Tag: polinização

  • Estudo da Embrapa revela 27 novas espécies de abelhas nativas na soja

    Estudo da Embrapa revela 27 novas espécies de abelhas nativas na soja

    Pesquisa da Embrapa indica 27 novos registros de abelhas nativas associadas à cultura da soja no Brasil. O estudo, conduzido no sudoeste de Goiás, também aponta que a presença desses insetos silvestres nas lavouras pode aumentar o peso dos grãos em média 7%.

    O levantamento, liderado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), foi realizado nas plantações das regiões de Rio Verde e Montividiu. Entre as 40 espécies encontradas diretamente nas áreas cultivadas, 27 nunca haviam sido citadas pela literatura científica como visitantes da soja. Considerando também as matas nativas do entorno, o número total de espécies identificadas chega a 53, distribuídas em cinco famílias (Apidae, Andrenidae, Megachilidae, Colletidae e Halictidae).

    Treinamento no uso da rede entomológica em áreas de soja. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    Os resultados foram publicados no Journal of Applied Entomology, no artigo intitulado Bioinput Use and Native Vegetation Fragments are Associated With Higher Bee Community Evenness in Large-Scale Soybean Crops. A pesquisa reforça que a conservação dos fragmentos de Cerrado próximos às lavouras não é apenas uma estratégia para a biodiversidade, mas também um fator de ganho econômico e alinhamento com critérios ESG, cada vez mais exigidos pelos mercados internacionais.

    O “filtro invisível” dos defensivos e o impacto na biodiversidade

    Historicamente, o modelo de produção em larga escala da soja tem se apoiado no uso intensivo de inseticidas e fungicidas sintéticos de amplo espectro. No entanto, a pesquisadora da Embrapa, Carmen Pires, explica que essa abordagem atua como um severo “filtro ambiental” sobre a fauna benéfica.

    “Em propriedades com manejo químico altamente intensivo, houve uma queda drástica na equitabilidade das comunidades de abelhas”, afirma Pires. O termo ecológico se refere à distribuição uniforme dos indivíduos entre as diferentes espécies. “O manejo intensivo favorece um pequeno número de espécies resistentes, eliminando as mais especializadas e eficientes na polinização.”

    Coleta de abelhas com rede entomológica. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    A cientista alerta ainda para um erro metodológico comum: avaliar a saúde da lavoura apenas pela abundância bruta de insetos. “Uma área altamente pulverizada pode apresentar um número elevado de insetos, mas quase todos pertencem a uma única espécie. Funcionalmente, a lavoura torna-se um ‘deserto de biodiversidade’.”

    O avanço dos bioinsumos como rota de fuga

    A boa notícia, segundo o estudo, é que existe uma rota de fuga economicamente vantajosa. Propriedades que integraram bioinsumos (bactérias e fungos para controle biológico e fertilização) e reduziram a dependência de químicos de alta toxicidade conseguiram manter comunidades de abelhas mais equilibradas e funcionalmente diversas.

    A transição para biológicos (Classe IV de risco ambiental – pouco perigosos) preserva o ciclo natural e é crucial para as abelhas que constroem ninhos no solo — cerca de 60% das espécies identificadas na região. A agricultura regenerativa, que minimiza o revolvimento da terra e mantém a palhada, protege esses ninhos. “Sem tratores desfazendo abrigos e sem venenos penetrando a terra, essas abelhas podem persistir de uma safra para a outra”, destaca Pires.

    Além disso, a maioria das espécies (44,7%) possui hábitos solitários, dependendo exclusivamente das boas condições ecológicas da fazenda para sobreviver. “O produtor precisa adotar práticas amigáveis para mantê-las vivas. Caso contrário, perderá o bônus de produtividade que elas oferecem gratuitamente”, complementa a pesquisadora.

    O Cerrado como “pulmão” polinizador da fazenda

    A pesquisa também detalha a relação de dependência entre a floresta e a lavoura. Os fragmentos de vegetação nativa do Cerrado atuam como refúgios e “fábricas” de polinizadores.

    Os dados revelaram que a proximidade física com a mata é um fator relevante: quanto maior o afastamento da lavoura em relação às bordas de Cerrado, menores são a riqueza e a abundância de abelhas nativas nas flores de soja. A mata preservada fornece abrigo, locais de nidificação (principalmente para os 18% de espécies que fazem ninhos em troncos) e alimento alternativo quando a soja não está florindo. Sem a floresta vizinha, as abelhas não conseguem colonizar as plantações.

    Números consolidados e nova metodologia

    Os números consolidados do estudo impressionam: do total de 764 abelhas coletadas, 89% eram nativas do Brasil, contra apenas 11% da espécie exótica Apis mellifera (abelha africanizada). Antes desta publicação, revisões científicas registravam apenas 12 espécies nativas associadas à soja. O novo trabalho ampliou esse conhecimento para 40 espécies nas áreas cultivadas, com 27 registros inéditos.

