Tag: pesca sustentável

  • Ameaçado de extinção, pargo passa a ter cota de pesca no Brasil

    Ameaçado de extinção, pargo passa a ter cota de pesca no Brasil

    O governo federal impôs, pela primeira vez, um limite para a captura do pargo, peixe que o Brasil mais exporta entre os pescados e que a lista mais recente de espécies ameaçadas classifica como “Em Perigo” de extinção. A Portaria Interministerial MPA/MMA nº 66/2026 foi publicada nesta segunda-feira (27 de julho). E fixa o teto de 2.750 toneladas para a temporada de pesca de 2026, mesmo com a safra já aberta desde 1º de maio.

    O Ministério do Meio Ambiente (MMA) reclassificou o Lutjanus purpureus, nome científico do pargo vermelho, como “Em Perigo” em abril deste ano. Até a publicação da nova norma, porém, os pescadores continuavam capturando o peixe sem qualquer regramento de volume.

    O que muda com a nova portaria

    O MMA e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) assinaram e editaram juntos a portaria, que representa o resultado de sete anos de campanhas da ONG Oceana em defesa de medidas baseadas em ciência. O Brasil já aplica esse tipo de cota a outras espécies: a tainha desde 2018 e a lagosta desde 2024.

    “Limitar a extração de quaisquer recursos pesqueiros, como agora acontece com o pargo, é uma das principais medidas para assegurar a sustentabilidade da pesca em um futuro próximo”, afirma o diretor-geral da Oceana, Ademilson Zamboni. “Demorou bastante para acontecer, e ainda há muito a ser feito. O governo precisa garantir monitoramento e fiscalização decentes, e atualizações anuais das cotas a partir de avaliações de estoque confiáveis.”

    Pescaria do Pargo
    Foto: Christian Braga/Oceana

    Além do limite de captura, as novas regras estabelecem tamanho mínimo de 35 centímetros para os peixes capturados. Portanto, isso evita a retirada de indivíduos jovens que ainda não atingiram maturidade reprodutiva. A portaria também exige que os pescadores declarem o estoque e entreguem os mapas de bordo. Medidas que atualizam o Plano de Recuperação do Pargo conforme o grau de vulnerabilidade atual da espécie.

    Segundo o diretor científico da Oceana, Martin Dias, as novas regras fazem sentido tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. “Seus resultados serão evidentes, com recuperação do estoque ao longo desta década e, consequentemente, com aumento futuro da produção”, explica.

    Dias compara a medida a um ajuste financeiro doméstico: “É como um corte de gastos na casa da gente. Ninguém quer fazer isso, mas é melhor cortar algumas despesas agora do que se endividar e ter um problema muito mais grave depois. A mesma coisa acontece com o pargo: estamos reduzindo agora, mas projetando um futuro de retomada da produção, com peixes de melhor qualidade e uma população saudável.”

    Oito anos de alertas antes da primeira ação concreta

    O MMA já reconhecia o risco de extinção do pargo desde 2014, quando editou a Portaria nº 445/2014. A partir daí, o próprio ministério condicionou a continuidade da pescaria ao cumprimento de um Plano de Recuperação, elaborado em 2018 (Portarias nº 228/2018 e nº 42/2018). Esse plano já prometia um regime de cotas de captura anual como ação emergencial, com prazo de até três anos para implementação, prazo que os órgãos públicos descumpriram.

    Nos anos seguintes, portanto, diversos estudos reforçaram os alertas sobre a piora do quadro. Em 2022, o Projeto REPENSAPESCA apontou que a espécie operava cerca de 30% abaixo dos níveis ideais de estoque. A própria Oceana publicou dois levantamentos sobre o tema. “Limites de captura para a pescaria do pargo (Lutjanus purpureus) nas regiões Norte e Nordeste”, em 2020. E “Subsídios para a implantação de limites de captura para a pesca do pargo”, em 2023. Assim, ambos os estudos apontavam a criação de um limite de captura como a principal ação necessária para recompor a população da espécie.

    Foto: Divulgação/Ibama

    Em agosto de 2024, o Comitê Permanente de Gestão da Pesca e do Uso Sustentável dos Recursos Pesqueiros Demersais das Regiões Norte e Nordeste (CPG Demersais N/NE) chegou a um consenso técnico sobre a necessidade urgente de limites para evitar o colapso da espécie. Conflitos internos entre o MMA e o MPA, que dividem a autoridade pesqueira, no entanto, atrasaram a decisão final por quase dois anos.

