As raras focas-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus) podem estar adotando uma nova estratégia para escapar da intensa movimentação turística no verão europeu. Um estudo publicado na revista científica Oryx revelou que os animais passaram a utilizar pequenas cavernas submersas como abrigo na ilha de Formicula, na Grécia.
Os pesquisadores registraram as focas descansando e dormindo em estruturas conhecidas como “cavernas de bolhas”, câmaras cheias de ar acessíveis apenas por passagens submersas. A descoberta amplia o entendimento sobre o comportamento da espécie e pode ajudar em futuras estratégias de conservação.
Espécie segue ameaçada
As focas-monge-do-mediterrâneo estão entre os pinípedes mais raros do planeta. Atualmente, estima-se que existam entre 444 e 600 indivíduos adultos distribuídos pelo Mediterrâneo e áreas do Atlântico próximas ao noroeste da África.
Apesar do crescimento lento da população, a espécie ainda é considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

Historicamente, esses animais utilizavam praias abertas para descanso e reprodução. Porém, séculos de perseguição humana fizeram com que buscassem abrigo em cavernas isoladas. Mesmo assim, o turismo próximo a esses locais continua sendo uma ameaça.
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Câmeras revelaram comportamento inédito
Em 2019, pesquisadores encontraram uma pequena caverna submersa enquanto instalavam equipamentos em uma caverna maior já conhecida em Formicula. O espaço era invisível da superfície e só podia ser acessado mergulhando.
Para entender como as focas utilizavam o local, os cientistas instalaram câmeras subaquáticas entre 2020 e 2021. Durante 141 dias de monitoramento, os animais apareceram na caverna principal em 30 dias, enquanto a chamada caverna de bolhas foi utilizada em 119 dias.
As imagens mostraram as focas descansando e dormindo dentro do abrigo, tanto flutuando quanto repousando no fundo da câmara. Os pesquisadores também registraram o comportamento conhecido como “engarrafamento”, quando os animais permanecem na posição vertical dentro da água.

Registros das focas cochilando em cavernas subaquáticas — (Foto: J. Gonzalvo et al., Oryx)
“Quando descobrimos remotamente que várias focas estavam inspecionando a câmera à prova d’água menos de uma hora depois de a instalarmos, ficamos realmente impressionados”, afirmou Julien Pfyffer.
Embora funcionem como refúgio, os pesquisadores classificam essas cavernas como habitats menos adequados. Ainda assim, os locais parecem importantes para a sobrevivência da espécie em regiões com forte presença humana.
Nos últimos anos, o governo grego também implementou novas regras para navegação e atividades recreativas ao redor de Formicula, medida que pode beneficiar diretamente os animais.
“Se a tese estiver correta, de que eles dormem nessas cavernas de bolhas porque querem evitar a perturbação humana, se o habitat for protegido o suficiente, eles não precisariam fazer isso”, afirmou Jason Baker à revista Science.