    Armadilhas do tipo “pan trap azul” instaladas em uma área de vegetação natural adjacente ao campo de soja. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    Para chegar a essa precisão, os pesquisadores testaram diferentes metodologias e descobriram que os tradicionais pratos-armadilha (pan traps) são muito mais eficientes que as redes entomológicas. As pan traps foram responsáveis por 95% de todas as capturas (728 indivíduos), identificando 33 espécies, enquanto a rede registrou apenas 7. Segundo o estudo, o uso exclusivo de redes subestima a riqueza biológica real das fazendas de soja.

    “A pesquisa da Embrapa consolida, com dados de campo, que o futuro da agricultura nacional depende do equilíbrio ecológico. Os insetos polinizadores são os amigos invisíveis das lavouras, mas o manejo inadequado pode colocá-los em risco. Proteger as abelhas nativas e o Cerrado que as abriga é, acima de tudo, preservar a economia e a segurança alimentar do Brasil”, conclui Carmen Pires.

  • Abóbora da Copa: conheça a variedade bicolor criada pela Embrapa

    Abóbora da Copa: conheça a variedade bicolor criada pela Embrapa

    Com aparência marcante e cores que lembram a bandeira brasileira, a BRS Brasileirinha se destaca entre as variedades de abóbora. Criada pela Embrapa em 2006, ela surgiu com o objetivo de oferecer ao mercado um produto inovador.

    A história da variedade começou ainda na década de 1990, quando pesquisadores identificaram um fruto incomum em uma plantação de abóboras verdes no Distrito Federal. Ao observarem uma abóbora com coloração bicolor, os especialistas coletaram sementes e iniciaram uma série de estudos para entender a origem da característica.

    Por que isso acontece?

    As análises revelaram que o diferencial é resultado de uma mutação genética espontânea. As tonalidades vibrantes estão associadas à composição nutricional do fruto, que apresenta teores de betacaroteno e luteína.

    A partir dessa descoberta, os pesquisadores realizaram cruzamentos, seleção de plantas e diversas avaliações de campo. Dessa forma, conseguiram preservar a característica bicolor dos frutos e, ao mesmo tempo, aprimorar aspectos como intensidade das cores, formato e resistência a doenças.

    Caracterizada por sua casca lisa e brilhante, a BRS Brasileirinha pode ser consumida como conserva, abobrinha verde ou abóbora seca — Foto: Reprodução/Embrapa

    https://www.instagram.com/p/DZr2roSypNo/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Plantio e colheita

    Para alcançar bom desempenho produtivo, a Embrapa recomenda o cultivo com espaçamento de três metros entre as fileiras e 0,60 metro entre as plantas.

    Já a colheita começa entre 60 e 70 dias após o plantio, período em que os frutos atingem comprimento entre 12 e 18 centímetros, considerado ideal para a comercialização e consumo.

    O potencial produtivo da cultivar varia conforme o estágio de desenvolvimento dos frutos no momento da colheita. Quando destinados ao consumo verde, a produção pode alcançar até 10 frutos por planta.

    Além disso, a Embrapa ressalta que a presença de abelhas polinizadoras é fundamental para garantir melhor pegamento das flores e elevar a produtividade das lavouras.

  • Abelha mandaguari eleva em até 67% a produção de café arábica

    Abelha mandaguari eleva em até 67% a produção de café arábica

    Uma pesquisa da Embrapa Meio Ambiente (SP) e de instituições parceiras comprova que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicado na revista científica Frontiers in Bee Science, o estudo posiciona a polinização manejada como estratégia concreta para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura brasileira.

    A espécie estudada é a Scaptotrigona depilis, popular como abelha mandaguari. Social e pertencente ao grupo dos meliponíneos, ela ocorre em diferentes regiões do Brasil. O ganho de até 67% na produção de frutos, registrado em ramos próximos às colônias, confirma a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se autopolinizar sem depender de outra planta.

    Como os pesquisadores conduziram o estudo

    A equipe instalou colônias em fazendas convencionais na densidade de aproximadamente dez colônias por hectare, antes do início da florada. Para medir o efeito da polinização, os cientistas compararam a produção entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, metodologia que permitiu isolar o ganho de rendimento atribuível à atividade das abelhas.

    Os resultados se encaixam numa linha de pesquisa mais ampla iniciada em 2021 em lavouras comerciais de São Paulo e Minas Gerais. Trabalhos anteriores já haviam estimado um ganho potencial de R$ 22 bilhões por ano com a polinização do café no Brasil. O novo estudo com a mandaguari acrescenta dados inéditos sobre a interação entre insumos químicos e polinizadores nativos em ambientes controlados.

