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  • Pesquisadores descobrem duas novas espécies de minhocas

    Pesquisadores descobrem duas novas espécies de minhocas

    Pesquisadores identificaram duas espécies de minhocas até então desconhecidas pela ciência na Fazenda Canchim, sede da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). A descoberta, publicada em abril na revista internacional Zootaxa, coloca o Brasil mais perto de mapear a riquíssima e ainda pouco conhecida fauna de oligoquetas do país.

    As duas espécies pertencem à família Glossoscolecidae: a Fimoscolex bernardii sp. nov. e a Glossoscolex (Glossoscolex) canchim sp. nov. Os animais habitam áreas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e lavouras sob plantio direto, sistemas agrícolas reconhecidos por sua menor perturbação do solo.

    O artigo tem a assinatura da pesquisadora Marie Luise Carolina Bartz, do Programa de Pós-Graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); do pesquisador George Brown, da Embrapa Florestas; e de Lilianne Maia Bruz, do Programa de Pós-Graduação em Solos da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

    Bioindicadoras da qualidade do solo

    Minhocas figuram entre os organismos mais relevantes da fauna edáfica. Atuam como engenheiras do ecossistema. Ou seja, abrem canais no solo, fragmentam resíduos vegetais, transportam microrganismos e misturam matéria orgânica com minerais. E sua presença ou ausência indica o estado de saúde do ambiente em que vivem.

    “Espécies nativas geralmente estão associadas a habitats menos perturbados, enquanto formas exóticas ou invasoras tendem a dominar solos manejados. O registro da diversidade de minhocas em sistemas integrados é essencial para relacionar as respostas biológicas do solo à intensidade do manejo e à sustentabilidade a longo prazo”, afirma George Brown.

    Para Bartz, o achado demonstra que a produção agrícola e a conservação da vida no solo podem andar juntas. “As minhocas são organismos-chave e sua presença indica que esses sistemas estão funcionando biologicamente. Isso reforça que práticas como o plantio direto e os sistemas integrados não apenas produzem alimentos, mas também mantêm a biodiversidade nativa brasileira”, diz a pesquisadora. “O impacto é muito positivo. Isso muda a forma como vemos a agricultura. Ela deixa de ser apenas produtiva e passa a ser também conservacionista.”

    Da coleta à publicação

    A história desta descoberta começa em 2018, quando Brown, Bartz, Bruz e equipe visitaram a Embrapa Pecuária Sudeste para avaliar a influência dos sistemas integrados sobre a qualidade do solo e as populações de minhocas. Os dados gerados a partir dessas coletas também alimentaram a tese de doutorado de Lilianne Bruz.

    “Há ainda muitas respostas que precisam ser dadas. Para isso, procuramos especialistas que atuam em outros temas para entender melhor esses sistemas, que são muito complexos”, ressalta o pesquisador Alberto Bernardi, da Embrapa Pecuária Sudeste, homenageado no nome de uma das espécies.

    Os resultados mostraram que os sistemas integrados aumentam a abundância de minhocas, tanto nativas quanto exóticas. “O fato de termos encontrado minhocas nativas em áreas amplamente perturbadas indica que os sistemas integrados utilizados na Embrapa possibilitam a conservação dessas espécies”, explica Bruz.

    A coleta ocorreu em múltiplos ambientes da Fazenda Canchim; sistemas ILPF, ILP, IPF, pastagem extensiva, pastagem intensiva e cultura de milho irrigado sob plantio direto. Técnicos retiraram os animais manualmente, contaram, separaram e os avaliaram quantitativa e qualitativamente. Após análise das características externas, realizaram dissecção dorsal para examinar as estruturas anatômicas internas.

    Os espécimes estão depositados na Coleção Fritz Müller de Oligoquetas (COFM) da Embrapa Florestas, em Colombo (PR), com um parátipo de cada espécie no Museu de Zoologia de São Paulo (MZUSP).

    Os nomes carregam história

    A Fimoscolex bernardii recebe o nome em homenagem a Alberto Bernardi, responsável há mais de 20 anos pelos experimentos sobre sistemas integrados na Embrapa Pecuária Sudeste.

