Tag: Pinot Noir

  • Não entende nada de vinho? Especialista ensina a escolher sem errar

    Não entende nada de vinho? Especialista ensina a escolher sem errar

    Com a chegada dos dias mais frios, o vinho tinto volta a ganhar espaço na mesa dos brasileiros. Muita gente, porém, ainda hesita diante das prateleiras do supermercado: não sabe por onde começar, qual rótulo escolher ou qual vinho combina melhor com cada ocasião.

    A boa notícia é que entender de vinho exige muito menos técnica do que parece. O mercado oferece cada vez mais opções acessíveis e versáteis, e qualquer pessoa consegue começar a explorar esse universo sem dominar termos complicados nem gastar uma fortuna em garrafas sofisticadas.

    Como escolher o primeiro vinho sem errar

    Paulino Costinha, especialista em vinhos e espumantes do Supermercados Mundial, recomenda começar pelos rótulos mais fáceis de beber, aqueles que funcionam bem no dia a dia sem exigir experiência prévia.

    “Muita gente acha que vinho é complicado, mas hoje existem rótulos muito versáteis e acessíveis. O importante é começar por vinhos mais equilibrados e entender aos poucos quais sabores agradam mais”, explica o especialista.

    Paulino separou as opções mais indicadas para quem ainda não tem intimidade com vinhos:

    • Merlot: tem corpo macio e leve, e harmoniza com facilidade
    • Cabernet Sauvignon: apresenta sabor mais intenso e combina bem com carnes e massas
    • Pinot Noir: traz um perfil mais delicado e leve
    • Tintos de médio corpo: acompanham bem as refeições do dia a dia

    A ocasião também define a escolha certa

    Além da uva, a ocasião pesa na hora de escolher a garrafa. Vinhos mais leves combinam com jantares simples e encontros descontraídos, enquanto rótulos mais encorpados acompanham melhor pratos intensos e as noites mais frias do ano.

    Quem ainda tem dúvidas pode contar com ajuda especializada. A maioria das grandes redes de supermercados mantêm profissionais dedicados à área de adega, prontos para orientar os clientes e sugerir rótulos de acordo com gosto pessoal, ocasião e faixa de preço.

    “Hoje muita gente quer aprender mais sobre vinho, mas sem aquela formalidade toda. O consumidor procura praticidade, quer entender o que combina com o próprio gosto e descobrir opções para o dia a dia”, finaliza Paulino.

  • Produção de uvas cresce 30% e eleva padrão de qualidade na Serra Gaúcha

    Produção de uvas cresce 30% e eleva padrão de qualidade na Serra Gaúcha

    A safra de uvas de 2026 em Monte Belo do Sul, na Serra Gaúcha, entrou para a história da vitivinicultura local. A avaliação é da vinícola Casa Marques Pereira, que registrou aumento expressivo na produção e qualidade considerada excepcional ao longo do ciclo.

    Com o encerramento da colheita em abril, o município mantém a sequência de safras de alto desempenho. Segundo a vinícola, as condições climáticas favoreceram todas as etapas do desenvolvimento das videiras e garantiram resultados acima da média.

    O sócio-proprietário Felipe Marques Pereira destaca que a vindima cresceu 30% em comparação com 2025. Além do volume maior, as uvas do vinhedo Quinta da Orada atingiram alto nível de maturação.

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    Seis variedades alcançaram graduação compatível com vinhos nobres, o que indica maturação polifenólica completa e teor de açúcar suficiente para gerar vinhos com mais de 14,1% de álcool, conforme a legislação brasileira.

    Destaques

    Entre os principais destaques, a Merlot atingiu 15,7% de graduação alcoólica. Segundo o produtor, a permanência prolongada das uvas na videira intensificou a concentração, criando características semelhantes ao estilo Amarone, algo inédito para a vinícola.

    Foto: Divulgação Casa Marques

    A Pinot Noir também surpreendeu. A variedade chegou a 14,3% de graduação alcoólica, índice considerado raro no Brasil devido à sua sensibilidade climática.

