Tag: pesca artesanal

  • Plataforma reúne pesquisas inéditas sobre pesca artesanal no litoral de SP

    Plataforma reúne pesquisas inéditas sobre pesca artesanal no litoral de SP

    O Projeto Valoriza Pesca lançou uma plataforma digital aberta que reúne dados, pesquisas e conteúdos inéditos sobre a pesca artesanal na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. A iniciativa consolida quatro anos de estudos realizados desde 2022 e amplia o acesso público a informações estratégicas sobre o setor.

    O acervo inclui uma plataforma online, um painel interativo em Business Intelligence (BI), um documentário e publicações técnicas e culturais. O material apresenta indicadores da atividade pesqueira, registros das comunidades tradicionais e análises sobre os impactos sociais, ambientais e econômicos que afetam a região.

    O projeto surgiu a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Ele foi firmado entre empresas envolvidas no acidente do terminal do Grupo Ultracargo, em Santos (SP). O Instituto de Pesca (IP), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, coordenou a iniciativa. Que contou com acompanhamento do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag).

    Documentário

    Entre os principais conteúdos, o documentário “Pesca em Cena” retrata o cotidiano de pescadores e pescadoras artesanais. E evidencia os impactos acumulados na atividade ao longo de décadas de intervenções na área portuária. Já o livro “Valoriza Pesca – Olhares sobre a Pesca Artesanal na Década do Oceano” integra conhecimento científico e saberes tradicionais, abordando temas como poluição marinha, segurança alimentar, economia do mar, resiliência e justiça socioambiental.

    A iniciativa também reúne uma série de livros dedicados às comunidades pesqueiras de Caruara, Ilha Diana, Monte Cabrão, Praia do Góes e Sítio Cachoeira. As publicações registram memórias, modos de vida, manifestações culturais e a identidade desses territórios.

    A coordenadora-geral do Instituto de Pesca, Cristiane Neiva. Foto:
    Divulgação/Instituto de Pesca

    A plataforma digital concentra todo o conteúdo e oferece um painel interativo com gráficos e mapas sobre recursos naturais, perfil socioeconômico dos pescadores, dinâmica da atividade e fatores que interferem na pesca artesanal na Baixada Santista.

    Segundo a coordenadora-geral do Instituto de Pesca e do projeto, Cristiane Neiva, a iniciativa fortalece a valorização da pesca artesanal e contribui para o desenvolvimento sustentável da região. “O projeto amplia a visibilidade das comunidades pesqueiras e ajuda a construir caminhos mais justos e sustentáveis para esses territórios”, afirma.

  • Pronaf Azul oferece crédito de até R$ 250 mil para pescadores

    Pronaf Azul oferece crédito de até R$ 250 mil para pescadores

    O Governo Federal lançou uma nova linha de crédito voltada à pesca artesanal e à aquicultura familiar. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Azul passa a incluir pescadores artesanais e aquicultores familiares entre os beneficiários do crédito rural oficial.

    A iniciativa foi anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário na terça-feira (30) e busca ampliar o acesso ao financiamento para fortalecer a produção, incentivar investimentos e gerar renda nas comunidades que vivem da pesca e da aquicultura.

    Como funciona o Pronaf Azul

    De acordo com a ministra Fernanda Machiaveli, o programa contará com linhas de custeio e investimento, oferecendo condições diferenciadas de financiamento para o setor.

    O objetivo é facilitar o acesso ao crédito para pequenos produtores, permitindo tanto o financiamento das atividades do dia a dia quanto a modernização da produção.

    Crédito para custeio

    No custeio, o Pronaf Azul utilizará a modalidade do microcrédito produtivo, conhecida como Pronaf B.

    Os limites de financiamento serão:

    • até R$ 12 mil por família;
    • até R$ 15 mil para mulheres;
    • até R$ 16 mil para jovens.

    A linha terá juros de apenas 0,5% ao ano, prazo de até três anos para pagamento e bônus de adimplência que varia entre 25% e 40%.

