Tag: Piscicultura brasileira

  • Peixe gigante da Amazônia ajuda a controlar a pressão alta

    Peixe gigante da Amazônia ajuda a controlar a pressão alta

    O pirarucu, uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia, é conhecido há décadas pelas histórias dos pescadores. Presente principalmente nos estados do Pará e do Acre, o peixe também vem chamando atenção pelo elevado valor nutricional.

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    Segundo a nutricionista Paloma Cupini, o alimento reúne uma combinação de nutrientes capaz de favorecer a saúde cardiovascular, fortalecer os ossos e contribuir para o funcionamento adequado do sistema nervoso.

    “O pirarucu é um peixe com excelente valor nutricional, alto teor de proteína e sabor mais suave, o que facilita muito a adesão alimentar no dia a dia. A espécie impressiona pelos benefícios que atingem desde a construção e manutenção muscular até a saúde mental”, destaca.

    Benefícios para o coração

    Quando o assunto é saúde cardiovascular, o pirarucu se destaca pela presença de ácidos graxos ômega 3. Esses nutrientes ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue, diminuem processos inflamatórios e colaboram para o equilíbrio do colesterol.

    “Os ácidos graxos ômega 3 presentes no pirarucu ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue, diminuem a inflamação sistêmica e contribuem para o equilíbrio do colesterol, com efeitos protetores ao coração. Somado ao baixo teor de gordura saturada, o peixe é um aliado direto da saúde cardíaca”, explica a especialista.

    Conhecido como o “gigante da Amazônia”, a carne do pirarucu é considerada uma iguaria da região — Foto: Embrapa

    Além disso, o alimento contém potássio, mineral importante para o equilíbrio eletrolítico do organismo e para o controle da pressão arterial.

    “Essa característica funciona como um contraponto ao excesso de sódio na dieta moderna”, ressalta a nutricionista.

    Pelas estimativas da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), cerca de 30% da população adulta brasileira tem hipertensão — Foto: GOV

    Aliado no controle glicêmico

    Por apresentar elevado teor de proteínas e praticamente não conter carboidratos, o pirarucu também pode favorecer a saciedade e auxiliar estratégias de controle metabólico.

    Segundo Paloma, o peixe possui entre 1 g e 3 g de gorduras totais, predominantemente insaturadas, sendo considerado uma proteína magra.

    “O pirarucu é um peixe magro. Em termos de gorduras totais, ele tem em torno de 1 g a 3 g, predominantemente insaturada. Para pacientes com resistência à insulina, diabetes tipo 2 ou que seguem protocolos de controle glicêmico, o pirarucu é uma proteína que indico com frequência. Ele sacia e não eleva a glicose”, afirma.

    Fonte de proteína de alta qualidade

    Outro diferencial está na concentração de proteínas. A cada 100 gramas do alimento, é possível encontrar entre 25 g e 28 g de proteína, um dos maiores teores entre os peixes de água doce.

    Tal característica amplia o potencial do alimento para a manutenção da massa muscular e para a recuperação dos tecidos do organismo.

    “Do ponto de vista funcional, o pirarucu se destaca por oferecer uma proteína de alto valor biológico, com todos os aminoácidos essenciais. Isso significa que o organismo consegue aproveitar esse nutriente de forma muito eficiente, seja para construção muscular, seja para regeneração celular e manutenção de tecidos”, explica Cupini.

    O pirarucu é uma proteína que sacia e não eleva a glicose — Foto: GOV

    Saúde mental e funcionamento do sistema nervoso

    Além dos benefícios físicos, o consumo do pirarucu pode contribuir para a saúde mental. Isso ocorre devido à presença de vitaminas do complexo B, especialmente as vitaminas B6 e B12, essenciais para a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina.

    “Muitas pessoas têm deficiência desse nutriente sem ao menos saber. O pirarucu é uma fonte animal relevante dessa vitamina. Seu consumo regular contribui para o bom funcionamento do sistema nervoso, o equilíbrio do humor e a prevenção de fadiga mental”, destaca Paloma sobre a vitamina B12.

