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  • Tambaqui vira espécie ameaçada no Brasil e divide opiniões

    Tambaqui vira espécie ameaçada no Brasil e divide opiniões

    O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) incluiu o tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais consumidos na Amazônia brasileira, na lista nacional oficial de espécies da fauna aquática ameaçadas de extinção, publicada em abril.

    Tambaqui
    Foto: Josiane Tada/Flickr

    A Portaria nº 1.666, divulgada no mesmo dia 27 de abril, estabeleceu um prazo de 180 dias para a aprovação de um plano de recuperação populacional da espécie, prazo que termina em 25 de outubro. Caso o plano não avance até lá, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional. A entrada na lista, porém, não implica proibição imediata, desde que especialistas, sob coordenação do MMA, aprovem o plano de recuperação a tempo.

    Queda populacional motiva classificação como vulnerável

    O Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), coordenado pelo ICMBio, projetou uma queda de 43,4% na população de tambaqui ao longo de três gerações. E assim classificou a espécie como vulnerável. O peixe sofre forte pressão pesqueira em seu habitat natural há décadas. E ocorre naturalmente nas várzeas do rio Amazonas e na maioria de seus principais afluentes, distribuindo-se pelos estados do Acre, Rondônia, Amazonas e Pará.

    A piscicultura espalhou o tambaqui por outras regiões da América do Sul. E nos últimos 20 anos, compensou parcialmente as perdas populacionais nos estoques naturais. Isso ainda que o ICMBio não consiga precisar o real impacto da criação em cativeiro sobre essa recuperação.

    Pescadores da Amazônia contestam a decisão

    Vice-presidente da Colônia de Pescadores Z-23 de Alvarães, Castro teme que uma eventual proibição afete de forma desigual os pescadores artesanais, que trabalham com peixe de lago e não possuem viveiros, enquanto produtores de piscicultura poderiam seguir comercializando o tambaqui criado em cativeiro.

    Pescadores familiares se uniram a pesquisadores para pedir ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) a reversão da medida ou, ao menos, sua flexibilização em situações específicas.

    Igor Hister Lourenço, analista de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Mamirauá, aponta a complexidade de aplicar uma restrição uniforme a toda a bacia amazônica: enquanto algumas áreas mantêm estoques abundantes, o rio Madeira registrou o desaparecimento do tambaqui e viu a espécie reaparecer recentemente após um longo período sem registros. Para Lourenço, estoques menores tornam a captura mais difícil e mais cara, o que naturalmente leva à diversificação da produção pesqueira, processo que já ocorre há anos, sem indicar necessariamente risco de desaparecimento da espécie. Ele também considera um erro o governo não ter consultado os pescadores antes da decisão, diante da escassez de dados sobre a dinâmica da pesca de pequena escala em toda a bacia.

    Falta de dados sobre comunidades tradicionais gera controvérsia

    O ICMBio reconhece uma limitação relevante na avaliação de risco: os dados de desembarque pesqueiro usados no estudo cobrem apenas áreas não protegidas, que correspondem a 61% da área de ocorrência do tambaqui.

    Tambaqui
    Foto: Derwisz/Flickr

    Unidades de conservação e terras indígenas, que somam os 39% restantes e apresentariam baixo risco de extinção, não contam com dados formais de desembarque. Uma lacuna que alimenta as críticas de pescadores e pesquisadores à decisão.

    Plano de recuperação avança sob pressão de prazo

    Roberto R. Gallucci, coordenador-geral do departamento de gestão compartilhada dos recursos pesqueiros do MMA, trata a conclusão do plano de recuperação até outubro como prioridade. O cronograma já definido prevê cooperação com o MPA e a participação de pescadores, gestores e pesquisadores. Um rascunho considerado crucial já foi apresentado, em 12 de junho. O MPA informou, por e-mail, que está reunindo contribuições técnicas para o plano, mas não disponibilizou o documento preliminar solicitado pela reportagem.

    A mesma atualização incluiu o peixe marinho peroá (Balistes capriscus) entre as espécies ameaçadas. A medida também gerou reação entre pescadores artesanais e o setor pesqueiro. Especialmente em Guarapari (ES), onde a associação local de pescadores (Aspeg) considera desproporcional penalizar quem usa métodos de baixo impacto. Aliás, um plano de recuperação para o peroá também está entre as prioridades do MMA.

    Nem sempre esses planos surtem o efeito esperado. O pargo (Lutjanus purpureus) teve seu status agravado de vulnerável para ameaçado mesmo com um plano de recuperação em vigor, segundo o Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura. A entidade atribui o resultado à disputa de protagonismo entre MMA e MPA. E defende repensar a gestão pesqueira com participação direta de quem pesca e de quem decide onde pescar.

    Atualmente, 490 espécies integram a lista de fauna aquática ameaçada no Brasil. O bagre-branco (Genidens barbus) e a corvina (Micropogonias furnieri), incluídos em atualizações anteriores, têm sua situação em revisão após recurso apresentado pelo MPA.