    Financiamento para investimentos

    Quem pretende ampliar ou modernizar a produção poderá acessar a linha Mais Alimentos, vinculada ao Pronaf Azul.

    As principais condições são:

    • financiamento de até R$ 250 mil;
    • juros de 2% ao ano;
    • prazo de até dez anos para pagamento.

    Já nas operações de custeio, o prazo para reembolso será de até 11 meses.

    Objetivo do programa

    Com a criação do Pronaf Azul, o governo amplia o acesso ao crédito rural para atividades ligadas à pesca artesanal e à aquicultura familiar.

    A expectativa é estimular investimentos, aumentar a produção, fortalecer pequenos empreendimentos e contribuir para o desenvolvimento econômico das comunidades pesqueiras em todo o país.

  • DF cria regras para manejo do pirarucu e limita captura a pescadores artesanais

    DF cria regras para manejo do pirarucu e limita captura a pescadores artesanais

    A governadora Celina Leão (PP) assinou neste domingo (14) o decreto que regulamenta o manejo do pirarucu no Distrito Federal. A norma foi elaborada com base na Instrução Normativa nº 7/2026 do Ibama, que reconhece o peixe como uma espécie exótica invasora fora da Amazônia e autoriza sua pesca, captura e abate fora do habitat natural.

    A partir de agora, somente pescadores artesanais profissionais poderão capturar e abater o pirarucu nas águas do DF. Além disso, esses profissionais precisarão se cadastrar junto à Secretaria de Meio Ambiente (Sema-DF) e informar detalhes de cada captura por meio de um aplicativo que será desenvolvido pela pasta.

    Segundo o subsecretário de Pesca e Aquicultura da Sema-DF, Edson Buscácio, a medida busca garantir que o manejo seja realizado por pessoas capacitadas para lidar com a espécie.

    “Fizemos uma regulamentação autorizando apenas o pescador artesanal profissional, que sabe o uso da técnica e tem capacidade para fazer esse tipo de pesca específica do pirarucu”, afirmou.

    Segurança e impacto ambiental

    De acordo com o subsecretário, a restrição foi definida após análises realizadas pela Sema-DF, pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA). O objetivo é evitar riscos à segurança dos pescadores e possíveis impactos ambientais decorrentes da atividade sem controle.

    O sistema de cadastro também permitirá que os pescadores enviem fotos, vídeos e informações sobre os exemplares capturados. Com isso, a secretaria pretende monitorar a população da espécie, seu porte e os locais onde os animais são encontrados.

    “Queremos ter um controle de quantos são os espécimes, em que tamanho se encontram e aonde foram pescados”, explicou Buscácio.

    O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce com escamas do mundo, sendo considerado um verdadeiro gigante da Bacia Amazônica — Foto: Reprodução/GOV

    Segundo levantamento do governo local, apenas 12 exemplares de pirarucu foram identificados no Distrito Federal até o momento. Por isso, as autoridades consideram que não há justificativa para liberar a pesca da espécie ao público em geral.

    “Os números [de pirarucus] avistados [no DF] são muito pequenos para que nós façamos uma manifestação para todo o público, criando no imaginário do amador que ele pode entrar numa canoa ou num barquinho, ir para o Lago e correr o risco até de pegar um espécime um pouco maior”, concluiu o subsecretário.

  • Ibama apreende 104 toneladas de pescado ilegal e reforça proteção da tainha no Sul

    Ibama apreende 104 toneladas de pescado ilegal e reforça proteção da tainha no Sul

    A Operação Mugil, coordenada pelo Ibama, resultou na apreensão de 104 toneladas de pescado irregular e na aplicação de R$ 6 milhões em multas no litoral do Rio Grande do Sul. Os números correspondem às duas primeiras fases da ação, que tem como objetivo proteger a tainha durante o período de migração reprodutiva nas regiões Sul e Sudeste do país.

