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  • Projeto quer restaurar 15 hectares de manguezais até 2030

    Projeto quer restaurar 15 hectares de manguezais até 2030

    O projeto Olha o Clima, Litoral! iniciou a segunda fase no litoral do Paraná com a meta de restaurar até 15 hectares de manguezais e brejos salinos na Baía de Antonina até 2030. A iniciativa, conduzida pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, também prevê ações de educação ambiental, mobilização de comunidades pesqueiras e apoio técnico aos municípios para fortalecer estratégias de adaptação às mudanças climáticas. O projeto conta com apoio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

    A nova etapa ganha relevância diante de alertas globais. A União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) estima que até 50% dos manguezais do mundo podem colapsar até 2050, pressionados pela elevação do nível do mar, urbanização desordenada e eventos climáticos extremos.

    Apesar de ocuparem áreas reduzidas, os manguezais desempenham papel estratégico no equilíbrio ambiental. Esses ecossistemas capturam e armazenam grandes volumes de carbono, além de protegerem o litoral contra erosão, ressacas e inundações. No Brasil, onde se concentra uma das maiores extensões contínuas de manguezais do planeta, a conservação dessas áreas sustenta a pesca artesanal, contribui para a segurança alimentar e preserva a biodiversidade.

    Na primeira fase do projeto, entre 2022 e 2025, a equipe restaurou 6,55 hectares de manguezais e brejos salinos na Baía de Antonina. As ações removeram 654,8 toneladas de braquiária-d’água, espécie exótica invasora que se espalhou pelo litoral após introdução para alimentação de búfalos nas décadas de 1960 e 1970.

    Ampliação do projeto

    Agora, o projeto amplia sua atuação com base nos dados e diagnósticos já produzidos. A coordenação também retomará o diálogo com as novas gestões municipais, empossadas em 2026, para alinhar estratégias e garantir continuidade das ações climáticas.

    Estudos realizados na fase anterior analisaram a elevação do nível do mar, estoques de carbono azul e vulnerabilidade costeira. Os levantamentos apontaram que todos os sete municípios do litoral paranaense apresentam algum grau de risco climático, com impactos que variam conforme o território.

    Cidades como Matinhos, Pontal do Paraná, Guaratuba e Paranaguá enfrentam maior exposição à erosão costeira, inundações e avanço do mar. Já municípios estuarinos, como Antonina, Morretes e Guaraqueçaba, lidam principalmente com alagamentos e impactos sobre manguezais.

    Restauração ecológica avança

    A remoção da braquiária-d’água segue como principal estratégia de recuperação ambiental. Atualmente, mais de 200 hectares de áreas invadidas pela espécie exigem intervenção.

    A planta compromete o desenvolvimento da vegetação nativa e reduz a biodiversidade. Ao cobrir espécies locais, ela prejudica funções essenciais do ecossistema, como fixação de sedimentos, oferta de alimento e ciclagem de matéria orgânica.

    Área em processo de restauração - remoção de braquiárias-d'água
    Área em processo de restauração – remoção de braquiárias-d’água. Foto: Gabriel Marchi

    O projeto adota a técnica de regeneração natural assistida. Após a retirada da espécie invasora, a vegetação nativa se restabelece sem necessidade de plantio.

    Os resultados já aparecem nas áreas recuperadas. O número de espécies de aves registradas aumentou de 27 para 50. Entre os indicadores ambientais, destaca-se o retorno do bicudinho-do-brejo, ave dependente de ambientes conservados.

    Nesta fase, o projeto também realizará monitoramento da flora e da avifauna, além de estudos para identificar áreas prioritárias para restauração. Em Paranaguá, a equipe vai avaliar a recuperação de bosques urbanos e elaborar diretrizes e um plano de ação para restauração de manguezais.

    Apoio aos municípios

    O projeto vai promover oficinas com as prefeituras de Antonina, Guaratuba, Pontal do Paraná, Morretes, Guaraqueçaba, Matinhos e Paranaguá. Também haverá um encontro intermunicipal para integração das estratégias climáticas.

