Tag: Peixe BR

  • Mercado da tilápia aposta em recuperação de preços na segunda metade de 2026

    Mercado da tilápia aposta em recuperação de preços na segunda metade de 2026

    O mercado brasileiro de tilápia iniciou o ano em alta, impulsionado pelo aumento da demanda durante a Quaresma e a Semana Santa, mas perdeu força ao longo do segundo trimestre.

    A desaceleração sazonal do consumo, somada à chegada do inverno e ao avanço das importações de pescado do Vietnã, ampliou a pressão sobre os preços pagos aos produtores e comprometeu a rentabilidade de parte da cadeia produtiva.

    A partir do fim do primeiro semestre, no entanto, as compras externas começaram a perder ritmo. Dados da Embrapa Pesca e Aquicultura mostram que as importações de tilápia do Vietnã atingiram o pico de 1.956 toneladas em março. E recuaram nos meses seguintes, até chegarem a 1.342 toneladas em junho e 957 toneladas em julho. Ou seja, uma queda de aproximadamente 29% em relação ao mês anterior.

    Sazonalidade e importações pressionaram os preços

    O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, atribui o comportamento dos preços no primeiro semestre à sazonalidade tradicional do mercado, que combina valorização no início do ano com acomodação nos meses seguintes.

    “O primeiro trimestre foi bastante positivo para os produtores. No entanto, a chegada do inverno reduziu a demanda e coincidiu com um aumento expressivo das importações no início do ano, contribuindo para pressionar os preços pagos ao produtor.”

    São Paulo, principal mercado consumidor do país, sentiu o efeito com mais intensidade. Segundo Medeiros, o volume de tilápia importada correspondeu a cerca de 30% da produção paulista estimada nos cinco primeiros meses do ano, o que ampliou a concorrência com o produto nacional.

    “As importações afetam diretamente a formação dos preços e pressionam a saúde financeira das empresas da cadeia produtiva. É uma concorrência que ocorre justamente em um momento de menor consumo. Tornando o cenário ainda mais desafiador para os produtores brasileiros”, analisa o executivo.

    Desaceleração das importações melhora perspectivas para o segundo semestre

    A redução das compras externas nos últimos meses abre espaço para uma perspectiva mais positiva na segunda metade do ano. São Paulo e Santa Catarina concentram cerca de 83% das importações acumuladas em 2026, com 4.068 toneladas e 3.433 toneladas, respectivamente. Em julho, porém, Santa Catarina assumiu a liderança nas compras mensais, com 419 toneladas, enquanto São Paulo importou 364 toneladas.

    A PEIXE BR projeta recuperação gradual dos preços pagos ao produtor no segundo semestre, sustentada pela retomada sazonal do consumo e pelas medidas adotadas por estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, que passaram a impor restrições ou exigências à comercialização da tilápia importada do Vietnã.

    “A tendência é de manutenção e até de recuperação dos preços ao produtor no segundo semestre. As iniciativas adotadas pelos estados ajudam a reduzir a pressão das importações sobre o mercado interno. E podem contribuir para restabelecer um ambiente mais equilibrado para a produção nacional”, conclui Medeiros.

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  • De São Pedro à granja aquícola: panorama da piscicultura no Dia do Pescador

    De São Pedro à granja aquícola: panorama da piscicultura no Dia do Pescador

    Todo ano, o mês de junho reserva dois marcos que, à primeira vista, parecem distantes: os festejos juninos e o Dia do Pescador, celebrado em 29 de junho. A data homenageia São Pedro, o apóstolo pescador, e lembra que a pesca figura entre as atividades mais antigas da humanidade e permanece estratégica para a segurança alimentar do país.

    Em 2026, o setor chega à data com números que animam e com questões que preocupam.

    Consumo crescente, mercado externo em dúvida

    A Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) divulgou recentemente um panorama deste primeiro semestre. O Anuário da entidade registra expansão do consumo interno de proteína de peixe – movimento que a Quaresma, entre março e abril, tradicionalmente impulsiona. No cenário externo, porém, persistem incertezas ligadas ao ambiente internacional e às disputas tarifárias, especialmente com os Estados Unidos.