    Alberto Bernardi (Embrapa São Carlos), George Brown (Embrapa florestas), Marie Bartz. Foto: Lilianne Maia Bruz/Embrapa

    Já a Glossoscolex canchim leva o nome de uma árvore nativa da Mata Atlântica, a canchim (Pachystroma longifolium), comum na região de São Carlos. A mesma que batizou a raça bovina Canchim e a própria fazenda onde os pesquisadores fizeram a descoberta.

    Brasil tem uma das faunas mais ricas do mundo. E ainda pouco mapeada

    O país conta com cerca de 336 espécies de minhocas descritas, mas estimativas indicam que podem existir mais de 1.400 no território nacional. São Paulo é um dos estados com maior número de espécies registradas, e São Carlos se situa justamente na transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, região de grande heterogeneidade ambiental e intensa atividade agropecuária.

    Apesar disso, a composição taxonômica das minhocas nativas ainda permanece pouco documentada, especialmente no Cerrado. A Fazenda Canchim funciona há mais de duas décadas como sítio de referência para experimentos de longo prazo, mas suas comunidades zoológicas do solo seguem subestudadas.

    Além do valor taxonômico, a descoberta reforça a necessidade de mais estudos ecológicos sobre como o uso da terra e as práticas de manejo influenciam a persistência das comunidades nativas de minhocas. E por consequência, a saúde dos solos brasileiros.

  • Pesquisador da Embrapa ingressa no Hall da Fama da Citricultura Brasileira

    Pesquisador da Embrapa ingressa no Hall da Fama da Citricultura Brasileira

    O engenheiro-agrônomo Walter dos Santos Soares Filho, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) e líder do Programa de Melhoramento Genético de Citros da Embrapa, recebe nesta terça (26), às 9h45, em Cordeirópolis (SP), o Prêmio GConci 2026 – Hall da Fama da Citricultura Brasileira, ofertado pelo Grupo de Consultores em Citros (Gconci).


    O Hall da Fama da Citricultura Brasileira é uma homenagem feita pelo GConci para profissionais que se destacam pela contribuição durante sua vida profissional ao setor citrícola. Ele é concedida anualmente durante a abertura da 51a Semana da Citricultura e 47a Semana da Citricultura, realizadas pelo Instituto Agronômico (IAC) no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” entre os dias 26 e 29 de maio.

    O GConci é uma associação técnica, sem fins lucrativos, e tem sede instalada em Cordeirópolis. Seus integrantes prestam consultoria técnica direta a mais 40 milhões de plantas cítricas. Isso representa quase 20% da citricultura brasileira.

    História

    Trabalhando na Embrapa Mandioca e Fruticultura desde 1976, Walter Soares é doutor em Agronomia (com área de concentração Genética e Melhoramento de Plantas), tem contribuições decisivas para a sustentabilidade da citricultura, com foco maior na obtenção de variedades porta-enxerto eficientes no uso da água e/ou tolerantes à seca e à salinidade e resistentes/tolerantes às principais doenças da cultura e coordena uma rede nacional de pesquisa da cultura.

    “A homenagem do GConci é, na verdade, não só prestada a mim. Mas a toda uma rede de colaboradores Brasil afora, envolvida no trabalho que a Embrapa desenvolve em favor da citricultura brasileira. Esse é um trabalho feito a várias mãos e que mostra a importância do que estamos realizando não só para a citricultura de São Paulo, especificamente, uma vez que o GConci é sediado em São Paulo, mas em todo o País. Fico muito grato e estendo esse reconhecimento a toda uma imensa equipe, composta por centenas de pessoas, envolvendo não só a Embrapa diretamente, como universidades, institutos federais e várias outras instituições, como o próprio IAC e, notadamente, uma grande rede de citricultores espalhada por todo esse nosso imenso país”, afirma.

    Soares é o quarto pesquisador da Embrapa a receber o prêmio desde 1997, depois de Eduardo Sanches Stuchi (2021), falecido em 2022, Orlando Sampaio Passos (2023) e Eduardo Girardi (2024), todos da Embrapa Mandioca e Fruticultura.

