Tag: PIB do agronegócio

  • PIB do agronegócio sofreu queda de 2% no primeiro trimestre de 2026

    PIB do agronegócio sofreu queda de 2% no primeiro trimestre de 2026

    O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro caiu 2,01% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O resultado chama atenção porque ocorre depois de um avanço superior a 12% do setor em 2025. De acordo com os pesquisadores, a principal explicação para a retração está na redução dos preços de diversos produtos agropecuários, que acabou superando os ganhos esperados de produção em diferentes atividades.

    Todos os segmentos agrícolas registraram queda

    O recuo não ficou concentrado em apenas uma área da cadeia. Todos os segmentos que formam o PIB do agronegócio apresentaram resultado negativo nos primeiros três meses do ano.

    O maior impacto veio do segmento primário, que reúne as atividades diretamente ligadas à produção agropecuária. A queda foi de 4,15%. Na sequência aparecem os insumos, com retração de 2,15%, os agrosserviços, com baixa de 1,25%, e a agroindústria, que recuou 1,03%.

    Para o produtor rural, o cenário mostra que uma produção maior nem sempre significa aumento proporcional da receita. Isso acontece porque a valorização ou desvalorização dos produtos tem peso importante no resultado econômico de toda a cadeia.

    Agricultura sente mais o impacto

    Quando a análise é dividida entre os dois grandes ramos do agronegócio, a agricultura foi a principal responsável pela retração.

    O PIB do ramo agrícola recuou 3,62% no primeiro trimestre de 2026. Já a pecuária apresentou comportamento diferente e registrou um crescimento de 0,70% no período.

    A diferença ajuda a explicar por que o resultado geral do agro foi negativo mesmo com algumas atividades apresentando desempenho positivo. Afinal, o PIB do agronegócio considera uma cadeia ampla, que vai desde a fabricação de insumos até a produção no campo, a indústria e os serviços relacionados ao setor.

    Preços pesaram sobre o resultado

    Segundo o Cepea e a CNA, a expectativa para 2026 é de redução no valor da produção agropecuária. O principal fator apontado é justamente a queda dos preços, que superou os ganhos previstos em volume produzido em diferentes atividades agrícolas e pecuárias.

    Na prática, isso significa que o aumento da produção esperado para algumas culturas e criações não foi suficiente para compensar a desvalorização dos produtos.

    O cenário reforça a importância dos preços agrícolas para o desempenho econômico do setor. Mesmo com o Brasil mantendo uma posição de destaque na produção agropecuária, mudanças nas cotações podem afetar diretamente produtores, indústrias, fornecedores e empresas de serviços ligados ao campo.

    Agro ainda representa uma parcela importante da economia

    Apesar da queda, o agronegócio continua responsável por uma fatia expressiva da economia brasileira.

    Considerando os resultados do primeiro trimestre e o desempenho do PIB nacional, a participação do setor é estimada em 22,8% da economia brasileira em 2026. Em 2025, essa participação havia sido calculada em 25,2%.

    O PIB do agronegócio foi estimado em cerca de R$ 3,13 trilhões no período analisado. Desse total, aproximadamente R$ 1,88 trilhão corresponde ao ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão ao ramo pecuário.

  • Cooperativas agrícolas quase dobram participação no PIB do agronegócio

    Cooperativas agrícolas quase dobram participação no PIB do agronegócio

    As cooperativas agrícolas ampliaram significativamente sua importância na economia do campo. Um levantamento da L.E.K. Consulting mostra que a participação dessas organizações no PIB do agronegócio brasileiro passou de 8,1% em 2019 para 15,4% em 2024, crescimento de aproximadamente 90% em cinco anos.

    O avanço ocorreu em meio a um cenário de queda nos preços de commodities, aumento da inadimplência rural e dificuldades financeiras enfrentadas por parte das revendas de insumos, reforçando o papel das cooperativas como fonte de crédito, assistência técnica e comercialização para os produtores.

