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  • Peixes do ES apresentam deformidades após o desastre de Mariana, diz pesquisa

    Peixes do ES apresentam deformidades após o desastre de Mariana, diz pesquisa

    Pesquisadores identificaram no litoral do Espírito Santo uma taxa recorde de anomalias em peixes costeiros brasileiros. Entre os 38 exemplares da espécie Stellifer naso analisados, 23 apresentaram alterações nos otólitos — o equivalente a 60,5% da amostra.

    Os animais foram coletados em maio de 2022 na foz do Rio São Mateus, próximo aos municípios de Conceição da Barra e São Mateus.

    O resultado supera os percentuais relatados anteriormente na literatura científica para peixes costeiros no Brasil. Até então, o maior índice registrado era de 27,11%, encontrado no bagre Cathorops spixii.

    O estudo foi publicado na revista científica Ocean and Coastal Research e levanta como uma das principais hipóteses a influência de alterações ambientais associadas aos rejeitos liberados após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG).

    O que são os otólitos

    As alterações foram identificadas nos otólitos, pequenas estruturas calcificadas encontradas no ouvido interno dos peixes.

    Elas participam de funções como equilíbrio, orientação espacial e percepção sonora.

    A forma e a composição química dos otólitos podem variar de acordo com fatores fisiológicos e ambientais, incluindo temperatura, salinidade e características da água.

    Por isso, alterações nessas estruturas podem ajudar pesquisadores a identificar sinais de estresse ambiental.

    Taxa de anomalias foi a maior já registrada no país

    Dos 38 exemplares estudados, 23 apresentaram otólitos com algum tipo de anomalia.

    Os pesquisadores encontraram alterações de diferentes formatos e dimensões. Em alguns casos, havia projeções anormais semelhantes a pequenos dedos.

    A análise também revelou que os otólitos classificados como anormais apresentavam maior variação morfológica em comparação aos considerados normais.

    Segundo o estudo, o percentual de 60,5% é o mais elevado já relatado na literatura para peixes costeiros brasileiros.

    Rejeitos de Mariana estão entre as principais hipóteses

    Uma das hipóteses investigadas pelos pesquisadores envolve os impactos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em novembro de 2015.

    O desastre lançou rejeitos de mineração no sistema do Rio Doce, que posteriormente alcançaram o Oceano Atlântico.

    O rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em 5 de novembro de 2015 em Mariana (MG), foi o maior desastre socioambiental do Brasil (Foto: Divulgação)

    Stellifer naso vive principalmente em áreas estuarinas e associadas a fundos de sedimento, característica que pode aumentar o contato da espécie com contaminantes depositados no ambiente.

    Estudos anteriores citados pelos autores já registraram contaminação por ferro e bioacumulação de metais em organismos da região afetada pelo desastre.

    “Comparando com outros trabalhos similares no Brasil e também expandindo para outras regiões, o nosso trabalho teve um resultado bem acima da média em quantidade de peixes com anomalias, o que possivelmente está relacionado às marcas do desastre”, afirmou Jonas Andrade-Santos, pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos autores da pesquisa.

    Peixes foram coletados quase sete anos depois do desastre

    Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi o intervalo entre o rompimento da barragem e a coleta dos animais.

    O desastre ocorreu em novembro de 2015, enquanto os exemplares analisados foram capturados em maio de 2022, quase sete anos depois.

    Segundo os autores, metais e outros contaminantes transportados pelos rios podem permanecer no ambiente e ser novamente mobilizados ao longo do tempo, prolongando a exposição dos organismos aquáticos.

    Estudo não comprova causa das deformidades

    Apesar da possível associação com os rejeitos, os pesquisadores destacam que não é possível determinar ainda a origem exata das anomalias.

    Outros fatores ambientais, como alterações de temperatura e salinidade, além de fatores fisiológicos e genéticos, também podem interferir no desenvolvimento dos otólitos.

    Uma das principais limitações da pesquisa é a ausência de amostras da mesma região anteriores ao rompimento de 2015.

    Sem esse material, não é possível comparar diretamente a incidência de deformidades antes e depois do desastre.

    Pesquisadores vão analisar composição dos otólitos

    A próxima etapa deverá incluir análises químicas dos otólitos para identificar os minerais presentes nessas estruturas e verificar possíveis associações com as deformidades.

    Os pesquisadores também pretendem ampliar o estudo para procurar alterações externas nos animais, incluindo deformações nas nadadeiras.

     

  • Cientistas descobrem “impressão digital” da tainha brasileira

    Cientistas descobrem “impressão digital” da tainha brasileira

    Uma pesquisa inédita conduzida por cientistas da Embrapa identificou uma espécie de “impressão digital química” da tainha brasileira (Mugil liza), capaz de apontar a origem geográfica do peixe a partir de pequenas moléculas presentes em seu músculo.

    A descoberta representa um avanço para a rastreabilidade, a autenticidade e a valorização de produtos pesqueiros no país.

    Aparelho de RMN (Foto: Pedro Coppi/Embrapa)

    Técnica funciona como um raio-X 

    Para conseguir esses resultados, a equipe utilizou a espectroscopia por Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (RMN de ¹H), que mapeia a posição dos átomos de hidrogênio nas moléculas, em conjunto com a metabolômica, ciência que estuda os metabólitos, pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas cotidianas.

