Tag: Pensilvania

  • JBS fecha frigorífico e reorganiza produção

    JBS fecha frigorífico e reorganiza produção

    A JBS anunciou nesta sexta-feira o fechamento de um frigorífico de carne bovina em Souderton, na Pensilvânia, em meio à escassez de gado nos Estados Unidos. A decisão reforça o movimento da indústria de carnes para ajustar a capacidade produtiva diante da oferta restrita de animais.

    A companhia também encerrará as atividades de uma unidade de processamento em Memphis, no Tennessee. Segundo a empresa, a produção dessas plantas será redirecionada para outras operações, o que deve garantir a continuidade do abastecimento.

    A unidade de Souderton emprega cerca de 1.700 trabalhadores e possui capacidade para abater até 2 mil cabeças de gado por dia. A JBS classifica a planta como uma das menores dentro de sua rede nos Estados Unidos, onde a empresa processa aproximadamente 28,5 mil cabeças diariamente.

    Para o analista Leonardo Alencar, da XP, o impacto da medida tende a se concentrar regionalmente. Em relatório, ele afirma que o fechamento não deve afetar de forma relevante o mercado americano como um todo. Apesar de reforçar a necessidade de ajustes na indústria diante da menor oferta de gado.

    Estratégia

    A JBS afirma que a decisão integra uma estratégia mais ampla voltada ao crescimento, modernização e aumento da competitividade. A empresa destaca investimentos recentes no país, incluindo expansões em unidades localizadas no Texas, Geórgia e Iowa.

    O fechamento ocorre em um momento de forte pressão sobre o setor. O rebanho bovino dos Estados Unidos caiu ao menor nível em 75 anos, após produtores reduzirem seus plantéis diante de períodos de seca e aumento nos custos de produção.

    Nos últimos meses, outras empresas também adotaram medidas semelhantes. A JBS já havia anunciado o encerramento de uma unidade na Califórnia no fim de 2025, enquanto concorrentes como Tyson Foods e Cargill também fecharam plantas recentemente.

    A empresa projeta uma recuperação mais consistente do mercado de carne bovina nos Estados Unidos apenas a partir de 2027, indicando que o cenário de restrição na oferta deve persistir no curto prazo.

  • Crise dos ovos assola os EUA: entenda o motivo

    Crise dos ovos assola os EUA: entenda o motivo

    Os Estados Unidos enfrentam uma severa “crise dos ovos” em 2025, impulsionada por um surto devastador de gripe aviária, que resultou no abate de milhões de aves e na disparada dos preços do alimento. A situação, que já afeta o bolso dos consumidores e o funcionamento de restaurantes, reacende o debate sobre segurança alimentar e abre oportunidades para o Brasil no mercado internacional.

    O principal gatilho da crise é o surto de gripe aviária (H5N1), que desde 2022 dizimou cerca de 123 milhões de galinhas, perus e outras aves em 49 estados americanos. Em dezembro de 2024, aproximadamente 17,2 milhões de galinhas poedeiras foram sacrificadas. O abate em larga escala para conter a propagação do vírus reduziu drasticamente a oferta de ovos, elevando os preços a patamares alarmantes.

    A dúzia de ovos, que antes custava em média US$ 2,50, chegou a ser vendida por mais de US$ 6 (cerca de R$ 35) em janeiro de 2025. Em algumas regiões, como a Califórnia, onde há restrições à criação de galinhas em gaiolas, os preços atingiram picos de US$ 8,85 (R$ 52). Há relatos de consumidores pagando quase R$ 60 por uma dúzia. A expectativa é que os preços subam mais de 20% ao longo de 2025.

    Consumidores mudam hábitos e restaurantes repassam custos

    Diante dos preços exorbitantes, os consumidores americanos estão mudando seus hábitos alimentares. As vendas de ovos caíram 15% em janeiro de 2025 em comparação com o ano anterior. Muitos buscam alternativas, como substitutos à base de plantas ou ovos de produtores locais. Restaurantes também sentem o impacto: a rede Waffle House, por exemplo, já cobra uma taxa extra de US$ 0,50 nos pratos que levam ovos.

    A alta dos preços dos ovos tem afetado desproporcionalmente os grupos mais vulneráveis da população, com 26% dos consumidores em má saúde enfrentando insegurança alimentar.

    Oportunidade para o Brasil?

    A crise nos EUA abre uma janela de oportunidade para o Brasil, um dos maiores produtores de ovos do mundo. Com a redução da oferta americana, o país pode aumentar suas exportações e conquistar novos mercados.

    No entanto, é importante ressaltar que o Brasil também precisa estar atento aos riscos da gripe aviária. A prevenção e o controle da doença são fundamentais para garantir a sanidade dos rebanhos e a competitividade do setor avícola brasileiro.