    Dois outros pontos concentram a atenção do setor. O primeiro envolve o tambaqui: a Portaria GM/MMA nº 1.667, publicada em abril, incluiu a espécie na categoria de risco, o que levanta dúvidas sobre os impactos produtivos e para a cadeia de comercialização. O segundo diz respeito à tilápia, alvo de discussões na Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) sobre sua eventual inclusão na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras – debate que ainda corre em Brasília sem desfecho definido.

    A tilápia e sua trajetória de expansão

    Nenhuma espécie domina a piscicultura brasileira como a tilápia. Segundo o Anuário da Peixe BR, ela responde por 70% de toda a produção nacional. Uma liderança construída ao longo de anos e sustentada por uma combinação singular: sabor, valor nutritivo, versatilidade na cozinha e facilidade de preparo.

    Os números confirmam a preferência do consumidor brasileiro. Em 2015, o país consumiu 285 mil toneladas de tilápia. Em 2024, esse volume chegou a 662.230 toneladas – um crescimento de 132% em menos de uma década.

    É justamente essa trajetória que torna o debate regulatório tão sensível. Qualquer restrição à criação ou à comercialização da espécie afetaria diretamente a maior fatia da produção aquícola do país.

    Mais do que estatística

    Os números e os desafios não apagam o que está nas celebrações do 29 de junho: a relação (sagrada) entre o trabalho, a água e o alimento que ela produz. No Dia do Pescador, vale lembrar que por trás de cada tonelada produzida existem comunidades e uma cultura econômica e alimentar que o Brasil construiu às margens dos seus rios, lagos e reservatórios.

    Feliz Dia do Pescador!

  • Piscicultura brasileira avança no primeiro semestre

    Piscicultura brasileira avança no primeiro semestre

    A piscicultura brasileira fechou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo no mercado interno. Impulsionado pela Quaresma, o consumo de peixes de cultivo cresceu e reforçou a trajetória de expansão observada no Brasil ao longo da última década. Mas o setor entra no segundo semestre sob atenção, diante de uma série de questões regulatórias e comerciais que podem definir os rumos da atividade nos próximos anos.

    Segundo a PEIXE BR, a tilápia, que responde por cerca de 70% da produção aquícola nacional, manteve a liderança entre os pescados mais consumidos pelos brasileiros. No segmento de peixes nativos, o tambaqui figurou como a principal preferência dos consumidores.

    “Esse desempenho demonstra a consolidação da piscicultura como uma importante fornecedora de proteína animal à população”, avaliou Francisco Medeiros, presidente executivo da PEIXE BR.

    Exportações em compasso de espera

    No mercado internacional, o cenário é de cautela. Medeiros explicou que a redução temporária da tarifa para 10% não gerou o retorno esperado, pois beneficiou todos os países exportadores de forma indistinta. Com a nova tarifa de 25%, o mercado esfriou. Um movimento que ele considera “normal, dentro da dinâmica comercial”.

    “Acreditamos em uma possível retomada nos volumes de exportação no segundo semestre, porém, tudo depende das decisões de política externa entre Brasil e Estados Unidos”, destacou o dirigente.

    No campo regulatório, a inclusão do tambaqui na lista federal de espécies em risco de extinção acendeu um sinal de alerta. Embora a medida tenha caráter conservacionista, a PEIXE BR avalia que a classificação pode gerar restrições à importação do pescado cultivado em alguns mercados internacionais. Justamente quando o governo brasileiro e o setor produtivo investem na internacionalização da espécie.

    Tilápia como espécie invasora: debate mobiliza setor

    A tilápia também enfrentou turbulências regulatórias. A proposta discutida na CONABIO, no IBAMA e no Ministério do Meio Ambiente para enquadrá-la como espécie exótica invasora mobilizou produtores, entidades do setor e parlamentares.

    Para a PEIXE BR, caso a classificação avance, o setor pode enfrentar restrições ao crescimento da atividade e dificuldades na produção, comercialização e exportação da tilápia. Isso em razão dos compromissos internacionais do Brasil para o controle de espécies invasoras.

    Importação de tilápia vietnamita pressiona produtor nacional

    Outro ponto de tensão é a abertura do mercado brasileiro para a tilápia importada do Vietnã. A entidade avalia que a medida integrou negociações comerciais mais amplas, relacionadas à exportação de carnes brasileiras, sem considerar as assimetrias de competitividade entre os dois países.