    A operação, iniciada em maio e com atividades previstas até julho, reúne diferentes órgãos de fiscalização e concentra esforços no combate à pesca industrial ilegal.

    Entre as principais irregularidades identificadas estão a pesca em áreas proibidas, a atuação em águas jurisdicionais uruguaias, a realização de atividades sem autorização, o transporte de pescado com documentação considerada inválida e a circulação de produtos impróprios para o consumo humano sem comprovação de origem. Além disso, os fiscais registraram a captura de 24 exemplares de fauna aquática ameaçada de extinção.

    Fiscais do Ibama e da Polícia Militar do RS em praia durante a ação — Foto: Ibama

    Captura da tainha

    As ações começaram na Lagoa dos Patos, em Rio Grande (RS), considerada o maior berçário natural da tainha. Nesse ambiente, a espécie se desenvolve desde a fase larval. Por isso, as equipes concentraram inicialmente as patrulhas na área de restrição à pesca de emalhe, localizada no canal e na desembocadura do estuário, ponto estratégico para a passagem dos cardumes.

    O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também intensificou o monitoramento na Praia do Cassino, considerada a maior praia em extensão do mundo, até a fronteira com o Uruguai. O objetivo foi identificar atividades ilegais dentro do Parque Nacional Marinho do Albardão. Durante a fiscalização, uma embarcação que utilizava a modalidade de pesca de arrasto, proibida na região, foi autuada.

    Pescado apreendido em esteira de entreposto no RS — Foto: Ibama

    Na segunda etapa da operação, houve ampliação da área de atuação, chegando ao litoral de Santa Catarina, especialmente nos municípios de Laguna e Imbituba. As áreas fiscalizadas possuem restrições à pesca de emalhe há mais de 14 anos e formam um dos principais corredores de migração da espécie em direção ao mar.

    Segundo os órgãos envolvidos, a operação já contribuiu para uma redução significativa das práticas ilegais. Com isso, os grandes cardumes conseguiram seguir seu trajeto migratório até o oceano, favorecendo principalmente os pescadores artesanais e permitindo que a espécie complete seu ciclo reprodutivo.

    Confira os resultados da Operação Mugil

    • 36 autos de infração
    • R$ 6 milhões em multas
    • 104 toneladas de pescado apreendidas
    • 42 toneladas de peixe doadas ao Sesc Mesa Brasil
    • 7 embarcações apreendidas
    • 9 termos de suspensão de atividades de embarcações de pesca industrial
    • 5 veículos apreendidos
    • 32 redes apreendidas
    • 24 espécies aquáticas ameaçadas de extinção identificadas
    • 2.574 caixas de pescado apreendidas

    Controle pesqueiro

    Atualmente, a tainha é considerada o recurso pesqueiro mais regulado do Brasil. A adoção de medidas rígidas ocorre em razão do avançado estágio de sobrexplotação, resultado de décadas de exploração sem controle adequado.

    Entre as principais ferramentas de gestão estão as cotas de captura, áreas de exclusão para pesca, controle do esforço pesqueiro, definição de períodos específicos para cada frota e exigência de tamanho mínimo para captura.

    Espécie sofreu forte redução populacional devido à captura durante a fase reprodutiva — Foto: GOV

    O ciclo reprodutivo da tainha tem início por volta dos cinco anos de idade. Além disso, a espécie realiza uma intensa migração no final do outono e início do inverno, fenômeno conhecido como “corrida da tainha”. Nessa fase, grandes cardumes seguem em direção ao mar, estimulados pela chegada das baixas temperaturas e dos ventos mais fortes.

  • Governo regulamenta coleta de ovas de peixe-voador no Nordeste

    Governo regulamenta coleta de ovas de peixe-voador no Nordeste

    A atividade de coleta embarcada de ovas de peixe-voador no Nordeste passará a contar, pela primeira vez, com regras específicas. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicaram a Portaria Interministerial nº 62, que regulamenta a exploração das espécies Hirundichthys affinis e Cheilopogon cyanopterus.