    Pesticidas afetam as colônias? Pesquisa responde

    Além da produtividade, os pesquisadores investigaram se inseticidas neonicotinoides, especificamente o tiametoxam, aplicado em safras anteriores nas áreas convencionais, poderiam prejudicar a saúde das colônias. O monitoramento acompanhou indicadores como produção de cria, mortalidade de larvas e atividade de coleta de alimento e materiais de construção dos ninhos. As avaliações ocorreram em cinco momentos: uma semana antes da florada, uma semana após, e cerca de 45, 75 e 105 dias depois da retirada do talhão.

    Imagem: Embrapa

    A equipe detectou resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em folhas de café, néctar e pólen coletados em campo, confirmando exposição real das abelhas aos neonicotinoides. Ainda assim, os parâmetros avaliados nas colônias não apresentaram impactos estatisticamente significativos. Indicadores de produção e mortalidade de crias não mostraram diferenças relevantes entre colônias em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas. A atividade de coleta registrou variações iniciais entre os sistemas, mas as diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

    Duas conclusões centrais para o setor cafeeiro

    Os autores destacam duas implicações práticas diretas. Primeiro: abelhas sem ferrão funcionam como polinizadoras eficazes do café arábica e elevam a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, sem exigir outra variedade compatível no campo. Segundo: nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias — o que indica que produtores podem conciliar proteção fitossanitária e preservação dos polinizadores.

    “O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis”, afirma a bióloga Jenifer Ramos, primeira autora do estudo e ex-bolsista de inovação na Embrapa Meio Ambiente.

    O coordenador da pesquisa, Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, reforça a relevância do achado para o manejo integrado: “A pesquisa traz evidências importantes de que é possível conciliar o manejo fitossanitário com a manutenção da saúde das colônias de abelhas, desde que se sigam as recomendações técnicas.”

    A rede científica por trás do estudo reúne Embrapa Meio Ambiente, Esalq/USP, UFRGS, Natural England e Eurofins Agroscience Services, com apoio da Syngenta.

    Mercado global pressiona por mais produtividade

    O avanço chega num momento crítico para o café no mundo. A Organização Internacional do Café estimou a produção global no ciclo 2023/24 em 178 milhões de sacas de 60 kg. Enquanto o consumo atingiu 177 milhões, margem mínima que torna o setor vulnerável a qualquer oscilação climática ou quebra de safra. Para 2024/25, a estimativa global recuou para 176,2 milhões de sacas, mantendo o cenário de mercado apertado.

    O consumo mundial segue crescendo cerca de 2% ao ano, impulsionado pela abertura de novos mercados e pela consolidação do café em países tradicionalmente importadores. Essa expansão aumenta a pressão por sistemas produtivos mais eficientes e resilientes.

    Imagem: Embrapa

    O clima extremo agrava o quadro. Relatório da FAO aponta que condições adversas em grandes países produtores contribuíram para a alta de 38,8% nos preços internacionais do café em 2024. Tempo seco e quente no Brasil, estiagem prolongada no Vietnã e excesso de chuvas na Indonésia figuram entre os fatores determinantes.

    Nesse contexto, estratégias que elevam a produtividade sem ampliar áreas cultivadas ganham peso econômico e ambiental. O manejo de polinizadores nativos, como sugere o estudo da Embrapa, desponta como alternativa concreta para reforçar a oferta e aumentar a resiliência da cafeicultura brasileira frente às pressões do clima e do mercado.

  • Muito além do mel: por que as abelhas são essenciais para a alimentação humana e o equilíbrio do planeta

    Muito além do mel: por que as abelhas são essenciais para a alimentação humana e o equilíbrio do planeta

    Pense em um animal cuja existência sustenta boa parte do que está no seu prato. Provavelmente, as abelhas não são a primeira resposta que vem à mente. No entanto, deveriam ser.

    Esses insetos são responsáveis por 70% da polinização das plantas agrícolas no Brasil, segundo a ONU. Além disso, atuam diretamente na regeneração de florestas, na manutenção da biodiversidade e na qualidade nutricional dos alimentos que consumimos diariamente. Portanto, proteger as abelhas é, antes de tudo, proteger a nossa própria alimentação.

    Sem abelhas, sem comida: os números que impressionam

    A dependência da agricultura em relação às abelhas é maior do que a maioria das pessoas imagina. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, 70% das culturas agrícolas globais dependem diretamente da polinização realizada por esses insetos.

    Os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reforçam essa realidade. Segundo o levantamento, 100% das amêndoas dependem das abelhas para se desenvolver. O mesmo vale para 90% das maçãs e mirtilos, 48% dos pêssegos, 27% das laranjas, 16% do algodão e 5% da soja.

    Ou seja: sem abelhas, a produção agrícola mundial entraria em colapso.

    Muito mais que mel: a diversidade que poucos conhecem

    Um erro comum é associar as abelhas apenas à produção de mel e às picadas. Na prática, porém, a grande maioria das espécies não produz mel e tampouco possui ferrão.

