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  • China pressiona mercado e preço da picanha entra em alerta

    China pressiona mercado e preço da picanha entra em alerta

    O churrasco de domingo pode ficar ainda mais salgado. E não é força de expressão. O preço da picanha, do contrafilé e de outros cortes nobres no Brasil podem subir com as baixas na exportação para a China.

    A possibilidade de uma desaceleração nas compras de carne bovina brasileira pela China começou a provocar apreensão entre pecuaristas, frigoríficos e especialistas do setor agropecuário. O temor é simples de entender: quando o maior comprador do mundo pisa no freio, toda a cadeia sente o baque — do pasto ao prato.

    A discussão ganhou força após representantes do setor alertarem para uma possível redução de até 10% nas exportações brasileiras de carne bovina ao mercado chinês. O cenário envolve tarifas, tensões comerciais e uma economia chinesa menos acelerada do que nos anos anteriores.

    Mas a direção dessa mudança ainda divide opiniões.

    Queda nas exportações pode aumentar oferta no Brasil

    De um lado, economistas ligados ao agronegócio avaliam que uma redução das exportações poderia elevar a quantidade de carne disponível no mercado interno. Em teoria, isso ajudaria a aliviar os preços para o consumidor brasileiro.

    É a lógica do efeito dominó.

    Se menos contêineres deixam os portos rumo à Ásia, sobra mais produto nos frigoríficos nacionais. E aí o varejo tende a pressionar por preços menores.

    O problema é que o mercado da carne raramente funciona de maneira tão linear.

    Especialistas afirmam que fatores como dólar, custo do milho, transporte e margem dos frigoríficos continuam pesando na conta. Ou seja: mesmo com maior oferta, não há garantia de queda significativa nos supermercados.

    Enquanto isso, o consumidor observa tudo como quem olha fumaça saindo da churrasqueira antes de descobrir o tamanho da conta.

    Picanha virou símbolo do bolso do brasileiro

    A picanha deixou de ser apenas um corte bovino. Nos últimos anos, ela virou símbolo do poder de compra da classe média e até tema político.

    Quando o preço sobe, o impacto ultrapassa o açougue.

    Ele invade conversas de família, grupos de WhatsApp e corredores de supermercado. Afinal, pouca coisa traduz tão bem a sensação de inflação quanto o susto diante da etiqueta da carne.

    Nos últimos anos, o mercado viveu uma montanha-russa.

    Durante o auge das exportações para a China, frigoríficos priorizaram mercados internacionais mais rentáveis. Com isso, muitos cortes dispararam no Brasil. Em alguns períodos, a picanha virou quase artigo de luxo.

    Agora, o receio é diferente.

    Se a China reduzir compras, frigoríficos podem tentar compensar perdas elevando margens em outros mercados ou diminuindo o ritmo de abates. Nesse caso, o efeito sobre os preços internos pode ser limitado.

    Frigoríficos acompanham cenário com cautela

    Grandes empresas do setor acompanham o movimento chinês quase em tempo real. Não por acaso.

    Hoje, a China representa o principal destino da carne bovina brasileira. Em algumas operações, o mercado chinês responde por parcela decisiva da receita exportadora.

    Nos bastidores, o clima é de cautela.

    Executivos avaliam que uma desaceleração mais forte poderia afetar investimentos, geração de empregos e até o ritmo de expansão do setor frigorífico no país.

    Ao mesmo tempo, parte da indústria acredita que o Brasil continua competitivo internacionalmente, principalmente pela escala de produção e pelo tamanho do rebanho nacional.

    Ainda assim, ninguém ignora o peso do gigante asiático.

    Quando Pequim muda de humor, o agro brasileiro costuma sentir o tremor antes mesmo de o impacto chegar oficialmente às planilhas.

    Consumidor pode sentir mudanças nos próximos meses

    Especialistas afirmam que os efeitos mais perceptíveis devem aparecer ao longo dos próximos meses, principalmente se houver confirmação de redução mais intensa nas exportações.

    Até lá, o comportamento do dólar e da inflação dos alimentos seguirá decisivo.

    Se a moeda americana continuar elevada, exportar carne seguirá extremamente lucrativo. Isso reduz o espaço para quedas expressivas nos preços internos.

    Além disso, custos logísticos e alimentação do gado ainda pressionam produtores.

