Tag: Pernambuco

  • Pernambuco retoma monitoramento de tubarões com microchips após 11 anos

    Pernambuco retoma monitoramento de tubarões com microchips após 11 anos

    Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) vão retomar, a partir de julho, o monitoramento de tubarões na costa pernambucana por meio de microchips transmissores. A iniciativa marca a volta de um projeto que havia sido interrompido há 11 anos e que agora recebeu um novo impulso.

    O trabalho será conduzido pelo Núcleo de Educação Ambiental do Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE e tem como principal objetivo ampliar o conhecimento sobre o comportamento e os deslocamentos das espécies que frequentam o litoral do estado.

    Além disso, os dados coletados deverão contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção de incidentes com tubarões.

    Duas espécies serão acompanhadas

    Nesta nova etapa, os pesquisadores vão monitorar o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre, espécies associadas à maior parte dos incidentes registrados em Pernambuco.

    Inclusive, os dois ataques ocorridos nesta semana envolveram justamente esses animais.

    Tubarão cabeça-chata aparece frequentemente em redes de pesca — Foto: Divulgação

    O sistema consiste na captura dos tubarões para instalação de um chip transmissor ultrassônico. Em seguida, os animais são devolvidos ao ambiente natural. Além disso, receptores serão distribuídos ao longo da costa para registrar a passagem dos indivíduos monitorados.

    Dessa forma, os pesquisadores poderão acompanhar os padrões de movimentação, identificar áreas mais frequentadas e entender como essas espécies utilizam os diferentes ambientes costeiros.

    O tubarão-tigre apresenta uma série de riscas transversais escuras nas costas e nas laterais — Foto: Divulgação

    Pernambuco soma 84 incidentes desde 1992

    Pernambuco registra incidentes envolvendo tubarões desde o início da década de 1990. Segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o estado contabilizou 84 ataques desde 1992.

    Desse total, 70 ocorrências foram registradas no Grande Recife e outras 14 em Fernando de Noronha.

    Além disso, dois novos incidentes ocorreram em um intervalo de pouco mais de 24 horas entre os dias 31 de maio e 1º de junho.

    No primeiro caso, um menino de 11 anos foi atacado por um tubarão-cabeça-chata na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

    Já no dia seguinte, uma jovem de 19 anos sofreu a amputação de uma perna após ser atacada por um tubarão-tigre de aproximadamente três metros de comprimento na praia de Boa Viagem, no Recife.

    Apesar da proximidade temporal, os dois ataques foram provocados por espécies diferentes e ocorreram em locais separados por menos de 10 quilômetros.

    Especialistas reforçam medidas de prevenção

    Além do monitoramento científico, especialistas do Núcleo de Educação Ambiental da UFRPE destacam a importância de medidas preventivas para reduzir os riscos de incidentes.

    Entre as recomendações está a atenção às condições do mar. Águas turvas, por exemplo, reduzem a visibilidade, enquanto a maré alta favorece a circulação de animais.

    Outro ponto importante é priorizar áreas protegidas pelos arrecifes naturais. Segundo os especialistas, essa barreira funciona melhor durante a maré baixa, quando os arrecifes permanecem aparentes ou próximos da superfície.

    Por outro lado, quando a maré está cheia e os arrecifes ficam totalmente submersos, os tubarões conseguem ultrapassar a barreira natural com mais facilidade, aumentando as chances de aproximação da área de banho.

    Além disso, os pesquisadores recomendam que os frequentadores das praias respeitem a sinalização instalada nos locais e sigam as orientações dos guarda-vidas.

  • Produção de camarão atinge 2 toneladas semanais e pode chegar a 13 toneladas

    Produção de camarão atinge 2 toneladas semanais e pode chegar a 13 toneladas

    O produtor rural José Ivaldo Oliveira trocou a agricultura pela criação de camarão há 11 anos, em Pernambuco. Desde então, ele transformou a atividade em uma fonte sólida de renda. Atualmente, ele produz cerca de duas toneladas por semana, com apoio do filho, o engenheiro de pesca Emerson Oliveira.

    Além disso, a família encontrou em Feira Nova, no Agreste setentrional, condições ideais para o cultivo. Assim, José Ivaldo se tornou o primeiro produtor de crustáceos do município. A experiência abriu espaço para o crescimento da atividade na região.

