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  • Estudo mostra impacto ambiental completo da produção de whey protein no Brasil

    Estudo mostra impacto ambiental completo da produção de whey protein no Brasil

    Embrapa, UTFPR e Sooro Renner mapeiam, pela primeira vez no Brasil, a pegada de carbono do soro de leite em pó em toda a sua cadeia produtiva, do pasto à fábrica. O estudo redefiniu os critérios de medição do impacto ambiental do whey protein. E posiciona o setor lácteo nacional em um novo patamar de transparência e eficiência.

    https://www.instagram.com/p/DZId9h_pH8o/

    O professor Fábio Puglieri, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), coordenou o projeto com base na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV). A metodologia mensura os impactos ambientais potenciais de produtos e serviços de forma integrada. A análise cobre a produção do leite in natura, o transporte, o processamento industrial e a obtenção do soro em pó, o popular whey protein. “A cadeia láctea brasileira acaba de dar um passo decisivo rumo à transparência ambiental e à eficiência produtiva”, afirma Vanessa Romário de Paula, analista da Embrapa Gado de Leite.

    Abordagem sistêmica diferencia o estudo

    O diferencial do projeto em relação a pesquisas anteriores está na visão completa da cadeia. Em vez de analisar os elos de forma isolada, a metodologia conectou múltiplas etapas produtivas em uma única avaliação. “Ao incluir os fluxos de transporte e as sucessivas transformações industriais, o projeto oferece um diagnóstico fiel do desempenho ambiental do setor. E permite identificar onde estão os maiores gargalos de emissão de gases de efeito estufa”, explica Thierry Ribeiro Tomich, pesquisador da Embrapa Gado de Leite.

    A pesquisa se dividiu em duas etapas. Na primeira, os pesquisadores caracterizaram e tipificaram os sistemas de produção de leite da base de fornecedores da Sooro Renner, considerando critérios de representatividade geográfica e tecnológica. Na segunda, o estudo voltou-se para a indústria e o transporte, levantando dados primários sobre os processos de industrialização da empresa e de seus laticínios parceiros.

    85% das emissões acontecem no campo

    Um dos achados mais relevantes do estudo é a concentração das emissões na fase rural. Cerca de 85% dos gases de efeito estufa da produção de soro em pó têm origem no campo. Isso significa que ações de mitigação na produção primária geram impacto muito maior do que mudanças em embalagens ou na matriz energética da indústria, que respondem por uma parcela minoritária das emissões totais.

    Um dos pilares do projeto é a democratização do conhecimento. Os pesquisadores disponibilizaram os Inventários de Ciclo de Vida (ICV) do soro na plataforma SICV Brasil. Ela é gerida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em acesso livre e gratuito. “Essa iniciativa permite que pesquisadores, indústrias e órgãos governamentais utilizem dados reais da produção brasileira em outros projetos de ACV. Portanto, facilitando tomadas de decisão”, destaca Thiago Oliveira Rodrigues, pesquisador do IBICT.

    Os dados estão disponíveis nos seguintes inventários:

    • Whey (soro de leite) 30% (RS)
    • Whey powder (soro de leite em pó) (PR)
    • Whey powder (soro de leite em pó) (RS)

    Alinhamento com metas climáticas globais

    O projeto se alinha a compromissos internacionais como a Agenda 2030 da ONU (ODS 17) e o Compromisso Global de Metano, do qual o Brasil é signatário, com meta de redução de emissões de 30% até 2030.

    A parceria entre Embrapa, Sooro Renner e UTFPR prevê ainda a entrega de um plano de ação com recomendações práticas para a mitigação de Gases de Efeito Estufa (GEE.

    Essas estratégias são essenciais para que o setor lácteo atenda às exigências de mercados internacionais e a um consumidor cada vez mais atento ao impacto ambiental dos alimentos.

    Do resíduo ao ingrediente nobre

    Historicamente, o soro de leite representou um dos maiores desafios ambientais para a indústria de laticínios. Por sua altíssima carga orgânica, o descarte inadequado do soro líquido em cursos d’água provoca rápida depleção de oxigênio, morte de peixes e desequilíbrio nos ecossistemas aquáticos.