    A medida entra em vigor nesta segunda-feira (8) e estabelece critérios para uma atividade tradicional realizada há décadas por pescadores artesanais do Rio Grande do Norte e da Paraíba, especialmente voltada à produção de ovas conhecidas internacionalmente como tobiko ou “golden caviar”.

    O tobiko é muito utilizado na culinária japonesa, com forte potencial de exportação — Foto: Istock/Kool99

    Durante o anúncio da regulamentação, a governadora Fátima Bezerra destacou a importância da medida para o setor.

    “Essa é uma conquista construída por meio do diálogo e da articulação entre o Governo do Estado, o Governo Federal, parlamentares, representantes do setor pesqueiro e órgãos ambientais. É uma medida que traz segurança para os trabalhadores e reconhece a importância econômica e cultural dessa atividade para o Rio Grande do Norte”, afirmou.

    Regras para a atividade

    A nova portaria disponibiliza 140 autorizações para a coleta embarcada no Nordeste. As permissões serão destinadas exclusivamente a embarcações artesanais registradas no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) dos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

    Além disso, o recolhimento das ovas deverá ser realizado manualmente, e as embarcações serão obrigadas a acompanhar continuamente os atratores utilizados na pescaria, sendo proibido o abandono de materiais no ambiente marinho.

    Os interessados terão prazo de 15 dias após a publicação da norma para solicitar autorização junto ao MPA.

    O peixe-voador não voa de verdade, mas é um exímio planador aquático — Foto: Reprodução/Governo Federal

    Rastreabilidade e controle

    A regulamentação também cria mecanismos de rastreabilidade da produção, exigindo que empresas adquirentes registrem as operações no sistema PesqBrasil e mantenham a documentação por pelo menos cinco anos.

    Segundo o ministro Édipo Araújo, a construção da norma envolveu diálogo com pescadores, setor produtivo e órgãos ambientais.

    “O processo se deu por meio de muita escuta, reforçando a participação social nos processos de gestão pesqueira e a construção de soluções compatíveis com a realidade das comunidades pesqueiras tradicionais”, declarou.

    As medidas serão avaliadas até dezembro de 2027 e poderão resultar em novos critérios de gestão, como limites de produção, cotas e restrições de áreas ou temporadas de pesca.

    “A regulamentação busca organizar uma atividade que já ocorre historicamente na região, permitindo ampliar a capacidade de monitoramento, rastreabilidade e acompanhamento da produção, ao mesmo tempo em que reconhece a importância socioeconômica da pescaria para as comunidades artesanais envolvidas”, afirmou a coordenadora-geral de Gestão Participativa Costeira e Marinha do MPA, Adayse Bossolani.

  • “Socorro”: pescador abandona cardumes de tainha por falta de compradores em SC

    “Socorro”: pescador abandona cardumes de tainha por falta de compradores em SC

    Um pescador artesanal da Barra da Lagoa, em Florianópolis, usou as redes sociais para denunciar as dificuldades enfrentadas durante a safra da tainha em Santa Catarina. O vídeo, publicado na noite da última quinta-feira (28), rapidamente repercutiu entre pescadores e moradores da região.

    Em tom de revolta, e cercado por milhares de tainhas na praia, o trabalhador afirmou que deixou de cercar três cardumes por causa da falta de estrutura para comercializar o pescado.

    “Não tem caixa, não tem caminhão, não tem comprador. Não sei se é monopólio em cima do pescador para baixar o preço, mas é isso que acontece com os pescadores. É uma vergonha”, desabafou.

    Segundo ele, os peixes permaneceriam na praia durante toda a noite devido à ausência de compradores interessados na carga.

    https://www.instagram.com/reel/DY55aRysxw9/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Além disso, o pescador afirmou que o problema não acontece apenas na Barra da Lagoa. De acordo com ele, praias como Campeche, Lagoinha e Ingleses também enfrentam dificuldades semelhantes durante a safra.