    Segundo Emerson, o sistema utiliza o chamado camarão cinza, muito valorizado no mercado nacional.

    “Esse é o camarão cinza, camarão de praia. É o maior camarão produzido aqui no Brasil e é muito versátil com as características zootécnicas dele. Se adapta muito bem às nossas condições, tanto às condições de água quanto também de qualidade do solo”, afirmou.

    Além disso, o produtor projeta ampliar a produção nos próximos meses. “Até o final do ano, a nossa previsão é de 13 toneladas”, destacou Emerson. Para a comercialização, o camarão precisa atingir pelo menos 10 gramas, peso mínimo exigido para venda.

    Por outro lado, a atividade segue em expansão no município. Hoje, Feira Nova reúne cerca de 20 produtores. Juntos, eles alcançam aproximadamente 200 toneladas, segundo dados da Secretaria de Agricultura local. Dessa forma, a carcinicultura se consolida como uma atividade econômica relevante na região.

    Integração do setor no Nordeste e no Piauí

    Além do avanço em Pernambuco, o setor também se fortalece em outras regiões do Nordeste. No Piauí, especialistas e produtores discutem a expansão da criação de camarão para o interior do estado. Durante seminário recente em Parnaíba, instituições como Adapi, Codevasf e universidades destacaram o potencial do semiárido. Assim, a atividade avança como alternativa de renda, inovação e desenvolvimento regional no Nordeste.

  • A força da uva de mesa que nasce no Vale do São Francisco

    A força da uva de mesa que nasce no Vale do São Francisco

    O sertão nordestino, marcado pelo clima seco e pela escassez de chuvas, se consolidou como uma das principais regiões produtoras de uvas do Brasil. Em Petrolina, no sertão de Pernambuco, a Coopexvale (Cooperativa de Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco) reúne produtores que transformaram o Vale do São Francisco em referência nacional e internacional na produção de uvas finas de mesa. Fundada em 2004, a cooperativa nasceu voltada à exportação. No entanto, ao longo dos anos, encontrou no mercado interno uma oportunidade tão rentável quanto o comércio exterior.

    Atualmente, 70% da produção da cooperativa abastece o mercado brasileiro, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Enquanto isso, os outros 30% seguem para exportação. Segundo Jailson Lira, diretor e coordenador do comitê de exportação da cooperativa, a mudança de estratégia ocorreu após a percepção de que o consumidor brasileiro passou a valorizar frutas com padrão elevado de qualidade.

    “Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. A gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo”, afirmou.

    Jaílson Lira – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Com cerca de 640 hectares cultivados em Petrolina, a Coopexvale reúne 40 cooperados e trabalha exclusivamente com uvas de mesa. São aproximadamente 12 variedades produzidas, entre uvas brancas, vermelhas e pretas. Além disso, a cooperativa é considerada a maior do segmento no Vale do São Francisco, região que possui cerca de 18 mil hectares plantados com uvas.

    Além da produção, a estrutura chama atenção pela dimensão logística. A cooperativa conta com seis túneis de resfriamento, nove câmaras frias, três decks de embarque, laboratório de análise, estação de tratamento de água, posto de combustíveis e 1.452 placas solares para geração de energia.

    Genética e qualidade elevam padrão das uvas

    Boa parte das variedades cultivadas pela cooperativa tem origem em programas de genética da Califórnia, nos Estados Unidos. Todos os anos, representantes da cooperativa visitam fazendas experimentais norte-americanas para acompanhar os lançamentos do setor.

    Segundo Jailson, as novas variedades passam primeiro por testes de adaptação ao clima do Vale do São Francisco antes de serem introduzidas comercialmente. Dessa forma, a cooperativa consegue avaliar o desempenho das frutas na região.

    “A genética que sai dos Estados Unidos imediatamente já está aqui no Vale. Produzimos frutas com a mesma qualidade da Califórnia, Itália e Espanha praticamente ao mesmo tempo”, destacou.

    Além disso, a busca por sabor, crocância e padronização fez a cooperativa firmar contratos com empresas de genética a partir de 2021. O objetivo é atender um consumidor cada vez mais exigente.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Entre as marcas da cooperativa, a Gota de Mel se tornou referência no segmento premium. Nesse modelo, a seleção começa ainda no campo e, segundo a cooperativa, o mercado chega a pagar até 70% mais pelas frutas classificadas dentro desse padrão.

