Tag: pecuária brasileira

  • Dono recusa vender touro mais pesado do Brasil por R$ 500 mil: “Vale mais”

    Dono recusa vender touro mais pesado do Brasil por R$ 500 mil: “Vale mais”

    Com 1,4 mil quilos e cerca de dois metros de altura, o touro Hércules chama atenção em qualquer evento agropecuário. Aos sete anos, o animal da raça Brahman se consolidou como um dos maiores símbolos da pecuária nacional e já iniciou a preparação para tentar recuperar, em 2026, o título de touro mais pesado da Expointer, realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul.

    Registrado como PVT 115 MR Falcão na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, Hércules pertence ao pecuarista Adilor Pedro Viana, proprietário da Cabanha Talismã, em Criciúma, Santa Catarina. Em 2025, ele conquistou o primeiro lugar na tradicional feira agropecuária ao atingir impressionantes 1,43 mil quilos.

    Segundo o criador, o animal perdeu aproximadamente 30 quilos durante o período de coleta de sêmen. Ainda assim, a equipe já iniciou um novo processo de ganho de peso para colocá-lo novamente na disputa.

    “Agora já vamos começar a engordar ele de novo para voltar na Expointer e disputar o título com os touros mais pesados. O Hércules é uma combinação de genética de ponta, alimentação controlada e anos de seleção, além de ser um orgulho para todos da região”, afirmou.

    Agenda inclui feiras em Santa Catarina

    Antes de retornar à Expointer, Hércules participará de três importantes eventos agropecuários em Santa Catarina. O touro será uma das atrações da Agropolo, em Paulo Lopes, da Feagro, em Braço do Norte, e também da Agroponte, em Criciúma.

    Além disso, a expectativa dos organizadores é que o animal continue atraindo visitantes por conta do tamanho e da fama conquistada nos últimos meses.

    Com sete anos, Hércules tem 1,4 mil quilos e dois metros de altura — Foto: Maria Laura Demétrio

    Vitória inédita valorizou genética do animal

    A conquista obtida na Expointer em setembro de 2025 entrou para a história da feira. Isso porque, pela primeira vez em 48 edições, um touro zebuíno superou raças europeias tradicionais, como charolês e limousin, no ranking dos animais mais pesados do evento.

    Como resultado, o interesse pelo material genético de Hércules cresceu significativamente. Consequentemente, o valor de mercado do touro também disparou.

    “Me ofereceram R$ 500 mil nele, mas eu não quis vender e nem vou vender. Quero ver o que vai dar, é uma coisa rara, né? Eu sei que meio milhão é muito dinheiro, mas o prazer de ter o touro mais pesado do Brasil vale mais do que esse dinheiro. Vamos ficar com ele e continuar trabalhando na genética”, revelou o pecuarista.

    Rotina segue simples apesar da fama

    Mesmo após ganhar projeção nacional, Hércules mantém praticamente a mesma rotina dos outros 80 animais da propriedade. De acordo com Adilor, a principal diferença está apenas no transporte, já que o tamanho do touro exige um caminhão reforçado e equipado com uma porta maior.

    “Posso garantir que é tudo igual. Esse touro nasceu aqui e foi vendido quando tinha um ano. Um tempo depois, o empresário de Criciúma que comprou foi trabalhar em São Paulo e quis vender. Eu comprei e percebi que já estava grande. Ele começou a crescer, crescer, crescer e virou o mais pesado do Brasil”, contou.

    Para aumentar o peso antes das competições, Hérculos ganha reforço na alimentação — Foto: Maria Laura Demétrio

    Dieta reforçada para as competições

    Para manter o porte impressionante e buscar novos títulos, Hércules segue uma alimentação rigorosamente controlada. Atualmente, o animal consome cerca de 25 quilos de silagem e mais 10 quilos de ração diariamente.

    A estratégia faz parte da preparação para as competições e ajuda o touro a manter o alto desempenho físico, além de reforçar o potencial genético valorizado pelo mercado pecuário.