    “Assim como a Barra da Lagoa está passando por essa situação, acredito que as outras praias também. Para nós, é difícil”, afirmou.

    Pescadores reclamam da cota da tainha

    O pescador também criticou a cota imposta pelo Ministério da Pesca, que limita a quantidade de tainhas capturadas durante a temporada.

    Segundo as regras atuais, os pescadores de Santa Catarina podem capturar até 5,2 mil toneladas de tainha entre maio e julho.

    Para ele, a combinação entre limite de pesca, falta de compradores e ausência de estrutura desestimula os trabalhadores da pesca artesanal.

    “Além do Ministério da Pesca impor em cima de nós a cota, não tem preço, não tem caixa, não tem caminhão. Para nós é um desestímulo muito grande para a pesca artesanal”, concluiu.

    11 mil tainhas

    Apesar das dificuldades relatadas pelos pescadores, a safra também registrou episódios de grande volume de captura em Santa Catarina.

    Recentemente, um grupo de pescadores catarinenses conseguiu capturar mais de 11 mil tainhas em uma única noite de trabalho no mar.

    Sem drones ou equipamentos tecnológicos avançados, os trabalhadores utilizaram técnicas tradicionais e experiência acumulada ao longo de gerações para acompanhar o deslocamento do cardume durante a madrugada.

    Foto: Reprodução/ Redes Sociais

    A operação exigiu horas de observação e coordenação entre os pescadores. Em seguida, eles conduziram os peixes até uma área rasa, estratégia conhecida no meio pesqueiro como “secar o peixe”.

    “De manhã deu certo”, contou o pescador Denir Matos, de 71 anos, durante entrevista concedida a uma emissora local.

  • Câmara aprova prioridade para alimentos orgânicos na merenda escolar

    Câmara aprova prioridade para alimentos orgânicos na merenda escolar

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria o Programa de Priorização do Abastecimento Escolar com Produtos Frescos e Orgânicos. A proposta busca incentivar o consumo de alimentos saudáveis na merenda escolar e fortalecer a agricultura familiar.

    O texto, aprovado em outubro de 2025, é o substitutivo da deputada Roberta Roma (PL-BA) ao Projeto de Lei 2481/24, de autoria do deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI). Segundo a relatora, os ajustes feitos garantem a viabilidade do programa.

    Roberta Roma destacou que a iniciativa “está alinhada com os princípios da agroecologia e da sustentabilidade ambiental”. Já o autor do projeto, Jadyel Alencar, defendeu que “o programa proporcionará refeições mais saudáveis e nutritivas. Ao mesmo tempo em que valoriza os agricultores familiares e estimula a transição ecológica”.

    Incentivo à agricultura orgânica e familiar

    O substitutivo aprovado altera a Lei da Alimentação Escolar, incorporando novas diretrizes para a compra de alimentos livres de agrotóxicos no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

    De acordo com o texto, os produtos deverão seguir preferencialmente os princípios da agroecologia e da agricultura orgânica. Envolvendo também o agroextrativismo sustentável, a pesca artesanal e a piscicultura familiar. O objetivo é diversificar a merenda escolar com alimentos frescos, produzidos localmente e de forma sustentável.

    A gestão e execução do programa ficarão sob responsabilidade do governo federal, em articulação com estados, municípios, cooperativas, associações de agricultores familiares, instituições de pesquisa, organizações civis e o setor privado.

    Próximas etapas

    A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões de Educação, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

    O produtor de orgânicos Luiz Claudio Ravaglio da Rocha. Foto: Hedeson Alves/TECPAR

    Caso seja aprovada em todas as instâncias, a medida seguirá para votação no Plenário da Câmara. E em seguida, para o Senado Federal antes de se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Novo selo identifica e reconhece produtos da pesca artesanal brasileira

    Novo selo identifica e reconhece produtos da pesca artesanal brasileira

    O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), lançou o Selo Pesca Artesanal do Brasil – Identificação de Origem, que reconhece e valoriza os produtos provenientes da pesca artesanal no país. A Portaria Interministerial nº 14, publicada em dezembro de 2025, oficializou a criação.

