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  • Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    A busca por maior produtividade e qualidade tem levado os citricultores a ampliar o uso de tecnologias nutricionais nos pomares. Além disso, a necessidade de enfrentar períodos de estiagem, altas temperaturas e outros eventos climáticos extremos reforça a adoção de ferramentas que aumentam a eficiência do manejo e a resistência das plantas.

    O tema ganha relevância em um momento de desafios para a produção agrícola. Por isso, soluções como fertirrigação, bioinsumos e programas de nutrição balanceada passaram a ocupar espaço estratégico na citricultura brasileira.

    Segundo Bruno Dittrich, especialista agronômico da Yara Brasil, a produtividade dos pomares depende diretamente do fornecimento adequado de nutrientes ao longo de todo o ciclo produtivo.

    “Para obter maior produtividade e qualidade das frutas cítricas é preciso investir em uma combinação equilibrada de nutrientes. O produtor precisa trabalhar com soluções específicas para cada etapa de desenvolvimento da planta, desde o manejo do solo e desenvolvimento radicular até o enchimento final dos frutos”, afirma.

    De acordo com a empresa, programas nutricionais voltados especificamente para a cultura dos citros apresentam resultados expressivos quando o produtor adota um manejo técnico e integrado. Em áreas acompanhadas pela companhia, técnicos registraram ganhos médios de até 110 caixas por hectare.

    Brasil mantém liderança mundial

    O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional de citros. Atualmente, o país responde por cerca de 30% da produção mundial de laranjas. Além disso, lidera as exportações globais de suco de laranja, concentrando aproximadamente 85% do comércio mundial do produto.

    Esse protagonismo resulta de décadas de investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, a integração entre produtores, empresas e instituições de pesquisa fortalece a competitividade do setor.

    Para especialistas, a manutenção dessa liderança depende da adoção contínua de tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. Dessa forma, a cadeia produtiva consegue atender às exigências dos mercados nacional e internacional.

    Clima exige manejo mais eficiente

    As mudanças climáticas também influenciam as decisões dentro das propriedades rurais. Ondas de calor, estiagens prolongadas e oscilações nas condições climáticas afetam diretamente o desenvolvimento dos pomares.

    Por isso, produtores têm buscado soluções que aumentem a tolerância das plantas aos chamados estresses abióticos. Entre elas estão tecnologias que combinam nutrição mineral, bioinsumos e ferramentas de monitoramento.

    “Hoje, a nutrição precisa ser tratada como um componente estratégico do manejo. As soluções integradas ajudam os citricultores a mitigar os efeitos da seca e das altas temperaturas, além de contribuir para a saúde e longevidade dos pomares”, explica Dittrich.

    Além disso, o fortalecimento do sistema radicular permite que as plantas aproveitem melhor a água e os nutrientes disponíveis no solo. Como resultado, os pomares conseguem manter o desenvolvimento mesmo durante períodos de maior estresse hídrico.

    Fertirrigação amplia eficiência no campo

    A fertirrigação também avança na citricultura brasileira. A técnica permite aplicar água e nutrientes ao mesmo tempo, de forma precisa e alinhada às necessidades da planta em cada fase do desenvolvimento.

    Dessa maneira, o produtor reduz perdas, melhora o aproveitamento dos fertilizantes e aumenta o controle sobre o manejo nutricional. Além disso, a tecnologia diminui a dependência da regularidade das chuvas, fator cada vez mais importante diante das alterações climáticas.

    Um estudo realizado pela Yara em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) identificou ganhos relevantes com o uso da fertirrigação em pomares cítricos. Segundo a empresa, a técnica elevou a produtividade em aproximadamente um terço e reduziu em cerca de 30% a incidência de podridão floral.

    Os pesquisadores também verificaram aumento da estrutura reprodutiva das plantas. Consequentemente, os pomares apresentaram maior potencial produtivo e melhor uniformidade dos frutos.

