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  • Parque Nacional do Iguaçu fecha trilhas para monitorar onças-pintadas e jaguatiricas

    Parque Nacional do Iguaçu fecha trilhas para monitorar onças-pintadas e jaguatiricas

    O Parque Nacional do Iguaçu fecha temporariamente a Trilha da Canafístula e um trecho do Caminho do Poço Preto entre os dias 8 e 22 de março para atividades de pesquisa e conservação de grandes felinos. A medida integra o Projeto Onças do Iguaçu, desenvolvido em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). E não afeta a Trilha das Cataratas nem os demais atrativos do parque.

    Foto: Projeto Onças do Iguaçu/Divulgação

    O monitoramento acompanha populações de onça-pintada (Panthera onca) e jaguatirica (Leopardus pardalis), duas das espécies mais emblemáticas da fauna brasileira, dentro de um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do mundo. Com mais de 185 mil hectares de floresta preservada, o Parque Nacional do Iguaçu abriga uma biodiversidade extraordinária. E figura na lista do Patrimônio Natural da Humanidade da Unesco desde 1986.

    Restrições

    As restrições se concentram em dois pontos: no Polo Cataratas, em Foz do Iguaçu, onde a Trilha da Canafístula fica completamente fechada e o Caminho do Poço Preto sofre restrição parcial; e no Polo Silva Jardim, em São Miguel do Iguaçu, onde equipes de pesquisadores também atuam no monitoramento. Em ambos os casos, o impacto para os visitantes é mínimo.

    A Trilha das Cataratas, os mirantes e a passarela com vista direta para as Cataratas do Iguaçu, maior sistema de quedas d’água do planeta, seguem abertos normalmente. Quem visitar o parque durante o período pode aproveitar a experiência completa. Incluindo o passeio de barco ao sopé das quedas e os voos de helicóptero disponíveis na região.

    O Projeto Onças do Iguaçu utiliza câmeras-armadilha, rastreamento e análise de pegadas para mapear o comportamento, os territórios e o tamanho das populações de felinos. Os dados orientam decisões de manejo e reforçam a importância do parque como corredor ecológico para espécies ameaçadas de extinção.

  • Só muda o tamanho: onças-pintadas miam como gatos no Parque do Iguaçu

    Só muda o tamanho: onças-pintadas miam como gatos no Parque do Iguaçu

    Armadilhas fotográficas instaladas no Parque Nacional do Iguaçu capturaram pela primeira vez onças-pintadas (Panthera onca) emitindo vocalizações semelhantes aos miados de gatos domésticos na natureza. A descoberta surpreende cientistas e amplia o conhecimento sobre a complexidade da comunicação entre os grandes felinos selvagens.

    Os pesquisadores registraram três gravações distintas: duas de fêmeas adultas e uma de um filhote. Os sons captados apresentam características agudas e rápidas, muito similares aos miados que os felinos domésticos emitem para se comunicar com humanos.

    Tecnologia revela comportamento desconhecido

    As câmeras de monitoramento, distribuídas estrategicamente em diversos pontos do parque paranaense, conseguiram capturar não apenas imagens, mas também os áudios das vocalizações. Essa tecnologia permitiu aos cientistas documentar um comportamento que permanecia desconhecido até então.

    “A detecção inédita desses sons entre os grandes felinos demonstra como as comunicações na natureza apresentam muito mais complexidade do que imaginávamos”, destacam os autores do estudo na revista científica Behaviour, onde publicaram os resultados em novembro de 2024.

    Anatomia vocal surpreende especialistas

    As onças-pintadas compartilham com leões e tigres uma anatomia vocal especializada que permite emitir rugidos potentes. Os cientistas tradicionalmente conheciam esses grandes felinos apenas por suas vocalizações graves e poderosas. A descoberta dos miados adiciona uma nova dimensão ao repertório vocal da espécie.

    Segundo os pesquisadores, enquanto gatos domésticos utilizam o miado principalmente para interagir com seres humanos, as onças-pintadas provavelmente empregam esses sons agudos como forma de comunicação entre mães e filhotes. Essa hipótese baseia-se no perfil dos animais registrados nas gravações.

    Parceria internacional viabiliza pesquisa

    O estudo resulta de uma colaboração entre instituições nacionais e internacionais. O WWF Brasil, organização não-governamental dedicada à conservação ambiental, uniu esforços com o Projeto Onças-pintadas do Iguaçu e a Atlantic Technological University, da Irlanda.

    A parceria exemplifica como a cooperação científica internacional contribui para avanços no conhecimento sobre espécies ameaçadas. A onça-pintada figura na lista de animais vulneráveis, com população estimada em cerca de 64 mil indivíduos na natureza, segundo dados da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

    Conservação e futuras pesquisas

    O Parque Nacional do Iguaçu abriga uma das populações mais importantes de onças-pintadas da Mata Atlântica. A unidade de conservação protege aproximadamente 185 mil hectares de floresta, oferecendo habitat essencial para a espécie.

    A descoberta abre caminho para novas investigações sobre o comportamento comunicativo das onças-pintadas. Os pesquisadores pretendem expandir o monitoramento acústico para entender melhor em quais contextos os animais utilizam diferentes tipos de vocalização e como isso impacta suas interações sociais e cuidado parental.