    Na programação da Semana de Citricultura, Walter Soares e Eduardo Girardi participam, no dia 27 às 10h30, como debatedores da mesa-redonda “Variedades de citros no Brasil”, da sessão Tecnologias para implantação de pomares. Girardi é o coordenador da Unidade Mista de Pesquisa e Transferência de Tecnologia (UMIPTT) Cinturão Citrícola, instalada nas cidades de Araraquara e de Bebedouro (SP).

  • Embrapa desenvolve queijo vegetal funcional a partir de castanha de caju

    Embrapa desenvolve queijo vegetal funcional a partir de castanha de caju

    Pesquisadores da Embrapa criaram um análogo vegetal e simbiótico de queijo cremoso que combina bactérias probióticas do gênero Bifidobacterium com fibras prebióticas. O produto responde à crescente demanda por alimentos saudáveis, funcionais e sustentáveis no mercado brasileiro.

    Fibra desidratada derivada do bagaço do caju. Foto: Patrícia Mendes/Embrapa

    A formulação utiliza amêndoas de castanha de caju (ACC) quebradas como matéria-prima principal. Essas amêndoas apresentam o mesmo valor nutricional das inteiras, mas recebem menor valorização comercial. A iniciativa agrega valor a um coproduto do beneficiamento e amplia alternativas para a cadeia produtiva do Nordeste.

    “Desenvolvemos uma alternativa vegetal saudável, com propriedades funcionais reais, que atende consumidores que evitam lácteos por opção e aqueles com restrições como intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite”, explica a pesquisadora Selene Benevides, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), que lidera o projeto.

    Produto apresenta estabilidade e boa aceitação

    Ensaios laboratoriais demonstraram teores adequados de frutooligossacarídeos (FOS), a fibra prebiótica presente na formulação. Os testes também confirmaram estabilidade microbiológica e número adequado de células viáveis de Bifidobacterium durante 45 dias de armazenamento.

    O análogo a queijo obteve média 7 para aceitação global em testes sensoriais com consumidores, classificação equivalente a “gostei”. Para intenção de compra, a média ficou entre 4 e 5, que corresponde a “provavelmente compraria” e “certamente compraria”, respectivamente.

    A equipe já ampliou a escala de produção e validou o processo em indústria de produtos plant-based. Atualmente, pesquisadores conduzem ensaios clínicos com humanos em parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor) para avaliar a funcionalidade do produto.

    Pesquisas atendem novas tendências de consumo

    O pesquisador Nédio Jair Wurlitzer, que atua no Laboratório de Processos Agroindustriais da Embrapa Agroindústria Tropical, destaca que a inovação responde a mudanças nos hábitos alimentares. “O consumidor busca produtos que, além da nutrição, ofereçam benefícios reais à saúde. Essa demanda impulsiona o desenvolvimento de novas formulações e a requalificação de recursos já existentes, como a amêndoa de castanha de caju quebrada”, avalia.

    A pesquisadora Socorro Bastos, responsável por iniciativa interna da Embrapa que alinha projetos de pesquisa ao protagonismo do consumidor, aponta que empresas e centros de pesquisa observam tendências como o crescimento do público vegano, vegetariano e flexitariano. A preocupação com bem-estar animal, impacto ambiental e a demanda por alimentos funcionais também orientam as pesquisas.

    Embrapa estuda diversas matérias-primas brasileiras

    O Laboratório de Processos Agroindustriais da Embrapa já estudou várias matérias-primas nacionais, incluindo caju, babaçu, yacon, jenipapo, feijão-caupi, tamarindo e maracujá. A equipe desenvolveu aplicações para variedades de maracujá-silvestre, avaliadas por sua possível contribuição no tratamento de tremores, e apresentou alternativa para reduzir a acidez do suco de tamarindo.

    Pesquisadores também adicionaram yacon, raiz rica em frutooligossacarídeos, ao suco de caju e demonstraram impacto positivo na dieta em testes clínicos. Outra frente aproveita a fibra do bagaço de caju para desenvolver alternativa na indústria de produtos substitutos da carne.

    A busca por proteínas alternativas inclui pesquisas com amêndoa de caju e feijão-caupi. Em resposta à rejeição de aditivos sintéticos, o laboratório também explora pigmentos naturais da pitaya e do jenipapo.

