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  • 9 papagaios resgatados do tráfico chegam ao Zoo de SP

    9 papagaios resgatados do tráfico chegam ao Zoo de SP

    Nove papagaios que sobreviveram a uma tentativa de tráfico internacional de fauna silvestre ganharam um novo espaço no Zoológico de São Paulo nesta semana.

    São seis papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e três papagaios-charão (Amazona pretrei), espécies ameaçadas que agora ocupam o Bosque da Conservação.

    As aves foram destinadas ao zoológico pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

    Papagaios passaram por quarentena antes da mudança

    Os nove animais chegaram ao Zoológico de São Paulo em março, quando tinham cerca de cinco meses de vida.

    Antes de serem transferidos para o Bosque da Conservação, passaram por quarentena e avaliações clínicas.

    O espaço reúne espécies ameaçadas e permite que os visitantes acompanhem parte do trabalho de conservação desenvolvido pelo zoológico.

    Entre os animais que também estão no local estão ararinhas-azuis, araras-azuis-de-lear e jacutingas.

    A chegada dos papagaios ocorreu próxima ao Dia Nacional do Papagaio, celebrado em 12 de agosto.

    Aves foram resgatadas ainda nos ovos

    A história dos nove papagaios começou em 26 de outubro de 2025, quando o Ibama apreendeu 24 ovos de aves no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.

    A apreensão ocorreu durante uma fiscalização contra o tráfico internacional de animais silvestres.

    Segundo informações divulgadas sobre o caso, uma passageira estrangeira transportava os ovos escondidos sob as roupas e presos ao corpo com meias de nylon.

    Os ovos já estavam em estágio avançado de desenvolvimento e foram encaminhados para atendimento especializado.

    No dia seguinte à apreensão, parte deles começou a eclodir.

    Apenas 9 dos 24 ovos resultaram em aves sobreviventes

    Os filhotes receberam cuidados intensivos e acompanhamento especializado.

    Dos 24 ovos apreendidos, 12 eclodiram. Ao final do processo, nove filhotes sobreviveram.

    Espécies participam de ações de conservação

    O papagaio-de-cara-roxa e o papagaio-charão estão envolvidos em ações de conservação de aves da Mata Atlântica.

    Além disso, as espécies também participam de iniciativas relacionadas ao manejo e à reprodução planejada sob cuidados humanos, com participação de instituições ligadas à conservação da fauna.

    O objetivo dessas iniciativas é contribuir para a manutenção de populações de espécies ameaçadas e para o desenvolvimento de estratégias de conservação.

  • Papagaios raros são resgatados no RJ e passam por reabilitação

    Papagaios raros são resgatados no RJ e passam por reabilitação

    Papagaios ameaçados de extinção ganharam uma nova chance após um resgate no Rio de Janeiro. O Ibama interceptou uma tentativa de tráfico internacional e apreendeu ovos que estavam sendo transportados de forma ilegal no Aeroporto Internacional do Galeão.

    A passageira levava 24 ovos escondidos junto ao corpo. Diante da situação, equipes técnicas agiram rapidamente para preservar a vida dos animais.

    Filhotes nasceram após ação emergencial

    Como os ovos já estavam em estágio avançado de desenvolvimento, os especialistas iniciaram um trabalho intensivo para garantir a eclosão. Dos 24 ovos, 12 chegaram a nascer. No entanto, apenas nove filhotes sobreviveram, o que reforça a fragilidade desse tipo de operação ilegal.

    Com o crescimento das aves, os técnicos identificaram espécies ameaçadas de extinção, como o papagaio-charão e o papagaio-de-cara-roxa.

    Tráfico de animais continua sendo ameaça

    O caso evidencia, mais uma vez, a gravidade do tráfico de fauna silvestre.

    Além de retirar animais da natureza, essa prática reduz drasticamente as chances de sobrevivência das espécies. Isso acontece porque o transporte ilegal expõe ovos e filhotes a condições inadequadas. Por esse motivo, muitos não resistem antes mesmo de chegar ao destino final.

    (Imagem/Reprodução: Ibama)

    Reabilitação prepara aves para a natureza

    Após o resgate, os filhotes seguiram para acompanhamento especializado. Atualmente, eles passam por um processo de reabilitação no Zoológico de São Paulo.

    Durante essa fase, os técnicos monitoram a saúde das aves e estimulam comportamentos naturais. Ao mesmo tempo, realizam avaliações genéticas e sanitárias para garantir que os animais estejam aptos para viver em liberdade.

