Tag: produção animal

  • Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    A aquisição de leite cru por estabelecimentos que operam sob algum tipo de inspeção sanitária chegou a 6,61 bilhões de litros no segundo trimestre de 2026.

    O volume representa uma alta de 1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os primeiros resultados das Pesquisas Trimestrais da Produção Animal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A pesquisa considera estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária federal, estadual ou municipal.

    Apesar do crescimento na comparação anual, o resultado foi menor do que o observado nos três primeiros meses deste ano.

    Aquisição de leite recua frente ao primeiro trimestre

    Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a aquisição de leite apresentou queda de 2,5%.

    Nos primeiros três meses do ano, o IBGE havia registrado aquisição de aproximadamente 6,78 bilhões de litros de leite cru por estabelecimentos inspecionados.

    A diferença entre as duas comparações é importante: enquanto o setor apresentou crescimento em relação ao segundo trimestre do ano passado, houve redução na passagem de um trimestre para o outro.

    Os números fazem parte das pesquisas do IBGE sobre abate de animais, leite, couro e produção de ovos de galinha, que acompanham trimestralmente alguns dos principais segmentos da produção pecuária brasileira.

    Produção de ovos chega a 1,25 bilhão de dúzias

    A produção de ovos de galinha também apresentou crescimento no segundo trimestre de 2026.

    Segundo o IBGE, foram produzidas 1,25 bilhão de dúzias de ovos no período. O resultado corresponde a uma alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2025.

    Na comparação com os três primeiros meses de 2026, o crescimento foi mais expressivo, de 2,6%.

    No primeiro trimestre, a produção havia alcançado cerca de 1,21 bilhão de dúzias, segundo os dados divulgados anteriormente pelo instituto.

    Os resultados são preliminares e integram o acompanhamento trimestral realizado pelo IBGE sobre a atividade pecuária brasileira.

  • Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    A gripe aviária ampliou a atenção sobre a importância do diagnóstico precoce na produção animal e reforçou o papel da biologia molecular na vigilância sanitária. Técnicas como a PCR em tempo real permitem identificar agentes infecciosos antes mesmo do surgimento dos primeiros sinais clínicos. Com isso, produtores, profissionais da medicina veterinária e autoridades sanitárias conseguem agir com mais rapidez diante de possíveis ameaças aos plantéis.

    Para Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para diagnóstico molecular, a mudança acompanha um cenário em que a sanidade animal passou a exigir monitoramento cada vez mais preciso e contínuo. Segundo ela, os desafios enfrentados pelos aviários estão relacionados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e também à necessidade de reduzir o uso de antibióticos.

    “Os desafios de sanidade e controle de doenças em aviários estão cada vez mais ligados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e à necessidade de reduzir o uso de antibióticos”, afirma Tatiani.

    Na avaliação da especialista, a vigilância molecular permite antecipar a identificação de agentes causadores de doenças. Dessa forma, a produção pode responder mais rapidamente diante de um risco sanitário, reduzindo a possibilidade de perdas e fortalecendo as medidas de controle.

    “Com a vigilância molecular, hoje conseguimos identificar a presença do agente causador muito antes da manifestação clínica, permitindo decisões rápidas que reduzem perdas produtivas, minimizam riscos sanitários e fortalecem toda a cadeia do agronegócio”, explica.

    A preocupação ganhou força diante da experiência recente com a influenza aviária de alta patogenicidade, considerada uma das principais ameaças à produção animal global. O cenário reforçou a necessidade de ampliar a vigilância laboratorial e adotar ferramentas capazes de identificar a circulação de agentes infecciosos com maior antecedência.

    Vigilância molecular amplia capacidade de prevenção

    De acordo com Tatiani, o diagnóstico molecular não se limita à identificação inicial de um agente infeccioso. A tecnologia também permite caracterizar geneticamente vírus e bactérias, acompanhar mutações, identificar variantes e compreender as possíveis rotas de disseminação dos patógenos.

    Essas informações ajudam a orientar decisões relacionadas à biossegurança e aos programas sanitários. Na prática, o monitoramento oferece elementos para que produtores e autoridades possam avaliar riscos e definir estratégias de controle de maneira mais rápida e precisa.

    A especialista avalia que a experiência com doenças de grande impacto econômico demonstrou a importância de investir em prevenção antes que um surto esteja instalado. Entre os exemplos estão a própria influenza aviária, a peste suína africana e a febre aftosa.

