Tag: ONU

  • El Niño forte pode levar 49 milhões à fome aguda

    El Niño forte pode levar 49 milhões à fome aguda

    Um El Niño de forte intensidade pode levar quase 49 milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda até o fim de 2027. O alerta foi divulgado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

    Segundo o relatório, existe 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito elevada. Nesse cenário, as temperaturas da superfície do mar podem alcançar os maiores níveis desde pelo menos 1982. Assim, o evento pode se tornar o El Niño mais intenso desde 1950.

    El Niño pode agravar crise alimentar

    O El Niño consiste no aquecimento periódico das águas superficiais do Oceano Pacífico. O fenômeno altera os padrões climáticos em diferentes regiões do planeta.

    Além disso, costuma provocar secas na África Austral e atrasar as monções em partes da Ásia. O evento também pode causar chuvas irregulares em outras regiões. “Esses são eventos que, no passado, provocaram fome em grande escala”, afirmou Jean-Martin Bauer. Ele dirige o Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do PMA.

    Quase 49 milhões podem entrar em insegurança alimentar

    O PMA analisou 45 países considerados vulneráveis aos efeitos adversos do El Niño. A agência estima que a insegurança alimentar aguda pode aumentar em quase 49 milhões de pessoas. Com isso, o número total pode chegar a 274 milhões de pessoas.

    O resultado representaria uma alta de 22%sobre a população de referência. Esse grupo já enfrenta insegurança alimentar em nível de crise ou em situação ainda pior.

    América Central e África Austral estão entre as áreas mais afetadas

    A América Central e a África Austral devem enfrentar alguns dos maiores impactos. Na América Central, o número de pessoas em insegurança alimentar pode aumentar 83%. Já na África Austral, a alta pode chegar a quase 75%, segundo o relatório.

    Além disso, cada uma dessas regiões pode registrar mais de 12 milhões de novos casos. América do Sul e Caribe também podem enfrentar aumento superior a 12 milhões de pessoas.

    Mercados de alimentos entram no El Niño em situação mais sólida

    Bauer afirmou que os mercados globais de alimentos iniciaram o período de El Niño relativamente fortalecidos. O cenário resulta, principalmente, das boas colheitas registradas em 2025. Entretanto, o diretor do PMA alertou para os riscos relacionados aos conflitos no Oriente Médio. Ele também citou possíveis perdas nas safras como fator de preocupação para a segurança alimentar global.

  • Consumo de frango dispara e puxa alta histórica da carne no mundo

    Consumo de frango dispara e puxa alta histórica da carne no mundo

    O consumo global de carne cresceu de forma acelerada nas últimas seis décadas, impulsionado principalmente pela carne de frango. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que a oferta mundial do produto quadruplicou desde 1961 e deve continuar em expansão nos próximos anos.

    De acordo com o relatório, o consumo médio de carne passou de 25 kg por pessoa em 1961 para 47 kg em 2022. O destaque vai para o frango, cuja oferta saltou de menos de 3 kg per capita para 17 kg no período. Já a carne suína dobrou, alcançando 15 kg por pessoa, enquanto a bovina permaneceu estável em cerca de 9 kg.

    O avanço no consumo acompanha mudanças estruturais na produção e na renda global, mas também intensifica desafios ambientais. A FAO projeta que as emissões do setor agropecuário devem crescer 7,6% na próxima década, com a pecuária respondendo por aproximadamente 80% desse aumento.

    Além do crescimento da demanda, o relatório chama atenção para perdas ao longo da cadeia produtiva. Cerca de 14% da carne e do leite se perdem durante a produção ou são desperdiçados após chegarem ao varejo e aos serviços de alimentação.

    Desigualdade

    A análise também evidencia forte desigualdade no acesso aos alimentos de origem animal. Em países de baixa e média renda, onde a insegurança alimentar ainda predomina, esses produtos têm custo elevado em relação à renda da população. Já em países ricos, o consumo permanece alto e estável, mesmo diante de recomendações médicas e ambientais para redução.

    Segundo Daniela Battaglia, especialista da FAO e coautora do estudo, o cenário global ainda apresenta distorções importantes. “O acesso continua desigual. Enquanto países de alta renda mantêm consumo elevado, regiões mais pobres enfrentam limitações econômicas para adquirir esses alimentos”, afirmou.

    Brasil é grande produtor de frango. Foto: divulgação – ABPA

    O relatório também dialoga com alertas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que aponta a redução do consumo de carne e a adoção de dietas mais baseadas em vegetais como estratégias eficazes para mitigar emissões. Apesar disso, a FAO não recomenda explicitamente a diminuição do consumo, mesmo reconhecendo o excesso em países desenvolvidos.

    Especialistas independentes criticam essa abordagem. Para Cleo Verkuijl, do Stockholm Environment Institute, o documento reconhece o problema, mas evita conclusões mais diretas sobre a necessidade de redução. Já o pesquisador Matthew Hayek, da Universidade de Nova York, afirma que o relatório minimiza os impactos ambientais do alto consumo de carne.

    Efeito estufa

    Atualmente, a pecuária responde por cerca de 12% a 20% das emissões globais de gases de efeito estufa e figura entre os principais vetores de perda de biodiversidade. O planeta já registra aquecimento de aproximadamente 1,4°C em relação ao período pré-industrial.

