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  • Parasita “comedor de carne” ameaça pecuária dos EUA

    Parasita “comedor de carne” ameaça pecuária dos EUA

    Parecia um problema enterrado nos livros de história da pecuária. Mas ele voltou. E voltou fazendo barulho.

    A reaparição do verme conhecido como bicheira do Novo Mundo, um parasita capaz de consumir tecido vivo de animais, colocou autoridades sanitárias e pecuaristas dos Estados Unidos em estado de alerta. Casos recentes registrados no sul do país reacenderam um temor que há décadas não rondava os ranchos americanos.

    O parasita, chamado cientificamente de Cochliomyia hominivorax, deposita seus ovos em feridas abertas. Quando as larvas eclodem, começam a se alimentar da carne do hospedeiro ainda vivo. O processo é rápido, doloroso e, se não houver tratamento imediato, pode levar o animal à morte.

    A descrição parece saída de um filme de terror. No campo, porém, ela é bastante real.

    Como a bicheira do Novo Mundo ameaça a produção

    A bicheira foi considerada erradicada dos Estados Unidos no fim do século passado, após um longo e custoso programa de controle biológico. Por isso, o surgimento de novos casos despertou preocupação não apenas sanitária, mas também econômica.

    O alerta ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. Os Estados Unidos atravessam o menor ciclo de oferta de gado em mais de 70 anos, consequência de secas prolongadas, custos elevados de produção e redução do rebanho. Nesse cenário, qualquer ameaça adicional ganha proporções ainda maiores.

    Além das perdas diretas nas fazendas, o temor é de que o avanço da bicheira provoque restrições sanitárias, aumente os custos de manejo e pressione ainda mais os preços da carne bovina. Nos Estados Unidos, o valor da proteína já opera em níveis historicamente elevados.

    Autoridades reforçam vigilância sanitária

    As autoridades intensificaram a vigilância em regiões de fronteira e reforçaram protocolos de inspeção em propriedades rurais. O objetivo é identificar rapidamente novos focos e evitar que o parasita encontre condições favoráveis para se espalhar.

    Para os pecuaristas, o episódio também funciona como um lembrete de uma velha máxima do campo: ameaças sanitárias raramente dão aviso prévio.

    Enquanto os técnicos ampliam o monitoramento, produtores acompanham cada novo boletim com atenção redobrada. O inimigo é pequeno, quase invisível a olho nu. Ainda assim, seu potencial de causar prejuízos bilionários faz dele uma das maiores preocupações da pecuária americana neste momento.

    Efeitos podem ultrapassar as fronteiras dos Estados Unidos

    Em um mercado global cada vez mais conectado, o que acontece nos pastos do Texas dificilmente fica apenas no Texas. Os desdobramentos do surto podem repercutir nas cadeias internacionais de carne, influenciar o comércio global e acender um sinal de atenção também entre produtores e exportadores brasileiros.

  • Planta parasita rara é descoberta em Minas

    Planta parasita rara é descoberta em Minas

    Uma planta parasita rara, a Helosis brasiliensis Schott & Endl., foi encontrada em junho nas trilhas da Fazenda Santa Helena, em Maria da Fé. Essa fazenda é conhecida pela produção do Azeite Monasto. A espécie é uma erva carnosa, aclorofilada e holoparasita, pertencente à família Balanophoraceae.

    A olivicultora Rosana Chiavassa avistou a planta durante uma caminhada com seu filho. Curiosa sobre a descoberta, ela procurou o Campo Experimental da Epamig em Maria da Fé para identificar a espécie. A botânica e pesquisadora Carolina Ruiz Zambon confirmou o achado. “Essas plantas são difíceis de encontrar. Suas estruturas vegetativas ficam quase sempre subterrâneas e só aparecem quando emitem flores”, explica.

    A equipe coletou as amostras e as encaminhou ao Herbário PAMG da Epamig. No local, os pesquisadores herborizaram o material e montaram exsicatas — plantas prensadas e secas acompanhadas de informações sobre a coleta. A pesquisadora e curadora do Herbário, Andréia Fonseca, destaca que essa planta ocorre principalmente na Bahia e em estados do Sul e Sudeste. “Este é um registro importante que amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie”, afirma.

    Rosana ressalta a importância da ação: “Queríamos garantir a preservação e o estudo da planta. A Epamig nos ajudou a identificar sua raridade”. Carolina Zambon destaca que essa colaboração contribui para o avanço do conhecimento científico e para a conservação ambiental.

    O Herbário PAMG possui atualmente 59.784 exsicatas, principalmente de Minas Gerais. Desde 2020, o acervo passa por informatização e 11 mil amostras já estão disponíveis online na rede SpeciesLink. Segundo Andréia Fonseca, os herbários são fundamentais para entender a conservação das espécies e para a tomada de decisões ambientais. “Eles registram a ocorrência das plantas ao longo do tempo, ajudam a analisar o estado das populações e a formular estratégias de proteção”, conclui.

