Tag: pesquisa agrícola

  • USP entra no Top 15 mundial em Ciências Agrárias

    USP entra no Top 15 mundial em Ciências Agrárias

    A Universidade de São Paulo (USP) conquistou uma posição de destaque mundial em uma área diretamente ligada ao agronegócio. A instituição aparece como a 14ª melhor do planeta em Ciências Agrárias no NTU Performance Ranking of Scientific Papers for World Universities 2026.

    O resultado coloca a universidade brasileira entre as principais referências internacionais em pesquisa agrícola. Além disso, reforça a presença da ciência produzida no País em áreas relacionadas à agricultura, pecuária, sustentabilidade e inovação.

    Na classificação geral do NTU, a USP ficou na 55ª posição mundial, avançando uma colocação em relação a 2025. Entre as universidades brasileiras, ocupa o primeiro lugar.

    Ciências Agrárias colocam USP no Top 15

    O desempenho em Ciências Agrárias chama atenção porque coloca a USP no Top 15 mundial da área. A posição ajuda a dimensionar a relevância internacional da pesquisa agrícola desenvolvida no Brasil.

    O ranking elaborado pela Universidade Nacional de Taiwan concentra a avaliação na produção científica das instituições. Portanto, considera indicadores que permitem medir tanto a quantidade quanto a influência das pesquisas publicadas.

    Três aspectos têm peso na nota final: excelência das pesquisas, com 40%; impacto, com 35%; e produtividade, com 25%.

    Além disso, a metodologia considera a frequência com que os estudos são citados e a quantidade de artigos publicados em periódicos científicos de destaque. A análise acompanha tanto a produção recente quanto o desempenho acumulado ao longo dos anos.

    Ranking das universidades brasileiras no NTU 2026

    A USP aparece com ampla vantagem entre as instituições brasileiras classificadas. A Unicamp, segunda colocada no País, ocupa a 358ª posição mundial.

    Brasil Universidade Mundo
    1º Universidade de São Paulo (USP) 55º
    2º Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 358º
    3º Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 382º
    4º Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 435º
    5º Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 453º

    USP também avança em produção científica

    O bom desempenho não aparece apenas na classificação de Taiwan. No Academic Ranking of World Universities (ARWU) 2026, conhecido como Ranking de Xangai, a USP permaneceu como a universidade mais bem colocada do Brasil.

    A instituição ficou na faixa entre as 101ª e 150ª melhores universidades do mundo. O levantamento avalia mais de 2,5 mil instituições e utiliza indicadores relacionados principalmente à produção científica.

    Entre os critérios estão pesquisadores e ex-alunos vencedores de Prêmios Nobel e Medalhas Fields, pesquisadores altamente citados, artigos publicados nas revistas Nature e Science e trabalhos indexados em bases científicas internacionais.

    Um indicador, entretanto, chama atenção. A USP alcançou a 30ª posição mundial em volume de publicações científicas indexadas.

    Ciência produzida pode chegar ao campo

    Para o agronegócio, o resultado em Ciências Agrárias ganha importância porque o conhecimento produzido pelas universidades pode posteriormente chegar às propriedades rurais.

    Pesquisas envolvendo produtividade, genética, solos, nutrição animal, sustentabilidade, novas tecnologias e sistemas de produção, por exemplo, ajudam no desenvolvimento de soluções aplicadas ao campo.

    Em entrevista ao Jornal da USP, o reitor da Universidade de São Paulo, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, destacou a relação entre produção acadêmica e demandas da sociedade.

    “O resultado das avaliações reforça a relevância da produção acadêmica, cujo conhecimento gerado se converte em ciência de melhor qualidade e na formulação de políticas públicas voltadas às necessidades da sociedade e do País”, afirmou.

    De acordo com Segurado, o desempenho também demonstra a capacidade da universidade de reunir diferentes frentes de atuação.

    “O desempenho da USP evidencia também a força de uma universidade que articula ensino, pesquisa e extensão, forma profissionais e participa de redes nacionais e internacionais de colaboração científica, produzindo conhecimento de impacto e respondendo aos desafios da sociedade contemporânea”, disse.

    Ranking não mostra toda a universidade

    Apesar dos resultados, o reitor faz uma ressalva sobre a interpretação das classificações internacionais. Para ele, os rankings são ferramentas importantes, mas não conseguem representar todas as dimensões de uma universidade pública.

    “Devemos pontuar, entretanto, que os rankings são instrumentos importantes para acompanhar tendências e identificar oportunidades de aprimoramento, mas não traduzem, isoladamente, a complexidade de uma universidade pública”, afirmou.

    Assim, para o setor agropecuário, a 14ª posição mundial em Ciências Agrárias é um dos números de maior destaque. O resultado coloca a pesquisa brasileira entre as referências internacionais justamente em uma área estratégica para o País.

  • Morre Ademerval Garcia, ex-presidente do Fundecitrus

    Morre Ademerval Garcia, ex-presidente do Fundecitrus

    Faleceu nesta terça-feira (7), o pesquisador e ex-presidente do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), Ademerval Garcia. A entidade confirmou a informação e destacou a importância do pesquisador para o fortalecimento da citricultura brasileira.

    Em nota, o Fundecitrus prestou solidariedade aos familiares e amigos de Garcia. Além disso, ressaltou sua trajetória marcada pela liderança, pelo incentivo à pesquisa e pelas contribuições que ajudaram a transformar a instituição em uma referência internacional.

    “O Fundecitrus manifesta solidariedade aos familiares e amigos de Ademerval Garcia e presta homenagem à sua visão, liderança e contribuição para a história da instituição e da citricultura brasileira. Seu legado permanece vivo na ciência produzida, no conhecimento compartilhado e nos avanços que continuam fortalecendo o setor.”

    Ademerval Garcia impulsionou a pesquisa na citricultura

    Ademerval Garcia presidiu o Fundecitrus entre 1994 e 2004. Durante sua gestão, criou o Departamento Científico da instituição, iniciativa que ampliou os investimentos em pesquisa e fortaleceu a produção de conhecimento voltada ao setor citrícola.

