Tag: pecuária sustentável

  • Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    O Ministério Público Federal (MPF) adiou para janeiro de 2027 o início de uma nova etapa de controle da origem do gado comercializado por frigoríficos na Amazônia.

    A medida amplia o alcance do TAC da Carne Legal para os chamados fornecedores indiretos, propriedades que vendem bovinos a fazendas que, posteriormente, fornecem os animais aos frigoríficos.

    A mudança busca aumentar a rastreabilidade da cadeia bovina e identificar gado proveniente de propriedades com irregularidades socioambientais, como desmatamento ilegal, embargos ambientais ou sobreposição com áreas protegidas.

    O cronograma inicialmente divulgado pelo MPF previa o início da contabilização dessas operações em julho de 2026. A implementação, porém, foi prorrogada em seis meses para ampliar o período de adaptação dos produtores e frigoríficos.

    O que são fornecedores indiretos de gado?

    O foco inicial será nos chamados fornecedores indiretos de primeiro nível.

    São propriedades rurais que movimentaram bovinos ou bubalinos para um fornecedor direto nos 24 meses anteriores à aquisição do lote pelo frigorífico.

    Na prática, o fornecedor direto é a fazenda que vende os animais ao frigorífico. Já o indireto aparece em uma etapa anterior da cadeia, fornecendo animais para essa propriedade.

    Esse elo é considerado um dos principais desafios para a rastreabilidade da pecuária porque um bovino pode passar por diferentes propriedades entre as fases de cria, recria e engorda antes de chegar ao abate.

    Como será feito o controle?

    O sistema deverá cruzar informações relacionadas à movimentação e à situação socioambiental das propriedades rurais.

    Entre as bases utilizadas no controle estão informações das Guias de Trânsito Animal (GTAs), do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de outras bases públicas.

    O desenvolvimento técnico da solução conta com participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de outras instituições que apoiam o TAC da Carne Legal.

    Pela metodologia apresentada pelo MPF, um fornecedor direto poderá receber um alerta quando tiver adquirido volume considerado significativo de animais provenientes de fornecedores indiretos em desacordo com os critérios socioambientais.

    Inicialmente, esse limite foi estabelecido em:

    • mais de 30% do total adquirido pelo fornecedor direto na janela analisada;
    • 50 cabeças de gado, quando esse número representar um limite menor.

    O protocolo prevê a redução gradual dessa tolerância ao longo da implementação do sistema.

    Controle começa de forma gradual

    A implementação não significa que os frigoríficos passarão imediatamente a bloquear produtores em janeiro de 2027.

    A primeira etapa será destinada à contabilização das movimentações entre fornecedores indiretos e diretos, criando uma base para as análises posteriores.

    Segundo o cronograma divulgado após o adiamento:

    • janeiro de 2027: início da contabilização das transações dos fornecedores indiretos;
    • janeiro de 2028: início das análises e emissão de relatórios preliminares, inicialmente informativos;
    • julho de 2028: previsão de início dos Relatórios de Alerta sobre Fornecedores Indiretos, que poderão gerar consequências comerciais para fornecedores em situação irregular.

    O calendário deve ser acompanhado porque o protocolo está sendo implantado de maneira gradual e pode receber novos ajustes.

    Frigorífico poderá bloquear fornecedor direto

    Quando as regras de bloqueio estiverem em vigor, o impacto comercial recairá inicialmente sobre o fornecedor direto.

    Caso o sistema identifique volume relevante de gado proveniente de propriedades indiretas fora dos critérios estabelecidos pelo TAC, o frigorífico poderá deixar de comprar animais daquele fornecedor até que a situação seja justificada ou regularizada.

    Entre os mecanismos previstos pelo MPF para permitir a retomada das negociações estão a comprovação de que o fornecedor indireto voltou a atender aos critérios socioambientais ou a apresentação de documentos e certidões que demonstrem sua regularidade na data da operação.

    TAC da Carne já controla compras diretas

    O TAC da Carne Legal estabelece compromissos socioambientais para frigoríficos que atuam na Amazônia e já é utilizado para avaliar as compras diretas de bovinos.

