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  • Algodão atinge maior preço em nove meses no Brasil

    Algodão atinge maior preço em nove meses no Brasil

    Os preços do algodão em pluma seguem em alta no Brasil e sustentam o mercado interno. O Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em oito dias, alcança o maior patamar nominal desde julho de 2025.

    Esse avanço ocorre devido às cotações internacionais mais firmes e à postura cautelosa dos vendedores. Além disso, o período de entressafra reduz a oferta e reforça a valorização da pluma no país.

    Os preços elevados do petróleo também influenciam o mercado e sustentam os custos de produção. As condições climáticas no Brasil e nos Estados Unidos contribuem para o cenário de alta.

    No mercado spot, agentes realizam negociações pontuais para atender demandas imediatas. As compras focam na reposição de estoques e evitam volumes elevados neste momento.

    O volume mais amplo de negócios segue limitado pelo desencontro entre expectativas de preços. Os compradores e os vendedores mantêm posições divergentes, o que reduz a liquidez do mercado.

    Do lado da demanda, indústrias enfrentam dificuldades para repassar os custos ao consumidor final. Os reajustes na matéria-prima e em outros insumos pressionam a cadeia produtiva. As vendas no varejo continuam enfraquecidas e impactam o consumo de produtos têxteis.

    Esse cenário mantém as compras cautelosas ao longo de toda a cadeia. Os juros elevados reduzem o consumo e dificultam o acesso ao crédito. O alto endividamento das famílias também limita a demanda por produtos. A inflação persistente contribui para restringir ainda mais o consumo no mercado interno.

  • Brasil deve manter protagonismo no algodão global em 2026

    Brasil deve manter protagonismo no algodão global em 2026

    O Brasil deve manter papel central no mercado global de algodão na temporada 2025/26, mesmo com demanda moderada. A avaliação é de pesquisadores do Cepea, que destacam a força da produção e das exportações brasileiras. A produção nacional pode recuar levemente frente ao recorde anterior. Ainda assim, o volume deve ser o segundo maior da história do país.

    Exportações

    As exportações seguem firmes e continuam como principal canal de escoamento da ampla oferta interna.
    Esse desempenho sustenta o protagonismo brasileiro no comércio internacional do algodão.

    Sustentabilidade e rastreabilidade

    Segundo a Conab, a redução de área no Centro-Sul tende a ser parcialmente compensada pelo avanço no Norte e Nordeste. O resultado depende diretamente do desempenho da produtividade nas lavouras. No mercado externo, o Brasil se destaca pela escala produtiva e pela elevada competitividade. Além disso, o país avança em rastreabilidade e sustentabilidade, fatores cada vez mais exigidos pelos compradores.

    O comportamento do dólar segue decisivo para a remuneração dos negócios. Por isso, produtores e agentes acompanham de perto a paridade de exportação frente aos preços internos.

    De olho no campo

    No campo, a área cultivada com algodão deve crescer apenas 0,7% na safra 2025/26. A área total deve alcançar 2,1 milhões de hectares, conforme estimativas da Conab.

    O Norte e Nordeste devem registrar avanço de 4% na área plantada. Em contrapartida, o Centro-Sul deve apresentar retração de 0,4%. A produtividade média é estimada em 1.885 quilos por hectare. O número representa queda de 3,5% em relação à safra anterior. Com isso, a produção deve somar 3,96 milhões de toneladas de pluma. O volume indica recuo anual de 2,9%.

    No cenário global, o USDA projeta aumento de 0,4% na oferta mundial de algodão. O avanço ocorre em relação à temporada 2024/25. Mesmo assim, o Brasil deve liderar as exportações globais. Os embarques podem alcançar 3,157 milhões de toneladas em 2025/26. O volume representa alta de 11,4% frente à safra anterior. Além disso, supera em 18,9% as exportações previstas dos Estados Unidos.