    Essa combinação permitiu aos pesquisadores diferenciar tainhas capturadas em três localidades brasileiras e detectar variações na composição do músculo ligadas ao ambiente, à salinidade, ao comportamento fisiológico e à alimentação dos peixes.

    Para Fabíola Fogaça, pesquisadora, o estudo representa um avanço para a ciência de alimentos e para a cadeia produtiva do pescado no país.

    “O grande diferencial desse estudo é demonstrar que é possível identificar a origem geográfica da tainha por meio de um perfil metabólico altamente específico, que atua como uma assinatura química do pescado. É uma ferramenta inovadora para autenticação, rastreabilidade e agregação de valor”, afirma.

    Rigor científico sustenta resultados

    Os cientistas envolvidos no trabalho coletaram amostras em diferentes estações do ano na Lagoa de Araruama (RJ), na Baía de Sepetiba (RJ) e no litoral de Santa Catarina.

    Além disso, um equipamento de Ressonância Magnética Nuclear de alta resolução mapeou a estrutura molecular das substâncias presentes no músculo do peixe com precisão elevada.

    Pesquisador Luiz Alberto Colnago durante experimentos (Foto: Pedro Coppi/Embrapa)

    Colnago, especialista em ressonância magnética nuclear na Embrapa Instrumentação, explica que a técnica identificou compostos químicos relacionados à alimentação, ao metabolismo e às condições ambientais às quais cada peixe esteve exposto ao longo da vida.

    “Diferentemente de métodos convencionais, que muitas vezes não fornecem informações detalhadas sobre as alterações bioquímicas do pescado, a RMN oferece uma análise rápida, abrangente e não destrutiva da amostra. O resultado é um perfil metabólico detalhado que funciona como um ‘código de barras químico’, capaz de diferenciar peixes de regiões distintas.”

    A equipe identificou 23 compostos químicos naturais no músculo das tainhas, entre eles lactato, creatina, taurina e aminoácidos relevantes para o metabolismo. Esses marcadores revelam informações sobre gasto de energia, atividade muscular, alimentação e adaptação ao ambiente.

    O tamanho do peixe e a sazonalidade tiveram pouca influência sobre o perfil metabólico geral, o que reforça a confiabilidade dos metabólitos como indicadores de origem.

    Lagoa de Araruama imprime assinatura química única

    As condições extremas da Lagoa de Araruama, a maior lagoa hipersalina permanente do mundo, com salinidade média de 52%, influenciam diretamente o metabolismo das tainhas.

    Essa cenário ambiental provoca adaptações fisiológicas específicas, refletidas no perfil químico detectado pela ressonância.

    Portanto, o estudo mostra que a hipersalinidade altera os mecanismos de osmorregulação, o metabolismo energético e o uso de aminoácidos pelos peixes.

    Lagoa de Araruana (Foto: Delano Campello/Wikimedia Commons)

    “O ambiente deixa marcas bioquímicas detectáveis nos peixes. A Lagoa de Araruama produz uma assinatura metabólica muito característica, associada à salinidade extrema e às adaptações fisiológicas da espécie”, destaca Fogaça.

    Descoberta pode combater fraudes

    Além do avanço científico, a pesquisa tem aplicação prática direta para o setor pesqueiro e para políticas de certificação de origem. Segundo os autores, a tecnologia pode ajudar a combater fraudes comerciais, a substituição de espécies e a falsificação de procedência no mercado de pescados.

    O estudo também vai servir de base técnica para o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem, da tainha da Lagoa de Araruama junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

    Colnago, que atua há mais de 30 anos com ressonância magnética nuclear, avalia que o uso da técnica na rastreabilidade de peixes pode impactar diretamente o combate à adulteração geográfica e à comercialização irregular de espécies.

    “A identificação precisa da procedência ajuda a proteger consumidores, fortalecer sistemas de fiscalização e valorizar produtos regionais”, enfatiza o pesquisador.

    O estudo também incorporou ferramentas de inteligência artificial na análise e na organização dos resultados.

    “A integração entre metabolômica, ressonância magnética e inteligência artificial demonstra como diferentes áreas da ciência podem atuar de forma complementar na produção de conhecimento aplicado à segurança alimentar”, acrescenta Colnago.

    Como a Ressonância Magnética Nuclear analisa o perfil químico dos alimentos

    A RMN é conhecida como técnica de diagnóstico médico por imagem. No entanto, o que pouca gente sabe é que cientistas já a utilizavam desde a década de 1950 para determinar a estrutura de moléculas naturais e sintéticas, incluindo biomoléculas.

    Na Embrapa Instrumentação, pesquisas com RMN de baixo campo para análises de produtos agroindustriais motivaram a criação do aparelho SpecFit, desenvolvido em parceria com a startup Fine Instrument Technology (FIT), usado para medir o teor de óleo em frutos de dendezeiros.

    O estudo com as tainhas empregou um aparelho de RMN de alto campo, método analítico que usa ímãs potentes para gerar espectros detalhados de moléculas. Segundo Colnago, a técnica permite investigações estruturais complexas, autenticação geográfica e estudos de metabolômica, com princípio de funcionamento similar ao dos equipamentos médicos e laboratoriais.

    Em vez de gerar imagens, a técnica produz sinais eletrônicos interpretados a partir da composição química da amostra, como açúcares, aminoácidos, gorduras e ácidos orgânicos.