    As empresas participantes devem adotar mecanismos para evitar a aquisição de animais provenientes de propriedades relacionadas a desmatamento ilegal, embargos ambientais, invasão de áreas protegidas ou outras irregularidades previstas no protocolo.

    O desafio dos fornecedores indiretos é maior porque frigoríficos normalmente têm acesso direto aos dados da propriedade responsável pela venda final do animal, mas não necessariamente a todas as fazendas pelas quais o bovino passou anteriormente.

    Dados divulgados pelo próprio MPF em 2025 indicaram que frigoríficos participantes do TAC e submetidos a auditorias independentes registraram nível significativamente menor de irregularidades em comparação com empresas avaliadas por verificações automáticas.

  • Aditivo alimentar reduz emissões de metano em 50% em gado Nelore

    Aditivo alimentar reduz emissões de metano em 50% em gado Nelore

    A Minerva Foods e a startup australiana Rumin8 divulgaram os resultados de um estudo inédito que comprova redução de 50,4% nas emissões de metano entérico em gado Nelore confinado. Conduzida em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), a pesquisa de 120 dias também registrou melhora estatisticamente significativa de 5% na eficiência de conversão alimentar dos animais que consumiram o aditivo desenvolvido pela Rumin8.

    O experimento avaliou o impacto do aditivo em condições que simulam operações comerciais de confinamento brasileiras. Animais que receberam o produto misturado à ração total (TMR) emitiram 39,6 g de metano por quilo de ganho de peso , contra 77,2 g/kg no grupo controle, que consumiu a mesma dieta sem o suplemento.

    No total, o teste gerou uma redução estimada de 29,8 toneladas de CO₂ equivalente em emissões de gases de efeito estufa, além de proporcionar ganhos de produtividade e menor consumo de ração. Empresas especializadas em certificação de carbono agrícola, entre elas a Athian e a FoodChain ID, realizam a verificação independente desses resultados.

    Como o estudo foi conduzido

    O experimento envolveu dois grupos de bovinos Nelore machos. O primeiro reuniu 80 animais em baias individuais, o que permitiu medir com precisão o consumo de ração e as emissões de metano, metade no grupo controle, metade recebendo o aditivo. O segundo grupo incluiu 200 bovinos em baias coletivas, para simular condições de escala comercial.

    A dieta adotada seguiu o padrão típico de terminação em confinamento no Brasil: 12% de volumoso e 88% de concentrado, com milho moído como ingrediente principal. Pesquisadores monitoraram o consumo de ração diariamente e avaliaram o desempenho produtivo por meio de pesagens periódicas.

    O que dizem os envolvidos

    Para o CEO da Rumin8, David Messina, os resultados abrem caminho para escalar a tecnologia no maior mercado de gado do mundo. “A Minerva e a Rumin8 estão comprometidas em reduzir as emissões de metano do setor. E foi excelente ter este trabalho validado por uma das instituições acadêmicas mais respeitadas do Brasil”, afirmou. Segundo ele, os dados farão parte do pacote regulatório para a comercialização do produto no país.

    Marta Giannichi, Diretora Global de Sustentabilidade da Minerva Foods, destacou o caráter estratégico da iniciativa. “A redução das emissões de metano é uma prioridade para o avanço de uma cadeia mais sustentável. Iniciativas como esta ajudam a acelerar soluções que combinam produtividade e responsabilidade ambiental”, disse.

    Pesquisadores da ESALQ/USP classificaram o aditivo testado entre as estratégias mais promissoras de mitigação de metano já avaliadas pela instituição. Com potencial para reduzir a pegada ambiental da produção de carne bovina sem comprometer a eficiência produtiva.

