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  • Cartilha alerta para pragas quarentenárias nas exportações

    Cartilha alerta para pragas quarentenárias nas exportações

    A produção agrícola brasileira cresce em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, aumentam os desafios relacionados à sanidade vegetal e às exigências dos mercados internacionais. Com esse objetivo, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e a Corteva Agriscience lançaram uma cartilha sobre pragas quarentenárias. O material orienta produtores rurais sobre prevenção, identificação e manejo desses organismos, que podem comprometer exportações e causar prejuízos ao agronegócio.

    A publicação foi apresentada nesta terça-feira (2), em Brasília, durante a programação que antecede a segunda edição do Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja. A iniciativa contou com apoio técnico do engenheiro agrônomo e professor da Universidade de Passo Fundo, Mauro Rizzardi. Além disso, foram realizados treinamentos práticos sobre boas práticas agrícolas por meio do Caminhão de Boas Práticas da Corteva.

    A cartilha reúne orientações para produtores, consultores e técnicos do setor. O objetivo é facilitar a identificação das pragas e reforçar medidas preventivas. Além disso, o material busca ampliar a conscientização sobre os impactos econômicos causados por esses organismos. A preocupação se intensificou à medida que a produção brasileira aumentou e a dependência do mercado externo se tornou ainda maior.

    Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pragas quarentenárias são organismos capazes de causar impactos econômicos significativos à agricultura. Entre eles estão insetos, fungos, bactérias, vírus e plantas daninhas. Esses organismos podem ameaçar a sanidade vegetal e gerar restrições comerciais impostas pelos países importadores.

    “As pragas quarentenárias são um tema crítico para a balança comercial brasileira, e a conscientização é o melhor caminho para proteger nossa produtividade”, afirma Jair Maggioni, coordenador de Boas Práticas Agrícolas da Corteva no Brasil.

    Devolução de navios acende alerta no setor

    A preocupação com o tema aumentou após episódios recentes envolvendo cargas brasileiras destinadas à China. Nos últimos meses, 20 navios carregados com grãos foram devolvidos ou tiveram suas operações interrompidas. O motivo foi a identificação de sementes de plantas daninhas e vestígios de organismos considerados indesejáveis pelo país asiático.

    Além dos prejuízos com fretes, multas e reprocessamento das cargas, esses episódios afetam a imagem do Brasil no mercado internacional. Como consequência, compradores podem ampliar exigências sanitárias e reforçar inspeções.

    O impacto é ainda mais relevante porque aproximadamente 80% da soja exportada pelo Brasil tem como destino o mercado chinês. Dessa forma, qualquer restrição pode gerar reflexos em toda a cadeia produtiva.

    A devolução de uma única embarcação pode representar perdas de milhões de dólares. Além disso, há risco de aumento das exigências de fiscalização. Como resultado, o escoamento da safra pode sofrer atrasos e a competitividade brasileira diminuir diante de outros exportadores.

    Para Mauro Rizzardi, a questão ultrapassa os limites da propriedade rural e se transforma em um tema estratégico para o país.

    “Qualquer parte de planta, pólen, semente ou propágulo que possa sobreviver e se reproduzir no ambiente é um potencial dano tanto ao sistema produtivo local ou mesmo ao processo de exportação da produção agrícola”, explica.

    O especialista ressalta que o problema ocorre em duas direções. Enquanto a entrada de novas pragas ameaça a produção nacional, a presença de espécies proibidas em cargas exportadas também pode comprometer mercados já consolidados.

    “Tanto a entrada de pragas quanto a saída delas via exportação de espécies vegetais proibidas no país importador afeta o potencial exportador de grãos do Brasil”, destaca.

    Manejo outonal ganha papel estratégico

    Entre as principais recomendações da cartilha está a adoção do manejo outonal. A prática é realizada durante a entressafra, logo após a colheita das culturas de verão e antes da implantação da nova safra.

    A estratégia envolve o controle de plantas daninhas e das chamadas tigueras. Essas plantas permanecem no campo após a colheita. Por isso, acabam servindo de abrigo para pragas e doenças.

    Assim, a eliminação dessas chamadas “pontes verdes” interrompe ciclos biológicos e reduz a formação de bancos de sementes de espécies invasoras. Consequentemente, diminui o risco de contaminação das futuras lavouras.