  • DF cria regras para manejo do pirarucu e limita captura a pescadores artesanais

    DF cria regras para manejo do pirarucu e limita captura a pescadores artesanais

    A governadora Celina Leão (PP) assinou neste domingo (14) o decreto que regulamenta o manejo do pirarucu no Distrito Federal. A norma foi elaborada com base na Instrução Normativa nº 7/2026 do Ibama, que reconhece o peixe como uma espécie exótica invasora fora da Amazônia e autoriza sua pesca, captura e abate fora do habitat natural.

    A partir de agora, somente pescadores artesanais profissionais poderão capturar e abater o pirarucu nas águas do DF. Além disso, esses profissionais precisarão se cadastrar junto à Secretaria de Meio Ambiente (Sema-DF) e informar detalhes de cada captura por meio de um aplicativo que será desenvolvido pela pasta.

    Segundo o subsecretário de Pesca e Aquicultura da Sema-DF, Edson Buscácio, a medida busca garantir que o manejo seja realizado por pessoas capacitadas para lidar com a espécie.

    “Fizemos uma regulamentação autorizando apenas o pescador artesanal profissional, que sabe o uso da técnica e tem capacidade para fazer esse tipo de pesca específica do pirarucu”, afirmou.

    Segurança e impacto ambiental

    De acordo com o subsecretário, a restrição foi definida após análises realizadas pela Sema-DF, pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA). O objetivo é evitar riscos à segurança dos pescadores e possíveis impactos ambientais decorrentes da atividade sem controle.

    O sistema de cadastro também permitirá que os pescadores enviem fotos, vídeos e informações sobre os exemplares capturados. Com isso, a secretaria pretende monitorar a população da espécie, seu porte e os locais onde os animais são encontrados.

    “Queremos ter um controle de quantos são os espécimes, em que tamanho se encontram e aonde foram pescados”, explicou Buscácio.

    O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce com escamas do mundo, sendo considerado um verdadeiro gigante da Bacia Amazônica — Foto: Reprodução/GOV

    Segundo levantamento do governo local, apenas 12 exemplares de pirarucu foram identificados no Distrito Federal até o momento. Por isso, as autoridades consideram que não há justificativa para liberar a pesca da espécie ao público em geral.

    “Os números [de pirarucus] avistados [no DF] são muito pequenos para que nós façamos uma manifestação para todo o público, criando no imaginário do amador que ele pode entrar numa canoa ou num barquinho, ir para o Lago e correr o risco até de pegar um espécime um pouco maior”, concluiu o subsecretário.

  • Governo amplia cota da pesca da tainha em SC

    Governo amplia cota da pesca da tainha em SC

    O governo federal ampliou em 430 toneladas a cota da pesca da tainha por arrasto de praia em Santa Catarina. A medida foi publicada na noite de quarta-feira (11) em edição extra do Diário Oficial da União. A decisão ocorreu poucos dias após a suspensão da atividade. O governo interrompeu a pesca quando as capturas atingiram 90% do limite autorizado para a safra.

    A nova portaria distribui a cota adicional entre duas regiões catarinenses. O litoral centro-norte poderá capturar mais 230 toneladas. Já o litoral centro-sul recebeu autorização para outras 200 toneladas.

    Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, a medida resultou de reuniões do Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Safra. Além disso, técnicos analisaram dados científicos sobre o comportamento da temporada.

    Os pescadores relataram concentração dos cardumes em algumas áreas do estado. Por outro lado, outras localidades registraram baixa presença da espécie devido às condições oceanográficas.

    Dados do ministério mostram que apenas três dos 25 municípios costeiros alcançaram volumes próximos aos históricos. O cenário foi mais difícil no litoral norte. De acordo com o governo federal, 12 dos 14 municípios da região não registraram captura de tainha nesta temporada.

    Diante desse quadro, o governo revisou as cotas. A decisão considerou a diferença entre a produção histórica e a registrada em 2026. Além disso, os técnicos utilizaram parâmetros de Rendimento Máximo Sustentável para avaliar os estoques pesqueiros.

    Saiba quais municípios foram contemplados

    No litoral centro-norte, a ampliação contempla municípios como Joinville, Itajaí, Navegantes, Penha e São Francisco do Sul. Também estão incluídas cidades como Balneário Camboriú, Bombinhas e Porto Belo.

    Já no litoral centro-sul, a medida beneficia municípios como Florianópolis, Palhoça, Garopaba, Imbituba e Laguna. A lista inclui ainda Jaguaruna, Araranguá e Passo de Torres.

    O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo, afirmou que a ampliação busca atender regiões com baixo desempenho na safra. Segundo ele, a medida mantém os critérios técnicos de gestão da espécie.

    A safra deste ano apresentou forte concentração das capturas em algumas localidades. Como resultado, a maior oferta reduziu preços em determinados mercados. Além disso, pescadores relataram desperdício de pescado em alguns pontos do estado.