    Para a avicultura, esse acompanhamento contínuo representa uma ferramenta adicional de proteção dos plantéis. Além disso, a capacidade de identificar riscos com antecedência pode contribuir para reduzir impactos econômicos e preservar a regularidade das operações.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais”, destaca Tatiani.

    A afirmação resume uma mudança de estratégia na sanidade animal. Em vez de concentrar as ações apenas na resposta a uma doença já manifestada, a vigilância molecular permite trabalhar com uma lógica de acompanhamento permanente.

    Diagnóstico molecular chega a outras doenças

    A evolução das ferramentas de diagnóstico também ampliou o uso dos exames moleculares para outras enfermidades de importância econômica. Além da influenza aviária, os testes vêm sendo utilizados na detecção de doenças como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose, mastite e diarreia neonatal.

    Tatiani explica que a ampliação dessas aplicações acompanha a necessidade de diagnósticos mais rápidos e precisos na medicina veterinária. A identificação antecipada de agentes pode apoiar decisões clínicas e contribuir para um controle sanitário mais eficiente dos rebanhos.

    Esse movimento também ganha relevância diante das exigências dos mercados internacionais. A manutenção de padrões sanitários rigorosos é um fator importante para a competitividade da agropecuária brasileira. Por isso, a capacidade de monitorar doenças e demonstrar controle sanitário contribui para proteger a produção e manter a confiança dos compradores.

    Na visão da especialista, o diagnóstico molecular tende a ocupar um espaço cada vez mais permanente na rotina da produção animal. O objetivo é transformar a vigilância em uma prática contínua, capaz de identificar riscos antes que eles provoquem impactos maiores.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais. O diagnóstico molecular passou a ser um investimento permanente em biossegurança, porque monitorar continuamente custa muito menos do que lidar com os prejuízos provocados por um surto sanitário”, afirma Tatiani.

    A adoção dessas ferramentas, portanto, amplia a capacidade de prevenção e resposta da cadeia produtiva. Na avicultura, o diagnóstico precoce se soma às medidas de biossegurança para reduzir riscos e proteger os plantéis.

    Ao mesmo tempo, o uso contínuo da vigilância molecular pode contribuir para preservar a produtividade, reduzir perdas e fortalecer a posição da produção brasileira no mercado internacional. Assim, o diagnóstico deixa de ser apenas uma etapa diante de uma suspeita e passa a integrar uma estratégia permanente de proteção da atividade agropecuária.

  • Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    O projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de foie gras no Brasil seguiu, nesta terça-feira (7), para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes disso, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a proposta. Agora, o texto reacende o debate sobre bem-estar animal e os métodos utilizados para produzir a tradicional iguaria francesa.

    Organizações de proteção animal apoiam a medida porque a produção do foie gras utiliza a alimentação forçada de patos e gansos. Segundo a presidente da Animal Equality, Sharon Núñez, a aprovação representa um avanço importante.

    “Em um país com enorme relevância na indústria agropecuária global, este avanço envia uma mensagem poderosa: o sofrimento animal não pode ser tratado como ingrediente de luxo.”

    Além disso, a entidade afirma que, caso o presidente sancione o projeto, o Brasil será o primeiro país da América Latina a proibir, por lei federal, tanto a produção quanto a comercialização do foie gras.

    Como o foie gras é produzido?

    Foie gras significa “fígado gordo” em francês. Os produtores obtêm a iguaria a partir do fígado de patos ou gansos submetidos a um processo de alimentação intensiva.

    Para isso, os criadores utilizam uma técnica conhecida como gavage.

    A imagem mostra um prato típico francês, o Foie Gras.
    O órgão animal aumenta diversas vezes de tamanho e adquire a textura característica do produto — Foto: Reprodução/PUC

    Durante esse processo, eles introduzem um tubo no esôfago da ave e fornecem grandes quantidades de alimento altamente energético. Em geral, essa etapa dura entre duas e três semanas e ocorre duas ou três vezes por dia.

    Impactos para as aves

    Em 1998, o Comitê Científico de Saúde e Bem-Estar Animal da União Europeia publicou um relatório sobre os efeitos da produção do foie gras.