  • Urgente: China retoma compras de carne bovina brasileira após suspensão

    Urgente: China retoma compras de carne bovina brasileira após suspensão

    A China autorizou, nesta quarta-feira (20), a retomada das exportações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros que estavam suspensos desde março de 2025. A decisão foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) após uma reunião entre autoridades brasileiras e chinesas realizada em Pequim.

    A medida representa um avanço importante para o setor pecuário brasileiro, principalmente porque o país asiático segue como o principal destino da carne bovina produzida no Brasil.

    Unidade da JBS em Goiás está entre as liberadas

    Entre os frigoríficos autorizados a voltar a exportar está a unidade da JBS em Mozarlândia, no estado de Goiás. A empresa é considerada a maior processadora de carne bovina do mundo.

    Além da planta goiana, a China também retirou as restrições sobre uma unidade da Frisa, localizada em Nanuque, em Minas Gerais, e uma planta da Bon-Marte, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

    Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a retomada reforça a confiança do mercado chinês na qualidade da carne brasileira e no sistema sanitário adotado pelo país.

    Suspensão ocorreu por “não conformidade”

    Os frigoríficos haviam sido bloqueados pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) em março de 2025. Na época, o órgão chinês alegou “não conformidade” em relação aos requisitos exigidos para o registro de estabelecimentos estrangeiros habilitados a exportar ao país.

    Apesar da suspensão, o governo chinês não detalhou quais critérios específicos estariam fora do padrão estabelecido pelas autoridades sanitárias locais.

    A decisão gerou preocupação no setor frigorífico brasileiro, já que a China concentra uma parcela significativa das exportações nacionais de carne bovina.

    Governo brasileiro busca ampliar exportações

    Além da retomada das três unidades, o Ministério da Agricultura também solicitou à China a habilitação de 33 novos frigoríficos brasileiros para exportação.

    Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, o pedido inclui 20 plantas de carne bovina, 11 unidades de aves e duas de carne suína.

    A iniciativa faz parte da estratégia brasileira para ampliar a presença no mercado asiático e fortalecer o agronegócio nacional no exterior.

    China segue como principal mercado da carne brasileira

    O Brasil ocupa atualmente a posição de maior exportador mundial de carne bovina, enquanto a China lidera entre os principais compradores do produto brasileiro.

    A retomada das habilitações ocorre durante a viagem oficial do ministro da Agricultura, André de Paula, ao país asiático. O governo brasileiro busca estreitar relações comerciais e abrir novas oportunidades para o setor agropecuário.

    Especialistas do mercado avaliam que a reabertura das plantas pode impulsionar novamente os embarques brasileiros e trazer maior estabilidade para a cadeia produtiva da carne bovina.

  • Brasil tem só uma raça de galinha genuinamente brasileira? Entenda a polêmica

    Brasil tem só uma raça de galinha genuinamente brasileira? Entenda a polêmica

    Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Galinha Sertaneja Balão (GSB) repercutiu nos últimos dias após ele afirmar, durante a chegada de novas aves à Granja do Torto, que a espécie seria a “única raça genuinamente brasileira”. Apesar da fala, o Brasil possui mais de dez raças de galinhas catalogadas, estudadas e preservadas em diferentes regiões do país.

    A definição de uma raça genuinamente brasileira, porém, ainda gera debate. Isso porque o Ministério da Agricultura não reconhece oficialmente aves como nativas da mesma forma que ocorre com bovinos, por exemplo.

    Nesse contexto, a definição mais aceita é a da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Segundo a entidade, aves nativas são populações domésticas que, ao longo de várias gerações, se adaptaram a ambientes específicos, condições climáticas locais e sistemas de criação utilizados por pequenos produtores.

    Atualmente, o mercado avícola comercial brasileiro trabalha majoritariamente com linhagens de origem estrangeira, principalmente dos Estados Unidos. Essas aves são selecionadas para oferecer maior produtividade e volume de produção.

    Por outro lado, as raças nativas brasileiras apresentam características valorizadas por pequenos criadores. De acordo com Marcos Jacob, analista de transferência de tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, essas aves se destacam pela resistência ao clima quente e seco das regiões Norte e Nordeste, além de exigirem menos insumos para criação.