    O novo selo tem como meta identificar o pescado de origem artesanal, fortalecer a imagem das comunidades pesqueiras e abrir novas oportunidades de mercado. “Essa iniciativa faz parte da estratégia de identificação de origem e valorização dos produtos de Povos e Comunidades Tradicionais”, destaca o secretário de Territórios e Sistemas Produtivos Tradicionais do MDA, Edmilton Cerqueira.

    Segundo a Lei nº 11.959/2009, a legislação considera artesanal a pesca exercida de forma autônoma ou em regime de economia familiar, com meios próprios de produção e embarcações de pequeno porte. Já a Lei nº 11.326/2006, que trata da Agricultura Familiar, garante aos pescadores artesanais o acesso a políticas públicas voltadas ao setor.

    Podem solicitar o Selo Pesca Artesanal do Brasil pescadoras e pescadores com Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) ativo e inscrição no Cadastro da Agricultura Familiar (CAF). Associações, cooperativas e organizações coletivas também podem participar, desde que pelo menos 50% da diretoria tenha RGP válido.

    Marco para o setor

    Para o coordenador-geral de Inclusão Produtiva e Etnodesenvolvimento Quilombola e de Povos e Comunidades Tradicionais, Ernando Pinto, o selo representa um marco para o setor. “O Selo será um divisor de águas no fortalecimento das mulheres pescadoras e das organizações de pesca artesanal no Brasil. Ele vai ampliar o reconhecimento de produtos como peixes, lagosta e camarão, além de abrir novos espaços de comercialização”, afirma.

    A solicitação do Selo Pesca Artesanal do Brasil está vinculada ao Selo Nacional da Agricultura Familiar (Senaf). E deve ser feita pelo site Vitrine da Agricultura Familiar.

  • Pescadores ganham barcos com motor e reforçam produção local

    Pescadores ganham barcos com motor e reforçam produção local

    Pescadores da Colônia Z-5, em São Luiz do Anauá, estão reforçando sua produção e segurança no trabalho. Eles receberam 16 barcos equipados com motor de popa e rabeta. A ação valoriza quem vive da pesca, gera renda direta e fortalece a economia local, dando mais autonomia aos profissionais do rio.

    A entrega dos equipamentos ocorreu na sexta-feira, 19, em um encontro que reuniu a comunidade, produtores rurais e autoridades. A iniciativa faz parte de um conjunto de esforços para fortalecer a pesca artesanal no estado.

    Inclusão em programa federal amplia mercado

    Uma das principais novidades para a categoria é a inclusão no cardápio e na tabela de preços da Conab, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O técnico do Iater, Rafael Pinheiro, destacou que um contrato de R$ 98,5 mil já está executado e um novo edital, no valor de R$ 150 mil, permitirá o fornecimento de mais 35 toneladas de peixe no sul de Roraima.

    “Cada pescador pode acessar até R$ 15 mil pelo PAA, com pagamento ágil. Os CRAS fazem a distribuição do pescado para as famílias”, explicou Pinheiro. Ele também citou uma emenda parlamentar de R$ 100 mil, do senador Chico Rodrigues, que distribuiu cerca de 10 toneladas de peixe por meio dos CRAS de dois municípios, beneficiando mais de 500 pessoas com o trabalho de sete pescadores.

    Governo entrega equipamentos e fomenta produção

    O Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), realizou a entrega dos barcos. O secretário Marcio Grangeiro afirmou que a ação fortalece quem produz alimentos e atende a população. “É do campo que sai o alimento que chega à mesa”, pontuou.