    Benefícios para os ossos

    O peixe amazônico também pode ser um aliado da saúde óssea. Conforme a nutricionista, a combinação de fósforo e magnésio presente no alimento auxilia diretamente na manutenção da densidade mineral dos ossos.

    “O pirarucu é um alimento interessante para a prevenção de osteopenia e osteoporose, especialmente em mulheres pós-menopausa e idosos”, garante.

    Além disso, a especialista ressalta que o consumo regular do peixe pode contribuir para a imunidade e para os processos de cicatrização, ampliando ainda mais os benefícios associados à espécie amazônica.

  • Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    A piscicultura brasileira vive um momento de inflexão. Diante de novas barreiras comerciais e da concorrência internacional crescente, o setor intensifica a busca por mercados alternativos para a tilápia, hoje concentrada nos Estados Unidos, destino de cerca de 92% das exportações.

    O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, vê o cenário atual como um catalisador de mudanças. “Estamos entrando nos anos de ouro da tilapicultura nacional. Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado”, afirma.

    Apesar da forte dependência do mercado norte-americano, o desempenho recente surpreendeu. O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, destaca que as exportações cresceram cerca de 2% no último ano, mesmo com a adoção de novas tarifas a partir de agosto. Para ele, o dado comprova a resiliência do setor, mas não elimina o risco. “A dependência de um único mercado exige atenção”, alerta.

    América Latina entra no radar

    Com o cenário em transformação, países da América Latina ganham peso na estratégia de expansão. O México lidera as atenções: o país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, mais da metade do volume adquirido pelos Estados Unidos. Ainda assim, a presença brasileira no país segue tímida.

    “É um mercado que começou a ser explorado mais recentemente, ainda com volumes modestos, mas com grande potencial de crescimento”, avalia Pedroza.

    Colômbia e Peru também figuram como oportunidades concretas. Além do volume expressivo de importações, a proximidade geográfica pode dar ao Brasil vantagem logística frente a concorrentes asiáticos.

    Gargalo industrial trava avanço nos mercados de maior volume

    O principal entrave para avançar nesses mercados não está na produção, está no produto. O Brasil exporta majoritariamente filé fresco, item de maior valor agregado, mas de menor escala. No mercado global, quem domina o volume é o produto congelado, mais barato e amplamente controlado por China e Vietnã.

    “A indústria brasileira passa por um momento de reorganização. A expectativa é que novas regras ampliem a competitividade no filé congelado, o que pode mudar o posicionamento do país no mercado internacional”, explica Pedroza.

    A possível flexibilização de normas industriais aparece como ponto-chave nessa equação. Para Medeiros, o impacto pode ser rápido. “Ajustes industriais têm potencial de gerar resultados em curto prazo, ao contrário de avanços produtivos, que levam anos”, ressalta. Segundo ele, a vantagem dos concorrentes asiáticos está diretamente ligada à eficiência industrial. E é essa diferença que o Brasil precisa reduzir para disputar mercados de maior volume.

    O setor enfrenta ainda outro obstáculo relevante: o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro desde 2017. Na avaliação de Medeiros, a reabertura depende de negociações diplomáticas e adequações sanitárias que fogem do alcance direto do setor produtivo. “Esse bloqueio reforça ainda mais a necessidade de diversificar mercados e reduzir riscos”, completa Pedroza.

    Coordenação e inteligência de mercado ganham protagonismo

    Com o ambiente mais competitivo, a articulação entre indústria, associações e pesquisa passa a ocupar papel central na estratégia do setor. A atuação conjunta entre PEIXE BR e Embrapa orienta a identificação de mercados e o direcionamento das empresas.

    Diego Vargas / Seapa MG

    “A associação organiza informações, aponta caminhos e antecipa tendências. A decisão é do empresário, mas é fundamental ter clareza sobre onde estão as oportunidades”, reforça Medeiros.