    Segundo o especialista, embora tenham produção em menor escala, essas galinhas desempenham papel importante na segurança alimentar de comunidades locais. Além de garantirem fonte de proteína para pequenos produtores, elas também fazem parte da culinária tradicional brasileira, sendo utilizadas em pratos típicos como galinha ao molho pardo e pirão de parida.

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária mantém projetos de conservação genética dessas aves em diferentes estados brasileiros. O objetivo é preservar materiais genéticos considerados estratégicos para a segurança alimentar e para a manutenção da biodiversidade avícola nacional.

    Conheça algumas das principais raças brasileiras de galinha

    • Carijó
    • Pescoço Pelado
    • Pedrês
    • Rabo de Leque
    • Sura
    • Canela-Preta
    • Barbuda
    • Peloco
    • Frisada
    • Caneluda do Catolé
    • Perna Curta
    • Azulega
    • Caracuta
  • Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    A Cargill Nutrição e Saúde Animal apresentou, nesta terça-feira (31), em Campinas (SP), cidade a aproximadamente 100 km da capital paulista, o Probeef ILP, nova formulação voltada a sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP). O produto chega ao mercado com a proposta de melhorar o desempenho nutricional de bovinos de corte em pastagens integradas, ampliando a eficiência produtiva por área e atendendo a uma demanda crescente por soluções sustentáveis no campo.

    O lançamento, exclusivo para imprensa especializada, ocorreu no Centro de Inovação da empresa e reuniu executivos e representantes do setor, em um momento que reforça o posicionamento estratégico da companhia no segmento de nutrição animal. Atualmente, essa área responde por cerca de 80% dos negócios da Cargill no Brasil, mercado considerado prioritário pela companhia devido ao potencial da pecuária nacional.

    Segundo o diretor de Negócios Probeef, Tiago Galafassi Zarpelon, o país reúne condições únicas para expansão da bovinocultura. “O Brasil está muito bem posicionado globalmente. A demanda por carne cresce, e temos capacidade de atender com eficiência e escala”, afirmou.

    Integração e tecnologia no centro da estratégia

    Desenvolvido especificamente para sistemas ILP, o Probeef ILP busca otimizar a absorção de nutrientes e o aproveitamento da fibra dos pastos, contribuindo para ganhos de produtividade tanto individuais quanto por área. A tecnologia também se insere em um contexto de expansão desses sistemas no país, que já ocupam milhões de hectares e permitem até três safras anuais na mesma área.

    De acordo com o gerente de Tecnologia para Gado de Corte, Felipe Bortolotto, a inovação parte de uma escuta ativa do campo. “Inovação é como um esporte coletivo, pautado no que o cliente precisa. Não existe uma solução única para a pecuária brasileira, que é diversa e desafiadora”, disse.

    Dados apresentados pela empresa indicam avanços significativos na eficiência da produção nas últimas décadas. Em cerca de 20 anos, o peso médio de abate aumentou em aproximadamente três arrobas, enquanto a idade dos animais caiu de forma relevante, refletindo ganhos em produtividade e manejo.

    Além do novo produto, a linha Probeef Pasto passa por ajustes nas formulações, com níveis otimizados de macro e microminerais, ampliando a cobertura para diferentes perfis de produtores, do pequeno ao altamente intensivo.

    Produtividade exige planejamento e gestão

    Para o pecuarista José Leandro Olivi Peres, da Fazenda Alegria, em Mato Grosso, a tecnologia só gera resultado quando alinhada a objetivos claros. “O produtor precisa saber onde quer chegar. Quando isso está definido, o técnico consegue entregar a solução certa, no momento certo”, afirmou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Ele destacou ainda que a busca por maior produtividade deve estar associada à sustentabilidade econômica da propriedade. “Eu queria aumentar a produção por área e agregar mais arrobas, desde que o negócio fosse sustentável”, disse.