    Nesse período, Garcia também trabalhou em parceria com o pesquisador francês Joseph Marie Bové. Juntos, contribuíram para importantes estudos voltados à citricultura.

    Segundo o Fundecitrus, essas ações fortaleceram a cooperação com centros de pesquisa brasileiros e internacionais. Como resultado, a instituição conquistou reconhecimento científico em âmbito mundial.

    Sequenciamento da Xylella marcou a história da instituição

    O principal marco dessa trajetória ocorreu em 2000. Naquele ano, pesquisadores do Fundecitrus concluíram o sequenciamento genético da Xylella fastidiosa.

    O feito representou a primeira decodificação do genoma de um fitopatógeno registrada até então. Além disso, colocou a ciência brasileira em destaque internacional e consolidou o Fundecitrus como uma das principais referências mundiais em pesquisa sobre sanidade vegetal.

  • Citricultura brasileira ganha destaque na Expocitros 2026

    Citricultura brasileira ganha destaque na Expocitros 2026

    A abertura oficial da 51ª Expocitros e da 47ª Semana da Citricultura reuniu autoridades, pesquisadores, produtores e representantes do agronegócio brasileiro no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis, interior de São Paulo. O evento ocorre entre os dias 26 e 29 de maio de 2026 e conta com 89 expositores. Além disso, reforça o papel da pesquisa, da inovação e da integração da cadeia produtiva para o fortalecimento da citricultura nacional.

    Promovida no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, unidade de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Agronômico (IAC), a cerimônia começou com o hasteamento das bandeiras e a execução do Hino Nacional. O IAC integra a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

    Compuseram o palco o secretário estadual de Agricultura, Geraldo Melo Filho; a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad; o ex-ministro da Agricultura e embaixador especial da ONU para Agricultura e Alimentação, Roberto Rodrigues; o diretor da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios da APTA, Carlos Nabil Ghobril; o diretor-geral do Instituto Agronômico, Marcos Lândell; e o diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, Dirceu Mattos Junior.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Evento reforça integração da cadeia citrícola

    Durante o discurso inicial, o diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, Dirceu Mattos Junior, ressaltou a importância histórica da Expocitros para o setor.

    “Desde o nascimento, nunca foi apenas um evento, mas um sistema integrado de colaboração, em que reunimos essa cadeia de produção e tantos atores do agronegócio brasileiro. É o terceiro evento mais tradicional do Brasil. Continuamos existindo após 52 anos de sua criação e temos como propósito ser melhor que o ano anterior”, afirmou.

    Na sequência, o coordenador-geral do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Marcos Guimarães de Andrade Lândell, destacou a tradição da pesquisa paulista voltada à citricultura.

    “O Instituto Agronômico trabalha há muito tempo com citros, durante todo o século 20 e continuamos ainda mais forte no século 21. Quero parabenizar a todos os pesquisadores e técnicos que nos apoiam e se dedicam para que as coisas sejam realizadas com excelência para que pudéssemos ter uma citricultura tão forte como a que temos hoje”, declarou.

    A prefeita Cristina Saad afirmou que o município amplia sua presença no cenário nacional e internacional por meio da citricultura.

    “Cordeirópolis abre suas portas não só para o Brasil, mas para o mundo através do Centro de Citricultura da nossa cidade. É um orgulho e um prazer muito grande contribuir com tudo isso”, disse.

    Homenagens reconhecem trajetórias do agro

    A solenidade também contou com homenagens voltadas à pesquisa, ao trabalho social e à trajetória de profissionais que contribuíram para o desenvolvimento da citricultura brasileira.

    Neste ano, a entidade social homenageada foi a Acesac (Ação Social e Educativa da Paróquia de Santo Antônio de Cordeirópolis). A presidente da instituição, Célia Aparecida Evangelista Avi, recebeu uma doação entregue por Afonso Nogueira Filho, diretor comercial da Luma Implementos Agrícolas.

    Outro destaque da cerimônia foi a entrega da Medalha do Mérito Científico Dom Pedro II ao ex-ministro Roberto Rodrigues. A honraria reconhece personalidades que contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento científico e para o fortalecimento do Instituto Agronômico e do agro paulista.

    Roberto Rodrigues recebe homenagem na abertura da Expocitros 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Após receber a homenagem, Roberto Rodrigues fez um pronunciamento marcado pela emoção e por reflexões sobre o atual momento do país e do agronegócio brasileiro.

    “Eu tenho recebido algumas homenagens que muito me honram e me orgulham. Eu tenho amor pela agricultura, eu gosto de trabalhar com agricultura. Hoje é emoção pura, estou segurando as pontas aqui”, afirmou.

    O ex-ministro também destacou a ligação histórica com o Instituto Agronômico e com o setor citrícola paulista.

    “Vejo aqui diversas gerações, vejo alunos meus que se tornaram meus amigos, e estar aqui, na casa onde eu nasci, realmente me traz muita emoção”, declarou.

    Roberto Rodrigues alerta para momento de crise

    Ao comentar o cenário econômico e produtivo, Roberto Rodrigues avaliou que o agro atravessa um período desafiador. Ainda assim, reforçou confiança no futuro do setor.

    “Vivemos um momento complicadíssimo no Brasil, mas vai passar. É como um tsunami. O problema é quando a onda volta. Quem não estiver com raízes firmes vai embora com ela”, disse.

    Segundo ele, o cenário atual supera outras crises já enfrentadas pelo agronegócio brasileiro.

    “As crises passam, e essa, particularmente, é a maior que eu já vivi, pois não é uma crise nacional, fruto de problemas internos. É muito maior, mais grave e mais violenta, mas vai passar. O futuro é fantástico, portanto, fiquemos vivos”, afirmou.