    A próxima fase da produção de tilápia brasileira aponta para maior inserção internacional e pressão crescente por competitividade. Além da tilápia, espécies nativas como o tambaqui despontam como vetor de crescimento. Principalmente no mercado interno e, no longo prazo, nas exportações.

    “A palavra-chave para 2026 é ampliação de mercado, dentro e fora do Brasil”, resume Pedroza.

  • Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    A piscicultura brasileira atingiu em 2025 um marco histórico: pela primeira vez, o país produziu mais de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em um único ano. O resultado, divulgado nesta terça-feira (24) durante o lançamento da 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da PEIXE BR, coroa uma década de expansão consistente que transformou o setor em um dos pilares do agronegócio nacional.

    Em dez anos, a piscicultura brasileira cresceu 58,6%, um desempenho que poucos setores do campo conseguiram sustentar com tanta regularidade. A tilápia, principal espécie cultivada no país, foi a grande protagonista desse avanço. A produção do peixe saltou impressionantes 148,2% no mesmo período, consolidando o Brasil entre os maiores produtores mundiais da espécie e o maior das Américas.

    Referência do setor, anuário chega à 10ª edição

    Principal publicação estatística da cadeia produtiva de peixes de cultivo no Brasil, o Anuário 2026 reúne dados inéditos e atualizados sobre produção nacional e por estado, consumo, mercado, tendências e perspectivas estratégicas. A edição comemorativa também analisa os principais acontecimentos de 2025 e o cenário competitivo para os próximos anos.

    “O resultado apresentado nesta 10ª edição demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira. Mesmo diante de um ano desafiador, superamos a marca de 1 milhão de toneladas e consolidamos uma década de crescimento consistente. A piscicultura deixou de ser uma promessa para se tornar protagonista nas Américas, com ganhos expressivos em produtividade, tecnologia e competitividade”, afirmou Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR.

    Governo e setor produtivo unidos em Brasília

    O lançamento do anuário reuniu em Brasília representantes do setor público e privado. Participaram do evento Mauro Nakata, presidente do conselho de administração da PEIXE BR; Juliano Kubitza, vice-presidente da entidade. Felipe Bodens, diretor do Departamento de Águas da União e substituto do ministro de Estado da Pesca e Aquicultura. O deputado federal Luiz Nishimori, presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados; e Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura.

    A presença de parlamentares e representantes do governo federal sinaliza o crescente reconhecimento institucional da aquicultura como estratégia de segurança alimentar e desenvolvimento econômico para o Brasil. O país reúne condições únicas para liderar o setor globalmente. Incluindo a maior rede de água doce do planeta e clima favorável ao cultivo durante o ano inteiro.

    Por que a piscicultura brasileira cresce tanto?

    Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar o avanço acelerado do setor. A adoção de tecnologias modernas de cultivo, como sistemas de bioflocos e tanques-rede de alta densidade, aumentou significativamente a produtividade por área. Ao mesmo tempo, o melhoramento genético de espécies como a tilápia e o tambaqui elevou a eficiência da conversão alimentar e reduziu o tempo de engorda.

    Do lado do consumo, a demanda interna por proteína de origem aquática também cresceu. O peixe cultivado ganhou espaço nas gôndolas de supermercados e na preferência de consumidores que buscam alimentos mais saudáveis e acessíveis. Tendência que deve se intensificar nos próximos anos com o avanço da classe média e a maior conscientização sobre nutrição.

    Com 1 milhão de toneladas produzidas e uma trajetória de crescimento sólida, a piscicultura brasileira encerra 2025 não apenas como recordista. Mas como setor maduro, competitivo e preparado para ocupar um papel ainda maior no abastecimento de proteína animal no Brasil e no mundo.

  • Inteligência artificial revoluciona reprodução de pirarucu

    Inteligência artificial revoluciona reprodução de pirarucu

    Uma tecnologia que até pouco tempo era exclusiva de laboratórios de neurociência está transformando a criação de pirarucu no Brasil. A Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas (TO), desenvolveu um sistema inédito de inteligência artificial capaz de prever com precisão o momento reprodutivo do Arapaima gigas, o gigante das águas amazônicas que pode ultrapassar 100 quilos.