    Entenda os conceitos

    • Probióticos: bactérias vivas benéficas que colonizam temporariamente o intestino, competem com bactérias patogênicas e ajudam a manter a saúde intestinal.
    • Prebióticos: compostos não digeríveis, geralmente fibras, que servem como alimento para as bactérias probióticas e estimulam seu crescimento e atividade.
    • Simbióticos: combinação de prebióticos e probióticos na formulação do alimento. A sinergia intensifica os benefícios e promove ambiente intestinal mais saudável.

    Ciência monitora comportamento do consumidor

    A Embrapa inclui o monitoramento do comportamento do consumidor entre os aspectos observados no planejamento de pesquisa. “Sustentamos esse movimento a partir do diálogo constante entre ciência, setor produtivo e sociedade”, diz Socorro Bastos.

    O produto responde a novos direcionamentos de consumo voltados a alimentos mais saudáveis e funcionais. Foto: Patrícia Mendes/Embrapa

    As linhas de pesquisa influenciadas por novas demandas incluem desenvolvimento de produtos à base de proteínas alternativas, agregação de valor a matérias-primas com foco em segurança e qualidade, formulações para públicos com restrições alimentares, substituição de compostos sintéticos por ingredientes naturais e estudos que fortaleçam a rastreabilidade dos produtos brasileiros.

    “Geramos respostas para um consumidor mais atento, que busca confiança, procedência, saudabilidade e inovação”, explica Bastos.

    O alinhamento das pesquisas às demandas de consumo envolve estudos de mercado, monitoramento de observatórios temáticos e participação em feiras e eventos especializados. Pesquisadores investem em ferramentas de business intelligence (BI) e sistemas de monitoramento e mineração de dados para captar sinais emergentes do consumo.

    As demandas surgem em workshops, pesquisas de mercado, câmaras setoriais e projetos de PD&I realizados em parcerias com produtores, indústria, startups, consumidores e organizações da sociedade civil. A lógica do codesenvolvimento garante que a ciência receba feedback contínuo sobre preferências, uso, aceitação e impacto das tecnologias, fluxo considerado essencial para aumentar as chances de adoção das soluções desenvolvidas.

  • IAC e Coffee Dinner & Summit reforçam protagonismo de Campinas na cafeicultura

    IAC e Coffee Dinner & Summit reforçam protagonismo de Campinas na cafeicultura

    O pesquisador Sérgio Parreiras Pereira, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), destacou a importância histórica e atual da cidade de Campinas no desenvolvimento da cafeicultura brasileira. 

    Em entrevista ao Portal Agro em Campo, durante o 10º Coffee Dinner & Summit, o especialista reforçou o vínculo da cidade com o café.

    “Campinas sempre teve no DNA a cultura cafeeira. As estradas de ferro do estado de São Paulo saíram daqui para as regiões produtoras e traziam o café para depois descer para Santos”, contextualizou o professor. 

    Na conversa, o pesquisador destacou a contribuição do Instituto Agronômico para o avanço técnico e científico do setor cafeeiro no Brasil e, ao mesmo tempo, salientou a importância de ter os representantes da cadeia produtiva juntos no 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP). 

    “É um instituto que foi formado pelo imperador D. Pedro II, para trabalhar com a cultura do café. Grande parte do café do Brasil, ainda hoje plantado, teve a sua origem aqui no nosso Instituto. Então é um prazer muito grande ver o mundo do café inteiro reunido aqui em Campinas. É um trabalho muito interessante que o Cecafé vem fazendo na promoção dos nossos Cafés do Brasil.”

    Relevância internacional do evento

    Para Sérgio, sediar o 10º Coffee Dinner & Summit em Campinas tem um valor simbólico e técnico. Além da ligação histórica, o evento permite que o mundo conheça de perto a qualidade da produção brasileira.

    “O Brasil é o maior produtor e maior exportador de café do mundo. É muito importante trazer todos os players do mercado internacional para poderem vir aqui discutir em nossa casa. Aqui eles podem ver a excelência com que nós produzimos os nossos cafés aqui no Brasil”, afirmou.