    O desempenho da safra resulta diretamente das condições climáticas ao longo do ciclo. O inverno com mais dias frios favoreceu a dormência das videiras. Já o volume de chuvas antes da frutificação estimulou o desenvolvimento uniforme das plantas. Durante a maturação, a baixa incidência de chuvas garantiu sanidade, concentração e qualidade das uvas.

    Para a Casa Marques Pereira, os resultados reforçam o potencial de Monte Belo do Sul como um dos principais polos produtores de uva do Brasil. A região consegue unir volume elevado e alta qualidade no mesmo ciclo, uma combinação rara na vitivinicultura nacional.

    Dados recentes indicam que o município possui mais de 2 mil hectares dedicados à viticultura e lidera a produção de uvas per capita na América Latina.

  • Descoberta genética revela que uva de 600 anos é idêntica à atual Pinot Noir

    Descoberta genética revela que uva de 600 anos é idêntica à atual Pinot Noir

    Uma descoberta impressionante está fascinando tanto cientistas quanto apaixonados por vinho: uma semente de uva de cerca de 600 anos, encontrada no banheiro de um hospital medieval na França, revelou-se geneticamente idêntica às uvas modernas utilizadas na produção do famoso vinho tinto Pinot Noir.

    O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, analisou DNA extraído de 49 sementes de uva encontradas em sítios arqueológicos na França e na Espanha. As amostras datam de diferentes períodos, da Idade do Bronze até a Baixa Idade Média, cobrindo aproximadamente 4 milênios, de 2300 a.C. até 1500 d.C.

    As sementes mais antigas eram de uvas silvestres. Mas, a partir de cerca de 500 a.C., os cientistas observaram que algumas amostras apresentavam alta semelhança genética com as variedades domesticadas ainda cultivadas hoje. Isso sugere que, já naquela época, os humanos adotavam a propagação clonal, técnica na qual usam estacas de plantas selecionadas para reproduzir características desejadas, método que continua essencial na viticultura moderna.

    Segundo a geneticista evolutiva Jazmín Ramos Madrigal, da Universidade de Copenhague, “as civilizações antigas sabiam preservar o que gostavam, e temos de agradecê-las por isso”.

    Joana d’Arc

    Uma das amostras estudadas chamou especialmente a atenção dos pesquisadores. Datada do século XV, época de Joana d’Arc, a semente encontrada na França possui DNA idêntico ao da uva Pinot Noir cultivada atualmente. De acordo com o autor principal Ludovic Orlando, da Universidade de Toulouse, é possível que a heroína francesa tenha provado as mesmas uvas que bebemos hoje.

    Foto: Sistema CNA/Senar

    Embora não se saiba se essas uvas medievais eram consumidas in natura ou usadas na produção de vinho, tudo indica que o clone já era aproveitado pelos vinicultores da época. Como destaca Laurent Bouby, arqueobotânico do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, o país já tinha uma longa tradição na viticultura medieval.

    A conclusão dos pesquisadores mostra que a Pinot Noir se manteve praticamente inalterada por séculos. Uma prova da resistência e popularidade dessa uva, conhecida como “a uva do coração partido” por ser difícil de cultivar. Mas amplamente admirada por sua delicadeza e sabor sofisticado.

  • Vinícola aposta em enoturismo para conectar produção e consumidor

    Vinícola aposta em enoturismo para conectar produção e consumidor

    A Vinícola Essenza dá início, neste fim de fevereiro, à colheita que vai originar a safra 2026 de seus vinhos. O processo acontece em vinhedos situados entre 1.200 e 1.910 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, reconhecidos como os mais altos do mundo. E segue um modelo adotado por poucas produtoras no Brasil: a colheita de verão, que antecipa etapas do calendário vitivinícola tradicional, normalmente concentrado no inverno.

    A decisão de colher fora da época convencional não é uma curiosidade logística. É uma escolha técnica que, segundo o produtor e proprietário Herbert Sales, permite maior controle sobre a maturação das uvas e favorece a preservação das características naturais da fruta. “A colheita de verão exige atenção em todas as fases, porque o clima impõe desafios que só podem ser superados com método e disciplina”, afirma Sales.