    A FAO, por sua vez, defende uma abordagem baseada em eficiência produtiva e inovação tecnológica. A entidade destaca a importância de reduzir emissões, melhorar o uso de recursos e enfrentar problemas como a resistência antimicrobiana, sem necessariamente limitar a produção pecuária.

    Para a organização, o desafio está em equilibrar os benefícios nutricionais dos alimentos de origem animal com a necessidade de reduzir seus impactos ambientais.

  • Muito além do mel: por que as abelhas são essenciais para a alimentação humana e o equilíbrio do planeta

    Muito além do mel: por que as abelhas são essenciais para a alimentação humana e o equilíbrio do planeta

    Pense em um animal cuja existência sustenta boa parte do que está no seu prato. Provavelmente, as abelhas não são a primeira resposta que vem à mente. No entanto, deveriam ser.

    Esses insetos são responsáveis por 70% da polinização das plantas agrícolas no Brasil, segundo a ONU. Além disso, atuam diretamente na regeneração de florestas, na manutenção da biodiversidade e na qualidade nutricional dos alimentos que consumimos diariamente. Portanto, proteger as abelhas é, antes de tudo, proteger a nossa própria alimentação.

    Sem abelhas, sem comida: os números que impressionam

    A dependência da agricultura em relação às abelhas é maior do que a maioria das pessoas imagina. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, 70% das culturas agrícolas globais dependem diretamente da polinização realizada por esses insetos.

    Os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reforçam essa realidade. Segundo o levantamento, 100% das amêndoas dependem das abelhas para se desenvolver. O mesmo vale para 90% das maçãs e mirtilos, 48% dos pêssegos, 27% das laranjas, 16% do algodão e 5% da soja.

    Ou seja: sem abelhas, a produção agrícola mundial entraria em colapso.

    Muito mais que mel: a diversidade que poucos conhecem

    Um erro comum é associar as abelhas apenas à produção de mel e às picadas. Na prática, porém, a grande maioria das espécies não produz mel e tampouco possui ferrão.

    No mundo, existem mais de 20 mil espécies de abelhas, com diferentes tamanhos, cores e hábitos. Na América Latina, as nativas são as meliponas, conhecidas como abelhas sem ferrão, que representam a maioria das mais de quatro mil espécies da região.

    “Uma parcela significativa da população relaciona as abelhas apenas ao mel e às picadas, o que seria um erro, já que a maioria das nossas abelhas não possui ferrão”, explica o diretor da ONG Bee or not to Be.

    (Imagem: Divulgação)

     

    Além disso, a maior parte das abelhas é solitária e não vive em sociedade. Ainda assim, todas atuam como polinizadoras essenciais para os ecossistemas.

    Passaporte Equestre, novos mercados e capacitação: as prioridades do setor equestre em 2026

    A polinização: o trabalho invisível que sustenta a vida

    O papel das abelhas acontece, em grande parte, nos bastidores do meio ambiente. Para suprir sua necessidade alimentar, esses insetos visitam uma grande variedade de flores, coletando pólen, sua fonte de proteína, e néctar, fonte de carboidratos.

    Esse movimento, aparentemente simples, tem consequências profundas. Ao transportar o pólen de flor em flor, as abelhas permitem a fertilização das plantas e garantem sua reprodução. Em algumas espécies, esse processo é indispensável para a sobrevivência. Em outras, especialmente nas frutíferas, a polinização influencia diretamente a qualidade nutricional dos frutos.

    “Este serviço de polinização permite a fertilização das plantas e sua reprodução. Em espécies frutíferas, a polinização também está ligada à qualidade nutricional da fruta”, afirma Marina Arbetman, exploradora da National Geographic e doutora em biologia.

    Segundo a FAO, cerca de 85% das plantas com flores presentes em matas e florestas dependeram, em algum momento, da ação de polinizadores como as abelhas.

    Guardiãs do equilíbrio ambiental

    Além da polinização, as abelhas desempenham outro papel fundamental: o de bioindicadoras da qualidade do meio ambiente. Sua presença (ou ausência) em um ecossistema revela muito sobre o estado de conservação daquele território.

    “As abelhas garantem a variação genética tão importante ao desenvolvimento e reprodução das plantas e, com isso, garantem o equilíbrio dos ecossistemas e que existam plantas suficientes para a produção de oxigênio”, explica Ana Bueno, bióloga da ONG Bee or not to Be.

    Portanto, preservar as abelhas não é apenas uma questão ambiental. É, sobretudo, uma questão de segurança alimentar, saúde dos ecossistemas e futuro do planeta.

  • Dia Internacional do Café: ONU aprova data oficial e Brasil é protagonista da conquista

    Dia Internacional do Café: ONU aprova data oficial e Brasil é protagonista da conquista

    A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, em 10 de março de 2026, a resolução A/Res/80/249, que torna o 1º de outubro o Dia Internacional do Café. Uma conquista liderada pelo Brasil e apoiada por 97 países copatrocinadores, o maior número de adesões registrado em um projeto de resolução na 80ª sessão da AGNU.

    A resolução relaciona diretamente o café aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, destacando sua contribuição para a geração de emprego e renda, a igualdade de gênero e o desenvolvimento rural. Para o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, reconhecer o valor do setor cafeeiro aumentará a conscientização sobre sua importância socioeconômica e fortalecerá sua contribuição para a erradicação da pobreza.