    O Brasil projeta colher mais de 350 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Diante desse cenário, as medidas preventivas ganham importância estratégica. Afinal, pequenos problemas fitossanitários podem gerar grandes impactos econômicos.

    Perdas estimadas entre 10% e 15% da produção representam prejuízos significativos para produtores e para a economia nacional. Por isso, o manejo realizado na entressafra é apontado como uma ferramenta essencial para proteger a produtividade.

    “É uma janela de segurança vital, cujo objetivo é eliminar as chamadas pontes verdes. Ao realizar o controle químico e o manejo de solo nesse estágio, o produtor interrompe o ciclo de reprodução de plantas daninhas e reduz drasticamente o banco de sementes de invasoras que poderiam comprometer a qualidade do grão futuro”, explica Maggioni.

    Jair Maggioni, coordenador de Boas práticas da Corteva Agriscience; prof Mauro Rizzardi, da Universidade de Passo Fundo; e o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, mostram a cartilha lançada em Brasília – Foto: Divulgação

    De acordo com a Corteva, o manejo realizado logo após a colheita constitui a primeira barreira fitossanitária para evitar que organismos indesejáveis cheguem aos portos de exportação.

    Muitas das sementes de plantas daninhas proibidas em mercados exigentes proliferam justamente nesse período de transição. Portanto, manter a área limpa durante o outono reduz os riscos de contaminação e aumenta a segurança das cargas destinadas ao exterior.

    Capacitação leva conhecimento ao campo

    Além da cartilha, a iniciativa aposta na capacitação prática para ampliar a adoção de boas práticas agrícolas. Durante o evento em Brasília, produtores e técnicos participaram de treinamentos promovidos no Caminhão de Boas Práticas da Corteva.

    A unidade móvel utiliza tecnologias interativas para demonstrar técnicas de manejo integrado. Além disso, aborda temas como aplicação correta de defensivos, uso adequado de equipamentos de proteção individual e preservação de áreas de refúgio.

    Para Fabrício Morais Rosa, diretor executivo da Aprosoja Brasil, o trabalho de conscientização é fundamental para preservar a reputação da soja brasileira nos mercados internacionais.

    “Com esta cartilha, a Aprosoja Brasil continuará com o compromisso assumido de alertar os produtores sobre a identificação equivocada de pragas quarentenárias a fim de manter em alta a reputação da soja brasileira frente aos compradores externos”, afirma.

    O dirigente também destaca a importância da qualificação contínua dos profissionais do setor.

    “Treinamentos como os de boas práticas realizados pela Corteva são essenciais para que possamos capacitar cada vez mais produtores e profissionais do campo para que possam realizar o manejo de pragas e doenças da maneira correta, com o uso racional de insumos e utilizando todas as ferramentas e soluções necessárias”, completa.

    Nesse contexto, a expectativa das entidades é ampliar o alcance das informações e fortalecer a prevenção nas propriedades rurais. Dessa forma, o setor busca reduzir riscos fitossanitários, preservar mercados estratégicos e manter a competitividade da produção brasileira no cenário internacional.

  • Embrapa lança sistema digital que protege produção de macadâmia

    Embrapa lança sistema digital que protege produção de macadâmia

    A produção brasileira de macadâmia acaba de ganhar uma arma poderosa contra pragas e doenças. A Embrapa Meio Ambiente (SP) desenvolveu o InsetoNutWeb, um sistema digital gratuito que reúne informações inéditas sobre insetos e ácaros que afetam plantações de macadâmia no Brasil e em 20 países produtores.

    O sistema web, acessível por computadores e tablets iOS e Android, representa um marco para o setor. Pela primeira vez, o Brasil conta com uma ferramenta tecnológica específica para mapear a entomofauna e acarofauna da macadâmia – conjunto de insetos e ácaros que podem ser tanto pragas quanto inimigos naturais.

    “Trata-se de um sistema inovador, uma vez que não existe no País tecnologia semelhante com foco nessa noz”, explica a pesquisadora Jeanne Prado, líder do projeto InsetoNut.

    A iniciativa nasceu de um acordo de cooperação técnica entre Embrapa e QueenNut Indústria e Comércio de Alimentos, executado entre setembro de 2019 e setembro de 2024. O projeto mapeou tanto espécies já presentes no Brasil quanto pragas exóticas identificadas em países como Austrália, África do Sul, China, Estados Unidos e Nova Zelândia.