    O que é a metabolômica

    A metabolômica analisa pequenas moléculas produzidas pelo metabolismo dos organismos, os metabólitos. Aplicada ao sangue, por exemplo, ela indica em uma única análise a quantidade de compostos como glicose, creatinina e ácido úrico.

    Enquanto métodos convencionais dependem de um exame diferente para cada metabólito. Esses compostos funcionam como indicadores bioquímicos do estado fisiológico, da alimentação e das condições ambientais às quais um organismo foi exposto.

    No caso das tainhas, a metabolômica permitiu identificar compostos capazes de diferenciar peixes de regiões geográficas distintas, criando uma verdadeira “assinatura química” do pescado brasileiro.

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  • Peixes amazônicos já respiram plásticos, aponta estudo

    Peixes amazônicos já respiram plásticos, aponta estudo

    A poluição por plástico já chegou a diferentes ambientes da Amazônia. Uma pesquisada realizada pela Agência Pública mostra que microplásticos estão presentes em rios, igarapés e lagos da região e já foram encontrados no organismo de peixes.

    O problema vai além da presença das partículas na água. Dependendo da espécie e do ambiente, os resíduos podem ser ingeridos junto com os alimentos ou ficar presos nas brânquias, estruturas fundamentais para a respiração dos animais.

    Microplástico chega às brânquias e ao sistema digestivo

    Um dos levantamentos analisou peixes das bacias dos rios Guamá e Acará-Capim, no Pará. Os pesquisadores encontraram partículas plásticas nas brânquias e no trato digestivo de praticamente todos os animais avaliados.

    Ao todo, foram identificadas 383 partículas, com uma média de 5,6 partículas por peixe. A contaminação também apareceu em espécies com hábitos alimentares diferentes, incluindo predadores.

    O resultado chama atenção porque mostra que o problema não está restrito aos peixes que vivem no fundo ou se alimentam de sedimentos. As partículas podem circular pela cadeia alimentar e chegar a diferentes espécies.

    Além disso, o contato com as brânquias pode provocar danos físicos e interferir na respiração e no funcionamento do sistema imunológico dos animais.

    Pirarucu enfrenta um risco ainda mais particular

    Entre as espécies amazônicas, o pirarucu apresenta uma característica que aumenta a preocupação dos pesquisadores.

    O peixe consegue respirar diretamente o ar atmosférico graças a uma bexiga natatória modificada, que funciona de maneira semelhante a um pulmão. Em ambientes com pouco oxigênio, ele precisa subir à superfície para respirar.

    pirarucu
    O pirarucu tem grande importância econômica e alimentar para comunidades da região (Foto: Rodolfo Pongelupe)

    Segundo os pesquisadores ouvidos pela reportagem, essa adaptação pode aumentar o contato do animal com microplásticos que ficam próximos à superfície da água. Em determinadas condições, as partículas poderiam entrar no órgão responsável pela respiração aérea e provocar obstruções ou processos inflamatórios.

    Igarapés podem concentrar mais poluição

    Embora os grandes rios tenham enorme volume de água, isso não significa que estejam livres da contaminação.

    Nos rios Amazonas, Negro, Tapajós e Tocantins, monitoramentos encontraram concentrações consideradas baixas em alguns pontos. Já igarapés próximos a áreas urbanas podem apresentar condições mais preocupantes, especialmente quando recebem esgoto e lixo descartado de maneira irregular.

    Em Manaus, por exemplo, pesquisas já registraram concentrações de até 74.550 microplásticos por metro cúbico em igarapés urbanos.

    O comportamento das águas amazônicas também influencia a distribuição das partículas. Durante o período de cheia, os rios conectam áreas de várzea e florestas inundáveis, facilitando o transporte dos poluentes. Na seca, por outro lado, os microplásticos podem ficar mais concentrados em canais, sedimentos e ambientes isolados.

    Plástico também aparece no fundo dos rios

    A contaminação não fica apenas na superfície.

    Um dos casos estudados é o do tamoatá, peixe que vive próximo ao fundo de lagos e áreas de várzea e se alimenta de detritos presentes nos sedimentos. Esse comportamento pode aumentar a exposição às partículas que se acumulam no leito dos ambientes aquáticos.

    No sedimento do rio Negro, a concentração de microplásticos foi estimada em aproximadamente 13 milhões de partículas por metro cúbico.

    Experimentos com o tamoatá também indicaram que pequenas quantidades de microplásticos na alimentação podem estar associadas a aumento do estresse e perda de peso. Os pesquisadores destacam, porém, que ainda são necessários estudos para compreender como esses efeitos acontecem em diferentes espécies e condições ambientais.

    Contaminação preocupa também a pesca

    O problema ganha uma dimensão ainda maior quando considerado o papel do pescado na alimentação amazônica.

    No Amazonas, uma pessoa consome, em média, cerca de 14 quilos de peixe por ano, aproximadamente cinco vezes a média nacional de 2,8 quilos. Em comunidades ribeirinhas, esse consumo pode ser ainda maior.

    Por isso, a presença de microplásticos nos peixes desperta preocupação tanto pela conservação das espécies quanto pela segurança alimentar das populações que dependem da pesca.

