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  • Entenda por que a classificação do PCC e do CV como terroristas preocupa o agronegócio

    Entenda por que a classificação do PCC e do CV como terroristas preocupa o agronegócio

    A decisão dos EUA de enquadrar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode ampliar os riscos jurídicos e financeiros para empresas brasileiras. No agronegócio, a preocupação envolve principalmente cadeias produtivas ligadas a insumos, combustíveis, logística, armazenagem e financiamento.

    O anúncio partiu do Departamento de Estado dos EUA na quinta-feira (28). As duas facções receberam a classificação de Terroristas Globais Especialmente Designados e passam a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de junho.

    Embora a medida não represente um bloqueio automático aos produtos do agro brasileiro, ela aumenta o nível de fiscalização sobre empresas que mantenham relações, mesmo indiretas, com fornecedores, distribuidoras de combustíveis, transportadoras ou estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.

    Além disso, investigações recentes apontam que organizações criminosas vêm ampliando sua atuação em atividades econômicas formais e semiformais. Em diversos casos, essas operações acabam se relacionando com empresas legítimas do setor agropecuário, muitas vezes sem que elas tenham conhecimento da ligação criminosa.

    Mercado de defensivos preocupa autoridades

    Uma das áreas consideradas mais vulneráveis é a de insumos agrícolas. Segundo dados da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgados em abril de 2026, produtos falsificados e contrabandeados já podem representar até 20% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil.

    Além disso, o volume de agrotóxicos apreendidos em rodovias federais alcançou 127 toneladas em 2025, mais que o dobro das 62,9 toneladas registradas em 2024.

    Da mesma forma, as apreensões realizadas pela Receita Federal apresentaram crescimento expressivo. Entre 2020 e 2025, o valor dos produtos irregulares confiscados aumentou 55%, atingindo R$ 16,4 milhões.

    Logística rural entra no radar

    A expansão das facções para o interior do país também preocupa entidades ligadas ao setor. Por isso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendeu, em 2025, a votação de um pacote de medidas voltadas à segurança rural.

    Na ocasião, a bancada destacou que o meio rural passou a ter importância estratégica para grupos criminosos devido à intensa movimentação econômica, ao fluxo de cargas e à menor presença do Estado em determinadas regiões.

    Além disso, rotas fundamentais para o escoamento de commodities agrícolas frequentemente atravessam áreas com forte influência de organizações criminosas. Essas mesmas rodovias são utilizadas para o transporte de drogas em direção aos portos brasileiros e, posteriormente, para outros continentes, especialmente a Europa.

    Em alguns casos, as facções utilizam estruturas de empresas de logística aparentemente regulares para realizar essas operações. Um dos exemplos citados pelas autoridades é a Operação Iceberg, deflagrada pela Polícia Federal em 2025.

    Como a decisão dos EUA pode afetar empresas brasileiras

    A reação de Washington pode ocorrer em diferentes frentes. A principal delas é a financeira.

    Com a designação como Terroristas Globais Especialmente Designados, pessoas e empresas norte-americanas ficam proibidas de realizar negócios com indivíduos, empresas ou estruturas ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho. Além disso, ativos sob jurisdição dos Estados Unidos podem ser bloqueados.

    Na prática, uma empresa brasileira não precisa possuir sede nos EUA para sentir os efeitos da medida. Caso seja incluída em listas de sanções ou mantenha relações comerciais relevantes com pessoas ou empresas sancionadas, poderá enfrentar dificuldades em operações realizadas em dólar.

    Por consequência, também podem surgir restrições impostas por bancos correspondentes, perda de acesso ao crédito internacional e obstáculos para manter contratos com compradores submetidos às regras norte-americanas.

    Exportações podem sofrer maior fiscalização

    O impacto tende a ser ainda mais significativo nas cadeias voltadas à exportação.

    Nesse cenário, tradings, agroindústrias, cooperativas, transportadoras, distribuidoras de combustíveis e fornecedores de insumos poderão passar por análises mais rigorosas de bancos, seguradoras e compradores internacionais.

    O objetivo dessas instituições é evitar qualquer vínculo, direto ou indireto, com empresas que possam ser associadas a organizações classificadas pelos EUA como terroristas.