    No mundo, existem mais de 20 mil espécies de abelhas, com diferentes tamanhos, cores e hábitos. Na América Latina, as nativas são as meliponas, conhecidas como abelhas sem ferrão, que representam a maioria das mais de quatro mil espécies da região.

    “Uma parcela significativa da população relaciona as abelhas apenas ao mel e às picadas, o que seria um erro, já que a maioria das nossas abelhas não possui ferrão”, explica o diretor da ONG Bee or not to Be.

    (Imagem: Divulgação)

     

    Além disso, a maior parte das abelhas é solitária e não vive em sociedade. Ainda assim, todas atuam como polinizadoras essenciais para os ecossistemas.

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    A polinização: o trabalho invisível que sustenta a vida

    O papel das abelhas acontece, em grande parte, nos bastidores do meio ambiente. Para suprir sua necessidade alimentar, esses insetos visitam uma grande variedade de flores, coletando pólen, sua fonte de proteína, e néctar, fonte de carboidratos.

    Esse movimento, aparentemente simples, tem consequências profundas. Ao transportar o pólen de flor em flor, as abelhas permitem a fertilização das plantas e garantem sua reprodução. Em algumas espécies, esse processo é indispensável para a sobrevivência. Em outras, especialmente nas frutíferas, a polinização influencia diretamente a qualidade nutricional dos frutos.

    “Este serviço de polinização permite a fertilização das plantas e sua reprodução. Em espécies frutíferas, a polinização também está ligada à qualidade nutricional da fruta”, afirma Marina Arbetman, exploradora da National Geographic e doutora em biologia.

    Segundo a FAO, cerca de 85% das plantas com flores presentes em matas e florestas dependeram, em algum momento, da ação de polinizadores como as abelhas.

    Guardiãs do equilíbrio ambiental

    Além da polinização, as abelhas desempenham outro papel fundamental: o de bioindicadoras da qualidade do meio ambiente. Sua presença (ou ausência) em um ecossistema revela muito sobre o estado de conservação daquele território.

    “As abelhas garantem a variação genética tão importante ao desenvolvimento e reprodução das plantas e, com isso, garantem o equilíbrio dos ecossistemas e que existam plantas suficientes para a produção de oxigênio”, explica Ana Bueno, bióloga da ONG Bee or not to Be.

    Portanto, preservar as abelhas não é apenas uma questão ambiental. É, sobretudo, uma questão de segurança alimentar, saúde dos ecossistemas e futuro do planeta.

  • Abelhas nativas elevam produção de acerola em até 103%

    Abelhas nativas elevam produção de acerola em até 103%

    Pesquisadores da Embrapa Semiárido (PE) descobriram que o manejo de abelhas solitárias nativas, especialmente as do gênero Centris, pode elevar a produção de acerola entre 32% e 103%, dependendo das condições de cultivo. Os estudos, realizados no Vale do São Francisco, propõem estratégias acessíveis para aumentar a presença desses polinizadores nos pomares,  com foco na oferta de recursos florais e na criação de locais adequados para nidificação.

    Foto: Lúcia Kiill/Embrapa

    Os benefícios apareceram após a instalação de 840 ninhos-armadilha em plantações irrigadas de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). A taxa de ocupação surpreendeu a equipe: 88,21% das estruturas atraíram abelhas, superando registros de estudos anteriores. O resultado reflete o comportamento das abelhas da tribo Centridini, especialistas na coleta de óleos florais e responsáveis por 91,7% das visitas às flores da acerola nas áreas avaliadas.

    “Mesmo em culturas autopolinizadas, como é o caso da aceroleira, a presença de polinizadores promove incremento significativo na produção. Nas áreas estudadas na Fase I do projeto, os ganhos foram expressivos, o que mostra o impacto direto desses insetos sobre a frutificação e o desenvolvimento dos frutos”, afirma Lúcia Kiill, pesquisadora e coordenadora do estudo.

    O Brasil lidera a produção e a exportação mundial de acerola, com 80% da produção concentrada no Nordeste. Principalmente em Pernambuco, Ceará e Sergipe. Nos perímetros irrigados de Petrolina e Juazeiro, a cultura ocupa cerca de 7 mil hectares e permite até oito colheitas por ano, abastecendo o mercado in natura e a indústria de sucos e polpas, e garantindo renda constante para pequenos e médios produtores.

    Por que as abelhas Centris são tão eficientes na acerola?

    As flores da aceroleira atraem preferencialmente abelhas do gênero Centris, que coletam os óleos florais para construir ninhos e alimentar larvas. Durante esse processo, transferem pólen de flor em flor, o que resulta em maior taxa de frutificação e frutos mais pesados.

    O estudo registrou 11 espécies de abelhas visitando a aceroleira, entre elas Centris aenea, C. tarsata, C. analis, C. obsoleta e C. maranhensis. A Centris aenea se destacou: respondeu por até 95% das visitas florais, demonstrando alta fidelidade à cultura.