    “Em face de todas as evidências de colapso, do não cumprimento do previamente acordado no Plano de Recuperação e das práticas de pesca ilegal, não fazer nada a respeito já não era mais uma alternativa. No entanto, só teremos motivos reais para comemorar quando a espécie estiver recuperada e for possível pescar com segurança”, pondera Zamboni.

    Por que o pargo pesa tanto na economia pesqueira brasileira

    O pargo se distribui do mar do Caribe até o sul da Bahia e sustenta pescarias importantes nas regiões Norte e Nordeste do país, com destaque para o Pará. Assim, a espécie ocupa a segunda posição no ranking brasileiro de exportação de pescados por valor agregado, atrás apenas da lagosta.

    Dados do sistema ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o Brasil exportou, entre 2018 e 2025, uma média de 4,4 mil toneladas de pargo por ano. Cerca de 90% desse volume teve como destino os Estados Unidos. No período, as exportações da espécie movimentaram US$ 278 milhões.

  • Menina de 7 anos quebra o próprio recorde ao fisgar dourado gigante no Rio Paraná

    Menina de 7 anos quebra o próprio recorde ao fisgar dourado gigante no Rio Paraná

    Aos sete anos, Heloísa Maria Dantas de Souza voltou a entrar para a história da pesca esportiva brasileira ao superar o próprio recorde nacional na captura de dourados. A nova marca foi registrada durante uma pescaria em família no Rio Paraná.

    A conquista aconteceu no Canal das Garças, nas proximidades de Porto Rico (PR), um dos destinos mais conhecidos do norte paranaense para a captura de dourados. Na ocasião, Heloísa fisgou um exemplar com 81 centímetros, ultrapassando sua marca anterior, de 74 centímetros.

    Com o novo resultado, a pescadora conquistou mais uma homologação na categoria Absoluto Feminino Júnior da Brazilian Game Fish Association (BGFA), entidade responsável pelo registro oficial dos recordes de pesca esportiva no Brasil.

    Pesca é herança de família

    A história da família Dantas mostra como a pesca esportiva faz parte da rotina familiar. A atividade, que começou como lazer, acabou se tornando também uma profissão para os pais da menina. Desde os primeiros anos de vida, Heloísa acompanha as pescarias e aprende sobre os rios, as espécies de peixes e a importância da preservação ambiental.

    A mãe da jovem, Layla Dantas, destaca que a convivência com a natureza sempre foi o principal objetivo das viagens em família.

    “A nossa diversão sempre foi estar no rio. Nem sempre é sobre pescar, mas sobre viver aquele momento em contato com a natureza.”

    Antes de Heloísa conquistar espaço entre os recordistas nacionais, o irmão dela também teve o nome registrado entre os destaques da pesca esportiva brasileira. Agora, ao superar a própria marca, a menina reforça sua posição como uma das principais promessas da modalidade.

    Para que um recorde de pesca esportiva seja oficialmente reconhecido, a medição precisa cumprir critérios rigorosos. Todas as etapas devem ser registradas em vídeo, desde a retirada do peixe da água até a devolução ao rio. Além disso, a prática do pesque e solte é obrigatória, garantindo que o animal seja devolvido vivo ao seu habitat após a documentação.

    Segundo Layla, a filha cresceu compreendendo que o verdadeiro valor da pesca está na experiência vivida e não na retirada dos peixes do ambiente natural.

  • Tubarão-branco é flagrado em encontro raro no Mediterrâneo

    Tubarão-branco é flagrado em encontro raro no Mediterrâneo

    Uma operação voltada à remoção de redes de pesca abandonadas resultou em um encontro considerado histórico no Mar Mediterrâneo.

    Na última segunda-feira (8), a fundação Healthy Seas divulgou imagens que podem representar o primeiro registro de um tubarão-branco adulto em seu habitat natural na região localizada entre a Sicília e a Tunísia.

    Conservação e monitoramento marinho

    Embora os tubarões-brancos sejam conhecidos por frequentarem áreas superficiais, encontros com mergulhadores são extremamente raros. A operação contou com a participação de voluntários especializados na remoção de resíduos submersos, além da colaboração da Society for Documentation of Submerged Sites (SDSS).

    Segundo as entidades envolvidas, as chamadas redes fantasmas representam uma das principais ameaças à fauna marinha local. Esses materiais continuam capturando animais mesmo após serem abandonados no oceano.