    Segundo o documento, muitas aves evitam o contato com os tratadores durante o período de alimentação forçada. Além disso, o aumento do fígado compromete a postura e dificulta a locomoção. Em alguns casos, os animais permanecem sentados durante boa parte do dia.

    O relatório também informa que a introdução repetida do tubo pode provocar dor e lesões no esôfago. Ao mesmo tempo, o crescimento exagerado do fígado caracteriza uma condição patológica capaz de causar desconforto e alterações fisiológicas.

    Outro ponto destacado envolve o comportamento natural das aves. Normalmente, patos e gansos procuram alimento, exploram o ambiente e vivem em grupos. Entretanto, sistemas intensivos de criação podem limitar ou impedir esses comportamentos.

    A história do foie gras

    Embora muitos associem o foie gras à gastronomia francesa, sua origem é muito mais antiga.

    Pesquisadores encontraram registros da prática no Egito Antigo, há cerca de 4.500 anos. Pinturas da época mostram gansos sendo alimentados intensivamente, o que indica que os egípcios já conheciam técnicas semelhantes.

    Os egípcios observaram que aves migratórias acumulavam gordura no fígado antes de longas viagens — Foto: Reprodução/The Archaeologist

    Posteriormente, autores como Heródoto e Homero também citaram métodos de engorda de aves.

    Com o passar dos séculos, a técnica se espalhou pela Europa. No século XVII, ela ganhou força no sudoeste da

    Proibição

    Diversos países já proibiram a produção de foie gras por considerarem a alimentação forçada incompatível com normas de bem-estar animal. Ainda assim, muitos deles continuam permitindo a venda e o consumo da iguaria.

    No Brasil, a cidade de São Paulo aprovou uma lei com esse objetivo em 2015. No entanto, o Tribunal de Justiça declarou a norma inconstitucional porque entendeu que o município não tinha competência para regulamentar a comercialização do produto.

    Enquanto isso, Nova York aprovou uma lei em 2019 para proibir a venda de foie gras. Em 2026, a Justiça autorizou sua aplicação. Mesmo assim, disputas judiciais ainda podem influenciar a implementação definitiva da medida.

  • Carne suína pode liderar consumo durante jogos do Brasil na Copa

    Carne suína pode liderar consumo durante jogos do Brasil na Copa

    Com expectativa de aumento na demanda por proteínas durante as partidas da Seleção Brasileira, a indústria de alimentos já se prepara para atender os torcedores. Entre as apostas para o período, a carne suína surge como uma das principais opções para churrascos e encontros entre amigos e familiares.

    Levantamento da Scanntech projeta crescimento superior a 10% no consumo de proteínas nos dias de jogos do Brasil. O estudo também aponta que 86% dos brasileiros associam futebol e churrasco, reforçando uma tradição que movimenta toda a cadeia produtiva de carnes.

    Futebol, churrasco e carne

    A relação entre futebol e churrasco faz parte dos hábitos de milhões de brasileiros. Em grandes eventos esportivos, o consumo de carnes costuma crescer, impulsionando supermercados, açougues, frigoríficos e produtores rurais.

    Nesse cenário, a carne suína ganha destaque por oferecer variedade de cortes e praticidade no preparo.

    Segundo Julce Lucion, diretora-geral da Nutribras Alimentos, a preferência do consumidor tem aumentado especialmente em receitas rápidas, que permitem acompanhar os jogos sem passar muito tempo na cozinha.

    “Quando o brasileiro se reúne para torcer, o churrasco quase sempre está presente. A carne suína vem se consolidando como uma escolha importante nesse momento”, afirma.

    Receitas rápidas ganham espaço

    Entre as sugestões da empresa para os dias de partida está o palitinho de filé mignon suíno com pimentões.

    A receita combina cubos de carne já temperada com pimentões verdes e amarelos, preparados na air fryer em aproximadamente dez minutos.

    Outra alternativa é a linguiça suína fatiada na fritadeira elétrica, que fica pronta em cerca de quinze minutos e pode ser servida com cebolas douradas e limão.

    Leia mais: Confira três aperitivos para saborear durante os jogos

    Carne suína segue entre as favoritas dos brasileiros

    Além das receitas rápidas, produtos tradicionais continuam figurando entre os mais consumidos pelos brasileiros em eventos esportivos.

    Entre eles estão a panceta, o torresmo, filé mignon suíno e costela suína.