  • Cheque Pecuária ajuda na manutenção de estoque de 500 milhões de toneladas de carbono

    Cheque Pecuária ajuda na manutenção de estoque de 500 milhões de toneladas de carbono

    O governo do Pará lançou o Cheque Pecuária, programa que disponibiliza recursos financeiros para mais de 70 mil pequenos produtores e agricultores familiares do estado adotarem práticas sustentáveis na criação de gado. A iniciativa tem potencial para evitar a emissão de centenas de milhões de toneladas de gases de efeito estufa, segundo análise do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

    O programa oferece até R$ 20 mil por produtor para investimentos em regularização ambiental ou implementação de boas práticas que aumentem a produtividade sem desmatamento adicional. O público-alvo concentra 3,1 milhões de cabeças de gado, equivalentes a 13,7% do rebanho paraense.

    Foco nos pequenos produtores da cadeia da carne

    A política pública mira especificamente agricultores familiares e produtores com até 100 cabeças de gado, considerado o elo mais frágil e vulnerável da cadeia produtiva da carne. Esse segmento atua principalmente nas fases iniciais de cria e recria dos animais, fornecendo gado para propriedades maiores que fazem interface direta com frigoríficos.

    “É um segmento que, quando apresenta irregularidades socioambientais, contamina toda a cadeia de produção com desmatamento irregular”, explica Bruno Vello, coordenador de Políticas Públicas do Imaflora. “Por isso é positivo que o Cheque Pecuária focalize nas pequenas propriedades disseminadas pelo estado.”

    Duas modalidades de investimento sustentável

    O recurso pode ser destinado para duas finalidades específicas com impacto direto na redução do desmatamento:

    • Requalificação comercial: recuperação de áreas desmatadas sem autorização após 2008, permitindo que produtores irregulares se adequem às normas ambientais. O programa exclui propriedades com sobreposição a áreas protegidas ou com histórico de trabalho análogo à escravidão.
    • Boas práticas produtivas: implementação de técnicas como o manejo rotacionado de pastagens, que aumenta a produtividade enquanto gera benefícios ambientais. Neste sistema, o pasto é dividido em piquetes onde o gado fica concentrado de forma alternada, permitindo a regeneração adequada da pastagem.

    Ganhos climáticos expressivos

    Os cálculos do Imaflora consideram um cenário de adesão total ao programa, com distribuição equilibrada entre as duas modalidades. Os resultados projetados são significativos:

    • 360 mil hectares sob manejo sustentável (14% da meta do Plano ABC+ Pará)
    • 432 mil hectares isolados para recuperação ambiental (7,7% da meta do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa)
    • 500 milhões de toneladas de carbono mantidas no solo sem migrar para a atmosfera
    • 806,4 mil toneladas de CO2 removidas anualmente
    • 48,4 mil toneladas de metano reduzidas por ano com abate precoce

    O metano, gás emitido principalmente pelo arroto dos bovinos, tem poder de aquecimento global 28 vezes maior que o carbono, tornando sua redução especialmente relevante para o combate às mudanças climáticas.

    Duplicação da produção sem novos desmatamentos

    Com as práticas adequadas, pequenos produtores poderiam duplicar a produção pecuária sem necessidade de abrir novas áreas de pastagem. O manejo correto recupera solos degradados, produz forragem de melhor qualidade e acelera a engorda dos animais, reduzindo o tempo de permanência na propriedade.

    A recuperação florestal nas áreas de requalificação comercial tem potencial de captura de 4,8 milhões de toneladas de CO2, com remoção contínua de 11,11 toneladas por hectare anualmente nas florestas secundárias que substituiriam pastagens degradadas.

    Desafios e oportunidades de melhoria

    Bruno Vello reconhece que o Cheque Pecuária representa um avanço importante para vencer resistências à adequação ambiental entre produtores que tradicionalmente associam regularização a custos elevados e perda de área produtiva. “Dispor de um recurso que permite se regularizar e obter ganhos de produção pode ser um incentivo decisivo para a mudança”, afirma.

    O especialista aponta, no entanto, oportunidades de aprimoramento, como a inclusão de incentivos para adesão à rastreabilidade individual do rebanho. “Será preciso um monitoramento fino nos próximos anos para identificar eventuais gargalos, distorções e oportunidades de melhorar o programa”, recomenda.