    O Ministério da Pesca informou que continuará monitorando a temporada. A pasta também defende medidas para garantir a sustentabilidade dos estoques e o equilíbrio da produção entre as comunidades pesqueiras.

    A pesca de arrasto da tainha havia sido suspensa no último domingo (7). A decisão provocou reação de pescadores e autoridades de Santa Catarina.

  • Marinha abre vagas para curso de pescador em SC

    Marinha abre vagas para curso de pescador em SC

    As inscrições para o processo seletivo do Curso de Formação de Aquaviários de Pescador Profissional de Nível 1 (CFAQ-POP 1/MOP 1) seguem abertas até esta quarta-feira (3). A capacitação terá turma em Chapecó (SC) e é promovida pela Capitania dos Portos de Santa Catarina, dentro do Programa do Ensino Profissional Marítimo (PREPOM/2026).

    Além disso, a iniciativa conta com apoio da Prefeitura de Chapecó, por meio da Secretaria de Agricultura e Pesca, responsável pela divulgação da oportunidade no município.

    Do curso

    Ao todo, serão oferecidas 30 vagas para candidatos de ambos os sexos que desejam atuar na Marinha Mercante como aquaviários do grupo de pescadores, nas áreas de convés e máquinas.

    Para participar, os interessados devem ter idade mínima de 18 anos, escolaridade equivalente ao 6º ano do Ensino Fundamental, estar em situação regular com as obrigações eleitorais e militares e atender aos demais critérios estabelecidos no edital.

    A previsão é que as aulas ocorram entre 10 de junho e 8 de julho de 2026, em formato presencial e período integral. As atividades serão realizadas nas instalações da Patromoria da Capitania dos Portos em Chapecó, localizada no bairro Quedas do Palmital.

    O curso será oferecido gratuitamente. No entanto, sua realização está condicionada ao preenchimento mínimo de 30% das vagas disponibilizadas.Após a conclusão da formação, os participantes aprovados receberão certificado de proficiência, caderneta de inscrição e registro profissional, além de acesso ao histórico escolar por meio do sistema da Diretoria de Portos e Costas. Assim, os novos profissionais estarão aptos a ingressar formalmente nas atividades ligadas à pesca profissional e ao setor marítimo.

    Sobre a seleção

    Diferentemente de muitos processos seletivos, a seleção não contará com prova escrita. Dessa forma, a classificação será definida pela ordem de inscrição dos candidatos considerados aptos no teste de suficiência física.

    A avaliação física inclui uma prova de natação de 25 metros e a permanência do candidato flutuando por dez minutos, sem qualquer tipo de auxílio.

    Inscrições

    As inscrições podem ser realizadas presencialmente em Chapecó ou em Florianópolis, por meio das unidades da Marinha, ou ainda pelos Correios, desde que toda a documentação exigida seja entregue dentro do prazo previsto.

     

  • “Socorro”: pescador abandona cardumes de tainha por falta de compradores em SC

    “Socorro”: pescador abandona cardumes de tainha por falta de compradores em SC

    Um pescador artesanal da Barra da Lagoa, em Florianópolis, usou as redes sociais para denunciar as dificuldades enfrentadas durante a safra da tainha em Santa Catarina. O vídeo, publicado na noite da última quinta-feira (28), rapidamente repercutiu entre pescadores e moradores da região.

    Em tom de revolta, e cercado por milhares de tainhas na praia, o trabalhador afirmou que deixou de cercar três cardumes por causa da falta de estrutura para comercializar o pescado.

    “Não tem caixa, não tem caminhão, não tem comprador. Não sei se é monopólio em cima do pescador para baixar o preço, mas é isso que acontece com os pescadores. É uma vergonha”, desabafou.

    Segundo ele, os peixes permaneceriam na praia durante toda a noite devido à ausência de compradores interessados na carga.

    https://www.instagram.com/reel/DY55aRysxw9/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Além disso, o pescador afirmou que o problema não acontece apenas na Barra da Lagoa. De acordo com ele, praias como Campeche, Lagoinha e Ingleses também enfrentam dificuldades semelhantes durante a safra.

    “Assim como a Barra da Lagoa está passando por essa situação, acredito que as outras praias também. Para nós, é difícil”, afirmou.

    Pescadores reclamam da cota da tainha

    O pescador também criticou a cota imposta pelo Ministério da Pesca, que limita a quantidade de tainhas capturadas durante a temporada.

    Segundo as regras atuais, os pescadores de Santa Catarina podem capturar até 5,2 mil toneladas de tainha entre maio e julho.

    Para ele, a combinação entre limite de pesca, falta de compradores e ausência de estrutura desestimula os trabalhadores da pesca artesanal.

    “Além do Ministério da Pesca impor em cima de nós a cota, não tem preço, não tem caixa, não tem caminhão. Para nós é um desestímulo muito grande para a pesca artesanal”, concluiu.

