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  • A força da uva de mesa que nasce no Vale do São Francisco

    A força da uva de mesa que nasce no Vale do São Francisco

    O sertão nordestino, marcado pelo clima seco e pela escassez de chuvas, se consolidou como uma das principais regiões produtoras de uvas do Brasil. Em Petrolina, no sertão de Pernambuco, a Coopexvale (Cooperativa de Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco) reúne produtores que transformaram o Vale do São Francisco em referência nacional e internacional na produção de uvas finas de mesa. Fundada em 2004, a cooperativa nasceu voltada à exportação. No entanto, ao longo dos anos, encontrou no mercado interno uma oportunidade tão rentável quanto o comércio exterior.

    Atualmente, 70% da produção da cooperativa abastece o mercado brasileiro, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Enquanto isso, os outros 30% seguem para exportação. Segundo Jailson Lira, diretor e coordenador do comitê de exportação da cooperativa, a mudança de estratégia ocorreu após a percepção de que o consumidor brasileiro passou a valorizar frutas com padrão elevado de qualidade.

    “Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. A gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo”, afirmou.

    Jaílson Lira – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Com cerca de 640 hectares cultivados em Petrolina, a Coopexvale reúne 40 cooperados e trabalha exclusivamente com uvas de mesa. São aproximadamente 12 variedades produzidas, entre uvas brancas, vermelhas e pretas. Além disso, a cooperativa é considerada a maior do segmento no Vale do São Francisco, região que possui cerca de 18 mil hectares plantados com uvas.

    Além da produção, a estrutura chama atenção pela dimensão logística. A cooperativa conta com seis túneis de resfriamento, nove câmaras frias, três decks de embarque, laboratório de análise, estação de tratamento de água, posto de combustíveis e 1.452 placas solares para geração de energia.

    Genética e qualidade elevam padrão das uvas

    Boa parte das variedades cultivadas pela cooperativa tem origem em programas de genética da Califórnia, nos Estados Unidos. Todos os anos, representantes da cooperativa visitam fazendas experimentais norte-americanas para acompanhar os lançamentos do setor.

    Segundo Jailson, as novas variedades passam primeiro por testes de adaptação ao clima do Vale do São Francisco antes de serem introduzidas comercialmente. Dessa forma, a cooperativa consegue avaliar o desempenho das frutas na região.

    “A genética que sai dos Estados Unidos imediatamente já está aqui no Vale. Produzimos frutas com a mesma qualidade da Califórnia, Itália e Espanha praticamente ao mesmo tempo”, destacou.

    Além disso, a busca por sabor, crocância e padronização fez a cooperativa firmar contratos com empresas de genética a partir de 2021. O objetivo é atender um consumidor cada vez mais exigente.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Entre as marcas da cooperativa, a Gota de Mel se tornou referência no segmento premium. Nesse modelo, a seleção começa ainda no campo e, segundo a cooperativa, o mercado chega a pagar até 70% mais pelas frutas classificadas dentro desse padrão.

    Além dela, a Coopexvale trabalha com as marcas Doçura do Vale, Uvas do Campo, Gotinha de Mel — voltada ao público infantil — e CPX, destinada ao mercado internacional.

    Mercado interno ganha força na cooperativa

    Fundada em 2004, a Coopexvale nasceu com foco no mercado externo. Porém, ao longo dos anos, a cooperativa percebeu que o mercado brasileiro também apresentava forte potencial de crescimento.

    Hoje, 70% da produção abastece o mercado interno, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Já as exportações seguem o calendário mundial da produção de uvas, concentradas principalmente nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro e novembro.

    “Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. Porém, a gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo, temos um padrão de qualidade”, afirmou Jailson.

    Segundo ele, a cooperativa passou a investir em marcas e critérios específicos de sabor e qualidade para enfrentar as oscilações do mercado e ampliar valor agregado.

    Atualmente, a Coopexvale é reconhecida pela qualidade das frutas no mercado nacional. Além disso, a cooperativa trabalha durante as 52 semanas do ano no abastecimento interno.

    Cooperativismo amplia impacto econômico no Vale

    A cooperativa começou em 2004 com 20 produtores. Desde então, ampliou a área cultivada, fortaleceu a estrutura e avançou na sucessão familiar.