    O crescimento da demanda durante períodos de grande audiência esportiva também beneficia a cadeia da suinocultura nacional, setor que desempenha papel importante no agronegócio brasileiro.

  • Abate de bovinos e suínos bate recorde em 2026

    Abate de bovinos e suínos bate recorde em 2026

    O Brasil registrou recordes nos abates de bovinos e suínos no primeiro trimestre de 2026. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O país abateu 10,29 milhões de bovinos entre janeiro e março. O volume representa alta de 3,3% frente ao mesmo período de 2025. O resultado é o maior para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997. Em comparação ao último trimestre de 2025, o abate recuou 6,9%.

    Ranking por estado

    Mato Grosso liderou o ranking nacional, com 17,5% de participação. Na sequência aparecem São Paulo, Goiás e Pará. A produção de carcaças bovinas alcançou 2,63 milhões de toneladas. O volume cresceu 5,1% na comparação anual. Por outro lado, a produção caiu 10,3% em relação ao trimestre anterior.

    Suínos também registram recorde

    O abate de suínos atingiu 15,27 milhões de cabeças no primeiro trimestre de 2026. O número representa crescimento de 5,5% sobre igual período do ano passado.

    O desempenho também estabeleceu um recorde para primeiros trimestres da série histórica do IBGE. Na comparação com os três meses finais de 2025, o volume apresentou leve queda de 0,1%.

    Santa Catarina manteve a liderança nacional no setor. O estado respondeu por 28,1% do total abatido. Paraná e Rio Grande do Sul aparecem na sequência, com participações de 20,9% e 17,8%, respectivamente.

    O peso acumulado das carcaças suínas chegou a 1,43 milhão de toneladas. O resultado avançou 6,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Além disso, houve aumento de 1% frente ao trimestre imediatamente anterior.

    Frangos têm segundo melhor resultado da história

    O abate de frangos somou 1,71 bilhão de aves no primeiro trimestre de 2026. O volume ficou 3,6% acima do registrado no mesmo período de 2025. Na comparação trimestral, porém, ocorreu recuo de 0,5%.

    Segundo o IBGE, esse foi o segundo melhor resultado da série histórica iniciada em 1997. O recorde permanece com o quarto trimestre de 2025.

    O Paraná continuou como principal produtor nacional. O estado respondeu por 35% de todo o abate de frangos do país. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo completam a lista dos maiores participantes.

    O peso acumulado das carcaças de frango atingiu 3,73 milhões de toneladas. O resultado cresceu 6,9% na comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, o avanço foi de 2,2%.

     

  • Controle de amônia pode gerar R$ 2 bilhões por ano à avicultura

    Controle de amônia pode gerar R$ 2 bilhões por ano à avicultura

    A adoção de tecnologias voltadas ao controle da amônia em aviários pode injetar cerca de R$ 2 bilhões anuais na economia da avicultura brasileira. A estimativa faz parte de um estudo desenvolvido pela Dux Grupo, que aponta a melhoria da ambiência nas granjas como fator decisivo para aumentar a produtividade, reduzir perdas sanitárias e ampliar a competitividade do Brasil nos mercados internacionais.

    Segundo o levantamento, a redução da concentração de gases tóxicos nos ambientes de criação impacta diretamente o desempenho das aves. As validações realizadas em campo indicaram ganho médio de 60 gramas de peso vivo por animal criado em condições controladas. Quando projetado para o volume nacional de abates, estimado em aproximadamente 7 bilhões de aves em 2026, o resultado representa centenas de milhões de quilos adicionais de carne produzidos ao longo do ano.

    O estudo destaca que esse incremento ocorre sem a necessidade de ampliar áreas de produção ou elevar proporcionalmente os custos com alimentação. O que favorece a rentabilidade dos produtores e a eficiência da cadeia produtiva.

    Impactos sanitários e comerciais

    Além dos ganhos em produtividade, o controle da amônia contribui para reduzir problemas sanitários que afetam a qualidade final dos produtos. Entre eles está a pododermatite, conhecida popularmente como calo nas patas, condição agravada pela umidade excessiva e pelas altas concentrações de amônia presentes na cama dos aviários.

    De acordo com a Dux Grupo, a neutralização dos gases pode diminuir a incidência dessas lesões entre 5% e 17,5%. O resultado tem reflexos diretos na comercialização internacional, especialmente em mercados asiáticos, como a China, que exigem elevados padrões de qualidade e integridade das patas para importação.

