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  • Greve trava porto argentino e gera prejuízo de US$ 300 mi em grãos

    Greve trava porto argentino e gera prejuízo de US$ 300 mi em grãos

    Uma greve de proprietários de caminhões paralisou, na prática, o porto de Quequén, na província de Buenos Aires, e deixou 18 navios aguardando carregamento. O motivo do impasse é direto: os transportadores querem um reajuste de 25% nas tarifas de frete, pressionados pela alta nos preços dos combustíveis após o acirramento do conflito no Irã. As entidades rurais, por outro lado, oferecem 14%. A diferença, aparentemente pequena em pontos percentuais, virou um travamento de proporções milionárias.

    Segundo dados do porto, os navios parados deveriam carregar, juntos, 159 mil toneladas de sementes de girassol, 109 mil toneladas de milho, 99 mil toneladas de cevada e 92 mil toneladas de trigo. Com os caminhões bloqueando o acesso ao terminal, os grãos simplesmente não chegam aos navios.

    US$ 300 milhões em perdas e o peso do porto no mercado global

    Gustavo Idígoras, presidente da câmara CIARA-CEC, que representa exportadores e processadores de grãos argentinos, não deixou dúvidas sobre a gravidade da situação. “Essa situação em Quequén está se tornando insustentável. Estamos impedidos de operar em todos os terminais do porto”, afirmou.

    Idígoras estimou as perdas em cerca de US$ 300 milhões. O número tem peso concreto quando se leva em conta o papel estratégico de Quequén: por ali passa cerca de 20% de todas as exportações de soja da Argentina, um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos. Portanto, o que acontece nesse porto importa muito além das fronteiras argentinas.

    Os navios em espera têm como destinos Vietnã, China, Brasil, Malásia e Espanha, entre outros países. Qualquer atraso no carregamento repercute direto nas cadeias de suprimentos de grãos nesses mercados.

    A negociação que não avança

    O governo da província de Buenos Aires prometeu convocar uma nova rodada de diálogo entre transportadores e entidades rurais, mas ainda não há data confirmada. Pablo Ginestet, secretário da Carbap, associação de produtores rurais de Buenos Aires e La Pampa, disse nesta quinta-feira que nenhuma comunicação chegou até eles.

    “Não temos notícias de uma nova reunião”, declarou Ginestet. Ele também lembrou que um foco semelhante de protesto em Bahia Blanca já havia sido resolvido. O isolamento do impasse em Quequén, para ele, levanta questionamentos sobre a postura dos transportadores locais. “Só resta um local de conflito, que é Necochea. Depois disso, o resto da província e o país estão funcionando normalmente. Parece ser um capricho dos transportadores de Necochea não quererem chegar a um acordo”, afirmou.

    A Reuters tentou ouvir o Ministério dos Transportes de Buenos Aires e a câmara de transportes Atcade, diretamente envolvida no protesto, mas nenhum dos dois respondeu até o fechamento da reportagem.

    O combustível por trás do impasse

    A raiz do conflito vai além de Quequén. A alta nos preços dos combustíveis, intensificada após a eclosão da guerra no Irã, comprimiu as margens dos transportadores de todo o país. Esse cenário empurrou as demandas por reajuste de frete para cima e criou um ambiente de tensão em vários pontos do setor logístico argentino.

    O que diferencia Quequén dos outros casos é a recusa em negociar. Enquanto outros focos foram resolvidos com acordos entre as partes, os caminhoneiros de Necochea mantêm o bloqueio, e os navios continuam parados.

    O que esse travamento significa para o agronegócio

    Para quem acompanha o mercado de grãos, a situação na Argentina é um alerta. O país vive um período crítico de exportação de sua safra, e qualquer interrupção logística de grande escala afeta preços e prazos de entrega no mercado internacional. O Brasil, como destino direto de parte dos embarques em atraso e como concorrente nas exportações de grãos, observa o cenário de perto.

    O desfecho ainda é incerto. Enquanto o governo provincial tenta articular uma nova rodada de negociações, os navios seguem ancorados, os grãos seguem parados e o relógio do prejuízo continua correndo.