    Ou seja: apesar da expectativa criada em torno da possível sobra de carne no mercado brasileiro, não há consenso de que a picanha ficará barata tão cedo.

    Por enquanto, o churrasco do brasileiro segue dependendo de uma conta delicada — e cada vez mais global.

    Porque hoje, antes mesmo de a carne chegar à grelha, ela já passou pelo câmbio, pela geopolítica e pelas decisões de um mercado do outro lado do planeta.

     

  • Prepare o bolso: preço da carne bovina dispara e bate recorde

    Prepare o bolso: preço da carne bovina dispara e bate recorde

    O preço da arroba do boi gordo alcançou o patamar recorde de US$ 73,58 na última quarta-feira (15), superando o pico histórico anterior de abril de 2022. A valorização, que acumula alta de 26,5% apenas em 2026, é impulsionada pela retenção de fêmeas para reprodução e pelo aquecimento das exportações, resultando em repasses imediatos para o consumidor brasileiro, que já enfrenta carnes mais caras nos supermercados.

    A dinâmica atual do mercado é explicada pelo ciclo produtivo da pecuária. Com a rentabilidade em alta, produtores optam por reter vacas no campo para a produção de bezerros, o que reduz drasticamente a oferta de animais prontos para o abate no curto prazo.

    Especialistas explicam que o intervalo entre a decisão de retenção e o abate do animal pode superar 36 meses, criando um descompasso estrutural na oferta. Somado a isso, o Brasil mantém um ritmo forte de vendas para o exterior.

    Em 2025, o volume exportado cresceu 20,9%, com destaque para mercados como China, México e Rússia. No primeiro trimestre de 2026, os embarques já superam em 18,4% o mesmo período do ano anterior. Essa combinação de baixa oferta interna e alta demanda externa reduz a disponibilidade de carne no mercado doméstico, elevando os preços.

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    Impacto no bolso: cortes populares lideram inflação

    O consumidor brasileiro sente o reflexo direto desse cenário. Em março de 2026, o preço das carnes subiu 1,73%, a maior alta mensal desde o final de 2024. Cortes tradicionalmente mais acessíveis foram os mais impactados pela inflação nos últimos 12 meses:

    • Acém: alta acumulada de 29,1%
    • Peito: alta acumulada de 27,4%
    • Músculo: alta acumulada de 24,6%
    • Alcatra: alta acumulada de 23,5%

    Até mesmo cortes nobres, como o filé-mignon (19,1%) e a picanha (12,1%), registraram aumentos significativos no período.

    O papel da China e o futuro dos preços

    A tendência é que os preços permaneçam em níveis elevados nos próximos meses. Um fator determinante será a cota de exportação para a China, limitada a 1,1 milhão de toneladas para 2026. Especialistas preveem que essa cota pode se esgotar ainda no primeiro semestre, o que poderia, teoricamente, aumentar a oferta interna, embora o maior lucro na exportação ainda motive os frigoríficos a priorizar o mercado externo enquanto houver margem.

    Além disso, conflitos no Oriente Médio preocupam o setor devido ao possível encarecimento de fertilizantes e fretes, o que pode elevar ainda mais o custo de produção nas pastagens brasileiras.

  • O que fez a carne bovina subir e a suína cair ao mesmo tempo?

    O que fez a carne bovina subir e a suína cair ao mesmo tempo?

    O mercado de proteínas animais iniciou 2026 com um cenário incomum: a diferença de preços entre a carne bovina e a suína atingiu o maior patamar dos últimos quatro anos.

    Levantamento do Cepea/USP mostra que a distância chegou a R$ 14,26 por quilo em março. Esse movimento reflete dinâmicas completamente opostas entre os dois setores.

    De um lado, a carne bovina segue em valorização. Do outro, a carne suína registra queda e ganha competitividade no mercado interno.

    Carne bovina sobe com oferta limitada

    A alta da carne bovina tem um fator central: a baixa oferta de animais prontos para abate.

    Com menos gado disponível, os frigoríficos enfrentam dificuldade para manter o ritmo de produção. Como resultado, os preços sobem. Em março, a carcaça casada bovina avançou 2,6% e atingiu média de R$ 24,32 por quilo na Grande São Paulo.

    Imagem gerada por IA

    Além disso, a demanda internacional reforça essa pressão. O Brasil registrou exportações recordes no primeiro trimestre de 2026, com valores pagos até 18,7% maiores na comparação anual.