    11 mil tainhas

    Apesar das dificuldades relatadas pelos pescadores, a safra também registrou episódios de grande volume de captura em Santa Catarina.

    Recentemente, um grupo de pescadores catarinenses conseguiu capturar mais de 11 mil tainhas em uma única noite de trabalho no mar.

    Sem drones ou equipamentos tecnológicos avançados, os trabalhadores utilizaram técnicas tradicionais e experiência acumulada ao longo de gerações para acompanhar o deslocamento do cardume durante a madrugada.

    Foto: Reprodução/ Redes Sociais

    A operação exigiu horas de observação e coordenação entre os pescadores. Em seguida, eles conduziram os peixes até uma área rasa, estratégia conhecida no meio pesqueiro como “secar o peixe”.

    “De manhã deu certo”, contou o pescador Denir Matos, de 71 anos, durante entrevista concedida a uma emissora local.

  • Pesca com botos no sul do Brasil vira patrimônio cultural

    Pesca com botos no sul do Brasil vira patrimônio cultural

    O movimento na praia começa cedo. Homens e mulheres se posicionam às margens do estuário com tarrafas e redes, aguardando o momento certo. Então eles aparecem: um a um, com barbatanas e dorsos cinzentos, saltando para indicar com precisão onde está o cardume. É nesse pacto entre humanos e cetáceos que vive a Pesca com Botos. E desde esta semana essa prática integra oficialmente o Patrimônio Cultural Brasileiro.

    Foto: Iphan

    O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) aprovou o registro durante o segundo dia da 112ª Reunião Ordinária do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. A atividade entrou no Livro dos Saberes, categoria que reconhece conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações.

    Um registro além do humano

    O conselheiro Bernardo Issa, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, relatou o parecer favorável ao registro. O documento destaca a profundidade histórica da prática, sua complexidade socioecológica e seu valor simbólico. “Trata-se de um saber-fazer tradicional enraizado em territórios específicos, transmitido entre gerações e continuamente recriado pelas comunidades que dele participam”, afirma o texto.

    O parecer vai além: aponta que esse registro amplia os limites do patrimônio cultural para além do humano, “em sintonia com as demandas socioambientais do presente e as novas éticas não-antropocêntricas de coabitação entre espécies”.

    Para o presidente do Iphan, Leandro Grass, o ineditismo do registro está na junção dos olhares social, ambiental e biossocial. “É um chamado a um pensamento holístico, sistêmico, sustentabilista acerca do Patrimônio Cultural, comprometido com esse momento da história em que a humanidade precisa decidir se vai se destruir ou se vai permitir àqueles que ainda não nasceram viver dignamente”, declarou.

    Botos com nome e história

    A pesca cooperativa não acontece com animais anônimos. Cada boto tem nome, geralmente ligado às suas características físicas ou comportamentais. Taffarel era pulador como o jogador homônimo. O Alumínio brilhava tanto sob o sol que lembrava o metal. O Lobisomem recebeu esse apelido por causa da nadadeira comprida.

    A morte de um boto abala toda a comunidade. O Lobisomem e a Caroba, mortos em 2005 e 2022, causaram comoção. A partida da Caroba, a fêmea mais velha de Laguna, motivou a criação de um santuário em homenagem aos animais que já se foram.

    O pescador artesanal Reinaldo Florentino não esconde a preocupação com o futuro. “Se não resolvermos o habitat dos botos, todos vão morrer. São 16 ou 18 botos que interagem hoje com o pescador. Daqui a seis anos não vai existir mais botos, só em fotos. Quando morre um boto, a gente chora. Parece um membro da família. Eu conheço um por um: a Borracha, a Princesa, a Jade, o Fúria, o Natalino, o Cabeça-Feia, a Pomba”, disse emocionado.

    O alerta de Florentino tem respaldo científico. Em 2025, a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) reclassificou o boto-de-Lahille, a espécie envolvida na pesca colaborativa, de vulnerável para em perigo de extinção. A população mundial total estimada é de apenas cerca de 330 indivíduos, a maioria no litoral sul do Brasil.

    Como funciona a pesca

    A prática ocorre em quatro sistemas estuarinos entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os locais de maior frequência são a foz do Rio Tramandaí (RS) e o Complexo Lagunar Sul de Santa Catarina, próximo a Laguna. Ocasionalmente, acontece também nos estuários dos rios Mampituba (RS) e Araranguá (SC).

    Foto: Iphan

    A temporada concentra-se nos meses de maio, junho e julho. Os pescadores se reúnem no estuário e aguardam o sinal dos botos, que direcionam o cardume e o encurralam diante dos humanos. Quando o momento chega, o boto salta, alguns até emitem sons, sinalizando a hora de lançar a rede.

    O processo exige técnica e conhecimento específico: os botos fazem inúmeros movimentos e cabe ao pescador identificar quando o animal está de fato auxiliando a pesca. Somam-se a isso saberes sobre ventos, marés, hábitos dos peixes e geografia local.

    https://www.youtube.com/watch?v=LWGzFcv_jVk

    A prática já era patrimônio imaterial de Santa Catarina, reconhecida pela Fundação Catarinense de Cultura desde 2018. Agora, é patrimônio de todo o Brasil.