  • Granéis sólidos e contêineres puxam desempenho dos portos do Sul

    Granéis sólidos e contêineres puxam desempenho dos portos do Sul

    Movimentação portuária da Região Sul chega a 108,4 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2025, segundo o Estatístico Aquaviário da Antaq. O volume representa crescimento de 7,41% sobre o mesmo período de 2024, evidenciando o desempenho positivo dos portos sulistas.

    O resultado regional foi impulsionado principalmente pelos granéis sólidos, que somaram 65,3 milhões de toneladas (alta de 1,65%). As cargas conteinerizadas também tiveram forte evolução, totalizando 25,9 milhões de toneladas, com crescimento de 23,48%. O granel líquido registrou 6,2 milhões de toneladas, expansão de 10,18%, enquanto a carga geral chegou a 11,0 milhões de toneladas, com alta de 9,13%.

    O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, ressaltou que o avanço resulta do esforço conjunto de gestão e modernização da infraestrutura na região. “Os portos do Sul vêm apresentando um desempenho consistente, combinando aumento de demanda, diversificação de cargas e investimentos estruturantes”, afirmou.

    Portos mais movimentados

    • Paranaguá (PR) lidera com 55,2 milhões de toneladas, equivalente a 50,9% do total da região, aumento de 7,61%.
    • Rio Grande (RS) aparece em segundo, com 26,3 milhões de toneladas, participação de 24,3% e alta de 9,32%.
    • São Francisco do Sul (SC) registrou 14,9 milhões de toneladas (13,7%), com ganho de 1,48%.
    • Imbituba (SC) somou 6,2 milhões de toneladas (5,7%), porém caiu 14,7%.
    • Itajaí (SC) movimentou 3,4 milhões de toneladas (3,1%), com crescimento expressivo de 461% em relação a 2024.

    Perfil das mercadorias

    A região manteve um perfil de cargas diversificado, com destaque para agronegócio e insumos industriais. As cargas conteinerizadas lideraram o ranking, somando 25,9 milhões de toneladas (23,9%), com alta de 23,48%.

    Entre os itens específicos, a soja movimentou 23 milhões de toneladas (21,3%), registrando retração de 8,0%. Os adubos somaram 16,2 milhões de toneladas (15,0%), subindo 7,09%. O milho totalizou 6,5 milhões de toneladas (6,0%), com crescimento de 165,56%, enquanto o açúcar movimentou 6,1 milhões de toneladas (5,6%), caindo 9,7%.

    Operações

    A navegação de longo curso, que concentra importação e exportação, movimentou 93,4 milhões de toneladas, alta de 6,43%. A cabotagem somou 6,0 milhões de toneladas, expansão de 8,37%. As vias interiores registraram 2,9 milhões de toneladas, retração de 3,35%.

    No exterior, as importações cresceram 9,34% e as exportações avançaram 4,98%. O transporte por contêineres teve alta de 18,51%, enquanto as demais cargas cresceram 4,55%. No mercado interno, o transporte de cargas de origem nacional subiu 6,49%.

    O ministro destacou que os resultados refletem o retorno concreto das ações do Governo Federal. “Os investimentos em dragagem, acessos terrestres e modernização operacional fortalecem a competitividade dos portos do Sul e ampliam a capacidade logística do país”, concluiu.

  • Portos do Sudeste movimentam 575,5 milhões de toneladas e registram crescimento de 4,97% em 2025

    Portos do Sudeste movimentam 575,5 milhões de toneladas e registram crescimento de 4,97% em 2025

    Os portos da região Sudeste movimentaram 575,5 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O resultado representa crescimento de 4,97% em relação ao mesmo período de 2024 e consolida a região como principal eixo logístico do país.