    O projeto, realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), adapta técnicas de rastreamento comportamental originalmente desenvolvidas para estudos com roedores. A iniciativa coloca o Brasil na vanguarda da aquicultura inteligente, área ainda pouco explorada no país.

    “Aplicações em piscicultura, especialmente com espécies nativas como o pirarucu, representam uma nova fronteira”, afirma o professor Cleiton Aguiar, da UFMG, coordenador do projeto. Segundo ele, enquanto a inteligência artificial já é amplamente utilizada em setores como saúde e agronegócio de grãos, sua aplicação na criação de peixes nativos ainda é praticamente inexistente no país.

    Como funciona o sistema de monitoramento inteligente

    O mecanismo desenvolvido pelos pesquisadores utiliza 12 câmeras instaladas em viveiros escavados, registrando continuamente o comportamento dos peixes das 6h às 18h. Como o pirarucu possui respiração aérea obrigatória, precisa subir regularmente à superfície. Cada aparição é detectada automaticamente pelo sistema de IA, que marca a posição exata no viveiro.

    Os resultados obtidos nessa pesquisa abrem portas para outros tipos de explorações científicas com a espécie – Foto: Arquivo pessoal

    “A máquina conta quantas vezes o pirarucu sobe e gera uma planilha com dia, hora e coordenadas de cada aparição”, explica Lucas Torati, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura. O sistema elimina a necessidade de observação humana contínua, que além de cara, é limitada e subjetiva.

    Aprendizado de máquina: ensinando computadores a reconhecer peixes

    Por trás da aparente simplicidade do monitoramento está um complexo processo de aprendizado de máquina. Os pesquisadores utilizam redes neurais profundas, modelos computacionais inspirados no funcionamento do cérebro humano, compostos por múltiplas camadas de processamento.

    O treinamento começa com a marcação manual de cerca de 200 quadros de vídeo, identificando os quatro cantos do viveiro e as diferentes partes do corpo do peixe (cabeça, tronco e cauda). A partir desses exemplos, a rede neural aprende a reconhecer automaticamente os padrões em novos vídeos.

    A precisão do sistema depende da variedade de condições incluídas no treinamento. “É necessário utilizar imagens com diferentes condições de luminosidade – manhã, meio-dia e entardecer – e em diversas situações climáticas: sol, nuvens e chuva”, detalha Torati. Esse treinamento minucioso garante que o sistema funcione eficientemente em todas as condições ambientais.

    Da neurociência à aquicultura: adaptando ferramentas científicas

    O projeto utiliza o DeepLabCut (DLC), um software de código aberto amplamente empregado em pesquisas de neurociência para rastrear movimentos de animais. No Laboratório de Neurociências Comportamental e Molecular (LANEC) da UFMG, a ferramenta é usada principalmente para analisar o comportamento de ratos em tarefas de aprendizagem.

    A engenheira e doutoranda Natália Martínez, do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFMG, colabora na adaptação dessa tecnologia para o contexto da aquicultura. A diferença fundamental está no objetivo: enquanto nos roedores o foco é compreender mecanismos de memória e aprendizagem, no pirarucu a IA monitora padrões que refletem bem-estar, crescimento e comportamento reprodutivo.

    Detecção precoce: o santo graal da piscicultura de pirarucu

    O grande desafio enfrentado pelos produtores está na identificação do momento exato da formação do ninho. Após receberem implantação hormonal, o casal de pirarucus forma um ninho onde a fêmea deposita os ovos para serem fertilizados pelo macho.

    Pesquisador Lucas Torati. Foto: Arquivo pessoal

    Durante o cuidado parental, comportamento característico da espécie, o casal permanece sempre no mesmo local e para de buscar alimento. A identificação precoce desse momento é crucial para o sucesso da produção.

    “Se fosse possível coletar ovos recém-fertilizados, certamente aumentaria a taxa de sobrevivência”, destaca Torati. Atualmente, os produtores perdem milhares de alevinos pela demora em retirá-los dos viveiros. O sistema de IA promete identificar o momento exato da formação do ninho, permitindo intervenção no tempo ideal.