    Uma data que já existia e agora ganhou peso institucional

    Embora o Dia Internacional do Café já fosse celebrado desde 2015 por iniciativa da Organização Internacional do Café (OIC), a resolução da ONU legitima a data no calendário internacional, fortalecendo a relevância global do setor. Agora, a celebração passa a ter respaldo oficial da maior organização multilateral do mundo.

    A resolução enfatiza que o café não é apenas um importante produto agrícola. Mas também possui profundo valor cultural e social, intimamente ligado à vida e às tradições de muitos países.

    O peso social por trás de cada xícara

    Os números evidenciam a dimensão humana do setor: cerca de 25 milhões de famílias no mundo dependem do café para sobreviver. E aproximadamente 80% delas são pequenos agricultores que operam em propriedades geralmente inferiores a cinco hectares. No Brasil, mais de 300 mil famílias dedicam-se à cafeicultura, distribuídas principalmente em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia.

    A resolução também prevê um novo impulso para que países, organizações internacionais e demais agentes fortaleçam a cooperação, apoiem agricultores e comunidades produtoras, promovam a inovação e o desenvolvimento sustentável da indústria cafeeira, contribuindo para a implementação da Agenda 2030.

    Brasil: liderança no campo e na diplomacia

    O Brasil chegou a esta conquista como protagonista incontestável. O país é responsável por cerca de 35% de toda a produção mundial de café. E liderou as negociações que reuniram 18 países no grupo central da proposta. A iniciativa percorreu instâncias da FAO antes de chegar à Assembleia Geral, reunindo apoio de nações da América Latina, África e Ásia.

    Em 2025, o Brasil exportou 40,04 milhões de sacas de 60 kg, e a receita bateu recorde histórico: US$ 15,586 bilhões. Um aumento de 24,1% em relação ao ano anterior e o maior valor registrado desde 1990, quando o Cecafé iniciou o levantamento. O resultado impressiona ainda mais considerando que o volume exportado caiu em relação a 2024. O que significa que o café brasileiro valeu mais, mesmo com menos quantidade embarcada.

    Mercado em ebulição: preços recordes e desafios climáticos

    A oficialização da data pela ONU coincide com um dos momentos mais turbulentos do mercado cafeeiro global. Os preços atingiram níveis máximos no início de 2025, com o índice de preços composto da OIC chegando a 310,12 centavos de dólar por libra em janeiro. Mais de 75% acima do registrado no mesmo período de 2024, configurando o maior patamar desde abril de 1977.

    A escalada tem origem em fatores climáticos: condições adversas no Brasil e no Vietnã provocaram uma quebra significativa na oferta global, pressionando os estoques mundiais para níveis críticos. No segmento de cafés especiais, a valorização se intensificou ainda mais. O café arábica chegou a bater US$ 3,6945 por libra em 29 de janeiro de 2025, um marco para a formação de preço global.

    Por que o 1º de outubro importa além da celebração

    A criação de um Dia Internacional pela ONU vai além do simbolismo. Segundo a diplomata brasileira Carla Barroso Carneiro, que liderou a proposta junto à FAO, quando uma data internacional é estabelecida, o produto em questão ganha visibilidade global. O que se traduz em acesso a mercados, maior conscientização e potencial de aumento de renda para os produtores.

    Para o setor cafeeiro, a conquista chega em um momento em que sustentabilidade, adaptação climática e comércio justo estão no centro do debate. A indústria do café tem passado por uma verdadeira revolução nos últimos anos, com crescimento expressivo dos cafés especiais (grãos com notas acima de 80 pontos em critérios como acidez, aroma e sabor) que se tornaram protagonistas nas cafeterias e feiras internacionais.

    Com o café consolidado como símbolo econômico, cultural e social, o 1º de outubro ganha, a partir de agora, um peso que vai muito além da xícara.

  • Mulheres lideram revolução no turismo sustentável brasileiro

    Mulheres lideram revolução no turismo sustentável brasileiro

    As mulheres representam 44% dos empreendedores no turismo sustentável brasileiro, número expressivamente superior à média nacional de 34% em todos os setores. Entre os viajantes, a presença feminina chega a 70%, segundo relatório de impacto da Vivalá Turismo Sustentável.

    A busca por relações mais justas explica esse cenário. “No modelo tradicional, as mulheres ocupam funções operacionais, enquanto os cargos de decisão seguem majoritariamente masculinos”, explica Mariana Oliveira, coordenadora de operações da Vivalá. “Já o turismo responsável contribui para reduzir desigualdades de gênero e promove ambientes mais acolhedores para viajantes.”

    O turismo de base comunitária, que combina geração de renda local com imersão cultural, tende a ampliar esses números. O setor avança no cumprimento da equidade de gênero, um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.

    Liderança feminina na Amazônia inspira modelo de turismo comunitário

    Às margens do Rio Negro, Horenilde da Silva Gomes, a Nilde, comanda a Caboclo’s House Ecolodge, hospedagem considerada top 1% das melhores do mundo pelo TripAdvisor. Filha de ribeirinhos, ela cresceu com 13 irmãos no Lago de Acajatuba, a 70 km de Manaus.

    Nilde, CEO da Caboclo’s House Ecolodge. Foto: Divulgação Vivalá

    “A floresta, o rio, a sabedoria popular e a vida comunitária moldaram quem sou”, conta Nilde. O turismo entrou em sua vida quando o pai recebia visitantes na Casa de Farinha e a mãe ensinava medicina natural com plantas.