    A Antaq registrou desempenho positivo em todas as principais categorias de carga. Os granéis sólidos lideraram o volume total com 299,7 milhões de toneladas, alta de 4,20% na comparação anual. Os granéis líquidos alcançaram 187,3 milhões de toneladas e cresceram 7,74%, impulsionados pela movimentação de petróleo e derivados. As cargas em contêineres somaram 60 milhões de toneladas, expansão de 2,17%, enquanto a carga geral atingiu 28,6 milhões de toneladas, avanço de 1,60%.

    Sudeste concentra principais terminais portuários do Brasil

    “O Sudeste segue como o principal corredor logístico do país, sustentado pela diversidade de cargas, pela integração entre portos públicos e terminais privados e por uma agenda contínua de investimentos em infraestrutura”, afirma o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

    O Porto de Santos (SP) lidera a movimentação regional com 119,4 milhões de toneladas, crescimento de 1,05% frente a 2024. O maior terminal do país responde por 20,8% de toda a carga movimentada no Sudeste até outubro. O Terminal de Tubarão (ES) aparece na segunda posição com 70,4 milhões de toneladas, alta de 9,12%, seguido pelo Terminal Aquaviário de Angra dos Reis (RJ), que movimentou 57,9 milhões de toneladas e registrou crescimento de 8,26%.

    O Porto de Itaguaí (RJ) mantém papel estratégico no escoamento de minério de ferro com 51,7 milhões de toneladas movimentadas. Já o Terminal de Petróleo TPE/TOIL (SP) registrou 49,6 milhões de toneladas, expressivo crescimento de 15,43%, e reforça a relevância da região na logística energética nacional.

    Minério de ferro lidera ranking de mercadorias

    O minério de ferro permanece como principal mercadoria da região e representa 33,7% do total movimentado. O levantamento da Antaq aponta 194,2 milhões de toneladas do produto, crescimento de 7,46%, consolidando o Sudeste como base do escoamento mineral brasileiro.

    O petróleo e derivados (óleo bruto) alcançaram 152,2 milhões de toneladas, alta de 10,35%, refletindo a força do setor energético. As cargas em contêineres somaram 60 milhões de toneladas, avanço de 2,17%. A soja movimentou 37,3 milhões de toneladas, expressivo crescimento de 16,47%, impulsionada pelo agronegócio. Os derivados de petróleo (sem óleo bruto) totalizaram 27,2 milhões de toneladas e mantiveram volumes relevantes na matriz regional.

    Navegação de longo curso cresce 5,23%

    A navegação de longo curso, que conecta o Brasil a outros países, movimentou 435,6 milhões de toneladas nos portos do Sudeste. O modal registrou crescimento de 5,23% em relação a 2024 e demonstra o fortalecimento da integração da região com mercados internacionais.

    A cabotagem, transporte de cargas entre portos brasileiros, somou 114,1 milhões de toneladas no período, alta de 5,25% na comparação anual. A modalidade é fundamental para a logística nacional, pois permite o deslocamento de grandes volumes de mercadorias ao longo da costa, reduz custos e complementa o transporte rodoviário.

    Exportações crescem 6,63% enquanto importações recuam

    Os dados da Antaq indicam que as exportações pelos portos do Sudeste cresceram 6,63%, enquanto as importações registraram leve retração de 2,41%. O movimento indica ajustes pontuais no volume de mercadorias que entram e saem do país pela região.

    Costa Filho destaca que a concentração de grandes terminais é um diferencial competitivo. “Estamos falando de portos que operam em alta escala, com vocações bem definidas, o que garante eficiência, previsibilidade e competitividade ao comércio exterior brasileiro”, conclui o ministro.

  • Infraestrutura portuária gera prejuízo milionário ao café

    Infraestrutura portuária gera prejuízo milionário ao café

    A infraestrutura defasada dos portos brasileiros pressiona os exportadores de café e amplia as perdas financeiras. Em outubro, atrasos de navios e rolagens de cargas impediram o embarque de 2.065 contêineres. O levantamento do Cecafé aponta que os exportadores perderam R$ 8,7 milhões com armazenagem extra, pré-stacking e detentions no mês.