    O que impulsionou o crescimento das cooperativas

    Segundo Eric Emiliano, sócio da L.E.K. Consulting responsável pelos setores de agronegócio e alimentos, o movimento reflete mudanças profundas no financiamento do campo.

    “O Plano Safra vem perdendo representatividade ao longo dos anos, principalmente entre os grandes produtores. Durante muito tempo a cadeia financiou o agro por meio de barter e crédito comercial. Nos últimos anos, esse modelo sofreu um choque importante com o aumento da inadimplência.”

    A mudança ocorreu justamente quando parte das empresas privadas do setor enfrentou dificuldades para manter a oferta de crédito aos produtores.

    Crise das revendas abriu espaço para cooperativas

    A retração dos preços da soja e do milho aumentou a pressão financeira sobre distribuidoras de insumos.

    Empresas como AgroGalaxy, Lavoro e Belagrícola entraram em processos de recuperação judicial ou extrajudicial, enquanto as cooperativas seguiram ampliando sua presença no mercado.

    Segundo Bruno Brandi, senior manager da consultoria, muitas revendas assumiram um papel semelhante ao de instituições financeiras.

    “Em muitos casos as revendas estavam funcionando como bancos. Elas financiavam o produtor por meio de barter e prazos estendidos. Quando a inadimplência aumentou, esse modelo mostrou suas limitações.”

    O estudo aponta que a inadimplência do crédito ligado ao agronegócio, historicamente próxima de 3%, atualmente se aproxima de 15%, superando os níveis registrados durante a crise de 2016 e 2017.

    Para Eric Emiliano, duas safras consecutivas com custos elevados e menor rentabilidade comprometeram a capacidade de pagamento dos produtores, pressionando toda a cadeia.

    Cooperativas oferecem um ecossistema completo

    Com maior solidez financeira, as cooperativas ampliaram sua atuação e passaram a oferecer um conjunto mais amplo de serviços aos produtores. Além do crédito, elas atuam com assistência técnica, operações de barter, armazenagem da produção, compra de insumos e comercialização dos grãos.

    Segundo Bruno Brandi, esse modelo integrado fortalece o relacionamento com os cooperados, reduz o risco de inadimplência e aumenta a eficiência ao reunir diferentes etapas da cadeia produtiva.

    Industrialização e biocombustíveis lideram nova fase

    O levantamento da L.E.K. Consulting aponta que a diversificação das receitas tem fortalecido a resiliência das cooperativas agrícolas.

    Capitalizadas após anos de crescimento, essas organizações vêm concentrando investimentos na industrialização da produção, na expansão para o mercado de biocombustíveis, no avanço para novas regiões e na aquisição de ativos de empresas em dificuldades financeiras.

    Segundo a consultoria, a industrialização permite agregar valor aos produtos do campo, enquanto a entrada no setor de biocombustíveis amplia as fontes de receita. Além disso, a compra de empresas em recuperação judicial pode acelerar a expansão territorial das cooperativas e gerar ganhos operacionais.

    Sul lidera crescimento, mas expansão continua

    O estudo mostra que a Região Sul concentra o maior crescimento absoluto no número de cooperativas agrícolas do país.

    Ao mesmo tempo, Centro-Oeste e Sudeste aparecem como as regiões com maior potencial de expansão, devido ao tamanho do mercado agropecuário e à participação ainda relativamente baixa do cooperativismo nessas áreas.

    Com um modelo mais diversificado e resiliente, as cooperativas vêm ampliando sua relevância na cadeia do agronegócio e consolidando espaço como protagonistas no financiamento, na industrialização e na comercialização da produção agrícola brasileira.