    Além disso, a redução das lesões diminui perdas por condenações e agrega valor aos produtos exportados. Dessa forma, a melhoria da ambiência passa a ser vista não apenas como uma questão de bem-estar animal. Mas também como estratégia econômica para o setor.

    Química verde como aliada da produção

    Os resultados observados no estudo estão relacionados ao uso de tecnologias baseadas nos princípios da química verde. Diferentemente de soluções que apenas reduzem o odor dos aviários, os processos analisados atuam na decomposição molecular da amônia, neutralizando sua toxicidade e reduzindo os impactos sobre animais, trabalhadores e meio ambiente.

    A tecnologia utiliza compostos biodegradáveis capazes de promover a neutralização química dos gases sem provocar saturação química nos galpões. Com isso, a produção se torna mais alinhada às exigências globais de sustentabilidade, governança ambiental e bem-estar animal.

    “Tecnologias como o Amonix, solução que lançaremos este ano no Brasil, são o resultado prático e direto desses estudos de viabilidade, projetadas para oferecer ao mercado uma ferramenta de alta performance que une rentabilidade e sustentabilidade”, afirma Spaziani.

    Segundo o executivo, o objetivo é transformar desafios ambientais e químicos em oportunidades de crescimento para o agronegócio brasileiro, com resultados mensuráveis para produtores e integradoras.

    A Dux Grupo atua no segmento de química verde e registrou crescimento de 241% entre 2020 e 2025. Atualmente, a empresa está presente em sete países da América Latina e em Portugal. Portanto, ampliando sua participação no agronegócio por meio de soluções voltadas à eficiência operacional, sustentabilidade e produtividade animal

  • Vídeo: Leitoa dá à luz 33 leitões em parto raro e impressiona produtores

    Vídeo: Leitoa dá à luz 33 leitões em parto raro e impressiona produtores

    Um parto registrado na Granja São Sebastião, em Itaporã (MS), município localizado a cerca de 230 quilômetros de Campo Grande, chamou atenção até de produtores experientes da suinocultura. Uma leitoa, nome dado à porca em sua primeira gestação, deu à luz 33 leitões de uma única vez, número considerado raro no setor.

    Segundo o proprietário da granja, Rafael Vieceli, a gestação durou 116 dias e terminou com o nascimento de 29 leitões vivos e quatro natimortos. A propriedade trabalha atualmente com cerca de 3,7 mil matrizes voltadas à produção de leitões de alta qualidade.

    “Aqui nós seguimos todos os princípios de bem-estar e nos espantamos com o episódio, porque foi a primeira vez que aconteceu. Apesar de diferente, tudo ocorreu bem, e os leitões estão saudáveis”, afirmou Vieceli.

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    Estratégia garantiu alimentação dos filhotes

    Após o nascimento, a equipe da granja precisou agir rapidamente para garantir a alimentação adequada dos leitões. Isso porque uma porca normalmente possui entre 12 e 18 tetos, número insuficiente para atender todos os filhotes.

    Por causa disso, parte dos leitões foi transferida para outra matriz, estratégia comum na suinocultura para assegurar o desenvolvimento saudável dos animais.

    De acordo com Vieceli, casos como esse são extremamente incomuns. Em média, uma porca costuma dar à luz cerca de 16 leitões vivos por gestação.

    Caso em Minas Gerais chamou ainda mais atenção

    Embora o episódio em Mato Grosso do Sul já seja considerado impressionante, outro caso registrado recentemente em Minas Gerais ganhou repercussão ainda maior.

    Em janeiro de 2025, uma porca da Granja Santa Inês, em Luz (MG), deu à luz 45 leitões. Segundo o gerente executivo da empresa, Airton Martins, o resultado foi fruto de um trabalho contínuo de melhoramento genético, aliado à nutrição adequada e ao manejo do plantel.

    O número poderia representar um recorde mundial. No entanto, a granja mineira não informou se pretende buscar reconhecimento no Guinness World Records.

    Atualmente, o recorde oficial pertence a uma porca do Reino Unido, que deu à luz 37 leitões em 21 de setembro de 1993.