  • Pecuária brasileira lidera exportações e cresce com foco na sustentabilidade

    Pecuária brasileira lidera exportações e cresce com foco na sustentabilidade

    O Brasil reforça sua posição como maior exportador mundial de carnes, impulsionado pela produtividade, qualidade e adoção de práticas sustentáveis na pecuária. A integração entre programas de incentivo, ações sanitárias e defesa agropecuária fortalece a cadeia produtiva e acelera o crescimento do setor.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ressalta que a pecuária brasileira é fundamental para o agronegócio nacional e internacional. Ele destaca o compromisso do governo com práticas sustentáveis, bem-estar animal e redução do impacto ambiental para garantir um crescimento sólido e responsável.

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) implementa programas sanitários reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) e fomenta sistemas integrados de produção que contribuem para o sequestro de carbono, a saúde do solo e o aumento do bem-estar animal. Além disso, o Mapa estimula as exportações para ampliar a presença do Brasil no mercado global.

    Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de carne bovina atingiu recorde histórico em 2024, com mais de 11 milhões de toneladas equivalente carcaça, resultado do aumento no abate de animais. No segundo trimestre de 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou crescimento de 3,9% no abate de bovinos, totalizando 10,46 milhões de cabeças.

    Crescimento

    A produção de carne de frango superou os números de julho de 2024, mesmo com os desafios causados pela influenza aviária. O IBGE aponta crescimento de 1,1% no abate frente ao ano anterior, atingindo a melhor série histórica para o segundo trimestre.

    A produção de carne suína também cresce de forma gradual. A Conab projeta alta de 3,6% para 2026, motivada pelo aumento das exportações e expansão do consumo interno.

    Para garantir o crescimento sustentável, o Mapa criou o Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC+). O programa inclui tecnologias para conciliar produção e equilíbrio ambiental, com foco na recuperação de pastagens, uso de biodigestores e terminação intensiva que prevê o abate de animais com menos de 24 meses. A meta é reduzir a pegada de carbono da pecuária nacional por meio da eficiência produtiva.

    Em 2024, as exportações brasileiras de carnes ultrapassaram US$ 26,1 bilhões. Até setembro de 2025, o valor alcançou US$ 22,5 bilhões. Conforme dados da balança comercial do Mapa, as exportações de carne bovina in natura cresceram 55%, somando US$ 1,77 bilhão, enquanto a carne suína atingiu marca histórica de US$ 346,1 milhões, com alta de 28,6%.

  • Pará aposta em tecnologia e parcerias para rastrear rebanho

    Pará aposta em tecnologia e parcerias para rastrear rebanho

    Lançado na COP28 em Dubai há dois anos, o Programa Pecuária Sustentável do Pará promove parcerias entre governo, empresas e produtores para assegurar conformidade sanitária, fundiária e socioambiental em toda a cadeia.

    Em parceria com a ONG The Nature Conservancy, a JBS doará 2 milhões de tags para pequenos produtores com recursos do Bezos Earth Fund, iniciativa que ocorre paralelamente ao Acelerador JBS.

    Para aprimorar o controle, a JBS também entregou 175 leitores RFID à Adepará, agência estadual responsável pela fiscalização. Desde 2021, o programa Escritórios Verdes da JBS ajudou quase 20 mil propriedades no país a conquistarem regularização ambiental, sendo mais de 4 mil no Pará.

    A JBS já entregou 123.765 brincos para rastreamento individual do rebanho no Pará, fortalecendo a transparência e a sustentabilidade na pecuária estadual. Desse total, 65.902 tags já identificam animais em 89 propriedades rurais, possibilitando um controle preciso para produtores e indústrias.

    Esse avanço viabilizou o primeiro processamento de bovinos rastreados individualmente na unidade Friboi de Marabá, um marco histórico para a cadeia produtiva local. O lote inicial contou com 20 machos registrados, monitorados desde a fazenda até o frigorífico por meio da Plataforma Pecuária Sustentável do Pará, garantindo rastreabilidade total.