    A empresa também aposta em ferramentas digitais para apoiar o produtor na tomada de decisão, incluindo softwares de gestão, monitoramento por imagens de satélite e tecnologias de ajuste nutricional. A proposta é integrar produtos, pessoas e plataformas, os chamados “três Ps”, como base da estratégia.

    Reorganização do portfólio e foco no mercado

    O lançamento do Probeef ILP faz parte de um movimento mais amplo de reorganização do portfólio da companhia. As marcas passam a ser segmentadas por cadeia produtiva, com foco em soluções completas para cada área.

    No segmento de bovinos de corte, a marca Probeef assume papel central, com a proposta de oferecer desde produtos até suporte técnico especializado. A estratégia também inclui a atualização da identidade visual, baseada no conceito de confiança, elemento considerado essencial na relação com o produtor.

    Segundo o diretor de Marketing e Tecnologia, Marcelo Dalmagro, o objetivo é contribuir para a evolução da pecuária brasileira. “Queremos ajudar o produtor a dar o próximo passo, independentemente do tamanho da operação”, afirmou.

    A expectativa da empresa é ampliar participação em um mercado ainda fragmentado, mas em crescimento contínuo, impulsionado pela demanda global por proteína animal. Nesse cenário, a integração entre lavoura e pecuária surge como caminho para aumentar a eficiência produtiva e atender às exigências ambientais e econômicas do setor.

  • Brasil ultrapassa EUA e torna-se maior produtor de carne bovina do mundo

    Brasil ultrapassa EUA e torna-se maior produtor de carne bovina do mundo

    O Brasil produziu 12,35 milhões de toneladas da proteína em 2025, enquanto os Estados Unidos registraram 11,81 milhões de toneladas, considerando o peso equivalente carcaça. A diferença de mais de 500 mil toneladas marca a primeira vez que o país ultrapassa os norte-americanos desde o início da série histórica do USDA, iniciada na década de 1960.

    Os dados revelam que o Brasil nunca havia superado os Estados Unidos no ranking de produção desde 2021, período coberto pelo relatório atual. A conquista representa um avanço significativo para o agronegócio brasileiro, que já detinha a liderança mundial nas exportações há mais de duas décadas.

    Projeções para 2026 indicam equilíbrio entre Brasil e EUA

    O cenário competitivo deve se intensificar no próximo ano. Para 2026, os dois países devem produzir praticamente a mesma quantidade de carne. O Brasil deverá fornecer 11,7 milhões de toneladas e os EUA, 11,71 milhões de toneladas, segundo projeções do USDA.

    A expectativa de queda na produção brasileira para 2026 reflete o ciclo natural da pecuária de corte, enquanto os Estados Unidos sofrem com uma baixa histórica no rebanho, que resultou em inflação para a carne dos americanos. Os estoques de gado norte-americanos caíram em janeiro para o nível mais baixo em quase 75 anos.

    Dados brasileiros divergem das estimativas americanas

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou números mais conservadores para a produção nacional. A estimativa brasileira aponta 11,38 milhões de toneladas para 2025, volume inferior aos 12,35 milhões registrados pelo USDA. Mas ainda assim superior ao resultado de 2024.

    Além de assumir a liderança na produção, o Brasil consolidou sua posição no mercado internacional. O país bateu recorde nas exportações em 2025, com 4,25 milhões de toneladas métricas embarcadas, segundo o relatório “Pecuária e Avicultura: Mercados e Comércio Mundial” do USDA.

    A Austrália ocupa a segunda posição no ranking de exportações com 2,18 milhões de toneladas, seguida pela Índia (1,61 milhões) e Estados Unidos (1,17 milhões).

    Crescimento expressivo nas vendas internacionais

    No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o país exportou 3,15 milhões de toneladas de carne bovina, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram embarcadas 2,66 milhões de toneladas. A receita alcançou US$ 16,18 bilhões, avanço de 37,5% na comparação anual.