    Além disso, o tradicional Dia do Citricultor homenageou José de Alencar Matta, produtor rural que construiu sua trajetória na citricultura a partir do trabalho familiar e da expansão das atividades agrícolas no interior paulista.

    O Prêmio GCONCI – Hall da Fama da Citricultura Brasileira foi entregue ao pesquisador Walter dos Santos Soares Filho. O agrônomo é referência nacional em melhoramento genético de citros e atua na Embrapa Mandioca e Fruticultura.

    Já o Prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura reconheceu Hamilton Humberto Ramos, pesquisador científico do Instituto Agronômico, com atuação voltada à tecnologia e segurança na aplicação de defensivos agrícolas.

    Pesquisa e inovação ganham espaço no evento

    O Prêmio Centro de Citricultura 2026, com o tema “Inovação para o Futuro da Citricultura”, foi concedido ao AcaroLab, da UNESP/FCAV de Jaboticabal. O laboratório se destaca pelos trabalhos desenvolvidos em manejo integrado de ácaros e pesquisas relacionadas à leprose dos citros.

    Além disso, a programação apresentou resultados inéditos de pesquisas sobre os benefícios do consumo de suco de laranja para a saúde humana. O conteúdo foi exibido em vídeo institucional com participação dos pesquisadores da USP Franco Lajolo e Neuza Hassimotto.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Durante o encerramento da solenidade, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, destacou a importância econômica da citricultura brasileira e o papel estratégico da pesquisa para o avanço do setor.

    “Estar aqui hoje é uma honra, uma satisfação, pela importância do setor, pela importância dos produtores, pelo que a citricultura representa pro Brasil. Estar nesse solo tão fértil, com tanto conhecimento, tecnologia e solução que tanto contribuiu para o agro brasileiro”, afirmou.

    Segundo o secretário, o setor enfrenta um momento delicado, marcado por desafios econômicos e sanitários.

    “O setor como um todo está passando por um momento muito delicado, muito sensível. Produzir nesse momento de crise é algo desafiador, mas envolve pesquisa, tecnologia, acesso a mercado, preços internacionais, sanidade, principalmente contra o greening”, destacou.

    Governo paulista reforça apoio ao produtor

    Geraldo Melo Filho também reforçou a importância do apoio ao produtor rural.

    “O principal papel do Estado é o apoio ao produtor que está exposto a todos os riscos, estar ao lado desse produtor nos momentos de crise e de necessidade”, concluiu.

    Na sequência, a organização realizou o tradicional brinde de encerramento com suco de laranja.

    A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura seguem até o dia 29 de maio com programação técnica, exposição de tecnologias, debates sobre inovação e apresentações voltadas ao fortalecimento da cadeia citrícola brasileira.

  • Genética adaptada ao campo acelera produtividade no MS

    Genética adaptada ao campo acelera produtividade no MS

    O Mato Grosso do Sul consolidou nos últimos anos uma posição estratégica no agronegócio brasileiro. Um dos maiores produtores de milho safrinha do País, com mais de 3 milhões de hectares cultivados, o Estado também ampliou sua relevância na soja ao combinar expansão de área com ganhos sucessivos de produtividade. Nesse cenário, empresas do setor intensificam investimentos em pesquisa regionalizada e tecnologias adaptadas às condições locais.

    Durante a Showtec Maracaju, realizada entre os dias 19 e 21 de maio, a Corteva Agriscience apresentou novos híbridos, ferramentas de manejo e soluções desenvolvidas especificamente para o ambiente produtivo sul-mato-grossense. O foco da companhia esteve na adaptação genética e na proximidade com o agricultor.

    Segundo Anilcindo Souza Jr., diretor comercial da empresa, o avanço tecnológico observado nas lavouras do Estado acompanha o interesse crescente do produtor rural por ferramentas capazes de elevar produtividade e rentabilidade.

    Tecnologia impulsiona novas estratégias no campo

    “As feiras são oportunidades de estarmos próximos do agricultor e trazer para eles essas novidades. Aqui na Showtec temos todos os nossos agrônomos e representantes comerciais em contato direto com o produtor, mostrando tudo o que temos em milho, soja, biotecnologias e proteção de cultivos”, afirmou.

    O executivo destacou que Mato Grosso do Sul reúne características que exigem materiais específicos para solo e clima da região. De acordo com ele, a presença de uma estação de pesquisa da companhia no Estado fortalece esse processo de desenvolvimento.

     

    Estande da Corteva na Showtec 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “Somos a única empresa que tem efetivamente uma estação de pesquisa no Mato Grosso do Sul. Isso contribui para trazer produtos cada vez mais adaptados para essa região”, ressaltou.

    Entre os destaques apresentados na feira está o lançamento do híbrido P35200, da marca Pioneer, desenvolvido para as condições de cultivo do Centro-Oeste. Conforme Souza Jr., o material foi criado para ampliar o potencial produtivo do agricultor local, com adaptação às características climáticas da região.

    Outro lançamento enfatizado pela companhia foi o B2602, da Brevant, voltado ao milho safrinha. O híbrido chega ao mercado com foco em segurança produtiva e maior teto de rendimento, além de tolerância às principais doenças favorecidas pelo clima sul-mato-grossense.

    Pesquisa começa antes do plantio

    O desenvolvimento de novos híbridos envolve um longo processo técnico. Segundo Anilcindo Souza Jr., a criação de um material adaptado ao campo pode levar entre cinco e sete anos, desde os primeiros cruzamentos genéticos até o lançamento comercial.

    O diretor comercial explicou que os agricultores participam das etapas de validação desde os primeiros anos de testes em propriedades parceiras. Nessas áreas, os materiais são avaliados em condições reais de cultivo até chegarem ao mercado.

    “A partir do terceiro ano iniciamos os testes nas fazendas parceiras, onde o agricultor começa a ter contato com esses produtos. Eles participam efetivamente desde o desenvolvimento até o lançamento”, explicou.