  • Alagoas transforma Brasil no maior produtor de sururu do mundo

    Alagoas transforma Brasil no maior produtor de sururu do mundo

    O Brasil extraiu a liderança mundial na produção de sururu. Com mais de 15 mil toneladas por ano, o país supera qualquer outra nação e transforma o molusco em uma das proteínas naturais mais relevantes da economia nacional. Alagoas concentra essa produção e desenvolve um sistema de coleta que nenhum outro lugar do planeta consegue replicar.

    Foto: Leonardo Sá/Flickr

    Durante décadas, produtores associaram o sururu apenas às tradições locais do Nordeste. Hoje, o molusco ocupa posição estratégica no cenário de proteínas sustentáveis, de baixo custo e alto impacto social. A escala produtiva brasileira não encontra paralelo internacional.

    Marisqueiras e pescadores movimentam cadeia produtiva de alta intensidade

    O processo começa antes do amanhecer. Barcos de madeira cortam a escuridão enquanto marisqueiras e pescadores navegam guiados pelo conhecimento sobre maré, salinidade e temperatura. Essas comunidades conhecem cada variação como se lessem um mapa invisível.

    A produtividade depende dessa precisão. Uma maré baixa demais afunda os barcos; uma maré alta demais dificulta a coleta. Os trabalhadores encontram o equilíbrio no olhar de quem repete o mesmo movimento há décadas.

    Quando o trabalho inicia, a rotina lembra uma linha de montagem: ritmo contínuo, rápido e sincronizado. Os coletores se posicionam, afundam as mãos no sedimento e retiram o sururu em movimentos calculados. Eles identificam exatamente quais áreas estão produtivas, quais renovam e quais precisam de descanso ambiental.

    A coleta se torna trabalho coletivo. As conchas se acumulam em caixas e seguem para casas de beneficiamento, onde mulheres, jovens e idosos assumem o processamento: lavam, fervem, separam, limpam, descartam o excesso, preparam o miolo e organizam os lotes.

    Foto: Leonardo Sá/Flickr

    O processo não improvisa nada. O som das conchas batendo nas panelas e o vapor constante formam a trilha sonora de uma indústria sem máquinas, mas com precisão profissional.

    Três fatores explicam domínio brasileiro no mercado de sururu

    A liderança brasileira se explica por três elementos fundamentais:

    • Escala produtiva natural: o ambiente favorece o crescimento constante através de águas salobras, ecossistema rico em nutrientes e renovação contínua dos bancos naturais.
    • Tradição técnica: a habilidade dos coletores funciona como sistema de gestão ambiental ao vivo. Eles escolhem áreas produtivas e preservam as que necessitam descanso.
    • Cultura gastronômica forte: a demanda local se mantém estável, sólida e historicamente valorizada, o que sustenta a economia durante o ano inteiro.

    O sururu oferece proteína de custo muito baixo para o consumidor e apresenta alto retorno nutricional. Essa combinação o posiciona como alternativa importante em um país que enfrenta desigualdade alimentar.

    Foto: Marina Ferro/Flickr

    Nenhum outro país reúne simultaneamente esses três fatores. Outros lugares possuem moluscos semelhantes, mas nenhum desenvolveu cadeia produtiva real, contínua e com volume comparável. O título de maior produtor mundial não carrega valor apenas simbólico — especialistas o consideram técnico e incontestável.

    Molusco emerge como alternativa proteica sustentável e acessível

    O crescimento do sururu acontece no momento em que o Brasil busca diversificar sua matriz alimentar. O molusco reúne características estratégicas:

    • Baixo custo de produção
    • Alto teor proteico
    • Elevada concentração de minerais
    • Ciclo de renovação rápida
    • Baixa pegada ambiental
    • Demanda forte na gastronomia local
    • Capacidade de gerar empregos diretos e indiretos
    • Forte impacto social em comunidades ribeirinhas

    Enquanto proteínas como peixes, aves e crustáceos dependem de grandes estruturas industriais, o sururu se apoia em modelo ambientalmente eficiente por natureza.

    Como filtrador, o molusco ajuda a melhorar a qualidade da água, reduz turbidez e participa do equilíbrio ecológico dos estuários. A própria extração, quando realizada com manejo correto, favorece a renovação dos bancos.

    O Brasil lidera o mundo porque a cadeia de sururu é sustentavelmente produtiva, socialmente relevante e tecnicamente eficiente.

    Estado alagoano eleva sururu de alimento tradicional a ativo econômico

    Nada do que o sururu representa hoje se explica sem Alagoas. O estado elevou esse molusco de alimento tradicional a ativo econômico estruturado, capaz de criar emprego, movimentar renda, abastecer mercados e sustentar setores inteiros da gastronomia.