    Foto: Secom/SC

    O Brasil exportou mais de 357 mil toneladas de carne bovina em outubro de 2025, o maior volume mensal já registrado desde o início da série histórica, em 1997. Isso segundo dados compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

    China lidera demanda pela carne brasileira

    A China permanece como principal mercado comprador da proteína nacional. No acumulado do ano, a China lidera com 1,52 milhão de toneladas e US$ 8,08 bilhões, representando 48,3% do volume e 49,9% da receita total das exportações brasileiras.

    Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 244,5 mil toneladas e US$ 1,46 bilhão, seguidos pela União Europeia, Chile, México, Rússia, Egito, Hong Kong, Filipinas e Arábia Saudita.

    Diversos mercados ampliaram suas compras em 2025, com variações expressivas como Indonésia (alta de 579%), Canadá (96%), México (105%), China (43%) e Rússia (306%), segundo registrou a Abiec.

    Cenário global da produção de carne bovina

    O ranking mundial de produção coloca China em terceiro lugar, com 7,79 milhões de toneladas. Seguida pela União Europeia (6,47 milhões) e Índia (4,63 milhões de toneladas). A produção global totalizou 61,94 milhões de toneladas métricas em 2025.

    A conquista brasileira reflete investimentos em produtividade, condições sanitárias reconhecidas internacionalmente e capacidade de atendimento contínuo aos mercados globais. E consolida o país como potência mundial no setor pecuário.

  • Conheça a vaca mais cara do mundo, avaliada em R$ 54 milhões

    Conheça a vaca mais cara do mundo, avaliada em R$ 54 milhões

    O agronegócio brasileiro acabou de testemunhar um momento histórico. A vaca nelore Donna FIV CIAV quebrou o recorde mundial de valor ao ser avaliada em impressionantes R$ 54 milhões durante o Leilão Cataratas Collection, realizado no dia 20 de novembro em Foz do Iguaçu. O evento, promovido pela Casa Branca e RS Agropecuária, marcou um novo patamar no mercado pecuário nacional.

    O número impressiona ainda mais quando comparamos com a antiga recordista. Donna vale exatamente o dobro de Parla FIV AJJ, que havia estabelecido a marca anterior de R$ 27 milhões em maio deste ano. A genética superior explica parte desse sucesso – Donna é filha justamente de Parla com o renomado touro Bin Ben da Santa Nice.

    Consórcio milionário garante 25% da matriz campeã

    A negociação envolveu um consórcio formado por Nelore Huff e Nelore Traia Veia, que desembolsaram R$ 13,5 milhões para adquirir 25% da propriedade de Donna. Com isso, eles se juntam aos demais proprietários da matriz: Casa Branca Agropastoril, Agropecuária Mata Velha e Nelore LMC.

    Aos dez anos de idade, Donna já acumulava uma trajetória repleta de conquistas antes mesmo desse recorde. A matriz havia sido reconhecida como a Melhor Matriz do Ranking Nacional Nelore 2023/2024, consolidando sua posição de destaque no cenário da pecuária brasileira.

    Casa Branca domina o ranking das vacas mais valiosas

    Os números mostram que a Casa Branca Agropastoril se consolidou como referência no mercado de genética nelore de elite. Além de Donna, a empresa participa da propriedade de outras vacas que ocupam o topo do ranking de valores:

    • Parla FIV AJJ: R$ 27 milhões (recordista anterior)
    • Carina FIV do Kado: R$ 24 milhões
    • Viatina-19 FIV da Mara Móveis: R$ 21,5 milhões

    Tanto Carina quanto Viatina-19 também tem a Casa Branca entre seus proprietários, o que demonstra a estratégia bem-sucedida da empresa em identificar e desenvolver animais com genética excepcional.

    O mercado de nelore premium movimenta cifras cada vez mais expressivas no Brasil. Esses valores refletem não apenas a qualidade genética dos animais, mas também o potencial de retorno através da reprodução assistida e venda de embriões. Uma única vaca de elite pode gerar dezenas de descendentes anualmente através de técnicas como fertilização in vitro (FIV), multiplicando o investimento inicial dos proprietários.