    Sistema InsetoNutWeb identifica 18 espécies quarentenárias que ameaçam cultivos brasileiros e oferece informações estratégicas para produtores. Foto: Leonardo Moriya/Embrapa

    O trabalho de campo se concentrou principalmente em Dois Córregos (SP), importante polo produtor nacional, onde foram coletados ramos, folhas e frutos das cultivares IAC 4-12B e HAES 333 entre 2020 e 2025.

    18 pragas quarentenárias ameaçam cultivos nacionais

    Uma das descobertas mais alarmantes do estudo foi a identificação de 18 espécies exóticas sinalizadas pelo Ministério da Agricultura como Pragas Quarentenárias Ausentes (PQA) para o Brasil. Essas pragas representam risco iminente de entrada no País com potencial para causar prejuízos não apenas à macadâmia, mas a diversos outros cultivos nacionais.

    Flores e frutos da macadâmia. Foto: Leonardo Moriya

    “Muitas são as espécies de pragas relatadas no exterior e com possibilidade de ingresso no país, sendo necessário conhecê-las para realizar prevenção e monitoramento apropriados”, alerta a pesquisadora Maria Conceição Pessoa.

    Sistema oferece interface interativa para produtores

    O InsetoNutWeb se destaca pela interface interativa que permite buscas detalhadas sobre espécies identificadas. Os usuários podem consultar:

    • Hábitos alimentares de insetos e ácaros
    • Localização das pragas nas plantas
    • Fotografias das espécies coletadas
    • Informações para Manejo Integrado de Pragas (MIP)

    Mercado da macadâmia cresce 55% globalmente

    O timing do lançamento é estratégico. Dados do International Nut & Dried Fruit Council mostram que o consumo de castanhas e nozes cresceu 55% entre 2008 e 2018 em países de economia alta e média, categoria na qual o Brasil se insere.

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    Atualmente, o País possui plantações comerciais em nove estados: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo – este último responsável por 50% da produção nacional.

    Apesar do potencial, o setor enfrenta obstáculos importantes. A produção brasileira despencou cerca de 30% em 2025, caindo de picos de 8.500 toneladas em 2019 para menos de 4 mil toneladas. A queda é atribuída principalmente a condições climáticas adversas, como seca e calor excessivo durante a floração.

    Investimento alto, mas rentabilidade atrativa

    O cultivo da macadâmia exige:

    • Investimento inicial: R$ 15 mil por hectare
    • Custos operacionais anuais: até R$ 25 mil por hectare
    • Receita potencial: R$ 50 mil por hectare em safras favoráveis
    • Preço no mercado interno: até R$ 180 por quilo beneficiada

    Brasil busca posição no mercado global

    Embora esteja entre os dez maiores produtores mundiais, o Brasil representa menos de 3% da produção global. No entanto, o mercado mundial cresce mais de 8% ao ano, tornando a macadâmia a oleaginosa de maior valorização atualmente.

    O engenheiro agrônomo Leonardo Moriya, da QueenNut, destaca que o sistema tem potencial para apoiar planos oficiais de emergência contra pragas quarentenárias, fortalecendo a defesa fitossanitária nacional.

    Tecnologia fortalece “minor crops” brasileiras

    O InsetoNutWeb representa um avanço importante para as chamadas Culturas com Suporte Fitossanitário Insuficiente (CSFI), conhecidas como “minor crops”. A macadâmia está incluída no Grupo 1B (frutas com casca não comestível), junto com mamão e manga.

    “A continuidade do monitoramento permitirá à cadeia produtiva brasileira se preparar melhor para os riscos fitossanitários”, enfatizam os pesquisadores Prado e Moriya.

    Para consolidar a posição brasileira no mercado global da macadâmia, especialistas apontam a necessidade de:

    • Investimentos em genética e mecanização
    • Desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima tropical
    • Diversificação através de consórcios com outras culturas
    • Estratégias comerciais mais eficientes

    O sistema InsetoNutWeb está disponível gratuitamente e representa um exemplo de como ciência aplicada e tecnologia podem impulsionar culturas agrícolas estratégicas, fortalecendo a segurança fitossanitária do País.