    Além dela, a Coopexvale trabalha com as marcas Doçura do Vale, Uvas do Campo, Gotinha de Mel — voltada ao público infantil — e CPX, destinada ao mercado internacional.

    Mercado interno ganha força na cooperativa

    Fundada em 2004, a Coopexvale nasceu com foco no mercado externo. Porém, ao longo dos anos, a cooperativa percebeu que o mercado brasileiro também apresentava forte potencial de crescimento.

    Hoje, 70% da produção abastece o mercado interno, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Já as exportações seguem o calendário mundial da produção de uvas, concentradas principalmente nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro e novembro.

    “Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. Porém, a gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo, temos um padrão de qualidade”, afirmou Jailson.

    Segundo ele, a cooperativa passou a investir em marcas e critérios específicos de sabor e qualidade para enfrentar as oscilações do mercado e ampliar valor agregado.

    Atualmente, a Coopexvale é reconhecida pela qualidade das frutas no mercado nacional. Além disso, a cooperativa trabalha durante as 52 semanas do ano no abastecimento interno.

    Cooperativismo amplia impacto econômico no Vale

    A cooperativa começou em 2004 com 20 produtores. Desde então, ampliou a área cultivada, fortaleceu a estrutura e avançou na sucessão familiar.

    Foto; PH Lopes/ Agro em Campo

    Hoje, cerca de 20% dos cooperados já possuem filhos atuando diretamente no negócio. Para Jailson, o cooperativismo permite que pequenos produtores alcancem mercados antes inacessíveis.

    “O cooperativismo é a oportunidade de o pequeno produtor ter o mesmo peso do grande. Somos todos iguais”, afirmou.

    Ele também destacou que a cooperativa passou por dificuldades em 2010, período que exigiu reestruturação administrativa e financeira.

    “É preciso ter paciência com o cooperativismo para atingir o sucesso”, disse.

    Além disso, a cadeia produtiva da uva exerce forte impacto econômico e social na região. Segundo a cooperativa, um hectare de uva gera entre quatro e cinco empregos diretos.

    Considerando os 18 mil hectares cultivados no Vale do São Francisco, a atividade movimenta cerca de 72 mil empregos.

    Atualmente, a Coopexvale possui 110 funcionários diretos na cooperativa. Somando as fazendas dos cooperados, são aproximadamente 4 mil empregos ligados à atividade.

    O faturamento da cooperativa chegou a R$ 272 milhões em 2025. Paralelamente, a entidade mantém ações sociais voltadas às comunidades locais e apoia instituições como o Hospital do Câncer.

    “O Brasil é o país do agro, mas o agro não recebe a importância que deveria”, afirmou Jailson.

    “Uva quer sol e água”, resumiu o diretor ao explicar a vocação do Vale do São Francisco para a fruticultura irrigada.

  • Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    O Ibama multou empresas cosméticas e farmacêuticas em R$ 2,2 milhões por explorar ilegalmente conhecimentos tradicionais de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade. A Operação Guardiões da Biodiversidade, iniciada em março, fiscalizou 47 empresas em 12 estados e resultou em 51 autos de infração.

    Agentes do Ibama verificam estoque de insumos de indústria cosmética. Foto: Divulgação/Ibama

    Os agentes ambientais atuaram no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Fabricantes de pigmentos, saneantes e fitoterápicos estão entre os estabelecimentos notificados para se regularizar perante a Lei da Biodiversidade.

    “O foco da operação foi o desenvolvimento irregular de produtos cosméticos e farmacêuticos que utilizaram conhecimento tradicional de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade, sem o devido consentimento prévio informado”, explicou Igor de Brito, coordenador de Fiscalização da Biodiversidade do Ibama.

    O que as empresas fizeram de errado

    As empresas autuadas acessaram conhecimento tradicional de origem identificável sem obter consentimento prévio informado. E deixaram de indicar a origem desse conhecimento em explorações econômicas ou pedidos de patentes. São condutas previstas nos artigos 83 e 84 do Decreto nº 8.772/2016.

    Entre os conhecimentos acessados irregularmente estão aqueles sobre o uso tradicional de espécies nativas como o urucum (Bixa orelana), a aroeira (Schinus terebinthifolia), o jagube (Banisteriopsis caapi) e a chacrona (Psychotria viridis).

