Fritar um pirarucu inteiro pode parecer um desafio monumental, já que este peixe amazônico pode facilmente ultrapassar 80 kg e medir mais de dois metros de comprimento. Na culinária doméstica ou profissional tradicional, o animal é quase sempre preparado em postas ou filés devido à sua espessura.
No entanto, quando alguém se arrisca, o resultado é um evento viral. Esse é o caso do pescador Roniel Souza, que viralizou ao fritar um gigante pirarucu em óleo quente.
Para dar conta da missão, são necessários de 60 a 100 litros de óleo ou banha quente. O preparo costuma utilizar tambores de metal cortados (tonéis) ou grandes tachos aquecidos por fogareiros de alta pressão.
E é claro, os cortes também são parte fundamental do processo.
O peixe precisa receber cortes profundos em diagonal ao longo de todo o corpo. Sem isso, o óleo quente apenas torra a pele externa, deixando a carne grossa interna completamente crua e fria.
Gigante da Amazônia
O pirarucu (Arapaima gigas) é uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia e figura entre os maiores peixes de água doce do planeta. Adaptado aos rios, lagos e áreas alagadas da região, ele possui uma característica incomum: além das brânquias, consegue respirar oxigênio diretamente do ar, precisando subir regularmente à superfície.
Além da importância ecológica, o pirarucu também tem grande relevância econômica. Sua carne é considerada nobre, possui poucas espinhas e apresenta alta aceitação no mercado brasileiro e internacional.
O pirarucu, uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia, é conhecido há décadas pelas histórias dos pescadores. Presente principalmente nos estados do Pará e do Acre, o peixe também vem chamando atenção pelo elevado valor nutricional.
Segundo a nutricionista Paloma Cupini, o alimento reúne uma combinação de nutrientes capaz de favorecer a saúde cardiovascular, fortalecer os ossos e contribuir para o funcionamento adequado do sistema nervoso.
“O pirarucu é um peixe com excelente valor nutricional, alto teor de proteína e sabor mais suave, o que facilita muito a adesão alimentar no dia a dia. A espécie impressiona pelos benefícios que atingem desde a construção e manutenção muscular até a saúde mental”, destaca.
Benefícios para o coração
Quando o assunto é saúde cardiovascular, o pirarucu se destaca pela presença de ácidos graxos ômega 3. Esses nutrientes ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue, diminuem processos inflamatórios e colaboram para o equilíbrio do colesterol.
“Os ácidos graxos ômega 3 presentes no pirarucu ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue, diminuem a inflamação sistêmica e contribuem para o equilíbrio do colesterol, com efeitos protetores ao coração. Somado ao baixo teor de gordura saturada, o peixe é um aliado direto da saúde cardíaca”, explica a especialista.
Conhecido como o “gigante da Amazônia”, a carne do pirarucu é considerada uma iguaria da região — Foto: Embrapa
Além disso, o alimento contém potássio, mineral importante para o equilíbrio eletrolítico do organismo e para o controle da pressão arterial.
“Essa característica funciona como um contraponto ao excesso de sódio na dieta moderna”, ressalta a nutricionista.
Pelas estimativas da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), cerca de 30% da população adulta brasileira tem hipertensão — Foto: GOV
Aliado no controle glicêmico
Por apresentar elevado teor de proteínas e praticamente não conter carboidratos, o pirarucu também pode favorecer a saciedade e auxiliar estratégias de controle metabólico.
Segundo Paloma, o peixe possui entre 1 g e 3 g de gorduras totais, predominantemente insaturadas, sendo considerado uma proteína magra.
“O pirarucu é um peixe magro. Em termos de gorduras totais, ele tem em torno de 1 g a 3 g, predominantemente insaturada. Para pacientes com resistência à insulina, diabetes tipo 2 ou que seguem protocolos de controle glicêmico, o pirarucu é uma proteína que indico com frequência. Ele sacia e não eleva a glicose”, afirma.
Fonte de proteína de alta qualidade
Outro diferencial está na concentração de proteínas. A cada 100 gramas do alimento, é possível encontrar entre 25 g e 28 g de proteína, um dos maiores teores entre os peixes de água doce.