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  • Mapa usa armadilhas para monitorar traça europeia da videira

    Mapa usa armadilhas para monitorar traça europeia da videira

    Auditores fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) inspecionam quinzenalmente armadilhas em 15 pontos estratégicos do estado de São Paulo para detectar a presença da traça europeia dos cachos da videira. Chamada de Lobesia botrana, a praga quarentenária está ausente no Brasil. Essa rotina integra o Plano Nacional de Prevenção e Vigilância da Lobesia botrana, regulamentado pela Portaria nº 33/2020, e reforça as ações da Defesa Agropecuária para proteger a produção nacional contra insetos invasores.

    A Lobesia botrana, principal praga da videira na região do Mediterrâneo, também ocorre nos Estados Unidos, Argentina e Chile. Seu ataque danifica os frutos da uva e facilita a instalação de doenças fúngicas, como a podridão causada pelo fungo Botrytis cinerea, gerando prejuízos econômicos e ambientais. O monitoramento constante nas regiões produtoras brasileiras permite comprovar a ausência da praga. Além de aplicar medidas legais para impedir a entrada de produtos infestados no país.

    Dispositivos instalados em pontos estratégicos permitem a detecção de insetos invasores. Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária

    As armadilhas utilizadas são do tipo Delta, equipadas com feromônios sexuais químicos que atraem os insetos. Ao se aproximar, o inseto fica preso à base adesiva, facilitando a captura e análise. O material é importado com autorização do Mapa. E depois, distribuído para os estados que monitoram a praga: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.

    Monitoramento

    Desde 2018, o monitoramento em São Paulo ocorre durante as safras normal e safrinha (poda verde). Em 2023, os fiscais realizaram 286 inspeções e enviaram duas amostras suspeitas para análise. Em 2022, foram três amostras suspeitas em 252 verificações; e, até o momento em 2025, já foram 89 inspeções com quatro insetos suspeitos encontrados. Todas as amostras são encaminhadas ao laboratório da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS), para identificação. O pesquisador Marco Botton confirma que nenhuma amostra se tratou da traça europeia, mantendo o Brasil livre dessa praga.

    As armadilhas localizam-se em pontos de entrada de frutas, como Ceagesp (box de uvas importadas), Porto de Santos e Aeroporto Internacional de Guarulhos. O sistema de Vigilância Agropecuária (Vigiagro) apoia o monitoramento. Também estão instaladas em vinhedos nas cidades de São Miguel Arcanjo, Jundiaí, Espírito Santo do Pinhal, Elias Fausto, Porto Feliz, Indaiatuba, Pilar do Sul, Salto de Pirapora. Além de Tupi Paulista, Palmeira d’Oeste e Jales, onde a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo realiza inspeções regulares.

    Carolina de Araújo Reis, chefe do Serviço de Fiscalização de Insumos e Sanidade Vegetal de São Paulo, explica que o número de inspeções varia conforme a região e o ciclo da cultura. Algumas áreas cultivam uvas por até dez meses ao ano, enquanto outras mantêm a safra tradicional entre setembro e fevereiro. Na região de Jales, o monitoramento ocorre de abril a outubro.

    O uso das armadilhas com feromônios sexuais representa uma estratégia eficaz e de baixo impacto ambiental para o controle da Lobesia botrana. E integra o manejo fitossanitário que protege a viticultura brasileira e evita prejuízos econômicos e barreiras sanitárias no comércio internacional.

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  • Fiscalização aponta falhas no manejo do greening apesar da queda do inseto vetor

    Fiscalização aponta falhas no manejo do greening apesar da queda do inseto vetor

    Uma recente fiscalização em pomares das regiões de Avaré, Itapeva e Mogi Mirim, revelou um cenário preocupante para a citricultura paulista. Embora a presença do psilídeo, inseto vetor do HLB/Greening, tenha diminuído em comparação com anos anteriores, quase metade das propriedades fiscalizadas apresentaram falhas no manejo. Portanto, comprometendo o controle da praga.

    O HLB/Greening, considerado a doença mais destrutiva da citricultura mundial, é causado por bactérias transmitidas pelo psilídeo. A doença não tem cura, se dissemina rapidamente, compromete o desenvolvimento das plantas, causa queda prematura dos frutos e reduz drasticamente a produtividade dos pomares.

    A força-tarefa, composta por engenheiros agrônomos e técnicos agropecuários da Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), inspecionou mais de 3 milhões de plantas em 48 propriedades. A operação resultou na emissão de 48 notificações e três autos de infração, evidenciando a necessidade de medidas mais eficazes para o controle da doença.

