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  • Chapecó Alimentos: Justiça coloca marcas históricas em leilão milionário

    Chapecó Alimentos: Justiça coloca marcas históricas em leilão milionário

    A Justiça de Santa Catarina determinou o leilão das marcas da extinta Chapecó Alimentos, uma das empresas mais tradicionais da indústria alimentícia brasileira. O valor inicial do certame é de R$ 82 milhões, com envio de propostas exclusivamente online pela plataforma Positivo Leilões desde 21 de maio.

    O leilão inclui 55 registros ativos no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O principal ativo é a marca “Chapecó”, avaliada em R$ 68,7 milhões, que abrange categorias como carnes, aves e embutidos. Já a marca “Prenda”, estimada em R$ 13,8 milhões, contempla laticínios, pescados e alimentos industrializados.

    A Vara Regional de Falências, Recuperação Judicial e Extrajudicial de Concórdia (SC) autorizou o processo. O leilão ocorre em três etapas: na primeira, os ativos são ofertados pelo valor integral. Caso não haja lances, a segunda fase aplica desconto de 50%. Na terceira etapa, o deságio pode chegar a 70%.

    Segundo o leiloeiro judicial Erick Soares Teles, a força da marca ainda representa valor de mercado. Ele destaca que o reconhecimento nacional da Chapecó abre espaço para relançamento de produtos e novos modelos de negócio.

    A juíza Aline Mendes de Godoy afirma que a venda das marcas marca um avanço relevante no processo falimentar, que já dura mais de duas décadas. De acordo com a magistrada, o Judiciário busca garantir transparência, eficiência e respeito à relevância econômica e social da empresa para Santa Catarina.

    Os interessados encontram editais, documentos e regras de habilitação diretamente na plataforma da leiloeira, onde também ocorre o envio dos lances.

    Histórico da Chapecó Alimentos

    Fundada em 1952, no Oeste de Santa Catarina, a Chapecó Alimentos ganhou destaque nacional ao longo de cinco décadas. No auge, a empresa alcançou cerca de 30 mil pontos de venda e exportou para 37 países.

    A crise se intensificou no início dos anos 2000. No pedido de concordata preventiva, em 2004, a empresa apontou fatores como queda nos preços do frango e do suíno, retração do mercado internacional, restrições de crédito e impactos da crise argentina sobre o Grupo Macri, então controlador.

    Com dívidas superiores a R$ 1 bilhão, a companhia não conseguiu recuperar a operação. A Justiça decretou a falência em 2005, citando prejuízos recorrentes, paralisação das atividades e deterioração patrimonial.

    Desde então, a liquidação da massa falida já movimentou mais de R$ 1,5 bilhão com a venda de ativos. Entre as principais operações, destaca-se a aquisição de unidades industriais pela Aurora Coop.