    Ao transformar esse subproduto em soro em pó, a indústria não apenas agrega valor econômico, mas mitiga riscos de contaminação e reduz o desperdício de nutrientes que já consumiram água, energia e terra para serem produzidos. “A transformação do soro em pó não é apenas uma estratégia de lucro, mas uma necessidade de sustentabilidade operacional”, afirma Tomich.

    Embrapa como referência em sustentabilidade láctea

    Desde 2023, a Embrapa Gado de Leite aplica a metodologia ACV para avaliar o desempenho ambiental de todas as fases produtivas do leite. Isso inclui desde aalimentação animal ao resfriamento na fazenda. Os resultados mostram que eficiência produtiva e preservação ambiental andam juntas: sistemas que produzem mais leite por hectare ou por vaca tendem a apresentar pegada de carbono significativamente menor.

    Os estudos consolidaram a Embrapa como referência em métricas de sustentabilidade. E abriram caminho para parcerias como a que agora expande essa análise para toda a cadeia industrial do soro de leite.

  • Bayer apresenta resultados da plataforma PRO Carbono

    Bayer apresenta resultados da plataforma PRO Carbono

    A Bayer apresentou, nesta terça-feira, 9, os resultados da plataforma PRO Carbono durante a quarta edição do Carbon Science Talks, realizado na Amcham Brasil, em São Paulo. O evento reuniu empresas, pesquisadores e agricultores para discutir descarbonização das cadeias agrícolas e práticas regenerativas no campo.

    Com apoio de 47 especialistas e 19 instituições, incluindo Embrapa, INTA e INTI, a Bayer desenvolveu metodologias científicas, ferramentas digitais e modelos escaláveis para quantificar emissões e remoções de carbono, orientar práticas de agricultura regenerativa e comprovar impactos ao longo da cadeia.

    PRO Carbono: de programa a plataforma regional

    O PRO Carbono integra atualmente mais de 3 mil agricultores no Brasil, Argentina e Paraguai, cobrindo mais de 3 milhões de hectares de soja, milho e algodão. Nas áreas participantes, práticas como plantio direto, rotação de culturas e cobertura do solo resultaram em:

    • Ganho médio de 11% na produtividade anual
    • Aumento de 9% na estabilidade produtiva
    • Redução de até 50% na pegada de carbono, podendo superar 70% com manejo aprimorado
    • Aumento de 50% no sequestro de carbono, mesmo em condições climáticas adversas

    Até 2025, os projetos já removeram 1,39 milhão de toneladas de CO₂eq, equivalente a 231 mil hectares em reflorestamento. Produtores com maior adoção registraram remoções médias de 2,1 tCO₂eq/ha/ano, acima da média científica de 1,4 tCO₂eq/ha/ano, segundo Marina Menin, diretora do Negócio de Carbono da Bayer para a América Latina.

    Plataforma conecta agricultura, indústria e mercado

    O evento também marcou a evolução do PRO Carbono para uma plataforma regional, reunindo mais de 20 projetos para mensuração de carbono, adoção de práticas regenerativas e comprovação de impactos em escala.

    Um exemplo é a parceria com a Viterra na Argentina, envolvendo 1.200 produtores e 2 milhões de hectares de soja com pegada de carbono calculada. No primeiro ano, as áreas participantes reduziram a pegada em 35%, podendo chegar a 60% com intensificação das práticas. A expansão para o Paraguai está prevista.

    Marcos Quaine, líder de Sustentabilidade da Viterra Conosur, afirma: “A gestão de emissões de carbono deixou de ser tema ambiental para se tornar um atributo estratégico de negócio. O objetivo é escalar soluções com valor para produtores, indústria e consumidores.”

    Ciência, dados e soluções digitais

    A plataforma é habilitada por ferramentas científicas e digitais que reduzem incertezas e garantem rastreabilidade. Entre elas:

    • Footprint PRO Carbono (Embrapa): calcula pegada de carbono e gera relatórios auditáveis
    • PROCarbon-Soil (PROCS): estima potencial de sequestro de carbono no solo
    • Conecta PRO Carbono: sistema MMRV para medir, monitorar, reportar e verificar impactos

    Segundo Marina Menin, “as soluções conectam a cadeia agrícola, apoiam metas de descarbonização do Escopo 3 e garantem rastreabilidade, transparência e credibilidade na ação climática.”