    Foto; PH Lopes/ Agro em Campo

    Hoje, cerca de 20% dos cooperados já possuem filhos atuando diretamente no negócio. Para Jailson, o cooperativismo permite que pequenos produtores alcancem mercados antes inacessíveis.

    “O cooperativismo é a oportunidade de o pequeno produtor ter o mesmo peso do grande. Somos todos iguais”, afirmou.

    Ele também destacou que a cooperativa passou por dificuldades em 2010, período que exigiu reestruturação administrativa e financeira.

    “É preciso ter paciência com o cooperativismo para atingir o sucesso”, disse.

    Além disso, a cadeia produtiva da uva exerce forte impacto econômico e social na região. Segundo a cooperativa, um hectare de uva gera entre quatro e cinco empregos diretos.

    Considerando os 18 mil hectares cultivados no Vale do São Francisco, a atividade movimenta cerca de 72 mil empregos.

    Atualmente, a Coopexvale possui 110 funcionários diretos na cooperativa. Somando as fazendas dos cooperados, são aproximadamente 4 mil empregos ligados à atividade.

    O faturamento da cooperativa chegou a R$ 272 milhões em 2025. Paralelamente, a entidade mantém ações sociais voltadas às comunidades locais e apoia instituições como o Hospital do Câncer.

    “O Brasil é o país do agro, mas o agro não recebe a importância que deveria”, afirmou Jailson.

    “Uva quer sol e água”, resumiu o diretor ao explicar a vocação do Vale do São Francisco para a fruticultura irrigada.

  • Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Durante uma viagem pela Suíça, João Gomes movimentou as redes sociais ao brincar que teria comprado uma fazenda no país europeu. A piada acabou sendo levada a sério por parte do público, levando o artista a se pronunciar em vídeo. O que veio depois da negativa, porém, chamou ainda mais atenção do que o boato.

    Ao esclarecer que a declaração não era verdadeira, o cantor revelou que já possui duas propriedades rurais no Brasil. “As fazendas que eu tenho mesmo são de uva, em Petrolina, e de gado, na Bahia”, disse. Direto, sem rodeios e com uma revelação que diz muito sobre como o artista escolheu guardar o dinheiro que o forró lhe trouxe.

    Uma aposta no Vale do São Francisco

    A propriedade que mais chamou atenção fica em Petrolina, no tradicional Vale do São Francisco, região conhecida nacionalmente pela produção de frutas irrigadas. A fazenda é avaliada em cerca de R$ 2 milhões e reúne área produtiva voltada ao cultivo de uvas, amplos terrenos cercados pela paisagem característica do sertão nordestino e estrutura rural moderna.

    Não é por acaso que João Gomes escolheu exatamente essa região. O Vale do São Francisco é hoje um dos polos vitivinícolas mais relevantes do Brasil, e a lógica produtiva do semiárido tem uma vantagem que surpreende quem ainda associa uva ao sul do país: com sol o ano inteiro e um sistema de irrigação por gotejamento, os produtores da região conseguem simular o período de hibernação da planta em tempo menor, o que permite duas safras de uvas por ano. Dois ciclos anuais, no mesmo hectare: isso muda completamente a conta.

    O campo como ponto de retorno

    O que diferencia João Gomes de outros artistas do gênero é a sua capacidade de dialogar com o público jovem sem perder a essência da cultura nordestina. Além do talento musical, a trajetória do artista é marcada pela humildade. Ele frequentemente menciona em entrevistas que seu maior desejo através da música sempre foi mudar a realidade de sua família e honrar suas origens.

    Investir em terra, nesse contexto, não é apenas estratégia financeira. É uma forma de manter os pés fincados onde tudo começou. Imagens divulgadas pelo próprio artista mostram visitas em família à propriedade, contato com a natureza e uma rotina mais tranquila longe dos palcos. No fundo, a fazenda parece cumprir um papel que vai além da produção: é o ponto de retorno.

    O Vale do São Francisco e o agronegócio

    A escolha de Petrolina também revela um movimento maior. A agricultura irrigada na região não só possibilitou a produção de uvas, como também de vinhos que passaram a ter seus rótulos premiados, além de outros produtos derivados como sucos, doces e geleias. A vitivinicultura no sertão nordestino saiu do improvável para virar referência nacional e vem atraindo olhares de fora do setor, inclusive de quem, como João Gomes, enxergou na terra uma aplicação tão sólida quanto qualquer outro ativo.