    Além do P35200, a Pioneer também levou para a Showtec o híbrido P30053, igualmente desenvolvido dentro da rede de pesquisa regional da companhia. Os materiais passaram por avaliações em propriedades rurais do Estado antes de serem disponibilizados comercialmente.

    A Brevant também apresentou híbridos voltados ao sistema produtivo sul-mato-grossense, incluindo materiais destinados tanto à safrinha quanto ao milho verão. A estratégia da empresa está baseada na regionalização das soluções, considerando desafios específicos de cada ambiente produtivo.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologias avançam no campo

    Além das sementes, a Corteva apresentou soluções em biológicos, tratamento de sementes, defensivos químicos e manejo integrado. A empresa também destacou o crescimento da demanda dos produtores por inovação, fenômeno observado no aumento do número de feiras e eventos do agro no País.

    Para Souza Jr., a busca do agricultor por novas ferramentas está diretamente ligada à necessidade de manter competitividade e estabilidade produtiva diante dos desafios climáticos e fitossanitários.

    Na área de proteção de cultivos, a companhia apresentou novas tecnologias para controle de doenças, plantas daninhas, insetos e nematoides. O portfólio inclui soluções para soja, milho e sorgo, culturas que sustentam boa parte da produção agrícola sul-mato-grossense.

    Outro destaque da participação da empresa na feira foi a ampliação do programa Incrementa MS, iniciativa realizada em parceria com entidades do setor e o Governo do Estado. O projeto busca elevar os índices de produtividade agrícola por meio de práticas agronômicas adaptadas à realidade regional.

    Inicialmente voltado ao milho, o programa passou a incluir também a soja dentro do sistema produtivo estadual. Segundo a companhia, os primeiros resultados já apontam ganhos relacionados ao manejo técnico alinhado às condições climáticas locais.

    Com protagonismo crescente na produção nacional de grãos, Mato Grosso do Sul segue ampliando investimentos em tecnologia, pesquisa e inovação. A presença de empresas focadas em desenvolvimento regional reforça o papel estratégico do Estado na produção agrícola brasileira.

  • Descubra como sementes “ouvem” a chuva antes de germinar

    Descubra como sementes “ouvem” a chuva antes de germinar

    Parece ficção científica, mas não é. O som da chuva pode funcionar como um sinal de alerta para sementes à espera de germinar, como indica o trabalho de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

    A equipa do MIT realizou os seus testes com 8.000 sementes de arroz, que foram submersas em baldes pouco profundos com água. Algumas foram expostas ao som de gotejamento. Os investigadores variaram o tamanho e a altura de cada gota para simular chuvas ligeiras, moderadas e fortes.

    Conforme resultado, as sementes expostas ao som da queda das gotas germinaram de 30% a 40% mais rápido do que as que foram mantidas em silêncio. Não houve outra variável envolvida. Mesma temperatura, mesma umidade, mesma disponibilidade de água… a única diferença foi o estímulo sonoro.

    As sementes mais próximas da superfície conseguiam perceber melhor o som das gotas e crescer mais rapidamente, em comparação com as sementes mais submersas ou mais afastadas. Isso sugere que existe um mecanismo de triagem embutido na semente, capaz de distinguir posição e profundidade com base em vibração.

    A física por trás do que parece magia

    Quando uma gota de chuva atinge a água ou o solo, a pressão que ela provoca cria vibrações ou ondas de pressão, que se propagam e podem ser percebidas como som.

    Nicholas Makris, pesquisador do MIT e coautor do estudo, foi preciso na comparação: as ondas de pressão que chegam às sementes a poucos centímetros do ponto de impacto equivalem ao som que uma pessoa ouviria “a poucos metros de um motor a jato no ar.” Ou seja, não é um sinal fraco, mas uma perturbação intensa o suficiente para acionar respostas biológicas.

    As vibrações sonoras funcionam como um sinal ambiental que indica condições favoráveis para o crescimento. Do ponto de vista evolutivo, germinar logo após detectar chuva aumenta as chances de sobrevivência.

    O que são estatólitos

    As sementes não possuem órgãos sensoriais como ouvidos, mas contam com estruturas microscópicas chamadas estatólitos, responsáveis por perceber estímulos físicos. São organelas densas que se depositam no fundo das células, indicando à planta onde é “baixo” e onde é “cima”. É por isso que raízes crescem para baixo e brotos sobem, mesmo no escuro.

    A descoberta do MIT, no entanto, aponta que os estatólitos fazem mais do que isso. A pesquisa da equipe sugere que a energia das vibrações induzidas pela chuva interfere no funcionamento normal dos estatólitos. Sementes que respondem a essas vibrações provavelmente estão próximas da superfície, onde há umidade disponível, mas não tão profundas a ponto de os brotos emergentes não conseguirem alcançar a luz.

    O que a ciência ainda não sabe

    O estudo foi conduzido com arroz, uma cultura que germina tanto em solo quanto em água. Os pesquisadores reconhecem que os resultados não podem ser automaticamente extrapolados para todas as espécies. A partir dos resultados, os pesquisadores levantam a hipótese de que outros tipos de sementes com características semelhantes também possam responder ao som da chuva.

    Makris falou sobre o alcance da descoberta: “O que descobrimos é que as sementes e mudas das plantas fazem algo que aparentemente também é vantajoso para elas.” Assim como a audição humana evoluiu para servir à sobrevivência humana, esse mecanismo acústico nas sementes parece ter evoluído para o mesmo fim, dentro do contexto vegetal.

  • Prêmio Mulheres do Agro abre indicações para ciência

    Prêmio Mulheres do Agro abre indicações para ciência

    Estão abertas até 30 de abril as indicações para a categoria “Ciência e Pesquisa” da 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro. O público pode indicar pesquisadoras e cientistas vinculadas a instituições de pesquisa. Os projetos precisam demonstrar inovação no campo, além de impacto em desenvolvimento social, sustentabilidade e gestão. As indicações ocorrem no site oficial e abrangem profissionais de todo o país.