    Os pesquisadores ressaltam que ainda não existem dados suficientes para determinar qual é o impacto do consumo de peixes amazônicos contaminados por microplásticos sobre a saúde humana. A possibilidade de exposição pela alimentação, entretanto, é considerada plausível.

    O que ainda precisa ser descoberto

    A Amazônia abriga mais de 3 mil espécies de peixes, e os cientistas ainda conhecem pouco sobre os efeitos específicos dos microplásticos em grande parte delas.

    Além da ingestão, os pesquisadores querem entender como as partículas se movimentam entre rios, lagos, igarapés e áreas de várzea. A dinâmica das cheias e secas, o tipo de água e até a presença de plantas aquáticas podem alterar a distribuição desses resíduos.

    Assim, o avanço das pesquisas será fundamental para medir o impacto da poluição sobre a biodiversidade, a pesca e os ecossistemas amazônicos.

  • Encontro de aquicultores impulsiona produção de peixes

    Encontro de aquicultores impulsiona produção de peixes

    Madeiro, no norte do Piauí, sediou neste domingo (24) o V Encontro de Aquicultores do Piauí, evento que reuniu produtores rurais, técnicos e representantes de instituições de diversas regiões do estado para debater os rumos da piscicultura piauiense. A programação incluiu concursos, palestras e troca de experiências entre aquicultores.

    O Instituto de Pesca Mulheres das Águas (Ipama) organizou o encontro com apoio da Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí (SAF), que tem ampliado os investimentos no setor, especialmente na piscicultura voltada à agricultura familiar.

    A secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, destacou o alcance do evento. “Estão representados vários municípios do estado, da região norte à região sul. Piscicultores participando de concursos, debates e palestras sobre os rumos da piscicultura aqui no Piauí”, afirmou. Para ela, o encontro já figura como tradição no setor: “É mais um investimento que o Governo do Estado faz para ampliar espaços de produção e fortalecer as cadeias produtivas vinculadas à agricultura familiar.”

    A SAF atua no fortalecimento da piscicultura por meio de assistência técnica e distribuição de insumos. Um dos programas em destaque é a unidade de piscicultura de Nazária, que produz e distribui alevinos para agricultores familiares em várias regiões do Piauí. Uma iniciativa que contribui para aumentar a renda e a segurança alimentar no campo.

    Resultado dos encontros

    Entre os participantes, o agricultor Francisco da Silva Cavaleiro destacou o impacto prático do encontro para quem produz em pequena escala. “Isso é muito importante porque a gente é pequeno produtor e trabalha de forma individual. É muito bom porque ajuda o município, ajuda o estado e mostra o trabalho das pessoas que produzem”, disse.

    Francisco Silva é piscicultor e reforça a importância de eventos para valorizar a produção. Foto: Geirlys Silva / SAF

    Francisco também relatou os resultados concretos que o apoio gerou em sua propriedade. “Na minha região produzo arroz, milho, crio porco e tenho tanques de peixe. Hoje dá para produzir até 10 mil quilos de peixe. A gente vende bem. Esse apoio ajudou muito nós”, contou o produtor.

  • Poluição por petróleo altera machos de peixes raros no Rio Grande do Norte

    Poluição por petróleo altera machos de peixes raros no Rio Grande do Norte

    Pesquisadores identificaram indícios de que a contaminação por petróleo pode estar provocando alterações biológicas em espécies raras de peixes anuais no Rio Grande do Norte. Incluindo mudanças na coloração de machos que passaram a apresentar padrões associados às fêmeas.

    Pesquisadores observaram o fenômeno em espécies do gênero Hypsolebias lulai, peixes de pequeno porte que a ciência descreveu recentemente e que vivem em poças temporárias do semiárido potiguar, região também marcada por atividade petrolífera.

    Os resultados foram apresentados por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte no Encontro Brasileiro de Ictiologia (EBI). E apontam que a exposição a hidrocarbonetos do petróleo pode estar associada a alterações fenotípicas ligadas à desregulação endócrina, processo em que contaminantes interferem no sistema hormonal dos organismos.

    Segundo o estudo, alguns machos apresentaram coloração semelhante à das fêmeas, além de sinais classificados pelos autores como fenótipos intersexuais. O que pode indicar impactos sobre processos reprodutivos e sobrevivência dessas populações.

    Espécies raras e habitat vulnerável

    Os peixes anuais do gênero Hypsolebias vivem em ambientes temporários que se formam no período chuvoso e desaparecem na estiagem. Esse ciclo torna as espécies particularmente sensíveis a mudanças ambientais.

    Por ocorrerem em áreas restritas e frágeis, esses peixes já enfrentam pressões relacionadas à perda de habitat, secas e degradação ambiental. A possibilidade de impactos associados à atividade petrolífera amplia as preocupações sobre conservação.

    Pesquisadores brasileiros descreveram recentemente a espécie Hypsolebias lulai, considerada endêmica da região.

    Petróleo pode atuar como desregulador endócrino

    Segundo a literatura científica, compostos presentes no petróleo, como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs), podem atuar como desreguladores endócrinos, afetando desenvolvimento, comportamento reprodutivo e características sexuais em organismos aquáticos.

    Esse tipo de alteração já foi documentado em estudos internacionais com peixes expostos a contaminantes industriais. Mas registros envolvendo espécies nativas raras do semiárido brasileiro ainda são pouco comuns.

    Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar investigações toxicológicas e monitoramentos em áreas da Bacia Potiguar, importante polo de exploração terrestre de petróleo do país.

    Conservação e monitoramento

    O caso também acende alerta para políticas de conservação. Órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis podem ter papel relevante em ações de monitoramento e proteção dessas populações.

    Além do impacto sobre indivíduos, especialistas alertam que alterações reprodutivas em espécies de distribuição limitada podem comprometer populações inteiras ao longo do tempo.

    Os pesquisadores defendem que novos estudos aprofundem se as mudanças observadas têm relação direta com contaminantes do petróleo e quais podem ser os efeitos para a sobrevivência dessas espécies.

  • Pesquisa detecta Salmonella em viveiros de peixes nativos no Pantanal e no Cerrado

    Pesquisa detecta Salmonella em viveiros de peixes nativos no Pantanal e no Cerrado

    Uma pesquisa conduzida por cientistas da Embrapa e da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) identificou a presença da bactéria Salmonella spp. em viveiros de peixes nativos no Centro-Oeste do Brasil. O patógeno foi encontrado em 88% das propriedades avaliadas e em 31,5% das amostras coletadas em Mato Grosso, o maior polo produtor de espécies nativas do País. Os resultados acendem um alerta sobre a necessidade de reforçar práticas de biossegurança ao longo de toda a cadeia produtiva da aquicultura brasileira.

    Foto: Yuri Porto/Embrapa

    O levantamento analisou 184 amostras de diferentes origens, como peixes, água dos viveiros, sedimentos, ração e fezes de animais silvestres e domésticos presentes nas áreas de cultivo, em propriedades localizadas nos biomas Pantanal e Cerrado. As análises seguiram protocolos internacionais e foram confirmadas por testes moleculares, que permitiram identificar dez sorotipos diferentes da bactéria. Os mais frequentes foram os sorotipos Saintpaul e Newport. Embora tenham sido registrados níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, nenhuma cepa multirresistente foi detectada.

    O risco real para o consumidor

    Apesar dos números expressivos, as pesquisadoras responsáveis pelo estudo reforçam que a contaminação identificada está restrita à fase de produção. E não ao produto final que chega à mesa do consumidor.

    “Isso não significa que o pescado necessariamente estará contaminado, pois os controles sanitários, o processamento industrial e o cozimento adequado podem reduzir ou eliminar o risco”, explica a professora Luciana Savay-da-Silva, da UFMT.

    Um estudo paralelo avaliou 55 cepas de Salmonella isoladas da tambatinga, híbrido do tambaqui muito cultivado na região. E verificou que nenhuma apresentava sorotipos clássicos associados a surtos humanos graves, como Typhi, Enteritidis ou Typhimurium. Todas as cepas se mostraram sensíveis aos antibióticos testados, o que indica baixo risco nas condições avaliadas.

    Por que a contaminação acontece?

    A pesquisadora Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), que coordenou as ações do estudo, explica que a detecção precoce dos pontos críticos de contaminação permite adotar medidas preventivas que reduzem os riscos e aumentam tanto a segurança do alimento quanto a sustentabilidade da produção.

    Os estudos comprovaram que as vísceras dos peixes apresentaram as maiores taxas de detecção. Foto: Yuri Porto/Embrapa

    Um dos fatores centrais identificados pelo estudo é a exposição dos viveiros à fauna local. A professora da UFMT Eduardo Figueiredo aponta que tanques de cultivo frequentemente recebem a visita de pássaros, jacarés, capivaras, aves domésticas, suínos, bovinos, cães e gatos. O que torna a contaminação do solo e da água praticamente inevitável.

    Os dados também indicaram que as vísceras dos peixes concentram as maiores taxas de detecção da bactéria e que a ocorrência aumenta durante o período seco, o que sugere a influência direta de fatores ambientais e de manejo sobre a dinâmica da contaminação.

    Uma mudança simples pode fazer grande diferença no processamento

    Além do monitoramento nos viveiros, o estudo aponta uma oportunidade concreta de melhoria dentro dos frigoríficos. Atualmente, o fluxo padrão de processamento começa com a lavagem do peixe em água hiperclorada, seguida pela retirada de vísceras e guelras.

    Savay-da-Silva defende a inversão dessas etapas. “Estudos em laboratório e em escala piloto já demonstraram que seria mais eficiente primeiro retirar as vísceras e guelras, ainda em uma área suja, e depois realizar a lavagem hiperclorada”, esclarece a pesquisadora. A mudança, simples do ponto de vista operacional, poderia reduzir significativamente o risco de contaminação cruzada durante o processamento.

    Como se proteger na cozinha

    Mesmo que o pescado tenha sido exposto à bactéria durante a produção, medidas básicas de higiene eliminam o risco de contaminação alimentar:

    • Armazenamento: mantenha o pescado refrigerado a até 4 °C ou congelado e evite deixá-lo fora da geladeira por períodos prolongados.
    • Evite contaminação cruzada: use facas, tábuas e utensílios separados para alimentos crus e cozidos, e lave bem as mãos após manipular peixe cru.
    • Cozimento seguro: cozinhe o pescado até atingir temperatura interna acima de 70 °C e evite consumir peixe cru ou mal cozido sem certificação sanitária.
    • Higiene na cozinha: descarte os líquidos da embalagem, higienize a pia após o preparo e prefira sempre produtos com selo de inspeção.