    “A importação, nos moldes atuais, está impactando muito a comercialização de filé de tilápia no Brasil. Os custos de produção entre Vietnã e Brasil são semelhantes, mas a política de estímulos e subsídios do governo vietnamita permite que o produto chegue ao mercado brasileiro por um preço inferior ao custo da matéria-prima produzida aqui. Além disso, permanecem preocupações relacionadas aos riscos sanitários”, ressaltou Medeiros.

    Perspectiva positiva para o segundo semestre

    Apesar do cenário de incertezas, a entidade mantém expectativas positivas para os próximos meses. Historicamente, o consumo de pescado cresce no fim do terceiro trimestre, acompanhando a elevação das temperaturas nas regiões Sul e Sudeste do país.

    “O consumo continua aquecido e confirma o comportamento observado na última década para os peixes de cultivo. É um mercado que segue em expansão, mas os riscos sanitários e regulatórios também aumentaram. Para o segundo semestre, esperamos uma recuperação natural do consumo com a elevação das temperaturas e, se houver estabilidade nas questões regulatórias e comerciais, também uma retomada das exportações”, concluiu o presidente executivo.

  • Brasil produz mais de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo pela primeira vez

    Brasil produz mais de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo pela primeira vez

    A piscicultura brasileira alcançou um marco histórico ao superar, pela primeira vez, a produção de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo. O volume representa um crescimento de 60% em relação a dez anos atrás e consolida a atividade como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio nacional.

    Além do avanço produtivo, o setor movimenta atualmente cerca de R$ 12,5 bilhões e gera aproximadamente 500 mil empregos diretos em todo o país. O crescimento foi impulsionado principalmente pela tilápia, espécie que respondeu por 707 mil toneladas produzidas no último ano, registrando expansão de 84%.

    A evolução da atividade pode ser observada na trajetória do produtor Martinho Colpani Filho, de Mococa (SP). No fim dos anos 1980, sua família decidiu trocar culturas tradicionais pela criação de peixes, em uma época em que a atividade ainda era vista com desconfiança.

    “Na cidade, a gente era motivo de piada por criar peixe. Diziam que nunca ia dar dinheiro porque tinha peixe de graça no rio”, recorda.

    Com o passar dos anos, a piscicultura ganhou escala e profissionalização. Atualmente, além da tilápia, produtores investem em espécies como o panga, peixe originário do Vietnã que vem ampliando espaço no mercado brasileiro.

    Tilápia lidera crescimento do setor

    Segundo Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, a transformação da cadeia produtiva ocorreu em pouco mais de uma década.

    “Há 12 anos, a tilápia não passava de 12% da produção de peixes. Hoje, 70% é tilápia, com tendência de chegar a 82% em 2030”, afirma.

    tilápia
    A tilápia é a grande responsável pelo forte crescimento da piscicultura nacional — Foto: Aires Mariga/Epagri

    O avanço foi impulsionado principalmente pelas cooperativas do Paraná, que adaptaram para a piscicultura o modelo de integração já consolidado na avicultura. Empresas como Copacol e C.Vale investiram em genética, produção de alevinos, fabricação de ração, assistência técnica e processamento industrial.

    A Copacol, por exemplo, trabalha com cerca de 300 produtores integrados e possui duas unidades frigoríficas capazes de processar 210 mil peixes por dia. Já a C.Vale opera o maior frigorífico de tilápia do país, em Palotina (PR), com capacidade de abate de 240 mil quilos diariamente.

    Exportações e desafios internacionais

    Além da demanda interna crescente, as exportações têm contribuído para o avanço da piscicultura brasileira. Em 2024, a receita das vendas externas de pescado aumentou 138%, enquanto o volume exportado cresceu 102%.

    No entanto, o setor enfrentou dificuldades após a imposição de uma tarifa adicional de 50% pelos Estados Unidos sobre a tilápia brasileira. Como consequência, empresas exportadoras perderam participação no mercado americano e passaram a disputar espaço com novos fornecedores.

    Tecnologia abre caminho para nova expansão

    Para sustentar o avanço da produção, o setor aposta em pesquisa, inovação e melhoramento genético. Em Santa Catarina, a Epagri desenvolve estudos para aumentar o desempenho produtivo da tilápia, especialmente em regiões sujeitas a baixas temperaturas durante o inverno.

