Tag: políticas públicas

  • Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    A cidade de Piracicaba (SP) recebeu na última terça-feira (23) o Fórum de Agricultura Regenerativa 2026, que colocou em debate a relação entre produção agrícola, preservação ambiental e financiamento de práticas sustentáveis. O encontro, realizado pela primeira vez no Brasil, reuniu 350 participantes presenciais e mais de 3 mil conectados online, com representantes de mais de 20 países entre produtores rurais, cientistas, investidores e formuladores de políticas públicas.

    O evento discutiu caminhos para ampliar a adoção de modelos produtivos baseados na regeneração do solo, conservação da biodiversidade e fortalecimento da segurança alimentar. O tom das falas foi de alerta sobre a necessidade de acelerar a transição no campo, diante de desafios climáticos, econômicos e regulatórios.

    Ensino, políticas públicas e lacunas estruturais

    Um dos pontos centrais do debate foi a crítica à formação acadêmica e à ausência de políticas públicas mais robustas para incentivar a agricultura regenerativa.

    A diretora estratégica para a América Latina na Naia Trust, Analí Bustos, afirmou que há um descompasso entre ensino e prática no setor. “Quando descobri que no meu país e na maior parte do mundo os estudantes de agronomia ou agricultura não estudam ecologia, fiquei espantada. Para mim, não existe agro sem ecologia e não pode existir ensino de agronomia sem ecologia”, disse.

    A especialista também defendeu maior participação do poder público na transição. “Faltam políticas públicas e incentivos para uma maior adoção da agricultura regenerativa. É essencial que seja promovido um cenário mais favorável, com benefícios e crédito, para que haja interesse por parte dos produtores”, completou.

    Brasil no centro do debate global sobre alimentos

    Outro ponto de destaque foi o papel estratégico do Brasil no cenário agrícola internacional. O cientista e ex-CEO do Crop Trust, Geoffrey Hawtin, afirmou que o país tende a ganhar ainda mais relevância na produção de alimentos.

    “O Brasil é um dos países agrícolas mais importantes do mundo, e provavelmente se tornará ainda mais importante”, declarou. Segundo ele, mudanças climáticas podem alterar a dinâmica global de produção e consumo. “Podemos ver ao longo do tempo uma necessidade de transformação em parte dos mercados de exportação, destinando menos à pecuária intensiva e mais à alimentação humana direta”, afirmou.

    O especialista também reforçou a necessidade de cooperação em diferentes níveis para avançar na agenda sustentável.

    Aumento de insumos e desafio da transição

    Dados apresentados durante o fórum indicaram preocupações com o uso crescente de defensivos agrícolas no mundo. O cientista-chefe da CABI, Ulrich Kuhlmann, citou aumento de 70% no uso de agrotóxicos entre 2000 e 2023, segundo dados da FAO.

    “O aumento do uso de agrotóxicos no mundo de 2000 a 2023 foi de 70%, segundo dados da FAO, e isto é muito preocupante”, afirmou. Para ele, a agricultura regenerativa pode ser uma alternativa viável, mas ainda enfrenta barreiras econômicas e estruturais.

    Kuhlmann destacou a falta de retorno financeiro claro ao produtor como um dos entraves à adoção de novas práticas. Ele também citou limitações da extensão rural e sugeriu o uso de ferramentas digitais de assistência técnica como alternativa para ampliar o acesso ao conhecimento.

    Mudança de paradigma no campo

    A diretora de Sustentabilidade da Daterra, Isabela Pascoal Becker, defendeu uma revisão na forma como a sociedade enxerga o setor agrícola.

    “É essencial que enxerguemos a agricultura como parte da natureza, não como um vilão ou algo separado”, afirmou. Para ela, a mudança precisa ser estrutural e envolver toda a cadeia produtiva.

    O fórum foi promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), pela Sustainable Agriculture Network (SAN), pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal. O encontro teve transmissão em quatro idiomas e contou com apoio institucional e do setor privado.

  • Monitoramento via satélite identifica áreas irrigadas a partir da umidade do solo

    Monitoramento via satélite identifica áreas irrigadas a partir da umidade do solo

    Imagine tentar descobrir se um campo foi irrigado olhando apenas para uma foto tirada do espaço. Parece simples, mas não é. Aquele círculo perfeito no solo, formado pelo pivô central, pode estar ali há anos sem que uma gota d’água tenha passado por ele na última safra. Era exatamente esse o problema que o governo federal precisava resolver, e a Embrapa Territorial acaba de entregar a solução.

