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  • Câmara avança com projeto que suspende crédito rural por impactos do El Niño

    Câmara avança com projeto que suspende crédito rural por impactos do El Niño

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que suspende por 36 meses o pagamento de financiamentos e empréstimos rurais em regiões afetadas pelo fenômeno El Niño.

    A medida beneficia produtores rurais que contrataram crédito por meio de programas oficiais. Entre eles estão Moderinfra, Inovagro, Prodecoop, Pronaf, Pronamp, BNDES Procap-Agro, BNDES Agro, BB Investe Agro e financiamentos de custeio pecuário.

    O texto determina que os produtores retomem os pagamentos 12 meses após o fim da suspensão, com quitação dividida em três parcelas anuais.

    O relator da proposta, deputado Coronel Meira (PL-PE), ampliou o alcance do projeto original (PL 2062/24), de autoria do deputado Leo Prates (Republicanos-BA). Inicialmente, o texto previa o benefício apenas para produtores da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Com a alteração, a suspensão passa a valer para todos os estados afetados por estiagem ou chuvas intensas associadas ao El Niño.

    Segundo Meira, a proposta busca reduzir impactos econômicos no campo e preservar a produção de alimentos no país. Ele afirma que a medida tem caráter emergencial e proporcional aos danos causados pelos eventos climáticos extremos.

    Dados da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgados em 13 de março, indicam 62% de probabilidade de formação do El Niño entre junho e agosto deste ano. A partir de agosto, essa chance supera 80% e pode se manter elevada até o fim de 2026.

    O projeto ainda passará pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para entrar em vigor, o texto precisa da aprovação da Câmara e do Senado.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Plano Safra 2025/2026 registra alta no crédito rural e avanço das CPRs

    Plano Safra 2025/2026 registra alta no crédito rural e avanço das CPRs

    O crédito rural empresarial alcançou R$ 404 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, um aumento de 10% em comparação ao mesmo período da safra anterior, que havia somado R$ 368 bilhões. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário (DEFIN) da Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do Banco Central (SICOR).

    Os recursos efetivamente liberados aos produtores rurais somaram R$ 387 bilhões, avanço de 5% sobre a safra passada. O destaque do período foi o crescimento das Cédulas de Produto Rural (CPR), que dispararam 38% e atingiram R$ 183,1 bilhões. Ao somar esse volume ao crédito de custeio tradicional, o total destinado ao custeio da safra chegou a R$ 303,1 bilhões. 13% acima do ciclo 2024/2025.

    Segundo a Secretaria de Política Agrícola, o aumento nas contratações e concessões reflete a solidez do financiamento agropecuário, mesmo diante de um cenário de maior seletividade no crédito.

    Industrialização lidera crescimento; custeio e investimento recuam

    O segmento de industrialização registrou o maior salto proporcional, com alta de 74% nas contratações (R$ 28,1 bilhões) e de 64% nas concessões (R$ 26,4 bilhões), impulsionado pela demanda do agronegócio processador.

    As linhas de custeio e investimento, porém, mostraram retração. O custeio caiu 11% nas contratações (R$ 120 bilhões) e 15% nas concessões (R$ 114,3 bilhões). Já o crédito de investimento encolheu 16% nas contratações (R$ 45,5 bilhões) e 30% nas concessões (R$ 37,6 bilhões). Na comercialização, o recuo foi de 10% nas contratações (R$ 27,2 bilhões) e 16% nas concessões (R$ 25,5 bilhões).

    O relatório atribui a queda nos investimentos à cautela do produtor frente às taxas de juros ainda elevadas, com expectativa de redução gradual da Selic até o fim de 2026.

    Prodecoop cresce e total de contratos diminui

    Entre os programas de financiamento, apenas o Prodecoop apresentou alta de 20%, alcançando R$ 900 milhões em concessões. O número total de contratos caiu 24%, de 534,3 mil para 408,3 mil operações.

    O Pronamp respondeu por 156,4 mil contratos, enquanto outros produtores rurais firmaram 127,6 mil operações. As CPRs totalizaram 125,3 mil contratos. Regionalmente, o Sul manteve a liderança em número de operações, e o Sudeste liderou em valores contratados.

    Fontes de recursos: destaque para LCA controlada

    As fontes controladas de crédito rural movimentaram R$ 106,5 bilhões em concessões, retração de 7%. Os Recursos Obrigatórios cresceram 19%, somando R$ 42,8 bilhões. Já a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) Controlada saltou 3.564%, para R$ 26,9 bilhões.

    A Poupança Rural Controlada totalizou R$ 7,5 bilhões, e os Fundos Constitucionais, R$ 14,5 bilhões. Entre as fontes não controladas, o volume chegou a R$ 97,3 bilhões, com destaque para a LCA Livre (R$ 47,8 bilhões) e a Poupança Rural Livre, que cresceu 39%, atingindo R$ 44,4 bilhões. O BNDES Livre recuou 11%, com R$ 4,4 bilhões.

    38% dos recursos equalizáveis do Plano Safra já foram concedidos

    Até março de 2026, o Plano Safra 2025/2026 executou 38% dos R$ 113,4 bilhões em recursos equalizáveis previstos. Foram liberados R$ 43,4 bilhões, restando 62% ainda disponíveis para contratação.

    O custeio representou 39% da execução (R$ 24,7 bilhões de R$ 63 bilhões previstos), o investimento, 37% (R$ 18,4 bilhões de R$ 49,5 bilhões), e a comercialização, 36% (R$ 307 milhões de R$ 845 milhões).

    O Banco do Brasil lidera a execução do plano, seguido pelos sistemas Sicoob e Cresol, que já alcançaram, respectivamente, 59% e 100% das metas de custeio.

    No total, há R$ 21,7 bilhões em crédito contratado ainda não liberado, com destaque para financiamentos fora de programas específicos (R$ 10,8 bilhões), além de recursos vinculados ao Pronamp, PCA, Funcafé e Moderfrota.

    De acordo com a Secretaria de Política Agrícola, o boletim reforça a estabilidade do crédito agropecuário, impulsionada pela expansão da CPR e da industrialização. Apesar da retração no investimento e no custeio tradicional, o setor mantém trajetória de crescimento, mesmo sob juros elevados.