    Além da reprodução

    As aplicações da inteligência artificial na criação de pirarucu vão muito além do monitoramento reprodutivo. Os pesquisadores vislumbram um leque de possibilidades para os próximos anos.

    O sistema poderá avaliar como fatores ambientais – temperatura da água, níveis de oxigênio e amônia – interferem na frequência respiratória dos peixes. Também será possível identificar períodos de maior atividade, medir níveis de estresse pós-manejo durante biometrias e até detectar reflexos comportamentais de diferentes doenças.

    “A IA permite monitorar eficiência alimentar e consumo de comida automaticamente, sem contagem manual”, projeta Torati. Uma perspectiva ainda mais ambiciosa é o cálculo automático de biomassa através de análise fotográfica, eliminando a necessidade de manejos estressantes em peixes que podem superar 100 quilos.

    Financiamento e parcerias estratégicas

    O projeto conta com recursos do consórcio internacional de pesquisa Aquavitae, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT) e de emenda parlamentar do senador Eduardo Gomes (Tocantins). A colaboração entre Embrapa e UFMG demonstra o potencial da união entre instituições de pesquisa para desenvolver soluções inovadoras para desafios brasileiros.

    A tecnologia desenvolvida representa um salto qualitativo para a aquicultura nacional. Ao transformar dados comportamentais em informações quantitativas, padronizadas e contínuas, o sistema facilita a tomada de decisões no manejo e aumenta a previsibilidade da produção.

    Para um setor que busca expansão sustentável e maior competitividade, ferramentas como essa podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso comercial. O pirarucu, valorizado no mercado nacional e internacional, ganha aliados tecnológicos para consolidar sua posição como uma das principais espécies da piscicultura brasileira.

  • Tilápia gera 600 mil empregos e domina 68% da piscicultura brasileira

    Tilápia gera 600 mil empregos e domina 68% da piscicultura brasileira

    A produção de tilápia brasileira alcançou números expressivos em 2024 e se estabeleceu como o principal motor da aquicultura nacional. Segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção atingiu 660 mil toneladas no último ano, representando 68% de toda a piscicultura do país. As projeções indicam que esse percentual pode chegar a 80% até o final da década.

    O desempenho posiciona o Brasil entre os maiores produtores mundiais de tilápia, reforçando a importância econômica e social da atividade. Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, destaca o crescimento expressivo do setor: “A tilápia foi a proteína animal que mais cresceu nos últimos 11 anos. Ela fortalece o produtor, dinamiza a indústria e atende a um consumidor cada vez mais atento à saúde e à qualidade dos alimentos”.

    Geração de empregos e impacto social da tilapicultura

    O setor movimenta mais de 600 mil empregos diretos e indiretos em todo o território nacional, com presença marcante em mais de 110 mil propriedades rurais. A atividade possui características predominantemente familiares, com aproximadamente 98% dos produtores classificados como pequenos empreendedores.

    Os principais polos produtivos estão concentrados no Oeste do Paraná, na região dos Grandes Lagos (que abrange São Paulo e Mato Grosso do Sul), em Morada Nova de Minas (MG) e em diversas localidades de Santa Catarina. Essas regiões experimentam desenvolvimento econômico impulsionado pela cadeia produtiva da tilápia.

    De acordo com Medeiros, o crescimento brasileiro já altera a configuração da aquicultura mundial. “O Brasil deve encerrar esta década como o terceiro maior produtor de tilápia do mundo, muito próximo do segundo lugar. Os investimentos ao longo de toda a cadeia — da genética ao produto final — já sustentam essa projeção”, afirma o presidente da associação.

    Desafios regulatórios limitam expansão do setor

    Apesar dos resultados positivos, a tilapicultura brasileira enfrenta obstáculos que comprometem sua competitividade. Atualmente, a atividade é considerada a mais regulamentada do país quando comparada a outras proteínas animais.