    Um método desenvolvido pela Embrapa combina imagens do satélite Sentinel-2 com inteligência artificial para mapear, ano a ano, o crescimento ou a redução das áreas agrícolas efetivamente irrigadas no Brasil. Não as que têm estrutura de irrigação, não as que parecem irrigadas. As que, de fato, receberam água durante a safra.

    O problema que os círculos no solo não conseguem resolver

    O engenheiro agrônomo Rafael Mingoti, analista da Embrapa Territorial e responsável pelo mapeamento dos primeiros polos em Goiás, explica que o desafio inicial era gerar um mapeamento que permitisse verificar as diferenças entre as safras. E registrar os famosos círculos dos pivôs centrais simplesmente não funcionava para isso.

    “Registrar os tão conhecidos círculos formados no solo pelos pivôs centrais, por exemplo, não seria eficaz, pois são como uma cicatriz no solo que permanece de um ano para outro”, explica Mingoti.

    Além disso, buscar os equipamentos físicos de irrigação no campo também não resolvia o problema. Esses equipamentos podem estar presentes, mas desativados. “O objetivo é identificar as terras que foram efetivamente irrigadas no ano em questão e não as que apenas têm a infraestrutura”, enfatiza o pesquisador.

    Foi a partir daí que a equipe virou o jogo: em vez de procurar os equipamentos ou as marcas deixadas no solo, passou a analisar a umidade do solo diretamente. Os índices são extraídos de imagens do satélite Sentinel-2, de média resolução e acesso gratuito, fornecido pela Agência Espacial Europeia.

    Chuva ou irrigação? A IA entra em cena para distinguir os dois

    Resolver a questão da umidade trouxe um novo obstáculo, ainda mais sutil. Em Goiás, predominantemente, a irrigação não é utilizada no período de estiagem e sim durante o verão, quando as chuvas ocorrem e quando há vazão disponível nos cursos d’água. Especialmente por causa das mudanças climáticas e do aumento da duração dos veranicos, os agricultores recorrem à irrigação para evitar perdas.

    Mas se a irrigação acontece justamente quando chove, como saber de onde veio a umidade do solo?

    “Nós usamos outros indicadores. Geralmente as áreas irrigadas não são muito pequenas e têm formatos regulares, retângulos, círculos ou triângulos”, esclarece Mingoti. A inteligência artificial entra para cruzar esses padrões geométricos com os dados de umidade, separando o que é chuva do que é irrigação humana. Uma distinção que, antes desse método, simplesmente não existia em escala territorial.

    No entanto, identificar onde se irriga era só metade da demanda. O governo também precisa saber quanto, exatamente, está sendo irrigado.

    Vetorização: a técnica que mede com muito mais precisão

    Como inovação, o método utiliza recursos derivados do sensoriamento remoto com radar para chegar à área total. Diferentemente do método tradicional, que calcula a área somando pixels (quadros que compõem a imagem), a técnica de vetorização desenha o contorno real do terreno, como se seguisse a linha exata do local irrigado. Na contagem por pixels, o sistema considera o quadro inteiro, mesmo que parte do terreno que ele cobre não seja irrigada.

    O resultado, nas palavras do próprio Mingoti: “Quando os terrenos são vetorizados, eliminamos possíveis erros dentro e fora da área irrigada. Então, a medição é muito mais acurada.”

    Não é detalhe técnico por vaidade científica. Mais precisão significa políticas públicas melhores, investimentos mais bem direcionados e uso da água monitorado de verdade.

    7 mil hectares a mais: o dado que já chegou ao Ministério

    A Embrapa Territorial já aplicou o método no mapeamento de dois polos de irrigação em Goiás (Planalto Central e Vale do Araguaia) e de três no Mato Grosso (Sul, Médio Norte e Araguaia-Xingu). Os mapeamentos dos dois primeiros já foram entregues ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, e os outros estão em fase de validação.

    O mapeamento no polo Central de Goiás mostrou um aumento de 7 mil hectares nas áreas irrigadas entre 2023 e 2024. Houve crescimento em todos os 24 municípios que integram a região.

    Além de servir para a avaliação das políticas públicas, os dados do mapeamento têm um destino claro: a intenção é que sejam integrados ao Sistema Nacional de Informações sobre Irrigação, o Sinir.