    Esse cenário reduz ainda mais a disponibilidade de carne no mercado interno e sustenta a trajetória de alta.

    Exportações ampliam pressão nos preços

    O apetite externo pela carne brasileira continua aquecido. Países importadores mantêm forte demanda, o que incentiva frigoríficos a direcionarem parte da produção para o mercado internacional.

    Como consequência, o consumidor brasileiro sente o impacto direto no bolso.

    Além disso, essa combinação entre oferta restrita e exportações elevadas cria um ambiente de sustentação dos preços, sem sinais imediatos de recuo.

    Carne suína segue caminho oposto

    Enquanto a carne bovina sobe, a proteína suína enfrenta um cenário de pressão negativa.

    Em março, a carcaça especial suína recuou cerca de 2,8%, fechando em R$ 10,06 por quilo. Esse movimento ocorre principalmente por conta da queda na demanda interna.

    Durante a Quaresma, o consumo de carne suína tradicionalmente diminui. Como resultado, o mercado registra menor liquidez e dificuldade na comercialização.

    Quaresma derruba consumo e preços

    A sazonalidade exerce forte influência sobre o setor suíno.

    Nesse período, muitos consumidores reduzem o consumo de carnes, especialmente a suína. Consequentemente, a procura cai tanto no mercado do animal vivo quanto no atacado.

    Esse recuo gera acúmulo de oferta e pressiona os preços para baixo.

    Além disso, a indústria demonstra menor interesse na compra de novos lotes, o que intensifica ainda mais a desvalorização.


  • Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Um novo surto de febre aftosa levou a China a adotar medidas emergenciais para conter a disseminação da doença.

    Entre as ações, o país intensificou o controle sanitário nas fronteiras e iniciou o abate de animais infectados ou sob suspeita. Além disso, autoridades ampliaram a vigilância em regiões consideradas de maior risco.

    Esse tipo de resposta é comum em casos de febre aftosa. Isso porque a doença apresenta alta capacidade de transmissão e pode causar prejuízos significativos à pecuária.

    Doença preocupa cadeia produtiva

    A febre aftosa afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de produção. Embora raramente atinja humanos, seus impactos econômicos são severos.

    Quando um surto é confirmado, países costumam restringir o trânsito de animais e produtos de origem animal. Dessa forma, o comércio internacional pode sofrer interrupções imediatas.

    Além disso, o abate sanitário reduz rapidamente a oferta interna de carne, o que pressiona preços e altera a dinâmica do mercado.

    Impactos já são monitorados no mercado global

    O avanço da doença na China acende um alerta global. Como um dos maiores consumidores de carne do mundo, qualquer alteração em sua produção interna gera reflexos diretos no comércio internacional.

    Por um lado, a redução da oferta doméstica pode aumentar a demanda por importações. Nesse cenário, países exportadores tendem a se beneficiar.

    Por outro lado, restrições sanitárias e incertezas logísticas podem gerar volatilidade nos preços.

    Brasil pode ser impactado

    O Brasil, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, acompanha o cenário com atenção.

    Se a China ampliar suas importações, o país pode ganhar espaço no mercado externo. No entanto, qualquer risco sanitário exige cautela.

    Além disso, o histórico recente mostra que crises sanitárias costumam provocar reações rápidas nos fluxos comerciais. Por isso, o setor monitora cada movimento com cautela.

    Controle sanitário ganha ainda mais importância

    Diante do cenário, especialistas reforçam a importância da vigilância sanitária e da rastreabilidade dos rebanhos.

    Países com sistemas de controle mais rigorosos tendem a responder melhor a crises desse tipo. Além disso, conseguem manter a confiança dos mercados internacionais.

    No caso do Brasil, o status sanitário é um dos principais ativos do agronegócio. Portanto, manter esse padrão se torna ainda mais estratégico.

    Cenário exige atenção nos próximos meses

    Embora a situação ainda esteja em evolução, o surto já influencia decisões no setor.

    Produtores, exportadores e governos acompanham de perto os desdobramentos. Isso porque mudanças na China costumam reverberar rapidamente no mercado global.

    Por fim, o episódio reforça um ponto central do agronegócio moderno: sanidade animal não é apenas uma questão de saúde, mas também de competitividade e acesso a mercados.