    Em 2005, após trabalhar em um hotel de selva, Nilde enxergou seu caminho. Com os pais, comprou um flutuante e abriu um restaurante. Depois, adquiriram um terreno e criaram a Caboclo’s House, projeto familiar ribeirinho liderado por mulheres.

    “As dificuldades financeiras eram grandes, e ser mulher empreendendo na região não era simples”, lembra. Em 2017, uma viajante conectou Nilde a um grupo de interessados na experiência local. A parceria com a Vivalá ampliou horizontes.

    Hoje, Nilde coleciona prêmios e reconhecimento. “Ver o hotel entre os melhores do mundo prova que um sonho improvável deu mais que certo”, afirma.

    União feminina fortalece negócios na comunidade

    Nilde incentiva outras mulheres a buscar seu espaço. Um exemplo é Sueula Teixeira Andrade, fundadora do Cheiro da Floresta, que produz cosméticos naturais amazônicos. “Incentivei Sueula a acreditar no talento dela. Hoje ela vende produtos e oferece oficinas para hóspedes”, conta Nilde.

    Sueula participou de mentorias de empreendedorismo oferecidas pela Vivalá na região. “Aprendi a lidar com dinheiro e com meu negócio. As trocas me fizeram crescer e enxergar o potencial das minhas mãos”, diz.

    Seus ancestrais ensinaram Sueula a cuidar da floresta e manusear ervas e óleos. Com as capacitações, ela transformou paixão em negócio rentável. “A matéria-prima está no meu quintal. A cosmética natural mudou minha vida.”

    Sueula destaca a força feminina na comunidade. “A maioria dos empreendimentos de turismo sustentável tem mulheres na gestão. Nós nos fortalecemos juntas para mostrar que somos capazes, mesmo com os desafios.”

    Mulheres em campo ampliam segurança das viajantes

    Atualmente, 80% dos destinos da Vivalá contam com pelo menos uma mulher na equipe de campo. A organização fortalece a autonomia econômica feminina ao gerar oportunidades de renda justa no turismo comunitário.

    Mônica Azevedo Rodrigues, guia especializada em ecoturismo na Chapada dos Veadeiros, explica sua diferença: “Sei exatamente onde estão as dores e receios de outras mulheres. Há algo singular em compartilhar vivências com outra mulher; o reconhecimento genuíno de um lugar de fala compartilhado.”

    Foto: Divulgação Vivalá

    Guiar mulheres exige atenção redobrada à segurança, principalmente ao lidar com prestadores de serviço homens. A presença de lideranças femininas durante as viagens funciona como ato de empoderamento e transmite confiança.

    “Vejo mulheres tomando a frente nas próprias escolhas”, observa Mônica. “Querem incentivar outras a viajar sozinhas, a viver sem depender de companhia. A vida corre rápido demais para esperar o momento ideal.”

    A viajante Rita Alves sentiu essa diferença na Amazônia. “Vivenciei uma experiência real em comunidade ribeirinha, conduzida por mulheres e homens fortes, afetuosos e respeitosos com a floresta. A equipe realizou reunião prévia para alinhar expectativas. Me senti segura, respeitada e bem acompanhada.”

  • Mulheres agricultoras assumem gestão do campo

    Mulheres agricultoras assumem gestão do campo

    A produtora rural Elisiane Soster acorda cedo em Belmonte, no Extremo Oeste de Santa Catarina. Junto com a mãe, Salete Pasini Soster, ela toca uma propriedade com 70 hectares de lavoura, 45 vacas em lactação e toda a rotina da cria e recria de bezerras. A dupla faz parte de um grupo ainda restrito no Brasil: mulheres que exercem a gestão de negócios rurais.

    O último Censo Agropecuário do IBGE, realizado em 2017, contabilizou quase um milhão de mulheres na liderança de propriedades rurais,  18,7% do total. O número representa avanço em relação ao censo anterior, de 2006, quando a participação era de apenas 12,7%. Ainda assim, a sub-representação expõe um histórico de invisibilidade: as mulheres respondem por 45% da força de trabalho na agropecuária brasileira, mas raramente ocupam o posto de gestoras.

    Para ampliar esse protagonismo, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, com foco na promoção de políticas públicas que fortaleçam o papel feminino no campo. Em Santa Catarina, a Epagri já caminha nessa direção há anos.

    Capacitação que transforma vidas e negócios

    Entre 2019 e 2025, o programa Flor-E-Ser, da Epagri, formou mais de 1.300 mulheres do campo e da pesca em gestão, empreendedorismo e liderança. Nos últimos dois anos, o número de capacitadas dobrou. A procura é tão alta que as turmas já não dependem de divulgação: as próprias participantes recrutam novas alunas.

    “Temos listas de espera enormes e nem precisamos mais divulgar as capacitações, porque as mulheres que participaram incentivam as demais a fazer”, afirma Cianarita Caron Figueiró, coordenadora do Programa Capital Humano e Social da Epagri.

    Os relatos recolhidos pela empresa apontam um impacto que vai além do profissional. Muitas participantes descrevem o curso como um divisor de águas em suas vidas. “Muitas mulheres relatam que, após o curso, sentem-se verdadeiramente integradas ao planejamento da propriedade, assumindo funções estratégicas na gestão e posições de liderança na comunidade”, destaca Ciana. Para ela, o principal ganho das capacitações é o resgate da autoestima, o combustível que leva as mulheres a tomar iniciativas e impulsionar o crescimento do negócio rural.

