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  • R$ 30 bilhões do pré-sal: plano do agronegócio para quitar dívidas avança

    R$ 30 bilhões do pré-sal: plano do agronegócio para quitar dívidas avança

    O agronegócio brasileiro articula uma proposta que pode mudar o rumo do crédito rural no país. Parlamentares ligados ao setor defendem o uso de recursos do fundo social do pré-sal para renegociar dívidas de produtores.

    A ideia prevê a liberação de pelo menos R$ 30 bilhões como ponto de partida para um programa de alívio financeiro no campo.

    O tema foi discutido essa semana, em reunião convocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a pedido da senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice da FPA. Participaram parlamentares ligados ao setor, os líderes do governo Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) e o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

    Por que o agro quer esse dinheiro?

    O setor enfrenta um cenário considerado crítico por representantes políticos e produtores.

    Nos últimos anos, fatores como juros elevados, queda no preço de commodities e aumento nos custos de produção pressionaram o caixa dos agricultores.

    Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos agravaram a situação, especialmente em regiões como o Rio Grande do Sul, que acumulou perdas bilionárias na produção agrícola.

    Diante disso, lideranças do agro classificam o momento como uma “tempestade perfeita”, combinando crise financeira e desafios estruturais.

    A proposta

    O plano em discussão envolve a repactuação das dívidas rurais por meio de um projeto de lei que já tramita no Congresso.

    Durigan disse que há a possibilidade de o governo conceder uma linha de crédito emergencial nos moldes de uma medida provisória que liberou R$ 12 bilhões no ano passado. O governo Lula (PT) também vem discutindo um amplo programa para reduzir o endividamento das famílias.

    “Temos aqui um compromisso, dentro desse esforço de lidar com o endividamento, também estender uma mão, uma linha para o setor agropecuário”, afirmou.

    A proposta permitiria usar recursos do pré-sal para refinanciar débitos de produtores afetados por crises climáticas e econômicas.

    Além disso, o modelo prevê condições facilitadas, como prazos mais longos e juros reduzidos, para garantir a recuperação financeira do setor. Em alguns casos, o programa também pode incluir carência para início dos pagamentos, ampliando o fôlego dos produtores

    Governo avalia alternativas

    O governo federal não descarta apoiar o setor, mas ainda analisa os impactos da proposta.

    Integrantes da equipe econômica indicaram a possibilidade de criar linhas de crédito emergenciais, semelhantes às adotadas anteriormente, como uma medida provisória que liberou bilhões ao agro.

    Além disso, qualquer decisão deve passar por negociações com o Congresso, já que envolve recursos públicos estratégicos.

     Debate divide opiniões

    A proposta, no entanto, não é consenso em Brasília.

    De um lado, representantes do agronegócio defendem que o uso do fundo do pré-sal não teria impacto fiscal direto e poderia evitar uma crise maior no campo. Por outro, críticos questionam o uso de recursos considerados estratégicos para financiar dívidas privadas, levantando discussões sobre prioridades econômicas e sociais.

    Pré-sal no centro da disputa

    O fundo social do pré-sal foi criado justamente para financiar áreas como educação, saúde e desenvolvimento social.

    Atualmente, o fundo acumula dezenas de bilhões de reais, o que o torna alvo de diferentes interesses políticos e econômicos. Por isso, qualquer tentativa de redirecionamento desses recursos tende a gerar forte debate no Congresso e na sociedade.

  • Petrobras descobre nova camada de óleo no pré-sal da Bacia de Santos

    Petrobras descobre nova camada de óleo no pré-sal da Bacia de Santos

    A Petrobras identificou uma nova acumulação de petróleo abaixo do reservatório principal do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. O volume foi detectado em uma profundidade de 5.600 metros, por meio de testes realizados no local.

    Segundo a estatal, a inspeção utilizou perfis elétricos gerados por uma sonda introduzida na nova perfuração. Os dados coletados estão em análise nos laboratórios da empresa para determinar as características geológicas e hidrológicas da descoberta.

    O Consórcio da Jazida Compartilhada de Búzios, liderado pela Petrobras, seguirá com as análises para definir os próximos passos na exploração da área. Ou seja, a Petrobras lidera o grupo com 88,98% de participação, em parceria com a CNOOC (7,34%) e a CNPC (3,67%), enquanto a PPSA atua como gestora.

    Produção do pré-sal segue em alta

    A produção média anual de petróleo e gás natural no Brasil alcançou 4,322 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em 2024, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em resumo, desse total, 3,358 milhões de barris por dia (bbl/d) correspondem ao petróleo.

    O pré-sal respondeu por 78% da produção nacional, com jazidas localizadas entre mil e seis mil metros abaixo do nível do mar. O campo de Búzios, considerado o maior do mundo em águas ultraprofundas, fica a 189 quilômetros da costa do Rio de Janeiro e opera em larga escala desde 2015.

    Em março de 2024, o campo superou a marca de 1 bilhão de barris de petróleo produzidos. No ano, a produção de Búzios cresceu 2,40% em relação a 2023. Ou seja, o volume representou 19,53% da produção marítima do país, conforme o Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural da ANP.