    Vantagens

    Vinicius Lima, da Apoema Agro, responsável pelo fornecimento do lote, destaca as vantagens do programa. Ele ressalta que o Pará tem como objetivo identificar todos os bovinos e bubalinos em circulação até janeiro de 2026. Além de mapear o rebanho completo até 2027. “A rastreabilidade valoriza a carne e a produção local. Esse futuro tornou-se presente”, afirma.

    Lima ainda receberá mais de 2 mil brincos extras da JBS para expandir o controle do seu rebanho. Ele acredita que unir genética, tecnologia, bem-estar animal e rastreamento torna a cadeia pecuária mais valorizada e próspera.

    O programa Acelerador JBS investe mais de R$ 35 milhões no Pará para fomentar rastreabilidade e apoiar pequenos produtores. A iniciativa distribui gratuitamente tags, oferece suporte técnico e incentiva a adesão à Plataforma Pecuária Transparente. A entrega das tags segue até dezembro de 2025.

    Fábio Dias, Líder de Pecuária Sustentável da JBS, destaca que o processamento dos primeiros animais rastreados no Pará reforça o compromisso da empresa com uma pecuária sustentável e transparente.

  • Tecnologia a laser da NASA medirá carbono no solo do Xingu

    Tecnologia a laser da NASA medirá carbono no solo do Xingu

    Uma colaboração de dez anos entre a Embrapa Instrumentação e a startup Agrorobótica culminou em um avanço tecnológico que promete revolucionar a mensuração de carbono no solo em larga escala. A parceria dará suporte científico ao projeto “Carbono Xingu”. Essa é uma iniciativa de pecuária sustentável que envolve as empresas SCL Agrícola e Agro Penido na região do Xingu, Mato Grosso.

    O “Carbono Xingu” utilizará a plataforma IA AGLIBS, que emprega a tecnologia LIBS (Laser Induced Breakdown Spectroscopy) – a mesma utilizada pela NASA nas missões espaciais em Marte . Esta tecnologia inovadora permitirá avaliar 18,5 mil hectares de pastagem e áreas de conversão para a agricultura nas fazendas da Agro Penido e SLC Agrícola.

    O projeto “Carbono Xingu” visa transformar o solo em um ativo ambiental estratégico, gerando benefícios diretos para os produtores rurais. Entre eles, destacam-se a geração de créditos de carbono auditáveis no solo e acesso a crédito verde com condições mais favoráveis. Além da digitalização do solo para decisões ágeis e rastreáveis, aumento da produtividade e rentabilidade, valorização da propriedade rural e produção de commodities sustentáveis com maior valor de mercado.

    Caio Penido, sócio da Agro Penido, enfatiza que o carbono está se materializando como uma nova commodit. E o programa busca comprovar que a implementação de práticas agrícolas tropicais pode aumentar a produção de alimentos. Enquanto melhora o teor de carbono no solo e reduz as emissões. A SLC Agrícola possui 26 fazendas e 830 mil hectares de culturas. E vê a iniciativa como um avanço na agricultura de precisão e na sustentabilidade.

    Parceria estratégica e vanguarda científica

    Clenio Pillon, diretor-executivo de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, ressalta a importância estratégica da agenda do carbono para a empresa e para o cenário global. E reforça o compromisso da Embrapa com a ciência e a sustentabilidade. A Agrorobótica, deep tech brasileira especializada em digitalização de solos, tem sido fundamental no desenvolvimento da tecnologia LIBS. Seu CEO, Fábio Angelis, descrevendo o Laboratório Nacional de Agro-Fotônica (Lanaf) da Embrapa Instrumentação como o “primeiro centro agro-fotônico do mundo”.

    A pesquisa de vanguarda foi reconhecida internacionalmente, com a certificadora Verra utilizando dez artigos internacionais para validar a tecnologia para geração de créditos de carbono auditáveis, sendo cinco deles da equipe da Embrapa. José Manoel Marconcini, chefe-geral da Embrapa Instrumentação, avalia que a plataforma poderá gerar mapas de agricultura de precisão para indicar o manejo de nutrientes e mensurar o estoque de carbono no solo, demonstrando o sucesso da parceria público-privada.