    ‘Redes fantasmas’ são a mais perigosa forma de poluição para a vida marinha — Foto: Philippos Marakis/ iStock

    Além disso, mergulhos anteriores já haviam identificado tartarugas-cabeçudas ameaçadas de extinção e grandes espécies de peixes presos aos equipamentos descartados.

    Desta vez, no entanto, o destaque ficou para a aparição do tubarão, observado nadando livremente a cerca de 40 metros de profundidade.

    “Estatisticamente, é muito mais provável ganhar na loteria do que encontrar um animal tão icônico debaixo d’água. Você passa décadas mergulhando em naufrágios e removendo redes fantasmas, mas nada te prepara para um momento como esse”, relatou Remmers.

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    Trabalho continuou após encontro inesperado

    Apesar da surpresa causada pela presença do predador, a equipe manteve o cronograma previsto para a missão.

    “Foi insano, mas mesmo assim prosseguimos com nosso plano de mergulho para remover as redes do naufrágio, pois esse momento mostrou claramente a importância do nosso trabalho”, acrescentou o mergulhador.

    Segundo os participantes, o episódio reforça os impactos causados pela pesca predatória e pelo descarte inadequado de equipamentoos.

    Espécies ameaçadas

    A missão também teve como objetivo coletar amostras de DNA ambiental (eDNA) e realizar atividades de monitoramento da biodiversidade marinha.

    Dessa forma, os pesquisadores esperam obter novas informações sobre as espécies que habitam a região. No caso dos tubarões-brancos, boa parte do conhecimento disponível ainda provém de exemplares mortos capturados por atividades pesqueiras.

    “Observações como essa são extremamente valiosas para melhorar a nossa compreensão da distribuição, dos hábitos e do comportamento dessa espécie criticamente ameaçada, cuja sobrevivência está em risco devido às atividades humanas”, afirmou Carlo Cattano, especialista do Centro Marinho da Sicília da Estação Zoológica Anton Dohrn.

    Embora tenham ocorrido avistamentos ocasionais de tubarões-brancos, o tamanho da população é desconhecido e acredita-se que encontros anteriores não tenham sido filmados — Foto: Reprodução/Reuters

    Preservação dos oceanos

    Para Veronika Mikos, diretora da Healthy Seas, o significado do avistamento vai muito além da raridade da espécie.

    “O que torna esse encontro tão impactante não é apenas o animal em si, mas o contexto. Estávamos lá para remover redes que aprisionavam a vida marinha em um ecossistema de naufrágio. Momentos como esse nos lembram quanta vida ainda pode existir nas águas costeiras do Mediterrâneo e como é importante protegê-la de ameaças evitáveis”, concluiu.

  • Governo regulamenta coleta de ovas de peixe-voador no Nordeste

    Governo regulamenta coleta de ovas de peixe-voador no Nordeste

    A atividade de coleta embarcada de ovas de peixe-voador no Nordeste passará a contar, pela primeira vez, com regras específicas. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicaram a Portaria Interministerial nº 62, que regulamenta a exploração das espécies Hirundichthys affinis e Cheilopogon cyanopterus.

    A medida entra em vigor nesta segunda-feira (8) e estabelece critérios para uma atividade tradicional realizada há décadas por pescadores artesanais do Rio Grande do Norte e da Paraíba, especialmente voltada à produção de ovas conhecidas internacionalmente como tobiko ou “golden caviar”.

    O tobiko é muito utilizado na culinária japonesa, com forte potencial de exportação — Foto: Istock/Kool99

    Durante o anúncio da regulamentação, a governadora Fátima Bezerra destacou a importância da medida para o setor.

    “Essa é uma conquista construída por meio do diálogo e da articulação entre o Governo do Estado, o Governo Federal, parlamentares, representantes do setor pesqueiro e órgãos ambientais. É uma medida que traz segurança para os trabalhadores e reconhece a importância econômica e cultural dessa atividade para o Rio Grande do Norte”, afirmou.

    Regras para a atividade

    A nova portaria disponibiliza 140 autorizações para a coleta embarcada no Nordeste. As permissões serão destinadas exclusivamente a embarcações artesanais registradas no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) dos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

    Além disso, o recolhimento das ovas deverá ser realizado manualmente, e as embarcações serão obrigadas a acompanhar continuamente os atratores utilizados na pescaria, sendo proibido o abandono de materiais no ambiente marinho.