  • Pastor da Mantiqueira: conheça o cão boiadeiro brasileiro

    Pastor da Mantiqueira: conheça o cão boiadeiro brasileiro

    Nas manhãs frias da Serra da Mantiqueira, a névoa cobre o pasto. O gado está quieto. E lá vem ele. O cão que se tornou símbolo do campo: o Pastor da Mantiqueira.

    Nasceu entre Minas, São Paulo e Rio. Aliás, nasceu no sobe-desce das encostas. No tilintar das cercas. Na rotina dos tropeiros. Ao mesmo tempo, carrega em si a mistura de pastores europeus — ibéricos e belgas — com cães que já sabiam lidar com a vida dura do interior. Assim, o resultado é simples e surpreendente: um cão único. De trabalho. De vigília. E, sobretudo, de uma lealdade que parece antiga.

    Reconhecido em 2022 pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). Foi quando deixou de ser “o cão da serra” para virar raça oficial. Ainda assim, seu olhar permanece o mesmo: atento. Esperto. Calmo, mas alerta.

    https://www.instagram.com/p/Cp-IX2_KFDL/

    Criadores da Associação Brasileira do Cão Pastor da Mantiqueira (ABRAPAM) dizem que não era para menos. “A associação nasceu em 2015 para proteger, desenvolver e difundir o Pastor da Mantiqueira, porque entendemos que ele é patrimônio cultural e zootécnico da região”, afirma o documento da entidade. E completam: “Nosso objetivo é manter o tipo funcional que sempre trabalhou na serra.”

    Características do Pastor da Mantiqueira

    Ele tem porte médio. Pesando entre 18-25 kg. Altura de 50-60 cm. Pelagem que varia – curta, média ou longa. Cor “azulego” preferida: dourado acinzentado à luz fria da manhã na montanha. Mas também há pretos, brancos, castanhos, dourados. Cada exemplar com sua marca. Cada exemplar com sua história.

    Foto: Império da Mantiqueira

    Ele trabalha. Surge no pasto antes do homem. Entende. Sente. Age. Não faz alarde — simplesmente está lá. No campo, com o gado. Em casa, vira companheiro que segue o dono até o portão. Dorme no quintal. Ou ao lado da cama. Depende. Mas não repousa se não tiver função.

    Ele se move com agilidade, sobe, desce terrenos que assustariam muitos cavalos. No frio, no vento, sob a neblina — sem hesitar. E, ainda assim, mantém aquela postura serena que só ele tem. Porque, quando o trabalho chama, ele não vacila.

    Ele representa o Brasil que resiste — o Brasil rural. Afinal, é o Brasil que conhece o cheiro da terra, o mugido do gado, o som das cercas se abrindo. E, por isso, sua presença diz muito mais do que qualquer descrição. O cão é parte da paisagem. Por outro lado, não se confunde com ela: se destaca. Sente a neblina, identifica o perigo, protege o rebanho e, ao mesmo tempo, observa o dono com olhar que diz “que bom estar contigo”. No fim das contas, ele é exatamente isso — instinto, parceria e silêncio que entende tudo.

    E, enquanto houver gado nas encostas e manhãs de neblina na serra, ele estará lá. Firme. Leal. De olhos atentos. De coração tranquilo. Um pedaço vivo da cultura do campo brasileiro.

  • Estudo revela como aumentar a produtividade da pecuária no Brasil

    Estudo revela como aumentar a produtividade da pecuária no Brasil

    Um estudo internacional publicado na revista científica Agricultural Systems, com participação de pesquisadores da Embrapa, traz novas perspectivas para a intensificação sustentável da pecuária no Brasil. O trabalho aponta que é possível aumentar a produção de carne e leite sem avançar sobre novas áreas de vegetação nativa, apostando na redução das chamadas “lacunas de rendimento” — a diferença entre o que uma fazenda produz atualmente e o seu potencial produtivo ideal.

    Segundo os pesquisadores, melhorar o desempenho dos sistemas pecuários existentes é fundamental para alimentar uma população global em crescimento e preservar o meio ambiente. A análise das lacunas de rendimento permite identificar onde e como investir para elevar a produtividade, tornando a pecuária mais eficiente e sustentável.