    Bicudinho do Brejo
    Bicudinho do Brejo. Foto: Gabriel Marchi

    Além disso, os municípios poderão receber apoio técnico contínuo, incluindo orientações, acesso a ferramentas atualizadas e suporte para participação em editais.

    Comunidades e educação ambiental

    A nova fase inclui a ação Manguezal Limpo, que envolverá pescadores artesanais em atividades mensais de coleta de resíduos e remoção da braquiária-d’água. A iniciativa surgiu a partir de demandas das próprias comunidades locais.

    Os participantes receberão capacitação sobre conservação ambiental, poluição marinha, uso de equipamentos de proteção e técnicas de manejo da espécie invasora. Os resíduos coletados serão destinados à Associação de Catadores de Antonina, que também receberá apoio institucional.

    O projeto também vai ampliar as ações de educação ambiental com produção de materiais didáticos e kits pedagógicos para escolas de Antonina e Matinhos. Professores serão capacitados para trabalhar temas como mudanças climáticas, biodiversidade e conservação dos ecossistemas costeiros em sala de aula.

  • Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    O preço da gasolina e do diesel continua pesando no bolso dos brasileiros. No entanto, muita gente ainda acredita que o valor cobrado nos postos depende apenas da Petrobras ou dos donos de postos. Na prática, diversos fatores nacionais e internacionais influenciam diretamente o preço final dos combustíveis no Brasil.

    Atualmente, os custos de produção e importação representam cerca de 61% do valor final pago pelo consumidor. Já os tributos correspondem a 16%, enquanto os biocombustíveis somam 10%. Além disso, os custos de distribuição e revenda representam outros 13%, sendo aproximadamente 5% referentes à margem das distribuidoras.

    Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), o preço nas bombas resulta de uma cadeia complexa. Ou seja, nenhum setor sozinho é responsável pelas altas ou quedas observadas no mercado.

    O que influencia o preço da gasolina e do diesel?

    Diversos fatores ajudam a definir o valor final dos combustíveis no país. Entre os principais, estão:

    • Cotação internacional do barril de petróleo;
    • Variação do dólar;
    • Contexto geopolítico internacional;
    • Carga tributária federal e estadual;
    • Custos logísticos;
    • Mistura obrigatória de biocombustíveis.

    Além disso, o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel utilizado no país é importado. Dessa forma, importadoras e distribuidoras assumem riscos relacionados ao câmbio, ao transporte e às oscilações do mercado internacional para garantir o abastecimento nacional.

    O setor de distribuição também exerce um papel importante no funcionamento da economia. Segundo dados do Sindicom, aproximadamente 200 mil veículos são abastecidos por hora em todos os municípios brasileiros.

    Preço dos combustíveis sofre influência de fatores como petróleo, dólar, impostos e cenário internacional — Foto: Reprodução/Unsplash

    Como o preço do combustível é formado?

    O valor pago pelo consumidor é composto por quatro etapas principais: refinaria, biocombustíveis, impostos e distribuição.

    Preço na refinaria

    A Petrobras vende o combustível às distribuidoras ainda na refinaria. Esse valor sofre influência direta de fatores internacionais, principalmente:

    • preço do barril de petróleo no mercado global;
    • cotação do dólar.

    Além disso, a estatal costuma seguir a chamada política de paridade internacional (PPI). Na prática, isso significa que os preços internos acompanham as oscilações do mercado externo.

    Mistura com biocombustíveis

    Antes de chegar aos postos, a gasolina e o diesel recebem a adição de biocombustíveis.

    A gasolina, por exemplo, é misturada ao etanol anidro. Já o diesel recebe biodiesel na composição. Os preços desses produtos variam conforme fatores agrícolas, demanda interna, subsídios e condições de safra.

    Tributos aumentam o valor nas bombas

    Os impostos representam uma parcela relevante do preço dos combustíveis no Brasil. Entre os principais tributos cobrados estão:

    • ICMS: imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços;
    • CIDE: contribuição federal voltada para infraestrutura de transporte e projetos ligados ao petróleo e gás;

    PIS/Pasep e Cofins: tributos destinados ao financiamento de benefícios e programas sociais.