Tal característica amplia o potencial do alimento para a manutenção da massa muscular e para a recuperação dos tecidos do organismo.
“Do ponto de vista funcional, o pirarucu se destaca por oferecer uma proteína de alto valor biológico, com todos os aminoácidos essenciais. Isso significa que o organismo consegue aproveitar esse nutriente de forma muito eficiente, seja para construção muscular, seja para regeneração celular e manutenção de tecidos”, explica Cupini.
O pirarucu é uma proteína que sacia e não eleva a glicose — Foto: GOV
Saúde mental e funcionamento do sistema nervoso
Além dos benefícios físicos, o consumo do pirarucu pode contribuir para a saúde mental. Isso ocorre devido à presença de vitaminas do complexo B, especialmente as vitaminas B6 e B12, essenciais para a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina.
“Muitas pessoas têm deficiência desse nutriente sem ao menos saber. O pirarucu é uma fonte animal relevante dessa vitamina. Seu consumo regular contribui para o bom funcionamento do sistema nervoso, o equilíbrio do humor e a prevenção de fadiga mental”, destaca Paloma sobre a vitamina B12.
Benefícios para os ossos
O peixe amazônico também pode ser um aliado da saúde óssea. Conforme a nutricionista, a combinação de fósforo e magnésio presente no alimento auxilia diretamente na manutenção da densidade mineral dos ossos.
“O pirarucu é um alimento interessante para a prevenção de osteopenia e osteoporose, especialmente em mulheres pós-menopausa e idosos”, garante.
Além disso, a especialista ressalta que o consumo regular do peixe pode contribuir para a imunidade e para os processos de cicatrização, ampliando ainda mais os benefícios associados à espécie amazônica.
A China ultrapassou o Brasil e assumiu a liderança mundial na produção de tambaqui, transformando o peixe amazônico em mais uma commodity da aquicultura global. O país asiático aplicou ao Colossoma macropomum o mesmo modelo industrial que já o consolidou como maior produtor mundial de proteína aquática: planejamento de longo prazo, forte apoio estatal, integração logística e produção em larga escala.
A mudança ocorreu de forma silenciosa nos últimos anos, reposicionando a espécie dentro das cadeias globais de proteína animal. O Brasil produziu 113 mil toneladas de tambaqui em 2024, representando um crescimento de 3,92% em relação ao ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A ascensão chinesa contrasta com a trajetória brasileira. Enquanto o país sul-americano concentra a produção no consumo interno e em feiras regionais, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a China estruturou cadeias completas que incluem processamento industrial de filés, produtos congelados e logística voltada à exportação contínua.
Características biológicas atraem mercado internacional
O sucesso do tambaqui fora do Brasil está diretamente ligado às suas características biológicas. O peixe apresenta crescimento rápido, rusticidade e excelente conversão alimentar, fatores essenciais para sistemas de aquicultura intensiva. Além disso, a espécie tolera variações ambientais, adapta-se bem a altas densidades de cultivo e possui carne branca de sabor suave, com ampla aceitação do consumidor.
Essas características despertaram o interesse de países com forte tradição em aquicultura industrial. Para a China, que busca espécies eficientes para atender seu gigantesco mercado interno e manter fluxo constante de exportações, o tambaqui encaixou-se de forma quase ideal no modelo produtivo.
Modelo industrial chinês versus produção brasileira
A entrada do tambaqui na matriz aquícola chinesa ocorreu por meio de programas controlados de introdução, adaptação genética e aprimoramento dos sistemas de cultivo. Em pouco tempo, a espécie passou a ser criada em tanques escavados, estruturas semi-intensivas e sistemas altamente tecnificados, com controle rigoroso de alimentação, sanidade e processamento pós-abate.
O diferencial chinês está na escala produtiva, na logística integrada, no processamento com valor agregado e na capacidade de manter fornecimento estável ao mercado global. No Brasil, o tambaqui é ainda majoritariamente associado ao consumo fresco, comercializado em feiras locais e mercados regionais, o que limita volumes e padronização para exportação.
