda Vidigal, líder do projeto, observa que a pesquisa busca oferecer uma alternativa mais sustentável ao uso de insumos químicos, promovendo a saúde das plantas por meio da microbiolização. A produção de mudas mais robustas, com maior fixação de nutrientes e qualidade fisiológica, destaca-se entre os benefícios.

    Uma solução para a escassez de mudas de alta qualidade

    A Rede Ananás é inspirada na Rede Reniva de multiplicação de mandioca. Ela foi implementada, portanto, para ampliar a produção de mudas de abacaxi com qualidade genética e fitossanitária. Essa rede inclui taleiros e agentes multiplicadores que utilizam a técnica de seccionamento de talo para propagar mudas em larga escala, auxiliados pelo Instituto Biofábrica da Bahia (IBB).

    O engenheiro-agrônomo Herminio Rocha, coordenador da rede, reforça que a microbiolização pode se tornar um diferencial competitivo na produção de mudas. Garantindo, assim, plantas mais vigorosas e resistentes a doenças.

    O futuro da produção sustentável

    O objetivo de longo prazo do projeto é consolidar a produção de bioinsumos para uso comercial. Permitindo, assim, que parceiros do setor privado reproduzam e distribuam essas tecnologias. Assim como o fungo Trichoderma é amplamente utilizado no controle de pragas da bananeira, a microbiolização com microrganismos benéficos poderá em breve se tornar uma prática comum que fortalecerá o cultivo de abacaxi em escala nacional.

    Esses avanços prometem beneficiar não apenas os produtores, mas também impulsionar a sustentabilidade e a eficiência da produção agrícola no Brasil. Trazendo, portanto, reflexos positivos para toda a cadeia produtiva do setor fruticultor.