    Assim, qualquer alteração tributária pode gerar impacto imediato nos preços praticados nos postos.

    Gráfico da formação do preço da gasolina — Elaboração: Petrobrás/Dados: ANP e USP

    Distribuição e revenda também entram na conta

    Os postos compram o combustível já misturado das distribuidoras e definem o valor final ao consumidor. Nesse cálculo, entram despesas com transporte, operação, funcionários, logística e margem de lucro.

    Portanto, o preço exibido na bomba não reflete apenas o valor produzido pela refinaria.

    Estreito de Ormuz pode afetar os combustíveis no Brasil

    Mesmo distante do Oriente Médio, o Brasil também sente os reflexos das tensões internacionais. Um dos pontos mais estratégicos para o mercado mundial de petróleo é o Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.

    Atualmente, cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região.

    Em 2025, por exemplo, os conflitos envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos elevaram o alerta global. O Parlamento iraniano chegou a sugerir o fechamento do estreito como resposta às tensões internacionais.

    Somente a possibilidade de interrupção no fluxo de petróleo já provocou preocupação no mercado internacional.

    Entre os possíveis impactos estão:

    • elevação do barril do petróleo Brent para até US$ 130;
    • aumento dos custos de transporte marítimo e seguros;
    • alta do risco geopolítico e maior pressão inflacionária.

    Mesmo sendo um importante produtor de petróleo, o Brasil ainda importa combustíveis refinados e segue referências internacionais de preços. Por isso, qualquer instabilidade externa pode provocar aumento no valor da gasolina, do diesel, do frete, dos alimentos e até das passagens de transporte público.

  • Petrobras vai retomar obras da fábrica de fertilizantes em Mato Grosso do Sul

    Petrobras vai retomar obras da fábrica de fertilizantes em Mato Grosso do Sul

    A Petrobras decidiu retomar obras da unidade de fertilizantes em Três Lagoas. O Conselho de Administração aprovou a decisão na segunda-feira (13), reforçando a estratégia para o agronegócio nacional.

    A empresa já havia autorizado o projeto em outubro de 2024, dentro do Plano de Negócios 2026-2030. Além disso, a estatal estima investimento de cerca de US$ 1 bilhão para concluir a unidade.

    As obras devem recomeçar ainda no primeiro semestre deste ano, conforme planejamento da companhia. A Petrobras projeta iniciar a operação comercial da planta em 2029, ampliando a oferta de insumos agrícolas.

    O projeto estava paralisado desde 2015, mas voltou à pauta em 2023. Naquele ano, a empresa decidiu retomar investimentos no segmento de fertilizantes.

    Projeto da fábrica

    A unidade deve produzir cerca de 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia. Desse total, aproximadamente 180 toneladas de amônia serão destinadas à comercialização.

    A produção atenderá principalmente Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo. Esses estados concentram grande parte da produção agropecuária brasileira.

    A amônia serve como matéria-prima para fertilizantes e para a indústria petroquímica. Já a ureia lidera a demanda nacional entre os fertilizantes nitrogenados.

    O Brasil consome cerca de 8 milhões de toneladas do produto por ano. O agronegócio utiliza ureia em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão. Além disso, produtores aplicam o insumo como suplemento alimentar para ruminantes.

  • Querosene de aviação sobe 55%: o que a guerra no Irã tem a ver com o preço da sua passagem

    Querosene de aviação sobe 55%: o que a guerra no Irã tem a ver com o preço da sua passagem

    O conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã está deixando de ser apenas uma crise geopolítica distante. Gradualmente, ele se transforma em um problema concreto para quem precisa viajar, transportar carga ou produzir no Brasil. O barril de petróleo atingiu US$ 116 nesta semana. Isso representa uma alta de 50% desde o início das hostilidades. Diante disso, analistas de Wall Street já discutem a possibilidade de o preço chegar a US$ 200 caso a guerra se prolongue.