    Foto: Marcelo Jorge Vieira/Flickr

    O sururu saiu das feiras livres e alcançou novos mercados. Hoje chega a restaurantes renomados, redes de alimentação e empreendimentos turísticos que utilizam o molusco como símbolo regional. A produção envolve pescadores, marisqueiras, comerciantes, cozinheiros, distribuidores e microindústrias artesanais. Esse ecossistema social alimenta milhares de famílias e mantém o estado em posição de protagonismo nacional e internacional.

    A força cultural também é incomparável. O sururu marca presença na culinária, nas festas populares, nas tradições familiares e na identidade visual do estado. Poucos alimentos no Brasil carregam tanto significado econômico e simbólico simultaneamente.

    Produção aponta para expansão e reconhecimento nacional

    A tendência indica crescimento. A procura aumenta, novos estabelecimentos ampliam o uso do molusco e debates sobre denominação de origem começam a surgir. O reconhecimento como patrimônio cultural fortalece políticas públicas e incentiva o ordenamento sustentável do manejo.

    O Brasil, que já domina o mundo em produção, agora prepara o terreno para transformar o sururu em produto de maior valor agregado. A cadeia, porém, mantém a essência artesanal que a sustenta.

  • Pescadores ganham barcos com motor e reforçam produção local

    Pescadores ganham barcos com motor e reforçam produção local

    Pescadores da Colônia Z-5, em São Luiz do Anauá, estão reforçando sua produção e segurança no trabalho. Eles receberam 16 barcos equipados com motor de popa e rabeta. A ação valoriza quem vive da pesca, gera renda direta e fortalece a economia local, dando mais autonomia aos profissionais do rio.

    A entrega dos equipamentos ocorreu na sexta-feira, 19, em um encontro que reuniu a comunidade, produtores rurais e autoridades. A iniciativa faz parte de um conjunto de esforços para fortalecer a pesca artesanal no estado.

    Inclusão em programa federal amplia mercado

    Uma das principais novidades para a categoria é a inclusão no cardápio e na tabela de preços da Conab, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O técnico do Iater, Rafael Pinheiro, destacou que um contrato de R$ 98,5 mil já está executado e um novo edital, no valor de R$ 150 mil, permitirá o fornecimento de mais 35 toneladas de peixe no sul de Roraima.

    “Cada pescador pode acessar até R$ 15 mil pelo PAA, com pagamento ágil. Os CRAS fazem a distribuição do pescado para as famílias”, explicou Pinheiro. Ele também citou uma emenda parlamentar de R$ 100 mil, do senador Chico Rodrigues, que distribuiu cerca de 10 toneladas de peixe por meio dos CRAS de dois municípios, beneficiando mais de 500 pessoas com o trabalho de sete pescadores.

    Governo entrega equipamentos e fomenta produção

    O Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), realizou a entrega dos barcos. O secretário Marcio Grangeiro afirmou que a ação fortalece quem produz alimentos e atende a população. “É do campo que sai o alimento que chega à mesa”, pontuou.

    Grangeiro também listou outras ações dos últimos anos voltadas ao meio rural, como o fomento a tratores, caminhões, casas de farinha e kits de irrigação. O objetivo é ampliar a capacidade produtiva da agricultura familiar e da pesca.

    Além do acesso ao PAA, os pescadores artesanais contam com o seguro-defeso durante o período da piracema. O apoio da bancada federal também é um fator crucial, segundo Rafael Pinheiro, para o fortalecimento contínuo da atividade em Roraima.

  • Lula gigante “se vinga” de pescador filipino com ataque

    Lula gigante “se vinga” de pescador filipino com ataque

    Um pescador filipino vivenciou um momento inusitado que rapidamente viralizou nas redes sociais. Enquanto exibia orgulhosamente sua captura de uma lula gigante, o animal executou sua última linha de defesa: borrifou o homem com um jato de tinta escura, criando uma cena que muitos interpretaram como uma “vingança” do molusco.

    O episódio, gravado em vídeo, mostra o pescador segurando o cefalópode quando este libera sua substância defensiva, manchando completamente as roupas e o rosto do homem. A reação natural do animal gerou risadas entre quem assistia, mas também despertou interesse sobre os mecanismos de defesa das lulas.

    Como funciona o sistema de defesa das lulas

    As lulas desenvolveram um sofisticado sistema de proteção ao longo de milhões de anos de evolução. Quando detectam perigo, estes cefalópodes liberam rapidamente uma substância escura conhecida popularmente como “tinta”, embora sua composição seja bem mais complexa.

    A secreção consiste numa mistura de melanina – o mesmo pigmento responsável pela cor da pele humana – combinada com muco espesso. Esta combinação cria uma nuvem densa na água que confunde predadores e oferece à lula alguns segundos preciosos para escapar.

    “O muco ajuda a formar uma cortina opaca que permanece coesa por tempo suficiente para a lula desaparecer”, explica o comportamento defensivo que evoluiu como resposta às pressões predatórias no ambiente marinho.