    O volume retido somou 681.590 sacas de 60 quilos. O país deixou de receber US$ 278 milhões em receita cambial. O valor representa R$ 1,49 bilhão, conforme o preço médio FOB de US$ 407,99 por saca e a cotação média do dólar de R$ 5,38 em outubro.

    O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, afirma que o cenário já era esperado. Ele destaca que o setor alerta sobre o problema há anos. Ele também ressalta que a situação piora, sobretudo em Santos, que lidera os embarques de café no Brasil. “A oferta de pátio e de berço do Tecon Santos 10 segue atrasada”, afirma.

    Heron reconhece que o governo e o setor privado anunciaram investimentos. Ele cita o aprofundamento do calado para 16 metros, a terceira via da Anchieta e a nova alça de acesso ao porto. No entanto, ele alerta que as obras devem levar pelo menos cinco anos.

    Santos concentra maior parte dos atrasos

    O Boletim DTZ, elaborado pela ElloX Digital com apoio do Cecafé, confirma o agravamento da situação. Em outubro, 52% dos navios sofreram atrasos ou alterações de escala nos principais portos do país. O índice equivale a 204 embarcações de um total de 393.

    Santos registrou o pior cenário. O porto respondeu por 79% dos embarques de café entre janeiro e outubro. No mês retrasado, 73% dos navios tiveram algum atraso. O problema afetou 148 embarcações de um total de 203. A espera máxima atingiu 61 dias. O porto santista também registrou pouco tempo de gate aberto. Apenas 3% dos embarques tiveram mais de quatro dias de janela. Outros 48% ficaram entre três e quatro dias. Os demais 49% tiveram menos de dois dias.

    Rio de Janeiro também enfrenta problemas

    O complexo portuário do Rio de Janeiro aparece na segunda posição entre os exportadores de café. A participação foi de 17,4% entre janeiro e outubro. Em outubro, 30% dos navios tiveram atrasos. O maior intervalo chegou a 77 dias. O número representa 34 embarcações de um total de 113.

    O tempo de gate aberto também foi limitado. Cerca de 22% dos embarques ultrapassaram quatro dias. Outros 48% tiveram entre três e quatro dias. Os demais 30% ficaram abaixo de dois dias.

  • Exportações de frango caem em novembro

    Exportações de frango caem em novembro

    As exportações brasileiras de carne de frango somaram 434,9 mil toneladas em novembro. O volume caiu 6,5% frente ao mesmo mês de 2024. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) divulgou os dados. A receita dos embarques chegou a US$ 810,7 milhões. O valor recuou 9,3% na comparação anual.

    No acumulado do ano, o país exportou 4,813 milhões de toneladas. O volume ficou 0,7% abaixo do registrado entre janeiro e novembro de 2024. A receita no período somou US$ 8,842 bilhões, com queda de 2,5%.
    Os Emirados Árabes Unidos lideram as compras em 2025. O país recebeu 433,8 mil toneladas, aumento de 2,1% em relação ao ano anterior. Em seguida aparecem Japão, Arábia Saudita, África do Sul e México.

    O Paraná manteve a liderança nas exportações estaduais. O estado embarcou 1,915 milhão de toneladas entre janeiro e novembro, queda de 3,94%. Santa Catarina e São Paulo ampliaram os volumes, enquanto Rio Grande do Sul e Goiás registraram variações moderadas.

    Carne suína recua no mês, mas cresce no ano

    As exportações brasileiras de carne suína atingiram 106,5 mil toneladas em novembro. O volume caiu 12,5% frente ao mesmo período de 2024. A receita do mês somou US$ 248,2 milhões. O valor recuou 14,9% na comparação anual.

    Apesar da queda mensal, os embarques cresceram no acumulado do ano. O país exportou 1,372 milhão de toneladas entre janeiro e novembro. O volume avançou 10,4% frente a 2024. A receita subiu 18,7% e alcançou US$ 3,294 bilhões.

    As Filipinas lideraram as compras no período, com 350,1 mil toneladas. O volume subiu 49,1%. China, Chile, Japão e Hong Kong completam a lista dos principais destinos.