    A premiação reconhece a atuação feminina na produção de conhecimento aplicado ao agronegócio. Além disso, valoriza iniciativas que geram avanços técnicos e sociais. Por isso, o prêmio amplia a visibilidade de pesquisadoras que contribuem para o desenvolvimento do setor.

    Depois da fase inicial, a organização inicia a etapa de confirmação. Nesse momento, as pesquisadoras indicadas precisam validar a participação e seguir as orientações estabelecidas. Em seguida, cada candidata apresenta sua trajetória e detalha os projetos desenvolvidos.

    Na próxima etapa, especialistas analisam os perfis das participantes. A banca considera critérios como relevância, inovação e impacto das iniciativas. Como resultado, as três melhores avaliadas avançam para a fase final. Nessa etapa, o público define a vencedora por meio de votação.

    Premiação será realizada em São Paulo

    A organização anunciará a vencedora no segundo semestre deste ano, em São Paulo. A Bayer promove o evento em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG). As duas instituições criaram o prêmio e mantêm sua realização desde a primeira edição.

    Além disso, a premiação integra as ações comemorativas pelos 130 anos da Bayer no Brasil. Ao longo desse período, a empresa consolidou atuação nos segmentos de agricultura, farmacêutico e saúde do consumidor.

    Iniciativa reforça inovação e diversidade

    O Prêmio Mulheres do Agro possui alcance nacional e destaca projetos que conectam ciência e produção rural. Dessa forma, o reconhecimento incentiva soluções inovadoras e fortalece a presença feminina no setor.

    Ao mesmo tempo, a Bayer desenvolve soluções voltadas à saúde e à segurança alimentar. A empresa atua em mais de 80 países e investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento. Assim, busca ampliar a produtividade, preservar recursos naturais e melhorar o acesso à saúde.

  • Prêmio de citricultura abre inscrições com foco em inovação

    Prêmio de citricultura abre inscrições com foco em inovação

    O Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico (IAC), abriu as inscrições para o Prêmio Centro de Citricultura 2026. O prazo segue até 23 de abril. A premiação acontece em 26 de maio, durante a abertura da 51ª Expocitros, em Cordeirópolis (SP). Neste ano, o tema é “Inovação para o Futuro da Citricultura”, com foco em iniciativas que geram impacto direto na cadeia produtiva.

    Criado em 1997, o prêmio se consolidou como um dos principais reconhecimentos da citricultura brasileira. Ao longo dos anos, a iniciativa destacou projetos, profissionais e instituições que contribuíram para o avanço do setor. Além disso, reforçou a importância da tecnologia e da pesquisa no campo.

    Segundo o diretor do Centro de Citricultura, Dirceu Mattos Jr., o objetivo é valorizar quem impulsiona mudanças reais na atividade. “O prêmio busca identificar e reconhecer iniciativas que fortaleçam a modernização e a competitividade da citricultura”, afirma.

    Critérios valorizam tecnologia e impacto no campo

    Podem participar pessoas físicas, instituições públicas ou privadas e também projetos ligados ao setor. No entanto, a organização prioriza iniciativas com resultados comprovados. Entre os critérios, estão a adoção de tecnologias, o desenvolvimento de soluções práticas e a criação de redes de cooperação.

    Para se inscrever, o interessado deve enviar um documento de até duas páginas por e-mail. O material precisa apresentar o perfil do candidato ou da iniciativa. Também deve detalhar os avanços inovadores e justificar a relevância da contribuição.

    Foto: Expocitros/ Divulgação

    Além disso, o edital recomenda o uso de dados objetivos. Sempre que possível, o participante deve incluir evidências que comprovem o impacto da proposta no setor.

    Um comitê formado por especialistas vai analisar as indicações. O grupo avaliará inovação, impacto e contribuição para o futuro da citricultura. Depois disso, a diretoria do Centro de Citricultura define o vencedor.

    Histórico reforça importância do reconhecimento

    Nas últimas edições, o prêmio destacou diferentes elos da cadeia citrícola. Em 2025, a organização reconheceu a equipe da Expocitros, pelos 50 anos da feira. Já em 2024, o destaque foi a empresa Solo Sagrado. Antes disso, a Fundação Solidaridad recebeu o prêmio em 2023.

    O Programa Globo Rural foi homenageado em 2022. Em 2021, o reconhecimento ficou com o Centro de Ciências Agrárias da UFSCar. Esses exemplos mostram a diversidade de iniciativas que movimentam o setor.

    Com isso, a edição de 2026 deve ampliar ainda mais o alcance do prêmio. A expectativa é destacar soluções inovadoras diante de desafios como clima, produtividade e sustentabilidade.

    A cerimônia de premiação ocorre na abertura da Expocitros. O evento começa às 9h e reúne especialistas, produtores e empresas do setor.

  • Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Uma nova biotecnologia na soja foi apresentada durante a 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). A inovação amplia a proteção contra lagartas e aumenta as opções de manejo de herbicidas. Ao mesmo tempo, busca elevar a produtividade e a sustentabilidade da cultura no Brasil.

    A tecnologia faz parte de uma nova geração de soluções para a agricultura tropical. Durante o evento, especialistas explicaram que o avanço combina genética, biotecnologia e novas estratégias de manejo. O objetivo é ajudar o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos nas lavouras.

    A novidade integra a plataforma Intacta 5+, desenvolvida pela Bayer. Segundo a empresa, as primeiras variedades comerciais devem chegar ao mercado na safra 2027/28. No entanto, a liberação final ainda depende de aprovações regulatórias em países importadores de soja.

    Responsável pela apresentação da tecnologia, Mateus Benedeti afirmou que a evolução da biotecnologia acompanha a própria transformação da agricultura brasileira.

    “A história da biotecnologia na soja também é uma história de protagonismo do produtor brasileiro. Desde o início, o agricultor buscou tecnologias que permitissem produzir mais e com maior eficiência”, destacou.