  • Sem o agro, balança comercial do Brasil não se sustenta

    Sem o agro, balança comercial do Brasil não se sustenta

    Fundada em 15 de dezembro de 1970 por 42 agricultores em Cascavel, no Oeste do Paraná, a  Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel) nasceu com o objetivo de concentrar a produção de grãos da região. Ao longo de mais de cinco décadas, a cooperativa cresceu, expandiu sua atuação e hoje figura entre as 20 maiores empresas do agronegócio brasileiro, segundo a Revista Exame. Atualmente, conta com 33 filiais distribuídas em 23 municípios do Oeste e Sudoeste paranaense.

    Esse crescimento também se reflete na Show Rural Coopavel. Durante a 38ª edição do evento, realizada de 9 a 13 de fevereiro de 2026, a feira voltou a bater recordes históricos de público. Somente na quarta-feira (11), 115.088 pessoas passaram pelo parque tecnológico, o maior número já registrado em um único dia. Até a quinta-feira (12), o evento somou 368.824 visitantes, superando antes do encerramento a meta inicial de 360 mil pessoas.

    Tecnologia é a chave para o produtor avançar

    Durante entrevista coletiva, o diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, reforçou que o produtor rural precisa, cada vez mais, de tecnologia para continuar avançando. Segundo ele, o Sul do Brasil não dispõe de novas fronteiras agrícolas. “Não temos para onde crescer em área. Portanto, o crescimento precisa vir da produtividade, no mesmo espaço”, afirmou.

    Nesse contexto, a Show Rural cumpre um papel estratégico. De acordo com Grolli, mais de 700 empresas demonstraram interesse em participar da edição de 2026. No entanto, o espaço físico exigiu escolhas. “As empresas que já participam têm preferência, mas também abrimos espaço para novas, desde que tragam algo que ainda não temos. Fizemos uma sinergia entre esses dois interesses”, explicou.

    A expectativa inicial era receber entre 360 mil e 400 mil visitantes ao longo dos cinco dias. No entanto, com o ritmo registrado, a feira deve ultrapassar 420 mil pessoas, superando os 407 mil visitantes de 2025.

    Negócios, investimentos e abertura para famílias

    Além do público, os negócios também avançaram. Segundo o presidente, a feira já atingiu cerca de metade do volume esperado, estimado entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões em negócios. Outro destaque foi a abertura no domingo, pensada para atrair famílias. Nesse dia, cerca de 40 mil pessoas visitaram o parque.

    Ao falar do cenário nacional, o presidente da Coopavel destacou que o Brasil planta entre 84 e 85 milhões de hectares, em um território de 853 milhões. “Temos áreas disponíveis, tecnologia e inovação para crescer”, afirmou. A produção de grãos para a safra 2025/26 está estimada em 353 milhões de toneladas.

    Agro sustenta a economia brasileira

    Grolli também ressaltou o peso do agronegócio na economia. Em 2025, o setor respondeu por mais de US$ 170 bilhões em exportações, enquanto as importações ficaram em torno de US$ 22 bilhões. “É o agro que está segurando a balança comercial brasileira”, destacou.

    Diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Atualmente, o agronegócio representa entre 25% e 30% da economia nacional, com forte impacto na geração de empregos e na distribuição de renda. Para ele, o país precisa avançar na agregação de valor. “Precisamos produzir grão, mas também transformar esse grão em carne, proteína e alimentos”, pontuou.

    Juros, logística e expectativas para o Plano Safra

    Entre as principais preocupações do setor, Dilvo Grolli citou os juros elevados, os custos logísticos, a carga tributária e o cenário geopolítico internacional. Ainda assim, ele vê perspectiva de melhora. Com a taxa Selic em 15% ao ano, há expectativa de queda para cerca de 12% até dezembro de 2026.

    Esse movimento deve impactar o próximo Plano Safra 2026/27. Segundo Grolli, a tendência é de redução de 1 a 2 pontos percentuais nos juros. “O produtor precisa pesquisar, cotar, negociar e se enquadrar da melhor forma para reduzir o custo financeiro”, orientou.

