Tag: plano de recuperação

  • Tambaqui vira espécie ameaçada no Brasil e divide opiniões

    Tambaqui vira espécie ameaçada no Brasil e divide opiniões

    O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) incluiu o tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais consumidos na Amazônia brasileira, na lista nacional oficial de espécies da fauna aquática ameaçadas de extinção, publicada em abril.

    Tambaqui
    Foto: Josiane Tada/Flickr

    A Portaria nº 1.666, divulgada no mesmo dia 27 de abril, estabeleceu um prazo de 180 dias para a aprovação de um plano de recuperação populacional da espécie, prazo que termina em 25 de outubro. Caso o plano não avance até lá, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional. A entrada na lista, porém, não implica proibição imediata, desde que especialistas, sob coordenação do MMA, aprovem o plano de recuperação a tempo.

    Queda populacional motiva classificação como vulnerável

    O Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), coordenado pelo ICMBio, projetou uma queda de 43,4% na população de tambaqui ao longo de três gerações. E assim classificou a espécie como vulnerável. O peixe sofre forte pressão pesqueira em seu habitat natural há décadas. E ocorre naturalmente nas várzeas do rio Amazonas e na maioria de seus principais afluentes, distribuindo-se pelos estados do Acre, Rondônia, Amazonas e Pará.

    A piscicultura espalhou o tambaqui por outras regiões da América do Sul. E nos últimos 20 anos, compensou parcialmente as perdas populacionais nos estoques naturais. Isso ainda que o ICMBio não consiga precisar o real impacto da criação em cativeiro sobre essa recuperação.

    Pescadores da Amazônia contestam a decisão

    Vice-presidente da Colônia de Pescadores Z-23 de Alvarães, Castro teme que uma eventual proibição afete de forma desigual os pescadores artesanais, que trabalham com peixe de lago e não possuem viveiros, enquanto produtores de piscicultura poderiam seguir comercializando o tambaqui criado em cativeiro.

    Pescadores familiares se uniram a pesquisadores para pedir ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) a reversão da medida ou, ao menos, sua flexibilização em situações específicas.

    Igor Hister Lourenço, analista de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Mamirauá, aponta a complexidade de aplicar uma restrição uniforme a toda a bacia amazônica: enquanto algumas áreas mantêm estoques abundantes, o rio Madeira registrou o desaparecimento do tambaqui e viu a espécie reaparecer recentemente após um longo período sem registros. Para Lourenço, estoques menores tornam a captura mais difícil e mais cara, o que naturalmente leva à diversificação da produção pesqueira, processo que já ocorre há anos, sem indicar necessariamente risco de desaparecimento da espécie. Ele também considera um erro o governo não ter consultado os pescadores antes da decisão, diante da escassez de dados sobre a dinâmica da pesca de pequena escala em toda a bacia.

    Falta de dados sobre comunidades tradicionais gera controvérsia

    O ICMBio reconhece uma limitação relevante na avaliação de risco: os dados de desembarque pesqueiro usados no estudo cobrem apenas áreas não protegidas, que correspondem a 61% da área de ocorrência do tambaqui.

    Tambaqui
    Foto: Derwisz/Flickr

    Unidades de conservação e terras indígenas, que somam os 39% restantes e apresentariam baixo risco de extinção, não contam com dados formais de desembarque. Uma lacuna que alimenta as críticas de pescadores e pesquisadores à decisão.

    Plano de recuperação avança sob pressão de prazo

    Roberto R. Gallucci, coordenador-geral do departamento de gestão compartilhada dos recursos pesqueiros do MMA, trata a conclusão do plano de recuperação até outubro como prioridade. O cronograma já definido prevê cooperação com o MPA e a participação de pescadores, gestores e pesquisadores. Um rascunho considerado crucial já foi apresentado, em 12 de junho. O MPA informou, por e-mail, que está reunindo contribuições técnicas para o plano, mas não disponibilizou o documento preliminar solicitado pela reportagem.

    A mesma atualização incluiu o peixe marinho peroá (Balistes capriscus) entre as espécies ameaçadas. A medida também gerou reação entre pescadores artesanais e o setor pesqueiro. Especialmente em Guarapari (ES), onde a associação local de pescadores (Aspeg) considera desproporcional penalizar quem usa métodos de baixo impacto. Aliás, um plano de recuperação para o peroá também está entre as prioridades do MMA.

