Vídeos de uma variedade de uva verde gigante tomaram as redes sociais. E revelaram uma surpresa: o Brasil já produz uma versão semelhante, no interior de São Paulo. A descoberta ganhou força após uma influenciadora visitar a Ásia e apresentar ao público brasileiro a uva Shine Muscat, conhecida como uma das frutas mais caras do mundo.
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Internautas logo identificaram semelhanças com a Pilar Moscato, cultivada em Pilar do Sul, a cerca de 160 km da capital paulista.
O que é a uva Shine Muscat japonesa?
A Shine Muscat é uma variedade desenvolvida no Japão pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Horticultura e chega a custar mais de R$ 500 por cacho no mercado japonês. O grão grande, a cor verde-dourada e o sabor moscatel intenso, sem sementes e com casca comestível, tornaram a fruta um símbolo de luxo na Ásia.
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Nos últimos anos, ela se espalhou por países como Coreia do Sul e China, e vídeos de pessoas experimentando a uva viralizaram em todo o mundo.
A versão brasileira que ninguém conhecia
A Pilar Moscato não é a Shine Muscat, mas compartilha características que chamam atenção: grãos grandes, aparência imponente e sabor marcante. A cooperativa APPC, responsável pela marca e pela patente da fruta, posiciona o produto no segmento gourmet,um conceito ainda pouco explorado no Brasil quando o cultivo começou.

“No Brasil, esse conceito de frutas gourmet não existia. As pessoas compravam muito pelo preço e pouco pela aparência. O sabor mesmo não era tão valorizado. Foi aí que começamos a trabalhar com foco em sabor e qualidade”, afirma Tamon Morioka, representante da área de marketing da cooperativa.
Mais doce que a cana-de-açúcar
O diferencial mais impressionante da Pilar Moscato está na doçura. No ponto ideal de maturação, a fruta registra até 18 graus na escala Brix, métrica que mede a concentração de açúcares nos alimentos. A cana-de-açúcar, referência de doçura no imaginário brasileiro, costuma marcar índices próximos de 16 graus Brix. Ou seja: a uva é, tecnicamente, mais doce que a cana.
Esse nível de doçura resulta de um rigoroso processo de seleção. A cooperativa APPC define critérios específicos que uma uva precisa atingir para receber o selo Pilar Moscato e chegar às prateleiras, o que garante padronização e qualidade ao consumidor final.
Pioneira no mercado gourmet de frutas
Tamon Morioka destaca que o posicionamento premium surgiu de forma orgânica, ao longo do desenvolvimento do produto. A aposta em qualidade sobre quantidade abriu caminho para um nicho que hoje cresce no país, impulsionado justamente pela valorização do sabor e da experiência de consumo. Uma tendência que o fenômeno das uvas japonesas só reforçou.
Com o viral das redes sociais, a Pilar Moscato ganhou visibilidade espontânea e reacendeu o debate sobre o potencial da fruticultura brasileira no segmento premium. Para muitos consumidores, a revelação foi dupla: descobriram a uva japonesa e, na mesma busca, encontraram a versão nacional.