    Coordenador-geral de sustentabilidade de projetos e polos de irrigação do MIDR, Antônio Guimarães Leite lembra ainda que a irrigação no período chuvoso cumpre um papel estratégico que vai além de compensar a falta de chuva. “Em algumas situações, isso permite estender a janela de cultivo e viabilizar até três colheitas no mesmo ano agrícola”, aponta.

    Com satélite, IA e dados precisos nas mãos, o agro brasileiro passou a enxergar o que antes ficava invisível. E o governo, finalmente, tem uma ferramenta à altura do desafio de gerir a água do campo.

  • Alagoas lança projeto para fortalecer o protagonismo feminino no campo

    Alagoas lança projeto para fortalecer o protagonismo feminino no campo

    Com o objetivo de valorizar o protagonismo feminino no campo e fortalecer o enfrentamento à violência de gênero, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagri) lançou o projeto “Mulheres: Raízes da Resistência”. A iniciativa integra a Política Estadual Alagoas Lilás e busca promover igualdade, garantir direitos e incentivar a liderança das trabalhadoras rurais.

    O lançamento contou com a presença do vice-governador Ronaldo Lessa, do secretário Marcelo Melo, além de representantes de movimentos sociais e lideranças femininas do campo. O projeto percorrerá municípios alagoanos com campanhas educativas, rodas de conversa e ações de conscientização sobre direitos, serviços públicos e igualdade de gênero.

    Durante a cerimônia, Marcelo Melo destacou dados do IBGE que apontam o avanço da presença feminina na agricultura. 25% dos estabelecimentos agropecuários de Alagoas são liderados por mulheres, acima da média nacional de 19%. O secretário, no entanto, alertou para os desafios ainda existentes. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, 80% das mulheres rurais já presenciaram ou vivenciaram algum tipo de violência.

    “Quem produz e sustenta o campo não pode continuar enfrentando desigualdade e violência. Este projeto representa um compromisso permanente com as mulheres que movimentam a economia rural de Alagoas”, afirmou Melo.

    Importância de políticas públicas

    O vice-governador Ronaldo Lessa reforçou a importância de políticas públicas voltadas para inclusão produtiva e equidade de gênero. Segundo ele, a economia solidária tem sido protagonizada por mulheres:

    “Elas lideram cooperativas e fortalecem a organização social do campo. Nosso papel é garantir condições para que essa produção continue transformando vidas”, disse Lessa.

    A presidente do Fórum de Combate à Violência Contra a Mulher do Campo, Maria Rita Rosa dos Santos, considerou o lançamento uma conquista histórica para o reconhecimento das trabalhadoras rurais.

    O evento também marcou a criação da premiação “Mulheres: Raízes da Resistência”, que homenageia mulheres com trajetória de liderança e transformação social no campo. Entre as homenageadas estão Inês Santos da Silva, dirigente sindical em Teotônio Vilela; o Grupo Mulheres do Dom, coletivo que atua desde 2007 na promoção do empoderamento feminino; e Daiana Oliveira, militante da reforma agrária e da agroecologia.

    Outras mulheres homenageadas incluem Raquel Braz do Nascimento, primeira presidente mulher do Sindicato Rural de Branquinha; Ivonete Fernandes, agricultora familiar e líder sindical em Arapiraca; Jakeline Maria dos Santos, agrônoma e empreendedora rural; Margarida Maria da Silva, assentada da reforma agrária; Helena Maria dos Santos Alve, presidente de associação em Junqueiro; Maria José Alves, referência no cooperativismo em Alagoas; e Maria das Dores de Oliveira Cavalcante, produtora cultural e liderança comunitária em União dos Palmares.

    Com o projeto “Mulheres: Raízes da Resistência”, o governo de Alagoas reafirma o compromisso de tornar a igualdade de gênero no campo uma política permanente, fortalecendo o papel das mulheres na agricultura familiar e na construção de um meio rural mais justo e sustentável.

  • Governo cria Assentamento Capão das Antas em São Carlos

    Governo cria Assentamento Capão das Antas em São Carlos

    O Governo Federal oficializou neste sábado (6) a criação do Assentamento Capão das Antas, em São Carlos (SP). A medida integra a agenda de retomada da reforma agrária e beneficia 150 famílias agricultoras que lutam pelo direito à terra há mais de 15 anos.

    O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, fez o anúncio durante visita ao município. Ele destacou que as famílias terão acesso à regularização produtiva e a políticas públicas para fortalecer a agricultura familiar na região.