    IAC como base científica da cafeicultura nacional

    O Instituto Agronômico de Campinas é referência em pesquisas voltadas à cafeicultura. 

    “Nós trabalhamos sempre com café. Temos os principais cultivares de café que estão no mercado. Temos linha de pesquisa com sustentabilidade, com manejo, com cafés exóticos. Então nós somos, com certeza, um dos grandes parceiros do Cafés do Brasil também.”

    Ao longo de mais de um século de atuação, o IAC tem contribuído de forma decisiva para a evolução do setor, tanto em produtividade quanto em práticas sustentáveis. E a presença no 10º Coffee Dinner & Summit reforça justamente o papel da ciência e da inovação no mercado cafeeiro do Brasil frente ao cenário global.

  • Pesquisador ressalta papel de Instituto Agronômico e evento do Cecafé em Campinas

    Pesquisador ressalta papel de Instituto Agronômico e evento do Cecafé em Campinas

    O pesquisador Sérgio Parreiras Pereira, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), destacou a importância histórica e atual da cidade de Campinas no desenvolvimento da cafeicultura brasileira. 

    Em entrevista ao Portal Agro em Campo, durante o 10º Coffee Dinner & Summit, o especialista reforçou o vínculo da cidade com o café.

    “Campinas sempre teve no DNA a cultura cafeeira. As estradas de ferro do estado de São Paulo saíram daqui para as regiões produtoras e traziam o café para depois descer para Santos”, contextualizou o professor. 

    Na conversa, o pesquisador destacou a contribuição do Instituto Agronômico para o avanço técnico e científico do setor cafeeiro no Brasil e, ao mesmo tempo, salientou a importância de ter os representantes da cadeia produtiva juntos no 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP). 

    “É um instituto que foi formado pelo imperador D. Pedro II, para trabalhar com a cultura do café. Grande parte do café do Brasil, ainda hoje plantado, teve a sua origem aqui no nosso Instituto. Então é um prazer muito grande ver o mundo do café inteiro reunido aqui em Campinas. É um trabalho muito interessante que o Cecafé vem fazendo na promoção dos nossos Cafés do Brasil.”

    Relevância internacional do evento

    Para Sérgio, sediar o 10º Coffee Dinner & Summit em Campinas tem um valor simbólico e técnico. Além da ligação histórica, o evento permite que o mundo conheça de perto a qualidade da produção brasileira.

    “O Brasil é o maior produtor e maior exportador de café do mundo. É muito importante trazer todos os players do mercado internacional para poderem vir aqui discutir em nossa casa. Aqui eles podem ver a excelência com que nós produzimos os nossos cafés aqui no Brasil”, afirmou.

    IAC como base científica da cafeicultura nacional

    O Instituto Agronômico de Campinas é referência em pesquisas voltadas à cafeicultura. 

    “Nós trabalhamos sempre com café. Temos os principais cultivares de café que estão no mercado. Temos linha de pesquisa com sustentabilidade, com manejo, com cafés exóticos. Então nós somos, com certeza, um dos grandes parceiros do Cafés do Brasil também.”

    Ao longo de mais de um século de atuação, o IAC tem contribuído de forma decisiva para a evolução do setor, tanto em produtividade quanto em práticas sustentáveis. E a presença no 10º Coffee Dinner & Summit reforça justamente o papel da ciência e da inovação no mercado cafeeiro do Brasil frente ao cenário global.

  • Produção de camarões longe do mar

    Produção de camarões longe do mar

    O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, está à frente de um projeto inovador para viabilizar a produção de camarões marinhos em água salinizada, longe do oceano. Em parceria com empresas privadas e com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag), o objetivo é criar uma alternativa sustentável e economicamente viável para os produtores aquícolas.

    A pesquisa está sendo realizada em Jaguariúna, interior de São Paulo, utilizando uma estrutura que simula as condições reais do cultivo. A tecnologia envolve a salinização artificial da água, replicando os sais presentes no ambiente marinho: cloreto, sódio, cálcio, potássio, sulfato e magnésio. Embora a salinidade específica não seja essencial para os camarões marinhos — que precisam desses sais — essa abordagem permite produzir em regiões distantes do litoral.

