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  • Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Você pega o pacote de arroz para cozinhar e encontra aquela farinha fina acumulada no fundo. Ou, pior ainda, avista pequenos insetos se movimentando entre os grãos. É uma cena familiar para boa parte das famílias brasileiras, e a reação imediata costuma ser jogar tudo fora com repulsa. Mas a situação é mais complexa do que parece, e a resposta para a pergunta que todo mundo já fez, “caruncho faz mal?”, depende de alguns fatores que vale conhecer antes de tomar qualquer decisão.

    De onde vem o caruncho e por que ele aparece nos grãos

    Antes de qualquer coisa, é preciso derrubar um equívoco comum: o caruncho não nasce necessariamente por descuido do consumidor. Segundo a agrônoma e professora Cristina Schetino Bastos, da Universidade de Brasília, o ciclo da infestação pode começar ainda na lavoura, durante a colheita, e seguir por todas as etapas, incluindo transporte, beneficiamento e armazenamento. Ou seja, o inseto pode chegar à despensa de casa dentro do próprio pacote lacrado.

    O nome “caruncho” é, na verdade, um termo genérico. A professora explica que ele designa popularmente mais de uma espécie de besouro que infesta produtos armazenados, com destaque para o Sitophilus zeamais, um besouro pequeno também conhecido como bicudo. Essa espécie é especialmente problemática porque tem alta capacidade de sobrevivência e consegue perfurar grãos intactos, o que dificulta o controle ao longo de toda a cadeia produtiva.

    Os insetos se associam principalmente a arroz, milho e trigo e, por consequência, a derivados como macarrão e farinhas. E as condições do ambiente doméstico podem acelerar a proliferação: umidade moderada e temperaturas favoráveis criam o cenário ideal para o desenvolvimento dos insetos, enquanto ambientes muito secos ou com temperaturas extremas dificultam sua sobrevivência.

    Freezer, recipientes de vidro e atenção à mistura de alimentos novos com antigos estão entre as medidas mais eficazes para manter caruncho longe — (Foto: Tomasz Klejdysz/Getty Imagens)

    Comer alimento com caruncho faz mal?

    Aqui está a resposta que a maioria das pessoas busca, e ela é menos alarmante do que o estômago sugere no momento do susto. De acordo com a nutricionista Fabiana Ximenes, o consumo acidental desses insetos geralmente não representa um risco grave à saúde. No entanto, podem ocorrer sintomas gastrointestinais leves como náuseas, desconforto abdominal e diarreia, especialmente em pessoas mais sensíveis ou com imunidade baixa.

    Um fator importante nessa equação é o preparo do alimento. O risco é maior quando o alimento contaminado é consumido cru, já que o cozimento tende a eliminar os insetos. Ainda assim, especialistas alertam que confiar apenas no cozimento não é a melhor estratégia. Sinais mais graves de deterioração do produto precisam ser observados antes de qualquer decisão de aproveitamento.

    Grãos empelotados, cheiro alterado e presença de teias indicam que o alimento deve ser descartado, independentemente de qualquer outra consideração. Nesses casos, o risco não está apenas nos insetos, mas no estado geral do produto, que pode ter sofrido contaminação por fungos ou bactérias associadas à infestação prolongada.

    Como evitar o caruncho em casa de forma simples e eficaz

    A boa notícia é que prevenir a infestação doméstica não exige grandes investimentos. Medidas simples de armazenamento reduzem drasticamente o risco de proliferação e protegem toda a despensa. Especialistas recomendam armazenar grãos em recipientes bem fechados, de preferência de vidro, evitar ambientes quentes e úmidos, não misturar alimentos novos com antigos e, quando possível, manter grãos no congelador por um período após a compra.

    Esse último ponto merece atenção especial. Colocar o pacote recém-comprado no freezer por alguns dias elimina eventuais ovos ou larvas que possam ter chegado junto com o produto, interrompendo o ciclo de reprodução antes mesmo que ele comece na despensa de casa.

    Além disso, vale inspecionar embalagens antes de comprar, evitar produtos com sinais de dano na embalagem e preferir compras em locais com bom giro de estoque. No campo e nas propriedades rurais, o controle é ainda mais relevante: a indústria utiliza técnicas como expurgo com gás para eliminar insetos, controle de temperatura e uso de atmosferas modificadas, mas isso não garante ausência total do caruncho no produto final.