    Santa Catarina manteve a liderança entre os estados exportadores. O estado embarcou 688,4 mil toneladas, alta de 50,73%. Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso e Minas Gerais também registraram crescimento.

    Atrasos nos portos afetam desempenho

    O presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou que atrasos em portos impactaram os embarques. Ele destacou que o problema reduziu o ritmo das exportações nas últimas semanas de novembro.

  • Portos brasileiros quebram recorde histórico no 3º trimestre de 2025

    Portos brasileiros quebram recorde histórico no 3º trimestre de 2025

    Os portos brasileiros registraram um recorde histórico de movimentação no terceiro trimestre de 2025. Entre julho e setembro, os terminais movimentaram 378,2 milhões de toneladas de produtos, um aumento de 6% em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base em informações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

    A carga de contêineres puxou parte desse crescimento, com alta de 6,5% no trimestre, somando 42,5 milhões de toneladas.

    O ministro do MPor, Silvio Costa Filho, atribuiu o resultado aos investimentos em modernização e às práticas sustentáveis adotadas pelo setor. Ele destacou que a pasta lançou recentemente o Diagnóstico de Sustentabilidade, que mapeia ações de ESG das empresas portuárias, e que apresentará a agenda ambiental do ministério durante a COP30, em Belém.

    “A modernização dos portos, aliada a práticas sustentáveis, aumenta a eficiência das operações com responsabilidade ambiental”, afirmou o ministro.

    Acumulado do ano também é recorde

    Considerando os nove primeiros meses de 2025, a movimentação portuária total já alcançou 1,04 bilhão de toneladas – outro recorde para o período. O volume representa uma alta de 3,25% frente a igual intervalo de 2024.

    Apenas em setembro, o setor movimentou 4,84% a mais que no mesmo mês do ano anterior.

    O mês de setembro teve a movimentação de contêineres como um dos principais motores do crescimento, com alta de 7,12% e 14,1 milhões de toneladas movimentadas.

    Em volume, os granéis sólidos lideraram, com 72,8 milhões de toneladas – aumento de 4,72%. A soja se destacou, registrando crescimento expressivo de 46,89% e totalizando 7,9 milhões de toneladas transportadas somente no mês.

  • TCP amplia exportações para a China e lidera o embarque de carnes do Brasil

    TCP amplia exportações para a China e lidera o embarque de carnes do Brasil

    O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) alcançou um novo recorde nas exportações de carne bovina congelada. Entre janeiro e setembro de 2025, a empresa embarcou 736 mil toneladas do produto. Uma alta de 49% em relação ao mesmo período de 2024, quando o volume somou 493 mil toneladas.

    O total embarcado nos nove primeiros meses deste ano já supera em 9% o resultado de todo o ano passado, que havia encerrado com 675 mil toneladas. De acordo com o gerente comercial, de logística e de atendimento da TCP, Giovanni Guidolim, o terminal elevou sua participação de mercado de 23% para 30% em apenas um ano. “Esse avanço mostra a confiança do exportador na infraestrutura, no atendimento e na qualidade dos serviços da TCP. O que reforça seu papel como principal corredor de exportação de carnes do Brasil”, afirma.

    A expansão do pátio de contêineres refrigerados, concluída em 2024, fortaleceu esse desempenho. O espaço passou de 3.624 para 5.268 tomadas, consolidando a TCP como o maior parque de armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul.

    A China segue como o principal destino da carne bovina embarcada em Paranaguá, absorvendo 59,2% do total exportado. Na sequência aparecem Estados Unidos (7,5%), Rússia (4,5%), México (4%) e Itália (2,7%).

    Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) indicam que, de janeiro a setembro de 2025, o Brasil exportou 2,44 milhões de toneladas de carne bovina. Um crescimento de 16% em relação ao mesmo período de 2024. A receita subiu 35,4%, alcançando US$ 12,4 bilhões, quase igualando o faturamento anual de 2024, de US$ 12,8 bilhões.