    Ao longo de 12 anos de pesquisas, a instituição desenvolveu cinco gerações da espécie. Como resultado, o peso médio dos peixes passou de 700 gramas para 973 gramas, um ganho de 39%. Além disso, os avanços contribuíram para reduzir riscos sanitários e melhorar a rentabilidade dos produtores sem a necessidade de grandes ampliações na estrutura das propriedades.

    Dessa forma, especialistas avaliam que a piscicultura brasileira ainda possui amplo espaço para crescer, impulsionada pela tecnologia, pela profissionalização da cadeia e pelo aumento do consumo de pescado no mercado nacional e internacional.

  • Tarifa sobre tilápia em SP atinge todos os pescados importados

    Tarifa sobre tilápia em SP atinge todos os pescados importados

    O decreto assinado pelo governador Tarcísio, que estabeleceu tributação sobre a importação de tilápia em SP, acabou produzindo efeitos sobre todo o mercado de pescados importados. Com a nova regra, espécies que anteriormente eram isentas passaram a recolher ICMS de 7%, incluindo salmão, bacalhau, polaca, merluza, cação, sardinha e pangasius, além da própria tilápia.

    A medida atende a uma reivindicação antiga de entidades ligadas à piscicultura nacional, como a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca). Desde o ano passado, a entrada de filé de tilápia do Vietnã no mercado brasileiro vem pressionando a cadeia produtiva por chegar ao país com preços inferiores aos custos de produção da indústria nacional.

    Segundo Emerson Esteves, diretor-tesoureiro da Peixe SP, a legislação paulista difere da adotada em outros estados produtores.

    “A lei no Paraná e em outros estados como Santa Catarina e Minas Gerais permite a isenção de apenas um produto. Nesses estados, o governo aumentou o ICMS para até 22% no caso da importação do filé de tilápia.”

    Setor importador pede revisão

    Logo após a publicação do decreto, a Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), entidade que representa indústrias importadoras, tradings e distribuidoras, iniciou conversas com o governo paulista para solicitar o retorno da isenção dos demais pescados importados.

    A entidade argumenta que a decisão afeta uma cadeia composta por 110 indústrias, responsáveis pela geração de aproximadamente 60 mil empregos diretos e indiretos.

    O presidente da Abrapes, Julio César Antonio, afirmou que a entidade apoia a tributação da tilápia, mas considera inadequado estender a cobrança a outras espécies.

    “Somos favoráveis à tributação da tilápia, mas isso não pode atingir todos os pescados importados. O decreto inviabiliza todas as indústrias importadoras do nosso Estado, que importa de 70% a 80% do pescado que processa”, disse,

    Graças à sua eficiência produtiva, a tilápia se tornou uma das espécies mais importantes para o desenvolvimento da piscicultura nacional — Foto: Ricardo Trida/Secom GOVSC

    Além disso, segundo ele, a reivindicação conta com apoio do Sindicato da Indústria da Pesca no Estado de São Paulo (Sipesp) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

    Governo avalia alternativa para outros pescados

    De acordo com Julio César Antonio, o governador compreendeu as preocupações apresentadas pelo setor.

    Assim, uma proposta já foi encaminhada ao governo para restabelecer a isenção dos pescados importados que não possuem produção nas águas brasileiras, mantendo a cobrança de ICMS sobre a tilápia. Segundo o dirigente, foi criada uma força-tarefa envolvendo as secretarias da Fazenda e da Agricultura, e a expectativa é que uma definição ocorra entre 15 e 30 dias.

    Secretaria dialoga com a cadeia produtiva

    Em nota, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo informou que acompanha o tema e mantém diálogo permanente com os diferentes segmentos da cadeia do pescado, especialmente os produtores paulistas.

    “As medidas adotadas têm como objetivo garantir condições equilibradas de competitividade para quem produz, gera emprego e riqueza no Estado e no país. Eventuais impactos sobre importadores serão tratados pela Secretaria da Fazenda e Planejamento, por meio de instrumentos previstos na legislação tributária, caso demandem ajustes.”