    Desde que ganhou projeção nacional, em 2021, o cantor ampliou seu patrimônio e investiu em diferentes imóveis. Mas foi na uva do sertão que ele deixou a aposta mais simbólica: a de que o Nordeste produz, e produz bem.

  • FAO inicia comemorações de 80 anos no Semiárido Show de Petrolina

    FAO inicia comemorações de 80 anos no Semiárido Show de Petrolina

    A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) escolheu Petrolina para dar início às comemorações de seus 80 anos no Brasil. O evento acontece durante o Semiárido Show, feira de inovação tecnológica voltada para agricultura familiar, entre 26 e 29 de agosto.

    A FAO ocupará um pavilhão compartilhado com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). O espaço oferecerá atividades práticas e pedagógicas sobre agricultura sustentável. Na terça-feira (26), às 12h, autoridades federais e locais participam de uma cerimônia especial sobre a atuação da FAO no país.

    “A FAO tem muito a comemorar com o Brasil. Nossa parceria tem sido muito bem-sucedida”, declara Jorge Meza, representante da FAO no Brasil. Ele destacou que o país “sempre mostrou determinação na busca de soluções e tornou-se exemplo no combate à fome mundial, saindo novamente do Mapa da Fome em 2025”.

    Programação técnica

    Durante a semana, a FAO realizará oficinas sobre práticas do projeto REDESER (Revertendo o Processo de Desertificação nas Áreas Suscetíveis do Brasil). As atividades abordam conservação de solo e água, manejo florestal na Caatinga, recuperação de áreas degradadas e sistemas agroflorestais.

    A organização também participará de seminários sobre mudanças climáticas na produção alimentar, inovação inclusiva e inserção da juventude rural nas estratégias de combate à desertificação. O evento debaterá ainda o novo marco normativo da Resolução CONAMA para Manejo Florestal Sustentável no Bioma Caatinga.

    O projeto REDESER resulta de parceria entre FAO, MMA e organizações não governamentais, com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). A iniciativa promove ações contra a desertificação com resultados positivos.

    Histórico no semiárido

    A escolha de um município do semiárido brasileiro para iniciar as celebrações de 2025 não foi casual. A FAO atua no fortalecimento da agricultura familiar no Nordeste desde sua instalação no Brasil. Entre 1951 e 1971, a organização desenvolveu o Programa de Irrigação do Rio São Francisco, que atravessa as regiões Central e Nordeste.

    O projeto colaborou com levantamentos de solo e recursos hídricos na região. Também realizou estudos de viabilidade para desenvolver a agricultura irrigada. A fruticultura irrigada consolidou o polo Petrolina-Juazeiro como vetor de desenvolvimento regional, gerando transformações econômicas significativas.

    Os projetos da FAO adotam abordagens participativas com comunidades rurais locais. Incluem transferência de tecnologia para melhorar a resistência à seca, aumentar a produtividade agrícola e a renda das famílias. As iniciativas reduzem a dependência de ajuda emergencial alimentar e capacitam gestores públicos para políticas adequadas às necessidades locais.

    Trajetória institucional

    A FAO surgiu em 1945, numa conferência em Quebec, Canadá. Trinta e quatro países participaram da fundação, incluindo o Brasil. A instituição iniciou atividades no país em 1949, no contexto pós-guerra de reconstrução e necessidade de insumos agrícolas.

    Desde a criação, a FAO foca no desenvolvimento de áreas rurais, onde vivem 70% das pessoas em situação de fome mundial. As ações incluem combate a doenças de animais e plantas, renovação de sementes de cereais e avaliação de impactos ambientais. A organização apoia desde grandes obras de infraestrutura até desenvolvimento rural em microrregiões.

    SERVIÇO:

    Evento: Estande da FAO no Semiárido Show

    Data: 26 a 29 de agosto de 2025

    Local: Campos Experimentais da Embrapa Semiárido

    Endereço: Rodovia BR 122, Km 50 (BR 428, Km 148)

    Pavilhão: Estandes Institucionais D7, D8, D9

    Contato: +55 61 3038-2286 | www.fao.org/brasil