    Retorno ao habitat é objetivo final

    Assim que completarem todas as etapas de reabilitação, os papagaios devem retornar à natureza. Para isso, os especialistas selecionam áreas compatíveis com o habitat de cada espécie.
    Dessa forma, aumentam as chances de adaptação e sobrevivência no ambiente natural.

    Resgate reforça importância da preservação

    O episódio mostra como a atuação rápida dos órgãos ambientais faz diferença na proteção da biodiversidade. Além disso, o caso reforça que combater o tráfico de animais exige não apenas fiscalização, mas também investimentos em reabilitação e conservação.

  • Litoral do Paraná luta para salvar espécies ameaçadas

    Litoral do Paraná luta para salvar espécies ameaçadas

    O programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP) financia projetos estratégicos que monitoram espécies terrestres e marinhas ameaçadas na região. As iniciativas fortalecem Unidades de Conservação e ampliam o conhecimento científico sobre a biodiversidade local.

    O MegaCoast-PR, que a Associação MarBrasil coordena, acompanha a megafauna marinha, incluindo golfinhos, baleias, tartarugas, aves e tubarões. O projeto One Blue Health avalia a saúde dos ecossistemas através de análises integradas de fauna, ambiente e seres humanos. Em terra, o Monitora Serra do Mar observa grandes mamíferos e aves ameaçadas, como onça-pintada, anta, queixada, puma, veado, cateto, macuco, inhambus, urus e jacutinga, além de monitorar o ecossistema de Floresta Atlântica.

    Região abriga patrimônio natural da humanidade

    O litoral paranaense representa uma das regiões mais singulares do Brasil. A Unesco reconhece a área como Patrimônio Natural da Humanidade. O território abriga áreas Ramsar, sítios de relevância internacional para conservação de áreas úmidas, e integra a Grande Reserva Mata Atlântica — maior remanescente protegido do bioma no mundo, com quase 3 milhões de hectares de áreas naturais, florestas, manguezais e águas costeiras preservadas no Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

    A região funciona como berçário, área de alimentação e rota migratória para espécies raras, endêmicas e ameaçadas.

    “A região abriga espécies que só ocorrem aqui, como o papagaio-de-cara-roxa, uma ave endêmica do litoral norte do Paraná e sul de São Paulo. Também serve de rota para baleias-francas, golfinhos, tubarões-martelo, raias-manta e aves migratórias que vêm da Antártica e da Europa”, explica Camila Domit, pesquisadora do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da UFPR e da Associação MarBrasil, coordenadora do projeto MegaCoast-PR.

    A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) protege o papagaio-de-cara-roxa há mais de 20 anos e conseguiu reverter a tendência de desaparecimento da espécie.

    DNA ambiental revoluciona monitoramento marinho

    O projeto MegaCoast emprega DNA ambiental, metodologia inovadora que revoluciona o monitoramento de espécies marinhas. Os pesquisadores coletam amostras de água e identificam, por meio de fragmentos genéticos presentes no líquido, quais espécies de animais ou microrganismos circulam naquele ecossistema.

    O método já detectou bactérias que sinalizam riscos não apenas para a fauna, mas também para a saúde humana.

    “Detectamos bactérias com alta resistência a antibióticos, o que levanta questões sobre a relação entre saúde do ecossistema, da fauna e dos humanos. Golfinhos compartilham conosco a cadeia alimentar e funcionam como sentinelas da saúde ambiental. Quando eles adoecem, nós também ficamos vulneráveis”, afirma Camila Domit.

    Rastreamento acústico conecta Paraná a rede nacional

    O MegaCost-PR inova também com rastreamento acústico de animais marinhos, em parceria com o LEC/UFPR e o Projeto Meros do Brasil. A iniciativa conecta o Paraná a uma rede de telemetria que se estende do Norte ao Sul do país.

    Foto: Divulgação

    O sistema permite identificar áreas prioritárias para conservação e acompanhar trajetos de espécies migratórias ameaçadas, como peixes ósseos, tubarões, raias e tartarugas marinhas. Essas informações subsidiam políticas públicas brasileiras e convenções internacionais das quais o Brasil participa, como a Comissão de Espécies Migratórias (CMS).

    Ciência cidadã aproxima comunidade da conservação

    O projeto incentiva a participação popular no monitoramento. “Qualquer pessoa pode contribuir registrando avistagens de golfinhos, baleias e tartarugas em nosso site ou comunicando via perfil de mídia social @lecufpr. A ciência cidadã colabora com o monitoramento e aproxima comunidades pesqueiras e litorâneas do processo de construção do conhecimento regional da biodiversidade”, completa a pesquisadora.