Foto: Frank Nery/Secom Rondônia
Dados de organismos internacionais como a FAO indicam que a expansão da aquicultura chinesa ocorre de forma consistente desde os anos 2000, com forte apoio estatal, investimentos em pesquisa aplicada e políticas voltadas à segurança alimentar.
Brasil mantém protagonismo científico e genético
Mesmo tendo sido superado em volume de produção, o Brasil continua sendo a principal referência mundial em genética, pesquisa e desenvolvimento tecnológico do tambaqui. O país concentra os principais bancos genéticos da espécie e domina tecnologias de reprodução, larvicultura e engorda em clima tropical.
Universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras foram responsáveis por avanços decisivos nessas áreas, muitos deles posteriormente adotados em outros países. Na prática, parte relevante do conhecimento aplicado hoje na Ásia tem origem em pesquisas conduzidas no território brasileiro.
Produção nacional em números
O IBGE apurou que o volume total de peixes de água doce para consumo alcançou, em 2024, a marca de 724,8 mil toneladas. Desse total, a tilápia contribuiu com 499 mil toneladas (68,89%) e os peixes redondos (tambaqui, pacu, pirapitinga e seus híbridos) contribuíram com 177 mil toneladas (24,4%).
A Região Norte se mantém como principal produtora, respondendo por 62,3% do total de peixes redondos, com destaque para Rondônia, que concentra 33,5% da produção nacional. No estado, o tambaqui representa 93,8% do pescado cultivado.
O Mato Grosso aparece em segundo lugar com 16,3% da produção, onde predominam o tambacu e a tambatinga. O Maranhão responde por 12,3% da produção nacional, com divisão equilibrada entre o tambaqui e os híbridos.
Desafios para o Brasil
A mudança no eixo da produção mundial de tambaqui evidencia um movimento maior da aquicultura contemporânea:. Quem domina escala, logística e industrialização lidera o mercado, mesmo quando a espécie tem origem em outro país.
Enquanto a China transforma o tambaqui em uma proteína global, o Brasil enfrenta o desafio de converter seu protagonismo científico em maior competitividade industrial, agregando valor, ampliando escala e fortalecendo sua presença internacional.
Foto: Siglia Souza/Embrapa
Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, o tambaqui é a espécie nativa mais produzida no país por seu rápido crescimento e sua ótima qualidade. O peixe que nasceu na Amazônia agora circula pelo mundo. E o futuro dessa cadeia depende de como o país de origem irá se posicionar nesse novo cenário globalizado.
A produção aquícola de tambaqui aumentou de 13 mil toneladas em 2000 para 142 mil toneladas em 2016, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A FAO destaca que existe enorme potencial para o cultivo da espécie em grande e pequena escala.
A aquicultura mundial tem crescido de forma consistente. A produção global de pesca e aquicultura em 2022 atingiu 223,2 milhões de toneladas, um aumento de 4,4% em relação a 2020. Pela primeira vez na história, a aquicultura de animais aquáticos superou a pesca extrativa em volume de produção.
Pesquisadores da Unesp com colaboração da Embrapa desenvolvem ferramenta que pode ser usada para aumentar bem-estar animal ao avaliar tambaquis por meio da coloração da metade inferior do corpo; Brasil é o maior produtor mundial da espécie
Um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, em colaboração com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial (IA) para avaliar o estresse do tambaqui (Colossoma macropomum), peixe nativo mais produzido no Brasil. O estudo foi publicado na revista Aquaculture.
Os resultados podem ter impacto tanto para o aumento do bem-estar dos animais quanto para a seleção de exemplares mais tolerantes ao ambiente de cultivo. O tambaqui é uma espécie amazônica cultivada sobretudo nos Estados da região Norte. O Brasil é o maior produtor mundial da espécie, fornecendo 110 mil toneladas em 2022 (leia mais em: agencia.fapesp.br/54167 e agencia.fapesp.br/37902).
“Primeiro verificamos que, em uma condição estressante, ou seja, em um ambiente mais confinado do que o normal, os peixes ficavam mais escuros. Depois, que a adição de um hormônio ligado ao estresse também alterava a coloração nas escamas. Então treinamos um software com mais de 3 mil imagens para chegarmos num limiar de estresse que pudesse orientar piscicultores e programas de seleção genética, pois vimos que essa é uma característica herdável”, explica Diogo Hashimoto, professor do Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp), que coordenou o estudo.