    O estudo destaca que modelos tradicionais muitas vezes desconsideram fatores essenciais, como estratégias de pastejo, composição da pastagem e o comportamento dos animais, o que limita a precisão das análises. A integração desses aspectos pode otimizar o uso dos recursos e promover a intensificação sustentável, sem necessidade de desmatamento.

    Pastagens ocupam 70% da área agrícola global

    As pastagens representam cerca de 70% da área agrícola mundial e são fundamentais para a segurança alimentar e a oferta de serviços ecossistêmicos. Com a demanda por carne e leite crescendo anualmente, aprimorar os sistemas produtivos existentes é uma alternativa estratégica para evitar a conversão de novas terras.

    O estudo revisou diferentes métodos para avaliar as lacunas de rendimento na pecuária de pastagem, como benchmarking, análise de fronteira, agrupamento climático e modelos de sistemas de produção. Cada abordagem tem suas vantagens e aplicações, podendo ser utilizada em escalas que vão do nível de fazenda ao nacional.

    Segundo Patrícia Menezes Santos, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste, essas ferramentas ajudam a direcionar esforços e investimentos de forma estratégica. Identificando áreas com maior potencial de aumento de produtividade. Ela ressalta que a transformação depende não só do produtor, mas de toda uma rede de apoio, incluindo políticas públicas e assistência técnica.

    Incentivos e desafios no Brasil

    Apesar do potencial, o estudo aponta que os incentivos para a intensificação da pecuária no Brasil ainda são baixos. De acordo com Geraldo Martha, da Embrapa Agricultura Digital, a agropecuária brasileira opera com baixos níveis de estímulo. E a análise das lacunas de produtividade pode ajudar a entender melhor as oportunidades e desafios do setor.

    Foto: Gisele Rosso/Embrapa

    O agrupamento climático, por exemplo, permite identificar regiões com alto potencial de intensificação, enquanto modelos baseados em sensoriamento remoto facilitam a avaliação de grandes áreas, contribuindo para um manejo mais eficiente das pastagens.

    Abordagens integradas para maior eficiência

    Os pesquisadores defendem a adoção de métodos integrados, combinando análises matemáticas, estatísticas e tecnológicas, para obter uma visão mais completa das lacunas de produtividade. Essa abordagem é essencial para orientar decisões de produtores e formuladores de políticas públicas, promovendo a intensificação sustentável da pecuária.

    A redução das lacunas de rendimento pode gerar impactos positivos expressivos, como aumento da produção sem desmatamento, maior renda para produtores e redução das emissões de gases de efeito estufa por quilo de carne ou leite produzido.

    A pesquisa conclui que fechar as lacunas de produtividade é uma oportunidade para transformar a pecuária brasileira em um setor mais eficiente, competitivo e sustentável. A combinação de tecnologias inovadoras, políticas públicas adequadas e capacitação técnica pode impulsionar a produção, proteger o meio ambiente e fortalecer a economia rural.

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  • Carrapato-do-boi: desafio de R$ 15 bilhões para a pecuária brasileira

    Carrapato-do-boi: desafio de R$ 15 bilhões para a pecuária brasileira

    O carrapato-do-boi, Rhipicephalus (Boophilus) microplus, representa um dos maiores desafios da pecuária brasileira, causando prejuízos que ultrapassam R$ 15 bilhões por ano. As infestações podem levar à perda de até 1,7 milhão de toneladas de carne bovina anualmente, o que equivale a cerca de 15% da produção nacional. Cada carrapato reduz até 1 grama do peso do animal e, na pecuária leiteira, diminui a produção em até 9 ml de leite por dia. Além disso, o parasita compromete a qualidade do couro e a saúde dos animais, por ser vetor da Tristeza Parasitária Bovina.

    Embora o controle do carrapato seja comum nas fazendas, estudos indicam que cerca de 80% da população do parasita está nas pastagens, e não nos animais. Essa situação evidencia uma lacuna importante nos métodos tradicionais, que geralmente focam apenas no tratamento direto do rebanho, sem eliminar o foco ativo na vegetação. O carrapato passa cerca de 95% do seu ciclo de vida fora do animal, nas pastagens.

