Tag: Preço do leite

  • Saiba por que o leite pode ficar mais caro nos próximos meses

    Saiba por que o leite pode ficar mais caro nos próximos meses

    O preço do leite pode enfrentar novas pressões nos próximos meses devido a um problema que começa longe das prateleiras dos supermercados. Um alerta emitido pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) aponta para o risco de escassez de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial na fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.

    Embora pouco conhecido pelo consumidor, esse insumo desempenha papel fundamental na nutrição dos rebanhos.

    O que o sal mineral tem a ver com o preço do leite?

    A resposta está na produtividade das vacas. A maior parte das pastagens brasileiras apresenta deficiência natural de nutrientes importantes, como fósforo, cálcio, zinco, cobre e enxofre.

    Para compensar essa limitação, os produtores utilizam suplementos minerais que ajudam a manter o desempenho dos animais. Quando a suplementação é inadequada, podem ocorrer quedas na produção de leite, piora dos índices reprodutivos e aumento da vulnerabilidade a doenças.

    Além disso, a nutrição correta influencia diretamente a eficiência produtiva dos rebanhos leiteiros.

    Sal mineral no cocho durante as águas auxilia a bater as metas de produtividade — Foto: João Costa Jr

    Escassez e alta de preços preocupam o setor

    Segundo a Famato, o risco de desabastecimento está ligado à combinação de fatores como a baixa produção nacional, a forte dependência de importações e as restrições de oferta em mercados internacionais.

    Ao mesmo tempo, produtores já enfrentam aumentos nos preços dos suplementos minerais utilizados na alimentação animal. Caso a oferta continue pressionada, o mercado espera novos reajustes.

    Impacto pode chegar ao consumidor

    Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o problema não afeta apenas o produtor rural.

    “Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, afirmou.

    Além do risco de aumento nos custos das fazendas, uma eventual redução na eficiência produtiva dos rebanhos pode pressionar a oferta de leite, contribuindo para novas altas ao consumidor.

    Dependência externa

    O episódio também evidencia a dependência brasileira de insumos estratégicos importados. Segundo a Famato, a escassez reforça a necessidade de ampliar a produção nacional de matérias-primas utilizadas na agricultura e na pecuária.

    Entre as medidas defendidas pela entidade estão a redução temporária das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, além da agilização dos processos alfandegários e da busca por novos fornecedores internacionais.

    Embora ainda não exista confirmação de desabastecimento generalizado, o setor acompanha o cenário com atenção. Para especialistas, garantir o fornecimento de insumos essenciais à nutrição animal é uma condição indispensável para manter a competitividade da pecuária brasileira e evitar pressões adicionais sobre os preços do leite.

  • Preço do leite sofre pressão; saiba como isso afeta seu bolso

    Preço do leite sofre pressão; saiba como isso afeta seu bolso

    O mercado global de lácteos enfrenta um cenário de pressão sobre preços e margens dos produtores, com oferta elevada e demanda contida até o final de 2025. A análise é da StoneX, empresa global de serviços financeiros, que apresentou nesta quarta-feira (29) o panorama do setor no webinar “Mercado de Lácteos: Panorama e Oportunidades até o final de 2025”.

    Nos Estados Unidos, o maior exportador mundial, a produção avança em ritmo superior à demanda, impulsionada por investimentos em genética e processamento. Segundo Nate Donnay, diretor de Inteligência de Mercado de Laticínios da StoneX, os preços do leite e derivados, como manteiga, iniciaram 2025 em queda. Ele alerta que as margens devem se apertar ainda mais no fim do ano com a redução dos preços do leite e o aumento do abate de vacas.

    Na União Europeia, o cenário é similar, apesar de margens mais estáveis até meados de 2026. Problemas sanitários recentes, como a língua azul que afetou prenhez de vacas em países como Alemanha, França e Reino Unido, devem gerar aumento de oferta em momento de menor atividade industrial, pressionando preços, especialmente de queijos.

    No Brasil, Marianne Tufani, consultora de Gestão de Riscos da StoneX, destaca que a influência das importações, que representam cerca de 13% do consumo nacional, é decisiva na formação dos preços internos. A alta ou queda dos preços internacionais impacta diretamente o mercado doméstico, que ainda sofre com baixa elasticidade e alta sensibilidade a variações de demanda.

    Relação leite / arroba

    A relação de troca entre o litro de leite e a arroba da vaca gorda está desfavorável em importantes regiões produtoras, como São Paulo e Goiás, levando pecuaristas a considerar mudança de atividade. No entanto, a consultora observa que a margem de lucro pode melhorar no início de 2026, principalmente pelos menores custos de insumos, como o milho.