    Próximos passos e a lógica da Saúde Única

    Os pesquisadores destacam que a presença de diferentes sorotipos com relevância epidemiológica reforça a necessidade de programas integrados de vigilância baseados no conceito de Saúde Única; uma abordagem que reconhece a interdependência entre saúde animal, humana e ambiental.

    Os próximos passos incluem ampliar o monitoramento para outras regiões produtoras, investigar fatores de risco específicos em diferentes sistemas de produção e criar protocolos de boas práticas aplicáveis diretamente nos viveiros.

    “Nosso objetivo é transformar os resultados científicos em orientações práticas para o setor produtivo, contribuindo para alimentos mais seguros e para a competitividade da aquicultura brasileira”, resume Fogaça.

    A piscicultura brasileira em números

    O setor aquícola vive um momento de expansão. O Brasil produziu cerca de 968,7 mil toneladas de peixes cultivados em 2024. Um crescimento de aproximadamente 9% em relação ao ano anterior. A tilápia lidera com folga, respondendo por cerca de 68% da produção nacional, mas espécies nativas como tambaqui, tambatinga, pacu e pirarucu formam o segundo maior grupo produtivo do País.

    O consumo interno ainda tem espaço para crescer: os brasileiros consomem, em média, cerca de 10 kg de pescado por pessoa ao ano. Um número abaixo da média mundial, mas com tendência de expansão contínua. O que torna ainda mais estratégico garantir a segurança e a qualidade do produto ao longo de toda a cadeia.

  • Paraná amplia liderança na produção nacional de peixes

    Paraná amplia liderança na produção nacional de peixes

    O Paraná consolidou sua posição como líder nacional na produção de peixes em 2025, alcançando o recorde de 273 mil toneladas de pescados. O volume representa um crescimento de 9,1% em relação a 2024 e garante ao Estado 27% da produção total brasileira, segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, divulgado nesta semana.

    Foto: Anuário Peixe BR

    Com esse desempenho, o Estado ampliou a distância sobre os demais produtores. São Paulo ocupa o segundo lugar, com 93,7 mil toneladas, seguido por Minas Gerais (77,5 mil t), Santa Catarina (63,4 mil t) e Maranhão (59,6 mil t), que subiu uma posição no ranking.

    Pela primeira vez, o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados, chegando a 1,011 milhão de toneladas. Um avanço de 4,41% sobre o ano anterior. Nos últimos dez anos, o crescimento acumulado da piscicultura nacional foi de 58,6%, refletindo o amadurecimento e a expansão do setor.

    Tilápia puxa alta na piscicultura

    A tilápia segue como o principal motor do crescimento, liderando a produção tanto no Paraná quanto no país. O Estado produziu 273,1 mil toneladas, seguido por São Paulo (88,5 mil t), Minas Gerais (73,5 mil t), Santa Catarina (52,7 mil t) e Mato Grosso do Sul (38,7 mil t). No total nacional, foram 707,4 mil toneladas, o maior volume dos últimos dez anos.

    Entre os municípios paranaenses com maior produção estão Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon. Já na quantidade de tanques, Itambaracá se destaca com 1.564 unidades, à frente de Alvorada do Sul, Nova Prata do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Boa Esperança do Iguaçu.

    Investimentos e novos modelos de produção

    De acordo com o anuário, o Paraná vem atraindo investimentos crescentes em inovação e integração produtiva, impulsionados pela atuação de grandes cooperativas. O modelo de integração, que conecta produtores a frigoríficos e exportadores, tem se consolidado no Estado, enquanto o sistema independente, baseado em pequenos frigoríficos, perde espaço.

    Foto: Anuário Peixe BR

    O relatório também destaca a necessidade de manter o ritmo de expansão: “Além dos fatores favoráveis ao crescimento constante, é essencial fortalecer os investimentos em inovação, certificação e abertura de novos mercados internacionais”, aponta a publicação.

    Exportações crescem em valor e consolidam o Paraná

    As exportações brasileiras de piscicultura cresceram 2% em valor em 2025, totalizando US$ 60 milhões, embora tenham registrado queda de 1% em volume, passando de 13.792 para 13.684 toneladas. A tilápia respondeu por 94% das exportações, seguida por tambaqui e curimatás.

    O Paraná manteve a liderança nacional também nas exportações, com US$ 28 milhões, o equivalente a 50% do total brasileiro. Na sequência aparecem São Paulo (US$ 16 milhões, 29%) e Mato Grosso do Sul (US$ 10,7 milhões, 19%).

    Mesmo com o aumento de tarifas, os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos pescados brasileiros, absorvendo 87% das vendas externas (US$ 52 milhões). Outros mercados relevantes foram Canadá (4%), Peru (4%), China (2%) e Vietnã (1%). Em 2025, 21 novos destinos passaram a importar peixes brasileiros, entre eles o México, segundo maior importador de tilápia das Américas.

  • Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    A piscicultura brasileira atingiu em 2025 um marco histórico: pela primeira vez, o país produziu mais de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em um único ano. O resultado, divulgado nesta terça-feira (24) durante o lançamento da 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da PEIXE BR, coroa uma década de expansão consistente que transformou o setor em um dos pilares do agronegócio nacional.