    Jovens mulheres e a sucessão familiar

    Outra frente de atuação da Epagri é o programa Ação Jovem Rural e do Mar, voltado à sucessão familiar nas propriedades rurais. De 2021 a 2025, mais de 320 mulheres passaram pelo curso. Homens ainda representam cerca de 75% dos participantes, mas a Epagri aposta em ações estratégicas para mudar esse cenário.

    No ano passado, a empresa assumiu a gestão compartilhada dos cinco Cedups Agrotécnicos com a Secretaria de Estado da Educação, integrando pesquisa, extensão rural e ensino técnico. Hoje, mulheres representam 30% dos estudantes das unidades. Uma das barreiras identificadas é estrutural: os Cedups oferecem alojamento apenas para homens. A construção de espaços femininos está prevista a médio prazo.

    “Os agricultores já conhecem a Epagri e confiam na empresa, presente em todos os municípios. A sensibilização por parte dos extensionistas é muito importante nesse sentido”, afirma Andréia Meira, diretora de Ensino Agrotécnico da Epagri. Ela também vê na parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e a Cooperativa Aurora um estímulo extra: a partir de 2025, alunos poderão atuar como jovens aprendizes com bolsas de R$ 750.

    “As mulheres têm um papel muito importante na sucessão familiar no campo, por isso a Epagri tem todo o interesse em estimular a profissionalização”, reforça Andréia.

    “Gestão não tem gênero”

    Elisiane Soster conhece esse caminho na prática. Quando o pai faleceu, há quatro anos, ela e a mãe assumiram integralmente a propriedade. Vieram com isso o ceticismo alheio e a determinação de provar o contrário.

    “Logo após o falecimento do meu pai, algumas pessoas duvidaram se daríamos conta. Mas transformamos isso em combustível. Hoje mostramos, na prática, que gestão não tem gênero. Tem competência e responsabilidade”, diz ela.

    Eliane Soster, acima ao lado da mãe Salete Pasini Soster. Foto: Arquivo pessoal

    Técnica em Agropecuária, Elisiane participou do Ação Jovem Rural da Epagri em 2016, aos 21 anos. Hoje cursa Tecnologia em Gestão Financeira, presta consultoria a famílias rurais em processos sucessórios e realiza palestras em empresas, cooperativas e instituições. É também coautora do livro Rainhas Internacionais do Agro, que reúne relatos de mulheres agricultoras de vários países.

    “Percebo que as mulheres estão buscando mais espaço e assumindo decisões estratégicas. Muitas fazem tudo, mas ainda não se reconhecem como gestoras. Acredito que estamos vivendo uma transição: a mulher sempre esteve no campo, mas agora ela está se posicionando como líder”, conclui Elisiane.

  • Ataque dos EUA à Venezuela: saiba os impactos para o Brasil e o agronegócio

    Ataque dos EUA à Venezuela: saiba os impactos para o Brasil e o agronegócio

    Na madrugada deste sábado, os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra múltiplas instalações na Venezuela, incluindo a capital Caracas, em uma escalada sem precedentes na região. O presidente Donald Trump afirmou ter capturado Nicolás Maduro e sua esposa, retirando-os do país. A operação militar atinge em cheio os interesses brasileiros, com potenciais impactos que vão desde o agronegócio até a estabilidade regional.

    A ofensiva ocorreu após semanas de tensão crescente, quando os EUA intensificaram operações no Caribe sob a justificativa de combater o narcotráfico. Washington acusa o governo venezuelano de liderar o chamado Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista. Pelo menos sete explosões foram ouvidas por volta das 2h da manhã em Caracas, acompanhadas de aeronaves militares voando em baixa altitude.

    A Venezuela respondeu declarando estado de emergência e convocando mobilização nacional. O presidente colombiano Gustavo Petro pediu reunião imediata da ONU e da OEA, enquanto Cuba e outros países latino-americanos condenaram veementemente a ação americana.

    Impactos diretos no agronegócio brasileiro

    A Venezuela, embora represente uma parcela modesta das exportações brasileiras totais, tornou-se nos últimos anos um comprador significativo de produtos do agronegócio nacional. Entre 2019 e 2022, o Brasil faturou US$ 517 milhões apenas com exportações de óleo de soja para a Venezuela, superando os 15 anos anteriores.

    Os venezuelanos compraram do Brasil principalmente fertilizantes, alumínio, álcoois e derivados, enquanto o Brasil exportou açúcares, produtos alimentícios preparados, óleos vegetais, milho e arroz. Em 2021 e 2022, o fluxo comercial ultrapassou US$ 1 bilhão anuais, com destaque para óleo de soja, preparações alimentícias, açúcar e milho.

    Com a instabilidade causada pela intervenção militar, o risco de calote aumenta dramaticamente. A Venezuela já enfrenta grave falta de divisas devido à queda na produção de petróleo, situação que tende a se agravar com a destruição de infraestrutura e eventual mudança de governo.

    Incerteza nas cadeias de suprimentos

    A crise afeta não apenas as exportações diretas, mas toda a logística regional. Em 2024, o comércio bilateral totalizou US$ 1,6 bilhão, sendo que as importações venezuelanas ficaram em US$ 422 milhões. A instabilidade pode interromper contratos já firmados e comprometer planejamentos de safra de produtores brasileiros que dependem desse mercado.