    Os interessados terão prazo de 15 dias após a publicação da norma para solicitar autorização junto ao MPA.

    O peixe-voador não voa de verdade, mas é um exímio planador aquático — Foto: Reprodução/Governo Federal

    Rastreabilidade e controle

    A regulamentação também cria mecanismos de rastreabilidade da produção, exigindo que empresas adquirentes registrem as operações no sistema PesqBrasil e mantenham a documentação por pelo menos cinco anos.

    Segundo o ministro Édipo Araújo, a construção da norma envolveu diálogo com pescadores, setor produtivo e órgãos ambientais.

    “O processo se deu por meio de muita escuta, reforçando a participação social nos processos de gestão pesqueira e a construção de soluções compatíveis com a realidade das comunidades pesqueiras tradicionais”, declarou.

    As medidas serão avaliadas até dezembro de 2027 e poderão resultar em novos critérios de gestão, como limites de produção, cotas e restrições de áreas ou temporadas de pesca.

    “A regulamentação busca organizar uma atividade que já ocorre historicamente na região, permitindo ampliar a capacidade de monitoramento, rastreabilidade e acompanhamento da produção, ao mesmo tempo em que reconhece a importância socioeconômica da pescaria para as comunidades artesanais envolvidas”, afirmou a coordenadora-geral de Gestão Participativa Costeira e Marinha do MPA, Adayse Bossolani.

  • Projeto da Unesp une pescadores para salvar espécie de tubarão

    Projeto da Unesp une pescadores para salvar espécie de tubarão

    A sobrevivência do tubarão mangona nas águas brasileiras depende de uma improvável aliança entre ciência e tradição. Em Iguape, no litoral sul paulista, pescadores artesanais trabalham lado a lado com pesquisadores da Unesp para desenvolver técnicas que protejam uma das espécies marinhas mais ameaçadas do Atlântico Sul.

    Apreciado por sua carne saborosa, o mangona enfrenta um futuro incerto. Dados alarmantes indicam queda de 80% na população global nos últimos 74 anos. No Brasil, onde a espécie praticamente desapareceu entre as décadas de 1980 e 1990, sua pesca é proibida desde 2014,  mas a captura acidental continua sendo um problema grave.

    Ciência e comunidade tradicional juntas

    Santiago Montealegre Quijano, biólogo da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira da Unesp, lidera há três anos um projeto pioneiro que envolve diretamente os pescadores locais. A iniciativa busca conscientizar sobre a importância ecológica do mangona e, principalmente, desenvolver alternativas de pesca mais seguras.

    “Agora, os pescadores passaram a ver a Unesp como um apoio científico, especialmente por compreenderem que estavam sendo injustamente enquadrados por um crime quando ocorria uma captura acidental”, explica Quijano.

    Covos: uma solução que encontrou obstáculos

    Durante três anos, o grupo realizou mais de 30 expedições para testar covos, que são armadilhas subaquáticas posicionadas no leito marinho, feitas com malha e isca para atrair peixes. A vantagem é clara: tubarões mangona, que podem atingir três metros de comprimento e pesar 250 quilos, são grandes demais para entrar nessas estruturas.

    O pescador Lucas Gabriel reconhece os benefícios ambientais: “A ideia de usar os covos foi maravilhosa. É uma técnica que não agride outras formas de vida e consegue capturar apenas peixes pequenos, sem colocar em risco tartarugas, golfinhos, raias ou tubarões”.

    Quijano e um dos pescadores do projeto montando um covo. Foto: Conservation Connect.

    Porém, a geografia local apresentou desafios inesperados. A região de Iguape e Juréia caracteriza-se por estuários com fundo lamacento, que enchiam os covos de lama e dificultavam enormemente sua retirada manua. Lembrando que se trata de pesca artesanal, sem equipamentos mecânicos.

    Aprendizado para o futuro

    Embora os covos não tenham vingado neste formato, o projeto estabeleceu algo ainda mais valioso: confiança mútua entre universidade e comunidades tradicionais. Quijano planeja testar novos modelos de armadilhas que acumulem menos sedimentos.

    Enquanto isso, os pescadores implementam protocolos de liberação quando ocorre captura acidental: manter o mangona sempre de barriga para baixo, cortar rapidamente a rede para minimizar estresse, e evitar áreas e épocas do ano com maior concentração da espécie.