    Segundo Teixeira, o novo assentamento terá orientação ambiental diferenciada. Ele afirmou que as famílias poderão investir em café, cacau e frutas com potencial econômico. O ministro ressaltou que o governo quer estimular a permanência dos jovens no campo com oportunidades de estudo, mecanização e agregação de valor.

    As terras usadas no assentamento foram doadas pela Prefeitura de São Carlos à União. O repasse ocorreu em outubro, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre o município e o Incra para fins de reforma agrária.

    A presidente da Associação de Agricultura Familiar Capão das Antas, Marli Mariano, celebrou a conquista. Ela afirmou que o acordo encerra um conflito fundiário que começou em 2010, após a reintegração de posse da antiga Fazenda Capão das Antas.

  • Conab amplia apoio à agricultura familiar com nova compra institucional

    Conab amplia apoio à agricultura familiar com nova compra institucional

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) abriu uma nova operação de Compra Institucional, com recursos de cerca de R$ 46 milhões, para fortalecer a agricultura familiar e reforçar estoques estratégicos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). As propostas de fornecimento de alimentos devem ser enviadas entre os dias 4 e 8 de dezembro pelo aplicativo PAANet – Proposta Doação.

    A iniciativa utiliza recursos sob gestão do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). E visa ampliar a participação de agricultores familiares nas políticas públicas de abastecimento. Entre os itens adquiridos estão arroz polido, arroz parboilizado orgânico, feijão, fubá, farinha de mandioca, carnes bovina e suína, polpas de frutas, macaxeira a vácuo, rapadura e melado de cana, entre outros.

    Esses produtos serão direcionados às unidades atendidas pelo PAA, como as Cozinhas Solidárias. E também reforçarão os estoques estratégicos mantidos pela Conab para ações de segurança alimentar e nutricional. A execução será articulada entre a matriz da Conab e as superintendências regionais dos estados de origem dos fornecedores participantes.

    A Compra Institucional é uma modalidade do PAA que permite a aquisição direta de alimentos da agricultura familiar. Respeitando preços de referência e limites de participação por organização. Os produtos adquiridos abastecem equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional ou são usados para recompor estoques estratégicos.

    O comunicado completo, com a lista de produtos, critérios de participação, orientações de entrega e demais regras da modalidade, está disponível na página oficial de execução do PAA.

  • Estudo revela como aumentar a produtividade da pecuária no Brasil

    Estudo revela como aumentar a produtividade da pecuária no Brasil

    Um estudo internacional publicado na revista científica Agricultural Systems, com participação de pesquisadores da Embrapa, traz novas perspectivas para a intensificação sustentável da pecuária no Brasil. O trabalho aponta que é possível aumentar a produção de carne e leite sem avançar sobre novas áreas de vegetação nativa, apostando na redução das chamadas “lacunas de rendimento” — a diferença entre o que uma fazenda produz atualmente e o seu potencial produtivo ideal.

    Segundo os pesquisadores, melhorar o desempenho dos sistemas pecuários existentes é fundamental para alimentar uma população global em crescimento e preservar o meio ambiente. A análise das lacunas de rendimento permite identificar onde e como investir para elevar a produtividade, tornando a pecuária mais eficiente e sustentável.

    O estudo destaca que modelos tradicionais muitas vezes desconsideram fatores essenciais, como estratégias de pastejo, composição da pastagem e o comportamento dos animais, o que limita a precisão das análises. A integração desses aspectos pode otimizar o uso dos recursos e promover a intensificação sustentável, sem necessidade de desmatamento.

    Pastagens ocupam 70% da área agrícola global

    As pastagens representam cerca de 70% da área agrícola mundial e são fundamentais para a segurança alimentar e a oferta de serviços ecossistêmicos. Com a demanda por carne e leite crescendo anualmente, aprimorar os sistemas produtivos existentes é uma alternativa estratégica para evitar a conversão de novas terras.

    O estudo revisou diferentes métodos para avaliar as lacunas de rendimento na pecuária de pastagem, como benchmarking, análise de fronteira, agrupamento climático e modelos de sistemas de produção. Cada abordagem tem suas vantagens e aplicações, podendo ser utilizada em escalas que vão do nível de fazenda ao nacional.

    Segundo Patrícia Menezes Santos, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste, essas ferramentas ajudam a direcionar esforços e investimentos de forma estratégica. Identificando áreas com maior potencial de aumento de produtividade. Ela ressalta que a transformação depende não só do produtor, mas de toda uma rede de apoio, incluindo políticas públicas e assistência técnica.