  • Aplicativo Monitora Caju ajuda produtores a reduzir perdas no campo

    Aplicativo Monitora Caju ajuda produtores a reduzir perdas no campo

    A Embrapa Agroindústria Tropical (CE) desenvolveu o Monitora Caju, um aplicativo estratégico para produtores e técnicos da extensão rural. A ferramenta facilita o monitoramento e o diagnóstico do oídio, principal doença da cultura, além de pragas como a traça-da-castanha e a broca-das-pontas. Ao orientar o manejo conforme a incidência detectada, o software ajuda a prevenir infestações, reduzir perdas e diminuir os custos de produção.

    aplicativo Monitora Caju. Foto: Francisco Williams

    Tecnologia acessível e offline Disponível para sistemas Android, iOS e computadores, o Monitora Caju apresenta um diferencial crucial para o campo: funciona sem conexão com a internet. A plataforma organiza informações em categorias como pragas, doenças, sintomas e monitoramento, guiando o usuário na vistoria do pomar.

    Para facilitar o diagnóstico, o produtor pode comparar o que observa em campo com um banco de imagens de plantas sadias e doentes. Segundo o pesquisador Marlon Valentim, coordenador do projeto, a inovação oferece respostas rápidas e seguras em linguagem simples, o que é fundamental para a agricultura familiar no Nordeste, especialmente em áreas com baixa conectividade.

    Combate às principais pragas e doenças

    O cajueiro, embora rústico, sofre com cerca de 1.200 espécies de insetos-praga no Brasil. O aplicativo foca nas ameaças mais críticas do período de frutificação:

    • Traça-da-castanha: esta praga silenciosa pode danificar até 80% das amêndoas em regiões sem monitoramento.
    Castanhas furadas pela traça (traça da castanha). Foto: Antonio Lindemberg
    • Broca-das-pontas: a lagarta consome ramos florais e pode afetar até 30% das ramificações, impedindo a formação de frutos.
    Broca-das-pontas/Murcha do ramo. Foto: Antonio Lindemberg
    • Oídio: esta infecção fúngica é a doença mais agressiva da cajucultura, provocando a morte das flores e a “queima” das inflorescências.
    Fruto do cajueiro com sintoma do oídio. Foto: Marlon Valentim

    Eficiência e economia no manejo

    O software utiliza uma metodologia de Manejo Integrado de Pragas (MIP) que indica o momento exato para a tomada de decisão. Ao calcular o índice de incidência com base em comandos autoexplicativos, o aplicativo recomenda as medidas de controle necessárias.

    O entomologista Antonio Lindemberg ressalta que o monitoramento contínuo reduz o uso de defensivos químicos, gerando economia para o agricultor e benefícios ao meio ambiente. “Quando o controle ocorre no início do ataque, o custo é menor e os riscos de perda reduzem”, explica o pesquisador.

    Impacto na cajucultura brasileira

    A cajucultura é a base econômica de milhares de famílias no Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, estados que concentram 95% da produção nacional. O Monitora Caju também gera mapas de ocorrência que permitem rastrear infestações geograficamente.

    Para Marcelo Colaço, supervisor do Senar/CE, a tecnologia é inovadora e possui grande potencial para transformar a agricultura familiar. A agilidade no diagnóstico e a adoção imediata de medidas de controle tornam a atividade mais segura e rentável para os mais de 140 mil estabelecimentos que cultivam o cajueiro no País.

  • Gene silvestre fortalece defesa do amendoim contra seca e pragas

    Gene silvestre fortalece defesa do amendoim contra seca e pragas

    Pesquisas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia revelam que genes de parentes silvestres do amendoim aumentam a resistência agrícola. O estudo contou com colaboração de instituições nacionais e internacionais e usou espécies nativas da América do Sul. A abordagem é inédita e amplia estratégias de melhoramento genético com base na biodiversidade regional.

    Gene ativa defesa sem custo produtivo

    Um dos genes estudados é o AdEXLB8, isolado da espécie silvestre Arachis duranensis. Essa planta é ancestral do amendoim cultivado e apresenta alta rusticidade natural. Segundo os pesquisadores, o gene ativa mecanismos de defesa contra seca, nematoides e fungos.