    Projeto propõe veto à importação

    Enquanto o debate avança em São Paulo, uma proposta ainda mais rígida tramita no Congresso Nacional.

    Na Câmara dos Deputados, um projeto de lei prevê a proibição da importação de tilápia e seus derivados em todo o território nacional. A proposta abrange desde peixes vivos e alevinos até produtos resfriados, congelados, filetados ou processados, destinados tanto ao consumo humano quanto animal.

    O texto já recebeu aprovação na Comissão de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e prevê aplicação de multas, além da destruição das cargas irregulares.

    Para se tornar lei, a proposta ainda precisa passar por outras comissões e pelo plenário da Câmara antes de seguir para análise do Senado Federal.

  • Tilápia é espécie invasora? Veja o que os especialistas dizem

    Tilápia é espécie invasora? Veja o que os especialistas dizem

    A possível inclusão da tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras voltou a gerar debate entre ambientalistas, pesquisadores e representantes da piscicultura brasileira. A discussão começou nesta quarta-feira (27), em Brasília, durante reunião da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), ligada ao Ministério do Meio Ambiente. O tema seguirá em análise até esta quinta-feira (28).

    Enquanto especialistas defendem critérios técnicos mais regionalizados, representantes do setor produtivo temem prejuízos econômicos caso a espécie receba oficialmente a classificação de invasora. Apesar disso, o governo federal afirma que não há intenção de proibir o cultivo da espécie no país.

    Atualmente, a tilápia responde por cerca de 65% da produção aquícola brasileira. Além disso, o Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais da espécie. Em 2025, o país produziu 707.495 toneladas, número 6,83% superior ao registrado em 2024. Em comparação com 2015, quando a produção era de 285 mil toneladas, o crescimento mais que dobrou em uma década.

    Tilápia pode ser considerada invasora?

    Segundo a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Flávia Tavares, a tilápia é, de fato, uma espécie exótica, já que não pertence naturalmente à fauna brasileira. No entanto, ela ressalta que isso não significa automaticamente que o peixe deva ser tratado como invasor em todo o território nacional.

    “Do ponto de vista técnico e ambiental, isso não significa, automaticamente, que ela deva ser tratada como espécie exótica invasora em todo o território nacional”, explicou.

    A pesquisadora afirma que uma espécie invasora precisa não apenas sobreviver fora de sua área de origem, mas também se reproduzir, se espalhar e causar impactos relevantes sobre espécies nativas e ecossistemas.

    “A simples presença da tilápia em rios, lagos ou reservatórios não basta para caracterizá-la como invasora. É necessário demonstrar, com evidências, que ela provoca efeitos ambientais negativos relevantes”, destacou.

    De acordo com Tavares, os impactos variam conforme a região e o tipo de ambiente. Por isso, ela defende avaliações específicas para cada bacia hidrográfica, levando em conta fatores ambientais e históricos de introdução da espécie.

    Além disso, a especialista afirma que ambientes artificiais, como reservatórios de hidrelétricas, não podem receber o mesmo tratamento dado a rios naturais ou áreas prioritárias de conservação.

    “A abordagem mais adequada é reconhecer a tilápia como uma espécie exótica que exige controle, biossegurança e monitoramento, mas não enquadrá-la automaticamente como invasora em escala nacional”, completou.

    Setor produtivo teme prejuízos

    O diretor-presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, também rejeita a classificação ampla da tilápia como espécie invasora. Segundo ele, diversas cadeias do agronegócio brasileiro trabalham com espécies exóticas.

    “Ela é uma espécie exótica estabelecida, assim como os suínos, as aves e os bovinos”, afirmou.

    Medeiros ainda lembrou que culturas como soja e milho também vieram de outros países. “Hoje, entre os alimentos mais consumidos, apenas mandioca e açaí são efetivamente nativos do Brasil”, disse.

    O representante da piscicultura revelou preocupação após decisões recentes do Ibama envolvendo outras espécies fora de suas bacias hidrográficas, como o pirarucu.

    Segundo ele, a tilápia chegou ao Brasil inicialmente por meio de programas governamentais voltados ao repovoamento de lagos de hidrelétricas no Nordeste. Posteriormente, a criação se expandiu para regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

    “Hoje, a tilápia é o peixe de cultivo mais produzido e consumido no mundo. É produzida em 90 países e consumida em 140”, ressaltou.

