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  • Borboleta ferida ganha prótese de asa feita com pétalas de orquídea

    Borboleta ferida ganha prótese de asa feita com pétalas de orquídea

    Tinha tudo para ser só mais um inseto morto à beira do caminho. Mas quando Morhaf Ghazi, de 30 anos, encontrou uma borboleta ferida durante uma trilha em Amã, na Jordânia, ele não passou por ela como se nada fosse. Levou o inseto para casa, cuidou por dias e, no fim, fez algo que parece saído de um conto: criou uma prótese de asa para borboleta usando pétalas de orquídea que estavam preservadas dentro de um livro há quase nove anos.

    Sim, nove anos guardadas em um livro. E foram exatamente essas pétalas que deram uma segunda chance de vida à borboleta.

    A trilha que virou resgate

    Morhaf percebeu que havia algo errado logo de cara. A borboleta estava no chão e não conseguia voar. Ao examinar com atenção, ele viu o problema: a asa direita estava muito amassada, comprometida a ponto de impedir qualquer movimento no ar.

    Ele levou o inseto para casa com cuidado e começou um processo de recuperação improvisado, mas cheio de atenção. “Durante alguns dias, eu a alimentei com água com açúcar. Ela ficou em um buquê de flores onde coloquei gotinhas para ela beber”, contou Morhaf ao New York Post. Por dias, a borboleta virou hóspede da casa, sendo alimentada e observada de perto enquanto ele pensava no próximo passo.

    Pétalas de orquídea e uma hora de cirurgia artesanal

    Foi aí que a ideia surgiu. Morhaf tinha pétalas de orquídea rosa preservadas dentro de um livro desde 2017, quase uma década guardadas sem uso aparente. Ele traçou cuidadosamente o formato da asa saudável da borboleta e usou as pétalas como material para construir uma substituta à mão.

    Antes de colocar a prótese, ele pesquisou como manusear borboletas com segurança. O que descobriu deu coragem para avançar: borboletas não sentem dor nas asas, apenas pressão. Com esse dado em mente, ele removeu a asa danificada e fixou a nova. “Todo o processo levou cerca de uma hora, sem contar os dias que passei cuidando dela antes”, explicou.

    No mundo da lepidopterologia, a asa das borboletas é formada por escamas de quitina extremamente finas, o que torna qualquer intervenção delicada e arriscada. Morhaf não tinha formação em biologia, mas agiu com paciência e precisão acima da média.

    Ela voltou a voar

    Depois da intervenção, a borboleta começou a se movimentar melhor. Gradualmente, voltou a usar as asas, e o que parecia impossível se tornou real: ela voou de novo. Morhaf registrou o momento em vídeo, que rapidamente viralizou nas redes sociais e chamou atenção de pessoas ao redor do mundo.

    No entanto, a história levanta uma reflexão além do encantamento: o quanto estamos dispostos a pausar, observar e agir quando um ser vivo ao nosso redor precisa de ajuda? Morhaf não era veterinário, não tinha equipamento especializado e não tinha nenhuma obrigação. Tinha só atenção.

  • Orquídea rara é registrada pela primeira vez no litoral do Paraná

    Orquídea rara é registrada pela primeira vez no litoral do Paraná

    Pesquisadores do Instituto Mater Natura registraram pela primeira vez no Paraná a orquídea Bulbophyllum campos-portoi Brade. Ela é espécie endêmica da Mata Atlântica antes conhecida apenas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. A descoberta ocorreu durante uma expedição no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL), que abrange os municípios de Matinhos, Guaratuba, Morretes e Paranaguá.

    O registro integra os resultados do projeto Estudos da Restauração – Pesquisa, Estruturação e Planejamento, financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP), iniciativa que incentiva a pesquisa e ações de conservação na Mata Atlântica. Pesquisadores encontraram a orquídea em maio, nas proximidades do Salto do Tigre, em Matinhos, a cerca de 120 metros de altitude. Suas flores verdes e o labelo castanho com pontuações púrpuras distinguem-na de outras espécies do gênero, como B. glutinosum e B. atropurpureum.

    O gênero Bulbophyllum é um dos mais diversos da família Orchidaceae, com mais de 2 mil espécies em regiões tropicais. No Brasil, 60 espécies já foram identificadas, 17 delas na região Sul. Segundo o engenheiro florestal Daniel Zambiazzi Miller, coordenador da pesquisa, o achado representa um avanço expressivo para o conhecimento da flora regional. “O estudo traz informações inéditas sobre a distribuição de espécies. E já identificou mais dois novos registros para o estado, com artigos científicos em preparação”, afirmou.

    Além da identificação de novas espécies, o projeto desenvolve pesquisas de germinação e cultivo de plantas raras e ameaçadas, em parceria com o Laboratório de Sementes Florestais da UFPR. Os testes buscam definir protocolos eficientes de produção de mudas, fundamentais para ações de restauração ecológica e recomposição de ecossistemas degradados.

    Frugivoria

    Outra frente do programa investiga a frugivoria, estudando animais que se alimentam de frutos e contribuem para a dispersão natural de sementes. Armadilhas fotográficas no solo e no dossel da floresta têm registrado espécies de aves e mamíferos, como sabiás, tucanos, macucos e queixadas, que ajudam na regeneração das matas. O estudo também analisa a dependência de plantas como a bocuva (Virola bicuhyba) de dispersores específicos, mostrando como a perda desses animais pode afetar o equilíbrio ecológico.

    “Mais de 80% das espécies vegetais tropicais dependem de animais para dispersar suas sementes, o que influencia diretamente a regeneração e a estrutura das florestas”, explica Daniel. Ao final do projeto, a equipe publicará uma lista completa das interações registradas, ampliando o entendimento sobre a dinâmica ecológica da Mata Atlântica.

    A descoberta foi descrita na revista Acta Biológica Paranaense, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).