    Outras infrações incluíram a exploração econômica de produtos acabados sem notificação prévia ao SisGen, o Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado. As multas previstas pelo Decreto nº 8.772/2016 variam de R$ 1 mil a R$ 10 milhões. Isso conforme a gravidade da conduta e a capacidade econômica do infrator.

    Por que essa lei existe

    O agente ambiental federal Isaque Siqueira, coordenador nacional da operação, destaca que a legislação reconhece formalmente povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares como guardiões da biodiversidade e de saberes ancestrais que impulsionam a inovação científica e industrial.

    “Ao garantir o direito de participação desses grupos na tomada de decisões e ao condicionar o acesso aos seus conhecimentos à obtenção de consentimento prévio informado, a lei protege sua integridade cultural e assegura que os lucros gerados retornem em forma de desenvolvimento sustentável”, afirmou Siqueira.

    Para as comunidades detentoras do conhecimento, o cumprimento das normas representa proteção contra a exploração indevida. E uma oportunidade de protagonismo na celebração de acordos que valorizam seus modos de vida e garantem recursos para a manutenção de seus territórios.

    O que diz a legislação

    A Lei da Biodiversidade (Lei nº 13.123/2015), referência internacional entre os países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), estabelece o marco regulatório nacional para o acesso e uso do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado no Brasil.

    Entre as principais obrigações para pesquisadores e indústrias estão o cadastro obrigatório de todas as atividades de acesso no SisGen e a notificação prévia à comercialização de produtos desenvolvidos a partir desses recursos.

    Empresas de médio e grande porte também devem repartir parte da receita gerada com a exploração econômica da biodiversidade. Esses recursos vão ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios (FNRB), que os aplica na conservação ambiental e na proteção do conhecimento tradicional.

    Nos casos em que a origem do conhecimento é identificável, a lei exige ainda a celebração de acordos específicos de repartição de benefícios, em formato monetário ou não monetário, diretamente com os detentores desses saberes, salvo exceções previstas na norma.

  • Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    O período de defeso do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) terá início em 17 de fevereiro de 2026, terça-feira de Carnaval. E se estenderá até 22 de fevereiro, informou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará.

    A medida protege a reprodução da espécie e garante a manutenção dos estoques naturais nos manguezais das regiões Norte e Nordeste. O defeso vale para Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

    O Ibama também definiu as próximas etapas do defeso. De 3 a 8 e de 18 a 23 de março, e também dos períodos de 1º a 6 e de 17 a 22 de abril.

    Durante o defeso, os caranguejos saem das tocas para acasalar e liberar ovos, fase essencial para a continuidade da espécie. Por isso, ficam proibidas a captura, o transporte, o beneficiamento, a industrialização e a comercialização do caranguejo-uçá, tanto por pessoas físicas quanto jurídicas.

    Regras

    A proibição vale para animais vivos, congelados ou processados, inteiros ou em partes. Quem desrespeitar as normas está sujeito às sanções previstas na Lei nº 9.605/1998 e no Decreto nº 6.514/2008, que incluem multas e demais penalidades civis e administrativas.

    A comercialização da espécie durante o defeso só é permitida a quem apresentar a Declaração de Estoque registrada no Ibama até o último dia útil antes do início do período. Neste ciclo, o prazo é 13 de fevereiro de 2026. O documento deve detalhar os estoques de caranguejos vivos, congelados, pré-cozidos, cozidos, inteiros ou em partes, conforme o formulário anexo à portaria do instituto.

    Segundo o Ibama, o respeito ao defeso é essencial para a sustentabilidade da atividade extrativista e para a preservação dos manguezais, ecossistemas fundamentais ao equilíbrio ambiental e à subsistência de comunidades tradicionais.

  • Operação Feira Virtual do Ibama: redes sociais viraram palco para caça

    Operação Feira Virtual do Ibama: redes sociais viraram palco para caça

    Uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou mais de R$ 835 mil em multas para combater crimes contra a fauna em Pernambuco e na Paraíba. A Operação Feira Virtual, realizada no início de novembro, autuou 11 pessoas e expôs uma prática criminosa que se beneficia da internet: um dos investigados usava perfis em redes sociais para exibir vídeos de caça e abate de animais silvestres, incentivando publicamente as ilegalidades.