    O que apontam os estudos científicos

    Flávia Tavares afirma que estudos já identificaram possíveis impactos ambientais relacionados à presença da tilápia em rios, lagos e reservatórios, especialmente após escapes de criadouros ou introduções irregulares.

    Entre os efeitos analisados por pesquisadores estão a competição com espécies nativas por alimento e espaço, alterações na cadeia alimentar, aumento da turbidez da água e mudanças na estrutura das comunidades aquáticas.

    Mesmo assim, a pesquisadora destaca que ainda faltam estudos mais robustos no Brasil capazes de comprovar relação direta entre a presença da tilápia e a redução de espécies nativas.

    “Muitos trabalhos registram ocorrência e abundância da tilápia, mas são mais raros os estudos que demonstram nexo causal claro entre a presença da espécie e alterações ecológicas”, explicou.

    Governo diz que não haverá proibição

    Caso a tilápia entre oficialmente na lista de espécies invasoras, o setor teme impactos em exportações, financiamentos e pesquisas científicas.

    “Nenhum país exporta uma espécie considerada prejudicial ao meio ambiente. Pela legislação, espécies invasoras precisam ser controladas ou erradicadas”, alertou Medeiros.

    Ele também afirmou que bancos e instituições de pesquisa poderiam enfrentar restrições para financiar ou desenvolver estudos ligados à espécie.

    Por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) reforçou que a eventual inclusão da tilápia na lista não significa proibição do cultivo.

    Em nota, o ministério informou que o Ibama continua autorizando normalmente a criação da espécie no país.

    “Não há qualquer proposta ou planejamento para interromper essa atividade”, destacou a pasta.

    O MMA ainda explicou que a classificação teria caráter técnico e preventivo, voltado principalmente à prevenção de novas invasões biológicas e ao monitoramento ambiental.

  • Brasil pode perder mercado externo com nova classificação da tilápia

    Brasil pode perder mercado externo com nova classificação da tilápia

    A possível inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras voltou a preocupar o setor aquícola brasileiro. A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) deve votar a proposta no dia 27 de maio. Caso a medida avance, o Brasil poderá enfrentar impactos relevantes nas exportações e em toda a cadeia produtiva da aquicultura.

    Uma análise técnica da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) aponta que a reclassificação pode gerar barreiras comerciais e sanitárias em mercados estratégicos. Segundo o estudo, compradores internacionais podem interpretar a decisão como um reconhecimento oficial de risco ambiental pelo próprio governo brasileiro, o que tende a ampliar exigências regulatórias.

    O principal impacto recai sobre as exportações de tilápia para os Estados Unidos, destino de cerca de 85% do volume embarcado pelo Brasil. Atualmente, o mercado norte-americano movimenta aproximadamente US$ 35 milhões por ano com o produto brasileiro.

    A PEIXE BR destaca um precedente considerado crítico. Em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora. Após a decisão, as exportações chinesas da espécie caíram cerca de 97% em apenas um ano e não se recuperaram.

    Queda nas exportações

    Com base nesse histórico, a entidade projeta que o Brasil pode registrar queda de até 90% nas exportações de tilápia em até seis meses após uma eventual reclassificação. As perdas diretas podem superar US$ 38 milhões.

    O estudo também aponta efeitos indiretos sobre toda a aquicultura. A entidade estima perdas anuais próximas de US$ 64 milhões no setor exportador, impulsionadas por um efeito cascata que inclui aumento de auditorias internacionais, exigências sanitárias mais rígidas e desgaste da imagem do país.

    Espécies nativas, como tambaqui e pintado, também podem sofrer restrições comerciais. O relatório indica risco de comprometimento de certificações internacionais relevantes, como BAP, ASC e Global G.A.P., que exigem rigor no controle ambiental e no manejo de espécies.

  • Brasil importa mais tilápia do que exporta pela primeira vez

    Brasil importa mais tilápia do que exporta pela primeira vez

    Pela primeira vez, o Brasil importou mais tilápia do que exportou. Em fevereiro de 2026, chegaram ao país mais de 1,3 mil toneladas de filé vietnamita. O equivalente a 4,1 mil toneladas de peixe vivo, volume que já representa 6,5% da produção mensal brasileira. O avanço acende um alerta em um dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio nacional.

    Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), o setor vinha registrando crescimento constante. “A tilápia brasileira é a proteína que mais cresceu nos últimos 11 anos, com expansão média de 10% ao ano, superando outras cadeias como suínos, aves, bovinos, leite e ovos. Esse é um mérito de toda a cadeia produtiva”, afirma o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros.

    Tilápia importada pressiona preços e margens

    O filé de tilápia do Vietnã entra no mercado brasileiro com preços entre R$ 25 e R$ 29 por quilo. O valor é considerado agressivo pelo setor, pois se aproxima do custo da matéria-prima usada pelas indústrias locais. “Esse é praticamente o preço do peixe ao chegar ao frigorífico nacional. Isso cria uma distorção importante na concorrência”, explica Medeiros.

    Mesmo com ganhos de produtividade e avanços tecnológicos dentro da porteira, o Brasil ainda enfrenta entraves fora dela. Custos tributários elevados, encargos trabalhistas e maior complexidade ambiental reduzem a competitividade nacional, enquanto o produto importado conta com vantagens, como a isenção de ICMS em alguns estados.

    “Temos uma produção altamente eficiente, talvez a mais competitiva do mundo dentro da porteira. Mas, fora dela, a carga tributária e a burocracia acabam comprometendo o desempenho”, destaca o dirigente.

    Setor pede equilíbrio e alerta para riscos sanitários

    O setor não defende limitar as importações, mas busca garantir uma concorrência equilibrada. “Queremos isonomia tributária, sanitária, trabalhista e ambiental. Só assim teremos uma disputa justa”, afirma Medeiros.

    Além da competição de preços, o risco sanitário também preocupa. O Vietnã registra o vírus TiLV, considerado altamente letal para tilápias e ainda inexistente no Brasil. Por isso, a PEIXE BR solicitou ao Ministério da Agricultura (MAPA) o envio de uma missão técnica ao país asiático para realizar a Análise de Risco de Importação (ARI), processo previsto em lei.

    “Existem enfermidades graves no Vietnã que não ocorrem aqui. Precisamos dessa análise com urgência”, reforça o presidente.

    Mercado vive momento de transição

    O aumento das importações ocorre em meio à recuperação dos preços internos impulsionada pela Quaresma. Mesmo assim, a entrada crescente de produto externo pode neutralizar esse movimento e reduzir a rentabilidade dos produtores brasileiros.

    “As exportações ajudam a equilibrar o mercado interno. Quando as importações ganham espaço, esse equilíbrio se perde e o impacto sobre o setor é direto”, acrescenta Medeiros.

    O Brasil ocupa hoje a quarta posição mundial na produção de tilápia e ainda tem espaço para crescer. Segundo o dirigente, a continuidade desse avanço exige melhorias no ambiente regulatório e nas condições de competitividade. “Construímos uma cadeia sólida nos últimos 20 anos. Não somos contra a importação, mas precisamos de igualdade para competir”, conclui.

  • Pescado brasileiro ganha destaque na Seafood Expo North America 2026

    Pescado brasileiro ganha destaque na Seafood Expo North America 2026

    O Brasil marca presença na Seafood Expo North America 2026, a maior feira de pescados da América do Norte, que acontece em Boston (EUA) entre os dias 15 e 17 de março. A PEIXE BR (Associação Brasileira da Piscicultura) lidera a participação brasileira no evento, com o objetivo de fortalecer as exportações de pescado nacional, especialmente para o mercado norte-americano, principal destino de produtos como tilápia e tambaqui.

    De acordo com o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, o evento chega em um momento estratégico para o setor. “A tilápia é o pescado mais exportado pelo Brasil, e os Estados Unidos são o principal comprador, com destaque para o filé de tilápia fresco”, afirma Medeiros.

    O dirigente ressalta que a nova tarifa de importação de 10% reacende as oportunidades no mercado americano. “Voltamos com força em função da qualidade do nosso pescado. É hora de dialogar com os compradores e reforçar parcerias comerciais”, destacou.