    “O mangona está presente em toda a Juréia, mas existem locais e épocas do ano que estão presentes em maior quantidade”, explica Lucas Gabriel, demonstrando o conhecimento tradicional que agora se soma à pesquisa científica.

    Um problema transnacional

    O tubarão mangona habita áreas costeiras ao redor do mundo, exceto a Antártica e a costa oeste das Américas. No Atlântico Sul, distribui-se do Sudeste brasileiro até a Argentina, dentro do chamado “mar patagônico”, um grande ecossistema marinho transnacional reconhecido oficialmente em 2004.

    Foto: Amaury Laporte

    A vulnerabilidade da espécie tem razões biológicas: maturação sexual tardia e baixa fecundidade dificultam a recuperação populacional. Some-se a isso o habitat próximo à costa, que facilita a captura, e o resultado é uma espécie classificada como “criticamente ameaçada”.

    Desafios além das fronteiras brasileiras

    Enquanto o Brasil proíbe pesca e comercialização desde 2014, países vizinhos mantêm políticas mais permissivas. Na Argentina, a pesca esportiva é permitida com devolução obrigatória. No Uruguai, a pesca comercial segue legal, e a carne do animal mantém consumidores fiéis em todo o cone sul.

    “O mangona era um prato muito apreciado. Inclusive, muitas pessoas nem sabiam que é um tubarão. Chegam aos restaurantes e pedem por ‘mangona’ diretamente”, relembra Quijano, que colaborou com Renato Freitas, da Universidade Federal de Santa Catarina, em pesquisas sobre o habitat da espécie.

    Freitas complementa: “Até pouco tempo atrás, nas praias de Santa Catarina, o pessoal enfileirava na areia os mangonas pescados”.

    A experiência de Iguape demonstra que a conservação marinha depende tanto de políticas públicas quanto do engajamento de quem vive do mar. Para o tubarão mangona, essa pode ser a última chance de sobrevivência.

  • Pescadores de Malhada capturam pirarucu gigante de 92 kg

    Pescadores de Malhada capturam pirarucu gigante de 92 kg

    Após três dias de intensa pescaria, pescadores da cidade de Malhada, localizada no sudoeste da Bahia, capturaram um pirarucu gigante na Lagoa do Mucambo. O peixe, que é uma das maiores espécies de água doce do Brasil e típico da região Norte, pesou aproximadamente 92 kg e mediu 2,15 metros de comprimento.

    O pirarucu (Arapaima gigas) é conhecido por sua importância ecológica e econômica na Amazônia. Ele é considerado um dos maiores peixes de água doce do mundo. Embora seja mais comum nas bacias dos rios Amazonas e Solimões, a presença do pirarucu na Bahia, especialmente em corpos d’água como a Lagoa do Mucambo, chama atenção por sua raridade e tamanho impressionante.

    Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o pirarucu é uma espécie protegida e possui manejo sustentável em algumas regiões, garantindo a preservação da espécie e o equilíbrio ambiental. A captura desse exemplar em Malhada destaca a importância da conservação e do monitoramento das espécies aquáticas em áreas fora da Amazônia.

    A pesca do pirarucu requer técnicas específicas devido ao seu tamanho e força. Isso explica o esforço de três dias dos pescadores locais até conseguir capturar o peixe. Essa captura também reforça o potencial pesqueiro da Lagoa do Mucambo, que pode ser um importante recurso natural para a comunidade local.

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  • Escolha da embarcação adequada impulsiona resultados na pescaria esportiva

    Escolha da embarcação adequada impulsiona resultados na pescaria esportiva

    A escolha correta da embarcação pode transformar a experiência e os resultados da pescaria esportiva, modalidade que cresce financeiramente e movimenta diversos setores da economia brasileira. Dados do Ministério do Turismo revelam que o segmento da pesca esportiva teve um crescimento de 20% em receita, alcançando R$ 761 milhões em 2020. Cerca de seis milhões de pessoas praticam a atividade no país, gerando um impacto econômico anual estimado em R$ 1 bilhão.

    Jorge Oliveira, fundador da Fluvimar — fabricante paranaense de embarcações, lanchas e pontoons — destaca que a escolha do barco é fundamental para garantir o sucesso da pescaria. “Se a embarcação não for bem escolhida, pode comprometer toda a pescaria”, alerta.