Celma Lemos
O trabalho tem como primeira autora Celma Lemos, que realiza doutorado na instituição, e integra projeto apoiado pela FAPESP no âmbito de um acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
Para desenvolver a ferramenta, os pesquisadores fotografaram 3.780 tambaquis de duas populações. Uma do Caunesp (1.280 indivíduos) e outra da Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas, no Tocantins (2.500 indivíduos). E contou com a colaboração da equipe coordenada pela pesquisadora Luciana Shiotsuki.
Em seguida, cada imagem teve marcada a região que deveria ser avaliada pelo software, a metade inferior do corpo. O contraste com a coloração da parte superior é bastante comum em peixes, provavelmente um atributo da seleção natural, que resultou numa espécie de camuflagem. O “countershading”, como é chamado em inglês, pode ser observado, por exemplo, em tubarões, que têm o ventre mais claro do que as costas.
Os pesquisadores treinaram então um modelo de aprendizado profundo (deep learning) para chegar a um limiar que indica, pelo número de pixels pretos em relação aos brancos da imagem, o grau de estresse dos tambaquis.
Uma vez que os exemplares do Tocantins tinham sido marcados quanto à sua ascendência, foi possível saber quanto a característica pode ser passada adiante. “Calculamos que a tolerância ao estresse é uma característica moderada a altamente herdável. Isso se reflete em ganho de peso e tolerância a doenças. Abrindo caminho para termos gerações com cada vez mais bem-estar em ambiente de cultivo”, avalia Hashimoto.
Mecanismos fisiológicos
A mudança na coloração sob estresse é uma característica encontrada em diversas espécies de peixe, mas ainda não havia sido comprovada no tambaqui. No caso das que se tornam mais escuras à medida que estão mais estressadas, como a tilápia (Oreochromis niloticus), um hormônio envolvido no estresse promove a expansão dos melanóforos, células que, a olho nu, são pequenas pintas pretas.
Para comprovar o efeito no tambaqui, os pesquisadores coletaram escamas de seis indivíduos, da população de Jaboticabal, e as mergulharam em duas soluções. Numa delas, havia uma solução neutra e o α-MSH, uma versão do hormônio estimulante de melanóforos. Na outra, apenas a solução neutra. Depois de 30 minutos, os autores observaram que as banhadas no hormônio estavam mais escuras, com os melanóforos expandidos.
Escamas antes e depois de 30 minutos mergulhadas em solução com hormônio ligado a estresse: indicado pela seta, expansão de melanóforos gera coloração mais escura (foto: Celma Lemos/Caunesp</em>)</p>
Em outro experimento, seis tambaquis foram retirados dos tanques normais de criação, de 200 metros quadrados, fotografados e divididos em três reservatórios redondos muito menores, de 2 mil litros (85 centímetros de altura e 1,66 metro de diâmetro). Depois de dez dias, foram novamente fotografados e a diferença de coloração era evidente, confirmando que a espécie também fica mais escura à medida que se estressa.
“A ferramenta de IA pode ser usada para monitorar o estresse dos peixes cultivados, num momento em que se cobra cada vez mais bem-estar animal. Apenas avaliando as fotos dos animais, seria possível obter essa medida e melhorar as práticas quando necessário, como reduzir o número de indivíduos por tanque, por exemplo”, diz o pesquisador.
Após três dias de intensa pescaria, pescadores da cidade de Malhada, localizada no sudoeste da Bahia, capturaram um pirarucu gigante na Lagoa do Mucambo. O peixe, que é uma das maiores espécies de água doce do Brasil e típico da região Norte, pesou aproximadamente 92 kg e mediu 2,15 metros de comprimento.
O pirarucu (Arapaima gigas) é conhecido por sua importância ecológica e econômica na Amazônia. Ele é considerado um dos maiores peixes de água doce do mundo. Embora seja mais comum nas bacias dos rios Amazonas e Solimões, a presença do pirarucu na Bahia, especialmente em corpos d’água como a Lagoa do Mucambo, chama atenção por sua raridade e tamanho impressionante.
Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o pirarucu é uma espécie protegida e possui manejo sustentável em algumas regiões, garantindo a preservação da espécie e o equilíbrio ambiental. A captura desse exemplar em Malhada destaca a importância da conservação e do monitoramento das espécies aquáticas em áreas fora da Amazônia.
A pesca do pirarucu requer técnicas específicas devido ao seu tamanho e força. Isso explica o esforço de três dias dos pescadores locais até conseguir capturar o peixe. Essa captura também reforça o potencial pesqueiro da Lagoa do Mucambo, que pode ser um importante recurso natural para a comunidade local.
O Pirarara (Phractocephalus hemioliopterus), conhecido como o “gigante vermelho” dos rios amazônicos, virou sensação entre pescadores profissionais e celebridades. Com registros de exemplares que ultrapassam 1,5 metro e 50 quilos, a espécie combina desafio, beleza exótica e status de troféu, atraindo até nomes famosos como o cantor Henrique, que recentemente postau fotos e vídeos com o peixe.
Endêmico da Bacia Amazônica, o Pirarara é um dos maiores bagres de água doce do mundo. Sua coloração avermelhada, barbilhões longos e corpo robusto o tornam inconfundível. Biólogos explicam que ele habita áreas profundas de rios como o Madeira e o Araguaia, onde se alimenta de peixes menores, crustáceos e até frutas – um verdadeiro oportunista subaquático.
Dados Técnicos:
Tamanho médio: 1 a 1,5 metro
Peso: Entre 30 e 50 kg (recordes chegam a 60 kg)
Expectativa de vida: Até 20 anos
Famosos na onda do pirarara
A febre pelo Pirarara ganhou holofotes quando celebridades começaram a compartilhar capturas nas redes sociais. No instagram, várias contas mostram a pesca, como o pescador Andre Victor, que conta com quase 100 mil seguidores.
Já o cantor Henrique postou em seu Instagram uma foto segurando um pirarara durante uma expedição. Até internacionalmente, o peixe chamou atenção: o apresentador Jeremy Wade, do River Monsters, dedicou um episódio à espécie, destacando sua força em ataques espetaculares.
Desafio + sustentabilidade: a chave da popularidade
Pescadores destacam que fisgar um Pirarara exige técnica e equipamento pesado, já que o peixe briga com força e mergulha em corredeiras. “É como puxar uma pedra viva”, brinca o guia de pesca amazonense José Ribeiro.
Porém, o IBAMA alerta: a espécie está sujeita a regras rígidas, como tamanho mínimo de captura (1 metro) e proibição durante a piracema (período reprodutivo). ONGs também incentivam o catch and release (pesque e solte) para preservar populações.
Mistério e cultura: o peixe que inspira lendas
Além do apelo esportivo, o Pirarara carrega misticismo. Tribos indígenas o associam a mitos de proteção, enquanto ribeirinhos contam histórias de ataques a banhistas – embora biólogos afirmem que esses casos são raros. Seu nome, derivado do tupi, significa “peixe com cabeça dura”, referência à sua resistência física.
Onde encontrar o Pirarara?
Os melhores pontos de pesca estão nos estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso, principalmente entre julho e outubro, quando as águas estão mais baixas. Embarcações especializadas oferecem expedições que inclui guias e hospedagem.
Apesar de não ser tradicional na culinária brasileira, a carne do Pirarara é apreciada em comunidades locais. Chefs de alta gastronomia começam a explorar seu potencial, criando pratos como filé de Pirarara ao molho de taperebá.
Paraíso em risco?
Apesar do entusiasmo, ambientalistas reforçam a importância do turismo consciente. A Amazônia não é um parque de diversões. Cada expedição deve respeitar normas e apoiar comunidades locais.
O Pirarara simboliza a riqueza da biodiversidade amazônica e virou ícone de uma pesca esportiva que alia adrenalina e preservação. Enquanto celebridades ampliam seu charme, o desafio é garantir que a fama não ameace sua existência – afinal, esse gigante vermelho é mais que um troféu: é um guardião das águas.