    Crescimento da Coopavel e visão de futuro

    A Coopavel encerrou 2025 com crescimento de 19%. Para 2026, a meta é manter avanço entre 15% e 20%. Esse desempenho está ligado ao lançamento de novos produtos, abertura de filiais e investimentos que somaram R$ 477 milhões no último ano. Para este ano, o planejamento prevê cerca de R$ 400 milhões.

    Segundo Grolli, investir exige equilíbrio. “O investimento sobe, depois precisa de um período de maturação. Se não respeitar esse tempo, pode gerar problemas de caixa”, alertou.

    Ao comparar o desempenho do agro com o restante da economia, o dirigente foi direto. Enquanto o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025 e as projeções gerais variam entre 1,8% e 2%, o agronegócio avançou cerca de 6%. “O agro está no melhor caminho. Não podemos ficar parados esperando que algo caia do céu”, concluiu.

  • PIB do agronegócio cresce 1,81% em 2024 com destaque para pecuária

    PIB do agronegócio cresce 1,81% em 2024 com destaque para pecuária

    O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresceu 1,81% em 2024, segundo levantamento da CNA e do Cepea. O resultado positivo foi puxado pelo desempenho expressivo da pecuária. Em resumo, somente no quarto trimestre, o PIB do setor subiu 4,48%. Portanto, com isso, o agronegócio alcançou R$ 2,72 trilhões em 2024. Desse total, R$ 1,9 trilhão vieram do ramo agrícola e R$ 819,26 bilhões do ramo pecuário, com base nos preços do último trimestre. A participação do agronegócio no PIB brasileiro em 2024 foi de 23,2%.

    Destaques do PIB do agronegócio

    A pecuária liderou o crescimento com alta de 12,48% no ano. Os agrosserviços e a agroindústria do setor pecuário cresceram 16,79% e 16,78%, respectivamente. O setor primário subiu 6,55% e os insumos, 1,23%. Em contrapartida, o ramo agrícola recuou 2,19% em 2024. Ou seja, todos os segmentos da agricultura registraram queda. Os insumos caíram 6,97% e o setor primário, 3,54%. Já os agrosserviços recuaram 1,86%, e a agroindústria, 0,44%.

    Força e equilíbrio

    Apesar das perdas na agricultura, os agrosserviços e a agroindústria do agronegócio mostraram força. Em 2024, cresceram 3,25% e 2,94%, respectivamente. Esses avanços ajudaram a equilibrar o desempenho do setor. Já os insumos gerais do agronegócio caíram 4,65% em relação a 2023. O setor primário, dentro da porteira, teve retração de 0,16% no período.

    Último trimestre como destaque

    O desempenho do último trimestre foi decisivo para o resultado anual. De outubro a dezembro, o PIB do agronegócio avançou 4,48%, revertendo o cenário negativo acumulado até setembro. A CNA e o Cepea destacaram que todos os segmentos cresceram no quarto trimestre. Os insumos subiram 3,17%, o setor primário avançou 4,33%, a agroindústria cresceu 3,72% e os agrosserviços, 5,16%.

    A pecuária registrou crescimento de 10,71% no trimestre. Ao mesmo tempo, os agrosserviços do ramo lideraram com alta de 12,15%. O setor primário teve variação positiva de 11,07% e a agroindústria, 10,18%. Além disso, o ramo agrícola também teve resultado positivo no período. Cresceu 2,02%, com expansão em todos os elos da cadeia.

    Em resumo, segundo a análise das entidades, o bom desempenho foi impulsionado pelo aumento do valor bruto da produção. Ou seja, esse avanço esteve relacionado à elevação dos preços reais no quarto trimestre. O crescimento de 1,81% no ano ficou próximo da estimativa da CNA, que previa alta de até 2% no PIB do agronegócio em 2024.

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  • PIB do Agro Avança 1,26% no terceiro trimestre após recuos

    PIB do Agro Avança 1,26% no terceiro trimestre após recuos

    O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro cresceu 1,26% no terceiro trimestre de 2024, conforme dados do Cepea e da CNA. Após dois trimestres consecutivos de queda, o setor acumula retração de 2,49% no ano. A agropecuária deve representar 22% da economia brasileira em 2024, abaixo dos 23,5% registrados em 2023.