    Francisco Medeiros aponta que a redução da burocracia e a busca por condições equivalentes às concedidas aos setores de aves e suínos são essenciais para o avanço da piscicultura. “A redução da burocracia e a busca por isonomia com aves e suínos são fundamentais para que o setor avance para um novo patamar”, defende.

    A Peixe BR ressalta que a tilapicultura apresenta baixo impacto ambiental e alto potencial de geração de renda, características que conferem ao setor papel estratégico no desenvolvimento sustentável da produção de alimentos no Brasil.

    Com investimentos contínuos em tecnologia, genética e processamento, a cadeia produtiva da tilápia se fortalece e projeta crescimento consistente para os próximos anos. Consolidando a posição do país no mercado internacional e ampliando os benefícios socioeconômicos para milhares de famílias brasileiras.

  • Tarifa dos EUA derruba exportações de peixe brasileiro

    Tarifa dos EUA derruba exportações de peixe brasileiro

    As novas tarifas de importação que os Estados Unidos impuseram aos produtos da piscicultura brasileira provocaram um tombo nas exportações do setor. No terceiro trimestre de 2025, a receita com as vendas externas encolheu 28% na comparação com o mesmo período de 2024. Em volume, a queda foi de 26%, segundo o Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, publicado pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

    Diego Vargas / Seapa MG

    O período de julho a setembro registrou os piores resultados do ano, com o Brasil exportando pouco menos de 3.000 toneladas de peixe. Os números mensais mostram uma queda acentuada logo após o início da tarifa em agosto. As exportações, que foram de 1.390 toneladas (US$ 5,7 milhões) em julho, despencaram para pouco mais de 800 toneladas (US$ 3,9 milhões) em agosto e chegaram a menos de 780 toneladas (US$ 3,7 milhões) em setembro.

    Queda é mais acentuada no principal mercado

    O impacto foi ainda mais severo nos Estados Unidos, principal destino da piscicultura brasileira, onde as vendas caíram 32%. A tilápia responde por 99% dessas exportações. Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa e responsável pelo relatório, explica que especialistas esperavam uma queda maior, mas algumas empresas mantiveram parte das vendas mediante negociações com importadores norte-americanos.

    “No entanto, alguns exportadores afirmam não ser possível manter essas negociações no longo prazo. Caso o ‘tarifaço’ continue, é provável que haja uma redução maior nas vendas no último trimestre de 2025”, contextualiza Pedroza. A tarifa sobre o pescado brasileiro saltou de 10% para 50%.

    Concorrência interna e busca por novos mercados

    Além do desafio externo, o setor também enfrenta uma ameaça interna. O relatório destaca a importação de filé de tilápia do Vietnã, que totalizou US$ 195 mil e 48 toneladas. Parte desse produto chegou ao Brasil ao preço de R$ 16,70/kg, valor bem inferior aos R$ 31,00 praticados pelo filé de tilápia nacional.

    Enquanto isso, a busca por mercados alternativos esbarra em dificuldades. “Os exportadores tentam buscar novos mercados, mas isso leva tempo. É difícil encontrar outros países que absorvam o mesmo volume de tilápia que era exportado para os Estados Unidos, principalmente considerando que o mercado europeu continua fechado para o pescado do Brasil”, projeta Manoel Pedroza. O futuro do setor, portanto, depende diretamente da manutenção ou revogação das tarifas norte-americanas.

  • Mercado latino-americano de piscicultura avança com parcerias

    Mercado latino-americano de piscicultura avança com parcerias

    A piscicultura brasileira ganha força com a ampliação dos laços comerciais entre Brasil e países da América Latina. O setor registra retomada rápida dos preços e aposta na integração regional para ampliar a competitividade e a presença do pescado brasileiro no mercado internacional.

    Preço da tilápia sobe, mas oferta freia alta. Confira o levantamento realizado pelos pesquisadores do Cepea.
    Foto: Divulgação – Portal.Gov

    Durante a Seafood, maior evento dedicado à comercialização de pescado na América Latina, o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, destacou a relevância de fortalecer as trocas comerciais dentro da região para superar as barreiras atuais. No painel “Novos tempos, novas rotas: os caminhos do pescado na América Latina”, realizado em 22 de outubro em São Paulo, Medeiros lembrou que a América Latina concentra importantes produtores, principalmente de salmão e tilápia.