    As equipes do Ibama percorreram municípios de Pernambuco (Arcoverde, Águas Belas e São José do Belmonte) e da Paraíba (Barra de São Miguel). Durante as ações, os fiscais lavraram 18 Autos de Infração por crimes como caça profissional, maus-tratos, exploração de imagem de animais em cativeiro ilegal e comércio de produtos usados na caça.

    Apreensões expõem gravidade dos crimes

    As fiscalizações resultaram na apreensão de 21 animais. Dentre eles, estavam 19 animais silvestres nativos, incluindo papagaios-verdadeiros, jabutis e pássaros, além de dois animais exóticos da espécie ring-neck. Os agentes também confiscaram duas armas de caça, 104 coleiras para cães de caça e 6 quilos de chumbo, material usado para fabricar projéteis ilegais para carabinas de pressão.

    Um dos autuados, que fabricava e vendia esses projéteis, publicava vídeos dos abates. Em um dos registros, um veado-catingueiro foi morto com um disparo a 55 metros de distância.

    Além das autuações presenciais, o Ibama emitiu cinco notificações determinando a remoção de centenas de vídeos e imagens que mostravam caça, maus-tratos e cativeiro ilegal. A medida visa cortar pela raiz a divulgação e a possível monetização de conteúdos que incentivam crimes ambientais.

    Ibama atuou em PE e PB para reprimir caça ilegal, cativeiro e maus-tratos a animais silvestres – Foto: Amaro Fernandes/Ibama/PE

    Os animais silvestres resgatados já retornaram a áreas de soltura compatíveis com seu habitat. Já os animais exóticos seguiram para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Pernambuco, onde recebem cuidados veterinários antes de uma destinação adequada.

    A Operação Feira Virtual continuará em outras regiões do país. Para denunciar a venda ilegal de animais, a população pode ligar para a Ouvidoria do Ibama no telefone 0800 061 8080.

  • Sipa: Pernambuco estreia em sistema nacional de inovação agropecuária

    Sipa: Pernambuco estreia em sistema nacional de inovação agropecuária

    Pernambuco se tornou o primeiro estado do Nordeste a aderir ao Sistema de Inovação nos Sistemas Agropecuários (Sipa). O protocolo de intenções que formaliza a adesão foi assinado pela governadora Raquel Lyra, pelo secretário da SDI/Mapa, Pedro Neto, e por secretários estaduais.

    O Sipa busca estimular a criação de um ecossistema dedicado à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação em todas as cadeias do agronegócio. O sistema também fomenta novos negócios no setor agropecuário.

    O protocolo dura cinco anos. Durante esse período, o Ministério da Agricultura (Mapa) oferece cooperação técnica, mentoria e apoio ao crescimento de empresas inovadoras.

    Você também pode gostar:

    + Agro em Campo: São Paulo recebe R$ 1,1 bilhão do Banco Mundial para agricultura sustentável
    + Agro em Campo: Grupo J&F compra única mina de potássio em operação do Brasil

    A Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca (SDA), sob comando de Cícero Moraes, e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), liderada por Mauricélia Vidal, vão coordenar os trabalhos no estado. As duas secretarias formam a Comissão Gestora Estadual Agropecuária.

    Iniciativas

    Flávio Sotero, superintendente de Agricultura e Pecuária de Pernambuco (SFA-PE), destacou as iniciativas de sucesso do estado, resultado da aplicação de pesquisa e tecnologia no campo. Ele citou o cultivo de frutas em perímetros irrigados do Sertão do São Francisco como exemplo.

    “Pernambuco possui grande potencial para inovação e empreendedorismo. Temos casos exitosos, como o Porto Digital no Recife. Agora, vamos focar ainda mais no agronegócio, que é vital para o PIB brasileiro”, afirmou Sotero.