    Nem sempre esses planos surtem o efeito esperado. O pargo (Lutjanus purpureus) teve seu status agravado de vulnerável para ameaçado mesmo com um plano de recuperação em vigor, segundo o Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura. A entidade atribui o resultado à disputa de protagonismo entre MMA e MPA. E defende repensar a gestão pesqueira com participação direta de quem pesca e de quem decide onde pescar.

    Atualmente, 490 espécies integram a lista de fauna aquática ameaçada no Brasil. O bagre-branco (Genidens barbus) e a corvina (Micropogonias furnieri), incluídos em atualizações anteriores, têm sua situação em revisão após recurso apresentado pelo MPA.

  • AgroGalaxy corta despesas e avança na recuperação judicial

    AgroGalaxy corta despesas e avança na recuperação judicial

    A AgroGalaxy (B3: AGXY3) apresentou os resultados do segundo trimestre de 2025 (2T25) com avanços significativos na execução do plano de recuperação judicial. A companhia, que opera como uma das principais plataformas de revenda de insumos e originação de grãos do país, reduziu despesas gerais e administrativas em 53% e economizou R$ 68 milhões no período.

    A AgroGalaxy implementou um novo modelo organizacional mais simples, descentralizado e eficiente durante o trimestre. As despesas gerais e administrativas (SG&A, excluindo provisões) recuaram de forma expressiva em comparação ao 2T24, reflexo direto das medidas de controle de custos e otimização do capital de giro que a empresa vinha adotando antes mesmo do processo de reestruturação judicial.

    O novo formato operacional gerou uma receita líquida de R$ 251 milhões no período, com R$ 114 milhões provenientes de insumos agrícolas e R$ 137 milhões da originação de grãos. A companhia opera atualmente com estrutura mais enxuta, focada em rentabilidade e sustentabilidade financeira.

    CEO destaca transição para modelo sustentável

    “Os resultados do 2T25 refletem a execução disciplinada do nosso plano de recuperação judicial e a transição para um modelo de negócio mais sólido e financeiramente sustentável. Reduzimos custos, simplificamos processos e mantivemos a operação ativa no cenário mais desafiador dos últimos anos”, afirma Eron Martins, CEO da AgroGalaxy.

    O executivo ressalta que a base comparativa mudou significativamente: no 2T24, a AgroGalaxy operava com o dobro do tamanho atual, antes do processo de reorganização. A nova configuração prioriza resultados sustentáveis de longo prazo, mesmo diante de um ambiente desafiador para o agronegócio, com margens pressionadas e restrições nas linhas de crédito.

    Marcas regionais ganham protagonismo

    A companhia consolidou em junho o reposicionamento estratégico de suas marcas regionais: Agro100, AgroCat, Rural Brasil e Sementes Campeã. As bandeiras atuam em nove estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Pará, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

    A estratégia resgata as origens da empresa como revenda agrícola e aproxima a operação do produtor rural. A AgroGalaxy passou a atuar como marca gestora, com foco em governança, sustentabilidade financeira e desenvolvimento de negócios, enquanto as marcas regionais mantêm o relacionamento direto com os agricultores.

    “O fortalecimento das marcas regionais reflete um movimento estratégico que nasceu da escuta do produtor rural. Identificamos que a relação de confiança construída ao longo dos anos com essas bandeiras continua muito forte. Resgatar essa conexão é essencial para consolidar um modelo de negócio simples, próximo e eficiente”, explica Eron Martins.

    Mix de produtos e gestão de crédito reforçam liquidez

    A empresa mantém a estratégia de enriquecer o mix de vendas, com produtos especiais representando 18% da receita de insumos no trimestre. A companhia também avançou nos processos de crédito e recebimento, reduzindo riscos de inadimplência e reforçando a posição de liquidez.

    “Nossa prioridade é fortalecer a estrutura de capital e assegurar liquidez para continuar atendendo o produtor rural com qualidade e previsibilidade. Continuamos construindo um caminho para nos tornarmos mais eficientes, mais focados e preparados para retomar o crescimento sustentável no médio e longo prazo”, complementa o CEO.