    A consequência mais imediata para os brasileiros é sentida pelo ar. A partir desta quarta-feira, 1º de abril, o querosene de aviação passou a custar 55% mais caro.

    O que travou o mercado global de petróleo

    O principal gatilho para a disparada foi o fechamento parcial do Estreito de Ormuz. Essa rota estratégica escoa grande parte do petróleo exportado do Golfo Pérsico. Com o bloqueio, o barril ultrapassou a marca de US$ 100 e, em seguida, continuou subindo.

    Somam-se a isso os ataques houthis contra Israel, a escalada militar americana contra o Irã e o impasse diplomático entre Washington e Teerã. Juntos, esses fatores criaram um ambiente de incerteza intensa. Historicamente, mercados de commodities reagem mal a esse tipo de combinação. Por isso, os preços dispararam. Caso o bloqueio do estreito se prolongue, analistas alertam que o fluxo global de petróleo pode cair de forma drástica. Nesse cenário, indústrias, transportes e a produção agrícola dependente de diesel e insumos do petróleo sentirão o impacto diretamente.

    55% mais caro: o que muda para quem voa

    A Petrobras reajustou o querosene de aviação em 55% a partir de 1º de abril. A medida é consequência direta da alta internacional do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Atualmente, esse combustível responde por até 36% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.

    A Vibra Energia, distribuidora de QAV nos aeroportos do país, já confirmou o repasse do reajuste. Além dela, a Air BP e a Raízen também sinalizaram ajustes. No entanto, nenhuma das duas divulgou percentuais, devido à volatilidade diária dos preços.

    Para o consumidor final, a matemática é direta. Segundo executivos da holding Abra, que reúne Gol e Avianca, cada aumento de US$ 1 por galão no combustível exige um repasse de cerca de 10% nas tarifas para preservar a rentabilidade. Na prática, a Azul já elevou suas tarifas em mais de 20% em apenas três semanas. Além disso, a empresa reduziu capacidade operacional para conter custos.

    Os dados oficiais confirmam essa tendência. Segundo o IBGE, as passagens aéreas subiram 5,94% na primeira quinzena de março. Entre todos os itens medidos, esse foi o de maior impacto individual na inflação do período.

    O impacto no agronegócio

    Para o setor agropecuário, a crise do petróleo vai além do preço da passagem. O frete aéreo de produtos de alto valor também sofre pressão direta. Flores, frutas frescas e carnes exportadas estão entre os itens mais vulneráveis. Além disso, o aumento do petróleo empurra para cima o diesel, o gás e os fertilizantes nitrogenados. Todos esses insumos dependem, direta ou indiretamente, da cadeia do petróleo.

    Com o barril em patamares historicamente elevados, produtores que usam aviação para escoar produção perecível ou acessar regiões remotas precisam monitorar seus custos operacionais de perto. Por enquanto, o cenário aponta para meses de pressão sobre margens. Para quem não tem contratos de frete fixados, o risco é ainda maior.

    O que vem pela frente

    O presidente Donald Trump afirma que um acordo com o Irã pode estar próximo. Contudo, suas ações práticas apontam na direção oposta. Washington avalia operações militares de alto risco na região, incluindo ações que poderiam atingir diretamente a infraestrutura energética iraniana.

    Nesse contexto, o mercado aguarda com apreensão. Quando o querosene sobe de forma expressiva, as companhias aéreas dificilmente conseguem absorver o impacto sozinhas. Por isso, o repasse ao consumidor tende a ser inevitável. Assim sendo, quem planeja viajar nos próximos meses deve considerar antecipar a compra de passagens antes que novos reajustes cheguem.

    Para o agronegócio, a lição é mais ampla. Conflitos a milhares de quilômetros do Brasil conseguem afetar desde o custo do frete aéreo até o preço do fertilizante. Por isso, em um setor cada vez mais integrado ao mercado global, monitorar a geopolítica já faz parte da boa gestão rural.