    Bioinsumos ganham espaço nos pomares

    Os bioinsumos também conquistam espaço na citricultura. Esses produtos contribuem para a fertilidade do solo e aumentam a eficiência no aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.

    Além disso, a tecnologia fortalece o desenvolvimento vegetal e auxilia o produtor na busca por sistemas mais sustentáveis. Por esse motivo, especialistas apontam crescimento contínuo da utilização desses insumos nos próximos anos.

    A combinação entre nutrição equilibrada, fertirrigação, bioinsumos e agricultura de precisão deve ganhar ainda mais relevância. Assim, os produtores poderão enfrentar os desafios climáticos com maior eficiência, preservar a produtividade e manter a competitividade da citricultura brasileira.

  • Caulim reduz em até 59% a infestação de psilídeo e o greening nos pomares de citros

    Caulim reduz em até 59% a infestação de psilídeo e o greening nos pomares de citros

    O controle do psilídeo representa um dos maiores desafios da citricultura brasileira. O inseto é o principal vetor do greening, doença que não tem cura e compromete a produtividade dos pomares, e seu manejo envolve fatores biológicos, ambientais, econômicos e sociais. Para enfrentar esse problema, o Fundecitrus pesquisa desde 2015 o uso do caulim como barreira física contra o inseto, com resultados que apontam reduções expressivas tanto na população do psilídeo quanto na incidência da doença.

    O caulim é um mineral natural composto principalmente por silicato de alumínio. Quando pulverizado sobre as folhas dos citros, forma uma película branca que altera a aparência visual da planta. E é exatamente essa mudança que interfere no comportamento do inseto.

    “O psilídeo depende primariamente da visão para localizar as plantas para reprodução e alimentação. Ao alterar a aparência da planta, o caulim confunde o inseto e interfere diretamente no seu comportamento de selecionar o hospedeiro. Se ele não consegue pousar para se alimentar, também não é capaz de transferir a bactéria causadora da doença para a planta sadia nem depositar seus ovos”. É o que explica Marcelo Miranda, pesquisador do Fundecitrus e coordenador da pesquisa.

    Experimentos em pomares comerciais confirmam eficiência do caulim

    A partir de 2019, com apoio da Fapesp, o Fundecitrus conduziu experimentos de grande escala nas bordas de três pomares comerciais de laranjeira-doce no interior de São Paulo. Os resultados variaram conforme o tipo de pomar e o protocolo de aplicação, mas confirmaram o potencial do mineral como ferramenta complementar aos inseticidas químicos.

    No primeiro experimento, em um pomar em formação na região de Casa Branca, a combinação de caulim a 2% a cada 15 dias com inseticidas a cada 10 dias resultou em redução de 59% na população de psilídeos e 52% na incidência de greening, em comparação com a área tratada apenas com inseticidas.

    No segundo, em um pomar em produção na região de Borborema, pulverizações mensais de caulim a 2% no primeiro semestre e quinzenais no segundo, associadas a inseticidas a cada 10 dias, reduziram em 25% a infestação do inseto e 40% a incidência da doença.

    O terceiro experimento, em um pomar recém-implantado em Pirajuí, revelou uma condição importante: a frequência de aplicação faz diferença. O uso quinzenal de caulim apenas no segundo semestre dos dois primeiros anos não foi suficiente para reduzir a população do psilídeo nem a incidência de greening. Quando os pesquisadores passaram a aplicar o produto ao longo de todo o ano, a 1% no primeiro semestre e 1,5% no segundo, os resultados melhoraram significativamente: após três anos, a infestação caiu 48% e a incidência de greening, 46%.

    “Esses experimentos em pomares comerciais permitiram acompanhar de perto a evolução do psilídeo e da doença em diferentes cenários. Contribuindo para gerar informações práticas ao citricultor”, diz Miranda.