    Empresas brasileiras do setor agrícola enfrentam agora um cenário de total imprevisibilidade. Não está claro quem controlará o país nas próximas semanas, qual será a política econômica adotada, e se haverá capacidade de pagamento por produtos já embarcados ou em negociação.

    O dilema do petróleo e dos fertilizantes

    O Brasil mantém uma relação complexa com a Venezuela no setor energético. A Venezuela vendeu ao Brasil principalmente fertilizantes (45%), alumínio (22%), álcoois e derivados (16%) e produtos residuais de petróleo (8%).

    A interrupção desses fluxos pode impactar o custo de produção agrícola no Brasil, especialmente considerando que:

    • Fertilizantes: com dependência histórica de importações, qualquer restrição no fornecimento venezuelano pressiona os custos de produção do agronegócio brasileiro.
    • Petróleo: embora a Venezuela tenha perdido relevância como fornecedora direta, o país se tornou o terceiro maior exportador de petróleo para os EUA em 2024, com média de 295 mil barris por dia. Qualquer choque na oferta venezuelana pode afetar preços globais de combustíveis, impactando a logística do agronegócio brasileiro.

    Consequências geopolíticas para o Brasil: crise humanitária e imigração

    O governo brasileiro teme que uma ação militar cause instabilidade na Venezuela e leve a uma nova crise humanitária na fronteira, em Roraima. Desde 2018, a Operação Acolhida já recebeu mais de 125 mil imigrantes venezuelanos. Uma escalada do conflito pode multiplicar esse número exponencialmente, sobrecarregando a estrutura de assistência.

    Estados do Norte do Brasil, particularmente Roraima, podem enfrentar um êxodo massivo, com impactos diretos em serviços públicos, segurança e economia local. O agronegócio da região pode ser afetado pela necessidade de realocação de recursos públicos e pela tensão social decorrente.

    Posição diplomática delicada

    A situação representa um dos maiores desafios para a política externa do presidente Lula, cuja diplomacia baseia-se na estabilidade regional e no diálogo. Lula orientou o Planalto que ataques ao continente sul-americano não podem ser tolerados, defendendo a América do Sul como zona de paz.

    Guerra tarifária entre EUA e China preocupa produtores de soja e milho. A tensão comercial ameaça o plantio da próxima safra de grãos.
    Foto: Divulgação – USDA

    O Brasil encontra-se em posição estratégica, mas delicada:

    • Mantém contato com ambos os lados do conflito
    • Não reconheceu a reeleição de Maduro em 2024
    • Defende solução política e diplomática
    • Enfrenta pressões domésticas de diferentes espectros políticos

    Uma eventual mudança de governo na Venezuela, com ascensão de forças de direita apoiadas por Washington, poderia criar tensões adicionais com o Brasil, considerando o histórico de aproximação do PT com o chavismo.

    Impactos no mercado de commodities

    A intervenção americana na Venezuela terá repercussões além das fronteiras sul-americanas. O país possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, com cerca de 300 bilhões de barris. Qualquer interrupção prolongada na produção pode:

    • Elevar preços internacionais do petróleo
    • Aumentar custos de transporte e insumos agrícolas
    • Impactar a competitividade das exportações brasileiras
    • Criar oportunidades para o Brasil aumentar exportações de petróleo

    Efeito cascata em commodities

    O conflito pode gerar volatilidade nos mercados de:

    • Grãos: interrupção de exportações brasileiras para a Venezuela e possível necessidade de buscar mercados alternativos
    • Carnes: a Venezuela era importante compradora de carne bovina e de frango brasileiras
    • Açúcar: mercado venezuelano absorvia volumes significativos da produção brasileira

    Vamos analisar os cenários possíveis e suas consequências

    Cenário 1: colapso institucional venezuelano

    Se a queda de Maduro resultar em vácuo de poder ou guerra civil, o Brasil enfrentará:

    • Paralisação total do comércio bilateral
    • Pressão migratória extrema na fronteira Norte
    • Necessidade de intervenção humanitária
    • Perdas econômicas estimadas em centenas de milhões de dólares

    Cenário 2: governo de transição Pró-EUA

    Ascensão de María Corina Machado ou figura alinhada a Washington pode:

    • Reconfigurar relações comerciais, com redução de protagonismo brasileiro
    • Favorecer empresas americanas em detrimento de brasileiras
    • Criar tensões políticas regionais
    • Abrir oportunidade para renegociação de acordos comerciais

    Cenário 3: resistência prolongada

    • Manutenção de conflito de baixa intensidade resultaria em:
    • Instabilidade crônica na fronteira brasileira
    • Interrupção intermitente de fluxos comerciais
    • Dificuldade em recuperar valores de exportações realizadas
    • Pressão sobre Brasil para tomar partido no conflito

    Oportunidades em meio à crise

    Apesar dos riscos, o conflito pode criar algumas oportunidades para o agronegócio brasileiro:

    • Diversificação forçada: necessidade de buscar novos mercados pode acelerar abertura de novos destinos de exportação
    • Petróleo: redução da oferta venezuelana pode beneficiar exportações brasileiras de petróleo
    • Mediação diplomática: papel de mediador pode fortalecer posição do Brasil na região e abrir portas comerciais
    • Reconstrução futura: Brasil pode se posicionar para participar de eventual reconstrução venezuelana