    Desafios e vantagens

    O grande desafio está na densidade de estocagem: alcançar altas densidades é crucial para tornar o cultivo economicamente viável. O pesquisador Fábio Sussel trabalha com até 300 camarões por metro cúbico. As vantagens incluem a possibilidade de produzir em áreas interioranas sem pressionar ecossistemas costeiros e ampliar oportunidades econômicas para pequenos produtores.

    Fábio Sussel, pesquisador responsável pelo projeto

    Além disso, o cultivo controlado permite um manejo eficiente da qualidade da água e alimentação dos animais. O uso exclusivo de água captada da chuva sem descarte ao meio ambiente destaca ainda mais sua sustentabilidade.

    Perspectivas

    “O maior desafio é lidar com patógenos em alta densidade”, afirma Sussel. “No entanto, isso não difere dos desafios enfrentados globalmente na carcinicultura.” Para superá-los estão sendo desenvolvidos protocolos específicos visando equilibrar produtividade e sanidade animal.

    Com essa iniciativa inovadora no setor aquícola brasileiro — principalmente no estado mais consumidor como São Paulo — há expectativas significativas tanto econômicas quanto ambientais para fortalecer essa cadeia produtiva localmente enquanto se reduzem impactos nos ecossistemas costeiros tradicionais.

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  • Embrapa lança concurso público com 1.027 vagas

    Embrapa lança concurso público com 1.027 vagas

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) abriu 1.027 vagas em seu novo concurso público. O edital foi publicado nesta sexta-feira (6), no Diário Oficial da União. A organização do certame ficará a cargo do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe).

    As inscrições estarão disponíveis de 16 de dezembro de 2024 a 7 de janeiro de 2025, exclusivamente no site do Cebraspe. Além disso, os candidatos farão as provas objetivas e discursivas em 23 de março de 2025, em todas as capitais brasileiras e cidades com unidades da Embrapa.

    Vagas distribuídas em 189 áreas estratégicas

    O concurso contempla cargos de assistente, técnico, analista e pesquisador, distribuídos em 189 áreas e subáreas de atuação. Em resumo, a Embrapa criou essas opções com base em demandas estratégicas, combinando competências humanas, tendências científicas e necessidades sociais.

    Os candidatos devem indicar sua área de interesse, chamada de “opção”, no momento da inscrição. Além disso, quem for aprovado poderá ser convocado para qualquer unidade da Embrapa com vagas disponíveis nessa opção. A empresa possui sede em Brasília e 43 unidades descentralizadas espalhadas pelo Brasil.

    Reservas de vagas garantem inclusão

    O edital assegura 20% das vagas para pessoas pretas ou pardas (PPP) e 10% para pessoas com deficiência (PcD). Com isso, 719 vagas são para ampla concorrência, 205 para PPP e 103 para PcD.

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    Perfis exigidos e etapas de seleção

    O concurso oferece oportunidades para diferentes níveis de formação:

    • Pesquisador: exige mestrado, salário-base de R$ 12.814,61;
    • Analista: exige ensino superior, salário-base de R$ 10.921,33;
    • Técnico: exige ensino médio, salário-base de R$ 5.556,81;
    • Assistente: exige nível fundamental incompleto, salário-base de R$ 2.186,19.

    Cada cargo terá etapas específicas de avaliação, conforme descrito no edital disponível no site do Cebraspe.

    Novas demandas marcam a seleção

    Além de áreas tradicionais, como advocacia, entomologia e melhoramento genético, o concurso inclui novas demandas, como biologia sintética, ciência de dados e nanotecnologia. Portanto, essas áreas refletem a evolução das necessidades da Embrapa nos últimos anos.

    Gestoras destacam a importância do certame

    A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, ressaltou a relevância do concurso. “Estamos entusiasmados em atrair novos talentos alinhados à nossa missão de promover inovação e excelência. Essa iniciativa reforça nosso compromisso com o impacto positivo na agropecuária tropical”.

    Ao mesmo tempo, a diretora de Administração, Selma Beltrão, destacou que o último concurso da Embrapa ocorreu há 15 anos. “Esse certame é essencial para enfrentarmos os desafios atuais e futuros. A seleção foi planejada para atender demandas estratégicas e impulsionar a pesquisa agropecuária no país”.