    O crescimento trimestral foi impulsionado por avanços nos insumos (0,83%), no segmento primário (1,14%), nas agroindústrias (1,60%) e nos agrosserviços (1,22%). Esse desempenho reflete o aumento do valor bruto da produção, influenciado por preços reais mais altos.

    Setores agrícola e pecuário mostram recuperação

    Os dois ramos do agronegócio apresentaram crescimento no terceiro trimestre. O ramo agrícola cresceu 1,27%, com destaque para as agroindústrias (1,85%) e agrosserviços (1,64%). Já o ramo pecuário teve alta de 1,31%, puxado por insumos (1,99%) e o segmento primário (3,02%).

    Apesar dos avanços pontuais, o ramo agrícola acumula queda de 4,04% nos primeiros nove meses de 2024. Menores preços e a redução na produção de soja, milho e trigo impactaram o segmento primário agrícola. No ramo pecuário, a indústria de rações e medicamentos para animais impulsionou o crescimento de 1,60%.

    Segmento de insumos registra queda no ano

    No acumulado de 2024, o PIB dos insumos recuou 7,24%, com destaque negativo para os insumos agrícolas (-10,69%). A retração reflete quedas nas indústrias de fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas, pressionadas por menores preços e produção. Por outro lado, os insumos pecuários cresceram 1,32%, impulsionados pelas indústrias de rações e medicamentos.

    No terceiro trimestre, o segmento de insumos cresceu 0,83%, com recuperação pontual nas indústrias de base agrícola. Contudo, o setor ainda enfrenta desafios como a alta global nos custos de matérias-primas e a desvalorização do Real.

    Agroindústria e agrosserviços mostram desempenho misto

    O PIB da agroindústria caiu 0,67% nos primeiros nove meses de 2024. As agroindústrias de base agrícola recuaram 2,32%, enquanto as de base pecuária avançaram 6,00%. Apesar do aumento da produção, os menores preços de biocombustíveis e óleos vegetais influenciaram na retração do setor agrícola.

    Os agrosserviços apresentaram queda de 1,74% no acumulado do ano. A retração foi mais acentuada nos agrosserviços de base agrícola (-3,99%), enquanto os de base pecuária cresceram 4,15%, refletindo a maior produção do setor.

    Projeções para 2024: PIB de R$ 2,58 trilhões

    O agronegócio brasileiro deve atingir um PIB de R$ 2,58 trilhões em 2024. O ramo agrícola deve responder por R$ 1,84 trilhão, e o ramo pecuário, por R$ 744,02 bilhões. Apesar da recuperação em alguns segmentos, a participação do setor na economia deve cair para 22%, sinalizando desafios para o próximo ano.

    Ou seja, com as oscilações nos preços globais e impactos internos, o planejamento das próximas safras exige monitoramento constante. Fatores como câmbio, custos de produção e demanda internacional serão decisivos para o desempenho futuro do agronegócio.

     

  • Produção de grãos no Brasil deve crescer 8,2%

    Produção de grãos no Brasil deve crescer 8,2%

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou sua segunda estimativa para a safra de grãos 2024/25, prevendo uma produção de 322,53 milhões de toneladas. Esse volume representa um crescimento de 8,2% em relação ao ciclo anterior, com um aumento aproximado de 24,6 milhões de toneladas na colheita.

    Esse crescimento é resultado da expectativa de aumento na área plantada e da recuperação na produtividade média das lavouras no Brasil. Segundo o 2º Levantamento de Grãos da Safra 2024/25, os agricultores deverão semear cerca de 81,4 milhões de hectares durante este ciclo.