  • Conflito no Oriente Médio pode impulsionar exportações de combustível do Brasil

    Conflito no Oriente Médio pode impulsionar exportações de combustível do Brasil

    O agravamento das tensões no Oriente Médio pode gerar efeitos mistos no comércio exterior brasileiro. O cenário pode elevar exportações de combustíveis e reduzir temporariamente vendas de alimentos. A avaliação é do diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão.  Ele comentou o cenário nesta quinta-feira (5), durante análise dos dados da balança comercial brasileira.

    Segundo Brandão, conflitos na região costumam pressionar o preço do petróleo no mercado internacional.
    Com isso, o Brasil pode ampliar receitas externas com combustíveis. “O Brasil é exportador líquido de petróleo. Se o preço subir, o saldo do comércio de combustíveis tende a crescer”, afirmou.

    Oriente Médio é grande comprador de alimentos brasileiros

    Apesar do possível ganho com combustíveis, o conflito pode afetar temporariamente exportações de alimentos.
    Países do Oriente Médio compram produtos importantes do agronegócio brasileiro. Entre eles estão carne de frango, milho, açúcar e produtos halal, produzidos conforme normas islâmicas.

    Mesmo assim, Brandão avalia que o impacto deve ser temporário. “A demanda por alimentos nesses países não desaparecerá. Os fluxos comerciais tendem a se normalizar”, explicou.

    Os dados do Mdic mostram forte dependência regional em alguns produtos. Cerca de 32% das exportações brasileiras de milho seguem para o Oriente Médio. A região também recebe 30% das vendas de carne de frango brasileira. Além disso, responde por 17% das exportações de açúcar e 7% da carne bovina.

    Exportações para os Estados Unidos continuam em queda

    Os dados da balança comercial também indicam mudanças no comércio com parceiros estratégicos. Em fevereiro, o Brasil exportou US$ 2,523 bilhões para os Estados Unidos. O valor representa queda de 20,3% frente ao mesmo mês do ano passado. As importações também recuaram 16,5%, somando US$ 2,788 bilhões.
    Com isso, o saldo comercial ficou negativo em US$ 265 milhões.

    Essa foi a sétima queda consecutiva das vendas brasileiras ao mercado norte-americano. O movimento reflete a sobretaxa de 50% imposta pelo governo do presidente Donald Trump em 2025. No fim de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a tarifa. Entretanto, os efeitos positivos na balança comercial devem aparecer apenas nos próximos meses.

    Exportações brasileiras para a China crescem

    Enquanto isso, o comércio com a China seguiu em trajetória oposta. Em fevereiro, as exportações brasileiras para o país asiático somaram US$ 7,220 bilhões. O resultado representa crescimento de 38,7% frente aos US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Por outro lado, as importações de produtos chineses caíram 31,3%.
    O total importado alcançou US$ 5,494 bilhões.

    Assim, o Brasil registrou superávit de US$ 1,73 bilhão na relação comercial com o país asiático. Segundo Brandão, um fator relevante influenciou as estatísticas de importação. O Brasil comprou uma plataforma de petróleo avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões. A aquisição ocorreu junto à Coreia do Sul e impactou as estatísticas regionais.

    União Europeia amplia compras de produtos brasileiros

    O comércio com a União Europeia também apresentou resultado positivo. Em fevereiro, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 34,7%. As vendas alcançaram US$ 4,232 bilhões no período. Enquanto isso, as importações europeias recuaram 10,8%. O total importado somou US$ 3,301 bilhões. Assim, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 931 milhões com o bloco.

    Comércio com Argentina registra retração

    No comércio com a Argentina, as vendas e as compras recuaram. As exportações brasileiras caíram 26,5% e somaram US$ 1,057 bilhão. As importações também diminuíram 19,2%, totalizando US$ 850 milhões. Mesmo com a retração, o Brasil manteve superávit comercial. O saldo positivo com o país vizinho chegou a US$ 207 milhões.

    China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina seguem entre os principais parceiros comerciais do Brasil.
    Esses mercados influenciam diretamente o desempenho da balança comercial brasileira.