    A pesquisa mostrou que o gene não gera resistência direta. Ele aciona um processo chamado priming de defesa, que mantém a planta em estado de alerta. Assim, a resposta a estresses ocorre mais rápido e com menor gasto energético.

    Resultados comprovados em várias culturas

    Plantas de tabaco, soja e amendoim receberam o gene em testes experimentais. Os materiais apresentaram maior tolerância à seca e a doenças agrícolas. Em raízes analisadas, a infecção por nematoides caiu até 60%.
    Mesmo com maior proteção, as plantas não tiveram perdas de produtividade. A qualidade final dos produtos também foi preservada, segundo a Embrapa.

    Origem está na biodiversidade silvestre

    O estudo partiu da observação de espécies silvestres do gênero Arachis. Essas plantas enfrentam há milênios estresses bióticos e abióticos variados. Por isso, desenvolveram genes associados à resiliência ambiental.
    Grande parte desse material é conservada pela Embrapa em bancos de germoplasma. O trabalho de coleta é liderado pelo pesquisador José Valls, há décadas.

    Biotecnologia acelera o melhoramento genético

    No passado, melhoristas evitavam espécies silvestres em cruzamentos agrícolas. Isso ocorria porque características indesejadas vinham junto com os genes úteis. Com a biotecnologia, foi possível superar esse obstáculo. Ferramentas genômicas permitem transferir genes específicos para culturas comerciais. Dessa forma, a resistência é incorporada sem afetar produção ou qualidade.

    Pesquisa pioneira explica mecanismo molecular

    O gene AdEXLB8 pertence à família das expansinas, ligadas à parede celular. Inicialmente, os cientistas não esperavam resistência a pragas e fungos. No entanto, testes revelaram proteção ampla e simultânea. A explicação está na pré-ativação das vias de defesa da planta. Hormônios e sistemas antioxidantes ficam prontos para agir rapidamente.

    Tecnologia pode reduzir uso de defensivos

    Segundo a Embrapa, o gene pode diminuir a dependência de fungicidas e nematicidas. Isso contribui para uma agricultura mais sustentável e com menor impacto ambiental. A tecnologia está em processo de patenteamento e testes em outras culturas.

    Conservação garante inovação no campo

    O gene veio de uma espécie coletada pela primeira vez em 1905, na Argentina. As sementes só ficaram disponíveis para pesquisa a partir de 1953. Desde 1977, a Embrapa preserva o material no Brasil.
    Hoje, o banco reúne cerca de 1.500 acessos de espécies silvestres de Arachis. O Brasil concentra a maior diversidade genética desse gênero no mundo.

    Conhecimento indígena sustenta a diversidade

    A domesticação do amendoim envolveu povos indígenas sul-americanos. Eles selecionaram, cultivaram e espalharam diferentes tipos da planta. Evidências arqueológicas indicam cultivo há mais de cinco mil anos.
    Atualmente, comunidades como os Kayabi mantêm dezenas de variedades tradicionais. Esse manejo preserva genes valiosos para a pesquisa e a agricultura moderna.

    Biodiversidade como base do futuro agrícola

    Para os pesquisadores, o estudo comprova o valor da conservação genética.
    A biodiversidade armazenada pode gerar soluções para desafios climáticos e produtivos.
    Assim, ciência, tecnologia e conhecimento tradicional seguem conectados no campo.

  • Lagartas invencíveis: pragas podem dizimar até 60% da lavoura antes da colheita

    Lagartas invencíveis: pragas podem dizimar até 60% da lavoura antes da colheita

    Produtores rurais enfrentam uma escalada nos ataques de lagartas que, em casos extremos, podem dizimar mais da metade da lavoura antes da colheita. O problema se agrava com a resistência crescente dessas pragas aos inseticidas químicos e biotecnológicos, como as variedades Bt. Aliado a isso, o clima favorável e falhas no manejo integrado aumentam a incidência de infestações em culturas como milho, soja, algodão e feijão.