    O “Carbono Xingu” se alinha com a crescente demanda por pecuária de baixo carbono. A iniciativa reforça a integração de práticas como plantio direto, uso de bioinsumos e sistemas de integração lavoura-pecuária.

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  • Búfalos são usados para proteger gado de ataques de onças

    Búfalos são usados para proteger gado de ataques de onças

    Fazendeiros do Pantanal têm recorrido ao uso de búfalos como estratégia para proteger rebanhos bovinos contra ataques de onças-pintadas. A prática consiste em introduzir búfalos junto ao gado, especialmente próximos a matas ciliares, formando uma espécie de “barreira de proteção” natural. Diferentemente dos bovinos, que costumam fugir e se tornam presas fáceis, os búfalos reagem em grupo diante da presença do predador, chegando a enfrentar e espantar as onças.

    Na Fazenda Porto Jofre, por exemplo, o proprietário relata que, após adotar a convivência de 20 búfalos com cerca de 300 cabeças de gado nelore, deixou de perder aproximadamente 70 bezerros por ano devido à predação. Os búfalos, mais pesados e agressivos, cercam os filhotes e intimidam as onças, reduzindo os ataques.

    Falta comprovação

    Apesar dos relatos de sucesso, especialistas alertam para a ausência de comprovação científica de que a presença dos búfalos realmente diminua as mortes de bovinos. Segundo veterinários e pesquisadores, o instinto de proteção deles é mais voltado para indivíduos da própria espécie, e não necessariamente se estende ao gado. Além disso, a criação de búfalos traz riscos ambientais e sanitários: animais que escapam do manejo podem formar bandos selvagens, sem predadores naturais, causando impactos como assoreamento de rios, transmissão de doenças e competição com espécies nativas.

    Outro desafio é o manejo. Os búfalos exigem contato diário para se manterem dóceis, e a cultura local do Pantanal, baseada em criação extensiva, dificulta esse controle.

    Portanto, embora a ideia de usar búfalos como proteção contra onças tenha ganhado espaço entre alguns produtores, não há consenso sobre sua eficácia e segurança. Assim, a recomendação de especialistas é que a decisão seja tomada com cautela, considerando os potenciais impactos ambientais, sanitários e de manejo na região.

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  • Fazenda Espinilho abre Gira Técnica do Mundial Braford

    Fazenda Espinilho abre Gira Técnica do Mundial Braford

    A Fazenda Espinilho, do Grupo Pitangueira, em Maçambará (RS), foi palco da abertura da Gira Técnica do 9º Congresso Mundial da Raça Braford. Ele foi promovido pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB). O evento, que ocorre de 28 de abril a 4 de maio, reúne criadores, técnicos e especialistas do Brasil e do exterior para uma imersão nas práticas de produção e melhoramento genético da raça Braford, reconhecida por sua adaptabilidade e eficiência no Pampa Gaúcho.

    Durante o primeiro dia, os participantes conheceram de perto o trabalho de seleção do rebanho Braford do Grupo Pitangueira, referência nacional pela excelência genética. Com mais de 50 anos de tradição, a fazenda mantém aproximadamente 3,5 mil vacas de cria. Todas registradas e integradas ao programa de melhoramento genético da Conexão Delta G. A propriedade utiliza ferramentas avançadas como ultrassonografia de carcaça, avaliação da conversão alimentar e genômica. Isso permite decisões mais assertivas no manejo e seleção dos reprodutores, aumentando a produtividade e a sustentabilidade do sistema.

    Segundo Clarissa Lopes Peixoto, diretora do Grupo Pitangueira, o uso intensivo de tecnologia genética tem sido fundamental para consolidar o rebanho como referência na raça Braford. Entre as conquistas, destaca-se a produção do touro Big Brother, considerado um divisor de águas para a raça no Brasil.

    Programação técnica e troca de conhecimento

    A programação da Gira Técnica inclui visitas a propriedades de referência em genética Braford. Entre as visitadas estão a Estância do Sossego (Uruguaiana), Estância Bela Vista (Sant’Ana do Livramento) e Fazenda Santa Tereza (Arambaré. Totalizando um percurso de 980 quilômetros pelo Rio Grande do Sul. Em cada etapa, os participantes acompanham exposições de animais, palestras técnicas e demonstrações de manejo, promovendo a troca de experiências entre criadores e especialistas.

