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  • Ibama apreende 104 toneladas de pescado ilegal e reforça proteção da tainha no Sul

    Ibama apreende 104 toneladas de pescado ilegal e reforça proteção da tainha no Sul

    A Operação Mugil, coordenada pelo Ibama, resultou na apreensão de 104 toneladas de pescado irregular e na aplicação de R$ 6 milhões em multas no litoral do Rio Grande do Sul. Os números correspondem às duas primeiras fases da ação, que tem como objetivo proteger a tainha durante o período de migração reprodutiva nas regiões Sul e Sudeste do país.

    A operação, iniciada em maio e com atividades previstas até julho, reúne diferentes órgãos de fiscalização e concentra esforços no combate à pesca industrial ilegal.

    Entre as principais irregularidades identificadas estão a pesca em áreas proibidas, a atuação em águas jurisdicionais uruguaias, a realização de atividades sem autorização, o transporte de pescado com documentação considerada inválida e a circulação de produtos impróprios para o consumo humano sem comprovação de origem. Além disso, os fiscais registraram a captura de 24 exemplares de fauna aquática ameaçada de extinção.

    Fiscais do Ibama e da Polícia Militar do RS em praia durante a ação — Foto: Ibama

    Captura da tainha

    As ações começaram na Lagoa dos Patos, em Rio Grande (RS), considerada o maior berçário natural da tainha. Nesse ambiente, a espécie se desenvolve desde a fase larval. Por isso, as equipes concentraram inicialmente as patrulhas na área de restrição à pesca de emalhe, localizada no canal e na desembocadura do estuário, ponto estratégico para a passagem dos cardumes.

    O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também intensificou o monitoramento na Praia do Cassino, considerada a maior praia em extensão do mundo, até a fronteira com o Uruguai. O objetivo foi identificar atividades ilegais dentro do Parque Nacional Marinho do Albardão. Durante a fiscalização, uma embarcação que utilizava a modalidade de pesca de arrasto, proibida na região, foi autuada.

    Pescado apreendido em esteira de entreposto no RS — Foto: Ibama

    Na segunda etapa da operação, houve ampliação da área de atuação, chegando ao litoral de Santa Catarina, especialmente nos municípios de Laguna e Imbituba. As áreas fiscalizadas possuem restrições à pesca de emalhe há mais de 14 anos e formam um dos principais corredores de migração da espécie em direção ao mar.

    Segundo os órgãos envolvidos, a operação já contribuiu para uma redução significativa das práticas ilegais. Com isso, os grandes cardumes conseguiram seguir seu trajeto migratório até o oceano, favorecendo principalmente os pescadores artesanais e permitindo que a espécie complete seu ciclo reprodutivo.

    Confira os resultados da Operação Mugil

    • 36 autos de infração
    • R$ 6 milhões em multas
    • 104 toneladas de pescado apreendidas
    • 42 toneladas de peixe doadas ao Sesc Mesa Brasil
    • 7 embarcações apreendidas
    • 9 termos de suspensão de atividades de embarcações de pesca industrial
    • 5 veículos apreendidos
    • 32 redes apreendidas
    • 24 espécies aquáticas ameaçadas de extinção identificadas
    • 2.574 caixas de pescado apreendidas

    Controle pesqueiro

    Atualmente, a tainha é considerada o recurso pesqueiro mais regulado do Brasil. A adoção de medidas rígidas ocorre em razão do avançado estágio de sobrexplotação, resultado de décadas de exploração sem controle adequado.

    Entre as principais ferramentas de gestão estão as cotas de captura, áreas de exclusão para pesca, controle do esforço pesqueiro, definição de períodos específicos para cada frota e exigência de tamanho mínimo para captura.

    Espécie sofreu forte redução populacional devido à captura durante a fase reprodutiva — Foto: GOV

    O ciclo reprodutivo da tainha tem início por volta dos cinco anos de idade. Além disso, a espécie realiza uma intensa migração no final do outono e início do inverno, fenômeno conhecido como “corrida da tainha”. Nessa fase, grandes cardumes seguem em direção ao mar, estimulados pela chegada das baixas temperaturas e dos ventos mais fortes.

  • Camarão-rosa: operação apreende 32 toneladas de pescado apreendido

    Camarão-rosa: operação apreende 32 toneladas de pescado apreendido

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) encerrou a segunda fase da Operação Decapoda 2026 no Rio Grande do Sul com saldo de R$ 1.132.660,00 em multas. A ação concentrou esforços no combate à pesca ilegal do camarão-rosa na Lagoa dos Patos. E resultou na apreensão de mais de 32 toneladas de pescado.

    A fiscalização intensificou-se durante o período de safra do camarão-rosa, entre 1º de fevereiro e 31 de maio, que coincide com o defeso nas regiões Sul e Sudeste (28 de janeiro a 30 de abril). Os agentes miraram especificamente a prática de pesca com rede de arrasto e portas. A técnica é proibida por devastar o ecossistema lagunar e prejudicar pescadores legalizados que utilizam armadilhas permitidas.