    Ao contrário das abelhas melíferas, as do gênero Centris são solitárias. Cada fêmea constrói seu próprio ninho em cavidades naturais ou perfurações no solo. A pesquisa identificou ninhos sob as copas das plantas e em barrancos de canais de irrigação. O que reforça a necessidade de preservar áreas de refúgio próximas aos cultivos.

    Como manejar abelhas polinizadoras na acerola

    A Embrapa recomenda duas estratégias principais para aumentar a presença de Centris nos pomares.

    A primeira é manter, no entorno das plantações, espécies vegetais que forneçam pólen, néctar e óleos florais durante todo o ano. Especialmente nos períodos em que a aceroleira não está em floração. Murici, embira-rosa, pau-ferro, falsa-dormideira e malva-rasteira estão entre as plantas indicadas. A preservação de áreas de Caatinga também contribui como fonte complementar de recursos.

    A segunda estratégia envolve a instalação de ninhos-armadilha confeccionados em blocos de madeira perfurados. Os melhores resultados ocorreram com cavidades entre 10 e 12 milímetros de diâmetro e profundidade de 10 a 14 centímetros. “Orientamos que os ninhos sejam instalados em locais sombreados e protegidos, preferencialmente próximos às áreas onde os insetos nasceram. Essa prática estimula o retorno e a permanência das abelhas”, explica Kiill.

    Nova fase amplia o projeto para cultivos convencionais e orgânicos

    Em parceria com a Niagro, agroindústria líder no processamento de acerola na região, e outras 12 propriedades do Vale do São Francisco, o projeto entra em nova etapa para validar o uso de ninhos-armadilha em cultivos convencionais e orgânicos.

    As áreas passam por análise de cobertura vegetal, disponibilidade hídrica, infraestrutura e conectividade com fragmentos de Caatinga. O projeto também prevê capacitação para produtores, técnicos, jovens e mulheres rurais, com o objetivo de disseminar práticas de manejo e conservação de polinizadores.

    Para Kiill, a presença de abelhas nativas nos cultivos é um sinal de equilíbrio ambiental. “Preservá-las e manejá-las é investir em produtividade com responsabilidade. Esperamos que esse trabalho fortaleça a adoção de práticas que garantam a conservação dos polinizadores e ampliem os ganhos dos produtores do Semiárido”, conclui.

  • Minas reúne setor para discutir soluções contra efeitos da crise climática na produção de mel

    Minas reúne setor para discutir soluções contra efeitos da crise climática na produção de mel

    Mais de 1.500 pessoas ocupam o Parque João Alencar Athayde, em Montes Claros, até esta sexta-feira, para debater um dos maiores desafios da apicultura brasileira: os impactos da crise climática na produção de mel e na polinização. O 5º Congresso Mineiro de Apicultura e Meliponicultura e o 22º Seminário de Apicultura do Norte de Minas acontecem em um contexto estratégico, às vésperas da COP-30.

    A Federação Mineira de Apicultura (Femap) organiza o evento em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Produtores, técnicos, pesquisadores e representantes de entidades trocam experiências e buscam soluções conjuntas para proteger o setor.

    O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, recebeu homenagem durante a abertura do congresso pelo apoio ao desenvolvimento da apicultura em Minas Gerais. Ele destacou a relevância da atividade para a agricultura familiar.

    “Milhares de produtores trabalham nesta cadeia e agregam valor no mel e no propólis. A Secretaria de Agricultura está presente, com a Emater, o IMA e a Epamig, trabalhando junto aos produtores e à Femap para fortalecer cada vez mais este setor”, afirmou Fernandes.

    O evento também homenageou líderes do Sebrae-MG, Faemg/Senar, Codevasf e Ocemg, parceiros da iniciativa.

    Mudanças climáticas ameaçam abelhas e segurança alimentar

    Os efeitos negativos da crise climática dominam as discussões do congresso. O vice-presidente da Femap, Elizeu Araújo, alerta para a urgência do tema.

    “A mudança climática prejudica a produção de mel e afeta negativamente a biodiversidade e a segurança alimentar global, devido à dependência da polinização para a produção de alimentos. Precisamos debater e encontrar uma saída”, destacou Araújo.

    O evento oferece palestras, painéis, oficinas e uma feira de produtos apícolas e novas tecnologias para o setor.

    A escolha de Montes Claros como sede reflete a importância histórica e produtiva do Norte de Minas para a apicultura. A região, junto com o Vale do Jequitinhonha, concentra o maior número de abelhas do estado e produz o mel de aroeira, reconhecido por seus comprovados poderes medicinais.