    Grangeiro também listou outras ações dos últimos anos voltadas ao meio rural, como o fomento a tratores, caminhões, casas de farinha e kits de irrigação. O objetivo é ampliar a capacidade produtiva da agricultura familiar e da pesca.

    Além do acesso ao PAA, os pescadores artesanais contam com o seguro-defeso durante o período da piracema. O apoio da bancada federal também é um fator crucial, segundo Rafael Pinheiro, para o fortalecimento contínuo da atividade em Roraima.

  • ‘Ouro branco’ do mar: bexiga da pescada-amarela vale até R$ 4 mil

    ‘Ouro branco’ do mar: bexiga da pescada-amarela vale até R$ 4 mil

    A bexiga natatória da pescada-amarela, chamada de “grude” pelos pescadores do Norte, transformou-se em uma das iguarias mais caras e cobiçadas do mercado internacional. O órgão, que ajuda o peixe a flutuar, alcança até US$ 701,95 (R$ 3,8 mil) por quilo, segundo levantamento do portal InfoAmazonia. No Brasil, compradores pagam R$ 2,8 mil pelo mesmo produto.

    Enquanto a carne da pescada é vendida a R$ 27 o quilo, a bexiga seca chega a valer 140 vezes mais, o que faz dela o verdadeiro tesouro da pesca artesanal. Essa valorização mudou a rotina de vilas costeiras e reacendeu o debate sobre sustentabilidade marinha.

    A bexiga natatória virou sinônimo de prosperidade na Ásia. Na China, no Vietnã e em Hong Kong, o produto é servido em sopas e tonificantes que, segundo a medicina tradicional, fortalecem pele, ossos e articulações.

    Por seu alto teor de colágeno, o “grude” é considerado um elixir da longevidade e ocupa o mesmo patamar de iguarias como barbatanas de tubarão e ninho de andorinha. Em mercados de luxo, o quilo custa mais do que uma bolsa de grife. Assim, o produto passou a simbolizar poder e status social entre famílias abastadas do Oriente.

    Do Pará para o mundo

    A pescada-amarela (Cynoscion acoupa) habita todo o litoral brasileiro, mas se concentra no Norte e Nordeste, principalmente nos estuários e manguezais do Pará. Nas comunidades pesqueiras de Vigia e Bragança, o “grude” virou o principal item de exportação.

    Os pescadores capturam o peixe, retiram a bexiga ainda no barco e a secam ao sol ou em pequenas estufas. Depois, intermediários recolhem o material e o revendem para exportadores. “Com a carne, pago o combustível. Com o grude, sustento a família”, contou um pescador ao Acervo Socioambiental.

    Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) confirmam que a espécie movimenta a economia costeira. No entanto, alertam que o ritmo crescente da extração pode comprometer o equilíbrio ecológico da região.

    Riqueza e risco ambiental

    A bexiga natatória da pescada-amarela representa tanto uma oportunidade quanto um perigo. Por um lado, ela garante renda para centenas de famílias ribeirinhas. Por outro, impulsiona uma corrida extrativista que ameaça a própria sobrevivência da espécie.

    A ausência de rastreabilidade e a falta de dados padronizados sobre o volume de pesca dificultam o controle da atividade, segundo estudo da revista Frontiers in Marine Science (2025). “Assim como qualquer corrida pelo ouro, é provável que se esgote”, alerta a publicação.

    O Ministério da Agricultura (MAPA) editou novas regras para regular o comércio das bexigas, classificando-as por tipo de processamento e destino — alimentício ou industrial. Ainda assim, especialistas afirmam que a fiscalização permanece insuficiente e que parte do produto pode seguir por rotas ilegais até o mercado asiático.

    A valorização do “ouro branco do mar” transformou a pescada-amarela em um ativo estratégico do comércio pesqueiro brasileiro. Entretanto, o país precisa equilibrar ganhos econômicos e preservação ambiental. O futuro dessa cadeia depende de políticas públicas que assegurem pesca sustentável, renda justa e transparência nas exportações.