    As principais responsáveis por esse cenário são as lagartas do gênero Spodoptera frugiperda, popularmente conhecidas como lagarta-do-cartucho, e Helicoverpa zea, a lagarta-da-espiga. Presentes em praticamente todas as regiões produtoras, elas atacam diretamente estruturas vitais para a produção, como espigas, vagens e botões florais.

    Segundo o engenheiro agrônomo Jorge Silveira, coordenador comercial da Sell Agro, a Helicoverpa zea pode provocar perdas que variam de 10% a 50%, dependendo do nível de infestação e da eficiência do controle adotado. “Ela perfura as estruturas reprodutivas, além de abrir caminho para a entrada de patógenos, o que agrava ainda mais os danos”, afirma.

    Já a Spodoptera frugiperda preocupa especialmente produtores de milho, mas também ataca soja, algodão e pastagens. A lagarta tem alimentação intensa, reduz a área foliar responsável pela fotossíntese e pode atrasar o desenvolvimento das plantas ou mesmo levá-las à morte. “Em infestações severas, as perdas podem ultrapassar 60% em lavouras sem manejo adequado. Em regiões tropicais, onde o ciclo da lagarta ocorre o ano inteiro, o impacto tende a ser ainda maior”, destaca Silveira.

    Uso de desalojantes reforça controle e amplia eficiência dos inseticidas

    A resistência crescente das lagartas a produtos químicos e transgênicos torna indispensável a adoção de estratégias complementares. Entre as ferramentas disponíveis, os desalojantes têm ganhado espaço no manejo das infestações. Esses produtos atuam irritando o sistema dérmico e olfativo das lagartas, obrigando-as a sair dos abrigos e expondo-as aos inseticidas aplicados.

    Um exemplo é o UPSIDE, desenvolvido pela Sell Agro, que não contém enxofre e pode aumentar em até 40% a eficiência das aplicações. “Seu princípio ativo permanece ativo por até 72 horas, o que garante uma cobertura mais ampla e efetiva no campo”, explica Silveira. O especialista ressalta que o produto mostra melhores resultados no início da infestação, quando os danos ainda não são visíveis, por isso o monitoramento constante da lavoura é essencial.

    Monitoramento e manejo integrado continuam fundamentais

    Além do uso de desalojantes, a recomendação técnica reforça a importância do manejo integrado de pragas (MIP), que inclui práticas como rotação de culturas, eliminação de plantas voluntárias e adoção de variedades resistentes, para reduzir o ciclo das lagartas e manter as populações sob controle.

    Foto: Divulgação Sell Agro

    Com o avanço das infestações e a evolução da resistência, produtores que investem em soluções integradas conseguem minimizar as perdas e proteger a rentabilidade. “O manejo precisa ser planejado, monitorado e ajustado ao longo do ciclo, sempre com acompanhamento técnico, para evitar prejuízos irreversíveis”, orienta Silveira.

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  • Pragas ameaçam lavouras de mandioca

    Pragas ameaçam lavouras de mandioca

    Produtores de mandioca do Norte e Centro-Oeste do Brasil enfrentam perdas severas devido ao avanço de pragas como a vassoura-de-bruxa e a mosca-das-galhas. Em estados como Amapá, Pará e Tocantins, áreas inteiras de plantio já registram e est]ap colocando em risco a produção e a renda de milhares de famílias. “Em campo, já estamos vendo perdas de 100% em áreas recém-plantadas. A mosca-das-galhas afeta diretamente o desenvolvimento da planta, bloqueando a fotossíntese e levando à morte de plantas jovens”, alerta o agrônomo Vinícius Vigela, coordenador técnico de mercado da Nitro

    No início do ano, a doença vassoura-de-bruxa, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, devastou plantações no Amapá e no Pará. Agora, o Tocantins lida com a infestação da mosca-das-galhas (Jatrophobia brasiliensis), praga que antes era considerada secundária, mas que já compromete lavouras recém-plantadas e preocupa técnicos e agricultores.

    As larvas da mosca-das-galhas se alimentam dos tecidos internos das folhas da mandioca, levando à formação de galhas ou verrugas. Esse processo prejudica a fotossíntese, paralisa o crescimento e pode causar a morte precoce das plantas, especialmente as mais jovens. Já a vassoura-de-bruxa provoca brotações finas e deformadas, folhas amareladas e raízes sem valor comercial. “É uma doença que pode dizimar uma lavoura em menos de 40 dias se não for contida, e se espalha com facilidade por mudas contaminadas ou até mesmo por ferramentas de manejo“, explica Vigela.