  • Produtores de algodão lidam com escassez de pluma premium e incertezas externas

    Produtores de algodão lidam com escassez de pluma premium e incertezas externas

    Com a colheita da safra 2024/25 em ritmo acelerado no Centro-Oeste, produtores de algodão enfrentam um mercado desafiador. Ou seja, parte da safra ainda não foi comercializada, e os preços seguem pressionados por fatores distintos.

    A escassez de algodão de alta qualidade no mercado interno tem sustentado os preços. Ao mesmo tempo, a recente guerra comercial entre Estados Unidos e China gera incertezas nas exportações globais da fibra. Corretores e analistas informam que grande parte do algodão premium já foi exportada ou está comprometida para embarque. Por isso, a baixa oferta aliada à demanda crescente tem impulsionado a valorização da pluma. Em geral, esse cenário favorece os produtores que ainda mantêm estoques de qualidade. No entanto, para garantir bons resultados, será essencial investir em práticas eficazes no campo.

    Maturação da fibra influencia a qualidade da colheita de algodão

    O agrônomo Augusto Sanches, coordenador técnico de mercado da Nitro, orienta que os produtores fiquem atentos à maturação da fibra. Ele ressalta que o uso de maturadores permite uma colheita mais uniforme e melhora o padrão da pluma. “O estágio de maturação da fibra é determinante para a qualidade do algodão”, explica Sanches. “Além disso, o controle de plantas daninhas evita contaminações que reduzem o valor da produção”, completa.

    Nutrientes e aminoácidos garantem peso e qualidade do capulho

    Sanches destaca que o enchimento das maçãs é uma fase crítica para o potencial produtivo da lavoura. Nesse período, a planta transfere os fotoassimilados para os órgãos reprodutivos. “A aplicação de nutrientes como potássio, magnésio, boro e aminoácidos mantém o metabolismo ativo. Isso favorece o peso e a qualidade do capulho”, afirma o agrônomo.

    Controle preventivo reduz impacto de pragas e doenças

    Doenças como mancha-alvo e ramulária exigem atenção redobrada neste momento da safra. Segundo Sanches, o manejo preventivo é a melhor estratégia no combate a essas doenças. “O ideal é iniciar o uso de defensivos biológicos no início do ciclo. Assim, evita-se o aumento da pressão no final da safra”, recomenda.

    O controle do bicudo-do-algodoeiro ainda depende de soluções químicas. Portanto, para essa praga, o manejo integrado permanece essencial para proteger a produção.

    Lagartas exigem estratégias combinadas no manejo de pragas

    As lagartas atacam diretamente as maçãs e prejudicam a produtividade. Sanches orienta o uso de tecnologias biológicas baseadas em vírus, combinadas com defensivos químicos. “Essa estratégia protege as estruturas reprodutivas e garante a manutenção do rendimento final”, observa.

    Cenário internacional pode favorecer algodão brasileiro no médio prazo

    O conflito comercial entre EUA e China impacta os fluxos globais da fibra. O governo americano aumentou as tarifas sobre produtos chineses, o que pode alterar o cenário das importações. Se a China reduzir a compra de algodão americano, o Brasil pode ocupar esse espaço. “Mas ainda é cedo para medir o impacto. A China também está investindo em produção interna”, pondera Sanches.

    De acordo com o USDA, a China deve produzir 27,1 milhões de fardos em 2024/25. Já o Brasil caminha para uma safra recorde: 3,89 milhões de toneladas de pluma, alta de 5,1% sobre o ciclo anterior, segundo a Conab.

    Qualidade será chave para aproveitar janelas de valorização

    Apesar da boa expectativa de produção, o mercado permanece volátil no curto prazo. Além disso, as disputas comerciais continuam provocando oscilações nos preços internacionais. Especialistas indicam que pode haver recuperação dos preços, impulsionada pela competição com soja e milho. Sanches alerta que a qualidade será o diferencial nas vendas futuras. “O produtor que ainda não vendeu precisa investir em manejo e qualidade. Assim, terá chances de aproveitar valorizações pontuais”, conclui.

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