    Roubos e medidas de controle

    O aumento dos preços dos ovos tem levado a situações extremas, como o roubo de uma carga de 100 mil ovos, avaliada em US$ 40 mil, na Pensilvânia. Alguns supermercados já limitam a quantidade de ovos que cada cliente pode comprar.

    A crise dos ovos nos EUA expõe a fragilidade da cadeia de produção e distribuição de alimentos e a importância de medidas preventivas aqui no Brasil para evitar surtos de doenças em animais. A situação também evidencia a necessidade de políticas públicas que garantam o acesso a alimentos básicos para toda a população.

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  • Agricultores alertam para crise no abastecimento global

    Agricultores alertam para crise no abastecimento global

    Com o aquecimento global em curso, agricultores ao redor do mundo estão enfrentando uma crise para cultivar culturas que tradicionalmente prosperaram em suas regiões no Brasil e no Mundo. As mudanças climáticas têm imposto desafios crescentes à agricultura, afetando diretamente a produtividade e a viabilidade econômica do setor. O regime irregular de chuvas é um dos principais problemas enfrentados.

    Regiões que tradicionalmente apresentavam um padrão pluviométrico mais estável agora sofrem com períodos prolongados de estiagem ou chuvas excessivas, impactando a produção de culturas essenciais como soja, milho e café.

    O aumento das temperaturas médias também exerce pressão sobre as colheitas. Plantas como o café arábica, que prosperam em climas mais amenos, têm visto seus ciclos de crescimento alterados, prejudicando a qualidade e o rendimento dos grãos. Esses picos de calor aceleram o desenvolvimento das plantas, reduzindo o tempo para o amadurecimento adequado e comprometendo a colheita.

    Fenômenos climáticos extremos

    Outro efeito marcante é a maior frequência de fenômenos climáticos extremos, como enchentes e tempestades de granizo. Esses eventos causam danos imediatos às plantações e à infraestrutura agrícola, gerando prejuízos financeiros substanciais para os produtores.

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    Além disso, o clima mais quente e úmido facilita a disseminação de pragas e doenças agrícolas. A ferrugem asiática da soja e a broca-do-café são exemplos de problemas que se tornaram mais persistentes com o avanço das mudanças climáticas. Essa situação leva a um aumento nos custos de produção, pois exige mais investimento em defensivos agrícolas e estratégias de manejo.

    A escassez de água também se tornou um fator crítico. Reservatórios com níveis baixos afetam os sistemas de irrigação, limitando a capacidade de pequenos e grandes produtores de manterem a produtividade durante os períodos de seca prolongada.

    Desafios no cultivo da batata

    Um exemplo alarmante é a batata, que está se tornando cada vez mais difícil de cultivar na Pensilvânia, o maior estado produtor de batatas fritas dos Estados Unidos, segundo informações do Marketplace.

    As batatas precisam de noites frescas para se desenvolver adequadamente, mas na Pensilvânia essas noites estão se tornando cada vez mais raras. Bob Leiby, agrônomo da Cooperativa de Produtores de Batata da Pensilvânia, explica que na década de 1980 havia cerca de 35 noites por ano que eram quentes demais para as plantações. Atualmente, esse número subiu para quase 50 noites por ano. Para quem vive disso, é um grave sinal de crise.

    Como resultado, os agricultores locais estão lutando para produzir batatas suficientes para atender à demanda dos fabricantes de chips do estado. Essa escassez forçou as empresas a buscar batatas de fora da Pensilvânia. Isso não apenas aumenta os custos de transporte, mas também contribui para a poluição do ar devido ao transporte marítimo.

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    Essas dificuldades têm um impacto direto nos preços para os consumidores. De acordo com o Bureau of Labor Statistics, o custo médio de um saco de batatas fritas de 16 onças subiu de menos de US$ 4,50 para cerca de US$ 6,50 na última década.

    Consequências das falhas nas colheitas

    A situação das colheitas de batata na Pensilvânia ilustra como as mudanças climáticas estão ameaçando o abastecimento alimentar global. Outros exemplos incluem secas severas que afetaram as culturas de arroz, milho e artemísia na China e as plantações de milho na Colômbia. Além disso, apicultores no México e muitos outros agricultores em todo o mundo também enfrentam dificuldades devido a condições climáticas extremas.

    Para enfrentar essas quebras de safra, cientistas estão se dedicando à edição genética de diversas plantas, buscando torná-las mais resistentes a condições climáticas adversas como calor intenso e seca. No entanto, essa abordagem pode não ser suficiente se o aquecimento global continuar sem controle.

    Para resolver efetivamente a crise no abastecimento alimentar, é crucial que a sociedade transite de fontes de energia poluentes, como gás e petróleo, para alternativas limpas e renováveis, como energia eólica e solar. Essa mudança é fundamental para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e garantir um futuro sustentável para a agricultura global.