  • Tarifaço: carne brasileira encarece nos EUA e agro busca novos mercados

    Tarifaço: carne brasileira encarece nos EUA e agro busca novos mercados

    Em agosto de 2025, o governo Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café e pescados. A medida altera as dinâmicas comerciais entre os países e pressiona os preços nos Estados Unidos, enquanto o Brasil busca adaptar-se aos novos desafios.

    Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que a carne bovina já subiu 7,2% nos últimos 12 meses nos EUA. Com as tarifas, analistas projetam altas entre 15% e 20% até 2026. Apesar disso, o impacto inflacionário tende a ser limitado, já que a carne representa apenas 0,5% do CPI (índice de inflação oficial americano).

    Nos supermercados dos EUA, o preço médio da carne moída atingiu US$ 6,504 por libra (cerca de R$ 77,71/kg), um aumento de 11,75% em seis meses . Essa alta ocorre em um contexto de escassez global de proteína animal, com os estoques pecuários americanos em seus níveis mais baixos em 70 anos.

    Leandro Avelar, CEO da JPA Agro, marketplace líder do setor, alerta: “Tarifa é imposto, e imposto é preço alto. Barreiras comerciais refletem-se no consumidor final e na competitividade dos exportadores”. A afirmação sintetiza o cenário de tensão que une política, comércio e agropecuária.

    Brasil: perda de mercado e competitividade

    Os Estados Unidos são o terceiro maior destino das exportações do agronegócio brasileiro, atrás apenas da China e da União Europeia. Em 2025, o país respondia por 12% das exportações brasileiras de carne bovina, com um faturamento estimado em US$ 1 bilhão .

    Com as tarifas, embora as vendas diretas aos EUA tenham caído, o Brasil aumentou as exportações para outros mercados, como México, Rússia e Chile. Em agosto de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina atingiram uma média diária de US$ 74,55 milhões, alta de 70,1% em relação ao mesmo período de 2024.

    Ainda assim, especialistas alertam para riscos de perda de competitividade e margens. “O mercado americano é insubstituível para o Brasil em termos de rentabilidade”, afirma Leandro Avelar. Ele destaca que a dependência de alguns exportadores em relação aos EUA chega a 40% do faturamento.

    Efeitos distintos entre EUA e Brasil

    A percepção do aumento de preços varia significativamente entre os dois países:

    • Nos EUA, a carne bovina representa cerca de 1,3% do orçamento familiar médio. Cada 1% de aumento no preço eleva a inflação geral em apenas 0,05 ponto percentual.
    • No Brasil, a carne tem peso de 3,5% no IPCA, e famílias comprometem mais de 5% da renda mensal com o produto.

    Essa diferença explica por que os americanos absorvem melhor os aumentos, enquanto no Brasil qualquer alta é sentida de forma imediata.

    A questão de percepção e a diplomacia

    Avelar destaca a importância da percepção pública sobre os preços. “Se o aumento da carne cair no inconsciente popular americano, a pressão sobre o governo vai crescer”, avalia. Essa dimensão psicológica pode influenciar revisões da medida.

    O executivo defende que o Brasil separe questões políticas de comerciais nas negociações. “Os EUA são o segundo maior cliente do Brasil e o que deixa margens mais atraentes. É irracional colocar isso em risco por disputas alheias ao comércio”.

    Além das respostas diplomáticas, o Brasil precisa enfrentar gargalos domésticos:

    • Alta carga tributária
    • Legislação trabalhista complexa
    • Deficiências em infra estrutura logística

    “O problema não é só a tarifa americana. Precisamos olhar para dentro e reduzir impostos, modernizar leis e melhorar nossa logística”, afirma Avelar. Somente com ganhos de eficiência interna o país manterá sua posição global diante de concorrentes como Austrália e Argentina.

    A dependência dos EUA de importações de carne – o país importa 26,6% de sua carne bovina do Brasil  – sugere que as exportações brasileiras manterão relevância. No entanto, o ambiente exige cautela e inteligência estratégica.

    “Se a carne passar a ser vista como ‘cara demais’ nos EUA e esse discurso ganhar corpo, a tarifa pode entrar no centro do debate e abrir caminho para negociações”, conclui Avelar. Até lá, o Brasil deve reforçar sua competitividade e diversificar mercados.