    Na sede da SFA-PE, também ocorreu o plantio de mudas de Ipê-amarelo-Craibeira (Tabebuia aurea), árvore símbolo de Brasília. Para o Parque de Exposições do Cordeiro, selecionaram mudas de Baobá (Adansonia digitata), espécie originária da África, mas comum no Recife.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Produtores de soja dos EUA pedem socorro a Trump

    + Agro em Campo: Salário no agro paranaense supera média nacional em 58%

  • Impressionante: maço de coentro é vendido por R$ 810

    Impressionante: maço de coentro é vendido por R$ 810

    Um morador de Panelas, no Agreste de Pernambuco, pagou R$ 810 por um maço de coentro durante o leilão tradicional da Festa de São José, realizada na sexta-feira (21). O valor, considerado exorbitante, contrasta com a média de R$ 2 cobrado em supermercados e feiras do interior pernambucano.

    No vídeo do evento, o locutor incentiva os participantes a gravarem o momento da compra, destacando o caráter simbólico da transação. O comprador do coentro, identificado como “Toinho”, celebra a aquisição do produto, que foi arrematado após uma disputa entre os presentes.

    A assessoria de comunicação do evento explicou que todo o valor arrecadado é destinado à manutenção e obras da paróquia de São José, justificando os preços elevados como parte da tradição local. A prática, segundo a organização, integra as comemorações religiosas da região.

    A Festa de São José é realizada anualmente em Panelas. E inclui leilões de itens como alimentos e objetos, com valores que variam conforme a relevância cultural do produto. A venda de ervas e temperos a preços elevados, embora incomum no mercado formal, é vista como uma forma de engajamento comunitário. Além de apoio à igreja local.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Orçamento da Embrapa para 2025 cresce 120%
    + Agro em Campo: Projeto de Lei prevê vacinação gratuita para animais domésticos

  • Como eliminar o moko da bananeira

    Como eliminar o moko da bananeira

    Cientistas da Embrapa Amazônia Ocidental, em colaboração com a Embrapa Roraima, recomendam um período de 24 meses de vazio sanitário para bananeiras, visando a recuperação de áreas de terra firme afetadas pela murcha-bacteriana, também conhecida como moko da bananeira.

    A bactéria Ralstonia solanacearum raça 2 provoca essa doença, uma praga quarentenária que já se disseminou em diversos estados brasileiros, incluindo Amapá, Amazonas, Roraima, Pará, Pernambuco, Rondônia e Sergipe.

    O moko é uma das doenças mais devastadoras para as bananeiras cultivadas em áreas de várzea da Região Amazônica. As inundações anuais são um fator crítico para a propagação da bactéria, que se espalha pelos rios e contamina plantações localizadas a jusante dos bananais afetados. Nos municípios de Tabatinga e Manicoré, no Amazonas, a situação é alarmante, pois as plantações estão situadas em regiões vulneráveis à inundação.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: CEO do Carrefour afirma que empresa vai deixar de comprar carne do Mercosul
    + Agro em Campo: Polícia e Mapa apreendem oito mil litros de azeite adulterado

    Em áreas de terra firme, a bactéria tem um comportamento diferente, sobrevivendo por tempo limitado e não formando estruturas de resistência. Após o período recomendado de vazio sanitário de dois anos, é possível replantar bananeiras com mudas saudáveis.

    Doença de combate dífícil

    Os pesquisadores Luadir Gasparotto, Mirza Carla Normando e Daniel Schurt alertam que não existem cultivares resistentes ao moko e que o controle químico é ineficaz devido à natureza vascular da doença. A disseminação ocorre principalmente através do uso de mudas contaminadas e ferramentas infectadas. Para mitigar esse risco, medidas preventivas como o uso de mudas certificadas e a desinfecção de equipamentos são essenciais.

    A pesquisa realizada pela Embrapa incluiu um experimento que avaliou a sobrevivência da bactéria em diferentes tipos de solo durante dois anos. Os resultados mostraram que a bactéria pode sobreviver por até dez meses em solos do tipo Latossolo Amarelo e até oito meses em Argissolo.

    O moko é uma das doenças mais destrutivas das bananeiras cultivadas em áreas de várzea da Região Amazônica cujas inundações disseminam a bactéria. Foto: Luadir Gasparotto/Embrapa

    Para erradicar a o moko da bananeira, é crucial eliminar todas as bananeiras infectadas e cultivar outras culturas na área durante 24 meses. Nesse período, os resíduos orgânicos das bananeiras se decompõem, permitindo o plantio seguro após esse intervalo.