  • Petrobras anuncia R$ 2,6 bilhões de investimentos na Bahia para setor naval e fertilizantes

    Petrobras anuncia R$ 2,6 bilhões de investimentos na Bahia para setor naval e fertilizantes

    A Petrobras anunciou na quarta-feira (8) um investimento de R$ 2,6 bilhões na Bahia, destinado a fortalecer o setor naval e reativar a produção de fertilizantes no estado. O montante será aplicado na encomenda de novas embarcações e na reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) da Bahia, paralisada desde 2018.

    Em coletiva realizada pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em Salvador, foram detalhados os planos que incluem também a operação e manutenção das fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe, com previsão de retorno das atividades até o final de 2025. A retomada deve elevar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados em aproximadamente 20%, beneficiando o agronegócio brasileiro.

    Além de garantir a oferta para o setor agrícola, o investimento está alinhado com a expansão da produção nacional de gás natural, fator decisivo para a viabilidade econômica da Fafen. A presidente destacou que a Petrobras já aumentou o fornecimento de gás para o mercado interno, o que barateou o insumo essencial para a unidade fabril.

    Na quinta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o Estaleiro Enseada, em Maragogipe, no Recôncavo Baiano, local onde será assinado um protocolo de intenções para viabilizar estudos sobre o uso do canteiro de obras de São Roque do Paraguaçu como área de acostamento para plataformas de petróleo em descomissionamento.

    Estaleiro Enseada

    O Estaleiro Enseada, parceiro da Compagnie Maritime Monegasque (CMM) desde dezembro de 2024, está encarregado da construção de seis navios híbridos multipropósito (PSVs-OSRVs), parte do investimento da Petrobras para renovação da frota naval.

    O Ministério de Portos e Aeroportos também fará um aporte adicional de R$ 611,7 milhões para a construção de 80 embarcações que ampliarão as operações naval e aquaviária no estado, sendo R$ 550,5 milhões provenientes do Fundo da Marinha Mercante (FMM). Este investimento deve gerar mais de 2 mil empregos diretos.

    No total, os investimentos no setor naval e de fertilizantes na Bahia devem criar cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos, reforçando a importância estratégica da região para a indústria naval e agrícola nacional.

  • Petrobras e Ministério da Agricultura unem forças para impulsionar energias renováveis e crescimento do agro

    Petrobras e Ministério da Agricultura unem forças para impulsionar energias renováveis e crescimento do agro

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, recebeu nesta quinta-feira (2), na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. O encontro marcou a primeira visita de Magda à Pasta. E teve como foco a integração estratégica entre os setores de agropecuária e energia para alavancar o desenvolvimento do país.

    Carlos Fávaro destacou a importância do momento histórico. “É um orgulho ter sido o ministro que recebeu, pela primeira vez em 165 anos do Ministério da Agricultura, a presidente da Petrobras. Esse encontro aproxima de forma concreta o agro e o setor de energia. O agronegócio se tornou estratégico no Brasil e, da mesma forma, deve ser relevante para a Petrobras”, afirmou.

    Durante a reunião, a Petrobras apresentou três frentes para estreitar a relação com o agronegócio: originação de matérias-primas, polos de venda e vendas diretas para grandes consumidores. Magda Chambriard reforçou que a estratégia da estatal para os próximos anos busca a integração entre os principais setores da economia brasileira. “O futuro do Brasil passa pela união do agronegócio e do setor petrolífero. São motores da economia que precisam caminhar juntos e se complementar”, declarou.

    O crescimento do consumo de diesel nas regiões do Centro-Oeste e MATOPIBA, áreas com forte potencial agrícola, impulsiona a expansão das operações da Petrobras nessas áreas. A demanda do agronegócio por diesel mais que dobrou nos últimos anos nessas regiões.

    Oportunidades

    Além disso, o encontro destacou oportunidades para ampliar o transporte dutoviário e ferroviário. Além de otimizar o escoamento da produção e estimular a produção de biocombustíveis, como etanol de milho e biodiesel. Já em andamento, a Petrobras atua na produção de Hydrotreated Vegetable Oil (HVO), um biocombustível avançado feito a partir de óleos vegetais e gorduras animais tratados com hidrogênio. O Sustainable Aviation Fuel (SAF), combustível sustentável para aviação, também integra os projetos da empresa, utilizando matérias-primas renováveis e resíduos agrícolas.