  • Carne bovina atinge preços recordes nos EUA

    Carne bovina atinge preços recordes nos EUA

    Os preços da carne bovina nos Estados Unidos alcançaram níveis recordes em agosto de 2025, com a carne moída atingindo US$ 6,34 por libra em julho. Enquanto bifes não cozidos também bateram máxima histórica de US$ 11,88 por libra.

    O Departamento de Agricultura americano (USDA) registra o menor rebanho bovino desde a década de 1950. Sâo apenas 27,9 milhões de cabeças de gado para produção de carne, uma queda de 13% em relação a 2019. O preço médio do varejo para toda carne bovina fresca atingiu um recorde de US$ 8,50 por libra em abril de 2025, registrando 23 meses consecutivos de aumentos anuais.

    Bernt Nelson, economista agrícola da American Farm Bureau Federation, alerta que a oferta permanece limitada mesmo após o período tradicional de churrascos devido à redução histórica do rebanho e às secas nos principais estados produtores.

    Tarifas restringem importações brasileiras

    A situação se agrava com a política comercial restritiva do governo Trump. O presidente americano anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em julho, adicionais aos 10% já impostos desde abril.

    Os dados da Secex/Brasil mostram o impacto imediato das tarifas: as exportações de carne bovina para os EUA despencaram de 48 mil toneladas em abril para 18 mil toneladas em junho, uma queda de 62%.

    O Brasil representava parcela significativa das importações americanas de carne bovina. Mas enfrentava anteriormente uma cota anual de 65 mil toneladas com tarifa zero, que agora passa a ter tarifa mínima de 10%.

    Projeções indicam pressão contínua nos preços

    O USDA ajustou para cima as projeções de preços para 2025 com base nos dados reais até junho, mantendo inalterada a previsão para 2026. A CattleFax projeta que o mercado de bezerros deve ter média de US$ 3,30 a US$ 3,40 por bezerro macho em 2025, comparado aos US$ 3,10 de 2024.

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    Para 2025, o déficit comercial americano de carne bovina deve atingir 1,8 bilhão de libras. O maior desde 2006, quando as exportações ainda se recuperavam de restrições comerciais temporárias.

    Empresas enfrentam desafios operacionais

    Para empresas do setor alimentício e redes varejistas, o cenário atual representa desafios complexos no gerenciamento de preços, disponibilidade de produtos e composição do mix de proteínas oferecidas aos consumidores.

    Dados do setor mostram que o americano médio deve consumir 59,1 libras de carne bovina em 2025, comparado a 102,5 libras de frango e 50,3 libras de suíno. Indicando que a demanda permanece robusta apesar dos preços elevados.

    A nova tarifa de 50% deve reduzir drasticamente as importações brasileiras. E forçar compradores americanos a buscar fornecedores alternativos no Mercosul, incluindo Argentina, Uruguai e Paraguai.

    A combinação de oferta doméstica restrita, política comercial protecionista e demanda sustentada mantém o setor sob pressão inflacionária. Com perspectivas de que os preços recordes persistam ao longo do segundo semestre de 2025.

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  • Carne mais barata no Brasil? Como tarifas dos EUA podem afetar o bolso do consumidor

    Carne mais barata no Brasil? Como tarifas dos EUA podem afetar o bolso do consumidor

    As tarifas de 50% anunciadas por Donald Trump sobre produtos brasileiros podem transformar o mercado doméstico de carne. Com exportações aos EUA ameaçadas, frigoríficos avaliam redirecionar parte da produção para o Brasil. O país, com 211 milhões de habitantes e inflação de 5,35%, tem potencial para absorver o excedente. Mas o cenário ainda é complexo.

    Especialistas afirmam que o aumento da oferta interna pode derrubar os preços da carne. Dados do Cepea mostram que a arroba do boi gordo já está em R$ 299,70. Se a cotação cair, o consumidor pode sentir o alívio no bolso. Mas o varejo nem sempre repassa a redução imediatamente.

    “Possivelmente, a gente vai ver uma carne mais estável e baixa, mas não será imediato porque o varejo segura os preços. Saberemos mesmo entre setembro e outubro”, explica Lygia Pimentel, da AgriFatto.

    Desafios logísticos

    Apesar do potencial, o redirecionamento não é simples. Os EUA compravam carne brasileira a preços mais baixos que Austrália e Argentina. Com a tarifa, o produto nacional perde competitividade. O custo por tonelada pode saltar de US$ 6.143 para US$ 8.415.