    Thays Moura, fundadora da fintech Agree, observa que esses dados indicam um cenário promissor para o setor agrícola. “O planejamento financeiro é crucial para aproveitar as oportunidades que surgem com esse crescimento. Soluções de crédito personalizadas serão essenciais para atender às necessidades dos produtores”, destaca.

    Destaques por cultura

    Entre os principais produtos, a Conab projeta um aumento na área semeada de arroz, que deve passar de 1,6 milhão de hectares em 2023/24 para 1,77 milhão de hectares no ciclo atual. A semeadura já começou nas principais regiões produtoras e cobre 65% da área total, conforme o relatório Progresso de Safra. A produção deve ultrapassar 12 milhões de toneladas, com uma produtividade projetada em 6.814 quilos por hectare.

    Para a primeira safra de feijão, a estimativa é uma recuperação de 3,6% na área cultivada, totalizando 892,3 mil hectares e uma produção esperada de 991,6 mil toneladas. No caso da soja, projeta-se um aumento de 2,6% na área plantada, atingindo 47,36 milhões de hectares, com uma produtividade média 9,6% maior, resultando em 166,14 milhões de toneladas.

    O milho deve manter uma área estável em 21 milhões de hectares, com uma safra total estimada em 119,8 milhões de toneladas, sendo 22,8 milhões provenientes do primeiro ciclo já semeado em 48,7% da área. Para o trigo, espera-se uma produção de 8,11 milhões de toneladas, com 79,4% da área já colhida.

    Necessidade de crédito e inovação

    Moura ressalta que os agricultores continuarão a precisar de crédito para adquirir insumos e realizar investimentos em infraestrutura que suportem o aumento da produção. “A expectativa é que a melhoria na produtividade média das lavouras seja resultado dos investimentos em tecnologia e boas práticas agrícolas”, afirma.

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    Ela também destaca que é fundamental aumentar o suporte em termos de crédito para inovação tecnológica, como agricultura de precisão e aquisição de equipamentos modernos. “O crédito rural deve ser complementado com estratégias como seguros agrícolas e contratos futuros para garantir a sustentabilidade financeira dos negócios”, explica.

    Expectativas para o agronegócio

    De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB do agronegócio pode crescer 5% em 2025. Esse avanço deve-se ao aumento da produção primária agrícola e ao crescimento da indústria de insumos e da agroindústria exportadora. Apesar do cenário otimista, desafios como a alta do dólar e dos juros ainda persistem. A Agree se propõe a oferecer suporte aos produtores rurais na captação do crédito rural com condições favoráveis e atendimento personalizado.

    Com as previsões otimistas para a safra 2024/25 e a crescente demanda por crédito e tecnologia no setor agrícola, o Brasil se prepara para enfrentar os desafios do mercado enquanto busca consolidar sua posição como um dos principais produtores agrícolas do mundo. A colaboração entre instituições financeiras e agricultores será crucial para garantir o sucesso dessa empreitada.

  • CNA projeta crescimento do agronegócio em 2025 apesar de desafios

    CNA projeta crescimento do agronegócio em 2025 apesar de desafios

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê crescimento do PIB do agronegócio em 2025, com avanço estimado em até 5%. O aumento será impulsionado pela expansão da produção primária, especialmente de grãos, e pelo desempenho da indústria de insumos e da agroindústria exportadora. Contudo, o setor enfrenta cenários desafiadores no Brasil e no exterior.

    O balanço de 2024 e as perspectivas para 2025 foram apresentados em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (11). O evento contou com a presença de João Martins, presidente da CNA, e de diretores técnicos e internacionais da entidade. Durante a apresentação, foram destacados fatores que impactam o setor, como política fiscal, câmbio, inflação e a taxa Selic.

    Cenário internacional e mercado externo

    A conclusão do acordo Mercosul-União Europeia é um marco positivo, mas as tensões globais desafiam o agronegócio. Medidas como a Lei Antidesmatamento (EUDR) podem restringir o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu. Além disso, o setor privado reagiu às recentes ameaças de boicotes contra produtos agropecuários do Brasil.

