Tag: palma forrageira

  • Projeto da CNA leva ‘mar verde do sertão’ para enfrentar a seca

    Projeto da CNA leva ‘mar verde do sertão’ para enfrentar a seca

    A busca por alternativas para garantir alimento aos rebanhos durante os períodos de estiagem tem impulsionado novas tecnologias no agronegócio brasileiro. No Semiárido, espécies como a palma forrageira e capins adaptados à seca estão transformando a produção pecuária e ajudando milhares de produtores a enfrentar os desafios climáticos da região.

    O chamado ‘novo mar verde do sertão’ reúne plantas selecionadas ao longo de quase uma década de pesquisas conduzidas pelo Projeto Forrageiras para o Semiárido, iniciativa da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Desde 2017, o projeto já impactou cerca de 10,4 mil produtores rurais, levando conhecimento e soluções voltadas à produção de alimento para os animais mesmo em períodos de pouca chuva.

    Pesquisa identificou forrageiras mais adaptadas ao Semiárido

    A primeira etapa do projeto avaliou 30 espécies de forrageiras cultivadas em regime de sequeiro. O objetivo era descobrir quais apresentavam melhor desempenho diante das condições típicas do Semiárido, marcadas por altas temperaturas e escassez de água.

    Com os resultados obtidos, os pesquisadores avançaram para uma nova fase, incluindo o pastejo dos animais nas áreas experimentais. Dessa forma, foi possível verificar o comportamento das espécies em situações reais de produção pecuária.

    Segundo a coordenadora do projeto, Alenilda Carvalho, a pesquisa permitiu selecionar gramíneas e plantas forrageiras capazes de oferecer maior segurança alimentar aos rebanhos.

    “Esse projeto nasceu em 2017. Na primeira fase testamos 30 espécies forrageiras em regime de sequeiro. Na fase 2, a gente colocou o componente animal para pastejar as gramíneas que apresentaram os melhores resultados.”

    Tecnologia pode aumentar a produtividade da palma forrageira

    Além da seleção de espécies resistentes à seca, a iniciativa também investe em novas tecnologias para ampliar a produção de alimento para os animais.

    Em parceria com diferentes instituições, pesquisadores estão testando um fertilizante foliar à base de moléculas de carbono aplicado diretamente na palma forrageira, uma das principais fontes de alimentação dos rebanhos no Semiárido.

    A expectativa é aumentar a produtividade da cultura, melhorar o aproveitamento da adubação nitrogenada e elevar a qualidade nutricional do alimento oferecido aos animais.

    “Nós somos hoje os pioneiros nesses testes. Nunca se realizou um teste em regime de sequeiro com adubação foliar na palma.”

    De acordo com Alenilda Carvalho, os estudos também avaliam a possibilidade de reduzir o ciclo de corte da palma. Atualmente, a colheita costuma ocorrer em cerca de 18 meses, mas os pesquisadores acreditam que esse período poderá cair para apenas 12 meses.

    Caso a expectativa se confirme, os produtores poderão ampliar a oferta de alimento para os rebanhos sem a necessidade de expandir as áreas cultivadas.

    “Daqui para dezembro a gente vai realizar o primeiro corte nessa área experimental. A nossa intenção é aumentar a produtividade, reduzir o período de corte e aumentar a qualidade nutritiva desse material, que é a palma forrageira.”

    Os resultados dessa etapa ainda estão em avaliação e devem ser concluídos até dezembro. Somente após a validação dos dados a tecnologia poderá avançar para a fase de disponibilização comercial.

    Projeto surgiu para enfrentar um dos maiores desafios da pecuária nordestina

    Durante a apresentação do Rally Forrageiras para o Semiárido, realizada em Baixa Grande, na Bahia, o presidente da CNA, João Martins, destacou que a iniciativa nasceu da necessidade de desenvolver pesquisas voltadas especificamente para a realidade do Nordeste.

    Segundo ele, apesar dos avanços obtidos pela Embrapa em diversas regiões do país, ainda havia espaço para ampliar os estudos relacionados à produção de forragem adaptada às condições climáticas do Semiárido.

    “Como é que nós temos uma Embrapa que conseguiu transformar uma das regiões mais pobres de solo nas terras mais produtivas do mundo? E por que essa mesma Embrapa até hoje não conseguiu fazer com que o Nordeste tivesse forrageiras, gramíneas que pudessem resistir mais à seca e alimentar os animais durante o período de seca?”

    Martins afirmou que a CNA destinou R$ 5 milhões para dar início às pesquisas, que posteriormente passaram a contar com a participação da Embrapa e de outros parceiros.

    Para o dirigente, a continuidade dos estudos será fundamental para preparar o setor agropecuário diante dos impactos das mudanças climáticas e dos períodos de seca cada vez mais intensos.

    “A pesquisa tem de continuar, vai continuar. Pesquisa é uma coisa constante. Hoje você tem um cenário, amanhã você tem outro. Há 10 anos atrás nós não tínhamos expectativa de ter uma super seca. Hoje estamos dizendo que nós vamos ter uma super seca.”

    Rally vai levar tecnologias para produtores de dez estados

    A nova etapa do projeto será marcada pelo Rally Forrageiras para o Semiárido, que percorrerá dez estados brasileiros para apresentar os resultados obtidos ao longo dos últimos anos.