    Informações adicionais

    Em resumo, os interessados devem acessar o edital completo no site do Cebraspe. Além disso, é fundamental acompanhar atualizações e esclarecer dúvidas diretamente com a banca organizadora pelos contatos informados no edital.

     

  • Farelo de mamona pode revolucionar alimentação de bovinos

    Farelo de mamona pode revolucionar alimentação de bovinos

    Um estudo inovador da Embrapa está avaliando o farelo de mamona destoxificado como uma alternativa ao farelo de soja na alimentação de bovinos de corte. A pesquisa, realizada na Embrapa Pecuária Sul em Bagé, Rio Grande do Sul, em colaboração com a Embrapa Algodão e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), investiga não apenas o consumo e a digestibilidade do farelo, mas também seu potencial para reduzir as emissões de metano entérico, um gás que contribui para o aquecimento global.

    A mamona, planta cuja extração de óleo gera o farelo como subproduto, contém ricina, uma substância tóxica. No entanto, após um processo de destoxificação industrial, o farelo se torna uma fonte nutritiva para ruminantes, apresentando até 45% de proteína bruta — cerca de 10% a mais do que o farelo de soja — e com custos mais baixos. Segundo Bruna Machado, zootecnista responsável pelo estudo e doutoranda na UFSM, a pesquisa busca estabelecer condições seguras para a introdução do farelo no mercado pecuário brasileiro. “Esperamos que o farelo de mamona possa ser utilizado tanto em pastagens quanto em confinamento”, afirmou.

    Sem efeitos adversos

    Os testes prévios com pequenos ruminantes mostraram que o farelo destoxificado não causa efeitos adversos na alimentação desses animais. Contudo, ele continua impróprio para monogástricos como aves e suínos. Liv Severino, pesquisador da Embrapa Algodão, destacou que a pesquisa marca um avanço significativo no uso do farelo de mamona na alimentação animal. Uma vez que países como Índia e China, grandes produtores da planta, ainda não conseguiram implementar essa prática.

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    O projeto de doutorado de Bruna Machado é intitulado “Uso seguro do farelo de mamona como alimento para animais ruminantes e para a redução das emissões de metano entérico”. A metodologia envolve 20 fêmeas da raça Brangus, divididas em quatro grupos. E cada grupo recebeu diferentes níveis de inclusão do farelo em substituição ao farelo de soja. Os tratamentos variam entre 10%, 20% e 30% de inclusão.

    Redução das emissões de metano

    Além dos benefícios nutricionais, a pesquisa também visa avaliar como o uso do farelo pode contribuir para a redução das emissões de metano pelos bovinos. A zootecnista Bruna enfatizou que “a formulação de dietas mais eficientes é essencial para que o Brasil cumpra seus compromissos internacionais na redução das emissões desse gás”.

    Com essa iniciativa, a Embrapa busca não apenas melhorar a eficiência da pecuária brasileira, mas também contribuir para práticas mais sustentáveis no setor agropecuário.

  • Pesquisa orienta produtor para controle da lagarta-do-cartucho

    Pesquisa orienta produtor para controle da lagarta-do-cartucho

    Um estudo da Embrapa Milho e Sorgo (MG) apresenta novas orientações para o manejo da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

    A pesquisa, que se insere, por sua vez, no contexto do novo cenário agrícola brasileiro, destaca, assim, a importância de práticas sustentáveis. Principalmente em plantios consorciados com braquiária.

    Os pesquisadores alertam, ainda, que a braquiária, frequentemente utilizada em consórcio com o milho, favorece a proliferação da lagarta-do-cartucho.

    Dessa forma, a combinação do uso de produtos químicos e biológicos no Manejo Integrado de Pragas (MIP) surge como a solução mais eficaz para controlar o inseto.

    Esse método orienta, então, os produtores a tomarem decisões informadas sobre a aplicação de inseticidas, com o objetivo de reduzir custos e aumentar a sustentabilidade das lavouras.

    Complexidade do manejo

    Ivênio Oliveira, pesquisador da Embrapa, ressalta que o manejo da lagarta-do-cartucho é complexo e deve considerar todo o sistema de produção.