    O preço do milho, por sua vez, é influenciado pela safra global. O USDA projeta estoques elevados para 2026 nos EUA, com forte exportação e preços estáveis. No Brasil, a safra recorde e a lenta comercialização contribuem para controlar os custos da nutrição animal e manter margens positivas, embora o risco climático, como uma possível intensificação do fenômeno La Niña, represente ameaça para o Sul do país.

    Quanto à demanda, a inflação alimentar em queda por quatro meses consecutivos tem dado fôlego ao consumo, mas o elevado endividamento das famílias (até 60% em algumas regiões) limita o consumo de produtos premium. “O impulso típico de final de ano, com 13º salário e festas, pode estimular as compras, mas a sustentabilidade desse consumo depende da confiança do consumidor e do cenário econômico”, explica Tufani.

    No fechamento, a StoneX aponta que a tendência baixista deverá predominar até o primeiro trimestre de 2026, apesar de possíveis suportes pontuais vindos da redução das margens na Argentina e do aumento da paridade de importação. O mercado global de lácteos seguirá pressionado pela oferta abundante e condições desafiadoras para os produtores.

  • Cepea – preço do leite ao produtor registra queda de 6,4%

    Cepea – preço do leite ao produtor registra queda de 6,4%

    O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, divulgou que o preço do leite captado em novembro de 2024 fechou a R$ 2,6374 por litro na “Média Brasil”. Essa cifra representa uma queda de 6,4% em relação ao mês anterior, embora tenha registrado um aumento de 25,9% em comparação ao mesmo período do ano passado, considerando valores ajustados pela inflação.

    A desvalorização do leite cru é influenciada pela progressão da safra e pelo aumento sazonal da oferta no campo. O Cepea projeta que essa tendência de queda nos preços pode continuar ao longo de dezembro. A média de preços para 2024 deve se manter em torno de R$ 2,60 por litro. Isso representa um leve aumento de cerca de 1% em relação ao ano anterior.

    Apesar da média anual não se distanciar significativamente da de 2023, o comportamento dos preços foi bastante distinto. O ano de 2024 foi marcado por uma valorização sustentada do leite cru até o final do terceiro trimestre, impulsionada por um crescimento lento da oferta.

    Impactos nos custos de produção

    Embora os custos de produção tenham mostrado certa estabilidade e a margem do produtor tenha aumentado em 2024, o estímulo à atividade leiteira foi menor do que o esperado no primeiro semestre. Condições climáticas extremas afetaram negativamente a produção entre os segundos e terceiros trimestres. No entanto, o consumo permaneceu firme durante a maior parte do ano. E a redução considerável dos estoques de lácteos no final da entressafra ajudou a sustentar os preços até outubro.

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    Com a chegada das chuvas na primavera, houve um incremento na quantidade e qualidade das pastagens, favorecendo a produção. Contudo, a queda nos preços do leite no campo também impactou as cotações dos produtos lácteos. Em novembro, observou-se uma forte desvalorização do leite UHT no atacado paulista e quedas menos intensas nos preços da muçarela e do leite em pó.

    As importações brasileiras de lácteos se estabilizaram em novembro, totalizando 209,5 milhões de litros em equivalente leite. Em contrapartida, as exportações cresceram 5,8%, alcançando 4,8 milhões de litros em equivalente leite. Este cenário reflete uma dinâmica complexa no mercado lácteo brasileiro.

    Projeções futuras

    Para 2025, as expectativas são cautelosas. O crescimento da oferta deve permanecer próximo de 2%, devido ao aumento contínuo dos custos com nutrição animal e à pressão sobre o poder de compra dos pecuaristas. A projeção é que a produção mantenha um ritmo de crescimento entre 2% e 2,5%. No entanto, um avanço acima desse patamar exigiria uma recuperação significativa da oferta no primeiro trimestre de 2025, dependente principalmente das condições climáticas.

    A queda nos preços do leite ao produtor em novembro destaca os desafios enfrentados pelo setor lácteo brasileiro. Com um cenário econômico dinâmico e variáveis climáticas influenciando a produção e os custos, os próximos meses serão cruciais para determinar a trajetória dos preços e a sustentabilidade da atividade leiteira no Brasil.

  • Leite mais caro – o que esperar para o futuro?

    Leite mais caro – o que esperar para o futuro?

    O preço do leite captado em maio aumentou pelo sétimo mês consecutivo, registrando uma elevação de 9,8% em relação a abril, alcançando R$ 2,7114/litro na “Média Brasil” do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Desde janeiro, o valor pago ao produtor acumula um avanço real de 30,4%, considerando os valores deflacionados pelo IPCA de maio. No entanto, o preço médio de maio ficou 4,82% abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior, em termos reais.