    “O caminho da energia renovável, verde e limpa nasce da terra. Essa integração abre novas oportunidades para o Brasil”, reforçou o ministro Fávaro.

    O Mapa, a Petrobras e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) firmaram acordos para cooperar com cooperativas, oferecer produtos e assistência técnica ao consumidor final e desenvolver fertilizantes de eficiência aumentada, usando matérias-primas alternativas, em parceria também com o Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes).

    Cooperação

    A cooperação da Petrobras no MATOPIBA começou em março, após reuniões técnicas que identificaram oportunidades e promoveram visitas a associações e produtores rurais, com o objetivo de fortalecer a presença da estatal na região.

    Magda Chambriard ressaltou o compromisso da Petrobras com políticas públicas. “Não estamos aqui para destruir nenhuma política pública. Pelo contrário, entendemos que esses investimentos valorizam o que temos de melhor: o petróleo e o agro”, afirmou.

    O encontro contou ainda com a participação do corregedor do Mapa, Cyro Dornelas; do diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Cláudio Schlosser; do gerente-geral de Comércio de Produtos e Claros da Petrobras, Leonardo Gouveia; do gerente de contratações de Logística e Parcerias da Petrobras, Eduardo Ávila; e representantes de associações do agronegócio brasileiro.

  • Projeto Algimare promove mutirão de limpeza no rio Aratuá em Galinhos

    Projeto Algimare promove mutirão de limpeza no rio Aratuá em Galinhos

    No Dia Mundial de Limpeza dos Rios e Oceanos (Cleanup Day), o projeto Algimare promoveu um mutirão para limpeza do rio Aratuá, em Galinhos (RN). A ação uniu equipes do Centro AMA-GOA de Cultura e Meio Ambiente e da EMPARN. O mutirão contou ainda com apoio da Colônia de Pescadores Z-30, Prefeitura de Galinhos e patrocínio da Petrobras, parceira que aprovou o projeto no seu edital Socioambiental.

    O Algimare aposta na algicultura, o cultivo de algas marinhas, como motor de geração de renda para comunidades de marisqueiras e pescadoras da região. Além disso, o projeto atua na preservação ambiental, com foco na recuperação dos ecossistemas locais.

    A iniciativa pretende implantar duas unidades de cultivo da macroalga Gracilaria birdiae nas áreas de manguezal e braço de mar nas comunidades de Diogo Lopes, em Macau, e Galinhos. As unidades serão protegidas por costões arenosos e manguezais, ambientes propícios para o crescimento da alga.

    Sobre o projeto Algimare

    O projeto, desenvolvido pela EMPARN em parceria com o Centro AMA-GOA, recebeu investimento de R$ 3.939.726,00 pelo Programa Socioambiental da Petrobras. O montante será destinado à produção sustentável de macroalgas no litoral norte do Rio Grande do Norte, contemplando os municípios de Macau e Galinhos.

    Selecionado em 2023, o projeto aguardava a assinatura do convênio para iniciar as atividades, que terão duração prevista de três anos. A expectativa é que o investimento gere emprego e renda para a população local, incentivando a economia regional e promovendo a preservação dos recursos naturais.

    Ana Célia, pesquisadora da Unidade de Aquicultura da EMPARN, destaca que o Algimare reduzirá a colheita predatória em bancos naturais de algas, fortalecendo a conservação dos ecossistemas costeiros.

    A EMPARN fornecerá as recomendações técnicas para o Centro AMA-GOA executar as ações de cultivo e experimentos com as macroalgas. Segundo Josemir Neves, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da EMPARN, a produção das algas garantirá renda para pescadoras e marisqueiras, beneficiando comunidades tradicionais das duas localidades.

    Macroalgas e seus usos

    As macroalgas, organismos fotossintetizantes encontrados em ambientes marinhos e de água doce, podem ser consumidas frescas ou processadas. Seus produtos servem como estabilizantes e espessantes na indústria alimentícia, além de aplicações em fármacos, cosméticos, rações, fertilizantes e biotecnologia.

