Tag: pólen

  • Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Quem olha rápido para uma espiga de milho pode até achar que aqueles fios dourados são apenas uma camada incômoda antes do preparo. Mas é justamente ali que acontece uma das etapas mais importantes da produção.

    https://youtube.com/shorts/fAmsEiJp3Vw?si=zTKUYadcn5J2OpSM

    O chamado “cabelo” do milho, conhecido tecnicamente como estigma ou seda, funciona como a parte feminina da planta. Na prática, isso significa que uma espiga só consegue formar um grão quando aquele fio específico recebe o pólen vindo do pendão, a estrutura masculina localizada no topo da planta.

    Um fio pode definir produtividade

    O processo parece simples, mas é extremamente sensível. O pólen cai sobre o cabelo do milho e percorre o interior do fio até alcançar o óvulo na espiga. A partir daí, ocorre a fecundação que origina o grão.

    É por isso que falhas na polinização costumam aparecer diretamente na espiga, deixando espaços vazios entre os grãos. Em muitos casos, calor excessivo, estiagem ou baixa emissão de pólen comprometem essa etapa silenciosa da lavoura.

    Além disso, a quantidade de cabelos visíveis também serve como um indicativo do potencial produtivo da espiga. Quanto mais fios férteis e bem polinizados, maior a chance de uma formação completa de grãos.

    Também está nos chás e receitas

    Apesar de quase sempre ir para o lixo, o cabelo do milho também tem modos de uso variados. Em várias regiões, ele é utilizado em chás e preparos caseiros por conta das propriedades associadas à ação diurética, antioxidante e anti-inflamatória.

    Além dos usos medicinais populares, algumas receitas incorporam a seda em saladas, caldos e sopas. Ainda assim, a maior importância continua ligada ao desenvolvimento da planta.

  • Novo método detecta pesticidas no pólen de laranjeira

    Novo método detecta pesticidas no pólen de laranjeira

    Pesquisadores da Unicamp e da Embrapa Meio Ambiente criaram um método para detectar resíduos de pesticidas no pólen de laranjeira. A técnica usa menos insumos e garante alta precisão. O processo consome 100 vezes menos amostras que métodos tradicionais. Também reduz solventes e reagentes, diminuindo custos e impacto ambiental.

    Por que o método é importante

    O Brasil é o maior produtor mundial de laranja. Em 2023, colheu mais de 17,6 milhões de toneladas, segundo o IBGE. O setor enfrenta críticas pelo uso intenso de pesticidas para combater pragas e doenças. Esses produtos, como os neonicotinóides, permanecem na planta e podem contaminar o pólen.

    A contaminação afeta abelhas e outros polinizadores. Esses insetos são essenciais para a agricultura e a biodiversidade.

    Como funciona a análise?

    Os pesquisadores aplicaram a técnica de micro-QuEChERS, desenvolvida nos anos 2000. Essa abordagem é rápida, econômica, eficaz e segura. Eles combinaram a técnica com cromatografia líquida de ultra eficiência e espectrometria de massas (UHPLC-MS/MS). Essa associação permite identificar moléculas e quantificar resíduos.

    A microextração adaptada usa apenas 100 mg de pólen. O método gera menos resíduos e segue conceitos de química verde. Durante os testes, os cientistas analisaram inseticidas como imidacloprido, clotianidina e tiametoxam, além de abamectina, azoxistrobina e carbendazim.

    Você também pode gostar:
    + Agro em Campo: Requeima e pragas ameaçam lavouras de batata e tomate
    + Agro em Campo: Governo de Minas facilita produção de cachaça

    Riscos para abelhas e polinizadores

    Foto: divulgação – Embrapa / Gabriela Almeida

    Neonicotinóides são associados a efeitos adversos em abelhas. Eles causam alterações comportamentais, fisiológicas e imunológicas.
    A exposição ocorre pelo contato com superfícies tratadas ou pela ingestão de néctar e pólen contaminados. Isso pode levar à desorientação e intoxicação.

    Na União Europeia, esses produtos sofreram restrições em 2018. No Brasil, as limitações começaram apenas em 2022, mas os pesticidas continuam em uso.

    Custos menores e mais sustentabilidade

    O novo método utiliza dez vezes menos reagentes que o QuEChERS original. Isso reduz custos e impacto ambiental. O equipamento necessário já existe na maioria dos laboratórios de resíduos de agrotóxicos. Essa facilidade amplia a aplicação da técnica.

    A validação segue critérios da diretriz SANTE, da Comissão Europeia. Isso garante resultados confiáveis e livres de interferências do pólen.

    Impacto na agricultura e na saúde

    A inovação ajuda a monitorar resíduos em matrizes pouco estudadas, como o pólen. Também incentiva pesquisas em outras culturas. Para os pesquisadores, miniaturizar o método é estratégico. A tecnologia torna as análises acessíveis, sustentáveis e seguras.

    O objetivo é ampliar o monitoramento nas cadeias produtivas. Isso fortalece a agricultura sustentável e protege polinizadores.