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  • Flor-Cadáver, com cheiro de carne podre, floresce em fenômeno raro

    Flor-Cadáver, com cheiro de carne podre, floresce em fenômeno raro

    O Jardim Botânico da Universidade de Varsóvia recebeu, em 5 de agosto, um espetáculo raro: o florescimento da Amorphophallus titanum, a famosa flor-cadáver. Considerada a flor mais fedorenta do mundo, ela liberou odor semelhante ao de carne em decomposição para atrair besouros e moscas necrófagas, garantindo a polinização natural.

    O fenômeno, registrado apenas pela segunda vez na Polônia, ganhou transmissão ao vivo pelo YouTube e atraiu centenas de visitantes. Em poucos dias, a flor atingiu o auge e murchou rapidamente, surpreendendo especialistas pela velocidade do ciclo.

    Originária de Sumatra, na Indonésia, a flor-cadáver pertence à família Araceae e pode atingir até 3 metros de altura. Ela precisa de um ciclo vegetativo de 7 a 10 anos para acumular energia suficiente na corme subterrânea, que chega a pesar mais de 50 kg.

    Foto: @OgrodBotanicznyUW

    A inflorescência se forma com uma espádice envolta por uma espata verde-clara por fora e púrpura por dentro. Durante o florescimento, a planta libera calor — fenômeno chamado termogênese — para intensificar o cheiro e atrair polinizadores a longas distâncias.

    O cultivo da flor-cadáver exige solo arenoso-humífero, rico em matéria orgânica e, além disso, bem drenado, com pH neutro ou levemente ácido. Além disso, a temperatura ideal gira em torno de 22 °C, enquanto a umidade precisa se manter próxima de 75%, com preferência por áreas de meia-sombra. Para completar, produtores controlam a irrigação e aplicam adubação rica em potássio e fósforo, garantindo assim o acúmulo de reservas para o próximo florescimento.

    O que o agro pode aprender com o manejo da flor-cadáver

    Foto: @OgrodBotanicznyUW

    No setor agro, o manejo dessa espécie reforça a importância de unir nutrição de plantas, controle de microclima e respeito ao ciclo natural. Dessa forma, essas práticas não apenas favorecem o desenvolvimento saudável, como também podem aumentar a produtividade de culturas sensíveis e de alto valor agregado.

    O breve desabrochar da flor-cadáver mostra que, assim como na agricultura, a paciência e o manejo preciso transformam anos de espera em resultados extraordinários.

  • Planta parasita rara é descoberta em Minas

    Planta parasita rara é descoberta em Minas

    Uma planta parasita rara, a Helosis brasiliensis Schott & Endl., foi encontrada em junho nas trilhas da Fazenda Santa Helena, em Maria da Fé. Essa fazenda é conhecida pela produção do Azeite Monasto. A espécie é uma erva carnosa, aclorofilada e holoparasita, pertencente à família Balanophoraceae.

    A olivicultora Rosana Chiavassa avistou a planta durante uma caminhada com seu filho. Curiosa sobre a descoberta, ela procurou o Campo Experimental da Epamig em Maria da Fé para identificar a espécie. A botânica e pesquisadora Carolina Ruiz Zambon confirmou o achado. “Essas plantas são difíceis de encontrar. Suas estruturas vegetativas ficam quase sempre subterrâneas e só aparecem quando emitem flores”, explica.

    A equipe coletou as amostras e as encaminhou ao Herbário PAMG da Epamig. No local, os pesquisadores herborizaram o material e montaram exsicatas — plantas prensadas e secas acompanhadas de informações sobre a coleta. A pesquisadora e curadora do Herbário, Andréia Fonseca, destaca que essa planta ocorre principalmente na Bahia e em estados do Sul e Sudeste. “Este é um registro importante que amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie”, afirma.

    Rosana ressalta a importância da ação: “Queríamos garantir a preservação e o estudo da planta. A Epamig nos ajudou a identificar sua raridade”. Carolina Zambon destaca que essa colaboração contribui para o avanço do conhecimento científico e para a conservação ambiental.

    O Herbário PAMG possui atualmente 59.784 exsicatas, principalmente de Minas Gerais. Desde 2020, o acervo passa por informatização e 11 mil amostras já estão disponíveis online na rede SpeciesLink. Segundo Andréia Fonseca, os herbários são fundamentais para entender a conservação das espécies e para a tomada de decisões ambientais. “Eles registram a ocorrência das plantas ao longo do tempo, ajudam a analisar o estado das populações e a formular estratégias de proteção”, conclui.

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  • Planta criada em laboratório reproduz benefícios do leite materno

    Planta criada em laboratório reproduz benefícios do leite materno

    Cientistas modificam geneticamente planta similar ao tabaco para produzir nutrientes do leite materno. Os Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, desenvolveram uma técnica revolucionária para produzir oligossacarídeos do leite humano (HMOs) – nutrientes essenciais encontrados no leite materno – usando uma planta geneticamente modificada.

    Esse avanço pode levar a fórmulas infantis mais nutritivas e acessíveis, aproximando-as ainda mais dos benefícios do aleitamento materno. “Imagine ser capaz de produzir todos os oligossacarídeos do leite humano em uma única planta. Então, você poderia simplesmente moer essa planta, extrair todos os oligossacarídeos simultaneamente e adicionar isso diretamente na fórmula infantil,” explicou o Dr. Patrick Shih, biólogo vegetal e microbiano que liderou o estudo, em entrevista para o The Guardian.

    Shih, ainda completou, “haveria muitos desafios na implementação e comercialização, mas esse é o grande objetivo que estamos tentando alcançar.”

    Leite materno

    O leite materno contém cerca de 200 diferentes HMOs, sendo o terceiro componente sólido mais abundante. Embora indigeríveis para o bebê, os HMOs servem como alimento crucial para as bactérias intestinais benéficas nas primeiras semanas de vida. Ao promover uma microbiota saudável, os HMOs estão associados a um menor risco de infecções virais e bacterianas, além de potenciais outros benefícios à saúde.

    Foto: Divulgação – Fiocruz

    Atualmente, apenas um pequeno número de HMOs pode ser sintetizado usando bactérias E. coli geneticamente modificadas, um método desafiador e custoso. Algumas das principais marcas de fórmulas infantis estão começando a incluir esses HMOs em seus produtos, mas a complexidade e o custo do processo limitaram sua adoção generalizada.

    No estudo publicado na tradicional revista científica Nature Food, os cientistas reprogramaram a maquinaria de produção de açúcar da planta Nicotiana benthamiana, um parente próximo do tabaco. Eles inseriram genes projetados para produzir enzimas específicas necessárias para montar açúcares básicos em uma variedade de HMOs.

    Plantas modificadas

    Foto: Divulgação – Nature.com

    As plantas geneticamente modificadas produziram 11 HMOs conhecidos, incluindo o LNFP1, associado a menos infecções em bebês, mas que não pode ser produzido eficientemente por métodos de fermentação microbiana.

    “Produzimos todos os três principais grupos de oligossacarídeos do leite humano,” afirmou Shih. “Até onde sei, ninguém nunca demonstrou que você poderia fazer todos os três grupos simultaneamente em um único organismo.”

    Essa tecnologia inovadora abre caminho para fórmulas infantis do leite materno mais saudáveis e acessíveis, além de leites vegetais não lácteos mais nutritivos para adultos. Shih e sua equipe acreditam que essa abordagem baseada em plantas pode revolucionar a nutrição infantil e adulta no futuro próximo.