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  • Inimigo invisível causa prejuízo bilionário na soja

    Inimigo invisível causa prejuízo bilionário na soja

    O produtor de soja que deseja manter produtividade e lucro precisa investir no controle dos nematoides. Caso contrário, pode enfrentar perdas expressivas na colheita. Em resumo, esses vermes microscópicos vivem no solo e atacam diretamente as raízes da planta.

    Inimigo invisível

    Apesar de invisíveis a olho nu, eles causam estragos visíveis no campo e prejuízos bilionários ao setor. Os nematoides são vermes cilíndricos, com tamanho entre 0,3 mm e 3 mm. Estão presentes em diferentes ambientes, como solo, plantas e animais.

    Quando atacam apenas vegetais, são chamados de fitonematoides. Eles se dividem em dois grupos: endoparasitas e ectoparasitas. Os endoparasitas vivem dentro das raízes das plantas durante quase todo o ciclo. Já os ectoparasitas permanecem no solo, fora das raízes.

    Na soja, os principais danos vêm dos nematoides endoparasitas. Eles se alojam nas raízes e dificultam a absorção de água e nutrientes.

    Perdas que somam bilhões por ano

    Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), os nematoides causam perdas de R$ 16,2 bilhões por ano apenas na cultura da soja.

    Em lavouras infestadas por nematoides das galhas, as perdas de produtividade podem chegar a 100%. Sem controle, o problema se agrava a cada safra. Além de atacar as raízes, os vermes se alimentam usando o estilete bucal. Eles penetram as células, retiram seu conteúdo e causam desnutrição. Em geral, plantas afetadas crescem menos, murcham, ficam amareladas e produzem menos vagens e grãos.

    Nematoides transmitem doenças à lavoura

    Durante o ataque, os nematoides também atuam como vetores de doenças. Ao inserir o estilete, podem transmitir vírus, bactérias e fungos ao tecido vegetal. Portanto, essas doenças agravam os sintomas e reduzem ainda mais o potencial produtivo da lavoura.

    Três espécies mais comuns na soja

    A Embrapa identificou mais de 100 espécies de nematoides associadas à soja. No entanto, três delas preocupam mais os produtores.

    1. Nematoide das galhas (Meloidogyne spp.)

    Esse grupo inclui mais de 80 espécies. No Brasil, Meloidogyne javanica e M. incognita causam os maiores prejuízos.

    A M. javanica está presente em todas as regiões produtoras e é a mais agressiva. Já a M. incognita aparece em áreas antes cultivadas com café e algodão.

    Esses vermes formam galhas nas raízes, causadas por secreções que estimulam o crescimento desordenado do tecido vegetal. As plantas infectadas exibem sintomas como folhas amareladas, reboleiras, necrose entre nervuras e até abortamento de vagens.

    2. Nematoide de Cisto da Soja (Heterodera glycines)

    Conhecido como NCS, esse nematoide tem ciclo de 23 dias. As fêmeas vivem nas raízes e produzem até 500 ovos, armazenados em seus corpos. Após a morte da fêmea, o corpo se transforma em cisto. Essa estrutura marrom protege os ovos por até 7 anos, mesmo sem hospedeiros. Ou seja, esses cistos voltam ao solo e dificultam a absorção de nutrientes e água. Os sintomas incluem clorose, nanismo e reboleiras na lavoura.

    3. Nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus)

    Esse é um endoparasita migrador. Ele se move por diferentes partes da raiz e causa danos mecânicos ao se alimentar. Além disso, as lesões abertas facilitam a entrada de patógenos como o Fusarium. Em geral, a planta afetada apresenta folhas amareladas e tamanho reduzido.

    O nematoide pode sobreviver em condições adversas, como solo seco, calor intenso ou ausência de raízes, por até sete meses.

    Estresse agrava o impacto na lavoura

    Condições como solo arenoso, compactado, seca, baixa população de plantas e nutrição deficiente intensificam os danos causados por nematoides. Por isso, o produtor deve adotar práticas preventivas, mesmo antes de notar os primeiros sinais da infestação.

    Controle eficiente exige manejo integrado

    A forma mais eficaz de enfrentar os nematoides é o Manejo Integrado de Pragas (MIP). A técnica combina práticas agronômicas e químicas para reduzir a população desses vermes.

    Quando o solo já está infestado, o controle se torna mais difícil. Por isso, a prevenção ainda é a estratégia mais indicada.

    Confira abaixo as práticas recomendadas pelo MIP:

    • Fazer limpeza do maquinário, reservatórios e canais de irrigação;
    • Expor camadas profundas do solo ao sol nas horas mais quentes;
    • Utilizar cultivares resistentes às espécies presentes na região;
    • Adotar rotação de culturas com espécies não-hospedeiras;
    • Realizar análises de solo e monitoramento digital de pragas;
    • Aplicar defensivos recomendados para o controle de nematoides.

    Portanto, ao combinar essas estratégias, o sojicultor reduz os riscos de infestação, protege a lavoura e assegura uma colheita mais rentável.

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