    Recomendações para o setor

    Diante deste cenário de alta incerteza, empresas do agronegócio brasileiro devem:

    • Revisar exposição: avaliar imediatamente contratos e exposição ao mercado venezuelano
    • Garantias: exigir pagamentos antecipados ou garantias robustas para novas operações
    • Diversificação: acelerar estratégias de diversificação de mercados
    • Monitoramento: acompanhar desdobramentos políticos e econômicos diariamente
    • Planejamento de cenários: desenvolver planos de contingência para diferentes desdobramentos
    • Diálogo com governo: buscar apoio do Itamaraty e do MDIC para proteção de interesses

    O ataque dos Estados Unidos à Venezuela representa um ponto de inflexão histórico para a América do Sul e coloca o Brasil diante de desafios complexos e interconectados. Para o agronegócio brasileiro, os impactos são multifacetados: desde a perda direta de um mercado que vinha crescendo significativamente até efeitos indiretos em cadeias de suprimentos, custos de insumos e logística.

    A situação exige resposta coordenada entre setor privado e governo, com foco em proteger interesses comerciais já estabelecidos, preparar-se para eventuais choques de oferta de insumos críticos, e posicionar-se estrategicamente para o cenário pós-crise.

    O desenvolvimento dos próximos dias será crucial. A confirmação ou não da captura de Maduro, a reação das forças armadas venezuelanas, o posicionamento de potências regionais e globais, e as decisões do governo brasileiro definirão não apenas o futuro da Venezuela, mas terão consequências duradouras para toda a região. E particularmente para o agronegócio brasileiro, pilar fundamental da economia nacional.

  • Fortaleza e Juazeiro recebem eventos do Dia Mundial da Alimentação

    Fortaleza e Juazeiro recebem eventos do Dia Mundial da Alimentação

    Quatro organizações internacionais promovem entre 15 e 17 de outubro uma série de eventos em Fortaleza (CE) e Juazeiro (BA) para celebrar o Dia Mundial da Alimentação (DMA) 2025. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (WFP), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) organizam atividades no 2º Festival Ceará Sem Fome e no 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia.

    A programação marca os 80 anos da FAO e traz o slogan “De Mãos Dadas por uma alimentação melhor e um futuro melhor”. As entidades focam na promoção de sistemas agroalimentares inclusivos e sustentáveis como estratégia para combater a insegurança alimentar.

    Projeto beneficiará 5 mil produtores em três países

    Durante os eventos, o FIDA lançará o projeto “Melhoramento Participativo dos Recursos Genéticos e Sistemas de Sementes para a Produção Agroecológica – Raízes Agroecológicas”. A iniciativa, financiada pela União Europeia e executada pelo IICA em parceria com a Embrapa, beneficiará mais de 5 mil pequenos produtores agroecológicos do Brasil, Argentina e Bolívia.

    O projeto capacitará agricultores em técnicas de melhoramento genético participativo e conservação da agrobiodiversidade. A ação também promove a inclusão e o empoderamento de mulheres, comunidades indígenas e tradicionais, enfrentando a escassez de recursos no setor.

    Fortaleza recebe projeções e debates sobre segurança alimentar

    Na quarta-feira (15/10), as organizações instalam o estande do Dia Mundial da Alimentação no 2º Festival Ceará Sem Fome, evento organizado pelo governo estadual. O espaço oferece materiais promocionais sobre o trabalho das agências e exibe vídeos institucionais, incluindo um minidocumentário sobre o 80º aniversário da FAO.

    Os representantes das agências da ONU – Jorge Meza (FAO), Daniel Balaban (WFP) e Hardi Vieira (FIDA) – participam da abertura oficial ao lado do governador Elmano de Freitas, da primeira-dama Lia de Freitas e do ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Paulo Teixeira.

    O painel “De mãos dadas por alimentos melhores e um futuro melhor” acontece às 11h e representa um dos momentos centrais da programação. As autoridades concedem coletiva de imprensa às 13h40, seguida pela solenidade institucional às 14h.

    Capital cearense ganha projeção mapeada e iluminação especial

    Na quinta-feira (16/10), data oficial do DMA, Fortaleza se destaca nacionalmente com intervenções visuais. A fachada do Museu da Imagem e do Som (MIS), em frente ao Palácio da Abolição, recebe às 18h30 uma projeção mapeada com vídeo produzido pela FAO. O conteúdo convida o público a refletir sobre alimentação saudável e incentiva ações coletivas pela erradicação da fome, desnutrição e insegurança alimentar.

    No mesmo dia, às 19h, a Arena Castelão recebe iluminação azul, cor oficial da FAO, reforçando a visibilidade da campanha na capital cearense.

    Juazeiro sedia abertura do Congresso de Agroecologia

    Em Juazeiro (BA), o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia acontece de 15 a 18 de outubro na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). A Associação Brasileira de Agroecologia organiza o evento, que conta com participação das agências da ONU.

    Na quarta-feira (15/10), às 19h, o diretor-país do FIDA, Arnoud Hamleers, representa as organizações na Conferência de Abertura. No dia seguinte (16/10), às 17h30, Meza e Hamleers participam de ato público na Orla ao lado do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e do ministro do MDA.

    O lançamento oficial do projeto “Raízes Agroecológicas” ocorre na sexta-feira (17/10), das 14h às 16h, em formato híbrido com tradução simultânea português-espanhol.

