Tag: planta daninha

  • Capim-capeta avança e acende alerta no Brasil

    Capim-capeta avança e acende alerta no Brasil

    O avanço do capim-capeta (Sporobolus spp.) preocupa produtores e especialistas em todo o Brasil. A planta daninha, considerada uma das mais agressivas das pastagens, pode reduzir a capacidade de lotação em até 40%, comprometendo a produção de carne e leite e desvalorizando propriedades rurais. Em alguns casos, áreas fortemente infestadas tornam-se inviáveis para a pecuária.

    Foto: Divulgação

    O impacto econômico é expressivo. Em uma fazenda com capacidade inicial de 2,0 unidades animais por hectare (UA/ha), a presença do capim-capeta pode gerar perda de 0,8 UA/ha. Com o preço médio da arroba a R$ 250,00 e produção de 16 arrobas por unidade animal ao ano, a perda chega a 12,8 arrobas por hectare, equivalente a cerca de R$ 3,2 mil por hectare por ano.

    Disseminação rápida aumenta o risco

    O potencial de propagação do capim-capeta é o principal motivo de alerta. Uma única touceira produz até 200 mil sementes por ano, com capacidade de permanecer viáveis no solo por até dez anos. As sementes se espalham facilmente por pneus, equipamentos agrícolas, fezes de animais e até pela água da chuva, o que acelera a colonização de novas áreas.

    “Em três ou quatro anos, o capim-capeta pode dominar grandes extensões, especialmente onde há falhas de cobertura ou degradação das pastagens. Embora não cause a degradação inicial, ele agrava o problema e dificulta a recuperação da área”, explica Gustavo Corsini, engenheiro agrônomo.

    A preocupação aumenta diante da relevância da pecuária nacional. Segundo a Embrapa, o Brasil possui 213,7 milhões de bovinos, e quase 90% da carne é produzida em sistemas a pasto. São cerca de 160 milhões de hectares de pastagens que sustentam mais de 200 milhões de animais.

    Controle do capim-capeta requer tecnologia

    Especialistas alertam que o enfrentamento do capim-capeta exige mudança de estratégia. O uso de herbicidas modernos e práticas de manejo integradas torna-se indispensável para conter o avanço da planta. “O momento pede modernização das técnicas e uso de soluções tecnológicas eficazes no controle dessa invasora”, afirma Iuri Cosin, engenheiro agrônomo e gerente de Produtos Herbicidas da IHARA.

    Em um setor que depende da qualidade das pastagens, investir em manejo eficiente significa mais do que combater uma planta daninha. É garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade. “Cuidar do pasto é fortalecer toda a base produtiva, assegurando rebanhos mais saudáveis e maior retorno econômico”, conclui Gustavo Corsini.

  • Capim-pé-de-galinha ameaça lavouras de algodão

    Capim-pé-de-galinha ameaça lavouras de algodão

    O Brasil conquistou a posição de maior exportador de algodão do mundo. Na safra 2024/2025, os cotonicultores brasileiros colheram 4,11 milhões de toneladas de pluma e exportaram 2,83 milhões de toneladas. Os produtores investem constantemente em tecnologia e inovação no campo para manter esse desempenho, mas enfrentam desafios diários que incluem condições climáticas adversas, altos custos de produção e, principalmente, a infestação de pragas e plantas daninhas.

    O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) representa uma das ameaças mais sérias à rentabilidade da cultura. A planta daninha mostra resistência a diversos herbicidas e pode devastar as lavouras.

    “Essa planta reduz até 50% da produção agrícola. O controle tornou-se cada vez mais complexo devido à resistência a diferentes grupos químicos”, alerta Fábio Lemos, gerente de culturas e portfólio da FMC, empresa de ciências para agricultura.

    Planta se adapta facilmente e infesta todo o país

    O capim-pé-de-galinha demonstra ampla adaptabilidade. A planta daninha infesta lavouras anuais e perenes, cresce em praticamente todos os tipos de solo e está presente em quase todas as regiões agrícolas brasileiras. Cada planta dispersa até 120 mil sementes e compete intensamente por água, luz e nutrientes com as culturas comerciais.

    “Além disso, essa daninha atua como ponte-verde. Ela hospeda pragas e doenças, o que agrava ainda mais os danos à lavoura. Por isso, a introdução de novos modos de ação tornou-se fundamental”, reforça Lemos.

    Manejo integrado é a solução mais eficaz

    Diante desse cenário, produtores precisam adotar herbicidas com novas moléculas e procedimentos integrados de manejo para manter a produtividade e a competitividade da cotonicultura.

    O especialista ressalta a importância de estratégias integradas de manejo além do uso de herbicidas inovadores. “O capim-pé-de-galinha exige atenção e planejamento constantes. Combinar práticas culturais, como rotação de culturas, ao uso de herbicidas com novos modos de ação é a melhor estratégia para enfrentar a complexidade do controle”, afirma.

    Lemos conclui que essa prática aumenta a eficiência do manejo e contribui para uma agricultura mais sustentável e produtiva. A combinação de diferentes ferramentas representa o caminho mais seguro para os cotonicultores protegerem seus investimentos e manterem o Brasil na liderança global do setor.