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  • Cacau vira aliado da recuperação ambiental

    Cacau vira aliado da recuperação ambiental

    Desde meados da década de 1990, produtores paraenses recuperam terras degradadas por meio do plantio de cacau em Sistema Agroflorestal (SAF). Um levantamento da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), compartilhado com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), revela que o estado já recuperou 165 mil hectares até o ano passado. Ou seja, uma área equivalente a 231 mil campos de futebol.

    Cacau
    Foto: Secom – RO/Robson Paiva

    Municípios como Tomé-Açu, na região de integração do Rio Capim, e cidades sob influência da Rodovia Transamazônica (BR-230), como Altamira, Medicilândia e Brasil Novo, concentram parte relevante dessa expansão. Tomé-Açu, inclusive, desenvolveu um modelo próprio de manejo, batizado de Safta (Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu).

    Novas lavouras evitam áreas de floresta primária

    Uma pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA), conduzida pelo campus de Altamira, na região do Xingu, identifica uma mudança de padrão na cacauicultura paraense. Os produtores implantam as novas lavouras predominantemente em áreas já alteradas, e não mais em terrenos de floresta nativa, como ocorria no passado.

    O estudo abrangeu todos os municípios cortados pela BR-230 e reforça as diretrizes do governo estadual, que nos últimos anos concentra esforços em ações de preservação ambiental por meio de culturas agroflorestais.

    O professor Miquéias Calvi, da Faculdade de Engenharia Florestal da UFPA, coordenou o trabalho ao lado da equipe da Faculdade de Engenharia Agronômica da instituição. Segundo ele, a cacauicultura paraense estabelece um ciclo virtuoso: os produtores reaproveitam majoritariamente pastagens degradadas, áreas em estágio inicial de degradação e zonas de sucessão secundária.

    “Isso é importante, pois mostra que as novas lavouras de cacau não estão avançando sobre as áreas de florestas primárias; o componente ambiental é muito interessante nestes sistemas de produção. Identificamos que 81% das novas lavouras de cacau a partir do ano de 2021 estão sendo implantadas em áreas alteradas ou degradadas. Estamos com padrão diferente do que comumente tem sido reportado em outras regiões do Brasil e do mundo”, explica Calvi.

    Terras degradadas voltam a gerar renda

    Para o pesquisador, o reaproveitamento dessas áreas traz ganhos diretos aos produtores rurais, já que solos improdutivos passam a gerar renda em pouco tempo. “Áreas que não estão trazendo nenhum tipo de rendimento ao produtor, em um curto espaço de tempo se tornarão produtivas. Isso mostra uma potencialidade ambiental e econômica da lavoura cacaueira”, defende.

    Calvi alerta, no entanto, para um risco:. Sem apoio de órgãos públicos na distribuição de mudas e sementes florestais, essas lavouras tendem a se converter em monocultivo a pleno sol. Já que solos degradados perdem parte da capacidade de regenerar árvores espontaneamente.

    Foto: Frank Nery /Secom – Governo de Rondônia

    “Órgãos como a Sedap, Seaf (Secretaria de Estado de Agricultura Familiar), Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará) e secretarias municipais de meio ambiente têm um papel fantástico de fomentar a produção e a distribuição de mudas e sementes florestais para que os agricultores implantem os seus sistemas agroflorestais”, afirma o professor.

    Legislação estadual exige plantio em sistema agroflorestal

    O engenheiro agrônomo Ivaldo Santana, coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Cacau (Procacau), destaca que a Lei estadual nº 7.093, de 16 de janeiro de 2008, criou o Funcacau (Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará) e determina o plantio de cacau exclusivamente em Sistema Agroflorestal, priorizando áreas já alteradas em vez de florestas nativas.

    Segundo Santana, o estado recuperou 165 mil hectares degradados com plantio de cacau em SAF desde 1996 até o ano passado. “É a prioridade da legislação que cria o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento e Consolidação da Cacauicultura] e do Fundo Cacau. Trabalhar o cacau com Sistemas Agroflorestais e em áreas alteradas. E nós estamos cumprindo essa orientação da legislação e do governo do estado do Pará”, destaca o coordenador.

    Governo distribui 13,5 milhões de sementes por ano

    A Sedap, por meio do Funcacau, injeta recursos na produção e aquisição de sementes híbridas fornecidas pela Ceplac, que são distribuídas a produtores que ampliam áreas plantadas e a novos cacauicultores. “Em média, a gente distribui 13,5 milhões de sementes por ano aos produtores. O Pará todo ano cresce em termos de 9 mil hectares com novas áreas de cacau. E mil produtores se incorporam à cadeia produtiva do cacau todos os anos”, complementa Santana.

    O Ideflor-Bio também contribui com o processo. A instituição produz e distribui gratuitamente mudas de espécies florestais para o sombreamento das lavouras de cacau, elemento essencial para a formação do SAF. O programa também distribui mudas de bananeira aos agricultores, usadas para o sombreamento provisório da cultura cacaueira.