    Nas últimas décadas, a adoção dessas tecnologias ajudou o Brasil a ampliar sua produtividade agrícola. Como resultado, o país se consolidou entre os maiores produtores e exportadores de soja do mundo.

    Proteção ampliada contra pragas e plantas daninhas

    A nova biotecnologia na soja incorpora cinco proteínas voltadas ao controle de lagartas que atacam a cultura. Dessa forma, o sistema amplia o espectro de proteção e fortalece o manejo integrado de pragas.

    Entre os principais alvos está a Elasmopalpus lignosellus, conhecida como elasmo. Essa lagarta ataca a planta ainda nas fases iniciais do desenvolvimento. Quando o ataque ocorre nesse estágio, a lavoura pode perder plantas inteiras e comprometer o potencial produtivo.

    Além da proteção contra insetos, a tecnologia permite tolerância a cinco herbicidas diferentes. Entre eles estão mesotriona, dicamba, glifosato, glufosinato e 2,4-D.

    Mateus Benedeti – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, essa combinação amplia as estratégias de controle de plantas daninhas. O produtor pode utilizar diferentes protocolos de manejo durante o ciclo da cultura. Assim, adapta o controle às condições de cada região produtora.

    Outro benefício está na preservação da eficiência da tecnologia ao longo do tempo. Quando o agricultor alterna mecanismos de ação, reduz a pressão de seleção sobre pragas e plantas daninhas.

    Integração entre genética e biotecnologia

    Outro destaque apresentado durante o lançamento foi o processo YieldBoost™. A metodologia foi desenvolvida no Brasil e busca acelerar a integração entre biotecnologia e genética das plantas.

    O sistema permite testar um número maior de materiais em campo. Com isso, os pesquisadores conseguem avaliar mais combinações genéticas em menos tempo.

    Segundo a empresa, o método permite analisar até 15 vezes mais materiais do que os processos tradicionais de melhoramento. Dessa forma, o desenvolvimento de novas variedades ocorre com maior velocidade e precisão.

    A estratégia também prioriza materiais adaptados às condições da agricultura tropical. Como resultado, as variedades tendem a apresentar maior estabilidade produtiva nas diferentes regiões do país.

    Caminho até o lançamento comercial

    A nova biotecnologia já recebeu aprovação regulatória no Brasil. Ainda assim, sua comercialização depende da autorização de mercados internacionais que importam soja brasileira.

    Por isso, os próximos anos serão dedicados à realização de testes em campo com produtores parceiros. Essas áreas permitirão avaliar o desempenho das variedades em diferentes ambientes produtivos.

    A expectativa é que, no momento do lançamento comercial, o mercado já conte com diversas variedades adaptadas às principais regiões produtoras.

    Para o setor agrícola, a chegada de novas biotecnologias representa um passo importante para o avanço da produtividade. Ao mesmo tempo, essas soluções ajudam o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo.

    Assim, a evolução da biotecnologia na soja continua a desempenhar um papel central no fortalecimento da agricultura brasileira.

  • Criado pela ciência paulista, feijão carioca completa 60 anos

    Criado pela ciência paulista, feijão carioca completa 60 anos

    O feijão carioca, presença diária no prato de milhões de brasileiros, completa em 2026 seis décadas desde o início de seu desenvolvimento científico pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. O grão nasceu de uma observação casual em campo, evoluiu nas mãos da ciência pública e transformou definitivamente a cultura do feijão no Brasil.

    engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI. Foto: Arquivo Cati

    A história começa no início dos anos 1960, em Ibirarema, no Oeste Paulista. O engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI, identificou plantas com grãos diferentes em uma lavoura de feijão chumbinho, variedade tradicional à época. Os grãos apresentavam padrão rajado, com manchas marrons e pretas sobre fundo claro.

    Antunes separou o material e iniciou uma seleção, apostando tratar-se de uma mutação genética natural. O desempenho das plantas surpreendeu os técnicos. Elas demonstravam maior vigor, produtividade elevada, menor suscetibilidade a doenças e excelente qualidade culinária, com cozimento rápido, caldo consistente e sabor marcante.

    1966: quando 30 quilos de sementes chegaram ao IAC

    O marco histórico que completa 60 anos aconteceu oficialmente em 1º de agosto de 1966. Nesta data, a CATI enviou ao Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, um lote de 30 quilos de sementes. O pesquisador Shiro Miyasaka recebeu o material e o catalogou como I-38700, incorporando-o à coleção de germoplasma do Instituto.

    A partir deste momento, a curiosidade de campo ganhou status de objeto científico. Os pesquisadores Luiz D’Artagnan de Almeida, Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho conduziram as avaliações agronômicas que fundamentariam o futuro lançamento da cultivar.

    Os primeiros resultados confirmaram o potencial excepcional do novo feijão. Ensaios regionais realizados entre 1967 e 1969 registraram produtividade média de 1.670 quilos por hectare, superando variedades tradicionais como bico-de-ouro e rosinha, que produziam cerca de 1.280 quilos por hectare. O grão também apresentava resistência às principais doenças, boa adaptação aos solos paulistas e alta aceitação após o preparo.

    O apelido que veio dos porcos

    O Instituto lançou oficialmente o feijão em 1969 com o nome “carioca”, denominação que gerou confusão por décadas. Ao contrário do que muitos imaginam, o nome não tem relação com o estado ou a cidade do Rio de Janeiro.

    A origem é simples e rural: um trabalhador da fazenda de Antunes comparou o padrão rajado dos grãos à pelagem de porcos crioulos conhecidos como “cariocas”, termo usado à época para animais manchados. A CATI registrou oficialmente a origem do nome apenas no ano 2000, em publicação comemorativa.

    Campanha de divulgação venceu a resistência inicial

    Os consumidores não aceitaram o feijão carioca imediatamente. Acostumados a grãos de coloração uniforme, viam com desconfiança o aspecto “manchadinho” do novo produto. Pesquisadores do IAC e técnicos da CATI protagonizaram então uma das campanhas de difusão científica e tecnológica mais bem-sucedidas da agricultura brasileira.