    “É essencial entender a ocorrência e permanência dessa praga em sistemas como o ILPF e o de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), que estão se tornando cada vez mais comuns no Brasil”, afirma Oliveira.

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    A pesquisa enfatiza a necessidade de um monitoramento contínuo da praga para determinar os momentos adequados para o controle.

    O estudo introduz índices de tomada de decisão, como o nível de dano econômico (NDE) e o nível de controle (NC). Além disso, o relatório sugere que as aplicações de inseticidas devem ser realizadas apenas quando se atinge um NC em torno de 20% das plantas afetadas.

    Os experimentos realizados em condições simuladas de lavouras comerciais mostraram que as estratégias de MIP são mais eficazes do que a aplicação de inseticidas químicos.

    “A estratégia MIP reduz a necessidade de aplicações químicas, passando de quatro para três por safra”, conclui Oliveira.

    Com essas orientações, os produtores poderão gerenciar melhor a lagarta-do-cartucho, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis e eficientes.

  • Ácaro-rajado impõe perdas de até 20% na cultura do algodão

    Ácaro-rajado impõe perdas de até 20% na cultura do algodão

    O ácaro-rajado (Tetranychus urticae) emergiu como um dos principais desafios na cultura do algodão em Mato Grosso, causando perdas de até 20% nas lavouras. O alerta vem de Jacob Crosariol Netto, pesquisador do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMA), que destaca a crescente relevância dessa praga, antes considerada secundária.

    “Há cinco anos, o ácaro-rajado aparecia principalmente no final do ciclo do algodão, em condições secas. Hoje, ele está presente durante todo o ciclo, e se não for controlado adequadamente, pode causar perdas severas, chegando a mais de 1.000 kg de fibra por hectare em uma área com potencial de produção de 5.200 kg/ha”, explica Crosariol Netto.

    Uso excessivo de defensivos como agravante

    A intensificação do problema, especialmente nas regiões de Campo Verde e Primavera do Leste, está associada ao uso excessivo de fungicidas e inseticidas de baixa seletividade, conforme apontado por estudos de campo. “Esses produtos acabam eliminando inimigos naturais do ácaro, acelerando seu ciclo reprodutivo e favorecendo sua multiplicação descontrolada”, afirma o pesquisador.

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    O desequilíbrio ecológico resultante desse manejo incorreto está tornando o controle da praga mais difícil e custoso.

    Cresce a necessidade de acaricidas

    A resposta a essa nova realidade é o aumento no uso de acaricidas. “Antes, aplicávamos esses produtos duas ou três vezes por safra. Hoje, dependendo da região, são necessárias até 12 aplicações”, revela Crosariol Netto. Ele coordenou ensaios com o acaricida fenpiroximato, recentemente registrado no Brasil pela Sipcam Nichino. O produto demonstrou eficácia superior a 80% no controle do ácaro-rajado, quando aplicado corretamente.

    Pesquisador Jacob Crosariol Netto, do IMA, alerta para avanço da praga, que se tornou uma das principais ameaças ao algodoeiro em Mato Grosso. Divulgação.

    “Para ser eficaz, é preciso aplicar o acaricida no momento certo, com 10% das plantas infestadas. Além disso, a tecnologia de aplicação é crucial, já que o ácaro-rajado se alimenta na parte inferior das folhas. Uma boa distribuição de gotas é essencial para atingir o alvo”, alerta o especialista.

    Monitoramento e manejo integrado são essenciais

    Crosariol Netto destaca a importância de monitoramento constante das lavouras e do uso de alternativas que previnam a infestação. Ele defende a escolha de cultivares com maior sanidade, reduzindo a necessidade de fungicidas, o que favorece o equilíbrio dos inimigos naturais da praga. “O ácaro-rajado é uma ameaça crescente, mas com um manejo estruturado, incluindo a rotação de ativos, é possível minimizar os danos e manter a produtividade do algodão”, conclui o pesquisador.

    A rotação de ingredientes ativos é essencial para evitar a seleção de populações resistentes, uma vez que o ciclo de vida da praga é rápido, e aplicações repetidas do mesmo produto podem reduzir a eficácia do controle químico.