    Programa Territórios Sustentáveis amplia ação em 45 municípios

    O Programa Territórios Sustentáveis (PTS), um dos eixos do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), soma-se às iniciativas de incentivo à produção sustentável em regiões pressionadas pelo desmatamento e com potencial de restauração florestal. Mais de 45 municípios paraenses já aderiram ao programa, conduzido pela Sedap.

    Na fase inicial, o programa prevê a implantação de um hectare de Sistema Agroflorestal em áreas antes degradadas ou desmatadas, com aporte de insumos e serviços às propriedades rurais por meio de convênios firmados com as prefeituras municipais.

  • Cacau do Pará domina o principal concurso de chocolate fino do Brasil em 2026

    Cacau do Pará domina o principal concurso de chocolate fino do Brasil em 2026

    O Pará confirmou mais uma vez sua hegemonia no mundo do chocolate fino. Na edição 2026 do Prêmio Bean to Bar Brasil, considerado o principal concurso do setor no país, seis das onze barras finalistas usaram cacau paraense. Os organizadores divulgaram os vencedores na última semana.

    A medalha de ouro na categoria chocolates intensos ficou com a Invento Chocolates, de Santa Catarina, que produziu um 70% cacau com amêndoas do assentamento Tuerê, no município de Novo Repartimento, na Região de Integração do Lago Tucuruí. Com essa conquista, o assentamento chega a 44 premiações nacionais e internacionais. Portanto, um histórico que consolida a região entre os endereços de referência para o cacau de excelência no Brasil.

    O Pará lidera a produção nacional de cacau, com a região da Transamazônica respondendo por 86,3% da produção estadual. O estado produz cerca de 152 mil toneladas de amêndoas por ano. A força na quantidade reflete diretamente na qualidade: municípios como Medicilândia, Brasil Novo e Novo Repartimento indicam a procedência das melhores amêndoas do Brasil.

    Sítio Ascurra e Medicilândia brilham em múltiplas categorias

    Outro destaque da edição foi o Sítio Ascurra, do produtor Robson Brogni, em Medicilândia, na Região de Integração do Xingu. O sítio aparece em dois chocolates premiados da Invento Chocolates. Um bronze nos intensos e uma prata no ao leite, repetindo o reconhecimento que já havia recebido na edição anterior do concurso.

    Medicilândia é o maior município produtor de cacau do Pará, com 37.564 toneladas, seguida por Uruará (21.426 toneladas) e Placas (17.052 toneladas).

    Avaliação às cegas garante imparcialidade

    No concurso, todos os chocolates tomam a forma de barras idênticas e os jurados os avaliam sem saber a origem ou a marca. Portanto, uma metodologia que garante imparcialidade total na avaliação. Os ingredientes permitidos são apenas cacau, açúcar, manteiga de cacau e lecitina (no caso do ao leite), também leite em pó, sem gorduras vegetais, aromatizantes ou terceirização de qualquer etapa da produção.

    O coordenador do Procacau da Sedap, Ivaldo Santana, destacou que a premiação reforça a liderança das amêndoas paraenses no mercado nacional. Para ele, o momento também serve de convite: o Festival Internacional do Chocolate e do Cacau de Altamira, entre os dias 11 e 14 de junho, vai levar ao público os mesmos cacaus que brilharam no concurso.

    “Essa amêndoa utilizada em alguns desses chocolates que se destacaram na premiação estará presente nos diferentes produtos que serão ofertados no festival. É uma ótima oportunidade do público conferir essa excelência das nossas amêndoas, não apenas produzidas na Transamazônica como em outras regiões do Pará”, afirmou Santana.

    Confira a lista completa dos vencedores — Bean to Bar Brasil 2026

    Chocolates Intensos (70–80% cacau)

    • Ouro: Invento Chocolates 70% — Tuerê, PA
    • Prata: Magian Cacao 70% — Medicilândia, PA (Robson Brogni)
    • Prata: Magian Cacao 70% catongo — Uruará, PA (Gilmar Batista)
    • Bronze + Escolha do Público: Monjolo Chocolates 70% — Medicilândia, PA
    • Bronze: Invento Chocolates 70% Sítio Ascurra — Medicilândia, PA
    • Bronze: Mission Chocolate 70% — Castelo Novo, Ilhéus, BA

    Chocolates ao Leite

    • Ouro + Escolha do Público: Mission Chocolate 43% — Castelo Novo, Ilhéus, BA
    • Prata: Invento Chocolates 45% Sítio Ascurra — Medicilândia, PA
    • Bronze: Alma Chocolates 55% — Bahia
    • Bronze: Ocan Chocolate Bean to Bar 52% — Espírito Santo
    • Bronze: Alma Chocolates 44% — Espírito Santo