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  • “Isis Valverde”, a vaca de R$ 4 milhões

    “Isis Valverde”, a vaca de R$ 4 milhões

    Uma vaca que leva o nome de uma das atrizes mais conhecidas do Brasil acaba de chamar a atenção dentro e fora do agronegócio. A matriz Ísis Valverde FIV da RS, da raça Nelore, foi avaliada em cerca de R$ 3,9 milhões após a venda de metade de sua propriedade em um dos leilões mais concorridos da pecuária nacional.

    A negociação aconteceu durante a quinta edição do Leilão Fazenda Terra Prometida & Convidados Especiais, realizado em Porto Nacional (TO). Na ocasião, a dupla sertaneja César Menotti & Fabiano adquiriu 50% da vaca por R$ 1,98 milhão. Com isso, passou a dividir a propriedade do animal com Henrique & Juliano.

    Além disso, o negócio reforça um movimento que vem ganhando força nos últimos anos. Animais de genética superior deixaram de ser apenas campeões de pista para se transformar em ativos de alto valor dentro da pecuária brasileira. Hoje, eles representam investimentos capazes de gerar retorno durante muitos anos.

    O que faz a vaca valer milhões?

    infografico sobre a vaca Isis

    O preço de uma matriz como Ísis Valverde não está ligado apenas à aparência ou aos títulos conquistados. Na verdade, o maior patrimônio está na capacidade de transmitir características desejadas para as próximas gerações.

    Cada embrião produzido, cada prenhez comercializada e cada filho nascido carregam parte desse valor genético. Dessa forma, o retorno financeiro pode continuar por muitos anos, tornando o investimento altamente atrativo para criadores que buscam elevar o nível de seus rebanhos.

    Ísis Valverde reúne justamente esse conjunto de atributos. Até o momento, a Nelore conquistou oito títulos em exposições realizadas entre 2025 e 2026 e vem sendo apontada como uma das matrizes mais promissoras da raça. Ao mesmo tempo, seu padrão racial, equilíbrio morfológico, habilidade materna e potencial de transmissão genética explicam o interesse despertado entre grandes investidores.

    Genética movimenta cifras cada vez maiores

    A pecuária de elite vive um momento de expansão. Nos últimos anos, tornou-se comum a negociação de cotas de animais, em vez da venda integral, nos principais leilões do país.

    https://www.instagram.com/p/DYkV1FDx8My/

    Assim, diferentes criadores compartilham os direitos sobre matrizes e reprodutores de alto valor. Enquanto isso, o animal continua produzindo embriões e descendentes. Consequentemente, todos os sócios participam dos resultados econômicos gerados pela genética.

    Paralelamente, a tecnologia reprodutiva acelerou esse mercado. Técnicas como fertilização in vitro e transferência de embriões permitem multiplicar rapidamente os melhores indivíduos do rebanho. Com isso, o potencial de retorno sobre o investimento aumenta de forma significativa.

    Famosos ajudam a aproximar o público da pecuária

    A presença de artistas nesse segmento também ampliou a visibilidade da pecuária de elite. Henrique & Juliano estão entre os criadores que mais investem em genética Nelore. Agora, César Menotti & Fabiano passam a integrar esse mercado ao adquirir participação em uma das matrizes mais valorizadas do país.

    https://www.instagram.com/p/DYqpbUOOGSe/

    Como resultado, essa aproximação desperta a curiosidade de quem normalmente não acompanha os leilões rurais. Afinal, cifras milionárias, celebridades e animais campeões formam uma combinação que chama atenção até de quem está distante do campo. Além disso, esse movimento ajuda a aproximar o agronegócio de um público cada vez mais amplo.

    Mercado segue em crescimento

    A valorização da genética bovina acompanha uma demanda crescente por rebanhos mais produtivos, férteis e eficientes. Ao mesmo tempo, produtores buscam animais capazes de transmitir características superiores para as futuras gerações. Por isso, investir em genética deixou de ser apenas uma questão de prestígio e passou a integrar a estratégia econômica das principais fazendas do país.