    A apicultura mineira movimenta números expressivos. O estado produz, em média, 7,67 mil toneladas de mel por ano, segundo dados da Emater-MG. A região Central lidera a produção estadual com 1.757.993 kg de mel, o que representa 22,90% do total. O Centro-Oeste mineiro vem em segundo lugar, com 1.415.230 kg (18,43%), seguido pelo Norte de Minas com 1.099.954 kg (14,33%) e Jequitinhonha/Mucuri com 1.053.190 kg (13,72%).

    Agricultura familiar sustenta 80% da produção de mel

    A agricultura familiar responde por aproximadamente 80% da produção de mel em Minas Gerais e cerca de 70% da produção de própolis. Dos 9.229 produtores do estado, 7.526 são agricultores familiares.

    O mel mineiro alcança mercados internacionais exigentes, como União Europeia, Reino Unido, Japão e Canadá.

    A Seapa apoia o setor com ações concretas. Em 2025, o governo estadual investiu mais de R$ 1,6 milhão na compra de 455 kits de apicultura, distribuídos em várias regiões mineiras.

    Cada kit inclui cinco colmeias, carretilhas, cera de abelha, formão, fumigador, garfo desoperculador e equipamentos de segurança. A estrutura pode produzir entre 100 e 125 kg de mel por ano, além de própolis, pólen, cera e geleia real.

    A diversificação também fortalece a rentabilidade da apicultura mineira. Em 2023, o estado produziu cerca de 260 toneladas de própolis, conquistando o primeiro lugar nacional na produção de própolis verde.

  • Árvore que mata abelhas é proibida em Santa Catarina

    Árvore que mata abelhas é proibida em Santa Catarina

    O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) iniciou uma campanha para eliminar uma velha conhecida das ruas e praças do estado: a espatódea (Spathodea campanulata). Embora suas flores alaranjadas chamem atenção, a espécie esconde um perigo real para as abelhas. Por isso, o governo decidiu proibir o plantio, a produção e a manutenção dessa árvore em todo o território catarinense.

    A espatódea veio da África Ocidental e se espalhou pelo Brasil porque cresce rápido e tem aspecto ornamental. No entanto, pesquisadores descobriram que o néctar, o pólen e até a mucilagem das flores contêm substâncias tóxicas capazes de matar abelhas nativas. Além disso, o veneno também afeta a Apis mellifera, espécie exótica utilizada na produção de mel.

    Abelhas em risco e ameaça à agricultura

    As abelhas polinizam a maior parte das frutas, legumes e grãos produzidos no país. Por isso, quando morrem intoxicadas, toda a cadeia natural e agrícola sofre as consequências. Sem elas, muitas lavouras não produzem e as florestas têm dificuldade em se regenerar.

    “A publicação dessa lei é um passo importante para que cada vez mais a sociedade aprenda e se envolva no manejo consciente e responsável das espécies da flora e da fauna que lidam no dia a dia, buscando promover mais equilíbrio ambiental do que impactos”, afirma Elaine Zuchiwschi, coordenadora do Programa Estadual de Espécies Exóticas Invasoras do IMA.

    Foto: Divulgação – IMA/SC

    O que determina a lei catarinense

    A Lei Estadual nº 17694 de 2019 proíbe o plantio, a produção e a manutenção da espatódea em Santa Catarina. Dessa forma, os exemplares existentes devem ser cortados e substituídos por árvores nativas. O descumprimento da norma pode gerar multa.

    Nos espaços públicos, as prefeituras devem coordenar o manejo. Já nas propriedades privadas, o corte precisa de autorização municipal. Nas Áreas de Preservação Permanente, o morador pode fazer a remoção sem autorização, desde que realize o reflorestamento com acompanhamento técnico.

    Árvores nativas indicadas para substituição

    O IMA sugere que cada região priorize espécies nativas adaptadas ao clima e ao solo local. Essa substituição contribui para restaurar o equilíbrio ambiental e proteger a fauna.

    • Região litorânea: mangue formiga, aroeira e ingá cipó.

    • Mata Atlântica: ipê amarelo, pau angelim e corticeira.

    • Planalto e serra: canafístula, camboatá e caroba.

    • Região oeste: ipê roxo, timbaúva e canjerana.

    Sociedade é chamada a participar

    O IMA reforça que a colaboração da sociedade é essencial. Por isso, convida viveiristas, paisagistas e cidadãos a substituírem a espatódea por espécies nativas. A ação contribui diretamente para a proteção das abelhas e para a manutenção da polinização, processo vital para o equilíbrio ecológico e a produção de alimentos.

    Além disso, o órgão destaca que preservar as abelhas significa proteger a base da vida no campo e nas cidades. Elas garantem que as plantas se reproduzam, sustentam o alimento dos animais e mantêm o ciclo natural funcionando.