    Na China, maior parceira comercial do Brasil, a desaceleração econômica e a baixa capacidade ociosa impactam a demanda. Apesar disso, o país segue dependente das importações de grãos devido às limitações de terras e água agricultáveis.

    Câmbio e custos de produção

    A valorização do dólar pode favorecer as exportações, mas aumenta os custos de insumos importados, como fertilizantes e pacotes tecnológicos. Esse cenário pressiona diretamente os produtores rurais e desafia a competitividade do setor.

    Taxa Selic e crédito rural

    A CNA projeta que a taxa Selic deve permanecer elevada em 2025, atingindo 13,50% ao final do ano. Juros altos dificultam o acesso ao crédito rural e impactam negativamente as concessões financeiras para o setor. No orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), os recursos previstos de R$ 1,06 bilhão são insuficientes para atender à demanda de R$ 4 bilhões.

    VBP: crescimento impulsionado pela recuperação da safra

    O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária deve atingir R$ 1,43 trilhão em 2025, alta de 7,4% sobre 2024. O segmento agrícola, que deve totalizar R$ 937,55 bilhões, se recupera após a quebra de safra deste ano. Na pecuária, o VBP pode crescer 9,2%, somando R$ 495,13 bilhões, com destaque para a bovinocultura de corte, que projeta aumento de 20,9% nos preços.

    Produção e consumo interno

    A safra de grãos 2024/2025 deve alcançar 322,53 milhões de toneladas, segundo a Conab, um recorde histórico com alta de 8,2%. Na pecuária, a produção de leite deve crescer 1,5%, enquanto a de carne bovina deve cair 3,3%, devido à virada do ciclo pecuário. Apesar disso, a exportação de carne bovina deve aumentar 1,8% em 2025.

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    Logística e infraestrutura

    O Brasil avança em infraestrutura com o fortalecimento do transporte hidroviário e ferroviário. A Ferrovia Transnordestina receberá R$ 3,6 bilhões, e o leilão da Ferrogrão está previsto para o segundo semestre, condicionado a decisão do STF. O lançamento do Marco Regulátor dos Rios busca fomentar a navegação fluvial e aumentar a eficiência do transporte.

    Sustentabilidade e mercado global

    O Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o cumprimento do Código Florestal são desafios estruturais que exigem soluções urgentes. A CNA destaca a necessidade de demonstrar a sustentabilidade da produção brasileira para competir no mercado internacional. Enquanto isso, a coalizão de países produtores busca enfrentar barreiras climáticas e comerciais impostas pela União Europeia.

    Balanço de 2024

    O PIB do agronegócio deve crescer até 2% em 2024, puxado pela bovinocultura de corte. Em resumo, até novembro, as exportações do setor somaram US$ 152,6 bilhões, com estimativa de atingir US$ 166 bilhões até o final do ano. Apesar dos desafios, o agronegócio segue como um dos principais motores da economia brasileira.

     

  • PIB do agronegócio recua 3,5% no acumulado de 2024

    PIB do agronegócio recua 3,5% no acumulado de 2024

    O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro caiu 1,28% no segundo trimestre de 2024, de acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). No acumulado do ano, o setor registra uma retração de 3,5%. Com isso, o PIB do agronegócio pode representar 21,8% do total da economia brasileira, uma queda em relação aos 24% observados em 2023.

    PIB do agronegócio

    Pesquisadores do Cepea e da CNA apontam que a redução do PIB do agronegócio é reflexo da queda nos preços, um movimento que começou em 2023. Além disso, a retração na produção de importantes culturas agrícolas, como soja, milho e cana-de-açúcar, impactou negativamente o desempenho do setor.

    O PIB do ramo agrícola caiu 1,22% no segundo trimestre, acumulando uma baixa de 5,1% no ano. Já o ramo pecuário apresentou uma queda de 1,2% no trimestre, mas ainda acumula alta de 0,5% em 2024. Esse crescimento do setor pecuário se deve principalmente ao desempenho positivo da agroindústria e dos agrosserviços, que tiveram aumentos de 5,29% e 3,78%, respectivamente.