    Essa alta se deve à redução na produção no campo. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea teve uma pequena reação de 0,14% de abril para maio, mas acumula uma queda de 7,7% na parcial deste ano.

    Tendência de alta no ano

    O preço do leite pago ao produtor no Brasil tem apresentado uma tendência de alta nos últimos meses. No ano vem acumulando um avanço real de 30,4% desde janeiro. Em maio, o preço médio chegou a R$ 2,7114/litro na “Média Brasil” do Cepea, uma elevação de 9,8% em relação a abril.

    grafico sobre preço do leite
    Reprodução – CEPEA

    Esse movimento de alta é explicado principalmente pela redução da produção no campo. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea acumula baixa de 7,7% na parcial de 2024. Fatores como o clima adverso (seca e calor) e a retração das margens dos pecuaristas no final de 2023 têm limitado a oferta de leite.

    No entanto, apesar da valorização, o preço médio de maio ficou 4,82% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado, em termos reais. Além disso, o aumento do preço do leite não tem sido repassado na mesma intensidade para os derivados lácteos, devido à pressão dos canais de distribuição por valores mais baixos.
    As importações também continuam sendo um fator de pressão sobre o mercado lácteo. De janeiro a abril, as compras externas somaram quase 774 milhões de litros em equivalente leite, 15% a mais que no mesmo período de 2023.

    Expectativa para o futuro

    Para o futuro, a expectativa é que o ritmo de valorização do leite ao produtor perca força a partir de junho. A oferta tende a se recuperar gradualmente. Assim,  os laticínios podem ter dificuldades em manter o ritmo de altas nos preços pagos aos produtores devido à margem reduzida na venda dos derivados.

    Portanto, embora o preço do leite tenha apresentado uma forte alta nos últimos meses, impulsionado pela redução da produção, fatores como as importações e a pressão dos canais de distribuição podem limitar o avanço das cotações no curto prazo. A recuperação da oferta e a pressão sobre as margens da indústria também devem contribuir para uma desaceleração do ritmo de valorização do leite ao produtor nos próximos meses.

  • Preço do leite continua subindo

    Preço do leite continua subindo

    Levantamento divulgado pelo CEPEA no final do mês passado mostra que o preço do leito pago ao produtor continua subindo. A alta em maio foi de 5,1%, e mantém a tendência de alta que vem sendo seguida pelos últimos seis meses.

    Entre os fatores apontados com justificativa pela alta do preço do leite, estão o clima, a entressafra e o menor interesse nos produtores em investir na produção. A alta dos preços dos grãos, utilizado na cadeia produtiva para alimentar os animais, e dos combustíveis também colaboram nessa alta.

    Essa alta mantém a tendência do mês anterior, como visto aqui. A produção no ano teve queda de 7,8%, mas os índices podem se inverter a partir de junho, com os preços começando a cair.

    Enquanto essa é uma boa notícia para o produtor, que consegue recuperar parte do investimento na produção, para o consumidor é um problema, pois o leite mais caro aumenta toda a cadeia de produtos que dependem do latícinio.

    Variação outro ano seguido

    Em 2023, o preço do leite no Brasil registrou uma série de quedas consecutivas, afetando negativamente a rentabilidade dos produtores.

    Por exemplo, de janeiro a setembro, as importações de lácteos aumentaram significativamente, alcançando 1,6 bilhão de litros em equivalente leite, quase o dobro do volume registrado no mesmo período de 2022, pressionando as cotações domésticas ao longo da cadeia, levando a uma redução nos preços pagos aos produtores.

    Produtor se anima com alta, enquanto consumidor reclama

    A média do preço do leite cru ao produtor caiu 31,54% em termos reais entre setembro de 2022 e setembro de 2023, atingindo R$ 2 na “Média Brasil” líquida. A baixa na rentabilidade do setor levou a uma redução no crescimento da produção, que foi de apenas 0,8% no terceiro trimestre de 2023 em relação a 2022.

    Entretanto, a crise no setor leiteiro também foi agravada pelo baixo consumo de lácteos no mercado brasileiro nos primeiros meses do ano e pela alta no custo de produção, que aumentou 50% entre 2020 e outubro de 2023.

    Embora o preço do leite tenha subido 1,2% em dezembro em relação a novembro, o preço médio pago ao produtor em 2023 foi de R$ 2,4680/litro, 14% menor que o registrado no ano anterior.