    Em dez anos, a piscicultura brasileira cresceu 58,6%, um desempenho que poucos setores do campo conseguiram sustentar com tanta regularidade. A tilápia, principal espécie cultivada no país, foi a grande protagonista desse avanço. A produção do peixe saltou impressionantes 148,2% no mesmo período, consolidando o Brasil entre os maiores produtores mundiais da espécie e o maior das Américas.

    Referência do setor, anuário chega à 10ª edição

    Principal publicação estatística da cadeia produtiva de peixes de cultivo no Brasil, o Anuário 2026 reúne dados inéditos e atualizados sobre produção nacional e por estado, consumo, mercado, tendências e perspectivas estratégicas. A edição comemorativa também analisa os principais acontecimentos de 2025 e o cenário competitivo para os próximos anos.

    “O resultado apresentado nesta 10ª edição demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira. Mesmo diante de um ano desafiador, superamos a marca de 1 milhão de toneladas e consolidamos uma década de crescimento consistente. A piscicultura deixou de ser uma promessa para se tornar protagonista nas Américas, com ganhos expressivos em produtividade, tecnologia e competitividade”, afirmou Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR.

    Governo e setor produtivo unidos em Brasília

    O lançamento do anuário reuniu em Brasília representantes do setor público e privado. Participaram do evento Mauro Nakata, presidente do conselho de administração da PEIXE BR; Juliano Kubitza, vice-presidente da entidade. Felipe Bodens, diretor do Departamento de Águas da União e substituto do ministro de Estado da Pesca e Aquicultura. O deputado federal Luiz Nishimori, presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados; e Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura.

    A presença de parlamentares e representantes do governo federal sinaliza o crescente reconhecimento institucional da aquicultura como estratégia de segurança alimentar e desenvolvimento econômico para o Brasil. O país reúne condições únicas para liderar o setor globalmente. Incluindo a maior rede de água doce do planeta e clima favorável ao cultivo durante o ano inteiro.

    Por que a piscicultura brasileira cresce tanto?

    Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar o avanço acelerado do setor. A adoção de tecnologias modernas de cultivo, como sistemas de bioflocos e tanques-rede de alta densidade, aumentou significativamente a produtividade por área. Ao mesmo tempo, o melhoramento genético de espécies como a tilápia e o tambaqui elevou a eficiência da conversão alimentar e reduziu o tempo de engorda.

    Do lado do consumo, a demanda interna por proteína de origem aquática também cresceu. O peixe cultivado ganhou espaço nas gôndolas de supermercados e na preferência de consumidores que buscam alimentos mais saudáveis e acessíveis. Tendência que deve se intensificar nos próximos anos com o avanço da classe média e a maior conscientização sobre nutrição.

    Com 1 milhão de toneladas produzidas e uma trajetória de crescimento sólida, a piscicultura brasileira encerra 2025 não apenas como recordista. Mas como setor maduro, competitivo e preparado para ocupar um papel ainda maior no abastecimento de proteína animal no Brasil e no mundo.

  • Polícia resgata peixes e destrói armadilhas ilegais durante período de defeso

    Polícia resgata peixes e destrói armadilhas ilegais durante período de defeso

    Uma operação da Polícia Militar do Piauí resultou no resgate de mais de 10 quilos de peixes e na destruição de armadilhas ilegais no município de União, região norte do estado. A ação, realizada na quarta-feira (21), faz parte da Operação Piracema, que fiscaliza crimes ambientais durante o período de defeso da pesca.

    O Comando de Policiamento Ambiental (CPA) concentrou esforços em áreas urbanas e rurais do município, onde foram localizadas diversas “tapagens”, que são armadilhas utilizadas para captura irregular de peixes. Os dispositivos foram imediatamente destruídos pelos agentes.

    Peixes de várias espécies retornam ao habitat natural

    As equipes devolveram às margens do rio todos os peixes encontrados presos nas armadilhas, que somavam mais de 10 quilos de diferentes espécies.  A medida contribui diretamente para a preservação do ecossistema aquático local, especialmente durante a Piracema, período crítico para a reprodução das espécies.

    Durante o defeso, a pesca fica proibida para garantir que os peixes possam se reproduzir sem interferências, mantendo o equilíbrio ambiental e a sustentabilidade dos recursos hídricos da região.

    Fiscalização preventiva e educativa

    Segundo a Polícia Militar, a operação combina ações preventivas, educativas e repressivas. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância da preservação ambiental e coibir práticas ilegais que ameaçam a fauna aquática do Piauí.

    Foto: Ascom PMPI

    Não houve prisões durante a operação, mas a PMPI reforça que a fiscalização continuará intensificada até o fim do período de defeso.

    Como denunciar crimes ambientais

    A corporação ressalta que a proteção ao meio ambiente é responsabilidade de toda a sociedade. A população pode encaminhar denúncias de crimes ambientais aos órgãos competentes, contribuindo para a preservação dos recursos naturais do estado.

  • Aquecimento global aumenta toxicidade de microplásticos em peixes

    Aquecimento global aumenta toxicidade de microplásticos em peixes

    Pesquisadores brasileiros comprovam que o aquecimento global transforma microplásticos em ameaças ainda mais severas para a vida aquática. A Embrapa e o Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNNano/CNPEM) conduzem estudos que demonstram como a elevação da temperatura da água intensifica a toxicidade dessas partículas microscópicas.