    Propriedades e efeitos da secreção

    Diferentemente da tinta comum, a substância produzida pelas lulas possui características específicas que a tornam eficaz em ambiente aquático. A melanina confere a cor escura intensa, enquanto o muco garante densidade e permanência na água.

    Esta secreção natural pode manchar roupas, pele e outros materiais, especialmente quando não removida rapidamente. Embora seja solúvel em água, o contato prolongado com superfícies pode deixar marcas persistentes e mais difíceis de eliminar.

    Para limpeza eficaz, especialistas recomendam enxágue imediato com água abundante. Roupas manchadas devem ser lavadas o quanto antes, preferencialmente com detergentes enzimáticos que quebram as proteínas presentes na secreção.

    O crescente mercado mundial de lulas

    O episódio filipino ocorre em meio ao crescimento significativo da pesca comercial de lulas globalmente. Estes cefalópodes representam um dos recursos pesqueiros mais valiosos do mundo, com demanda crescente tanto para consumo direto quanto para uso como isca.

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    As Filipinas figuram entre os principais produtores mundiais de lulas, aproveitando suas águas tropicais ricas em nutrientes que sustentam populações robustas destes animais. A pesca de lulas movimenta milhões de dólares anualmente no arquipélago, fornecendo proteína essencial para mercados locais e internacionais.

    Países como Japão, China e Coreia do Sul lideram o consumo mundial, onde lulas preparadas de diversas formas integram a culinária tradicional. No Brasil, o consumo cresce gradualmente, especialmente em regiões costeiras onde frutos do mar ganham popularidade.

    Características das espécies gigantes

    As lulas gigantes despertam fascínio não apenas pelo tamanho impressionante, mas também por sua inteligência notável. Estes invertebrados marinhos possuem sistemas nervosos complexos, demonstram capacidade de aprendizado e exibem comportamentos sofisticados de caça.

    Algumas espécies podem atingir comprimentos superiores a 10 metros, incluindo os tentáculos, tornando-se verdadeiros gigantes dos oceanos. Seus olhos, entre os maiores do reino animal, permitem visão aguçada mesmo em águas profundas com pouca luminosidade.

    A pesca comercial geralmente foca em espécies menores, mais abundantes e de captura mais segura. Lulas gigantes raramente aparecem em redes comerciais, tornando encontros como o filipino eventos relativamente raros que geram grande interesse público.

    Sustentabilidade e conservação

    O crescimento da demanda por lulas levanta questões importantes sobre sustentabilidade pesqueira. Estes animais possuem ciclos de vida relativamente curtos, com muitas espécies vivendo apenas um ou dois anos, o que pode tornar suas populações vulneráveis à sobrepesca.

    Organizações pesqueiras internacionais desenvolvem regulamentações específicas para proteger estoques de lulas, estabelecendo quotas sazonais e áreas de proteção reprodutiva. A pesca sustentável garante que futuras gerações possam continuar aproveitando este recurso marinho valioso.

    Pescadores como o protagonista do vídeo filipino dependem destes recursos para subsistência, destacando a importância de equilibrar conservação ambiental com necessidades econômicas das comunidades pesqueiras.

    Curiosidades científicas

    Além do mecanismo de tinta, lulas possuem outras adaptações fascinantes. Podem alterar rapidamente a cor e textura da pele através de células especializadas chamadas cromatóforos, criando camuflagens elaboradas ou sinais de comunicação.

    Seus tentáculos contêm ventosas poderosas equipadas com estruturas semelhantes a dentes, permitindo captura eficiente de presas. Algumas espécies produzem bioluminescência, criando padrões de luz para comunicação ou confusão de predadores.

    O episódio filipino, embora divertido, ilustra perfeitamente a eficácia dos mecanismos defensivos que permitiram às lulas prosperar nos oceanos por centenas de milhões de anos, muito antes dos dinossauros dominarem a Terra.

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  • Pesca esportiva movimenta bilhões nos EUA e no Brasil

    Pesca esportiva movimenta bilhões nos EUA e no Brasil

    A pesca esportiva transcende o conceito de simples passatempo recreativo. Ela representa uma força econômica colossal que movimenta cifras impressionantes globalmente, rivalizando com grandes corporações e até mesmo com o Produto Interno Bruto de nações inteiras.

    Segundo o mais recente relatório da American Sportfishing Association (ASA), a pesca esportiva contribui com mais de US$ 230,5 bilhões para a economia americana anualmente e sustenta 1,1 milhão de empregos em todo o país. Esses números colocam o setor em uma posição privilegiada no cenário econômico mundial.

