Tag: Phakopsora pachyrhizi

  • Ferrugem asiática dispara e coloca produtores em alerta máximo

    Ferrugem asiática dispara e coloca produtores em alerta máximo

    Um cenário de alta pressão fitossanitária se estabelece sobre as lavouras de soja da região Sul do Brasil nesta safra 2025/2026. Dados oficiais do Consórcio Antiferrugem apontam um aumento drástico nos registros da ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, com o estado do Paraná como epicentro nacional do problema. Especialistas atribuem o fenômeno a uma combinação de fatores climáticos, culturais e à crescente resistência do patógeno aos fungicidas disponíveis no mercado.

    Os números deixam clara a dimensão do desafio. Até meados de janeiro de 2026, o Paraná contabiliza entre 88 e 99 registros oficiais da doença, o que representa a maior concentração nacional. O volume de casos no estado mais que dobrou em comparação com o mesmo período da safra anterior.

    O Mato Grosso do Sul, estado vizinho que também integra a região centro-sul de produção, aparece em segundo lugar, com 44 a 54 registros. Um aumento de quase quatro vezes na comparação anual. Já os outros estados do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, apresentam números relativamente baixos na comparação nacional, com 5 a 14 e 2 registros, respectivamente.

    Cláudia Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja, explica: “O aumento expressivo de notificações não indica, necessariamente, uma falha generalizada no controle. Ele evidencia, sobretudo, que o fungo está circulando com muita força na região e que o manejo precisa ser extremamente criterioso e no momento certo”.

    O triângulo perfeito para a doença: clima, soja “tiguera” e plantio cedo

    Três fatores principais convergem para explicar por que a ferrugem encontrou condições tão favoráveis no Sul, especialmente no Paraná:

    • Invernos úmidos e a “ponte verde”: os invernos recentes na região têm apresentado maior umidade. Essa condição favorece a sobrevivência da chamada “soja voluntária” ou “tiguera” — plantas que germinam espontaneamente de grãos perdidos na colheita. Essas plantas funcionam como uma “ponte verde”, hospedando e mantendo o fungo vivo e ativo durante toda a entressafra, prontinho para infectar a nova lavoura.
    • Janela de plantio antecipada: o Paraná possui uma das janelas de plantio mais precoces do país, autorizado a iniciar a semeadura a partir de 1º de setembro. Quanto mais cedo a soja vai para o campo, maior a janela de tempo para que a doença se manifeste e se prolifere, principalmente se houver inóculo (o fungo) presente no ambiente.
    • Monitoramento ativo: o estado possui uma rede técnica extensa e cooperativas fortemente organizadas. Essa estrutura permite um monitoramento fitossanitário mais ativo e capilarizado, o que naturalmente resulta na identificação e no registro oficial de um número maior de focos, se comparado a regiões com menor assistência no campo.

    A batalha no campo: estratégias para conter o avanço

    Diante da pressão alta da doença e dos relatos de redução na eficácia de alguns fungicidas, o manejo integrado se torna não uma opção, mas uma obrigação. As recomendações técnicas baseiam-se em quatro pilares:

    • Eliminar o inóculo: respeitar rigorosamente o período de vazio sanitário — os 90 dias sem nenhuma planta de soja viva no campo — e erradicar toda soja voluntária são as medidas mais eficazes para quebrar o ciclo do fungo.
    • Monitorar constantemente: os produtores devem vistoriar as lavouras semanalmente, examinando as folhas do baixeiro (parte inferior das plantas) para detectar os primeiros sinais da ferrugem. Ferramentas como o aplicativo do Consórcio Antiferrugem são essenciais para acompanhar a disseminação da doença pela região.
    • Aplicar fungicidas com estratégia: a pulverização deve ser preventiva ou no aparecimento dos primeiros sintomas. O protocolo mais recomendado atualmente prevê a associação de fungicidas multissítios com produtos de outros grupos químicos. Essa combinação age em diferentes processos do fungo, dificultando o surgimento de resistência.
    • Adotar práticas culturais: o uso de cultivares com tolerância à doença, a rotação de culturas com plantas não hospedeiras (como milho ou braquiária) e o tratamento profissional de sementes completam o pacote de defensivos.

    Fontes confiáveis para a tomada de decisão

    Em um cenário complexo, tomar decisões com base em informação sólida é crucial. Os produtores devem buscar dados em fontes oficiais e isentas:

    Consórcio Antiferrugem: mantém o mapa oficial e atualizado de todos os focos confirmados no Brasil. O app para smartphones é uma ferramenta prática de consulta.

    Rede de Fitossanidade Tropical (RFT): publica anualmente a “Classificação de Eficácia de Fungicidas” para a ferrugem da soja, um documento técnico baseado em ensaios de campo que orienta a escolha dos produtos mais eficazes.

    Embrapa Soja: é a principal referência em pesquisa, emitindo alertas e circulares técnicas com as recomendações oficiais de manejo.

  • Focos de ferrugem asiática disparam no Rio Grande do Sul

    Focos de ferrugem asiática disparam no Rio Grande do Sul

    A ferrugem asiática, principal doença da soja, apresentou altos níveis de infecção logo no início da safra 2024/2025 no Rio Grande do Sul. No entanto, o clima seco e as ondas de calor registradas entre fevereiro e março atuaram como um freio natural, contendo a propagação do fungo e resultando em um avanço menor que o observado na safra anterior, influenciada pelo El Niño. As informações são do programa de monitoramento aerobiológico do governo do estado.

    O monitoramento realizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pela Emater/RS-Ascar detectou os primeiros focos já em outubro de 2024, logo após o fim do vazio sanitário, em lavouras de Cruz Alta.

    De acordo com a Circular Técnica nº 29 – Programa Monitora Ferrugem RS, os municípios de Muitos Capões (602 esporos), Três Passos (372), Ijuí (293) e Cruz Alta (205) registraram as maiores concentrações do fungo Phakopsora pachyrhizi nas semanas iniciais. A análise mostrou que os picos de esporos ocorreram sempre após períodos de chuva e com alta umidade relativa do ar.

    Entre as regiões, o Planalto Médio foi a mais crítica, com a impressionante marca de 5.584 esporos coletados, seguido pelo Planalto Superior–Serra do Nordeste (2.908) e pelo Alto/Médio Vale do Uruguai (2.281).

    Ação do clima e importância do monitoramento

    A pesquisadora doutora em fitopatologia da Seapi, Andréia Mara Rotta de Oliveira é uma das autoras do estudo. E explica que os resultados “reforçam a relevância do monitoramento climático aliado à vigilância do patógeno como estratégia essencial para o manejo preventivo”.

    Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV/Seapi), enfatiza que o objetivo do programa é justamente fornecer um prognóstico de risco. “As informações geradas podem ser utilizadas para o início do controle da doença e para a tomada de decisão quanto ao uso de fungicidas”, disse.

    O programa mantém coletores em 77 lavouras distribuídas por 75 municípios, cobrindo as 11 regiões ecoclimáticas do RS. Os dados são atualizados semanalmente e disponibilizados em mapas online, servindo como uma ferramenta vital para o produtor rural.

    Atualmente, o estado cumpre o vazio sanitário da soja, que segue até 30 de setembro. A medida, que proíbe a manutenção de plantas vivas no campo, é considerada fundamental para quebrar o ciclo do fungo. E, portanto, reduzir a pressão de incidência da ferrugem asiática na próxima safra.