    A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), também identifica que metais pesados como o cobre agravam os danos em peixes de valor ambiental e econômico.

    Microplásticos e metais pesados: combinação letal nos ecossistemas aquáticos

    Os ecossistemas aquáticos já sofrem pressões crescentes da poluição e degradação ambiental. Fragmentos de plástico , os microplásticos, chegam a rios, lagos e oceanos pelo descarte inadequado de resíduos e desgaste de materiais sintéticos.

    “No meio aquático, essas partículas não estão sozinhas e podem se combinar a poluentes químicos, sofrer alterações pela radiação solar, além de interagir com variações de temperatura. Esses fatores combinados podem gerar efeitos mais severos para a fauna aquática, desde alterações fisiológicas mais sutis até efeitos mais severos para os organismos”, explica Vera Castro, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP).

    Experimentos simulam cenários reais de aquecimento global

    A equipe da Embrapa realiza experimentos com zebrafish (Danio rerio) e tilápias (Oreochromis niloticus), simulando condições próximas à realidade ambiental. Os cientistas expõem os peixes a microplásticos envelhecidos pela ação de luz ultravioleta e associados ao cobre, metal comum em rejeitos industriais e agrícolas. Os pesquisadores mantêm a água em temperaturas médias e três graus acima, reproduzindo cenários previstos de aquecimento global.

    “Queremos avaliar não apenas a presença isolada dos microplásticos, mas como eles se comportam e se tornam mais ou menos tóxicos diante de mudanças ambientais concretas, como o aumento da temperatura e a exposição a metais”, explica Castro. A equipe analisa biomarcadores como taxas de sobrevivência, parâmetros hematológicos e respostas bioquímicas, que identificam alterações sutis no metabolismo e na saúde dos peixes antes que mortes ocorram.

    Resultados podem impactar segurança alimentar e piscicultura

    Os resultados ajudarão a compreender como esses poluentes afetam cadeias alimentares aquáticas e a piscicultura, setor estratégico para a segurança alimentar. Segundo Castro, há indícios de que o calor intensifica a ação tóxica dos microplásticos e do cobre, potencializando danos a tecidos, metabolismo e desenvolvimento dos peixes.

    Viviane Bettanin, membro da equipe, durante fase da pesquisa. Foto: Ana Maria Braga/Embrapa

    A pesquisa enfrenta obstáculos práticos para executar experimentos em condições controladas. Alfredo Luiz, também pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, explica que no caso do zebrafish, a equipe testa larvas de pequenas dimensões em microplacas com vários poços pequenos, onde colocam os organismos.

    “No caso da tilápia, são utilizados peixes juvenis, pois algumas análises são feitas no sangue e é preciso que cada indivíduo tenha um tamanho suficiente para permitir a coleta da amostra sanguínea”, afirma Luiz. Como o experimento precisa de dias para identificar possíveis efeitos dos poluentes, a equipe renova regularmente a água dos aquários para evitar acúmulo de excrementos.

    A dificuldade está em manter a concentração de cobre estável, mesmo realizando a troca periódica de parte da água. Além dos cálculos precisos da concentração dos poluentes a cada troca, a amostragem e análise da água monitoram possíveis flutuações.

    Interação entre fatores ambientais intensifica danos

    O estudo reforça que, no mundo real, os cientistas não podem avaliar a toxicidade dos microplásticos apenas de maneira isolada. Fatores ambientais, como o aquecimento global e poluentes adicionais, interagem de forma a intensificar os danos aos ecossistemas aquáticos. Entender essa interação é crucial para antecipar impactos, desenvolver estratégias de mitigação e proteger não apenas a biodiversidade, mas também atividades econômicas dependentes de águas limpas e saudáveis.

    Para Claudio Jonsson, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, a elevação da temperatura pode modificar a biodisponibilidade do poluente e aumentar a probabilidade de organismos aquáticos absorverem essas substâncias. Dessa forma, os organismos enfrentam estresses ambientais climáticos e aqueles proporcionados por agentes químicos, o que leva a alterações bioquímicas como o estresse oxidativo. Nesta situação, o organismo gera radicais livres com efeitos deletérios para o metabolismo celular, que a equipe pode medir pela atividade de enzimas (proteínas) antioxidantes.

    “O conhecimento dessas interações, em nível subcelular, é relevante para a obtenção de dados sobre concentrações seguras do poluente. Portanto, contribuindo para a proteção da fauna aquática”, destaca Jonsson.

    Como o organismo dos peixes responde aos poluentes

    Radicais livres

    • Moléculas instáveis surgem no organismo quando há exposição a estresses, como poluição ou aumento da temperatura. Em excesso, podem danificar células, proteínas e até o DNA.

    Estresse oxidativo

    • O desequilíbrio entre a produção desses radicais livres e a capacidade do organismo de neutralizá-los compromete o metabolismo e pode reduzir a sobrevivência dos peixes.

    Enzimas antioxidantes

    • Funcionam como “defesas internas” contra os radicais livres. Ao medir a atividade dessas enzimas, os cientistas conseguem identificar se os peixes sofrem com o estresse oxidativo antes mesmo de apresentarem sinais visíveis de doença ou morte.

    Entender essas reações em nível celular ajuda a determinar concentrações seguras de poluentes. E com isso, protegendo não apenas os ecossistemas. Mas também atividades econômicas dependentes da piscicultura e da pesca.