    Fatores que favorecem o avanço das pragas

    Especialistas apontam que o clima quente e úmido típico do Norte e Centro-Oeste, especialmente durante o período chuvoso, favorece o ciclo reprodutivo dessas pragas. O manejo inadequado, o plantio contínuo na mesma área, o uso de mudas contaminadas e a redução dos inimigos naturais devido ao uso excessivo de inseticidas agravam ainda mais a situação.

    A falta de monitoramento constante também contribui para a rápida disseminação das pragas. Técnicos recomendam inspeções semanais nas lavouras para identificar focos precocemente e evitar prejuízos totais.

    Manejo Integrado de Pragas é fundamental

    O Manejo Integrado de Pragas (MIP) surge como principal estratégia para conter o avanço dessas ameaças. A prática envolve o uso de mudas sadias, rotação de culturas com milho e feijão, escolha de variedades resistentes e destruição dos restos culturais após a colheita. Especialistas também recomendam manter distância entre áreas novas e antigas de plantio, prática conhecida como vazio sanitário.

    Como ainda não existem defensivos químicos comprovadamente eficazes contra a vassoura-de-bruxa, a prevenção se torna indispensável. O uso criterioso de defensivos seletivos e agentes biológicos, como fungos do gênero Trichoderma e bacillus biofungicidas, pode colaborar para um controle mais sustentável.

    Apoio técnico e monitoramento constante

    A assistência técnica especializada é essencial para diagnosticar corretamente as pragas e orientar o manejo adequado. O acompanhamento contínuo das lavouras garante decisões mais seguras, evita o uso excessivo de insumos e protege a renda do produtor.

    A situação no Tocantins serve de alerta para agricultores de todo o país. Produtores precisam intensificar o monitoramento, buscar assistência técnica e adotar práticas preventivas com urgência para preservar a cultura da mandioca, essencial à segurança alimentar e à economia regional.

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  • Mosca-da-carambola: praga ameaça fruticultura brasileira e mundial

    Mosca-da-carambola: praga ameaça fruticultura brasileira e mundial

    Durante coletiva no Ministério da Agricultura na última segunda feira, o Ministro Carlos Fávaro citou que apesar de ser mais falada esses dias, a gripe aviária não é a única emergência sanitária que os técnicos do MAPA enfrentam no momento. Ele citou outras que já acompanhamos aqui no Agro em Campo, como a vassoura de bruxa, a monilíase e a menos falada até agora, a praga da mosca-da-carambola.

    A mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae) é considerada uma das pragas agrícolas mais perigosas do mundo, capaz de devastar plantações de frutas e causar prejuízos bilionários. Originária do Sudeste Asiático, essa pequena mosca de 7 a 8 mm já se espalhou por partes da América do Sul e, no Brasil, levou o governo a declarar emergência fitossanitária em quatro estados.

    O que é a mosca-da-carambola?

    A Bactrocera carambolae é uma espécie de mosca-das-frutas que deposita ovos dentro de frutos hospedeiros. As larvas se alimentam da polpa, causando apodrecimento e queda prematura, inviabilizando o consumo e a comercialização.

    Características principais:

    • Reprodução acelerada: Uma fêmea pode botar 1.200 a 1.500 ovos em sua vida (cerca de 126 dias) .
    • Diversidade de hospedeiros: Ataca mais de 20 frutas, incluindo manga, goiaba, laranja, acerola, caju e tangerina.
    • Falta de inimigos naturais: Por ser uma espécie exótica, não tem predadores eficazes no Brasil, dificultando o controle.

    Prejuízos econômicos e sociais

    Se a mosca se espalhar para grandes polos frutícolas, como o Vale do São Francisco, as perdas podem chegar a R$ 400 milhões por ano só em exportações. Além disso:

    • Queda na produção: frutas atacadas apodrecem e caem antes da colheita.
    • Barreiras comerciais: países importadores rejeitam frutas de regiões infestadas.
    • Impacto social: pequenos produtores podem perder renda e empregos.