    Finanças sustentáveis para produtores

    Em parceria com o Rabobank, o PRO Carbono oferece incentivos financeiros atrelados a resultados ambientais. Produtores devem cumprir KPIs de ESG, com foco em emissões de gases de efeito estufa e plano de redução. Cada indicador gera desconto adicional na taxa, podendo ultrapassar 0,6%, segundo Taciano Custodio, head de Sustentabilidade da América do Sul no Rabobank.

    “Unimos forças para acelerar a descarbonização da agricultura, oferecendo recursos, conhecimento e ferramentas que geram impacto real e vantagem competitiva para produtores”, afirma Custodio.

    Reconhecimento do mercado

    A Bayer foi uma das vencedoras do Prêmio Eco 2025 da Amcham Brasil, reconhecendo empresas que usam a sustentabilidade como vetor estratégico de competitividade. Em 2025, a plataforma participou de nove premiações do setor, com sete projetos publicados e três premiados, consolidando seu papel na minimização da pegada de carbono e competitividade do agronegócio brasileiro.

  • Manejo racional reduz custo e mantém fertilidade do solo

    Manejo racional reduz custo e mantém fertilidade do solo

    Uma pesquisa realizada em Unaí (MG) mostrou que uma estratégia simples reduz custos com fertilizantes sem comprometer a produtividade das lavouras. Os cientistas testaram a adubação de restituição associada ao balanço de nutrientes durante três safras e seis cultivos. A técnica repõe apenas os nutrientes exportados nos produtos colhidos, o que torna o uso dos insumos mais eficiente.

    Os pesquisadores confirmaram que o ajuste do aporte de nutrientes favorece o uso consciente dos fertilizantes e conserva os recursos naturais. A prática também reduz a pegada de carbono e aumenta a eficiência energética das lavouras em solos de Cerrado com fertilidade construída.

    Estudo considera alta demanda nutricional

    As culturas anuais demandam grandes quantidades de Nitrogênio, Fósforo e Potássio, o que eleva o uso de fertilizantes no Brasil. Ou seja, essa necessidade pesa nos custos de produção e aumenta os riscos econômicos. Muitos produtores aplicam adubações tradicionais mesmo em solos com fertilidade acima dos níveis críticos.
    Pesquisas anteriores mostraram que áreas consolidadas do Cerrado acumularam estoques de nutrientes ao longo dos anos. Esse acúmulo supera a condição original de baixa fertilidade, mas ainda assim muitos agricultores mantêm práticas antigas por segurança.

    Artigo apresenta resultados

    O estudo, coordenado pelo pesquisador Álvaro Vilela de Resende, reuniu especialistas da Embrapa Milho e Sorgo e da UFV. A Fazenda Decisão, em Unaí, apoiou os experimentos. O artigo foi publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira, em seção dedicada à COP 30. A publicação integra a Jornada pelo Clima da Embrapa e celebra os 60 anos da revista.

    Testes ocorreram em lavoura comercial

    Foto: divulgação – Embrapa/Samuel Abreu

    Os pesquisadores instalaram parcelas de larga escala em um talhão com plantio direto e fertilidade construída. Os tratamentos envolveram a adubação de restituição com N, P e K exportados, o manejo padrão da fazenda e um controle sem adubação. As avaliações ocorreram durante três ciclos de soja e milho ou sorgo, com e sem braquiária em consórcio.

    Resultados indicam eficiência

    Os resultados mostraram que a adubação não altera a produtividade da soja no talhão analisado. O nitrogênio limitou o rendimento do milho, enquanto o consórcio com braquiária prejudicou o sorgo. No entanto, a braquiária aumentou a produtividade da soja seguinte.
    Resende afirma que a adubação de restituição, vinculada ao balanço de nutrientes, mantém a produtividade e a rentabilidade. A estratégia usa fertilizantes com mais eficiência e mantém a fertilidade do solo. O manejo também evita déficits ou excessos de nutrientes, o que favorece a sustentabilidade ambiental.