    Incentivos e desafios no Brasil

    Apesar do potencial, o estudo aponta que os incentivos para a intensificação da pecuária no Brasil ainda são baixos. De acordo com Geraldo Martha, da Embrapa Agricultura Digital, a agropecuária brasileira opera com baixos níveis de estímulo. E a análise das lacunas de produtividade pode ajudar a entender melhor as oportunidades e desafios do setor.

    Foto: Gisele Rosso/Embrapa

    O agrupamento climático, por exemplo, permite identificar regiões com alto potencial de intensificação, enquanto modelos baseados em sensoriamento remoto facilitam a avaliação de grandes áreas, contribuindo para um manejo mais eficiente das pastagens.

    Abordagens integradas para maior eficiência

    Os pesquisadores defendem a adoção de métodos integrados, combinando análises matemáticas, estatísticas e tecnológicas, para obter uma visão mais completa das lacunas de produtividade. Essa abordagem é essencial para orientar decisões de produtores e formuladores de políticas públicas, promovendo a intensificação sustentável da pecuária.

    A redução das lacunas de rendimento pode gerar impactos positivos expressivos, como aumento da produção sem desmatamento, maior renda para produtores e redução das emissões de gases de efeito estufa por quilo de carne ou leite produzido.

    A pesquisa conclui que fechar as lacunas de produtividade é uma oportunidade para transformar a pecuária brasileira em um setor mais eficiente, competitivo e sustentável. A combinação de tecnologias inovadoras, políticas públicas adequadas e capacitação técnica pode impulsionar a produção, proteger o meio ambiente e fortalecer a economia rural.

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  • Drones transformam pesquisas ambientais

    Drones transformam pesquisas ambientais

    O uso de drones tem revolucionado o trabalho de campo na ciência, especialmente em projetos ambientais e de planejamento territorial no Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (Lageamb) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Desde 2019, a tecnologia tornou-se indispensável para a equipe, acelerando levantamentos de dados e ampliando a precisão das análises.

    Segundo Eduardo Vedor, coordenador-geral do Lageamb, “com esse tipo de equipamento, a gente consegue diminuir muito o tempo de levantamento de dados. Reduzir pra menos de uma semana um mapeamento que levaria um mês”. Os drones, ou Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP), como define o geógrafo Carlos Wrobleski. “São a base de praticamente todos os projetos atualmente. Viabilizando desde o monitoramento ambiental e territorial até o georreferenciamento de imóveis rurais e análises de riscos climáticos”.

    Aplicações avançadas e resultados práticos

    O laboratório opera sensores de última geração, como termal e LiDAR, permitindo análises detalhadas da vegetação, superfície terrestre e volume de biomassa. “Basicamente, não tem nada tão tecnológico quanto essas ferramentas, e a gente as opera de fato, produzindo muita ciência a partir dessas duas aeronaves”, explica Wrobleski. Além disso, a equipe utiliza ortomosaicos e Modelos Digitais do Terreno (MDTs) para regularização fundiária e gestão de áreas federais, em parceria com órgãos como INCRA e SPU.

    A doutora em Geografia Marianne Oliveira destaca: “Outra aplicação importante é no uso de ortomosaicos, que viabilizam um primeiro mapeamento detalhado em áreas de comunidades tradicionais, e Modelos Digitais do Terreno (MDTs), para extração de vértices no georreferenciamento de imóveis rurais, no Projeto TED/INCRA focado na regularização fundiária”.

    Capacitação e inovação contínua

    O laboratório investe na formação de pilotos e na experimentação de novas tecnologias. “A gente consegue ter vários pilotos, fazendo cursos para que as pessoas operem as aeronaves para tirar fotos, fazer algum tipo de relatório sobre suas próprias pesquisas. É uma operação muito mais simples, mas que traz um resultado absurdo”, ressalta Wrobleski.

    A geógrafa e mestranda Laura Krama complementa: “Houve um avanço muito grande, tanto metodológico quanto de conhecimento sobre os equipamentos, desde 2019. Aquisição de novos drones, aprimoramento da metodologia, teste de diferentes equipamentos. E, com o trabalho integrado, atuando, por exemplo, junto com agrimensores e geógrafos, conseguimos maior precisão nos estudos”.