    TCP também lidera exportações de carne de frango

    As exportações de carne de frango congelada seguem como o carro-chefe da TCP. Até setembro, o terminal embarcou 1,724 milhão de toneladas, o maior volume entre todos os portos brasileiros e equivalente a 44% da fatia nacional de mercado.

    Em agosto, a TCP registrou um dos melhores meses da sua história, com 228 mil toneladas exportadas. Segundo Guidolim, a retomada das importações em mercados estratégicos fortaleceu as perspectivas para o último trimestre de 2025. “Estamos prontos para atender os produtores com qualidade e excelência”, destaca.

    Os principais importadores da carne de frango embarcada pelo terminal foram os Emirados Árabes Unidos (8,8%), China (8,2%), Japão (7,1%), África do Sul (7%) e México (6,5%).

    Para a gerente comercial de armadores e inteligência de mercado da TCP, Carolina Brown, a demanda internacional continua aquecida. “A TCP possui o maior portfólio de linhas marítimas entre os terminais brasileiros, com 25 escalas semanais e 21 serviços marítimos, o que garante cobertura global e maior flexibilidade aos exportadores”, afirma.

    Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil exportou 3,876 milhões de toneladas de carne de frango de janeiro a setembro de 2025, leve queda de 1% em comparação ao mesmo período de 2024. A receita, porém, atingiu US$ 7,166 bilhões.

    Movimentação de contêineres refrigerados atinge recorde

    De janeiro a setembro de 2025, a TCP registrou o melhor resultado de movimentação de contêineres da sua história, com 1.227.810 TEUs. Um aumento de 5% frente a 2024.

    O segmento de cargas refrigeradas (reefer) manteve papel de destaque, com 106.275 contêineres movimentados, alta de 7% sobre o ano anterior. O desempenho reflete o bom ritmo das exportações de carnes e a chegada de novos clientes, principalmente do setor bovino.

  • Portos públicos do Sul movimentam 85,3 milhões de toneladas até agosto

    Portos públicos do Sul movimentam 85,3 milhões de toneladas até agosto

    Os portos públicos da Região Sul registraram movimentação de 85,3 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e agosto de 2025, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A região, que inclui Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, cresceu 7,9% no volume de cargas movimentadas em relação ao ano anterior.

    O Porto de Paranaguá lidera o desempenho estadual, movimentando 43,9 milhões de toneladas. Em seguida, aparecem os portos de Rio Grande (20,2 milhões), São Francisco do Sul (12,1 milhões), Imbituba (4,8 milhões) e Itajaí (2,5 milhões).

    O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, atribuiu o avanço à gestão eficiente e à busca pela competitividade, que fortalece a economia regional e nacional. “O crescimento dos portos públicos do Sul é resultado de uma gestão focada em eficiência e crescimento econômico”, afirmou.

    O destaque desse período ficou com o aumento de 21,14% na movimentação de contêineres. Que atingiu 19,9 milhões de toneladas, e de 15,46% na carga geral, totalizando 9 milhões de toneladas, comparado a 2024. Essa diversificação reforça a capacidade dos portos em atender cadeias logísticas complexas e variadas.

    Vocação exportadora

    A vocação exportadora da região tem respaldo na alta de 7,19% na navegação de longo curso (internacional), que movimentou 73,4 milhões de toneladas. As exportações, lideradas por soja e milho, cresceram 4,95%, enquanto as importações, que incluem fertilizantes, avançaram 11,84%.

    Para ampliar a eficiência, o Ministério de Portos e Aeroportos realizou, em 22 de outubro, o primeiro leilão histórico de concessão do canal de acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá. O projeto prevê investimentos de R$ 1,2 bilhão ao longo de 25 anos.

    O consórcio vencedor será responsável pela dragagem e ampliação do calado, aumentando de 13,5 para 15,5 metros. Isso permitirá a entrada de navios maiores, otimizando a capacidade operacional e o escoamento da produção, e garantirá mais segurança e agilidade nas operações do porto paranaense.