    As recomendações incluem:

    • Uso de mudas sadias (certificadas).
    • Desinfecção das ferramentas utilizadas nas operações agrícolas.
    • Eliminação do coração da bananeira para evitar a transmissão por insetos.
    • Controle das plantas daninhas com herbicidas.
    • Inspeção periódica dos plantios para detecção precoce da doença.

    Essas ações estão alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, promovendo práticas agrícolas sustentáveis e proteção da biodiversidade.

  • Conheça a batata-doce que combate à fome no Semiárido pernambucano

    Conheça a batata-doce que combate à fome no Semiárido pernambucano

    A batata-doce CIP BRS Nuti desempenha um papel central no projeto “Nas Ramas da Esperança”, que visa melhorar a segurança alimentar no Semiárido pernambucano. Desde 2022, o projeto já distribuiu mais de 500 mil mudas, beneficiando 10 mil agricultores em 72 instituições de 153 municípios em 11 estados.

    Projeto premiado

    No final de julho, o projeto venceu a categoria Desenvolvimento Social na 6ª edição do Prêmio Espírito Público. Segundo o professor Erbs Cintra, do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertaoPE), esse prêmio é o reconhecimento de um trabalho que teve início em 2010. Em resumo, ele buscava cultivares resistentes às condições da região e que fossem alimentos biofortificados. A parceria com a Rede Biofort, coordenada pela Embrapa, possibilitou a validação de materiais de batata-doce no IFSertãoPE, em Petrolina (PE).

    Em 2021, com recursos da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), o projeto foi formalizado. Cintra explica que a pandemia acentuou a vulnerabilidade dos agricultores próximos ao IFSertãoPE. A Embrapa forneceu cultivares de batata-doce, e a CIP BRS Nuti foi bem aceita pelos agricultores.

    Lançada há três anos pela Embrapa Hortaliças, em parceria com o Centro Internacional de la Papa (CIP), do Peru, a batata-doce CIP BRS Nuti se destaca por sua cor alaranjada, rica em betacaroteno. O pesquisador da Embrapa Hortaliças, Alexandre Mello, coordenou as etapas de avaliação e lançamento da cultivar no Brasil. Ele afirma que o projeto tem proporcionado acesso a essa cultivar, que, além de biofortificada, ao mesmo tempo apresenta ótimo desempenho no Nordeste.

    Após a aprovação dos agricultores, o próximo passo foi multiplicar as ramas da CIP BRS Nuti e divulgar suas qualidades em eventos. A cultivar se destacou pela alta produtividade, tolerância à seca e doenças, além de seu alto valor nutritivo. A agricultora Marlene Conceição, do assentamento Água Viva II, em Petrolina, participa do projeto há três anos e elogia os benefícios da cultivar.

    Foto: Divulgação – Embrapa

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Silvio Santos e o agronegócio: a faceta empresarial do dono do SBT
    + Agro em Campo: Biocombustível promete aviação mais verde até 2030

    Desempenho da batata-doce

    No Semiárido pernambucano, a CIP BRS Nuti apresenta ciclo precoce de 90 a 110 dias, baixa demanda hídrica e produtividade de 30 a 35 toneladas por hectare. Cintra destaca que as ramas da cultivar se desenvolvem rapidamente, reduzindo a necessidade de capina. Em áreas experimentais do IFSertãoPE, a cultivar alcançou 60 toneladas por hectare.

    O projeto também impulsiona a criatividade dos agricultores. Alguns apicultores estão produzindo mel das flores da CIP BRS Nuti, cujo ciclo de floração dura cerca de 30 a 32 dias, tempo suficiente para a produção de mel.

    Comercialização

    O Nordeste é a região que mais consome batata-doce no Brasil. Além do consumo fresco, a CIP BRS Nuti pode ser usada na produção de bolos e biscoitos, agregando valor à produção dos agricultores. A expectativa é que, em 2024, as primeiras entregas para escolas de Petrolina sejam realizadas, impulsionadas pela Lei Nº 3.657, de 17/10/2023, que inclui os alimentos do projeto na merenda escolar.

    Além da batata-doce, o projeto diversifica a produção com cultivares de macaxeira, milho e feijão biofortificados, por exemplo. Ou seja, essa diversificação visa melhorar a alimentação e evitar a proliferação de pragas. Nos últimos anos, o projeto “Nas Ramas da Esperança” já conquistou diversos prêmios.