    Produtores ainda relutam em mudar

    O pesquisador lembra que a falta de resposta à adubação com Fósforo e Potássio já apareceu em estudos de outras regiões do Cerrado. Mesmo assim, muitos produtores continuam usando fórmulas fixas de NPK. Segundo Miguel Marques Gontijo Neto, os agricultores raramente calculam o balanço de nutrientes e desconhecem seu valor.
    Resende explica que o manejo adequado dimensiona apenas a reposição necessária dos nutrientes exportados e das perdas do sistema. Ele afirma que a estratégia simples permite acompanhar a fertilidade ao longo do tempo com análises de solo. O produtor, assim, evita excessos e reduz desperdícios.

    Estratégia pode ser automatizada

    A solução validada possibilita ajustar as adubações por talhão com precisão e baixo custo. Em geral, muitas fazendas podem automatizar o processo com ferramentas já disponíveis. O objetivo é equilibrar continuamente o aporte de nutrientes em sequências de cultivos e ampliar o uso consciente dos insumos agrícolas.
    Situações de desequilíbrio entre nutrientes adicionados e removidos são comuns e podem reduzir produtividade ou gerar desperdício. Em resumo, esse desequilíbrio também aumenta a pegada de carbono e reduz a rentabilidade. Por isso, a estratégia proposta contribui para maior eficiência energética e para a neutralidade ambiental das lavouras consolidadas.

     

  • Projeto Pecuária ConSCiente Carbono Zero monitora emissões de gases

    Projeto Pecuária ConSCiente Carbono Zero monitora emissões de gases

    A Epagri está liderando um estudo inovador para medir a pegada de carbono da pecuária catarinense, e os primeiros resultados desafiam estimativas globais. Dados preliminares do projeto Pecuária ConSCiente Carbono Zero, iniciado em 2022, indicam que o setor emite até 30% menos gases de efeito estufa do que aponta o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão vinculado à ONU. A iniciativa visa criar um selo de certificação para produtores que adotam práticas sustentáveis, consolidando SC como referência em pecuária de baixo carbono.

    Metodologia inovadora: câmaras estáticas e colaboração científica

    O estudo, coordenado pelo engenheiro-agrônomo Cassiano Eduardo Pinto, da Epagri de Lages, utiliza câmaras estáticas que simulam ambientes de pastagem. Nelas, são analisadas amostras de solo, urina e esterco bovino para medir a emissão de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – principais responsáveis pelo aquecimento global.

    Câmaras estáticas simulam ambientes fechados. Foto: Divulgação / Epagri

    As coletas de ar, feitas com seringas durante 90 dias, são enviadas à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), enquanto as amostras de solo são analisadas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O projeto conta com a colaboração de 18 pesquisadores da Epagri, Embrapa Pecuária Sul, Udesc e UFSC.

    “Queremos entender como a relação solo-planta influencia as emissões e, assim, propor soluções para mitigar o impacto climático sem prejudicar a produção”, explica Pinto.

    Dados preliminares surpreendentes: SC emite 0,3% contra 2% do IPCC

    Enquanto o IPCC estima que fezes e urina de bovinos respondem por 2% das emissões globais, os experimentos da Epagri revelam índices entre 0,3% e 0,4% em Santa Catarina. A diferença está no manejo sustentável das pastagens, que capturam carbono via fotossíntese e o armazenam no solo.

    “Produtores que adotam boas práticas agropecuárias não só reduzem emissões, mas sequestram carbono. Isso prova que é possível produzir e conservar”, destaca o pesquisador.

    Caminho para o selo de sustentabilidade: qualidade e responsabilidade

    O objetivo final do projeto Pecuária ConSCiente é lançar um selo de certificação que ateste o compromisso dos pecuaristas catarinenses com a sustentabilidade. A iniciativa valorizará produtos locais no mercado nacional e internacional, onde consumidores exigem transparência ambiental.

    “O selo associará qualidade à responsabilidade, agregando valor a uma cadeia já reconhecida por excelência”, afirma Pinto.

    Santa Catarina é um dos maiores polos pecuários do Brasil, com rebanho bovino de 4,3 milhões de cabeças (IBGE, 2023). O setor avícola também se destaca. O estado é o maior exportador de carne de frango do país, com receita de US$ 4 bilhões em 2024.

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