    Risco penal também aumenta

    Por outro lado, a nova classificação abre espaço para a aplicação das normas norte-americanas relacionadas ao apoio material a organizações terroristas.

    Isso não significa que uma empresa será automaticamente responsabilizada por contratar um fornecedor que venha a ser investigado posteriormente. No entanto, a legislação dos EUA exige avaliação de fatores como o conhecimento prévio sobre a ligação com a organização designada ou sobre a atividade terrorista.

    Ainda assim, a medida aumenta a exposição de empresas que não consigam comprovar processos adequados de seleção e monitoramento de fornecedores e prestadores de serviços.

    Cadeias contaminadas podem gerar prejuízos

    Mesmo sem sofrer sanções formais, empresas inseridas em cadeias produtivas contaminadas podem ter contratos revisados por bancos, seguradoras, tradings e compradores globais.

    Dessa forma, situações como a compra de defensivos falsificados, o uso de combustíveis comercializados por redes investigadas, a contratação de transportadoras ligadas ao crime organizado ou a exportação de cargas contaminadas em portos passam a representar pontos de atenção para autoridades e agentes financeiros.

  • Touro milionário apreendido em operação contra o PCC gera custo de até R$ 60 mil por mês

    Touro milionário apreendido em operação contra o PCC gera custo de até R$ 60 mil por mês

    A Polícia Civil apreendeu o touro Império durante uma operação contra lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional de drogas comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Reconhecido no circuito profissional de rodeios, o animal disputa etapas da Professional Bull Riders (PBR) e pode valer ao menos R$ 1 milhão, segundo as autoridades.

    Em entrevista ao g1, um veterinário que atua no mercado de rodeios em todo o país explicou que touros desse porte pesam, em média, 850 quilos. O especialista, que preferiu não se identificar, afirmou conhecer o Império e detalhou os custos para manter um animal desse nível.

    “Animais desse tipo pesam, em média, 850 quilos, e o custo de manutenção gira em torno de R$ 60 mil, considerando alimentação, transporte e terapias”, relatou.

    Segundo o veterinário, o Império pertence à categoria dos taurinos, resultado do cruzamento entre raças europeias e zebuínos, conhecidos pela presença do cupim. O animal também chama atenção pelo porte físico e pode chegar perto dos dois metros de altura.

    Touros como o Império consomem entre 35 e 45 quilos de alimento por dia. Para manter o desempenho nas arenas, os tratadores oferecem dietas compostas por alimentos volumosos e concentrados.

    Operação contra lavagem de dinheiro do PCC: polícia apreende dinheiro, cavalos e 3º touro melhor ranqueado em rodeios do Brasil — (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

    Histórico de vitórias e posição da PBR

    Fruto do cruzamento entre as raças Nelore e Girolando, o Império reúne características valorizadas nos rodeios, como força, resistência e maior vigor físico. Desde 2024, o touro acumula títulos importantes em competições organizadas pela PBR.

    O animal venceu etapas em Limeira (SP), em 2024, e em Gonçalves (MG) e Ijaci (MG), ambas em 2025. Além disso, alcançou a terceira colocação no ranking da Confederação Nacional de Rodeio (CNAR) em julho de 2025.

    A operação policial também mirou o influenciador digital Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, dono da companhia responsável pelo animal. As autoridades prenderam o empresário no ano passado em outra investigação.

    Em nota, a PBR Brazil esclareceu que não mantém qualquer ligação com proprietários de touros. A entidade também explicou como funciona a escolha dos animais para as competições.

    “A PBR Brazil não possui vínculo direto ou indireto com proprietários de touros, e as contratações para cada etapa podem ou não ser feitas diretamente pelo organizador local”, informou.

    A organização acrescentou que seleciona os touros exclusivamente por critérios técnicos. “Com relação à contratação de touros de pulo, a seleção acontece exclusivamente com base no desempenho dos animais em eventos recentes”, destacou a entidade.

    Para pontuar no ranking da CNAR, o touro precisa vencer etapas credenciadas. O Império conquistou sua pontuação justamente pelas vitórias obtidas nas três competições promovidas pela PBR.