    A fêmea fecundada se desprende do boi e deposita até 3.000 ovos no solo. As larvas emergem e sobem nos animais para reiniciar o ciclo, que pode se completar em apenas 21 dias. Esse tempo é suficiente para causar lesões e transmitir doenças. Segundo dados da Embrapa Gado de Corte, um animal da raça Nelore abriga, em média, de 10 a 15 carrapatos por dia, enquanto a raça Angus, mais sensível, pode acumular até 600 parasitas diariamente.

    Estratégia sustentável para o controle ambiental

    “Diante desse cenário, o controle ambiental de carrapatos deve ser uma estratégia nas fazendas, tornando essencial a adoção de alternativas eficazes e sustentáveis”, destaca o engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, Gustavo Corsini.

    Em infestações moderadas a severas, um lote de 100 animais pode perder até 20 kg por animal, totalizando 2.000 kg de peso perdido por infestação. Isso representa um prejuízo superior a R$ 33 mil por ciclo de engorda, considerando o preço médio da arroba em R$ 250,00.

    Segundo Corsini, “ao focar no controle ambiental do parasita, com soluções especificas, contribuímos para a produtividade da pecuária nacional. Além de ajudar o produtor a enfrentar um problema antigo com inovação e eficiência. Portanto, menos carrapato significa mais peso, mais leite, menos doenças e menor gasto com medicamentos”

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  • GTFI completa 10 anos com avanços na rastreabilidade da pecuária brasileira

    GTFI completa 10 anos com avanços na rastreabilidade da pecuária brasileira

    O Grupo de Trabalho de Fornecedores Indiretos (GTFI) celebrou uma década de conquistas em um evento realizado nesta terça-feira (25/03), na capital paulista. Desde 2014, o fórum tem desenvolvido soluções inovadoras para rastrear fornecedores indiretos na cadeia da carne bovina, fortalecendo a sustentabilidade e a credibilidade internacional do setor pecuário brasileiro.

    Durante o XII Encontro do GTFI, lideranças do setor privado, ONGs e órgãos governamentais discutiram os resultados de uma década de colaboração. Mauro Armelin, diretor da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira (AdT), destacou: “Este é um espaço seguro para cooperação, onde stakeholders unem esforços para resolver desafios complexos, como a rastreabilidade global da cadeia pecuária”.

    Uma década de inovação

    Nos últimos 10 anos, o GTFI implementou iniciativas como:

    • Protocolo de adesão voluntária com monitoramento por lote e zonas de risco (Mato Grosso e Pará).
    • Boas Práticas Socioambientais, baseadas em quatro pilares: conformidade legal, análise de risco, transparência e engajamento de fornecedores.
    • Subgrupo técnico para criar regras unificadas de rastreabilidade, em desenvolvimento desde 2023.

    “O documento técnico em elaboração será crucial para orientar frigoríficos, órgãos governamentais e investidores, além de embasar acordos com o Ministério Público Federal”, explicou Cintia Cavalcanti, analista da AdT.

    Empresas apresentam iniciativas

    No evento, representantes da Masterboi, Marfrig e JBS compartilharam suas plataformas de monitoramento de fornecedores diretos e indiretos. Apesar dos avanços, as empresas destacaram desafios, como a falta de transparência de dados públicos sobre propriedades rurais, que limita a rastreabilidade total.

    Ricardo Negrini, procurador do MPF no Pará, reforçou a necessidade de incluir fornecedores indiretos em acordos setoriais. Dados do 6º ciclo de auditorias do MPF no estado revelaram:

    • 38% das propriedades em conformidade.
    • 27% com risco de irregularidades.
    • 35% sem identificação no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

    Os principais problemas estão vinculados a desmatamento e áreas embargadas.

    Fernando Sampaio, da ABIEC, destacou a importância dos protocolos socioambientais brasileiros para garantir acesso a mercados internacionais. “A rastreabilidade não é só uma exigência, mas um diferencial competitivo”, afirmou.

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