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    Desempenho por setores do agronegócio no acumulado de 2024

    • Insumos: -8,13%
    • Primário: -5,11%
    • Agroindústria: -1,93%
    • Agrosserviços: -2,74%
    • Total agronegócio: -3,50%

    Variação no segundo trimestre de 2024

    • Insumos: -2,68%
    • Primário: -1,77%
    • Agroindústria: -0,62%
    • Agrosserviços: -1,15%
    • Total agronegócio: -1,28%

    Em resumo, os dados do Cepea e da CNA mostram que o agronegócio brasileiro enfrenta desafios, especialmente no setor agrícola, que sofreu com a queda na produção e nos preços. No entanto, o ramo pecuário, sustentado pela agroindústria e pelos serviços, mantém um leve crescimento no ano.

  • PIB do agronegócio recuou 2,2% no primeiro trimestre

    PIB do agronegócio recuou 2,2% no primeiro trimestre

    O PIB do agronegócio brasileiro, calculado pelo Cepea/Esalq/USP em parceria com a CNA, recuou 2,2% no primeiro trimestre de 2024. Esse declínio, segundo pesquisadores, resulta principalmente de preços menores e queda na produção de importantes produtos agrícolas. Em contraste, o ramo pecuário avançou 1,68%, amenizando o resultado negativo.

    Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, esse resultado do agronegócio foi influenciado sobretudo pelos menores preços, mas também pela queda na produção de importantes produtos do setor, especialmente na agricultura dentro da porteira. O ramo pecuário, contudo, amenizou o resultado negativo, tendo em vista os desempenhos positivos dos segmentos agroindustrial e agrosserviços.

    Segmentos do agronegócio

    O PIB dos insumos caiu 4,9%, impactado pela desvalorização de fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas e rações.

    O segmento primário recuou 3,43%, com a agricultura afetada pela desvalorização de commodities como soja e milho e a pecuária sofrendo com a baixa nos preços de bovinos, leite e suínos. O desempenho da agricultura foi impactado negativamente pela desvalorização de importantes commodities que compõem o segmento, como algodão, café, milho, soja, trigo, entre outros. Isso combinado à projeção de queda da produção anual, com destaque para o milho e a soja. Esse cenário persistiu mesmo com a redução dos custos com insumos. No caso da pecuária, pesquisadores do Cepea/CNA explicam que o resultado negativo refletiu a baixa nos preços de atividades importantes, como bovinos para corte, leite e suínos. A queda na pecuária, no entanto, foi amenizada pela expansão importante da produção de bovinos, ovos e leite.

    Agroindústria

    A agroindústria registrou uma queda de 1,31%, com recuo de 2,81% na indústria agrícola, apesar do crescimento de 4,23% na pecuária. Na indústria agrícola, a queda no PIB ocorreu principalmente devido aos preços mais baixos (sobretudo do óleo vegetal, biocombustíveis e celulose e papel). Isso mesmo com o aumento da produção industrial e a redução dos custos com insumos. Na indústria pecuária, apesar das pressões da queda nos preços, o aumento esperado na produção de carnes e pescados, couro e calçados, e, em menor grau, laticínios, sustentou o PIB.

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    O PIB dos agrosserviços caiu 1,57%, refletindo a queda de 3,98% no ramo agrícola e um aumento de 3,91% no ramo pecuário.

    Reprodução – Cepea

    Com a economia brasileira enfrentando desafios, o agronegócio deve representar cerca de 21,5% do PIB do país em 2024, abaixo dos 24% de 2023. A qualificação da mão de obra e a gestão de pessoas são essenciais para melhorar a produtividade no campo, enfrentando desafios como a falta de trabalhadores especializados e a necessidade de treinamento contínuo.