    Campanhas de esclarecimento, palestras técnicas, distribuição de sementes, campos de demonstração, materiais educativos e receitas culinárias ajudaram a romper o preconceito estético. A estratégia conquistou produtores e consumidores em poucos anos.

    O feijão carioca espalhou-se pelas lavouras paulistas e, na década seguinte, alcançou praticamente todo o território nacional. Em 1976, menos de uma década após seu lançamento, já era a variedade mais cultivada e comercializada no Estado de São Paulo, tornando-se referência nacional e base para a modernização da cultura do feijão.

    O legado de Luiz D’Artagnan de Almeida

    Luiz D’Artagnan de Almeida, considerado o “pai do carioquinha” e falecido no início de 2026, deixou um legado que ultrapassa a criação de uma cultivar. Seu trabalho estruturou o programa de melhoramento genético do feijão no Brasil, inaugurando uma nova fase da cultura, com ganhos contínuos de produtividade, qualidade e adaptação aos sistemas modernos de produção.

    Engenheiro-agrônomo Luiz D’Artagnan de Almeida. Foto: Arquivo Cati

    Ao longo das últimas seis décadas, o feijão carioca evoluiu continuamente. O Brasil já desenvolveu mais de uma dezena de gerações do material original, com melhorias em porte, precocidade, resistência a doenças, tolerância ao escurecimento dos grãos e qualidade culinária. Mais de 60 variedades do tipo carioca surgiram a partir do material original, tanto no Brasil quanto no exterior, inclusive em programas internacionais de melhoramento.

    IAC mantém programa permanente de pesquisa

    Sessenta anos após o início do desenvolvimento do feijão carioca, São Paulo mantém em operação um programa permanente de melhoramento genético do feijoeiro, conduzido pelo Instituto Agronômico (IAC), referência nacional desde 1932.

    O programa cria cultivares produtivas, resistentes a doenças como a antracnose, com grãos claros, rápido cozimento e menor dependência de agroquímicos. As cultivares apresentam maior teor de proteína e ciclos mais precoces, o que representa menor tempo no campo – aspecto que favorece o plantio frente ao estresse climático e biológico.

    Atualmente, cultivares de feijão desenvolvidas pelo IAC estão presentes em mais de 13 estados brasileiros. Estudos do Instituto indicam que os materiais do IAC ocupam cerca de 60% das lavouras de feijão do país, com destaque para o tipo carioca, que responde pela maior parte das áreas multiplicadas e licenciadas. O carioca representa aproximadamente 66% das sementes autorizadas, refletindo o padrão de consumo nacional. O feijão preto responde por outros 14%.

    Ciência pública alimenta milhões de brasileiros

    Embora não predomine em todas as regiões – o feijão preto lidera no Sul e o mulatinho no Nordeste -, o carioca tornou-se o principal feijão do mercado interno brasileiro, desempenhando papel central na segurança alimentar do país.

    Rico em proteínas, fibras e minerais, serve como base da alimentação cotidiana, matéria-prima da indústria e aliado das dietas contemporâneas, incluindo vegetarianas e veganas. Mais do que um alimento, representa uma cadeia produtiva estratégica, geradora de renda, emprego e desenvolvimento tecnológico.

    Queda no consumo preocupa pesquisadores

    Segundo a Embrapa, o consumo per capita de feijão no Brasil atingiu seu pico entre 1961 e 1970, com média de quase 23 kg por pessoa ao ano. O índice caiu continuamente até atingir em 2024 o menor registro da série histórica.

    Mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida da população explicam a queda, com famílias menores, rotina urbana mais acelerada e redução do hábito de cozinhar em casa.

    “A redução no consumo do feijão carioca é preocupante porque toda a produção precisa ser absorvida internamente. Com mais tecnologia e área irrigada, a oferta cresce, e isso pode pressionar os preços pagos ao agricultor”, afirma o pesquisador Alisson Fernando Chiorato, do IAC.

    Diversificação e sustentabilidade como resposta

    Diante desse contexto, o programa passou a atuar também na diversificação de tipos de feijão. “Nosso foco é gerar diversidade, com feijões vermelhos, brancos, rajados e materiais voltados ao mercado externo, permitindo alternativas de comercialização e reduzindo a dependência exclusiva do carioca”, explica Chiorato.

    Além da diversificação, os pesquisadores investem em características que dialogam com o consumidor moderno. “Os feijões atuais cozinham em menos tempo, consomem menos água no campo, têm ciclos mais curtos e exigem menos insumos, resultando em um alimento mais saudável e sustentável”, destaca o pesquisador Sérgio Augusto Morais Carbonell, do IAC.

    Segundo Carbonell, a pesquisa também busca reforçar o papel nutricional do grão. “O feijão é uma das proteínas vegetais mais completas e acessíveis. Mostrar sua qualidade, segurança e versatilidade é fundamental para estimular o consumo e enfrentar um problema que já se reflete em saúde pública”, ressalta.

    Sessenta anos após o início de seu desenvolvimento científico, o feijão carioca segue como prova concreta de que o investimento contínuo em pesquisa pública transforma a realidade do campo e da mesa. O grão que acompanha o arroz de milhões de brasileiros nasceu da observação, da persistência e da ciência paulista – um legado que atravessa gerações.

  • IA mapeia 50 anos de impacto da pesquisa agrícola

    IA mapeia 50 anos de impacto da pesquisa agrícola

    Um estudo inovador usou inteligência artificial para analisar meio século de avaliações sobre o impacto da pesquisa agrícola em todo o mundo. Como resultado, a pesquisa revela tendências, lacunas e prioridades que podem orientar políticas públicas e estratégias globais de inovação no campo.