    Nem todo caulim é igual: como escolher o produto certo

    Estudos mais recentes do Fundecitrus, com apoio da Givaudan Foundation, avaliaram diferentes produtos à base de caulim e compostos semelhantes, comparando pH, cobertura foliar, resistência à chuva e repelência ao psilídeo. Os resultados mostraram diferenças relevantes entre os produtos disponíveis no mercado.

    Produtos à base de silicato de alumínio, em geral, não alteram significativamente o pH da calda de pulverização. O que é desejável, já que variações de pH podem comprometer a eficácia dos inseticidas aplicados na mesma mistura. Já o hidróxido de cálcio, o hidróxido de magnésio e o carbonato de cálcio elevam o pH da calda, o que pode ser um problema quando há combinação com outros defensivos.

    “É importante que os produtos confiram uma tonalidade visualmente mais branca à superfície da planta, apresentem boa cobertura foliar e resistência à lavagem pela chuva. Produtos com essas características reduzem de forma mais significativa a quantidade de psilídeos na planta”, afirma Wellington Ivo Eduardo, pesquisador do Fundecitrus.

    Ao escolher um produto, o citricultor deve priorizar formulações específicas para pulverizações agrícolas, com granulometria fina (igual ou inferior a 2 micrômetros), fácil diluição em água, ausência de substâncias tóxicas, baixo poder abrasivo. E sobretudo capacidade de deixar a superfície foliar com coloração esbranquiçada.

    Como aplicar o caulim corretamente

    A concentração recomendada é de 3% na pulverização inicial e 2% nas aplicações de manutenção, podendo variar conforme a indicação do fabricante. A sequência de diluição, porém, exige atenção.

    “Produtos à base de caulim e minerais afins devem ser diluídos primeiro, adicionados lentamente ao tanque ou ao pré-misturador, sempre com agitação constante. Isso reduz o risco de o produto decantar ou permanecer na superfície da calda”, orienta Eduardo.

    Quando houver aplicação conjunta com outros produtos,  inseticidas, acaricidas ou fungicidas, o citricultor deve seguir a ordem de mistura. E priorizando os produtos que exigem maior tempo de agitação, seguidos dos de diluição mais rápida.

    Caulim também promete contra o cancro cítrico

    Além do psilídeo e do greening, o Fundecitrus investiga, desde 2021, o desempenho do caulim no controle do cancro cítrico. Essa pesquisa conta também com apoio da Givaudan Foundation.

    Em experimentos de casa de vegetação, o caulim (produto Surround WP) reduziu a severidade da doença em 80%, resultado semelhante ao do cobre, principal defensivo utilizado hoje para o cancro. O mecanismo de ação envolve dois efeitos combinados. A camada física sobre a folha atua como barreira contra a bactéria causadora da doença. E o caulim ainda reduziu em até 50% o tempo de secagem da folha após simulação de chuva, diminuindo o período favorável à infecção.

    Em pomares comerciais de laranja Natal, os resultados foram menos expressivos, mas ainda relevantes. Aplicado isoladamente a cada 21 dias, o caulim reduziu em até 44% a incidência de folhas com cancro cítrico. Alternado com cobre, o controle subiu para até 75% em relação às plantas não tratadas. Um resultado semelhante ao do tratamento exclusivo com cobre. Nos frutos, a combinação dos dois produtos atingiu redução de até 37%.

    Para o pesquisador Franklin Behlau, do Fundecitrus, o uso do caulim no manejo do psilídeo pode trazer um benefício adicional indireto: reduzir a quantidade total de cobre nos pomares.

    “O caulim pode ajudar a aumentar o intervalo entre aplicações de cobre para cancro cítrico, principalmente em áreas com menor favorabilidade da doença. Isso representa um avanço importante do ponto de vista ambiental, pois ajudaria a reduzir o acúmulo desse metal no solo e o risco de seleção de bactérias resistentes”, afirma Behlau.

    Os pesquisadores são enfáticos. O caulim não substitui o cobre, mas pode atuar como aliado em estratégias integradas de manejo, conciliando eficiência agronômica e sustentabilidade ambiental.