    MAPA Reforça Combate à Mosca-da-Carambola com Nova Portaria

    A praga foi detectada pela primeira vez em 1996, no Amapá, e hoje está presente em Amapá, Pará e Roraima, com risco de chegar ao Amazonas 1012. O Ministério da Agricultura (MAPA) decretou emergência fitossanitária em novembro de 2023, reforçando fiscalizações e restrições ao transporte de frutas.

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou, em 14 de março de 2025, a Portaria nº 776/2025, estabelecendo diretrizes para vigilância, contenção, supressão e erradicação da mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae), praga quarentenária presente no Brasil. A medida visa atualizar o programa de controle da praga, incorporando novas tecnologias e ampliando a participação de estados e produtores na sua gestão .

    Desde sua detecção no Brasil em 1996, no município de Oiapoque (AP), a mosca-da-carambola permanece restrita aos estados do Amapá, Roraima e Pará. Apesar disso, a praga representa uma ameaça significativa à fruticultura nacional, afetando culturas como carambola, goiaba, manga, mamão e citros.

    Medidas de controle:
    • Armadilhas com feromônios para monitoramento.
    • Proibição de transporte de frutas de áreas infestadas.
    • Eliminação de frutos caídos para evitar a proliferação.

    A mosca-da-carambola já se estabeleceu no Suriname, Guiana e Guiana Francesa, onde também causa danos à agricultura 3. Países como Estados Unidos e nações europeias impõem barreiras fitossanitárias rigorosas para evitar sua entrada.

    Riscos à saúde humana

    Ao contrário de mosquitos como o Aedes aegypti, a mosca-da-carambola não transmite doenças diretamente aos humanos. No entanto, pode contaminar alimentos ao pousar em matéria orgânica em decomposição antes de ir para frutas.

    A mosca-da-carambola é uma ameaça global à fruticultura, e seu avanço no Brasil exige ações urgentes. Enquanto pesquisadores buscam métodos de controle biológico, a fiscalização e a conscientização são fundamentais para evitar sua dispersão. Se não contida, a praga pode causar prejuízos irreparáveis à economia e à segurança alimentar.

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  • Monitoramento climático ajuda a prever e controlar pragas no milho

    Monitoramento climático ajuda a prever e controlar pragas no milho

    Pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, comprovaram que o monitoramento climático ajuda no controle sustentável de pragas no milho. Em resumo, a análise considera variáveis como temperatura e chuva para antecipar o aparecimento de pragas e doenças.

    Com isso, os agricultores conseguem reduzir custos e usar defensivos agrícolas de forma mais racional e eficiente. Além disso, o estudo contribui para a sustentabilidade no campo.

    Estudo teve base em quatro anos de ensaios

    A equipe do IAC avaliou o efeito das condições meteorológicas sobre pragas do milho em diferentes regiões do Estado de São Paulo. A análise utilizou dados coletados ao longo de quatro anos. Em geral, o objetivo foi entender como variáveis climáticas influenciam insetos, bactérias, fungos e vírus em plantações de milho. “Essa análise reduz o custo operacional e os riscos ambientais, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis”, explica Angélica Prela Pantano, pesquisadora do IAC e da APTA.

    Dados ajudam a prever o comportamento das pragas

    O estudo identificou características térmicas e exigências bioclimáticas de diferentes variedades de milho. Os testes abrangeram desde cultivares superprecoces até materiais de ciclo longo. Além disso, também foram avaliadas pragas como lagarta-do-cartucho, cigarrinha-do-milho e diabrótica. O engenheiro agrônomo Walter Holtz Merege, da CATI, contribuiu com suporte técnico. “Essa sequência de trabalho nos ajudou a entender em que condições cada praga se desenvolve”, afirma Angélica. Com base nos dados, os pesquisadores elaboraram mapas agrometeorológicos que indicam o risco de infestação por pragas. Essas previsões podem ser feitas semanal ou mensalmente.

    Agricultor ganha agilidade no manejo

    Com essas informações, o agricultor pode se planejar melhor. Portanto, ele consegue organizar os estoques e escolher o defensivo agrícola mais indicado para cada situação.