    Medeiros ressaltou que, apesar do Brasil ser o terceiro maior comprador de salmão chileno, ainda enfrenta dificuldades para exportar filé de tilápia ao Chile. “Precisamos construir parcerias sólidas com países latino-americanos que dependem de importação da China,” afirmou. Ele também destacou que o Chile levou tempo para inserir o salmão no mercado brasileiro e que esse exemplo mostra que a integração regional é possível e promissora.

    O presidente da Peixe BR qualificou as barreiras tarifárias atuais como obstáculos políticos, mas enfatizou que a cadeia produtiva manteve a resiliência diante das dificuldades. Medeiros anunciou a recuperação dos preços da tilápia no mercado interno. Que após queda no primeiro semestre, reverteu a tendência em apenas 37 dias, com cinco semanas consecutivas de alta.

    Para ele, o momento é de otimismo e consolidação: “As empresas entendem que a exportação é uma estratégia sustentável a médio e longo prazo. O setor se adapta e demonstra sua força, consolidando um cenário positivo para o pescado brasileiro.”

  • Piscicultura brasileira pode crescer e se tornar referência mundial

    Piscicultura brasileira pode crescer e se tornar referência mundial

    A piscicultura brasileira vive um momento de ascensão, impulsionada pelo aumento do consumo interno e pelas oportunidades de exportação. Com um dos maiores potenciais aquícolas do mundo, o Brasil reúne condições favoráveis para se consolidar como líder na produção e exportação de peixes de cultivo. No entanto, desafios como infraestrutura, logística e barreiras sanitárias ainda limitam a expansão do setor no mercado global.

    De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção nacional atingiu 860 mil toneladas de peixes cultivados em 2023, um crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior. O tambaqui, o pintado e o pirarucu, espécies nativas e altamente valorizadas, têm ganhado destaque tanto no mercado interno quanto no exterior. O Brasil já exporta parte dessa produção, mas o volume ainda está distante do potencial real.

    Desafios para a internacionalização

    José Miguel Saud, especialista em piscicultura e criador de tambaquis, pintados e pirarucus, ressalta que um dos principais desafios da internacionalização é a adaptação aos padrões sanitários exigidos por mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia. “O Brasil tem um produto de excelente qualidade, mas ainda enfrenta dificuldades para atender aos protocolos exigidos por grandes importadores. Precisamos investir mais em certificações e rastreabilidade para garantir que nosso peixe seja aceito sem restrições no exterior”, explica.

    Infraestrutura logística: um entrave crítico

    A infraestrutura logística também é um entrave. A piscicultura depende de uma cadeia de frio eficiente para manter a qualidade dos peixes até o destino final. Saud aponta que a falta de estrutura adequada para armazenamento e transporte impacta diretamente a competitividade dos produtores brasileiros. “Hoje, exportamos principalmente filés congelados e peixes processados, mas há uma demanda crescente por peixe fresco. Para atender a esse mercado, é fundamental melhorar os sistemas de transporte e distribuição”, afirma.

    Oportunidades no cenário global

    Mesmo diante dos desafios, as oportunidades para a piscicultura brasileira no cenário global são promissoras. O mercado de pescado tem crescido consistentemente, impulsionado pela busca por proteínas mais saudáveis e sustentáveis. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o consumo global de peixe deve aumentar 15% até 2030, tornando a aquicultura uma das principais fontes de proteína animal no mundo.

    “O tambaqui, por exemplo, tem características nutricionais muito valorizadas no mercado internacional, como alta concentração de ômega-3 e sabor diferenciado. Já o pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo e tem um grande apelo gastronômico, principalmente na culinária asiática. Se conseguirmos estruturar bem nossa cadeia produtiva, podemos transformar essas espécies em produtos de exportação altamente rentáveis”, analisa José Miguel Saud.