    Drones como aliados do desenvolvimento sustentável

    A adoção dos drones potencializa pesquisas, otimiza processos de análise e planejamento e amplia significativamente a capacidade de mapeamento e levantamento de dados. O Lageamb/UFPR demonstra que, longe de serem apenas instrumentos de lazer, os drones são ferramentas estratégicas para o desenvolvimento científico-social e para a construção de políticas públicas baseadas em dados de alta qualidade e confiabilidade.

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  • Cana Summit 2025 discute fortalecimento do setor canavieiro

    Cana Summit 2025 discute fortalecimento do setor canavieiro

    O Cana Summit 2025, principal evento do setor sucroenergético brasileiro, reunirá governadores, senadores, deputados federais e especialistas em Brasília nos dias 2 e 3 de abril para debater estratégias de fortalecimento da cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Promovido pela ORPLANA (Organização de Associações de Produtores de Cana-de-Açúcar do Brasil), o encontro ocorrerá no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). E contará com nove painéis temáticos, abordando desde tributação até o mercado global de etanol.

    Governadores destacam ações estaduais para o setor

    Um dos destaques da programação é o painel “Principais ações dos governos estaduais para o produtor de cana”, que terá a participação dos governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Eduardo Riedel (MS) e Paulo Dantas (AL). Os debates incluirão temas como infraestrutura logística, segurança nas zonas rurais e modelos tributários para reduzir custos aos produtores.

    Senado e Câmara discutem políticas nacionais

    No âmbito federal, o painel “Discussões que afetam o produtor de cana no Senado” contará com os senadores Tereza Cristina, Efraim Filho, Alan Rick, Jorge Seif e Jaime Bagattoli. Eles abordarão medidas legislativas para impulsionar o consumo de etanol e defender os interesses do setor. Já na Câmara, deputados como Ana Paula Junqueira Leão, Marrusa Boldrin, Luciano Amaral, Zé Vitor e Pedro Lupion (presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária) discutirão oportunidades e desafios regulatórios em debate no Congresso.

    ORPLANA reforça papel estratégico do setor

    José Guilherme Nogueira, CEO da ORPLANA, destacou a importância do evento:

    “Junto às principais lideranças econômicas e políticas do Brasil, discutiremos a definição de estratégias e as temáticas prioritárias do setor. Assim como acompanharemos a evolução do que foi debatido na edição anterior do evento. Trata-se de uma grande oportunidade em que teremos a troca de experiências entre produtores, autoridades e especialistas. Além de fortalecer um segmento que é um dos pilares da economia brasileira”.

    O Cana Summit 2025 reúne produtores rurais, gestores do agronegócio e representantes do poder público. Os organizadores disponibilizam as inscrições no site oficial do evento, onde também está disponível a agenda completa dos painéis e a lista de palestrantes confirmados.

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  • Novo Cadastro da Agricultura Familiar começa a operar no Brasil

    Novo Cadastro da Agricultura Familiar começa a operar no Brasil

    O novo sistema do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) 3.0 entra em operação este mês em todo o país. Essa iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) visa simplificar o cadastro e integrar dados. Além de garantir acesso mais eficiente a diversas políticas públicas.

    “A agricultura familiar é muito relevante para o Brasil em termos econômicos e sociais. O novo cadastro cumpre uma função importante de inclusão para apoiar pequenos agricultores. Eles que contribuem significativamente para o consumo doméstico de produtos de qualidade”, afirma Renato Francischelli, Country Director da Ascenza Brasil.

    O CAF 3.0 traz várias inovações, como o fim da etapa de triagem, o cadastro automático para Reforma Agrária, integração com registros de terras e renda, e validade ampliada para a região Norte (cinco anos) e as demais regiões (três anos). Além disso, o sistema permite a marcação de agroecologia para os produtos e identificação dos 28 segmentos dos Povos e Comunidades Tradicionais.

    Beneficiários do CAF

    Podem se cadastrar no CAF agricultores familiares, pescadores artesanais, aquicultores, silvicultores, extrativistas, quilombolas, assentados do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) e formas associativas da agricultura familiar.

    Agricultores familiares já acessaram R$ 43,3 bilhões do Plano Safra da Agricultura Familiar 2024/2025 nos primeiros sete meses. Isso representa um aumento de 6,4% em relação ao mesmo período da safra anterior. O Plano Safra disponibilizou R$ 76 bilhões para apoiar a produção sustentável de alimentos saudáveis.

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