    Nesse cenário, casos como o de Ísis Valverde tendem a se tornar cada vez mais frequentes. Em outras palavras, a Nelore representa muito mais do que uma campeã de exposições. Ela simboliza um modelo de negócio que reúne ciência, tecnologia, inovação e melhoramento genético para impulsionar a produtividade da pecuária brasileira.

  • Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    A Exposição Nacional Hereford e Braford 2026 começou em Esteio com um recado direto ao setor. Não basta escolher bem na pista. É no campo que a decisão mostra se fez sentido.

    A Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) abriu a programação com o Curso de Julgamento Dr. Jacob Momm Filho, retomando uma agenda que havia sido interrompida nos últimos anos. A proposta vai além da estética e tenta corrigir um desvio comum entre criadores: selecionar animais com base em preferência visual, e não em desempenho produtivo.

    Logo na abertura, o presidente da entidade, Eduardo Soares, deixou claro o tom da capacitação. “Quando se fala em curso de julgamento, não se trata apenas de avaliar animais em pista. Todos nós somos jurados das nossas próprias convicções e precisamos estar preparados para julgar nossos animais em qualquer situação”, afirmou.

    A fala aponta para um problema recorrente no campo. A decisão genética ainda carrega subjetividade demais, e isso impacta diretamente o bolso do produtor.

    Capacitação promovida pela ABHB reúne técnicos, estudantes e criadores em atividades teórica e prática voltadas à seleção genética e produção de carne de qualidade. (Foto: Nestor Júnior)

    Menos gosto pessoal, mais critério técnico

    A tentativa do curso é justamente reduzir esse ruído. A seleção de machos e fêmeas, quando mal conduzida, compromete produtividade, eficiência alimentar e, no fim da cadeia, a qualidade da carne.

    Segundo Soares, definir critérios objetivos deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade básica. A capacitação foi estruturada para conectar teoria e prática, abordando desde regras institucionais até pontos técnicos da pecuária moderna.

    Essa mudança de abordagem também aparece na fala do professor Júlio Barcellos, da UFRGS. Ele alerta que decisões baseadas apenas em preferência pessoal ainda são mais comuns do que deveriam. “A habilidade de escolher um animal vai além de gostos individuais e deve considerar fatores fundamentais ligados à produção de carne, atividade que sustenta toda a cadeia produtiva”, disse.

    E foi além. “É preciso ultrapassar paixões e entender que a atividade-fim é a que paga a conta”.

    Genética equilibrada ganha espaço no debate

    Outro ponto que ganha força é o abandono da ideia de animal ideal. Em sistemas cada vez mais complexos, essa busca tende a gerar frustração e decisões equivocadas.

    Barcellos foi direto ao classificar essa expectativa como irreal. “Essa busca é uma ilusão”, afirmou, defendendo uma genética mais equilibrada e adaptável a diferentes ambientes.

    Esse raciocínio acompanha a própria evolução da ABHB. Fundada em 1958, a entidade ampliou sua atuação ao incorporar cruzamentos com raças zebuínas e consolidar o Braford. A mudança aumentou a adaptação dos animais e abriu novas possibilidades produtivas.

    Hoje, a associação atua em todo o país, com programas que já avaliaram cerca de 1 milhão de animais, em parceria com iniciativas como Pampaplus, Promebo e Conexão Delta G.

    Da exposição ao prato do consumidor

    Embora o curso aconteça dentro de uma exposição, o impacto vai além da pista. A qualidade da carne começa na escolha genética, passa pelo manejo e termina no consumidor.

    Programas como o Carne Certificada Hereford reforçam essa conexão, ao exigir critérios rigorosos de genética, idade e acabamento de carcaça desde 1998.

    Na prática, o que está em jogo é a consistência do produto final. E isso depende de decisões tomadas muito antes do abate. Ao recolocar a capacitação técnica no centro da agenda, a ABHB tenta reduzir erros que ainda passam despercebidos. Erros que não aparecem de imediato, mas que, ao longo do tempo, comprometem eficiência, competitividade e resultado dentro da porteira.

    A programação segue com atividades práticas, onde teoria e campo finalmente se encontram.