    Antes de decidir, o pescador deve definir o tipo de pesca que pretende realizar: água doce ou alto-mar, além do tipo de peixe desejado. O número de pessoas que participarão da jornada também influencia na escolha do barco, já que embarcações menores são mais fáceis de manobrar e transportar, mas podem não acomodar grupos maiores.

    Diferenças entre embarcações para pescadores profissionais e amadores

    A escolha do modelo ideal varia conforme o perfil do pescador. Para profissionais, detalhes técnicos e especificações da embarcação podem fazer grande diferença no desempenho e conforto. Já pescadores amadores devem priorizar praticidade e segurança.

    Rodrigo Campos, especialista em embarcações, explica que dimensões, formatos e materiais usados na fabricação impactam diretamente na qualidade da pescaria. Barcos com plataforma de proa alongada facilitam a pesca de arremesso em água corrente ou parada, enquanto embarcações mais profundas indicam pescaria apoitada. Barcos rasos são mais adequados para arremesso.

    Foto: divulgação

    Além disso, barcos mais largos oferecem maior estabilidade e navegabilidade. Para pesca em alto-mar, Campos recomenda embarcações de madeira ou fibra, que resistem melhor às condições marítimas. Já para rios e lagos, as embarcações de alumínio são as mais indicadas por sua leveza e durabilidade.

    Sustentabilidade e inovação na pesca esportiva

    Além das características técnicas, a inovação e a preocupação com a redução do impacto ambiental ganham espaço na escolha das embarcações e acessórios. Equipamentos que aumentam a eficiência da pescaria e minimizam danos ao ecossistema contribuem para a sustentabilidade da atividade e o bem-estar dos recursos naturais.

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  • Safra da Lagosta 2025: governo estabelece novas regras para pesca sustentável

    Safra da Lagosta 2025: governo estabelece novas regras para pesca sustentável

    O Governo Federal anunciou as normas para a Safra da Lagosta 2025, com medidas rigorosas de controle, monitoramento e limites de captura para preservar as espécies lagosta vermelha (Panulirus argus) e lagosta verde (Panulirus laevicauda). A Portaria Interministerial MPA/MMA nº 31, publicada em 30 de abril de 2025, define as regras para a temporada de pesca, incluindo cotas máximas, tamanhos mínimos e obrigações para empresas pesqueiras.

    Para garantir a sustentabilidade do recurso, foi estabelecido um limite máximo de 6.192 toneladas para a pesca das duas espécies em todo o território nacional em 2025. A cota engloba as modalidades de permissionamento 5.1, 5.2, 5.3 e 5.4 da Instrução Normativa MPA/MMA nº 10/2011.

    Além disso, os pescadores devem respeitar os tamanhos mínimos para captura:

    • Lagosta vermelha: 13 cm de cauda e 7,5 cm de cefalotórax
    • Lagosta verde: 11 cm de cauda e 6,5 cm de cefalotórax

    Outra exigência é que as lagostas só podem ser armazenadas, transportadas e comercializadas se estiverem vivas. Essa medida visa reduzir a mortalidade e garantir a qualidade do produto.

    Monitoramento em tempo real

    Para assegurar o cumprimento das regras, o governo implementará um sistema de monitoramento eletrônico. As empresas pesqueiras que adquirirem lagostas deverão registrar o recebimento por meio da “Declaração de Entrada de Lagosta”, disponível no portal do MMA. O prazo para envio é de até três dias úteis após a emissão da nota fiscal.

    O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) vai disponibilizar no site um painel de acompanhamento que permitirá aos pescadores e autoridades monitorar em tempo real o volume de capturas. Quando o limite alcançar 95% da cota total, o sistema interromperá automaticamente a pesca e publicará um aviso no portal oficial e nas redes sociais do MPA.

    Impacto na pesca e sustentabilidade

    A medida busca equilibrar a exploração econômica e a conservação das espécies, evitando a sobrepesca e garantindo a renovação dos estoques. A lagosta é um dos recursos pesqueiros mais valiosos do Brasil, especialmente no Nordeste, onde a atividade gera emprego e renda para milhares de famílias.

    Especialistas destacam que o controle rigoroso é essencial para manter a produtividade a longo prazo. Já que a lagosta tem ciclo reprodutivo lento e sofre pressão da pesca ilegal.

    Onde consultar as regras completas?

    A Portaria Interministerial MPA/MMA nº 31/2025 está disponível no Diário Oficial da União. A consulta está disponível nos sites oficiais do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

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