  • Ataques de abelhas: especialista orienta como se proteger

    Ataques de abelhas: especialista orienta como se proteger

    Os casos de ataques de abelhas em áreas urbanas chamam a atenção em Santa Catarina principalmente na primavera e no verão. Esses insetos, embora fundamentais para o equilíbrio ambiental e para a agricultura, podem gerar situações de risco quando as colônias se instalam próximo à circulação de pessoas.

    Durante as estações mais quentes, as colônias crescem e ficam mais populosas. Rodrigo Cunha, chefe da Divisão de Estudos Apícolas da Epagri, esclarece um ponto importante: as abelhas não são agressivas, são defensivas.

    “Elas só atacam quando percebem que sua colmeia está ameaçada”, explica o especialista. O problema ocorre quando enxames se instalam em telhados, árvores ocas, bueiros, entulhos ou galpões e acabam perturbados por barulho, vibrações ou movimentações comuns do dia a dia.

    Atividades rotineiras como corte de grama, obras ou simples movimentações podem perturbar um enxame. Quando isso acontece, as abelhas interpretam a situação como uma ameaça e desencadeiam uma reação de ataque para proteger a colônia.

    A compreensão desse comportamento defensivo ajuda a população a evitar situações de risco e a tomar as precauções necessárias ao identificar a presença de abelhas nas proximidades.

    O que fazer durante um ataque: orientações essenciais

    Se um enxame desencadear um ataque, a Epagri orienta:

    Ação imediata:
    • Afaste-se imediatamente do local, de preferência correndo em zigue-zague
    • Busque abrigo em ambiente fechado (casa, comércio ou veículo)
    Primeiros socorros:
    • Retire os ferrões raspando a pele com uma lâmina ou cartão
    • Nunca aperte os ferrões com os dedos
    • Lave a região com água corrente
    • Aplique gelo para reduzir o inchaço
    Quando buscar atendimento médico:
    • Em casos de múltiplas ferroadas
    • Se surgirem sinais de reação alérgica
    • Sintomas como falta de ar, inchaço generalizado ou queda de pressão

    Rodrigo alerta que qualquer pessoa pode entrar em risco de morte após uma grande quantidade de ferroadas. Indivíduos alérgicos podem sofrer reações graves até mesmo com apenas uma picada.

    Enxameação: fenômeno natural aumenta presença urbana

    A primavera e o verão trazem o fenômeno da enxameação. Nesse período, a colônia de abelhas se divide e parte da família migra para ocupar um novo local. Outro fenômeno comum é o abandono da colmeia, quando toda a família deixa a colônia em busca de outro abrigo.

    Em ambos os casos, esses enxames frequentemente se deslocam até ambientes urbanos procurando locais adequados para se instalar.

    Enxames temporários em árvores e varandas: como identificar

    A população catarinense observa com relativa frequência enxames de abelhas se amontoando temporariamente em árvores, varandas ou beirais de casas. Rodrigo explica que essas aglomerações representam apenas uma “parada” antes de seguirem para outro local.

    “Isso pode acontecer em poucas horas ou dias. Nessas situações, o ideal é não mexer e apenas manter distância e isolar o local”, recomenda o especialista.

    A situação muda quando o enxame se fixa em um ponto que oferece risco. Locais próximos a áreas de circulação de pessoas, escolas, creches ou ambientes com animais exigem atenção especial.

    Rodrigo recomenda acionar um serviço profissional para a retirada do enxame. “Nunca tente retirar a colmeia por conta própria. A falta de conhecimento e equipamentos de proteção pode desencadear um ataque grave”, alerta.

    Polinização: o serviço essencial que vai além do mel

    As abelhas prestam um serviço fundamental para a humanidade que ultrapassa a produção de mel: a polinização. Estudos estimam que 75% das plantas agricultáveis do mundo dependem desses insetos para produzir.

    As plantas nativas também dependem das abelhas para sobreviver. A taxa de dependência varia de 30 a 80% entre as diferentes espécies vegetais. “Sem esse trabalho, haveria queda na produção de frutas, hortaliças e grãos, além de impactos severos na biodiversidade”, ressalta Rodrigo.

    A compreensão da importância ecológica das abelhas ajuda a população a conviver de forma mais harmônica com esses insetos essenciais, respeitando seu papel na natureza enquanto adota medidas de segurança apropriadas.

  • Polinização animal impulsiona 12,6% da agricultura paranaense

    Polinização animal impulsiona 12,6% da agricultura paranaense

    A polinização animal foi responsável por 12,6% do valor da produção agrícola do Paraná em 2023, segundo o estudo “Contribuição dos Polinizadores para as Produções Agrícola e Extrativista do Brasil”, divulgado pelo IBGE. O índice representa um crescimento acima da média nacional desde 2018.

    O levantamento destaca que o Paraná teve um aumento médio de 0,33 pontos percentuais em cinco anos, superando o crescimento nacional de 0,27 pontos percentuais no mesmo período. Essa tendência demonstra a importância crescente da ação de polinizadores para a economia agrícola do Estado.