    As avaliações de impacto agrícola tornaram-se essenciais para governos, financiadores e instituições científicas. Em geral, elas ajudam a medir com precisão os efeitos de políticas e tecnologias voltadas ao desenvolvimento sustentável.
    De acordo com Daniela Maciel Pinto, analista da Embrapa Territorial, o levantamento examinou 239 estudos publicados entre 1969 e 2022. A análise identificou mudanças nos métodos, no volume de pesquisas e nos temas estudados ao longo do tempo.

    Segundo ela, o primeiro artigo, publicado em 1969, já destacava a importância de aprimorar a gestão dos recursos públicos aplicados à pesquisa agrícola. Desde então, a área evoluiu acompanhando transformações globais, da Revolução Verde à atual crise climática.

    Seis grandes temas dominam as pesquisas

    O estudo agrupou os trabalhos em seis grandes áreas:
    • Economia e desenvolvimento agrícola (49 estudos): foco em eficiência, produtividade e investimentos, com destaque para grãos como sorgo e cevada;
    • Inovação e desempenho tecnológico (37): análise da qualidade, difusão de conhecimento e culturas como milho e cana-de-açúcar;
    • Segurança alimentar e mudanças climáticas (33): integração entre produção, adaptação e igualdade de gênero;
    • Gestão de recursos e sustentabilidade (31): avaliação de impactos ambientais e redução da pobreza rural;
    • Impactos sociais e transformações institucionais (47): participação social e fortalecimento de políticas agrícolas;
    • Adoção de tecnologias sustentáveis (42): foco em pequenos produtores, inovação e aumento de renda.
    As projeções indicam que, até 2030, os temas ligados à sustentabilidade e gestão de recursos devem crescer acima da média. As áreas de adoção de práticas sustentáveis podem avançar 233%, enquanto gestão de recursos deve crescer 122%.

    Metodologias mais diversas e interdisciplinares

    Para Adriana Bin, pesquisadora da Unicamp, o levantamento identificou 73 técnicas diferentes, divididas em três categorias: desenho da avaliação, coleta e análise de dados. Ela destaca que as abordagens quantitativas perderam espaço para os métodos qualitativos e mistos, especialmente a partir dos anos 2000, com o avanço da ciência de dados.

    Os impactos sociais e institucionais concentraram a maior diversidade de métodos, seguidos por inovação tecnológica e desempenho. Já os grupos de economia agrícola e tecnologias sustentáveis empataram em variedade metodológica.

    Para Geraldo Stachetti Rodrigues, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, temas sociais complexos exigem maior diversidade de abordagens. Ele afirma que as avaliações precisam integrar diferentes métodos para captar as múltiplas dimensões dos impactos agrícolas.

    Inteligência artificial impulsiona novas análises

    O diferencial da pesquisa foi o uso de técnicas de Processamento de Linguagem Natural (PLN), como tokenização, análise de bigramas e modelagem de tópicos. Ou seja, essas ferramentas permitiram identificar padrões e tendências que dificilmente seriam percebidos em análises convencionais.

    A equipe analisou inicialmente 447 artigos das bases Scopus e Web of Science, refinando-os até chegar ao conjunto final de 239. Foram aplicados métodos estatísticos e algoritmos de aprendizado de máquina, como o LDA (Latent Dirichlet Allocation), para organizar os textos em seis grupos temáticos.

    Daniela Maciel Pinto destaca que a pesquisa também criou um dicionário com 103 métodos e técnicas usados em avaliações de impacto, servindo como guia prático para pesquisadores e gestores públicos.

    Evolução histórica das avaliações agrícolas

    O estudo mostra que as avaliações de impacto seguiram o ritmo da agricultura mundial. Nos anos 1950 e 1960, as análises focavam o retorno econômico das inovações da Revolução Verde. A partir dos anos 1970, surgiram preocupações ambientais e sociais, dando origem a métodos como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

    Nas décadas seguintes, abordagens participativas e qualitativas passaram a incluir questões de gênero e equidade. A partir de 2010, cresceram as avaliações sistêmicas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Mais recentemente, big data e tecnologias digitais entraram no campo, ampliando as possibilidades de análise e previsão.

    Desafios e lacunas da pesquisa

    Apesar dos avanços, o estudo aponta lacunas relevantes. Poucas avaliações tratam de culturas essenciais à segurança alimentar global, como arroz, trigo, batata e inhame, que aparecem em apenas 10% dos estudos.
    Além disso, ainda há poucas pesquisas experimentais, mesmo em áreas que se beneficiariam dessas metodologias.

    Ao mesmo tempo, outra limitação é o alcance das bases de dados. Ou seja, a análise se restringiu a publicações indexadas nas plataformas Scopus e Web of Science, o que pode ter deixado de fora trabalhos relevantes de outros repositórios.

    Ciência, sustentabilidade e responsabilidade social

    As avaliações de impacto agrícola deixaram de ser apenas instrumentos técnicos. Em geral, hoje, elas representam mecanismos de responsabilidade institucional, alinhados aos princípios da Pesquisa e Inovação Responsáveis (RRI).

    Essas ferramentas aproximam a ciência agrícola de valores éticos, sociais e ambientais, fortalecendo sua relevância para a sociedade. Os autores destacam que a inteligência artificial complementa, e não substitui, os métodos tradicionais. Portanto, ela amplia a capacidade de análise e ajuda a conectar a pesquisa científica aos desafios globais, como mudanças climáticas, segurança alimentar e sustentabilidade.

    Em resumo, o levantamento oferece um mapa detalhado de tendências e metodologias, capaz de apoiar decisões, orientar investimentos e estimular práticas agrícolas mais resilientes e inclusivas.

    Principais achados do estudo

    • 239 publicações analisadas entre 1969 e 2022;
    • Seis grupos temáticos principais, com foco em sustentabilidade e inovação;
    • 73 técnicas de avaliação identificadas e 103 catalogadas em um dicionário metodológico;
    • Crescimento do uso de métodos mistos e ciência de dados desde os anos 2000;
    • Lacunas em culturas básicas como arroz, trigo e batata;
    • Maior avanço esperado até 2030 em práticas sustentáveis e gestão de recursos.