    Reprodução: Redes Sociais

    Para compreender a magnitude desse impacto econômico, algumas comparações ilustram perfeitamente a relevância do setor:

    • Superioridade corporativa: o valor movimentado pela pesca esportiva americana supera o valor de mercado da Disney (US$ 219 a 224 bilhões), demonstrando que a conexão entre natureza e economia pode ser mais poderosa que o entretenimento tradicional.
    • Rivalidade tecnológica: os números também ultrapassam a receita da Apple com vendas de iPhones (US$ 201,2 bilhões em 2024), evidenciando que a pesca esportiva compete diretamente com gigantes tecnológicos.
    • Supremacia no entretenimento: a atividade movimenta mais recursos que toda a indústria televisiva americana (US$ 225,6 bilhões) e quatro vezes mais que a soma das principais ligas esportivas dos EUA — NBA, NFL, MLB e NHL (US$ 52,6 bilhões).
    • Comparação internacional: o valor supera o PIB de países como Hungria, Catar, Ucrânia, Uruguai e Paraguai, posicionando a pesca esportiva americana como uma “economia nacional” independente.

    Brasil: potência mundial em ascensão

    O Brasil não fica atrás nessa corrida econômica. A pesca esportiva brasileira atinge números impressionantes, movimentando mais de R$ 17 bilhões e gerando mais de 270 mil empregos diretos. Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, a atividade movimenta aproximadamente 2 bilhões de dólares por ano e gera cerca de 200 mil empregos no Brasil.

    Com 8.500 quilômetros de litoral e 35.000 quilômetros de vias navegáveis internas, o Brasil oferece opções de Norte a Sul para a prática do esporte, consolidando-se como destino preferencial mundial para a modalidade pesque e solte.

    Foto: Pesca 360

    Destaque regional: No Amazonas especificamente, a pesca esportiva movimenta cerca de R$ 500 milhões em receita direta e indireta, com destinos como o Pantanal, o rio Araguaia e o Vale da Serra da Mesa entre os mais reconhecidos.

    Crescimento sustentado e potencial inexplorado

    O Brasil possui cerca de 6 milhões de praticantes da pesca esportiva, sendo apenas 500 mil regulamentados com licenças. Essa disparidade revela um potencial gigantesco ainda inexplorado no mercado brasileiro.

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    Dados históricos mostram a trajetória ascendente do setor. Em 2013, o mercado movimentava cerca de R$ 1 bilhão e crescia aproximadamente 30% nos últimos anos. Em uma década, o número de praticantes quase dobrou, passando de 4 milhões para 7,8 milhões.

    Diferencial competitivo único

    A pesca esportiva apresenta características únicas no cenário econômico mundial. Diferentemente de outros segmentos bilionários, ela opera sem estádios, bilheteria ou mensalidades. A atividade acontece em rios, lagos e mares, conectando diretamente natureza, lazer e economia de forma sustentável.

    Esse modelo econômico inovador transforma recursos naturais em motores de desenvolvimento econômico, gerando empregos em comunidades ribeirinhas, impulsionando o turismo regional e promovendo a conservação ambiental através da prática do pesque e solte.

    O turismo de pesca esportiva movimenta globalmente cerca de US$ 200 bilhões, indicando que os números tendem a crescer exponencialmente quando consideramos todos os países praticantes.

    Força feminina

    E não são só os homens. Cada vez mais mulheres deixam de ser meras acompanhantes para assumir o protagonismo na atividade, controlando a isca, o anzol e até o motor das embarcações com a mesma habilidade e paixão que os homens.

    Erivânia com sua cachara durante pescaria.

    Esse crescimento do público feminino na pesca esportiva reflete uma mudança cultural importante. Mulheres que antes acompanhavam familiares ou amigos sem grande interesse começaram a se envolver ativamente, tornando-se pescadoras dedicadas e entusiastas do esporte. Hoje, elas não apenas participam, mas também lideram expedições, competições e comunidades especializadas. E se divertem muito.

    O impacto desse fenômeno pode ser visto em redes sociais e comunidades online. Por exemplo, a conta @girlsfishing.oficial já reúne mais de 100 mil pescadoras, número que cresce constantemente, mostrando a força e o engajamento das mulheres nesse segmento. Essas plataformas promovem troca de experiências, dicas técnicas, e fortalecem a representatividade feminina na pesca esportiva.

    Só vantagens

    Além do aspecto esportivo, a pescaria oferece benefícios como contato com a natureza, relaxamento, desenvolvimento de habilidades técnicas e fortalecimento de laços sociais. Para muitas mulheres, o esporte também representa uma forma de empoderamento, autonomia e quebra de estereótipos de gênero.

    O Brasil, reconhecido mundialmente como o melhor destino para pesca esportiva, possui condições privilegiadas para expandir ainda mais sua participação nesse mercado bilionário. A combinação de biodiversidade aquática única, extensão territorial continental e crescente consciência ambiental cria o cenário perfeito para consolidar a liderança brasileira no setor.

    A pesca esportiva continua provando que é muito mais que lazer. É um verdadeiro motor econômico sustentável que conecta conservação ambiental, desenvolvimento regional e geração de renda. Estabelecendo-se como força econômica permanente no cenário mundial.

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