    Dois terroirs, um único território

    A produção da Essenza está distribuída em dois terroirs na Serra da Mantiqueira. O primeiro fica no Refúgio Tuiuva, em Maria da Fé (MG), onde estão concentrados o olival e o vinhedo e onde ocorre boa parte do manejo agrícola. O segundo corresponde à sede da vinícola, instalada a 14 quilômetros de Santo Antônio do Pinhal (SP), que além das áreas de cultivo recebe visitantes para experiências que conectam produção e degustação.

    A propriedade ocupa cerca de 51 hectares e cultiva variedades como Alvarinho, Sauvignon Blanc, Shiraz, Merlot, Cabernet Franc, Pinot Noir e Chardonnay. As parreiras têm, em média, cinco anos de idade. Essa fase é considerada estratégica para o equilíbrio entre produtividade e estrutura dos vinhos. “Estamos em um momento em que os vinhedos começam a expressar com mais clareza o perfil que buscamos”, observa Sales.

    A divisão entre os dois terroirs é, para o produtor, uma vantagem técnica deliberada. “Ela permite diversificar microclimas, solos e regimes de insolação ao longo do ano. O terroir não é apenas um fator geográfico. Ele define a identidade do produto e orienta nosso trabalho no campo e na adega”, explica.

    Crescimento de 40% na produção

    Na safra anterior, a Essenza produziu aproximadamente 18 mil litros. Para o ciclo de 2026, a projeção ultrapassa os 25 mil litros. Um crescimento de cerca de 40%, impulsionado pela expansão das áreas produtivas e pela consolidação dos protocolos de manejo. “Esse crescimento reflete planejamento técnico, investimento em campo e amadurecimento da operação”, afirma Sales.

    O avanço ocorre em um contexto de estabilidade do mercado consumidor. Dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) indicam que o consumo per capita de vinho no Brasil permaneceu próximo de 2 litros por habitante em 2025. É abaixo de mercados tradicionais, mas com tendência de recuperação gradual. Para 2026, o setor projeta retomada moderada, sustentada pelo crescimento do enoturismo, pela ampliação da oferta nacional e pelo interesse do consumidor por vinhos de origem identificada.

    Do campo à taça, com rastreabilidade

    O processo produtivo da safra 2026 inclui colheita manual, seleção criteriosa dos cachos e vinificação adaptada a cada variedade. Os tempos de fermentação e maturação são definidos conforme o perfil pretendido para cada rótulo. “Cada vinho nasce de uma decisão técnica, não de improviso”, ressalta o produtor.

    Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza durante Vindima 2025. Foto: Régis Silva

    Essa abordagem integra o conceito central da vinícola: estabelecer conexão direta entre o ambiente de produção e o perfil dos vinhos entregues ao mercado, com origem controlada e rastreabilidade. “A colheita de verão, o trabalho nos dois terroirs e o respeito às condições naturais da Mantiqueira formam a base do que entregamos em cada garrafa. Nosso compromisso é transformar esse território em identidade, não apenas em volume”, conclui Sales.

    Vindima aberta ao público em março

    A integração entre produção e turismo é parte estrutural da estratégia da Essenza. No dia 1º de março, a vinícola realiza a Vindima Essenza, evento fechado e imersivo em que o público poderá acompanhar etapas da colheita no campo e na adega, com acesso ao processo produtivo e à cultura vitivinícola da região.

    A vinícola integra as Rotas do Vinho de São Paulo, rede que reúne 66 vinícolas em todo o estado, e se destaca pela estrutura que combina visita técnica, menu harmonizado e loja de produtos regionais.

    Os vinhos da Essenza acumulam reconhecimento em concursos de referência. O Shiraz Rosé recebeu Duplo Ouro no Wine of Brasil Awards, além de premiações no International Wine & Spirit Competition e no Decanter World Wine Awards. Já o Alvarinho Mantikir foi premiado no International Wine Challenge, em Londres — um dos concursos de vinhos mais respeitados do mundo.