    Segundo Angélica, o estudo também definiu limites térmicos e hídricos para as pragas analisadas. A diabrótica, por exemplo, prefere temperaturas máximas entre 26°C e 32°C e mínimas entre 14°C e 18°C.

    Essa praga também se favorece com chuvas acima de 20 mm diários e acúmulo superior a 60 mm em dois dias seguidos. Ela ocorre durante todo o ano, especialmente com solo úmido, calor moderado durante o dia e noites amenas. “Altas umidades e noites frias, que favorecem fungos inimigos naturais, dificultam o aparecimento da praga”, detalha a cientista.

    Clima influencia cada praga de forma diferente

    A lagarta-do-cartucho aparece com mais frequência de outubro a janeiro. No entanto, em épocas de safrinha, pode haver surtos mesmo com pouca chuva. Em geral, essa praga se desenvolve melhor com baixa precipitação, dias quentes e noites suaves. As temperaturas ideais ficam entre 26°C e 33°C (máxima) e 14°C e 18°C (mínima). Por outro lado, chuvas intensas e temperaturas mais baixas inibem seu avanço. “O excesso de precipitação, junto com frio, reduz a presença da lagarta”, destaca Angélica.

    Já a cigarrinha-do-milho cresce mais quando as temperaturas máximas variam entre 26°C e 32°C. As mínimas ideais ficam entre 16°C e 20°C. Diferente das outras pragas, a água disponível no solo não afeta seu desenvolvimento. Essa praga ocorre durante todo o ano. Temperaturas elevadas durante o dia favorecem seu avanço, enquanto o frio limita sua presença.

    Sistema classifica potencial de infestação

    O monitoramento agrometeorológico também permite classificar o risco de infestação em três níveis: favorável, razoável e desfavorável. A condição favorável aponta alto risco de ataque, com ambiente ideal para o desenvolvimento da praga. O cenário razoável indica que a praga pode surgir, mas sem condições ideais. Já o desfavorável mostra que o ambiente limita a incidência, com impacto mínimo na lavoura.

    Essa classificação ajuda o produtor a tomar decisões mais precisas e evitar o uso desnecessário de defensivos. O acompanhamento pode ser feito diariamente ou semanalmente. “É fundamental agir rápido quando o risco é alto e evitar aplicações quando o cenário é desfavorável”, ressalta Angélica.

    Sistema prevê pragas com até 45 dias de antecedência

    A equipe do IAC criou um sistema de monitoramento com base em parâmetros biometeorológicos. A ferramenta considera temperatura e chuvas diárias para prever o surgimento de pragas em até 45 dias. Além disso, o sistema permite criar mapas espaciais por localidade. Ele utiliza dados do Centro de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro). Esses mapas facilitam a visualização da distribuição de pragas nas áreas de cultivo.

    Parcerias fortaleceram o projeto

    O projeto contou com apoio da Agência Paulista de Tecnologias do Agronegócio (APTA), da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag). A pesquisa reforça a importância do monitoramento climático para o manejo sustentável do milho. Com ele, o agricultor ganha eficiência, reduz custos e protege o meio ambiente.

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  • África do Sul enfrenta mofo cinzento em lavouras de frutas cítricas

    África do Sul enfrenta mofo cinzento em lavouras de frutas cítricas

    A África do Sul, o segundo maior exportador mundial de frutas cítricas, após a Espanha, enfrenta um desafio significativo com a descoberta de uma praga conhecida como mofo cinzento em pomares comerciais. As autoridades agrícolas do país alertaram os agricultores sobre a necessidade de cautela ao mover plantas. Isso a fim de evitar a disseminação da praga, que afeta brotos de mamão nas províncias de Limpopo e Mpumalanga.

    O Departamento de Agricultura da África do Sul confirmou a presença do patógeno. Que pode devastar milhares de hectares de diversas espécies, incluindo abacaxi e frutas cítricas. Em um comunicado emitido na quarta-feira (22), o departamento informou que está realizando uma pesquisa para delimitar a extensão e a disseminação da praga nas áreas de produção. E que estabeleceu medidas fitossanitárias para restringir o movimento de material hospedeiro proveniente das áreas infestadas.