    Além disso, o dólar alto pode neutralizar parte do efeito. A moeda subiu 0,72% após o anúncio de Trump, pressionando a inflação. Enquanto o Brasil busca alternativas, os EUA enfrentam escassez de carne. O rebanho americano está no menor nível em 70 anos. Sem o Brasil, os consumidores lá podem pagar mais caro por hambúrgueres.

    “Os americanos não são autossuficientes no abastecimento de carne bovina”, diz Carlos Cogo, da Cogo Consultoria. Isso significa que o valor para o consumidor americano também será afetado.

    Números

    As exportações brasileiras de carne bovina somaram US$ 1,428 bilhão em junho de 2025. Isso representa um aumento de 50% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O volume exportado no mês alcançou 271,2 mil toneladas, crescimento de 23,3%. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

    Entre os principais mercados no semestre, a China liderou com 641,1 mil toneladas e US$ 3,22 bilhões em compras, um aumento de 28,2% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 181,5 mil toneladas e US$ 1,04 bilhão, alta de 102%. O Chile importou 58,9 mil toneladas, com receita de US$ 315,5 milhões (+37,4%). O México comprou 52 mil toneladas, totalizando US$ 276,3 milhões, crescimento expressivo de 235,7%.

    Roberto Perosa, presidente da Abiec, explica que o Brasil exporta principalmente cortes que o consumidor nacional não consome com frequência, como partes dianteiras do boi e miúdos. Esses produtos vão para mercados como os Estados Unidos e países asiáticos, onde são usados em hambúrgueres e ensopados típicos.

    Consumo interno

    Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o mercado interno responde por 70% do consumo de carne bovina no país. Cerca de 30% da produção é exportada, e o principal destino é a China, que absorve 44% das exportações brasileiras de carne vermelha. Os Estados Unidos compram apenas 12% desse volume.

    No caso da carne suína, os EUA ocupam a 12ª posição entre os compradores estrangeiros, e o volume exportado para lá é pequeno. Por isso, uma eventual suspensão das exportações para os EUA dificilmente aumentaria a oferta no mercado interno a ponto de influenciar os preços, segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA.

    O governo brasileiro projeta queda nos preços, mas ressalta que o impacto depende de fatores como consumo interno e negociações com outros países. Porém, a China, principal compradora, pode absorver parte do excedente.

    Para o consumidor brasileiro, portanto, a resposta final ainda vai demorar alguns meses. Pelo menos até quando os ajustes de mercado devem ficar claros.

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  • Preço da carne suína registra alta em agosto

    Preço da carne suína registra alta em agosto

    Os preços médios do suíno vivo e da carne suína continuaram a subir em agosto em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Em algumas áreas, o valor do animal vivo atingiu os maiores patamares reais desde fevereiro de 2021 (com os valores corrigidos pelo IGP-DI de agosto). Esse aumento foi impulsionado pela combinação de uma oferta limitada de animais prontos para abate. E também pela forte demanda por parte da indústria, tanto para o mercado interno quanto para exportação. Esse cenário já se observa há quatro meses.

    Embora as exportações brasileiras de carne suína tenham diminuído em relação a julho, elas ainda se mantiveram em níveis historicamente altos em agosto. Isso evidencia o aquecimento da demanda externa. Os embarques no mês registraram o segundo melhor desempenho de 2024, atrás apenas de julho. E foram recordes para agosto, considerando a série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), iniciada em 1997.

    Poder de compra e insumos

    O poder de compra dos suinocultores de São Paulo frente ao milho aumentou pelo sétimo mês consecutivo em agosto. Em relação ao farelo de soja, o cenário também foi favorável pelo segundo mês seguido. O aumento no poder de compra foi impulsionado pela valorização do suíno vivo no mercado independente. Na região SP-5, que engloba cidades como Campinas e Piracicaba, o quilo do animal vivo subiu de R$ 7,68 em julho para R$ 8,46 em agosto, uma alta de 10,2%.

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    Os preços da carne suína registraram forte alta entre julho e agosto, mas as carnes bovina e de frango também apresentaram valorização, embora em ritmo mais lento. Com isso, a competitividade da carne suína frente às outras proteínas diminuiu. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça especial suína passou de R$ 11,34/kg em julho para R$ 12,42/kg em agosto, um aumento expressivo de 9,6%.