    No Brasil, cerca de 75% das culturas dependem da polinização realizada por animais como abelhas, aves e morcegos. Estes agentes são fundamentais para elevar a produtividade, melhorar a qualidade dos frutos e garantir a segurança alimentar da população.

    O que é polinização?

    A polinização consiste na transferência de pólen entre as flores, processo essencial para a formação de frutos e sementes. Além da ação animal, o pólen pode ser levado pelo vento, água ou gravidade, mas a contribuição dos polinizadores vivos é determinante em grande parte das culturas.

    Em 2023, 300 municípios paranaenses tiveram mais de 10% do valor agrícola impactado pela polinização animal, um crescimento de 6% em relação a 2018, quando 283 cidades estavam nessa situação. Destaque para Rio Branco do Sul, que teve a maior dependência, com 40,52% da produção agrícola vinculada a polinizadores.

    De acordo com o estudo, outros municípios com alta contribuição são Doutor Ulysses (34,22%), Cerro Azul (32,46%) e Morretes (31,94%). Essa distribuição ressalta a relevância dos polinizadores em diferentes regiões do Estado.

    Além do benefício ambiental, a polinização animal eleva a produtividade agrícola. Produtores de soja do Paraná, amparados por pesquisas da Embrapa, relatam aumento de até 13% na produtividade graças à polinização pelas abelhas. Eduardo Mazzuchelli, coordenador do IDR-Paraná, explica que a presença dos polinizadores permite que as vagens passem a ter até quatro ou cinco grãos, contra os dois ou três habituais.

    Programas estaduais

    O IDR-Paraná também incentiva a integração da produção agrícola com a criação de abelhas. Assim,  proporcionando uma fonte de renda adicional para os agricultores, que podem comercializar mel de alta qualidade. O mel das colmeias manejadas corretamente é valorizado pela indústria por sua cor clara e dificuldade de cristalização, com produção anual podendo chegar a 50 quilos.

    Para fortalecer a preservação dos polinizadores, o estado mantém o projeto Poliniza Paraná. Desenvolvido pela Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), o programa promove a criação de jardins com colmeias de abelhas nativas sem ferrão, reforçando a biodiversidade local.

    Desde seu lançamento em janeiro de 2022, o programa implantou 205 meliponários em 29 municípios, distribuídos em parques urbanos e unidades de conservação. Pontos estratégicos, como os Palácios Iguaçu e das Araucárias, além da própria Sedest em Curitiba, também recebem o projeto.

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  • Abelhas mais saudáveis ajudam a preservar o equilíbrio dos ecossistemas

    Abelhas mais saudáveis ajudam a preservar o equilíbrio dos ecossistemas

    Durante a entressafra, quando há menor oferta de néctar e pólen, as abelhas sofrem com a falta de nutrientes essenciais. Esse cenário pode comprometer a saúde dos enxames e reduzir a eficiência da polinização, processo vital para a reprodução de mais de 70% das espécies de plantas cultivadas no mundo.

    Um suplemento nutricional desenvolvido por uma empresa do Rio Grande do Sul está ajudando a manter colmeias saudáveis e ativas durante períodos de escassez de flores, contribuindo diretamente para o equilíbrio dos ecossistemas e a produtividade agrícola no Brasil.

    Segundo Cesar Souza, diretor executivo da Védera, empresa responsável pelo desenvolvimento do suplemento em pó, a baixa oferta de nutrientes naturais reduz o metabolismo das abelhas, enfraquece os enxames e ameaça o papel desses polinizadores no ciclo ecológico. “Preservar a saúde das abelhas significa preservar cadeias inteiras de vida, do alimento ao solo”, destaca Souza.

    Resultados positivos no campo

    O apicultor Alisson Paulinelli, dos Apiários Paulinelli (RS), utiliza o suplemento há dois anos em suas 220 colmeias e relata melhorias significativas. “Na entressafra e também no final da primavera, percebo aumento na postura das rainhas e maior atividade dos enxames. As abelhas permanecem ativas, o que mantém o ciclo ecológico funcionando”, afirma.

    Já o professor Eduardo Ferreira, do Instituto Federal do Espírito Santo – Campus Santa Teresa, criador de abelhas sem ferrão, destaca que o suplemento Melero evita a queda de postura mesmo nos períodos mais secos. “Conseguimos manter a saúde das colmeias em níveis semelhantes aos da primavera, o que é raro nessa época. Isso impacta diretamente a continuidade da polinização.”

    Preservação ambiental e produtividade

    Com mais de 2 milhões de colmeias, o Brasil é um dos maiores produtores de mel do mundo. No entanto, além da produção, o país enfrenta o desafio de conservar sua biodiversidade, na qual as abelhas desempenham papel fundamental. Investir na saúde desses polinizadores é garantir a sustentabilidade dos ecossistemas e a segurança alimentar do futuro.

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