    Iniciativas para impulsionar as exportações

    Nos últimos anos, iniciativas para fomentar a exportação de peixes brasileiros têm avançado. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) tem firmado acordos para facilitar a entrada do pescado brasileiro em novos mercados, enquanto associações do setor promovem ações para aumentar a visibilidade dos produtos nacionais. Além disso, programas de financiamento específicos para piscicultores têm incentivado a modernização da produção.

    Para que o Brasil alcance uma posição de destaque na piscicultura global, especialistas defendem um planejamento estratégico que envolva inovação, qualificação técnica e políticas públicas eficientes. “O Brasil tem tudo para ser um grande exportador de pescado, mas precisa investir mais em pesquisa, capacitação de produtores e infraestrutura. É um trabalho conjunto entre governo, setor privado e instituições de fomento. Se seguirmos esse caminho, podemos nos tornar referência mundial na criação de peixes nativos”, conclui o piscicultor José Miguel Saud.

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  • Piscicultura brasileira: recorde nas exportações em 2024

    Piscicultura brasileira: recorde nas exportações em 2024

    As exportações da piscicultura brasileira atingiram um crescimento recorde em 2024. Foi registrado um aumento de 138% em valor em comparação a 2023, totalizando US$ 59 milhões. Em volume, o crescimento foi de 102%, saltando de 6.815 toneladas para 13.792 toneladas. Este é o maior incremento em volume exportado desde 2021, conforme destacado no mais recente Informativo Comércio Exterior da Piscicultura, produzido pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR).

    O crescimento dos embarques de filés frescos, que geraram US$ 36 milhões, impulsionou significativamente as exportações. Os peixes inteiros congelados também contribuíram, com exportações totalizando US$ 17 milhões. Segundo Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, a redução no preço da tilápia no mercado interno foi um fator crucial para esse aumento. “O preço da tilápia pago ao produtor caiu de uma média de R$ 9,73 por quilo no final de 2023 para R$ 7,85 ao término de 2024”, explica Pedroza.

    Além disso, a valorização do dólar em relação ao real e o aumento na produção de tilápia também foram determinantes. “Com o mercado interno não absorvendo toda a oferta, as empresas buscaram novos mercados internacionais”, complementa.

    Liderança da tilápia nas exportações

    A tilápia representa impressionantes 94% das exportações na piscicultura nacional, totalizando US$ 55,6 milhões, com um crescimento de 138% em relação ao ano anterior. Em volume, as exportações de tilápia aumentaram 92%, alcançando 12.463 toneladas. Os curimatás também se destacaram, ocupando a segunda posição com US$ 1,2 milhão, um crescimento expressivo de 437%.

    A tilápia mantém liderança como espécie mais exportada. Jefferson Christofoletti/Embrapa

    Os Estados Unidos se destacaram como o principal importador do peixe brasileiro, respondendo por 89% das exportações nacionais da piscicultura em 2024, totalizando US$ 52,3 milhões. A tilápia foi a principal espécie vendida aos norte-americanos. O Peru também se destacou como um importante mercado, importando US$ 1,1 milhão de curimatá e quantias significativas de pacu e tambaqui.

    Desafios na balança comercial

    Apesar do crescimento nas exportações, a balança comercial dos produtos da piscicultura fechou com um déficit de US$ 992 milhões, devido ao aumento das importações que atingiram US$ 1 bilhão. O salmão foi a principal espécie importada pelo Brasil, seguido pelo pangasius. “A importação do salmão aumentou em 9% em valor e 5% em volume, totalizando US$ 909 milhões, o que corresponde a 87% do volume total importado pelo país”, afirma Pedroza.

    O crescimento recorde nas exportações da piscicultura brasileira em 2024 reflete não apenas a competitividade do setor no mercado internacional. Mas também os desafios que ainda precisam ser enfrentados para equilibrar a balança comercial. Com uma demanda crescente por produtos aquáticos e uma produção robusta, o Brasil se posiciona como um player importante no cenário global da piscicultura.

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