    Na Fazenda Espinilho, o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Flores Cardoso, ministrou palestra sobre o papel do melhoramento genético da raça Braford para uma pecuária mais sustentável. Cardoso ressaltou que o avanço das avaliações genéticas e o uso de ferramentas como a genômica são decisivos para aumentar a eficiência produtiva, a rentabilidade e a sustentabilidade das propriedades rurais.

    Brasil em destaque no cenário internacional

    O Congresso Mundial Braford e a Gira Técnica reforçam o protagonismo do Brasil na pecuária internacional. O evento antecede a 18ª Exposição Nacional da Raça Hereford. E conta com o apoio de instituições como a Capes e a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), que desenvolvem ações para formação técnica e humana de profissionais do setor.

    Com recorde de inscrições e participação de 600 animais – 400 da raça Braford e 200 Hereford -, o circuito técnico proporciona uma visão abrangente dos avanços em genética, manejo e produtividade. E consolida o Brasil como referência global na produção de carne de qualidade.

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  • Pará firma parceria com empresas para impulsionar pecuária sustentável

    Pará firma parceria com empresas para impulsionar pecuária sustentável

    O Governo do Pará anunciou nesta quinta-feira (24) uma aliança estratégica com grandes empresas do setor alimentício para impulsionar o Programa Pecuária Sustentável do Pará. Entre os signatários estão o Grupo Carrefour Brasil, a JBS, e os frigoríficos Rio Maria e Mafrinorte. A iniciativa visa implementar a rastreabilidade individual do rebanho bovino paraense – do nascimento ao abate – até 2026, garantindo transparência e combate ao desmatamento ilegal.

    O programa é pioneiro no Brasil e busca alinhar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e bem-estar social. As empresas envolvidas se comprometem a incentivar a produção de carne livre de desmatamento, apoiar pequenos e médios produtores e informar os consumidores sobre os diferenciais da carne rastreada.

    Investimentos e tecnologia para rastreabilidade

    O Grupo Carrefour Brasil investirá R$ 10 milhões na aquisição de brincos eletrônicos e chips para alimentar o Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), lançado em 2024. Além disso, a empresa oferecerá assessoria gratuita para a regularização de fazendas, em parceria com a JBS.

    pecuária sustentável
    Hana Ghassan, Vice-Governadora do Pará; Helder Barbalho, Governador do Pará; Stéphane Maquaire, CEO do Grupo Carrefour Brasil; e Raul Protázio, Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará.

    A partir do segundo semestre de 2025, as lojas do Carrefour no Pará serão as primeiras a vender carne com a certificação do programa. “A proteção do planeta e da biodiversidade é um dos pilares da nossa estratégia. Temos um papel fundamental em agendas colaborativas de alto impacto”, afirmou Stéphane Maquaire, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

    Pará como referência em pecuária sustentável

    O Pará possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 25 milhões de cabeças, segundo dados do IBGE (2023). O governador Helder Barbalho destacou que o estado já registra avanços: “Reduzimos o desmatamento sem perder produtividade. Em março, atingimos a menor área desmatada desde 2019. Isso prova que estamos no caminho certo.”

    A JBS, por sua vez, reforçou seu compromisso com a pecuária de baixo carbono no estado, em parceria com ONGs como The Nature Conservancy (TNC). “Estamos investindo em rastreabilidade e regularização ambiental para fortalecer a pecuária sustentável”, disse Bruno Brainer, diretor de operações da Friboi na região Norte.

    Frigoríficos como agentes de transformação

    O Frigorífico Rio Maria, que já participa de um projeto piloto de rastreabilidade, destacou a importância da iniciativa:

    “A rastreabilidade é uma exigência do futuro. Produzir com responsabilidade agrega valor à cadeia da carne e do couro”, afirmou Roberto Paulinelli, presidente da empresa.