  • Exportação de milho impulsiona crescimento nos portos do Norte

    Exportação de milho impulsiona crescimento nos portos do Norte

    Os portos organizados da Região Norte movimentaram 30,2 milhões de toneladas de carga entre janeiro e agosto de 2025, segundo dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O destaque ficou para os granéis sólidos, que somaram 24,8 milhões de toneladas no período.

    Em agosto, a movimentação de granéis sólidos atingiu 3,9 milhões de toneladas, alta de 2,16% sobre agosto de 2024. O principal motor desse crescimento foi o milho, com 2 milhões de toneladas exportadas no mês, aumento de 10,4% na comparação anual. A exportação de adubos registrou alta de 18%, totalizando 542 mil toneladas, e os produtos químicos inorgânicos cresceram 13,10%, com 488 mil toneladas movimentadas.

    Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, esses resultados demonstram a importância estratégica da Região Norte para o sistema logístico nacional. “O crescimento reflete avanço em eficiência e competitividade dos portos brasileiros, consolidando a região como vetor de desenvolvimento e integração logística do país”, afirmou.

    Entre os portos da região, o Porto de Santana (AP) registrou o maior crescimento percentual, com aumento de 25,2% na movimentação, passando de 316 mil toneladas em agosto de 2024 para 395 mil toneladas em agosto de 2025. O crescimento foi impulsionado pela exportação de milho, que aumentou 85% no período.

    Movimento

    O Porto de Santarém (PA) movimentou 1,9 milhão de toneladas em agosto, 11,25% a mais que no ano anterior, com alta de 45,33% nas exportações. Já o terminal de Porto Velho (RO) cresceu 0,92%, principalmente devido ao transporte de soja, que atingiu 123 milhões de toneladas.

    Outros portos que se destacaram incluem Vila do Conde (PA) com 1,8 milhão de toneladas e Belém (PA), que movimentou 264 mil toneladas em agosto de 2025.

  • Exportadores de café perdem R$ 5,9 Milhões em um mês com gargalos logísticos

    Exportadores de café perdem R$ 5,9 Milhões em um mês com gargalos logísticos

    Os exportadores brasileiros de café enfrentam uma crise logística que resultou em prejuízos de R$ 5,9 milhões apenas no mês de agosto. A defasagem da infraestrutura portuária impediu o embarque de 624.766 sacas do produto. Isso é equivalente a 1.893 contêineres, gerando custos extras com armazenagem adicional, pré-stacking e detentions.

    Os dados foram levantados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto aos seus associados. E revelam um cenário alarmante para o setor cafeeiro nacional, que vê seu potencial de crescimento limitado por gargalos estruturais.

    Impacto cambial chega a R$ 1,2 bilhão

    Além dos prejuízos diretos com custos logísticos, o não embarque desse volume impediu que o Brasil recebesse US$ 221,28 milhões em receitas cambiais. Isso representa R$ 1,205 bilhão considerando a cotação média do dólar em agosto (R$ 5,4463) e o preço médio FOB de exportação de US$ 354,18 por saca de café verde.

    O problema se intensifica justamente no momento em que as exportações aumentam com a entrada do café arábica da nova safra no mercado. Evidenciando a incapacidade da infraestrutura atual de absorver a demanda crescente do agronegócio brasileiro.

    “Cenário tende a piorar”, alerta Cecafé

    Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, manifesta preocupação com a tendência de agravamento da situação nos próximos meses e anos. “É um cenário que se repete e, infelizmente, tende a piorar se não houver investimentos rápidos nos portos do Brasil para aumentar a oferta de capacidade de pátio e berço”, lamenta o executivo.

    Segundo Heron, o agronegócio brasileiro cresce a taxas expressivas, mas a infraestrutura portuária não acompanha essa evolução. Portanto, gerando prejuízos constantes especialmente aos exportadores que dependem de contêineres. “Sem investimentos, veremos cada vez mais portos lotados e atrasos constantes nas embarcações. A estrutura atual está esgotada”, alerta.