  • Consumo de ovos cresce no Brasil e impulsiona modernização da avicultura

    Consumo de ovos cresce no Brasil e impulsiona modernização da avicultura

    A produção de ovos no Brasil vive um momento de forte expansão, impulsionada pelo aumento do consumo, pela valorização nutricional do alimento e pelo avanço tecnológico na avicultura de postura. Assim, especialistas e representantes do setor se reúnem nos dias 20 e 21 de maio, em Recife (PE), durante o Simpósio de Inovações na Produção de Ovos Comerciais, promovido pela FACTA.

    O encontro discutirá os principais movimentos do mercado brasileiro e internacional, além das perspectivas para os próximos anos da cadeia produtiva.

    Brasileiro consume aproximadamente 288 ovos por pessoa ao ano

    Entre os destaques da programação está a participação do presidente do Instituto Ovos Brasil, Edival Veras, que apresentará um panorama comparativo entre o Brasil e outros grandes produtores mundiais.

    Segundo Veras, o consumo de ovos pelos brasileiros registrou um crescimento expressivo nas últimas décadas. “Há cerca de 15 anos, o brasileiro consumia aproximadamente 120 ovos por pessoa ao ano. Atualmente, esse índice chegou a 288 ovos per capita, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)”, afirma.

    Presidente do Instituto Ovos Brasil, Edival Veras

    Além disso, o presidente do Instituto Ovos Brasil ressalta que o cenário evidencia a importância estratégica da avicultura de postura no abastecimento de proteína acessível e nutritiva para a população.

    “A produção nacional acompanha essa demanda de maneira responsável, enquanto o Instituto Ovos Brasil trabalha para ampliar o conhecimento do consumidor sobre os benefícios do ovo. É um alimento completo e essencial para a saúde”, destaca.

    Mais informações sobre a programação e as inscrições estão disponíveis no site oficial da FACTA: FACTA

    Sobre a FACTA

    A FACTA (Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal) atua como uma organização civil sem fins lucrativos fundada em 10 de agosto de 1989. A entidade desenvolve e amplia atividades técnicas e científicas voltadas ao incentivo da produção animal, com foco na disseminação de conhecimento e tecnologias aplicadas ao setor.

  • Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    A Exposição Nacional Hereford e Braford 2026 começou em Esteio com um recado direto ao setor. Não basta escolher bem na pista. É no campo que a decisão mostra se fez sentido.

    A Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) abriu a programação com o Curso de Julgamento Dr. Jacob Momm Filho, retomando uma agenda que havia sido interrompida nos últimos anos. A proposta vai além da estética e tenta corrigir um desvio comum entre criadores: selecionar animais com base em preferência visual, e não em desempenho produtivo.

    Logo na abertura, o presidente da entidade, Eduardo Soares, deixou claro o tom da capacitação. “Quando se fala em curso de julgamento, não se trata apenas de avaliar animais em pista. Todos nós somos jurados das nossas próprias convicções e precisamos estar preparados para julgar nossos animais em qualquer situação”, afirmou.

    A fala aponta para um problema recorrente no campo. A decisão genética ainda carrega subjetividade demais, e isso impacta diretamente o bolso do produtor.

    Capacitação promovida pela ABHB reúne técnicos, estudantes e criadores em atividades teórica e prática voltadas à seleção genética e produção de carne de qualidade. (Foto: Nestor Júnior)

    Menos gosto pessoal, mais critério técnico

    A tentativa do curso é justamente reduzir esse ruído. A seleção de machos e fêmeas, quando mal conduzida, compromete produtividade, eficiência alimentar e, no fim da cadeia, a qualidade da carne.

    Segundo Soares, definir critérios objetivos deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade básica. A capacitação foi estruturada para conectar teoria e prática, abordando desde regras institucionais até pontos técnicos da pecuária moderna.

    Essa mudança de abordagem também aparece na fala do professor Júlio Barcellos, da UFRGS. Ele alerta que decisões baseadas apenas em preferência pessoal ainda são mais comuns do que deveriam. “A habilidade de escolher um animal vai além de gostos individuais e deve considerar fatores fundamentais ligados à produção de carne, atividade que sustenta toda a cadeia produtiva”, disse.

    E foi além. “É preciso ultrapassar paixões e entender que a atividade-fim é a que paga a conta”.

    Genética equilibrada ganha espaço no debate

    Outro ponto que ganha força é o abandono da ideia de animal ideal. Em sistemas cada vez mais complexos, essa busca tende a gerar frustração e decisões equivocadas.