    Operação no RS combate pesca predatória durante safra do camarão-rosa

    O Ibama realizou a operação em parceria com a Brigada Militar Ambiental e a Polícia Federal. As equipes executaram patrulhamentos aquáticos, montaram barreiras rodoviárias e inspecionaram setores industrial e comercial, além de verificar estoques.

    Os agentes flagraram uma embarcação de pesca industrial operando ilegalmente na Área de Exclusão de Pesca do Albardão, na costa gaúcha, e também em águas uruguaias. A análise de dados de rastreamento por satélite revelou a infração, que configura reincidência da embarcação e viola a soberania do país vizinho.

    Até o momento, a operação gerou 10 autos de infração. As equipes fiscalizaram 15 veículos de transporte de pescados, uma empresa comercial e uma indústria pesqueira. As apreensões incluem uma embarcação, uma rede de arrasto de camarão, duas portas de arrasto, seis veículos utilitários e 32.242 quilos de pescado (25.560 quilos de peixes e 6.682 quilos de camarão). A fiscalização também embargou uma empresa clandestina de comércio de pescados.

    Foto: Ibama

    Todo o pescado apreendido seguiu para o programa social Sesc Mesa Brasil, por meio de Acordo de Cooperação Técnica com o Ibama. A doação beneficiou 160 entidades e alcançou cerca de 26 mil pessoas em situação de insegurança alimentar.

  • Ibama apreende 1,3 tonelada de pescado ilegal

    Ibama apreende 1,3 tonelada de pescado ilegal

    A região da Calha Norte, no Pará, virou palco de duas grandes operações do Ibama que trouxeram resultados expressivos no combate à degradação ambiental. Entre o final de outubro e meados de novembro, as equipes conseguiram frear atividades ilegais que vinham crescendo na região.

    O trabalho começou em terra firme e depois avançou pros rios. Com apoio da Força Nacional de Segurança Pública, os fiscais percorreram municípios onde o desmatamento vinha acelerando. Algo que os sistemas de monitoramento Deter e Brasil Mais já vinham sinalizando há algum tempo.

    Durante a Operação Calha Norte, que rolou entre 28 de outubro e 9 de novembro, as equipes aplicaram autos de infração que totalizaram R$ 4.250.000,00. Além das multas pesadas, 775,36 hectares foram embargados. Ou seja, essas áreas não podem mais ser exploradas até que a situação seja regularizada.

    A estratégia do Ibama focou em três frentes principais: parar as atividades ilegais no flagrante, identificar e punir os responsáveis, e garantir proteção pras áreas que ainda tavam vulneráveis. Os dados de satélite mostraram que era necessário agir rápido, antes que mais floresta fosse derrubada.

    Mais de uma tonelada de pescado apreendido no período proibido

    Logo depois das ações terrestres, veio a Operação Rios Federais. No dia 15 de novembro, os fiscais interceptaram 1,3 tonelada de peixe que tinha sido capturado ilegalmente no rio Amazonas, perto de Óbidos.

    O pescado incluía principalmente mapará (Hypophthalmus spp.) e aracu (Schizodon fasciatus), espécies protegidas nesta época do ano pelo período de defeso, quando a lei proíbe a pesca para garantir a reprodução dos peixes.

    Foto: Ibama/PA

    Diferente de outras apreensões onde o produto acaba perdido, nesse caso todo o pescado foi doado pra comunidade local depois dos procedimentos administrativos. Uma medida que evita desperdício e ainda ajuda quem precisa.

    Entenda o que é o defeso e porque ele existe

    O defeso é aquele período do ano em que determinadas espécies não podem ser pescadas. No Pará, a Portaria Ibama nº 48/2007 estabelece que entre 15 de novembro e 15 de março a pesca de várias espécies fica totalmente proibida.

    Mas porque isso? Simples: é justamente nessa época que os peixes se reproduzem. Se a pesca continuasse normalmente, os estoques naturais entrariam em colapso e, em alguns anos, poderia não ter mais peixe suficiente nem pra alimentar as comunidades locais.

    As espécies protegidas durante esse período incluem pirapitinga, curimatá, mapará, aracu, pacu, jatuarana, fura-calça e branquinha. Pescadores profissionais cadastrados recebem seguro-defeso durante esses meses pra compensar a parada obrigatória.

    Por que essas operações fazem diferença

    Pode parecer que uma tonelada de peixe ou algumas centenas de hectares embargados não mudam muita coisa no contexto da Amazônia inteira. Mas especialistas em conservação explicam que essas ações tem um efeito muito além dos números.

    Primeiro, elas mostram presença do Estado em regiões remotas onde muitas vezes a fiscalização é escassa. Segundo, servem como alerta pra quem pensa em desrespeitar as regras ambientais. E terceiro, talvez o mais importante, protegem diretamente ecossistemas que são fundamentais pro equilíbrio ambiental de toda a região.

    A proteção das florestas e o respeito aos ciclos reprodutivos das espécies aquáticas não são apenas questões ambientais abstratas. Elas afetam diretamente a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas e a manutenção da biodiversidade que torna a Amazônia única no planeta.

    Portanto, as operações integradas do Ibama demonstram que o combate aos crimes ambientais precisa acontecer em múltiplas frentes. Tanto em terra quanto na água, tanto contra o desmatamento quanto contra a exploração ilegal dos recursos naturais.