    Polêmica no leilão do Tecon Santos 10

    O diretor técnico do Cecafé critica especialmente o imbróglio no processo do leilão do Tecon Santos 10, causado pelas restrições propostas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), que limitam a participação de empresas no processo licitatório.

    “A morosidade e a restrição de empresas ao certame, deliberadas pelo colegiado da ANTAQ, incorrerão na judicialização do processo e atrasarão ainda mais a oferta de capacidade aos usuários do Porto de Santos, ampliando os prejuízos ao comércio exterior brasileiro”, afirma Heron.

    O executivo destaca que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já se manifestou favorável à remoção de restrições no leilão durante painel promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), sugerindo “remédios” mais adequados para coibir eventuais concentrações de mercado.

    Mobilização por novo marco regulatório

    O Cecafé vem intensificando ações junto ao governo, parlamentares e entidades representativas para buscar melhorias na infraestrutura portuária. Em setembro, a entidade se reuniu com o deputado federal Arthur Maia, relator do Projeto de Lei 733/2025, que propõe um novo marco regulatório para o Sistema Portuário Brasileiro.

    Na ocasião, a entidade defendeu a manutenção da garantia de modicidade e publicidade das tarifas portuárias, previstas na Lei nº 12.815/2013. E ressaltou a importância de uma legislação moderna que aumente a competitividade do comércio exterior sem elevar custos aos usuários de carga.

    O Cecafé também propôs melhorias na governança e composição do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), incluindo participação dos usuários de carga para debater temas como poligonais, dragagem e integração entre diferentes modais de transporte.

    Audiência pública deve debater crise portuária

    Em contato com o deputado federal Evair de Melo, o Cecafé apresentou requerimento para realização de audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara Federal. O objetivo é debater os impactos do esgotamento da infraestrutura portuária e os entraves impostos pela ANTAQ, além da urgência do leilão do Tecon Santos 10.

    “O deputado Evair compreendeu a importância do tema e demonstrou interesse em apoiar os exportadores. Colocando-se à disposição para protocolar nosso pedido de audiência pública, que deverá ser agendada em breve”, relata Heron.

    O Cecafé também tem promovido reuniões com outras entidades vinculadas à exportação, apresentando dados do Boletim Detention Zero (DTZ) para buscar sinergia na apresentação de demandas às autoridades portuárias. A mais recente foi com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde se propôs união de esforços para agilizar o leilão do Tecon Santos 10.

    Números revelam caos nos principais portos

    O Boletim DTZ foi elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé. E revela que em agosto de 2025, metade dos navios (168 de 335 embarcações) tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos brasileiros.

    No Porto de Santos, responsável por 80,2% dos embarques de café de janeiro a agosto, o índice de atrasos ou alterações chegou a 67%, afetando 122 dos 182 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera registrado foi de 47 dias.

    Apenas 4% dos procedimentos de embarque tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto no porto santista. Enquanto 59% ficaram entre três e quatro dias e 38% tiveram menos de dois dias.

    O complexo portuário do Rio de Janeiro é o segundo maior exportador de café brasileiro com 15,8% de participação. E registrou índice de atrasos de 38%, com o maior intervalo chegando a 36 dias. Neste porto, 44% dos procedimentos tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto, 37% entre três e quatro dias, e 19% menos de dois dias.

    Setor pede indicadores e planejamento

    O diretor técnico do Cecafé enfatiza a importância de a nova lei de portos contemplar a criação de indicadores logísticos para avaliar o desempenho portuário de forma transparente. “É necessário que os investimentos e a ampliação da capacidade em infraestrutura portuária antecipem a demanda, deixando de ser pautados apenas por narrativas”, defende.

    Segundo Heron, as autoridades públicas têm dificuldade para enxergar gargalos logísticos diante das consecutivas quebras de recordes do comércio exterior brasileiro. “O Cecafé e outras entidades entendem a necessidade de ampliar a infraestrutura portuária. E devido à complexidade da matéria, estamos unindo esforços para buscar medidas que possam mitigar os riscos dos desafios logísticos e portuários do país”, conclui.