    Recomendações para agricultores

    As autoridades incentivam os agricultores e membros da comunidade a adotarem práticas eficazes de controle cultural. “É fundamental que todos estejam atentos e sigam as orientações para evitar a propagação do mofo”, afirmaram os representantes do departamento. Além disso, eles pediram aos viajantes internacionais que evitem a importação ilegal de produtos agrícolas, pois isso pode introduzir novas pragas e doenças que são difíceis e custosas de gerenciar.

    A descoberta do mofo cinzento ocorre em um momento crítico para o setor agrícola sul-africano, que já enfrenta desafios relacionados às mudanças climáticas e à competitividade no mercado global. A África do Sul é um importante fornecedor de frutas cítricas, com exportações que contribuem significativamente para a economia nacional. A presença dessa praga pode afetar não apenas a produção local. Mas também as exportações, colocando em risco o status do país como um dos principais exportadores.

    Medidas preventivas e alternativas

    Além das medidas fitossanitárias estabelecidas, especialistas recomendam práticas agrícolas sustentáveis e o uso de biopesticidas como alternativas ao controle químico tradicional. O uso de métodos biológicos pode ajudar a mitigar os danos causados por pragas sem comprometer a saúde ambiental.

    A descoberta do mofo cinzento nas lavouras da África do Sul destaca a importância da vigilância contínua e da colaboração entre agricultores e autoridades para proteger o setor agrícola. Com as medidas adequadas, o país pode enfrentar esse desafio e continuar sua trajetória como um dos líderes globais na exportação de frutas cítricas. A situação será monitorada de perto enquanto as autoridades trabalham para conter a disseminação da praga.

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  • Embrapa Café lança guia para combater pragas e doenças nos grãos

    Embrapa Café lança guia para combater pragas e doenças nos grãos

    A Embrapa Café lançou a publicação Circular Técnica nº 9, que traz orientações detalhadas sobre o manejo integrado de pragas e doenças no cultivo de cafés conilon e robusta. Além disso, o material, elaborado pela Embrapa em parceria com o Consórcio Pesquisa Café, destaca as principais ameaças fitossanitárias à espécie Coffea canephora e apresenta recomendações práticas para aumentar a produtividade.

    As pragas e doenças do cafeeiro são grandes desafios para produtores familiares e empresariais. Ou seja, quando não manejados adequadamente, esses problemas podem causar perdas significativas na produção. Para mitigar esses impactos, a Circular Técnica reúne diretrizes de monitoramento e manejo com base em estratégias sustentáveis e eficazes.

    Características do Coffea canephora

    A espécie Coffea canephora tem origem africana e inclui dois grupos botânicos cultivados no Brasil: conilon e robusta. O conilon se destaca pelo crescimento arbustivo, maior tolerância à seca e ciclo de maturação variável, mas é mais suscetível a doenças. Já o robusta apresenta crescimento mais ereto, maior vigor e maior resistência a doenças, mas menor tolerância à seca.

    O Brasil é líder mundial na produção de Coffea canephora, com Espírito Santo e Rondônia concentrando a maior parte da safra. A espécie representa cerca de 30% da produção nacional de café, enquanto o Coffea arabica domina com 70%. Esse cenário reflete a relevância econômica e social do cultivo de cafés conilon e robusta no país.

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    Estratégias de manejo sustentável

    A publicação ressalta que o manejo integrado é essencial para a sustentabilidade do cultivo de C. canephora. Essa abordagem combina estratégias que minimizam o impacto ambiental e protegem a saúde dos trabalhadores. O manejo eficaz exige uma ação multidisciplinar, envolvendo desde o monitoramento das lavouras até a aplicação de tecnologias inovadoras e controle químico regulamentado.

    O controle químico listado na Circular foi baseado no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (Agrofit), do Ministério da Agricultura e Pecuária. Além disso, a publicação inclui uma síntese prática de diretrizes para facilitar a adoção no campo.

    Impacto para os produtores

    Com informações detalhadas e atualizadas, o objetivo da Circular Técnica nº 9 é orientar os produtores na tomada de decisões e na adoção de boas práticas agrícolas. O guia oferece soluções práticas para controlar pragas e doenças, garantindo maior produtividade, qualidade e rentabilidade.

    Para acessar a publicação, os interessados podem consultar os canais oficiais da Embrapa Café.