    A iniciativa busca acelerar a adoção das tecnologias desenvolvidas pela pesquisa, ampliando o uso de forrageiras resistentes à seca, fortalecendo a pecuária do Semiárido e contribuindo para a segurança alimentar dos rebanhos em uma das regiões mais desafiadoras para a produção agropecuária do país.

  • Palma forrageira ganha impulso com investimento no Semiárido

    Palma forrageira ganha impulso com investimento no Semiárido

    A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) destinou R$ 2,6 milhões para ampliar a produção de palma forrageira no Semiárido. A iniciativa integra o projeto Sementeiras e prevê a implantação de 18 áreas de multiplicação da cultura em sete estados, com foco em reduzir os impactos da seca sobre a pecuária e garantir alimentação para os rebanhos.

    O projeto já avança em 10 municípios dos estados do Ceará (Quixeramobim e Iguatu), Rio Grande do Norte (Apodi, São José do Seridó e Equador), Paraíba (Congo e São João do Tigre) e Alagoas (Cacimbinhas e Belo Monte). Nessas localidades, o plantio está concluído ou em andamento. A próxima fase começa em junho, com a instalação de novas unidades em Sergipe e Minas Gerais, enquanto Pernambuco ainda terá o cronograma definido.

    Cada área ocupará 0,75 hectare e funcionará como unidade de produção de mudas para abastecer produtores locais. Assim, a estratégia busca estruturar uma rede regional que facilite o acesso a material genético de qualidade, com maior resistência a pragas e adaptação às condições climáticas do Semiárido.

    A Sudene adotou a variedade Orelha de Elefante Mexicana, reconhecida pela resistência à cochonilha-do-carmim, praga que historicamente causa prejuízos à palma forrageira na região.

    Segundo o coordenador-geral de Inovação e Transformação Digital da Sudene, Aildo Sabino, o programa Inova Palma integra tecnologia e assistência técnica direta. “O projeto acompanha todas as etapas, desde a seleção das áreas até o manejo e a distribuição das mudas, além de oferecer capacitação em campo. Isso aumenta a produtividade e reduz riscos para os produtores”, afirma.

    Parceria

    O Instituto Nacional do Semiárido (INSA) executa o projeto em parceria com governos estaduais, prefeituras e instituições locais. A iniciativa deve ampliar a área cultivada, reduzir custos com alimentação animal e fortalecer a resiliência da agropecuária frente às estiagens. Além disso, o programa promove a capacitação técnica de pequenos produtores e busca melhorar indicadores econômicos e sociais na região.

    O projeto Sementeiras integra o programa Inova Palma, estratégia da Sudene voltada ao desenvolvimento da cadeia produtiva da palma forrageira e ao estímulo da cooperação entre centros de pesquisa, universidades e produtores no Nordeste e no norte de Minas Gerais.

  • Cultivo de palma forrageira avança no Nordeste

    Cultivo de palma forrageira avança no Nordeste

    A expansão do cultivo de palma forrageira ganha força no Semiárido nordestino com o apoio da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e do Instituto Nacional do Semiárido (Insa). A iniciativa integra as ações da Rede Palma e do Programa Inova Palma. E pretende implantar 18 unidades de multiplicação da cultura e distribuir até 18 milhões de raquetes-semente para pequenos e médios produtores rurais.

    Os primeiros plantios começaram em fevereiro nos municípios de São José do Seridó, Apodi e Equador, no Rio Grande do Norte, e em Quixeramobim, no Ceará. Novas áreas estão sendo implantadas em Iguatu (CE). Cada unidade terá 0,75 hectare, com distribuição prevista em diferentes regiões do Nordeste e norte de Minas Gerais.

    A palma forrageira desempenha papel essencial na alimentação animal no Semiárido, especialmente em períodos de estiagem, devido à sua alta resistência e capacidade de armazenar água. Segundo a pesquisadora do Instituto Nacional do Semiárido e coordenadora do projeto, Jucilene Araújo, a equipe escolheu a variedade Orelha de Elefante Mexicana (Opuntia stricta) por sua resistência à cochonilha-do-carmim, praga que historicamente prejudica o cultivo.

    “Duas unidades já foram concluídas, com o plantio de 165 mil raquetes-semente. Após o desenvolvimento das áreas, a produção será distribuída entre agricultores locais, ampliando gradualmente o cultivo. A meta é distribuir até 18 milhões de raquetes ao longo do projeto”, afirma Jucilene.

    Demanda por sementes

    O engenheiro agrônomo José Aíldo, coordenador do Inova Palma, explica que a Sudene já havia identificado a demanda por sementes de palma. “Selecionamos áreas com condições ideais para garantir a produção contínua e sustentável da cultura”, ressalta.

    Além da multiplicação das áreas plantadas, o projeto prevê capacitação técnica e ações de difusão tecnológica, como dias de campo, cursos e visitas orientadas. Os agricultores beneficiados deverão devolver parte das raquetes recebidas, assegurando a autossuficiência e continuidade da ação.

    Com investimento de R$ 2,6 milhões, a iniciativa reforça o compromisso da Sudene com o desenvolvimento sustentável do Semiárido. Fortalecendo a agropecuária regional, garantindo a segurança alimentar animal e contribuindo para a convivência produtiva com o clima seco.