    Barcellos foi direto ao classificar essa expectativa como irreal. “Essa busca é uma ilusão”, afirmou, defendendo uma genética mais equilibrada e adaptável a diferentes ambientes.

    Esse raciocínio acompanha a própria evolução da ABHB. Fundada em 1958, a entidade ampliou sua atuação ao incorporar cruzamentos com raças zebuínas e consolidar o Braford. A mudança aumentou a adaptação dos animais e abriu novas possibilidades produtivas.

    Hoje, a associação atua em todo o país, com programas que já avaliaram cerca de 1 milhão de animais, em parceria com iniciativas como Pampaplus, Promebo e Conexão Delta G.

    Da exposição ao prato do consumidor

    Embora o curso aconteça dentro de uma exposição, o impacto vai além da pista. A qualidade da carne começa na escolha genética, passa pelo manejo e termina no consumidor.

    Programas como o Carne Certificada Hereford reforçam essa conexão, ao exigir critérios rigorosos de genética, idade e acabamento de carcaça desde 1998.

    Na prática, o que está em jogo é a consistência do produto final. E isso depende de decisões tomadas muito antes do abate. Ao recolocar a capacitação técnica no centro da agenda, a ABHB tenta reduzir erros que ainda passam despercebidos. Erros que não aparecem de imediato, mas que, ao longo do tempo, comprometem eficiência, competitividade e resultado dentro da porteira.

    A programação segue com atividades práticas, onde teoria e campo finalmente se encontram.

  • Carinho em pintinhos pode ser chave para bem-estar nas granjas

    Carinho em pintinhos pode ser chave para bem-estar nas granjas

    O contato humano, quando feito de forma gentil, pode transformar o comportamento de pintinhos em granjas. Um estudo da Universidade de Bristol revelou que o toque cuidadoso não apenas reduz o medo dos animais, como também desperta emoções positivas, como sensação de bem-estar.

    Segundo os pesquisadores, pequenas mudanças na forma de manejo já são suficientes para gerar impactos significativos. Assim, práticas simples, como falar de forma suave e manipular os animais com cuidado, podem contribuir diretamente para melhorar a qualidade de vida dos filhotes.

    Foto: Reprodução/Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil

    Menos medo e mais bem-estar

    De acordo com o estudo, pintinhos que receberam interação gentil apresentaram níveis menores de estresse. Além disso, eles demonstraram maior tranquilidade em comparação àqueles que tiveram contato neutro com humanos.

    Esse resultado reforça a importância do comportamento humano dentro das granjas. Afinal, o manejo diário influencia diretamente a forma como os animais percebem o ambiente ao seu redor.

    Experimento revelou preferência clara

    Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram um método comum em estudos comportamentais. Primeiro, os pintinhos foram expostos a dois ambientes diferentes.

    Em uma sala, um humano permanecia em silêncio, sem interação. Já na outra, os animais recebiam carinho, eram manuseados com calma e ouviam palavras em tom suave.

    Na sequência, os pesquisadores liberaram os pintinhos para escolher onde gostariam de permanecer. O resultado foi direto: a maioria optou pela sala onde havia interação gentil.

    Além disso, os animais não evitaram totalmente o ambiente neutro. No entanto, demonstraram preferência ativa pelo espaço associado ao carinho, o que indica uma atração real pelo toque humano.

    Impacto direto no agronegócio

    Os resultados vão além da curiosidade científica. Na prática, o estudo aponta caminhos para melhorar o manejo dentro das granjas.

    Ao adotar práticas mais cuidadosas, produtores podem reduzir o estresse dos animais. Consequentemente, isso pode favorecer o desenvolvimento dos pintinhos e melhorar o bem-estar geral no sistema produtivo.

    Além disso, a pesquisa reforça uma mudança importante no setor: o bem-estar animal deixa de ser apenas a ausência de sofrimento e passa a incluir a promoção de experiências positivas.

    Pequenas mudanças, grandes resultados

    Os cientistas destacam que não são necessárias mudanças complexas ou altos investimentos. Pelo contrário, ajustes simples no comportamento dos trabalhadores já fazem diferença.

    Assim, o estudo indica que o futuro da produção animal pode estar ligado a práticas mais humanizadas e conscientes, que beneficiam tanto os animais quanto a produtividade.