    Manejo Inadequado e fiscalização

    O gerente do Programa Estadual de Pragas Quarentenárias Presentes (PEPQP) da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, Danilo Romão, alerta que muitos produtores ainda não possuem informações adequadas ou não estão aplicando corretamente as práticas recomendadas. Em quase 50% das propriedades, mais de 10% dos brotos apresentavam psilídeos, indicando manejo inadequado e alto risco de disseminação da doença.

    Apesar dos desafios, a redução na quantidade de psilídeos encontrados nos pomares em relação aos anos anteriores é um avanço importante. No entanto, a presença do inseto ainda representa um perigo, pois aumenta a transmissão do HLB/Greening dentro da própria propriedade e para pomares vizinhos.

    Para conter a doença, os especialistas recomendam três medidas essenciais. A compra de mudas sadias de viveiros credenciados aos órgãos da Secretaria de Agricultura é uma delas. A erradicação de plantas sintomáticas em pomares com menos de oito anos e um controle rigoroso do psilídeo são as outras.

    O Estado de São Paulo conta com o Programa Estadual de Pragas Quarentenárias Presentes. Ele foi criado com o objetivo de monitorar e propor ações para reduzir a disseminação das pragas quarentenárias. O trabalho visa a sustentabilidade sanitária dessas culturas, utilizando como ferramenta ações de fiscalização que acompanham desde a produção das mudas até a comercialização dos frutos in natura.

    Diante desse cenário, a capacitação dos produtores e o fortalecimento da assistência técnica são cruciais para garantir a sustentabilidade da citricultura e evitar prejuízos econômicos significativos.

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  • Praga da mandioca: declarada emergência no Amapá e Pará

    Praga da mandioca: declarada emergência no Amapá e Pará

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou uma portaria que declara estado de emergência fitossanitária nos estados do Amapá e Pará em razão do risco de surto da praga quarentenária Rhizoctonia theobromae (Ceratobasidium theobromae), causadora da vassoura-de-bruxa-da-mandioca.

    Equipes da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA) inicialmente constataram a presença do fungo em plantios de mandioca nas terras indígenas de Oiapoque, na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. A infecção por esse fungo representa um alto risco para a produtividade das plantas afetadas. Até o momento, a praga ocorreu nos municípios amapaenses de Oiapoque, Calçoene, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho e Pedra Branca do Amapari.

    Ações coordenadas pelo Mapa

    Cristiane Ramos de Jesus, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Amapá, explica que as pragas quarentenárias presentes são aquelas exóticas que estão no país com distribuição restrita e sob controle oficial. “A partir da definição desse status, todas as ações referentes a essa praga passam a ser coordenadas pelo Mapa. E com o auxílio das agências estaduais de defesa agropecuária,” afirma.

    Analista da Embrapa Amapá, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura e Técnico da Diagro do Amapá, em atividade de coleta de material para análises. Foto: Dulcivânia Freitas/Embrapa

    A Embrapa, autorizada pelo Mapa, continua a executar projetos de pesquisa e desenvolvimento financiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Essas iniciativas visam promover a segurança alimentar dos povos indígenas de Oiapoque, com foco na implantação de campos de multiplicação de manivas-semente de mandioca que são tolerantes à praga, além da diversificação de culturas como alternativa de renda.

    A portaria de emergência fitossanitária tem validade de um ano e busca reforçar medidas preventivas para evitar a dispersão da praga para outras áreas cultiváveis. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou que essa medida demonstra o reconhecimento do problema pelo Mapa. “Durante a vigência do estado de emergência fitossanitária, todas as ações necessárias para erradicar a praga poderão ser adotadas com mais agilidade,” afirmou.

    Mobilização

    Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, acredita que a declaração da emergência permitirá uma maior celeridade nas ações para contenção da praga. “Isso transmite à cadeia produtiva o necessário senso de urgência para que todos colaborem nessa luta,” enfatizou. Ele ressaltou a importância de ações coletivas entre produtores, pesquisadores, extensão rural, defesa fitossanitária e operadores políticos.

    A publicação da portaria estabelecerá um Comando Nacional Emergencial, que reunirá diversas instituições públicas federais, estaduais e municipais. Além do setor privado, para coordenar as ações necessárias no enfrentamento à praga. Essa mobilização é crucial para proteger os cultivos de mandioca e garantir a segurança alimentar nas regiões afetadas.

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