    Foto: ASCOM/EMPARN

    O Algimare alia a conservação ambiental à produção econômica, firmando-se como exemplo de desenvolvimento sustentável no litoral do Rio Grande do Norte.

  • Ações da Raízen desabam após Petrobras negar planos de investimento

    Ações da Raízen desabam após Petrobras negar planos de investimento

    As ações da Raízen, uma das maiores empresas brasileiras do setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, registravam forte queda no pregão desta terça-feira (19), figurando entre os principais recuos do dia na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Os papéis da companhia revertiam parte dos ganhos expressivos da véspera, pressionados por declarações oficiais da Petrobras.

    Por volta das 11h, no horário de Brasília, as ações da Raízen recuavam 7,83%, negociadas a R$ 1,06. Pouco depois, às 11h20, a queda era de 6,96%, com os papéis cotados a R$ 1,07. No mesmo período, o Ibovespa, principal índice da B3, registrava queda de 1,77%, aos 134,8 mil pontos.

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    A movimentação negativa ocorreu após a Petrobras desmentir rumores veiculados em reportagem do jornal O Globo, que afirmava que a estatal estudava investir na Raízen, inclusive considerando tornar-se sócia da companhia ou adquirir seus ativos. A Petrobras esclareceu que não há atualmente nenhum projeto ou estudo em andamento relacionado a investimentos em etanol ou distribuição via Raízen.

    Essa confirmação foi interpretada pelos investidores como um fator desfavorável para as ações da Raízen, refletindo-se na queda significativa do valor dos papéis no mercado. A reação dos investidores indica a sensibilidade do setor às notícias envolvendo parcerias estratégicas e investimentos no mercado de combustíveis renováveis.

  • Petrobras investe R$ 3,9 milhões em projeto de cultivo de macroalgas no RN

    Petrobras investe R$ 3,9 milhões em projeto de cultivo de macroalgas no RN

    A Petrobras aprovou o projeto “Algimare: Algicultura Como Renda e Preservação Ambiental”, desenvolvido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) em parceria com o Centro AMA-GOA de Cultura e Meio Ambiente. O investimento total será de R$ 3.939.726,00 para a produção de macroalgas nos municípios de Macau e Galinhos, no litoral norte potiguar.

    O projeto, selecionado em 2023 pelo Programa Socioambiental da Petrobras, aguardava a assinatura do convênio para liberação da primeira parcela dos recursos. Com duração de três anos, a iniciativa visa gerar emprego e renda para comunidades locais, além de reduzir a extração predatória de algas naturais.

    Preservação ambiental e desenvolvimento econômico

    O “Algimare” foi um dos projetos aprovados em meio a concorrentes de todo o Brasil e tem como foco a sustentabilidade e inclusão social. A pesquisadora Ana Célia, da Unidade de Aquicultura da EMPARN, destaca que a iniciativa minimizará a colheita excessiva de algas nos bancos naturais, promovendo um equilíbrio ecológico.

    Foto: Divulgação EMPARN

    Serão instaladas duas unidades de produção da macroalga Gracilaria birdiae – uma em Diogo Lopes (Macau) e outra em Galinhos. A EMPARN ficará responsável pelas orientações técnicas, enquanto o Centro AMA-GOA executará o cultivo e os experimentos.

    Benefícios econômicos e aplicações das macroalgas

    De acordo com Josemir Neves, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da EMPARN, o projeto fortalecerá a economia local, especialmente para marisqueiras e pescadoras das comunidades envolvidas.

    As macroalgas são organismos fotossintéticos com diversas aplicações, podendo ser consumidas in natura ou processadas para:

    • Alimentos (como estabilizantes e espessantes)
    • Indústria farmacêutica e cosmética
    • Rações animais e fertilizantes
    • Biotecnologia

    Com o início das atividades, a expectativa é que o projeto Algimare se torne um modelo de desenvolvimento sustentável, alinhando preservação ambiental e geração de renda no Rio Grande do Norte.

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