    O diálogo com comunidades tradicionais e pescadores artesanais locais também ajuda a mitigar conflitos pelo uso de áreas comuns entre espécies ameaçadas e atividades econômicas. “As mesmas áreas de alta produtividade pesqueira servem de alimentação para fauna marinha. Mapeamos essas sobreposições e construímos, junto com as comunidades, soluções que conciliem direitos e usos, integrando conservação, aspectos culturais e segurança alimentar”, explica Camila.

    Grandes mamíferos desaparecem da Mata Atlântica

    A floresta litorânea também emite sinais de alerta. O Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, que reúne diferentes iniciativas voltadas à conservação de espécies-chave da Mata Atlântica, inclui o projeto Monitora Serra do Mar. O BLP apoia a iniciativa, que o IPeC – Instituto de Pesquisas Cananeia executa com o Instituto Manacá.

    O projeto acompanha quatro espécies emblemáticas: onça-pintada, onça-parda, anta e queixada. Todas enfrentam ameaças na Mata Atlântica, sendo que três delas já aparecem classificadas como “criticamente ameaçadas” no Paraná.

    “A anta praticamente desapareceu das florestas de terras baixas do litoral, e a onça-pintada mantém hoje uma população muito baixa, restrita a áreas remotas da Serra do Mar”, alerta Roberto Fusco, coordenador do projeto Monitora Serra do Mar.

    Espécies funcionam como sentinelas ambientais

    Especialistas consideram essas espécies como sentinelas ambientais. Por serem mais vulneráveis à caça e à perda de habitat, esses animais desaparecem primeiro, indicando assim a qualidade de conservação de uma floresta. Além disso, são espécies-guarda-chuva: sua proteção garante a conservação de diversos outros organismos e do próprio habitat.

    Apesar do cenário crítico, Fusco vê sinais de esperança. “Em áreas com fiscalização intensiva, identificamos indícios de recuperação. Esses dados nos permitem recomendar regiões estratégicas para reforço populacional, com solturas de antas e queixadas. No caso da onça-pintada, os desafios logísticos e genéticos são maiores, mas não descartamos essa possibilidade”.

    Plataforma SMART digitaliza monitoramento

    As novas ferramentas de monitoramento formam parte central da estratégia de conservação que o BLP apoia. Uma delas é o SMART (Spatial Monitoring and Reporting Tools), plataforma que dezenas de países usam e que digitaliza e padroniza dados de campo. O sistema permite que patrulhas registrem em tempo real desde avistamentos de fauna até atividades ilícitas como caça e extração de palmito.

    Foto: Divulgação

    No Paraná, essa tecnologia se integrou ao Programa Monitora, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), iniciativa nacional que coleta e analisa informações sobre biodiversidade em UCs de todo o país. Em parceria com o Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, gestores de UCs da região receberam treinamento para aplicar o SMART, utilizar armadilhas fotográficas e sistematizar dados na produção de indicadores sobre médios e grandes mamíferos ameaçados de extinção e alvos de caça ilegal.

    Comunidades locais reforçam fiscalização

    Essa integração fortaleceu a fiscalização e o manejo da biodiversidade e abriu espaço para o engajamento da sociedade. “Ao capacitar comunidades locais para usar essas ferramentas, consolidamos Agentes de Monitoramento que reforçam a fiscalização, ampliam a intolerância à caça ilegal e ainda geram renda”, explica Roberto Fusco.

    Para Camila Domit, o diálogo que nasce a partir desses resultados também é político. “Os dados do projeto devem orientar gestores públicos, empreendedores e órgãos licenciadores. Trata-se de qualificar as metodologias de monitoramento, reduzir custos e, sobretudo, harmonizar os diferentes usos do território sem perder de vista a vida que depende dele”.

    Programa transforma passivo ambiental em investimento

    O Programa Biodiversidade Litoral do Paraná surgiu em 2021 e promove conservação, pesquisa e uso responsável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação e impulsionando o desenvolvimento sustentável do litoral paranaense.

    O Termo de Acordo Judicial (TAJ), firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001, financia o Programa. A iniciativa transformou um passivo ambiental em investimento histórico em conservação: mais de R$ 110 milhões destinados a iniciativas estratégicas ao longo de dez anos.