    A participação na feira também evidencia o trabalho contínuo de promoção do pescado brasileiro no exterior. Sempre valorizando atributos como rastreabilidade, sustentabilidade e competitividade da piscicultura nacional. Além de Medeiros, o vice-presidente do Conselho de Administração da entidade e diretor da Fider Pescados, Juliano Kubitza, também integra a missão brasileira em Boston.

    Presença brasileira

    Empresas associadas à associação participam com estandes próprios, ampliando o alcance da presença brasileira no evento. Entre as companhias confirmadas estão Ayamo, Brazilian Fish, Copacol, Zaltana e Mar & Terra, que apresentarão suas linhas de produtos a compradores, importadores e distribuidores internacionais.

    A Seafood Expo North America é considerada o principal ponto de encontro global do setor de pescados, reunindo fornecedores de cerca de 50 países. O evento funciona como um grande centro de negócios, conectando empresas e compradores do mercado norte-americano a produtos, serviços e soluções da cadeia global da aquicultura e pesca.

  • Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    A piscicultura brasileira atingiu em 2025 um marco histórico: pela primeira vez, o país produziu mais de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em um único ano. O resultado, divulgado nesta terça-feira (24) durante o lançamento da 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da PEIXE BR, coroa uma década de expansão consistente que transformou o setor em um dos pilares do agronegócio nacional.

    Em dez anos, a piscicultura brasileira cresceu 58,6%, um desempenho que poucos setores do campo conseguiram sustentar com tanta regularidade. A tilápia, principal espécie cultivada no país, foi a grande protagonista desse avanço. A produção do peixe saltou impressionantes 148,2% no mesmo período, consolidando o Brasil entre os maiores produtores mundiais da espécie e o maior das Américas.

    Referência do setor, anuário chega à 10ª edição

    Principal publicação estatística da cadeia produtiva de peixes de cultivo no Brasil, o Anuário 2026 reúne dados inéditos e atualizados sobre produção nacional e por estado, consumo, mercado, tendências e perspectivas estratégicas. A edição comemorativa também analisa os principais acontecimentos de 2025 e o cenário competitivo para os próximos anos.

    “O resultado apresentado nesta 10ª edição demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira. Mesmo diante de um ano desafiador, superamos a marca de 1 milhão de toneladas e consolidamos uma década de crescimento consistente. A piscicultura deixou de ser uma promessa para se tornar protagonista nas Américas, com ganhos expressivos em produtividade, tecnologia e competitividade”, afirmou Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR.

    Governo e setor produtivo unidos em Brasília

    O lançamento do anuário reuniu em Brasília representantes do setor público e privado. Participaram do evento Mauro Nakata, presidente do conselho de administração da PEIXE BR; Juliano Kubitza, vice-presidente da entidade. Felipe Bodens, diretor do Departamento de Águas da União e substituto do ministro de Estado da Pesca e Aquicultura. O deputado federal Luiz Nishimori, presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados; e Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura.

    A presença de parlamentares e representantes do governo federal sinaliza o crescente reconhecimento institucional da aquicultura como estratégia de segurança alimentar e desenvolvimento econômico para o Brasil. O país reúne condições únicas para liderar o setor globalmente. Incluindo a maior rede de água doce do planeta e clima favorável ao cultivo durante o ano inteiro.

    Por que a piscicultura brasileira cresce tanto?

    Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar o avanço acelerado do setor. A adoção de tecnologias modernas de cultivo, como sistemas de bioflocos e tanques-rede de alta densidade, aumentou significativamente a produtividade por área. Ao mesmo tempo, o melhoramento genético de espécies como a tilápia e o tambaqui elevou a eficiência da conversão alimentar e reduziu o tempo de engorda.

    Do lado do consumo, a demanda interna por proteína de origem aquática também cresceu. O peixe cultivado ganhou espaço nas gôndolas de supermercados e na preferência de consumidores que buscam alimentos mais saudáveis e acessíveis. Tendência que deve se intensificar nos próximos anos com o avanço da classe média e a maior conscientização sobre nutrição.

    Com 1 milhão de toneladas produzidas e uma trajetória de crescimento sólida, a piscicultura brasileira encerra 2025 não apenas como recordista. Mas como setor maduro, competitivo e preparado para ocupar um papel ainda maior no abastecimento de proteína animal no Brasil e no mundo.