    A rastreabilidade é crucial para atender às exigências de mercados como União Europeia e China, que demandam comprovação de origem sustentável. O programa posiciona o Pará como um líder em produção responsável, abrindo portas para novos negócios globais.

    Com essa iniciativa, o estado avança na integração entre produtividade e conservação, reforçando seu papel na agenda climática global.

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  • Farelo de mamona pode revolucionar a alimentação de bovinos

    Farelo de mamona pode revolucionar a alimentação de bovinos

    A Embrapa está testando o farelo de mamona destoxificado como alternativa ao farelo de soja na alimentação de bovinos de corte. O estudo, realizado em Bagé, na Embrapa Pecuária Sul, conta com a colaboração da Embrapa Algodão e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Em resumo, a pesquisa visa avaliar o consumo, digestibilidade e segurança do farelo de mamona na dieta animal. Além disso, um dos objetivos é verificar o potencial de redução da emissão de metano pelos bovinos.

    Farelo de mamona

    A mamona, naturalmente tóxica por causa da ricina, pode ser destoxificada na indústria, tornando-se uma opção viável para a nutrição de ruminantes. Com até 45% de proteína bruta, o farelo de mamona supera o farelo de soja em teor proteico e oferece uma opção mais econômica. Estudos anteriores com pequenos ruminantes já comprovaram a segurança do farelo de mamona destoxificado, enquanto aves, peixes e suínos, que são monogástricos, não podem consumi-lo devido à toxicidade.

    A zootecnista Bruna Machado, doutoranda e responsável pelo estudo, afirma que o farelo de mamona está sendo avaliado para introdução segura no mercado pecuário brasileiro. “Esperamos definir as condições adequadas para o uso seguro do farelo de mamona nas dietas de ruminantes, tanto no campo quanto em confinamento”, explica. Segundo Liv Severino, pesquisador da Embrapa Algodão, este avanço pode representar um marco global, uma vez que grandes produtores como Índia e China ainda não utilizam o farelo de mamona na alimentação animal. Ele acredita que o sucesso nos experimentos pode agregar valor significativo ao produto.

    Metodologia do estudo

    O estudo, intitulado “Uso seguro do farelo de mamona como alimento para ruminantes e para a redução das emissões de metano entérico”, envolve 20 fêmeas Brangus de um ano, divididas em quatro grupos. Elas recebem uma dieta base com 1% de concentrado e 2% de pré-secado de aveia. Portanto, cada grupo testa diferentes níveis de substituição do farelo de soja pelo farelo de mamona destoxificado: 10%, 20% e 30%, além de um grupo controle.

    Os animais são identificados por chips, permitindo o controle individual da alimentação. Bruna explica que cada bovino acessa apenas o cocho correspondente ao seu nível de tratamento, garantindo a precisão dos dados coletados.

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    Redução de metano: pecuária sustentável

    Outro foco do estudo é a redução da produção e emissão de metano entérico. O gás, gerado pela fermentação entérica em ruminantes, contribui significativamente para o aquecimento global. “O Brasil, com um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, precisa adotar dietas mais eficientes para cumprir compromissos internacionais de redução de emissões”, enfatiza Bruna.

    A pesquisa também explora o papel da nutrição animal no sequestro de carbono, destacando a importância do manejo adequado das pastagens para uma pecuária mais sustentável.

    Destoxificação: transformando resíduos em nutrição

    O farelo de mamona é um subproduto da extração de óleo da semente, tradicionalmente utilizado como fertilizante orgânico devido à toxicidade da ricina. Essa proteína tóxica inativa ribossomos e causa morte celular. No entanto, a indústria de extração de óleo já desenvolveu métodos eficazes para destoxificar o farelo, tornando-o seguro para ruminantes. Com isso, ele pode substituir o farelo de soja na dieta desses animais, oferecendo alta proteína a um custo menor.

    Ou seja, esses estudos podem abrir novos horizontes para a indústria pecuária e para a sustentabilidade ambiental, com o farelo de mamona emergindo como uma solução promissora para o setor.