    FAO completa 80 anos de atuação global

    A FAO nasceu após a Segunda Guerra Mundial com a missão de apoiar a recuperação da produção de alimentos em países devastados pelos conflitos. Atualmente, a organização trabalha para construir sistemas agroalimentares mais eficientes, inclusivos e sustentáveis, sem deixar ninguém para trás.

    Este ano, o DMA contará com comemorações especiais em 150 países. Em Roma, sede da organização, inaugura-se o Museu e Rede de Alimentação e Agricultura (FAO MuNe), que oferece ao público uma experiência imersiva nas tradições alimentares e agrícolas e apresenta inovações do setor. A cerimônia oficial conta com a presença do Papa Leo XIV e do Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

    Serviço

    FORTALEZA (CE)

    • Festival Ceará Sem Fome – Centro de Eventos do Ceará
    • Av. Washington Soares, 999 – Salão Mundaú
    • Painel “De mãos dadas por alimentos melhores e um futuro melhor”
    • 15/10 | 11h às 12h
    • Coletiva de imprensa com agências da ONU e Governo do Ceará
    • 15/10 | 13h40
    • Solenidade de abertura oficial com autoridades
    • 15/10 | 14h
    • Estande da FAO + Vídeos institucionais e minidoc FAO 80 anos
    • 15/10 | 8h às 18h
    • Projeção mapeada do vídeo da FAO – Museu da Imagem e do Som
    • Av. Barão de Studart, 410 – Meireles
    • 16/10 | 18h30
    • Iluminação especial da Arena Castelão (cor azul FAO)
    • 16/10 | 19h

    JUAZEIRO (BA)

    • 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia – UNIVASF Juazeiro
    • Av. José de Sá Maniçoba, s/n – Centro
    • Conferência de Abertura com representantes da ONU
    • 15/10 | 19h
    • Ato público na Orla com autoridades federais e estaduais
    • 16/10 | 17h30
    • Lançamento do projeto “Raízes Agroecológicas”
    • 17/10 | 14h às 16h
    • Formato híbrido, com tradução português-espanhol
  • 2024 foi o ano mais quente em 175 anos, aponta relatório da ONU

    2024 foi o ano mais quente em 175 anos, aponta relatório da ONU

    O relatório Estado do Clima Global 2024, divulgado nesta quarta-feira (19), confirma que 2024 foi o ano mais quente dos últimos 175 anos. Em geral, o documento, produzido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e outras agências da ONU, revela que a temperatura média global ficou 1,55°C acima dos níveis pré-industriais.

    O estudo analisa dados climáticos globais e alerta para o agravamento da crise climática. As concentrações de dióxido de carbono atingiram o maior nível em 800 mil anos. O aquecimento dos oceanos e o derretimento das geleiras elevaram o nível do mar e reduziram a camada de gelo da Antártida, que registrou a segunda menor extensão da história.

    Sistemas de alerta precoce

    Diante desse cenário, a OMM reforça a necessidade de aprimorar os sistemas de alerta precoce e os serviços climáticos. Apenas metade dos países conta com mecanismos adequados para enfrentar riscos climáticos múltiplos. A entidade destaca que investir em serviços meteorológicos nacionais é essencial para fortalecer a resiliência das comunidades.

    O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que ainda é possível limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, conforme prevê o Acordo de Paris. Ele pediu que os líderes mundiais ampliem seus esforços para conter a crise climática.

    “Nosso planeta está emitindo sinais de alerta, mas ainda temos chance de agir. Os países devem apostar em energias renováveis, que oferecem benefícios econômicos e ambientais”, declarou Guterres.

    Além disso, ele também ressaltou que novos planos climáticos nacionais, previstos para este ano, serão decisivos para enfrentar os desafios globais do clima.

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  • Projeto transforma redes de pesca descartadas e impulsiona economia circular

    Projeto transforma redes de pesca descartadas e impulsiona economia circular

    A cada ano, toneladas de redes de pesca descartadas poluem os oceanos, ameaçando a vida marinha. No Brasil, o projeto Marulho reverte essa situação ao transformar redes de pesca em produtos ecológicos e gerar renda para comunidades costeiras. Atuando na Ilha Grande (RJ), o projeto já reciclou mais de oito toneladas de redes de pesca e comercializou mais de 50 mil produtos sustentáveis, sem o uso de plásticos virgens.

    Artesãos e moradores locais confeccionam os produtos.

    O processo de reciclagem começa com a coleta das redes descartadas, feita por meio de doações de pescadores, parcerias com órgãos públicos e empresas, e limpezas subaquáticas. Após a coleta, as equipes limpam e trituram as redes, transformando o material em matéria-prima para acessórios, itens de moda e objetos de design.

    “O impacto ambiental das redes de pesca fantasmas é devastador. Mas ao invés de tratá-las como lixo, as transformamos em oportunidade”, afirma Samara Oliveira, oceanógrafa e sócia da Marulho.

    Geração de renda e capacitação

    Artesãos e moradores das comunidades de Matariz e Provetá, na Ilha Grande, confeccionam os produtos, beneficiando diretamente cerca de 20 pessoas. O projeto também capacita novos profissionais, fortalecendo a economia local. Os produtos são 100% reciclados, sem plástico novo, e incluem bolsas, mochilas, carteiras e acessórios.

    A ONU reconheceu a iniciativa da Marulho como parte da Década do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável. O projeto busca expandir sua atuação para outras comunidades litorâneas do país.

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