    A AgroGalaxy mantém operações em 649 municípios, com 63 lojas, 14 silos e uma unidade de sementes distribuídos pelos nove estados onde atua. A companhia reafirma o compromisso de oferecer ao produtor rural soluções completas. Incluindo produtos, assessoria técnica, armazenagem de grãos e crédito, consolidando uma base financeira equilibrada para a nova fase de desenvolvimento.

  • Justiça de Mato Grosso aprova recuperação judicial do Grupo Safras

    Justiça de Mato Grosso aprova recuperação judicial do Grupo Safras

    A Justiça de Mato Grosso aprovou o pedido de recuperação judicial do Grupo Safras, que acumula dívidas de R$ 2,2 bilhões. A decisão, proferida pela juíza Giovana Pasqual de Mello, da 4ª Vara Cível de Sinop, abrange quase todas as empresas do conglomerado, incluindo as matrizes e filiais da Safras Armazéns Gerais, Safras Bioenergia e Safras Agroindústria, com exceção da subsidiária RD Armazéns.

    Com a decisão, o Grupo Safras tem um prazo improrrogável de 60 dias para apresentar o plano de recuperação judicial. O plano será elaborado em conjunto com a Makalu Partners, responsável pela assessoria financeira e estratégica, além dos escritórios Mubarak Advogados e Daniel Carnio Advogados.

    A juíza nomeou a empresa AJ1 como administradora judicial, que precisa assinar o termo de compromisso em até 48 horas. A AJ1 também deverá apresentar um laudo técnico sobre a essencialidade da planta industrial de Cuiabá.

    Motivos da crise

    O Grupo Safras atribui a crise à forte queda do preço da soja em 2023, à absorção de dívidas relevantes, incluindo R$ 500 milhões herdados da aquisição da Copagri, e à tentativa de reintegração de posse da unidade industrial de Cuiabá. O conglomerado defende que a recuperação judicial cria um ambiente seguro e transparente para negociação com credores, parceiros e financiadores. Assim, facilitando a reestruturação das atividades e evitando prejuízos sociais e econômicos.

    A Justiça também vai comunicar a decisão à Junta Comercial do Estado de Mato Grosso, ao Ministério Público e às Fazendas Públicas Federal, Estadual e Municipais onde o grupo mantém operações, para registro da recuperação judicial.

    O Banco do Brasil figura entre os principais credores do Grupo Safras, controlado por Dilceu Rossatto e Pedro Moraes Filho. O conglomerado reúne cerca de 40 empresas e produtores rurais, organizados nos núcleos Safras e Rossato, e atua em diversas áreas do agronegócio.

    O grupo enviou uma nota para o Agro em Campo nesse última segunda, dia 26/05/2025.

    Comunicado oficial – Continuidade das operações do Grupo Safras

    A decisão judicial, proferida na última terça-feira (20/05), garante total segurança jurídica para a condução de suas operações comerciais, industriais e financeiras. Reforça-se, assim, a estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais com todos os nossos públicos

    O Grupo Safras informa a seus clientes, fornecedores, parceiros e ao mercado em geral que todas as empresas que compõem o grupo seguem operando normalmente. Com o deferimento da recuperação judicial confirmado, tanto a holding quanto suas subsidiárias estão plenamente habilitadas a exercer, sem restrições ou necessidade de autorizações adicionais, todas as atividades inerentes à sua rotina empresarial.
    A decisão judicial, proferida na última terça-feira (20/05), garante total segurança jurídica para a condução de suas operações comerciais, industriais e financeiras. Reforça-se, assim, a estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais com todos os nossos públicos.
    Dessa forma, seguem regularmente autorizadas operações como:
    • compra e venda de produtos;
    • recebimento e envio de pagamentos por meio das contas bancárias regulares;
    • recebimento, armazenamento, movimentação e entrega de grãos e demais mercadorias;
    • celebração de novos contratos, manutenção das operações logísticas, comerciais e industriais.
    O Grupo Safras reafirma seu compromisso com a seriedade, responsabilidade e transparência, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos e reiterando sua confiança na manutenção de parcerias comerciais sólidas e duradouras.
    Atenciosamente,
    Diretoria do Grupo Safras

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